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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Conjuntivites aumentam no inverno e exigem atenção para evitar transmissão e complicações

Imagem ilustrativa gerada com Inteligência Artificial
Ar seco, temperaturas mais baixas e maior permanência em ambientes fechados favorecem o surgimento da doença; oftalmologista da Unimed Araxá orienta sobre prevenção e tratamento

 

Com a chegada do inverno, os consultórios oftalmológicos registram aumento das queixas relacionadas às conjuntivites. A combinação de temperaturas mais baixas, ar seco e maior permanência em ambientes fechados favorece tanto a transmissão das formas infecciosas quanto o surgimento ou agravamento dos quadros alérgicos. Embora seja uma condição comum, a conjuntivite exige avaliação médica para que sua causa seja identificada e o tratamento seja adequado.

 

Segundo o oftalmologista da Unimed Araxá, Dr. Lisandro Liboni Guimarães Rios, a conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana fina e transparente que recobre a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. "As conjuntivites podem ter diferentes causas. As formas virais estão entre as mais comuns e apresentam elevada capacidade de transmissão. Já as bacterianas são provocadas por diferentes tipos de bactérias e costumam produzir secreção mais intensa. Há ainda as conjuntivites alérgicas, que não são contagiosas e estão relacionadas à exposição a substâncias como poeira, ácaros, pólen e outros alérgenos", explica.

 

Entre os sintomas mais frequentes estão vermelhidão, lacrimejamento, coceira, sensação de areia nos olhos e secreção. No entanto, o especialista ressalta que apenas a avaliação oftalmológica permite diferenciar os diversos tipos de conjuntivite de outras doenças que também podem provocar olho vermelho.


 

Higiene é a principal forma de prevenção


Nas conjuntivites infecciosas, especialmente nas virais, a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto ou indireto com secreções contaminadas. Um simples hábito, como tocar uma superfície contaminada e levar as mãos aos olhos, pode favorecer a disseminação da doença.

 

"O contágio pode acontecer pelas mãos. Por isso, lavar as mãos com frequência, evitar tocar ou coçar os olhos e não compartilhar toalhas, fronhas, maquiagem, colírios ou outros objetos de uso pessoal são medidas fundamentais para reduzir a transmissão", orienta o oftalmologista.

 

O médico também recomenda manter os ambientes ventilados sempre que possível e reforçar a higienização de objetos de uso frequente, especialmente quando houver pessoas com sintomas em casa ou no ambiente de trabalho.


 

Nem todo olho vermelho é conjuntivite


O tratamento depende da causa da inflamação. Nas conjuntivites virais, a evolução costuma ser autolimitada e as medidas adotadas visam principalmente aliviar os sintomas. Já as formas alérgicas podem exigir medicamentos específicos e controle dos fatores desencadeantes, enquanto algumas conjuntivites bacterianas necessitam de tratamento com antibióticos.

 

Dr. Lisandro faz um alerta para os riscos da automedicação. "O uso inadequado de colírios, especialmente aqueles que contêm corticoides, pode mascarar doenças, agravar determinadas infecções e provocar complicações oculares", afirma.

 

O especialista também destaca que nem todo caso de olho vermelho corresponde a uma conjuntivite. "Dor ocular importante, sensibilidade excessiva à luz, redução da visão, trauma ocular ou piora progressiva dos sintomas são sinais que merecem atenção e avaliação oftalmológica", ressalta.

 

Para o oftalmologista, embora muitas conjuntivites apresentem evolução favorável, identificar corretamente sua causa é essencial para orientar o tratamento e prevenir complicações. "Na presença de sintomas oculares, especialmente quando persistentes ou acompanhados de dor ou alteração da visão, a avaliação do oftalmologista é a forma mais segura de cuidar da saúde dos olhos", conclui.


Dieta rica em açúcar pode agravar a asma já no curto prazo


"O açúcar não é apenas uma caloria vazia, é um agente inflamatório ativo",
 diz o pesquisador Mateus Casaro
 (
Imagem de fabrikasimf/Magnific)

Em estudo com camundongos, o alto consumo de leite condensado induziu uma resposta inflamatória rápida na gordura abdominal que se estendeu aos pulmões

 

O consumo de açúcar está associado a uma maior incidência de cáries, ao ganho de peso e, no longo prazo, pode contribuir para o surgimento de resistência à insulina ou diabetes. Mas, para quem sofre de asma, o impacto pode ser ainda maior. Estudo com camundongos publicado na revista Nutrients mostrou que a ingestão de altas doses de açúcar piora severamente a inflamação pulmonar em curto prazo, agravando o risco de crises alérgicas.

