Câncer é o alvo da campanha neste mês, mas o fator masculino é responsável por 40 a 50% das causas de infertilidade conjugal. Especialista da Origen BH ressalta a importância dos exames preventivos nos homens
Cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva sofrem
com problemas para gerar filhos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em 40% a 50% desses casos, a dificuldade está com os homens. Isso ocorre porque
eles enfrentam algum problema de fertilidade, o que não necessariamente
significa a impossibilidade de ter um bebê, pois hoje há várias formas de
tratamento. Neste mês de Novembro Azul, quando as sociedades de urologia fazem
conscientização sobre a prevenção ao câncer de próstata, falar sobre
fertilidade masculina é uma oportunidade de informação à população.
No Brasil, estimam-se 65.840 casos novos de câncer de próstata, por ano. O número corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O rastreio de câncer de próstata, feito via exame de sangue e exame clínico, segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é indicado a partir dos 50 anos de idade mesmo sem sintomas, já nos homens que fazem parte do grupo de risco (raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata) devem começar seus exames mais precocemente, a partir dos 45 anos.
Para o andrologista Rodrigo Spínola, médico na clínica Origen BH, a campanha de prevenção ao câncer da próstata é uma oportunidade que o médico tem de avaliar a saúde do homem como um todo, e não somente a próstata, uma vez que diferentemente da mulher, que geralmente se cuida muito mais com exames de rotina e prevenção, o homem, muitas vezes, não tem essa prática.
Nos exames de rotina, o (a) médico (a) tem a
possibilidade de detectar diversas outras alterações, tais como diabetes,
hipercolesterolemia, disfunção erétil, nódulos em testículos, fimose, hidrocele,
doenças sexualmente transmissíveis, entre elas o HPV, sífilis e outras. Além
disso, é uma boa oportunidade de avaliarmos a saúde reprodutiva do homem.
Sistema reprodutor masculino -
De acordo com Rodrigo Spínola, muito pouco se fala
sobre as doenças que acometem o sistema reprodutor masculino. “Precisamos
vencer esse tabu. Quando o assunto é fertilidade, geralmente, todos os olhares
recaem sobre a mulher, mas grande parte da dificuldade do casal engravidar está
ligada ao sistema reprodutivo do homem e o casal acaba perdendo muito tempo
tentando engravidar sem uma correta avaliação da fertilidade masculina”,
explica o especialista em reprodução humana.
A infertilidade masculina é definida pela
existência de alterações nos parâmetros do sêmen, diagnosticados no exame de
espermograma. São necessárias duas amostras com intervalo de pelo menos 15
dias, onde o especialista vai observar vários critérios, como volume de sêmen;
número e concentração de espermatozoides; motilidade e forma dos espermatozoides.
“Numa consulta com o andrologista, que é um
urologista especialista em fertilidade masculina, para avaliação da
fertilidade, também pode ser necessário a realização de uma ultrassonografia
com doppler dos testículos, a dosagem dos hormônios: Testosterona total e
livre, SHBG, Estradiol, FSH, LH, TSH, T4 livre e prolactina; E em casos
específicos exames genéticos como o cariótipo e a pesquisa de microdeleção do
cromossoma Y.
Fatores que afetam a
fertilidade masculina - Existem diversos
fatores que podem influenciar na fertilidade do homem. Desde hábitos de vida
como tabagismo, uso de drogas e sedentarismo até condições clínicas que levem a
alguma infecção e podem causar uma disfunção testicular temporária; além disso,
outros fatores importantes são: os níveis hormonais; alterações genéticas;
algumas comorbidades como o Diabetes mellitus, uma vez que a doença
pode levar à ejaculação retrógrada ou à ausência da emissão seminal; cirurgias
vesicais, pélvicas, retroperitoneais e transuretrais.
“Entre os problemas mais comuns que podem afetar o
sistema reprodutivo masculino estão a varicocele, dilatação anormal das veias
dos testículos, que aumenta a temperatura local e influência na formação dos
espermatozoides, sendo considerada a principal causa de infertilidade masculina;
e a orquite, um processo inflamatório e doloroso que envolve os testículos,
além de várias infecções no sistema reprodutor masculino”, enumera Spínola.
Há ainda casos de criptorquidia, que são quando um
ou dois testículos não desceram para a bolsa escrotal, e podem afetar o sistema
reprodutor dos homens; A torção testicular, que pode resultar em isquemia do
testículo afetado e afetar a produção de espermatozoides, e câncer testicular.
Pacientes que foram tratados com quimioterapia, radioterapia, cirurgia
retroperitoneal ou uma combinação dessas técnicas, podem também ter sua
fertilidade comprometida em quantidade e/ou qualidade dos espermatozoides.
“O uso de testosterona como forma anabolizante, uso
de alguns medicamentos (finasterida, alfa bloqueador etc.). Problemas
anatômicos ou funcionais que impeçam o adequado depósito do sêmen no interior
da vagina ou problemas de ereção podem igualmente favorecer a infertilidade
masculina. Por isso, é fundamental que exames regulares sejam feitos para verificar
sua saúde como um todo e que em caso de infertilidade conjugal o homem também
seja avaliado em conjunto com a parceira”, complementa o médico.
Clínica Origen de Medicina Reprodutiva

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