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terça-feira, 4 de agosto de 2026

CFM libera uso de plasma rico em plaquetas em quatro tratamentos ortopédicos

Técnica deixa de ser considerada experimental para indicações específicas, mas não substitui tratamentos convencionais

 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou o uso do plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, como procedimento complementar no tratamento da osteoartrite de joelho, da discopatia lombar, da epicondilite lateral do cotovelo e no reparo do menisco. Publicada em meados de julho, a Resolução CFM nº 2.464/2026 muda o entendimento adotado desde 2015, quando a técnica era considerada experimental e restrita a pesquisas clínicas. 

A autorização, porém, não é irrestrita. O PRP deverá ser indicado após diagnóstico médico, avaliação individualizada, análise de exames, exclusão de contraindicações e definição dos objetivos do tratamento. A técnica não substitui medicamentos, fisioterapia, reabilitação, procedimentos intervencionistas ou cirurgias indicadas para cada caso. 

Para o ortopedista do Hospital Mater Dei Salvador Roney Sant’Anna, a resolução representa um avanço, mas também estabelece limites indispensáveis à segurança do paciente. “A nova norma insere o PRP em um cenário mais seguro e baseado nas evidências disponíveis. Não se trata de um tratamento milagroso nem de uma técnica que substitui automaticamente uma cirurgia ou a reabilitação. O resultado depende do diagnóstico correto, da seleção adequada do paciente e de sua integração a um plano terapêutico completo”, explica.

 

Tratamento usa sangue do próprio paciente

O PRP é obtido a partir de uma pequena quantidade de sangue do próprio paciente. Após a coleta, o material passa por centrifugação, processo que separa seus componentes e concentra as plaquetas. Em seguida, o produto é aplicado na região a ser tratada. 

Além de participarem da coagulação, as plaquetas armazenam substâncias envolvidas nos mecanismos naturais de reparação do organismo. “O objetivo clínico pode ser reduzir a dor e melhorar a função, mas a resposta varia entre os pacientes. A técnica não oferece garantia de regeneração do tecido e precisa ser apresentada com transparência”, afirma Sant’Anna. 

A resolução autoriza apenas o uso de material proveniente do próprio paciente e com origem rastreável. Também proíbe a adição de células-tronco, medicamentos, concentrado de medula óssea, gordura microfragmentada e outros produtos que alterem a natureza do PRP, salvo em pesquisas clínicas aprovadas ou diante de regulamentação específica.

 

Evidências são mais fortes para o joelho

Segundo o CFM, a osteoartrite de joelho é a condição que atualmente reúne as evidências científicas mais consistentes, com estudos que apontam melhora da dor e da função em pacientes selecionados, principalmente nos casos leves e moderados. 

As evidências para epicondilite lateral, conhecida como “cotovelo de tenista”, e reparo do menisco ainda apresentam maior variação. Mesmo assim, o Conselho considerou que os dados disponíveis permitem uma utilização controlada, com indicação rigorosa, técnica adequada e acompanhamento médico. 

“Na osteoartrite do joelho, o PRP pode ser considerado como parte de uma estratégia que também envolve fortalecimento muscular, controle do peso, atividade física orientada e fisioterapia. Ele não deve ser visto como uma intervenção isolada”, ressalta o ortopedista. 

Para a discopatia lombar, a norma estabelece exigências adicionais devido à complexidade da coluna e ao risco de complicações. O procedimento deverá ser realizado em hospital ou hospital-dia, com orientação por imagem e por médicos com qualificação reconhecida para intervenções nesta região.

 

Norma proíbe promessa de cura

A resolução proíbe que o PRP seja divulgado como garantia de cura, regeneração assegurada, solução universal ou substituto de uma cirurgia indicada. O procedimento também é contraindicado em situações como infecção ativa no local da aplicação, câncer em atividade, redução importante das plaquetas e distúrbios de coagulação não corrigidos. 

Embora seja produzido com o sangue do próprio paciente, o PRP não é isento de riscos. Podem ocorrer dor, inchaço, sangramento, hematoma, infecção, lesão de estruturas próximas, piora temporária dos sintomas e ausência da resposta esperada. 

A indicação, a aplicação e o acompanhamento do tratamento são considerados atos médicos. Antes do procedimento, o paciente deverá receber informações claras sobre benefícios, limitações, alternativas, riscos e possibilidade de falha terapêutica, além de assinar um termo de consentimento. 

A norma também determina o registro de todas as etapas no prontuário e o acompanhamento periódico da evolução clínica. O uso do PRP para outras doenças ou regiões do corpo continuará dependendo de novas evidências científicas e de regulamentação específica.


Rede Mater Dei de Saúde

Unidades

Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem,
Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara. Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia


Brasil registra alta no volume de coleta de leite humano no primeiro semestre de 2026

Divulgação
Levantamento feito pela Universidade Veiga de Almeida a partir de dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano mostra que coleta e distribuição cresceram 7,5% e 10,8%, respectivamente

 

No mês do Agosto Dourado, dedicado ao incentivo do aleitamento materno e à doação de leite humano, um levantamento feito pela Universidade Veiga de Almeida (UVA) aponta crescimento nos principais indicadores da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) no primeiro semestre de 2026. A análise considerou dados nacionais divulgados pela rede, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
 

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil registrou a coleta de 132 mil litros de leite humano, volume 7,5% superior aos 122,8 mil litros observados no mesmo período de 2025. A distribuição para bebês internados também teve aumento, passando de 85,9 mil para 95,2 mil litros no comparativo semestral, o que representa uma alta de 10,8%.
 

Os dados mostram ainda o avanço na rede de solidariedade: o número de doadoras cresceu 5,2%, subindo de 95,2 mil para 100,2 mil mulheres no primeiro semestre. Com isso, o total de recém-nascidos beneficiados pelos bancos de leite do país passou de 115,7 mil para 123,2 mil bebês, uma alta de 6,5% na comparação entre os períodos.
 