No trabalho, financiado pela FAPESP, os camundongos receberam a quantidade regular de ração e, além disso, tiveram o consumo de leite condensado liberado. Em apenas duas semanas – período que em humanos equivaleria a aproximadamente dois anos – os efeitos negativos já começaram a surgir nos animais.

De acordo com os autores, este é o primeiro estudo com um modelo experimental de asma a mostrar a rapidez com que o açúcar pode agravar quadros inflamatórios.

“Quando uma criança consome muito açúcar, pensamos em consequências como cárie ou obesidade. Mas raramente consideramos que, em um período tão curto, uma alergia preexistente possa ser agravada. Os resultados, portanto, têm um impacto importante tanto na prática clínica quanto na formulação de políticas públicas”, comenta Caroline Marcantonio Ferreira, professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC (UFABC), que coordenou o estudo enquanto ainda trabalhava na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na avaliação da cientista, o achado reforça a necessidade de iniciativas voltadas à redução do açúcar, especialmente entre populações vulneráveis, como crianças e pessoas com doenças respiratórias crônicas.


Fator de risco

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo e cuja prevalência tem aumentado nas últimas décadas. A doença é caracterizada por uma série de alterações no sistema respiratório decorrentes da resposta inflamatória.

Nos pulmões, ocorre o aumento da espessura dos brônquios – os tubos que conduzem o ar até o órgão. Além desse estreitamento, há um incremento na produção de muco, que se acumula e dificulta ainda mais a respiração.

De forma sistêmica, o organismo ativa uma resposta imunológica típica de casos de alergia, com liberação de moléculas pró-inflamatórias (por exemplo, as citocinas IL‑4, IL‑33 e TNF‑α) e produção de anticorpos específicos (imunoglobulina E). Todo esse processo causa sintomas como dificuldade para respirar, chiado no peito e tosse persistente.

Com base nos achados do artigo, os autores alertam que pessoas com asma devem controlar a ingestão de açúcar assim como controlam no ambiente a presença de mofo, poeira e poluição – outros fatores que sabidamente podem desencadear crises asmáticas.

“O açúcar não é apenas uma caloria vazia, é um agente inflamatório ativo, capaz de alterar o equilíbrio imunológico muito antes de qualquer ganho de peso visível. E é preciso lembrar que a adequação da dieta é uma estratégia barata, acessível e extremamente eficiente, que deve ser implementada com o tratamento medicamentoso de pacientes com asma”, afirma Mateus Casaro, bolsista de doutorado da FAPESP no Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Unifesp e coautor do estudo.


A origem da inflamação

Por meio dos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores demonstraram que o açúcar causa uma inflamação sistêmica que começa na gordura armazenada no abdômen, envolvendo órgãos vitais como fígado, pâncreas e intestinos. Esse tecido adiposo visceral passa a produzir substâncias inflamatórias (como o hormônio leptina e as citocinas), que viajam pelo corpo e intensificam a resposta alérgica nos pulmões. As análises também indicam que células de defesa em estado inflamatório (macrófagos do tipo M1) podem migrar da gordura abdominal para os pulmões.

“Essa é a principal hipótese para explicar por que o açúcar piora a inflamação da asma. Observamos que o açúcar provoca inflamação no tecido adiposo mesmo em animais que não têm asma. Nos que consomem açúcar, mas não são alérgicos, o pulmão permanece normal, mas a gordura fica inflamada. Isso sugere que o processo começa na gordura e que substâncias liberadas ali acabam migrando para o pulmão, onde intensificam uma resposta alérgica já existente”, explica Ferreira.

Embora o estudo tenha sido realizado especificamente com um modelo experimental de asma, diz a pesquisadora, é bem provável que o alto consumo de açúcar também agrave inflamações preexistentes em outros órgãos. “Realizamos um estudo parecido sobre dermatite. Os resultados também mostraram uma exacerbação da inflamação na pele, em um curto período”, afirma.

Como ressaltam os pesquisadores, a dieta rica em açúcar sozinha não é capaz de causar asma, mas atua como um potente amplificador da inflamação. “Nenhum animal sem asma induzida apresentou a doença após consumir grandes quantidades de leite condensado. Já nos animais que possuíam a sensibilidade alérgica, o açúcar aumentou drasticamente o muco nas vias aéreas e o recrutamento de células inflamatórias”, comenta Ferreira.

