O Brasil e o mundo estão enfrentando uma série de desafios associados a diversos problemas socioambientais complexos, de natureza tanto técnica quanto política. Esses problemas impactam toda a população e abrangem questões cotidianas, como tratamento médico, habitação e disponibilidade de alimentos; sociais, como educação, emprego e desigualdade social; e ambientais, como as postas pelas mudanças climáticas, que serão discutidas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022 (COP-27), entre 6 e 18 de novembro em Sharm El Sheikh, no Egito.
As diversas áreas de atuação profissional devem ser
envolvidas na busca de soluções para esses problemas e a engenharia é uma das
mais abrangentes, pois afeta praticamente todos os aspectos de nossa sociedade
e pode-se dizer que é a face do poliedro das atividades humanas que trabalha
para a solução de problemas com o uso da ciência e da tecnologia.
O desenvolvimento proporcionado pela engenharia tem
impactos diretos nas interações sociais e ambientais, muitos dos quais
negativos. As consequências socioambientais da engenharia teriam sido
diferentes se os engenheiros estivessem mais bem preparados para um estudo
sistemático do complexo papel da engenharia na sociedade, se tivessem tido
maior envolvimento com cientistas sociais e dialogado de forma mais adequada
com comunidades afetadas por seus empreendimentos.
Para que a engenharia dê sua contribuição para o
equacionamento e a solução dos grandes desafios da humanidade novas
competências são requeridas. O envolvimento do profissional da engenharia como
um solucionador de problemas comprometido e cientificamente informado é um
apoio fundamental para a sociedade. Logo, a formação em engenharia deve
contemplar a discussão do envolvimento dos engenheiros e das engenheiras nos
fundamentos éticos, racionais e morais da modificação da natureza.
No Brasil, as novas Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN) da Engenharia passaram a vigorar em abril de 2019, trazendo
avanços com relação à expectativa de formação desses profissionais,
privilegiando as competências em vez dos conteúdos e destacando o seu papel
social. Segundo as DCNs, o egresso de um curso de Engenharia deve, entre outras
competências, ter visão holística e humanista, considerar os aspectos globais,
políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e de segurança e saúde no
trabalho, além de atuar com isenção e ter compromisso com a responsabilidade
social e com o desenvolvimento sustentável.
Por isso, o incentivo para trazer a dimensão social
à educação superior também está presente na determinação do MEC, de que todo
curso deve dedicar 10% de sua carga horária a atividades extensionistas. Essa
resolução, de dezembro de 2018, estabelece as diretrizes para a extensão na
educação superior brasileira.
Dessa forma, uma missão para a engenharia, em todo
o mundo, seria colocar as necessidades mais imediatas da sociedade em um
contexto mais amplo. Acreditamos que uma das ações da engenharia para que os
ODS sejam alcançados é influenciar a criação de políticas públicas que façam a
sociedade avançar em termos de sustentabilidade e solução de problemas
socioambientais.
Porém, para isso, o fator “mudanças climáticas”
deveria ser considerado nos projetos. Isso passa, portanto, pela construção de
projetos pedagógicos que coloquem os engenheiros e engenheiras como atores
sociais competentes para resolver problemas complexos, vencer os grandes
desafios da humanidade e contribuir para um mundo sustentável, com menos
desigualdade social, em que haja alegria de viver. A mudança começa na escola!
Prof. Dr. Roberto de Aguiar Peixoto - Eng. Leonardo
Sanches Previti, Profa. Me. Gabriela Sá Leitão de Mello e Prof. Dr. Marcello
Nitz, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)
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