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano reúne bancos de leite e postos de coleta distribuídos por todo o país. O leite humano coletado é destinado principalmente a recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados em unidades neonatais.
 

“O aumento no volume coletado e distribuído mostra a importância da conscientização sobre a doação de leite humano e o impacto direto dessa rede no cuidado neonatal”, afirma Abilene Gouvêa, professora de Enfermagem da UVA e coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe-Uerj).
 

A UVA mantém há dez anos uma sala de apoio ao aleitamento materno no Campus Tijuca, que auxilia mães trabalhadoras, estudantes e mulheres da região na retirada e armazenamento de leite. O espaço incentiva a doação e fornece diretamente para o Banco de Leite Humano do Núcleo Perinatal Hupe-Uerj, integrante da rBLH-BR no Rio de Janeiro.
 

Segundo Abilene, apenas um litro de leite humano doado pode alimentar até dez recém-nascidos, dependendo das necessidades clínicas de cada bebê. A doação pode ser feita por mulheres saudáveis que estejam amamentando e tenham excedente de leite.
 

Reconhecida internacionalmente, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é considerada a maior e mais complexa do mundo, servindo de modelo para iniciativas implantadas em diversos países.


Esqueceu de beber água? Dermatologista explica como a baixa hidratação pode aparecer na pele e alerta para cuidados em diferentes fases da vida

Com a rotina acelerada, temperaturas mais baixas e o aumento do uso de medicamentos para controle de peso, especialistas reforçam a importância de manter a hidratação como parte dos cuidados com a saúde

 

Entre a correria do dia a dia, as baixas temperaturas e a mudança nos hábitos alimentares, um cuidado básico muitas vezes acaba ficando em segundo plano: beber água. Apesar de parecer um hábito simples, a hidratação adequada influencia diretamente o funcionamento do organismo e também pode ser percebida na pele, que costuma dar os primeiros sinais quando algo não está equilibrado.

Nos últimos anos, com o crescimento do uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para tratamento da obesidade e do diabetes, especialistas também passaram a reforçar a importância da atenção aos hábitos básicos durante o processo de emagrecimento, incluindo o consumo adequado de líquidos.

A redução do apetite provocada por esses medicamentos pode fazer com que algumas pessoas passem a ingerir menos alimentos e líquidos ao longo do dia, tornando ainda mais importante criar uma rotina consciente de hidratação.

Segundo o Dr. José Roberto Fraga Filho, dermatologista membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Diretor Clínico do Instituto Fraga de Dermatologia, a água participa de diversos processos do organismo e tem papel importante na manutenção da barreira de proteção da pele.

“A pele depende de uma boa hidratação para manter seu equilíbrio. Quando o consumo de água é insuficiente, podemos observar sinais como ressecamento, descamação, perda de elasticidade, sensação de pele áspera e coceira. A água não é um tratamento isolado para problemas dermatológicos, mas é um dos fatores que contribuem para uma pele saudável”, explica.


Idosos estão entre os grupos que precisam de mais atenção

O especialista alerta que a percepção de sede tende a diminuir com o envelhecimento, fazendo com que muitos idosos consumam menos água do que o necessário.

“É muito comum encontrarmos pacientes idosos com a pele extremamente seca, craquelada e com coceira intensa justamente porque não têm o hábito de beber água com frequência. Com o passar dos anos, o organismo pode dar menos sinais de sede, e a pessoa acaba não percebendo que precisa aumentar a ingestão de líquidos”, destaca o dermatologista.

Além da pele, a baixa hidratação pode impactar outras funções do corpo, como funcionamento intestinal, disposição, circulação e equilíbrio do organismo.


No frio, a hidratação também merece atenção

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a necessidade de beber água não desaparece no inverno. Como há menor sensação de calor e menos suor aparente, é comum reduzir espontaneamente o consumo de líquidos.

“Nos dias frios, muitas pessoas simplesmente esquecem da água porque não sentem tanta sede. Mas o corpo continua perdendo líquidos diariamente, seja pela urina, respiração ou outras funções naturais”, explica o médico.


Banhos quentes e longos podem agravar o ressecamento

Outro hábito comum no inverno pode prejudicar ainda mais a pele: o banho muito quente.

“Nossa pele possui uma camada natural de proteção, formada por lipídios, que ajuda a manter sua hidratação. A água muito quente e os banhos demorados removem parte dessa proteção, favorecendo o ressecamento, dermatites, descamação e coceiras”, alerta Dr. Fraga.

Para preservar a saúde da pele, a recomendação é optar por banhos mais rápidos, com água morna, utilizar hidratantes após o banho e manter o uso diário de protetor solar.


Hidratação faz parte de uma rotina de saúde

Para o dermatologista, cuidar da pele vai além dos produtos aplicados externamente. Uma rotina equilibrada envolve alimentação adequada, hidratação, sono, proteção solar e acompanhamento profissional quando necessário.

“A pele reflete o que acontece dentro do organismo. Beber água é um hábito simples, mas fundamental para ajudar o corpo a funcionar melhor e manter a pele em boas condições”, finaliza.

  

Fonte:

Dr. José Roberto Fraga Filho - Médico dermatologista, membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, fundador e Diretor Clínico do Instituto Fraga de Dermatologia.
Instagram: @fragadermatologia

 

Por que saúde bucal ainda é um dos maiores desafios para famílias de pessoas com autismo

Questões sensoriais, dificuldades de comunicação e falta de profissionais capacitados fazem com que consultas odontológicas sejam adiadas, ampliando riscos à saúde e ao bem-estar de milhões de brasileiros com TEA

 

Pela primeira vez, o Brasil tem um retrato oficial da população com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dados divulgados pelo IBGE em 2025, com base no Censo Demográfico de 2022, mostram que 2,4 milhões de brasileiros receberam diagnóstico de autismo, o equivalente a 1,2% da população nacional. O levantamento também revelou maior prevalência entre homens e concentração de casos na faixa de 5 a 9 anos.