O artigo A short-term high-sugar diet induces glucose intolerance, visceral adipose tissue inflammation, and exacerbates experimental allergic asthma pode ser lido em: www.mdpi.com/2072-6643/18/9/1475.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/dieta-rica-em-acucar-pode-agravar-a-asma-ja-no-curto-prazo/58845



Muito além da alimentação: amamentação protege a saúde, fortalece vínculos e favorece o desenvolvimento infantil

Apesar dos benefícios, amamentação exclusiva segue abaixo do recomendado; pediatra orienta sobre pega correta e sinais de alerta

 

A amamentação é reconhecida como uma das estratégias mais eficazes para proteger a saúde infantil e favorecer o desenvolvimento saudável. Ainda assim, menos da metade dos bebês menores de seis meses no mundo recebe apenas leite humano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF. As entidades também estimam que mais de 820 mil crianças menores de cinco anos poderiam ser salvas todos os anos com o aumento das taxas de amamentação. 

A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é que a amamentação seja exclusiva até os seis meses de vida, sem oferta de água, chás, sucos ou outros alimentos, e mantida de forma complementar até os dois anos ou mais. 

De acordo com a Dra. Gabriela Maia, coordenadora médica da equipe de pediatria da UPA Campo dos Alemães, unidade da Prefeitura de São José dos Campos e gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, a amamentação deve ser entendida como cuidado integral, e não apenas como alimentação. 

“O leite humano é muito mais do que alimento. Ele é um tecido vivo, produzido especialmente para atender às necessidades do bebê nos primeiros seis meses de vida. Além de fornecer todos os nutrientes de que a criança precisa nessa fase, contém anticorpos e outras substâncias que ajudam a fortalecer a imunidade, proteger contra doenças e contribuir para o desenvolvimento do intestino, do cérebro e de todo o organismo. A amamentação também fortalece o vínculo entre o bebê e quem amamenta, trazendo mais segurança, conforto e favorecendo um desenvolvimento saudável”, explica.
 

Benefícios vão além da nutrição

O impacto da amamentação não se limita ao período neonatal. Evidências científicas associam essa prática a melhores desfechos de desenvolvimento cognitivo e neuropsicomotor, além de contribuir para a formação do sistema imunológico e para a prevenção de agravos ao longo da infância. 

A especialista ressalta, no entanto, que amamentar pode envolver dificuldades, especialmente nos primeiros dias após o nascimento. “Embora a amamentação seja um processo natural, é comum que os primeiros dias tragam dúvidas e desafios. Dor durante as mamadas, rachaduras nos mamilos, dificuldade do bebê para fazer a pega correta, pouco ganho de peso ou insegurança são sinais de que vale a pena buscar orientação de um profissional de saúde. Com o acompanhamento adequado desde o início, é possível superar essas dificuldades, tornar a amamentação mais confortável e reduzir o risco de desmame precoce”, pontua.
 

Pega correta ajuda a evitar dor e auxilia a mamada

Um dos pontos mais importantes para a continuidade da amamentação é a pega adequada. Alguns sinais indicam que o bebê está mamando de forma eficiente: boca bem aberta, lábios virados para fora, queixo encostado na mama e maior porção da aréola visível acima da boca do bebê. A sucção costuma ser ritmada, com pausas, e a pessoa que amamenta não deve apresentar dor persistente durante toda a mamada. 

A livre demanda também é recomendada, ou seja, oferecer o peito sempre que o bebê demonstrar sinais de fome, sem estabelecer intervalos rígidos. Movimentos de busca, sucção das mãos, abertura da boca e inquietação costumam anteceder o choro e indicam que o bebê está pronto para mamar. 

“O choro costuma ser um sinal tardio de fome. Reconhecer precocemente os sinais de prontidão para mamar favorece uma pega mais eficiente e uma mamada mais tranquila. Além disso, o acompanhamento do ganho de peso, da diurese, das evacuações e do estado geral do bebê é fundamental para avaliar se a amamentação está ocorrendo de forma eficaz”, afirma Dra. Gabriela.
 

Informação correta evita insegurança

Mitos ainda interferem na adesão à amamentação. Um dos mais comuns é a ideia de "leite fraco". Segundo a pediatra, essa percepção geralmente está relacionada à falta de orientação ou à interpretação equivocada do comportamento do bebê. 

