Especialista
explica como funciona fila de espera para receber um órgão transplantado
Recentemente,
a mídia divulgou que o apresentador de televisão Fausto Silva entrou para a
fila de espera para receber um transplante de coração. Com a notícia, vieram
também dúvidas a respeito de como ocorre o alinhamento para determinar a ordem
na qual os pacientes são enquadrados.
Tal dúvida
soa ainda mais relevante caso calculado os números a respeito da transplantação
no Brasil. Em março deste ano, conforme dados da Associação Brasileira de
Transplante de Órgãos, mais de 50 mil pessoas aguardavam por um órgão. A
maioria deste grupo, 29.690 pacientes, esperavam por um rim.
Mais
assustador que isto é o fato de que diariamente ao menos nove pacientes não
resistem a espera e acabam perdendo a vida, segundo relatório da Associação
Brasileira de Transplante de Órgãos (Abto). “A fila por doação de órgãos no
Brasil é um tema de grande importância, impactando diretamente a vida de
milhares de pacientes que aguardam por transplantes. Com o objetivo de garantir
um sistema mais justo e transparente, o Brasil possui uma legislação específica
que regulamenta a fila de espera para transplantes de órgãos”, salienta o
advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito de saúde e direito
público, membro da comissão de direito médico da OAB-MG e diretor do escritório
Ferreira Cruz Advogados.
O
especialista ainda explica qual a lei que dispõe e também como é a escalação
para a fila. “A Lei 9.434, de fevereiro de 1997, foi o que determinou a remoção
de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e
tratamento e dá outras providências. Porém, não é essa lei que instaurou a
graduação para criação e ordem da fila de espera. Na verdade, o processo inicia
com a inscrição do paciente em uma lista única, administrada pela Central de
Transplantes”.
De acordo
com o especialista, os médicos realizam uma avaliação do quadro clínico do
paciente para determinar sua elegibilidade e a urgência do transplante. “Em
seguida, o médico inclui o paciente numa lista única que inicia por ordem de
chegada. Depois deste primeiro momento, a fila de doação de órgãos é regida por
critérios objetivos e transparentes. Os pacientes são classificados com base na
gravidade da condição de saúde e em critérios de compatibilidade. Quanto mais
crítico for o quadro do paciente, maior será sua prioridade na lista. Isso visa
garantir que os órgãos sejam alocados de forma eficaz, maximizando as chances
de sucesso do transplante”.
Outro fator
importante é referente as atualizações pelas quais pode passar a fila de
espera. “O tempo de espera pode variar de acordo com a disponibilidade de
órgãos e a urgência de cada caso. A fila é dinâmica e constantemente
atualizada, refletindo as mudanças no estado de saúde dos pacientes. À medida
que surgem órgãos compatíveis, a Central de Transplantes notifica os hospitais
e inicia o processo de alocação”, acrescenta o advogado.
Os órgãos
responsáveis entendem a transparência como um pilar fundamental do sistema de
fila por doação de órgãos. Os pacientes e seus familiares têm o direito de
saber sua posição na fila e os critérios utilizados para a priorização. As
informações são disponibilizadas de forma acessível, permitindo que todos
compreendam o funcionamento do sistema e se sintam seguros de que a alocação é
feita de maneira justa.
Thayan ainda
explica que há a doação em vida. “Alguns órgãos, como fígado e rim, e ainda a
medula, podem ser doados em vida. Daí a história é um pouco diferente devido o
paciente não carece de entrar para a fila. Isso porque esse transplante segue
um esquema voluntário e os próprios familiares do paciente que carece da doação
pode fazer alguns testes que identificam se o órgão pode ser doado. Caso
positivo, o receptor sequer entra para a fila. Caso negativo, não tem jeito.
Ele vai ser submetido a espera”.
Apesar dos
avanços conquistados, a escassez de órgãos disponíveis ainda é um desafio
persistente. Campanhas de conscientização sobre a doação de órgãos têm sido
realizadas para aumentar a disponibilidade de doadores. Além disso, a contínua
melhoria da logística de transporte e aperfeiçoamento dos processos de alocação
são áreas que estão sendo aprimoradas para otimizar o sistema.
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