Por trás desses números existe uma realidade pouco debatida fora do ambiente familiar, que a saúde bucal está entre os cuidados mais difíceis de serem mantidos por muitas pessoas com TEA. Para a cirurgiã-dentista  Dra. Cristiane Vasconcellos, mestre em Clínica Odontológica Integrada e  diretora da Odontolar,  clínica com atuação em PCDs, odontogeriatria, home care e odontologia hospitalar em Vitória, e especialista no atendimento de pacientes com necessidades específicas, o desafio vai muito além da escovação. 

“Em muitos casos, a dificuldade começa com a rejeição ao toque, à textura da escova, ao sabor do creme dental ou até ao simples ato de abrir a boca. São questões sensoriais que podem transformar uma atividade cotidiana em uma experiência extremamente desconfortável.”

O crescimento dos diagnósticos também amplia a necessidade de serviços de saúde preparados para atender essa população. Embora o atendimento odontológico seja um direito garantido pelo SUS, muitas famílias ainda encontram dificuldades para acessar profissionais capacitados, ambientes adaptados e abordagens compatíveis com as necessidades de pacientes neurodivergentes.

Para a Dra. Cristiane, trata-se de uma questão de saúde pública. “Estamos falando de uma população que cresce em visibilidade e em acesso ao diagnóstico, mas que ainda encontra dificuldades para receber um atendimento odontológico adequado. A inclusão também precisa estar presente nos serviços de saúde e nos consultórios.”


Quando escovar os dentes se torna um desafio diário

A hipersensibilidade sensorial é uma característica comum em pessoas com TEA e pode afetar diretamente a rotina de higiene bucal. Sons, cheiros, luzes, texturas e sensações táteis podem provocar desconforto intenso, dificultando tanto a escovação quanto o uso do fio dental.

Segundo a odontologista, o problema se agrava quando o paciente associa experiências negativas anteriores ao atendimento odontológico. “Muitas famílias chegam ao consultório após anos evitando atendimento porque a criança ou o adulto passou por uma experiência traumática. Isso cria um ciclo difícil de romper. A consulta gera ansiedade, a ansiedade leva ao adiamento do tratamento e, com o tempo, os problemas bucais se agravam.”

A consequência costuma aparecer em forma de cáries extensas, gengivites, dor, infecções e necessidade de procedimentos mais complexos, que poderiam ser evitados com acompanhamento preventivo.


Impactos que vão além da boca

Problemas odontológicos podem comprometer alimentação, sono, comunicação e comportamento. Em pessoas com TEA que apresentam dificuldades de comunicação verbal, identificar dor ou desconforto costuma ser ainda mais difícil.

“Nem sempre a pessoa consegue dizer que está sentindo dor. O que os familiares observam são alterações no sono, na alimentação, crises de irritabilidade ou comportamentos repetitivos mais intensos. Em alguns casos, a origem do problema está na saúde bucal”, afirma.

Além dos impactos clínicos, existe uma carga emocional significativa para pais e cuidadores. A rotina de higiene frequentemente exige adaptações constantes, enquanto consultas odontológicas podem gerar ansiedade devido a experiências traumáticas anteriores.

“É comum encontrar famílias emocionalmente exaustas. Muitos pais carregam um sentimento de culpa por não conseguirem realizar a higiene ideal, quando na verdade enfrentam barreiras que exigem conhecimento técnico e abordagens específicas”, observa a especialista.

Quando a prevenção falha, o custo financeiro também aumenta. Tratamentos corretivos, procedimentos sob sedação e atendimentos hospitalares podem representar despesas muito superiores às de um acompanhamento preventivo regular. Quando não conseguimos um contato amoroso com o paciente e um tratamento convencional, é necessário fazermos a sedação ou atendimentos em hospitais.


Falta de profissionais preparados ainda é uma barreira

Outro desafio enfrentado pelas famílias é encontrar profissionais capacitados para atender pacientes neurodivergentes. Apesar dos avanços na discussão sobre inclusão, ainda há escassez de dentistas preparados para lidar com as particularidades sensoriais, comportamentais e comunicacionais associadas ao TEA.

Não é raro que famílias passem por diversos consultórios antes de encontrar atendimento adequado. Em muitos casos, consultas são interrompidas, tratamentos ficam incompletos e a experiência negativa reforça a resistência do paciente a novos atendimentos.

“Algumas famílias chegam depois de ouvir que o paciente era ‘difícil de atender’ ou que precisava simplesmente colaborar mais. Esse tipo de abordagem gera frustração e aumenta a insegurança dos responsáveis, que acabam adiando novas consultas por receio de repetir a experiência”, afirma Cristiane.

Segundo ela, o preparo necessário vai além do conhecimento odontológico. “O profissional precisa compreender o funcionamento daquele paciente, respeitar seus limites, adaptar a comunicação e construir confiança. O tratamento não pode ser padronizado porque cada pessoa dentro do espectro apresenta necessidades diferentes.”


Prevenção precoce pode evitar traumas e tratamentos complexos

Especialistas defendem que a prevenção precoce é um dos caminhos mais eficazes para reduzir dificuldades futuras. O acompanhamento odontológico desde a infância permite que a criança se familiarize gradualmente com o ambiente clínico, os profissionais e os procedimentos.

Ao contrário do que muitas famílias imaginam, as primeiras consultas nem sempre têm como objetivo realizar tratamentos. Muitas vezes, o foco está na adaptação e na construção de experiências positivas.