“O conceito de ‘leite fraco’ não possui respaldo científico. A composição do leite humano varia naturalmente durante a mamada, ao longo do dia e conforme a idade do lactente, adaptando-se às suas necessidades nutricionais e imunológicas. Antes de considerar a introdução de fórmulas infantis ou outros alimentos, é fundamental que quem amamenta e o bebê sejam avaliados por um profissional de saúde, para identificar possíveis dificuldades e oferecer o melhor suporte”, reforça. 

Outro ponto de atenção é evitar a culpabilização de pessoas que enfrentam dificuldades ou não conseguem amamentar, oferecendo escuta e cuidado individualizado de acordo com a realidade de cada família. 

A família também exerce papel fundamental nesse processo. Apoiar quem amamenta significa compartilhar responsabilidades, proporcionar momentos de descanso, evitar julgamentos e incentivar a busca por assistência quando necessário. Pais, avós, companheiros, companheiras e demais cuidadores podem contribuir de forma significativa para essa experiência. 

Diante de dor intensa, fissuras, febre, vermelhidão nas mamas, dificuldade persistente de pega, sinais de desidratação no bebê ou baixo ganho de peso, a orientação é procurar uma unidade de saúde. O acompanhamento precoce por profissionais capacitados permite identificar dificuldades, ajustar as técnicas necessárias e oferecer suporte individualizado, aumentando significativamente as chances de uma amamentação bem-sucedida.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
cejamoficial


Agosto Dourado: amamentação e cuidados nos primeiros 1 mil dias de vida podem prevenir doenças e transtornos emocionais

A programação metabólica dos bebês começa ainda no ambiente uterino e continua com as primeiras experiências nutricionais durante o “intervalo de ouro”, a exemplo do leite materno



Os primeiros 1.000 dias de vida são considerados por especialistas como um "intervalo de ouro" para a saúde humana. O período compreende os 270 dias da gestação somados aos 730 dias dos dois primeiros anos da criança, e é nesta fase que ocorre a chamada programação metabólica. Nesse processo, o ambiente uterino e as primeiras experiências nutricionais realizam uma espécie de ajuste no organismo, influenciando o desenvolvimento físico e emocional até a vida adulta. Diante desse contexto, o aleitamento materno, tema da campanha Agosto Dourado, ocupa papel central por fornecer os nutrientes necessários para o crescimento saudável, além de compostos bioativos que contribuem para a maturação do sistema imunológico e para o desenvolvimento neurológico da criança.

Antes mesmo do nascimento, o ambiente em que o feto se desenvolve funciona como um preditor de saúde para as décadas seguintes, como explica a Dra. Jéssica Othon, ginecologista e obstetra do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS). O ambiente gestacional tem uma influência direta na biologia da criança, já que a saúde do bebê começa muito antes do nascimento.

Segundo a especialista, a alimentação da mãe, o sono, o estresse, o controle da glicose, a qualidade dos nutrientes e até o estado emocional podem impactar a formação do organismo do bebê. “Isso pode influenciar o risco futuro de doenças como obesidade, diabetes, pressão alta e até questões relacionadas ao desenvolvimento cerebral. Por isso, o pré-natal hoje em dia vai muito além de acompanhar o crescimento do feto. Também ajuda a construir a saúde dessa criança para o futuro”, complementa.

Exames para identificar anemia, diabetes gestacional, alterações na tireoide e deficiências nutricionais são indispensáveis para garantir que o ambiente uterino seja o mais saudável possível. Bebês que nascem com baixo peso (menos de 2,5 kg), por exemplo, têm uma probabilidade maior de desenvolver obesidade e hipertensão arterial no futuro.



Nutrição e plasticidade neural

A alimentação da gestante é o primeiro canal de aprendizado do bebê. A nutricionista Andressa Felizola, da clínica CEMEFE, localizada no Hospital Santa Lúcia Sul, destaca que os hábitos alimentares começam a ser moldados antes mesmo do nascimento, pelo líquido amniótico. "Sabores, nutrientes, vitaminas e minerais dos alimentos que a mãe consome chegam até o bebê. Isso faz com que os hábitos alimentares do bebê já comecem a ser formados nesse momento”, ressalta.

Os primeiros 1 mil dias são a fase de maior crescimento e desenvolvimento cerebral do ser humano. Para alimentar essa "janela de oportunidade", nutrientes específicos são vitais para a formação dos neurônios, além de contribuírem com a programação metabólica e formação de hábitos alimentares futuros. Entre os exemplos, a nutricionista cita ômega 3, ferro, zinco e colina.