“Quando o contato acontece de forma gradual e respeitando os limites da criança, aumentam significativamente as chances de termos um adulto mais confortável com os cuidados odontológicos. A prevenção também reduz a necessidade de intervenções invasivas, que costumam ser mais difíceis para pacientes com sensibilidade sensorial elevada”, explica.

A especialista ressalta que a orientação precoce aos pais permite identificar alterações em estágios iniciais e evita que pequenos problemas evoluam para quadros mais complexos.


Cresce a demanda por odontologia inclusiva

O aumento dos diagnósticos e a maior conscientização sobre o autismo têm ampliado a procura por serviços especializados em todo o país. Na avaliação de Cristiane, o desafio dos próximos anos será ampliar a formação dos profissionais e tornar o atendimento odontológico inclusivo mais acessível.

“A odontologia tem um papel importante na autonomia e na qualidade de vida das pessoas com autismo. Quando conseguimos criar um ambiente seguro e previsível, o paciente desenvolve confiança, participa mais ativamente dos cuidados e passa a enxergar a saúde bucal como parte do seu bem-estar.”

Para ela, a prevenção continua sendo o principal caminho. “Quanto mais cedo a família recebe orientação adequada, maiores são as chances de construir uma rotina saudável, evitar traumas e reduzir a necessidade de tratamentos complexos no futuro.” 



Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos. Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
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Fontes utilizadas:

IBGE – Censo Demográfico 2022 (divulgação em 2025): https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43464-censo-2022-identifica-2-4-milhoes-de-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-no-brasil

Ministério da Saúde – Transtorno do Espectro Autista: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo


Nariz bonito nem sempre significa nariz saudável: anatomia pode influenciar respiração, sono e até o ronco

Especialista explica como alterações na estrutura nasal podem comprometer a passagem do ar — e por que estética e função devem caminhar juntas

 

É comum associar problemas respiratórios apenas a quadros de gripe, rinite ou sinusite. Mas, em muitos casos, a dificuldade para respirar pelo nariz está relacionada à própria anatomia da região — e nem sempre isso é perceptível à primeira vista. 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Arnaldo Tamiso, do Hospital Paulista, a aparência externa do nariz nem sempre revela como ele funciona internamente. "Muitas pessoas têm um nariz considerado esteticamente perfeito, mas apresentam desvio de septo ou outras alterações internas que comprometem a passagem do ar. 

Da mesma forma, há pacientes com narizes tortos ou com características marcantes que respiram normalmente", explica. 

Essa diferença entre estética e função faz com que muitos pacientes convivam durante anos com dificuldades respiratórias sem perceber que existe tratamento.

 

Muito além do desvio de septo 

Embora o desvio de septo seja uma das alterações mais conhecidas, ele está longe de ser o único fator capaz de dificultar a respiração. "O aumento dos cornetos, geralmente associado à rinite, também pode obstruir a passagem do ar. Além disso, existem alterações estruturais que conseguimos identificar até mesmo observando o nariz por fora", afirma o especialista. 

Entre elas está o chamado colapso da válvula nasal, quando as laterais do nariz se fecham durante uma inspiração mais intensa. Segundo Tamiso, essa condição costuma ocorrer em pessoas com cartilagens mais frágeis ou em pacientes que já foram submetidos a cirurgias nasais. 

Outra alteração frequente é a ponta do nariz excessivamente caída, que pode dificultar a entrada de ar, além de deformidades no dorso nasal que frequentemente estão associadas a alterações internas do septo e das cartilagens, seja por trauma ou por genética.

 

Respirar mal interfere até no sono 

As consequências vão além do desconforto durante o dia. Quando o nariz não permite uma passagem adequada do ar, o organismo passa a respirar pela boca, principalmente durante o sono. 

"É um efeito dominó. O ar deixa de ser filtrado, aquecido e umidificado corretamente. A boca permanece aberta, a garganta resseca, a língua tende a cair para trás e o ronco aparece com mais facilidade", explica Tamiso. 

Como consequência, o sono perde qualidade. "A pessoa pode até dormir durante toda a noite, mas acorda cansada, com boca seca e sensação de que não descansou. Em alguns casos, esse quadro pode estar associado até à apneia obstrutiva do sono, que merece investigação especializada."

 

Cirurgia estética também precisa preservar a função 

Nos últimos anos, a rinosseptoplastia evoluiu justamente para equilibrar estética e funcionalidade. Segundo o especialista, atualmente o objetivo não é apenas modificar o formato do nariz, mas preservar ou até melhorar sua capacidade respiratória. 

"Hoje sabemos que não basta deixar o nariz bonito. Se a cirurgia reduzir demais algumas estruturas sem reforçar adequadamente as cartilagens, o paciente pode ganhar um resultado estético satisfatório, mas perder qualidade respiratória." 

O médico ressalta ainda que, em alguns casos, apenas corrigir o desvio de septo não resolve completamente o problema. "Existem pacientes em que a válvula nasal continua funcionando de forma inadequada mesmo após uma septoplastia. Por isso, o planejamento cirúrgico precisa avaliar todas as estruturas envolvidas."

 

Nem sempre a cirurgia é o primeiro passo 

Apesar de muitos casos exigirem correção cirúrgica, Tamiso lembra que o tratamento costuma começar por medidas mais simples. 

"A lavagem nasal de alto volume e baixa pressão deve fazer parte da rotina, quase como escovar os dentes. Também é importante investigar rinite, controlar processos inflamatórios e, em algumas situações, utilizar dilatadores nasais para melhorar temporariamente a passagem do ar." 

Somente quando essas medidas não são suficientes é que se considera uma abordagem cirúrgica.

 

Quando procurar um especialista? 

Alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem por longos períodos:

  • dificuldade constante para respirar pelo nariz;
  • dependência frequente de sprays descongestionantes;
  • boca seca ao acordar;
  • ronco intenso;
  • sensação de que o nariz "fecha" durante exercícios físicos ou ao deitar.