A introdução alimentar, feita até os 2 anos de idade, é o período em que o paladar e as preferências são estabelecidos. Quando realizada de forma correta e equilibrada, como enfatiza a especialista, o risco de a criança desenvolver seletividade alimentar ou doenças crônicas diminui drasticamente.



Amamentação e vínculo

Após o parto, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida assume o papel de principal fator preventivo contra a obesidade infantil e a síndrome metabólica precoce. A composição do leite materno inclui anticorpos, proteínas, enzimas e fatores imunológicos que ajudam na proteção contra infecções, na maturação do intestino e no desenvolvimento neurológico. Além disso, é mais fácil de digerir.

O Hospital Santa Lúcia Sul oferece suporte especializado por meio do Banco de Leite, orientando as mães sobre a pegada correta, a manutenção da lactação e oferecendo uma rede de apoio que aumenta a segurança materna na nutrição de seus filhos.

"Os primeiros 1.000 dias de vida ajudam a definir toda a trajetória de saúde e desenvolvimento de um ser humano”, explica a enfermeira Sheila Almeida, coordenadora da linha Materno Infantil do Hospital Santa Lúcia Sul. “É nesse período, que começa ainda na gestação, que o cérebro se desenvolve de forma intensa, a imunidade é fortalecida e os vínculos afetivos são construídos. Investir nos primeiros 1.000 dias é investir em um futuro mais saudável, seguro e cheio de possibilidades", afirma.

O que observar:

  • Gestação (270 dias): controle rigoroso da glicose, suplementação de ácido fólico e ferro, e atenção à saúde mental para evitar picos de estresse.
  • Nutrição materna: consumo de ômega 3, zinco e colina para favorecer o desenvolvimento dos neurônios do feto.
  • Até os 2 anos (730 dias): aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e introdução alimentar equilibrada até os 2 anos para prevenir doenças crônicas e obesidade infantil.
  • Vínculo afetivo: ambiente seguro e acolhedor para estimular a plasticidade neural e o desenvolvimento emocional saudável.

 

Cuidado integral

O Hospital Santa Lúcia Sul conta com uma maternidade reestruturada com salas de parto normal equipadas com banheiras, recursos de cromoterapia e musicoterapia. A unidade oferece ainda suporte de profissionais de áreas como neonatologia, fisioterapia e psicologia, além de contar com a expertise da clínica CEMEFE para casos de gestação de alto risco e medicina fetal. Em 2025, a equipe de Medicina Materno Fetal foi reforçada com novos profissionais de referência em alta complexidade para complementar a maternidade, considerada a mais completa do Distrito Federal. Outro diferencial é a possibilidade de upgrade para serviços de hotelaria, que torna a experiência da paciente ainda mais personalizada.

Essa abordagem integrada permite que a mulher seja cuidada desde o planejamento gestacional até o pós-parto, garantindo que o "intervalo de ouro" do bebê seja aproveitado em seu máximo potencial. A transição para a maternidade é um período de vulnerabilidade física e hormonal que exige atenção da equipe multidisciplinar, como alerta a Dra. Jéssica Othon, já que o cuidado emocional, seja para o bebê ou para prevenir a depressão pós-parto, começa ainda na gravidez.

 

Agosto azul e vermelho - As doenças cardiovasculares são responsáveis por 30% das causas de morte em todo o mundo

Entre as doenças cardiovasculares que mais matam estão trombose venosa profunda, varizes, doença arterial periférica, acidente vascular cerebral, linfedema, pé diabético e aneurisma da aorta abdominal

 

Os dados são da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) que promove em todo mês de agosto a Campanha Agosto Azul Vermelho para alertar que muitas dessas condições se desenvolvem de forma silenciosa, sendo detectadas somente em fases mais avançadas. 

A escolha das cores Azul Vermelho para representar o mês de cuidado com a saúde vascular, inspirou-se em como são geralmente representadas as veias (azul) e as artérias (vermelho). O médico Dr. Caio Focássio, cirurgião vascular e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, ressalta que três das doenças cardiovasculares estão no topo das mais graves.
 

Trombose venosa

Ainda com dados do Ministério da Saúde a cada mil brasileiros, um ou dois já sofreu com trombose - doença causada por uma formação de coágulos de sangue nas veias das pernas. “Um dos agravantes é que ela pode levar a uma embolia pulmonar, que é quando uma artéria do pulmão é obstruída, e daí a falta de ar é um dos primeiros sintomas”, alerta o médico.
 