"Nesses casos, vale a pena procurar avaliação especializada. Muitas vezes o paciente acredita que respirar mal é normal, quando, na verdade, existe uma alteração anatômica que pode ser tratada", conclui o especialista.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Agosto Branco reforça que ampliar o acesso da prevenção ao tratamento pode mudar a história do câncer de pulmão no Brasil

depositphotosSiberianArt Ilustração de tomografia computadorizada de pulmão

O Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) escolhe o acesso como tema central de suas ações no Agosto Branco 2026 e reúne evidências científicas produzidas ao longo de quase uma década que mostram como desigualdades na prevenção, no diagnóstico e no tratamento ainda comprometem a sobrevida dos brasileiros com câncer de pulmão


O acesso à prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce, testes moleculares, cirurgia, radioterapia e terapias sistêmicas é o tema central das ações promovidas pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) durante o Agosto Branco 2026, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pulmão. Neste ano, a entidade escolheu discutir como as desigualdades existentes ao longo de toda a jornada do paciente continuam sendo um dos principais obstáculos para reduzir a mortalidade pela doença no Brasil, apesar dos avanços científicos registrados nas últimas décadas.

O tema ganha relevância diante da dimensão epidemiológica da doença. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o Brasil deverá registrar cerca de 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano. A doença é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre os homens e o quarto entre as mulheres. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mostram que, somente em 2025, o câncer de pulmão foi responsável por 32.113 mortes no país. No mundo, permanece como a principal causa de morte por câncer, com aproximadamente 1,8 milhão de óbitos anuais.

Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco, reduzir a mortalidade hoje depende de muito mais do que combater o consumo de cigarros. O avanço da oncologia transformou profundamente a forma de diagnosticar e tratar o câncer de pulmão, tornando indispensáveis o rastreamento de pessoas de alto risco, o diagnóstico oportuno, a realização de testes moleculares capazes de identificar alterações genéticas específicas do tumor, o encaminhamento rápido para equipes especializadas e o acesso às diferentes modalidades terapêuticas disponíveis, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo.

Ao mesmo tempo, um conjunto de estudos publicados por pesquisadores brasileiros ao longo dos últimos anos demonstra que esses avanços ainda chegam de forma desigual aos pacientes. As barreiras aparecem desde o acesso à informação e ao diagnóstico precoce até a realização de exames moleculares, a incorporação de novas tecnologias e a disponibilidade dos tratamentos mais adequados, especialmente para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o oncologista clínico Vladmir Cordeiro de Lima, presidente do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), discutir acesso significa olhar para toda a trajetória do paciente, e não apenas para a disponibilidade de medicamentos. "A discussão sobre acesso abrange toda a jornada do paciente. Ela começa pela educação da população e dos médicos, passa pela prevenção e pelo rastreamento, pelo diagnóstico precoce e correto, até a definição do tratamento mais adequado para cada pessoa. Quando qualquer uma dessas etapas falha, o resultado é comprometido”, afirma. 


Acesso à informação: tabagismo e muito além dele 

Embora o controle do tabagismo continue sendo a medida mais importante para prevenir a doença, especialistas destacam que o conhecimento científico acumulado nas últimas décadas ampliou significativamente a compreensão sobre os fatores capazes de influenciar a mortalidade. Além de fortalecer as políticas de controle do tabaco, é necessário ampliar a informação sobre outros fatores de risco, como a exposição ocupacional a agentes carcinogênicos, a poluição atmosférica, o radônio e a fumaça proveniente da queima de combustíveis utilizados no preparo de alimentos. 

Ainda segundo o GBOT, é fundamental garantir que pessoas com maior risco de desenvolver a doença tenham acesso a programas estruturados de rastreamento e que pacientes com suspeita clínica consigam realizar rapidamente exames de imagem, obter confirmação diagnóstica e serem encaminhados para centros especializados. Esse cenário ganha ainda mais importância porque o câncer de pulmão costuma permanecer silencioso em suas fases iniciais. 

Em muitos casos, sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão ou perda de peso inexplicada surgem apenas quando a doença já está localmente avançada ou metastática, reduzindo as possibilidades de tratamento com intenção curativa. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce representa uma das estratégias de maior potencial para reduzir a mortalidade decorrente da doença.


Acesso ao rastreamento 

Embora o diagnóstico precoce seja reconhecido como uma das estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade por câncer de pulmão, sua implementação ainda representa um desafio no Brasil. Nos últimos anos, estudos internacionais demonstraram que o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose pode identificar tumores em fases iniciais em pessoas com alto risco de desenvolver a doença, quando as possibilidades de tratamento com intenção curativa são significativamente maiores.

De modo geral, são consideradas de alto risco pessoas com idade entre 50 e 80 anos, que fumam atualmente ou deixaram de fumar há menos de 15 anos e apresentam carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano. Essa medida corresponde, por exemplo, ao consumo de um maço de cigarros por dia durante 20 anos ou de dois maços por dia durante dez anos. 

A adoção do rastreamento organizado entrou na agenda da saúde pública brasileira. Em julho deste ano, o Ministério da Saúde anunciou um projeto-piloto para avaliar a implementação dessa estratégia no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa prevê a realização de tomografia computadorizada de baixa dose em pessoas elegíveis e deverá subsidiar a construção de uma política pública voltada à detecção precoce da doença. 

O GBOT avalia que a medida representa um avanço importante, mas precisa ser acompanhada pela organização de toda a linha de cuidado. Segundo a entidade, detectar um tumor precocemente só produz impacto na mortalidade quando o paciente consegue realizar rapidamente os exames complementares, obter a confirmação diagnóstica e iniciar o tratamento em tempo oportuno.


Acesso pós-diagnóstico

Os avanços científicos ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento do câncer de pulmão. Com a incorporação da medicina de precisão, a escolha da terapia passou a considerar não apenas o tipo histológico e o estágio da doença, mas também alterações moleculares presentes no tumor, permitindo uma abordagem mais individualizada para parte dos pacientes.

Essa estratégia, entretanto, depende do acesso aos testes moleculares, responsáveis por identificar alterações em genes como EGFR, ALK, ROS1, BRAF, RET, MET, KRAS e NTRK, fundamentais para indicar terapias-alvo capazes de atuar especificamente sobre essas alterações. Para muitos pacientes, esses tratamentos proporcionam maior controle da doença, melhor qualidade de vida e aumento da sobrevida.

Na prática, diferentes estudos têm documentado desigualdades no acesso aos testes moleculares e às terapias-alvo entre pacientes atendidos pelo SUS e pela saúde suplementar. Estudo nacional publicado em junho no JCO Global Oncology revelou que 93,9% dos médicos da saúde suplementar relataram ter acesso aos testes para identificação da alteração no gene ALK, percentual que cai para 43,9% entre os profissionais que atuam no SUS. Entre as principais barreiras estão a limitação da infraestrutura diagnóstica, a dificuldade de reembolso e, muitas vezes, a necessidade de iniciar rapidamente o tratamento antes da conclusão da investigação molecular.

Outro estudo do mesmo grupo mostrou que essas dificuldades vão além do gene ALK. Muitos oncologistas brasileiros ainda encontram obstáculos para solicitar o perfil genômico amplo (Comprehensive Genomic Profiling – CGP), exame que permite identificar simultaneamente diversas alterações moleculares importantes para a definição do tratamento. Alto custo, limitações de cobertura pelos sistemas de saúde, dificuldades logísticas e quantidade insuficiente de material obtido nas biópsias estão entre os principais entraves relatados.

As consequências dessas barreiras se refletem diretamente na assistência aos pacientes. Em outro estudo publicado este ano no JCO Global Oncology, pesquisadores do GBOT compararam o tratamento de pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células com alteração no gene ALK atendidos pelo SUS e pela saúde suplementar. Enquanto 53,9% dos pacientes da saúde suplementar receberam terapia-alvo como tratamento de primeira linha, esse percentual foi de apenas 22,2% entre os usuários do SUS. As diferenças também se refletiram na sobrevida: após três anos de acompanhamento, 87,2% dos pacientes da saúde suplementar permaneciam vivos, contra 61,4% daqueles tratados no sistema público. O estudo mostrou ainda que os usuários do SUS enfrentam intervalos maiores entre o surgimento dos sintomas, o diagnóstico e o início do tratamento.

Um estudo farmacoeconômico brasileiro, publicado em 2019, chegou à mesma conclusão sob outra perspectiva. A análise estimou que a falta de acesso a inibidores de tirosina quinase para pacientes com alterações no gene EGFR resulta em anos de vida potencialmente perdidos e apontou que ampliar a oferta dessas terapias no SUS poderia trazer benefícios clínicos e econômicos ao sistema de saúde.

Conforme explica a oncologista clínica Samira Mascarenhas, primeira autora de um dos estudos e presidente eleita do GBOT, garantir o acesso aos testes moleculares tornou-se uma etapa indispensável da assistência ao paciente com câncer de pulmão. "Hoje, conhecer o perfil molecular do tumor é parte fundamental do tratamento. Sem esse diagnóstico, muitos pacientes deixam de receber terapias capazes de proporcionar maior controle da doença, melhor qualidade de vida e aumento da sobrevida", afirma.


As barreiras persistem em diferentes fases da doença

As barreiras de acesso também se manifestam em diferentes fases da doença. Um estudo brasileiro sobre o atraso no início do tratamento identificou intervalos importantes entre o aparecimento dos primeiros sintomas, a confirmação do diagnóstico e o início da terapia, reforçando a necessidade de reduzir o tempo de espera ao longo de toda a linha de cuidado.

Essas desigualdades também foram observadas em pacientes com câncer de pulmão localmente avançado. Um estudo multicêntrico conduzido pelo GBOT e pelo LACOG mostrou que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam maior demora para iniciar o tratamento e apresentam piores resultados quando comparados aos pacientes da saúde suplementar. Segundo os autores, reduzir essas diferenças representa uma oportunidade concreta para melhorar os desfechos do tratamento no país.

As disparidades se repetem ainda entre pacientes com metástases cerebrais. Um estudo publicado no JCO Global Oncology verificou que pacientes atendidos em instituições públicas chegavam ao diagnóstico com doença mais avançada, apresentavam tumores maiores, realizavam menos exames de ressonância magnética e tinham acesso mais limitado à radiocirurgia. Como consequência, o tempo de vida após o diagnóstico foi, em média, cerca de duas vezes menor entre os pacientes tratados no sistema público do que entre aqueles atendidos na saúde suplementar.

Os resultados reforçam achados de outras pesquisas nacionais que também identificaram atrasos entre o aparecimento dos primeiros sintomas, a confirmação diagnóstica e o início do tratamento, indicando que reduzir o tempo de espera continua sendo um dos principais desafios para melhorar o prognóstico dos pacientes brasileiros. 


Acesso à inovação

O desenvolvimento de terapias-alvo, imunoterápicos e outras estratégias da medicina de precisão ampliou significativamente as possibilidades de tratamento do câncer de pulmão. Entretanto, fazer com que essas inovações cheguem aos pacientes continua sendo um desafio. Um estudo publicado no Journal of Cancer Policy em junho desse ano mostrou que, entre 2020 e 2024, a agência reguladora norte-americana (FDA) aprovou 73 novos medicamentos oncológicos, enquanto a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou 56 e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 18. A análise identificou ainda atraso mediano de 353 dias nas aprovações brasileiras em relação ao FDA e de 336 dias em relação à EMA. 