Aneurisma da aorta

Sem sintomas, ao primeiro sinal do problema, se for a ruptura, cerca de 80% das pessoas morrem, sendo que 50% chegam vivas aos hospitais e apenas 50% sobrevivem a cirurgia que reverte o caso. O aneurisma de aorta pode matar em até 90% dos casos. “Essa taxa de mortalidade é tão alta porque a aorta - que é a principal artéria do corpo – pode dilatar e se romper, e isso pode ser fatal”, afirma Dr Caio que lembra alguns fatores de risco: idade, o uso de tabaco, a hipertensão e o histórico familiar.

A boa notícia é que até por exame físico clínico já é possível identificar o problema e o grande risco não está em ter aneurisma de aorta, mas sim em deixa-la chegar até as últimas consequências que é quando essa artéria se rompe. O primeiro sintoma de um aneurisma da aorta pode surgir apenas na hora da sua ruptura e daí já levar à morte em muitos casos. Em outros, antes de romper, a pessoa pode ter dor abdominal ou lombar, ou sentir um incômodo pulsátil na barriga, compressão dos órgãos ou isquemia dos pés e nas pernas, ou não sentir absolutamente nada. Mas, quando se rompe, a dor abdominal e/ou lombar é forte, seguida de um mal estar intenso, queda da pressão arterial, taquicardia, palidez e sudorese.
 

Doença arterial periférica

Um dos primeiros sinais da doença é a dor nas pernas ou surgimento de feridas dolorosas de difícil cicatrização, além de dor ao caminhar. A doença arterial periférica acontece devido à má circulação sanguínea nas artérias dos membros inferiores. “Nesse caso, um dos principais riscos é a amputação dos membros”, explica o médico.

Para todas as doenças, Dr. Caio alerta que existe prevenção que pode ser feita com o check up anual. “As doenças vasculares mais graves geralmente são silenciosas, o ideal é agir antes que elas ocorram e isso é possível apenas com um exame clínico feito em consultório e com a ajuda de um ultrassom podem medir o grau de insuficiência venosa, verificar o grau de calcificação das artérias e ainda permite uma análise dos vasos sanguíneos por imagem. Assim, fica mais fácil indicar qualquer problema que o paciente possa vir a desenvolver e já iniciar o tratamento antes que surjam maiores complicações”, finaliza o médico. 



FONTE: Dr. Caio Focássio, cirurgião vascular e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pós graduado em Cirurgia Endovascular pelo Hospiten – Tenrife (Espanha). Médico assistente da Cirurgia Vascular da Santa Casa de São Paulo.
Instagram: @drcaiofocassiovascular


Número de casos de hepatite A, doença associada à falta de saneamento, aumenta em São Paulo

A precariedade do saneamento, ao aumentar a incidência de infecções, provoca o afastamento das pessoas de suas atividades cotidianas

 

Em localidades com saneamento precário, próximas a rios e córregos poluídos por esgoto sem tratamento, é comum que famílias inteiras enfrentem episódios recorrentes de diarreia, hepatite A e outras doenças ligadas à falta de saneamento básico. Esse cenário, distante de ser exceção, ainda é realidade para milhões de brasileiros. 

O estado de São Paulo aparece como um exemplo disso. De acordo com dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, foram registrados 1.880 casos de hepatite A no primeiro semestre de 2026, quantidade superior ao total contabilizado em todo o ano de 2025, quando houve 1.663 notificações. 

A falta de água tratada e carência de serviços de coleta e de tratamento de esgoto tem um impacto direto sobre a saúde da população, pois eleva a incidência de infecções gastrointestinais e doenças respiratórias. Além dos impactos para o bem-estar da população, a falta de saneamento básico, ao aumentar a incidência de infecções, provoca o afastamento das pessoas de suas funções laborais, acarretando custos para a sociedade com horas não trabalhadas, além de incorrer em despesas públicas e privadas com o tratamento dessas pessoas infectadas. 

De acordo com dados do DATASUS (2024), presentes no Painel Saneamento Brasil, o Brasil teve aproximadamente 340 mil internações por doenças associadas à falta de saneamento e 4.877 óbitos por essas enfermidades. No Sudeste, foram mais de 109 mil internações e 2.052 óbitos por essas enfermidades. 

A universalização do saneamento precisa acontecer em um ritmo muito mais rápido do que o atual, para melhorar a expectativa e qualidade de vida das populações mais vulneráveis e reduzir internações, óbitos e desigualdades sociais associadas à falta de água tratada e coleta de esgoto no Brasil.