As consequências desses atrasos podem ser mensuradas. Um estudo brasileiro publicado em 2025 estimou que a indisponibilidade do amivantamabe no SUS pode resultar em mortes prematuras e perda de anos de vida entre pacientes com câncer de pulmão elegíveis ao tratamento, evidenciando o impacto que a demora na incorporação de novas tecnologias pode ter sobre a população. Outro estudo brasileiro sobre o financiamento do tratamento do câncer de pulmão no SUS mostrou que os valores reembolsados pelo sistema público para o tratamento da doença avançada não acompanham os custos reais da assistência. Segundo os autores, essa defasagem compromete a incorporação de novas tecnologias e representa mais uma barreira para ampliar o acesso dos pacientes às terapias inovadoras.

Já a análise dos desafios para a implementação da medicina de precisão no SUS, publicada em 2025, concluiu que superar essas desigualdades requer mais do que apenas a aprovação de novos medicamentos. Os autores defendem o fortalecimento da infraestrutura de diagnóstico molecular, a ampliação da disponibilidade de laboratórios especializados, a organização dos fluxos assistenciais e a aceleração da incorporação de tecnologias ao sistema público. 

 

GBOT - Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica
https://www.gbot.med.br/

 



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Treatment of ALK+ Non-Small Cell Lung Cancer in the Brazilian Public and Private Health Care Systems: A Tale of Inequalities (LACOG/GBOT 1918). JCO Global Oncology. 2026;12(6):e2600042.
- Current Access to Anaplastic Lymphoma Kinase Testing and Targeted Therapies for Non-Small Cell Lung Cancer in Brazil: Results From a Cross-Sectional Survey (LACOG 1224-GBOT). JCO Global Oncology. 2026;12(6):e2600117.
- Regulatory Approval of New Oncology Drugs, 2020-2024: A Comparative Analysis of FDA, EMA, and ANVISA. Journal of Cancer Policy. 2026;48:100752.
- Premature Deaths and Life-Years Lost From Lack of Amivantamab in Brazil's Unified Health System. JCO Global Oncology. 2025;11:e2500302.
- Addressing Challenges in the Implementation of Precision Oncology: An In-depth Examination of Limitations and Disparities in the Treatment of Non-Small Cell Lung Cancer in the Brazilian Public Healthcare System (SUS). Global Public Health. 2025;20(1):2450412.
- Health Services Access Inequalities in Brazil Result in Poorer Outcomes for Stage III NSCLC (RELANCE/LACOG 0118). JTO Clinical and Research Reports. 2024;5(3):100646.
- Discrepancies Between the Cost of Advanced Lung Cancer Treatment and How Much Is Reimbursed by the Brazilian Public Healthcare System. Value in Health Regional Issues. 2023;33:1-6.
- Assessing Oncologists' Attitudes Concerning Comprehensive Genomic Profiling in Stage IV Lung Adenocarcinoma in Brazil. JTO Clinical and Research Reports. 2022;3(10):100402.
- Non-Small-Cell Lung Cancer With CNS Metastasis: Disparities From a Real-World Analysis (GBOT-LACOG 0417). JCO Global Oncology. 2022;8:e2100333.
- Potential Life Years Not Saved Due to Lack of Access to Anti-EGFR Tyrosine Kinase Inhibitors for Lung Cancer Treatment in the Brazilian Public Healthcare System: Budget Impact and Strategies to Improve Access. A Pharmacoeconomic Study. São Paulo Medical Journal. 2019;137(6):505-511.
- Impact of the Delay to Start Treatment in Patients with Lung Cancer Treated in a Densely Populated Area of Brazil. Clinics (São Paulo). 2017;72(11):675-680.


Sofre com foliculite recorrente na região íntima? Entenda como o laser de CO2 pode ajudar no tratamento

Tecnologia contribui para reduzir a inflamação causada por pelos encravados, diminuir a reincidência das lesões e melhorar a saúde da pele


Você já deixou de usar uma roupa mais justa ou adiou um momento de intimidade por causa de bolinhas doloridas, vermelhidão ou manchas na região íntima? Quando esses episódios se tornam frequentes, é possível que a causa seja a foliculite, uma condição que vai além do desconforto estético. As lesões podem provocar dor, sensibilidade, hiperpigmentação e comprometer a autoestima e a qualidade de vida.

A condição é caracterizada pela inflamação dos folículos pilosos, estruturas responsáveis pelo crescimento dos pelos. Na região íntima, o quadro costuma estar relacionado aos pelos encravados, principalmente após a depilação, mas também pode ser favorecido pelo atrito constante, pela umidade, pelo uso de roupas muito justas e por características individuais da pele. Embora muitas mulheres recorram a soluções caseiras ou a produtos vendidos sem orientação, a repetição das lesões é um sinal de que o quadro merece avaliação especializada.

Segundo a ginecologista e especialista em cirurgia íntima, Dra. Mariana Macedo, a investigação da causa é a primeira etapa para um tratamento eficaz. "Nem toda lesão que aparece após a depilação corresponde à foliculite. Existem doenças dermatológicas e outras condições inflamatórias que podem se manifestar de forma semelhante. O diagnóstico correto é essencial para evitar tratamentos inadequados e definir a melhor conduta para cada paciente", explica.

Quando a foliculite se torna recorrente, controlar apenas a inflamação das lesões costuma não ser suficiente. É justamente nesse contexto que o laser de CO2 fracionado vem sendo incorporado aos protocolos terapêuticos. A tecnologia atua diretamente na qualidade da pele, promovendo microperfurações controladas que desencadeiam um intenso processo de regeneração tecidual e estimulam a produção de novas fibras de colágeno.

Na prática, esse mecanismo favorece a remodelação da pele, reduz áreas de fibrose provocadas por inflamações repetidas, melhora a textura do tecido e diminui as condições que favorecem o encravamento dos pelos. Como consequência, a frequência das crises tende a diminuir, enquanto a pele recupera progressivamente sua integridade.