 

Limpeza evita problemas 

Cuidado preventivo com a saúde bucal reduz riscos, preserva os dentes e ainda representa economia para o paciente ao longo da vida 

A correria do dia a dia faz com que muitas pessoas deixem a saúde bucal em segundo plano. Escovar os dentes rapidamente, esquecer o fio dental ou adiar a visita ao dentista são hábitos comuns, mas que podem trazer consequências sérias. A boa notícia é que a maior parte dos problemas odontológicos pode ser evitada com uma rotina simples de higiene e consultas periódicas. Para a cirurgiã-dentista Dra. Bruna Rafaela Machado da clínica Bruna Rafaela Odontologia, a prevenção continua sendo o melhor tratamento, tanto para a saúde quanto para o bolso. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, sendo a cárie dentária uma das doenças crônicas mais comuns. No Brasil, o Ministério da Saúde também reforça que a prevenção e o acompanhamento odontológico periódico são fundamentais para reduzir a incidência de cáries, doenças periodontais e até perdas dentárias. 

Enquanto no Brasil a procura pelo dentista ainda costuma acontecer apenas quando há dor, alguns países incentivam financeiramente o cuidado preventivo. Em Portugal, por exemplo, despesas com tratamentos odontológicos realizados por dentistas podem ser deduzidas no Imposto sobre o Rendimento (IRS), criando um estímulo para que a população mantenha o acompanhamento regular da saúde bucal. Embora não exista uma obrigatoriedade de consultas periódicas, o sistema tributário português reconhece e incentiva esse investimento em prevenção. 

Segundo a Dra. Bruna Rafaela Machado, pequenos cuidados diários fazem toda a diferença. "A prevenção sempre será mais simples, menos dolorosa e muito mais econômica do que tratar uma doença já instalada. Quando o paciente cria o hábito de cuidar da boca todos os dias e realiza a limpeza profissional periodicamente, ele preserva seus dentes, sua gengiva e sua saúde como um todo." 

Um dos erros mais comuns, explica a dentista, está no uso incorreto do fio dental. Ao contrário do que muitos imaginam, ele não serve apenas para retirar restos de alimentos. "O fio dental deve deslizar pela lateral de cada dente, abraçando primeiro uma face e depois a outra, chegando delicadamente até a gengiva. É ali que ele remove a placa bacteriana que a escova não alcança." A profissional também orienta que a escova tenha cerdas macias e que a escovação seja feita com movimentos suaves, circulares ou de vai e vem, sem excesso de força, evitando traumas na gengiva. 

Além dos cuidados em casa, a limpeza realizada no consultório, preferencialmente a cada seis meses, continua sendo indispensável. Durante o procedimento, o cirurgião-dentista remove placas endurecidas, conhecidas como tártaro, que não são eliminadas pela escovação diária. A consulta também permite identificar precocemente cáries, inflamações na gengiva, alterações na mucosa bucal e outras doenças que, quando diagnosticadas no início, apresentam tratamento mais simples e menos invasivo. 

"A boca é uma porta de entrada para o organismo. Diversas doenças apresentam seus primeiros sinais na cavidade bucal, por isso a consulta preventiva vai muito além da estética. Cuidar da saúde bucal é cuidar da saúde do corpo inteiro", reforça a Dra. Bruna. Para ela, criar desde cedo uma cultura de prevenção, incentivando crianças e adultos a manterem uma rotina correta de higiene e acompanhamento profissional, é um investimento que traz benefícios para toda a vida.

 


Bruna Rafaela Odontologia
Dra. Bruna Rafaela Machado
Cirurgiã-Dentista, Clínica Geral e habilitada em Sedação com Óxido Nitroso
CRO-PR 24431
@brunarafaelaodontologia
www.brunarafaelaodontologia.com.br
Rua Dr. Lauro Wolff Valente, 176, Curitiba, Paraná


Xaropes têm eficácia limitada e oferecem riscos à saúde das crianças, alerta otorrinolaringologista

 Especialista desmistifica o uso de medicamentos, aponta que grande parte da tosse tem origem no nariz e detalha os sinais de alerta que devem levar os pais ao consultório

 

Campeã de dúvidas e motivo de grande angústia entre pais e cuidadores, a tosse costuma ser o gatilho para a busca imediata por farmácias e xaropes. No entanto, o que muitos desconhecem é que, na grande maioria das vezes, o sintoma não é uma doença, mas sim um mecanismo de defesa crucial do organismo. Para esclarecer o assunto e combater mitos, a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), alerta que a busca por soluções rápidas pode trazer mais riscos do que benefícios.