"O grande diferencial do laser é que ele não atua apenas sobre a lesão visível. O tratamento promove uma reorganização do tecido cutâneo, reduzindo alterações estruturais que perpetuam a foliculite. Com uma pele mais saudável e uniforme, a tendência é que o folículo piloso volte a exercer sua função de maneira mais adequada, reduzindo novos episódios", detalha Dra. Mariana.

Outro benefício observado é a melhora do aspecto estético da região íntima. Como a renovação da pele é estimulada ao longo das sessões, muitas pacientes apresentam suavização das manchas provocadas pela inflamação, redução de pequenas cicatrizes e uma textura mais homogênea. Esses resultados costumam refletir também na autoestima, já que muitas mulheres deixam de usar determinadas roupas ou vivenciam desconforto durante a intimidade em razão das marcas deixadas pela foliculite.

A especialista ressalta, porém, que o laser de CO2 não representa uma solução isolada. A indicação depende da intensidade do quadro, das características da pele, da frequência das crises e da avaliação clínica individual. O protocolo também varia conforme a necessidade de cada paciente, tanto em relação ao número de sessões quanto aos intervalos entre elas.

"O sucesso do tratamento depende de uma abordagem conjunta. Além do laser, orientamos ajustes na rotina de cuidados com a região íntima, avaliamos o método de depilação utilizado e identificamos fatores que possam manter a inflamação ativa. Quando essas medidas são associadas, os resultados costumam ser mais duradouros", afirma.

Antes de iniciar o procedimento, é necessário preparar a pele conforme as orientações médicas, evitando fatores que possam aumentar a sensibilidade da região. Após cada sessão, os cuidados com higiene íntima, hidratação da pele e redução do atrito local tornam-se fundamentais para favorecer a recuperação do tecido e potencializar os resultados.

 

Dra. Mariana Macedo - médica ginecologista, especialista em Cirurgia Íntima e Ginecologia Regenerativa, com atuação voltada ao cuidado integral da saúde feminina. Sua abordagem combina excelência médica, atendimento humanizado e as mais modernas tecnologias para oferecer tratamentos seguros, naturais e personalizados. Atende nos estados de São Paulo e da Paraíba, dedicando-se a promover saúde, bem-estar e autoestima.


Saúde em equilíbrio

 

No Dia Nacional da Saúde, especialista destaca que bem-estar vai muito além da ausência de doenças e depende do equilíbrio entre corpo, mente e emoções

 

Celebrado em 5 de agosto, o Dia Nacional da Saúde reforça a importância da prevenção e dos hábitos que promovem qualidade de vida. Mais do que não estar doente, especialistas alertam que saúde significa ter disposição física, equilíbrio emocional, bons relacionamentos e capacidade para enfrentar os desafios do cotidiano. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades.

Nos últimos anos, a neurociência tem ampliado a compreensão sobre a forte conexão entre mente e corpo. Emoções, pensamentos e comportamentos influenciam diretamente o funcionamento do organismo, enquanto a prática de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, o sono de qualidade e o convívio social também exercem impacto positivo sobre a saúde mental. Essa relação explica por que situações de estresse e ansiedade podem desencadear alterações hormonais, problemas gastrointestinais, insônia e outras manifestações físicas.

Segundo o neurocientista e hipnoterapeuta Renê Skaraboto, da Clínica Hipnose pra Todos, a saúde deve ser encarada como um processo contínuo, e não como um resultado pontual de exames laboratoriais. "Muitas pessoas acreditam que estar saudável significa apenas receber um exame com resultados normais. Mas saúde é aquilo que construímos todos os dias. Os exames mostram como você está hoje, mas são os seus hábitos que determinam como estará amanhã", afirma.

Para o especialista, o maior erro é esperar que o corpo dê sinais de desgaste para só então buscar ajuda. "Nós fazemos revisões periódicas no carro, trocamos óleo, fazemos manutenção preventiva, mas com o nosso próprio corpo costumamos agir ao contrário: esperamos quebrar para procurar uma solução. A prevenção continua sendo o melhor caminho para preservar a saúde física e mental", ressalta.

Renê destaca ainda que buscar qualidade de vida não significa alcançar a perfeição. Muitas pessoas desistem de mudar seus hábitos porque acreditam que precisam seguir uma rotina impecável de exercícios, alimentação e produtividade. "Eu sempre digo aos meus pacientes que o melhor é o bem feito, e não o perfeito. Pequenas mudanças, realizadas de forma constante, produzem resultados muito mais duradouros do que metas impossíveis de cumprir", explica.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é a recuperação da energia emocional. Além de dormir bem e alimentar-se adequadamente, é fundamental reservar tempo para descansar, conviver com pessoas queridas, sorrir, desenvolver hobbies e aceitar que errar também faz parte do processo de crescimento. "O erro não deve ser motivo de culpa, mas uma oportunidade de aprendizado. Quando entendemos por que falhamos, conseguimos ajustar o caminho e seguir em frente. Esse também é um exercício de saúde mental", destaca o neurocientista.

Neste Dia Nacional da Saúde, a principal mensagem é que cuidar do corpo e da mente deve ser uma prática diária. Hábitos saudáveis, prevenção, equilíbrio emocional e autocuidado formam um conjunto que favorece uma vida mais longa, produtiva e feliz. "Mente sã, corpo são e vice-versa. Quando cuidamos da saúde mental, fortalecemos o corpo. Quando cuidamos do corpo, também fortalecemos a mente. É essa integração que sustenta uma vida verdadeiramente saudável", conclui Renê Skaraboto.



Hipnose para Todos
Renê Skaraboto - Neurocientista e Hipnoterapeuta
@hipnose_para_todos
www.clinicahipnoseparatodos.com.br
Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Ed. Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.

 

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