Segundo a especialista, grande parte da tosse persistente nas crianças não se origina nos pulmões, mas sim nas vias aéreas superiores, decorrente de quadros de rinite, resfriados ou do gotejamento pós-nasal, quando o muco do nariz escorre para a garganta. Além disso, após infecções virais, a mucosa pode permanecer sensível por semanas, fazendo com que a chamada tosse pós-infecciosa dure de duas a quatro semanas sem representar complicações.


O perigo dos xaropes e a busca por alívio rápido

Diante de noites mal dormidas, é comum que famílias recorram a medicamentos supressores. Contudo, a médica reforça que as principais sociedades médicas recomendam evitar o uso desses produtos na infância.

"A tosse é um sintoma que gera muita preocupação, principalmente porque costuma atrapalhar o sono da criança e da família. No entanto, hoje sabemos que a maioria dos xaropes para tosse tem eficácia muito limitada ou inexistente em crianças, podendo causar efeitos adversos como sonolência excessiva, agitação e até intoxicações por uso inadequado. O foco deve ser identificar a causa e tratá-la adequadamente, e não apenas tentar suprimi-la", destaca a Dra. Roberta Pilla.


Dicas práticas: o que realmente funciona?

Em vez de xaropes, a otorrinolaringologista aponta que medidas simples e de suporte trazem resultados muito mais seguros e eficazes para o conforto da criança:

Lavagem nasal: Uso regular de solução salina para desobstruir as vias aéreas.

Hidratação reforçada: Manter a criança bem hidratada para fluidificar as secreções.

Controle ambiental: Garantir ambientes arejados e livres de fumaça de cigarro e outros irritantes.

Alternativas naturais: O uso de mel (para crianças acima de 1 ano), que possui respaldo científico na melhora da tosse noturna.

"Costumo explicar aos pais que não existe um xarope capaz de 'curar' a tosse. Muitas vezes, a melhor conduta é oferecer conforto à criança enquanto o organismo se recupera. Mais importante do que contar quantas vezes ela tosse é observar como ela está entre os episódios: se brinca, se alimenta bem e se mantém ativa", pontua a especialista.


Sinais de alerta: quando procurar o médico?

Apesar de ser geralmente benigna, a tosse exige avaliação profissional quando associada a sintomas específicos. Os pais devem buscar atendimento de urgência ou consultar o pediatra/otorrinolaringologista se a criança apresentar:

-Falta de ar, respiração acelerada ou afundamento das costelas.

-Chiado importante no peito ou lábios arroxeados.

-Febre alta persistente, sonolência excessiva ou prostração.

-Dificuldade para se alimentar ou beber líquidos.

-Tosse com duração superior a quatro semanas ou episódios de engasgo.




Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil, Laringologia e Voz, Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica, Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003), Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004), Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009), Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016), Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016), Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022), 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF, 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF, Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos Hospitais do Grupo Maternidade Santa Joana e Pró-Matre (SP/ São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos, Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo), Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo).



Desconhecimento e procrastinação: inimigos que transformam o câncer colorretal no segundo tumor de maior incidência no Brasil

Professor de medicina da UMC destaca a importância de olhar atento aos sinais e busca precoce de ajuda médica; um ano de morte da Preta Gil lembra importância do tema

 

A lembrança recente pelo primeiro ano de morte da cantora Preta Gil novamente jogou luz à importância de se falar mais sobre o câncer colorretal, considerado o segundo tumor com maior incidência no Brasil. Para o médico coloproctologista Carlos Mateus Rotta, professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), dois fatores o colocam nesse ranking: o elevado grau de desconhecimento da população sobre seus primeiros sinais e a procrastinação, mesmo quando o corpo apresenta os primeiros indícios. 

“O câncer colorretal costuma ser chamado de ‘silencioso’ porque, nas fases iniciais, geralmente não provoca sintomas. O tumor pode crescer lentamente durante anos, muitas vezes a partir de um pólipo benigno, sem causar dor ou alterações perceptíveis. Esses pólipos podem ser identificados e removidos durante uma colonoscopia antes de se transformarem em câncer e é por essa razão que a esse tipo de rastreamento é tão importante e eficaz”, explica Rotta, que possui mestrado em Gastroenterologia Cirúrgica pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual e Doutorado em Medicina Gastroenterologia Cirúrgica pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual. 

O rastreamento deve fazer parte da rotina anual a partir dos 45 anos para pessoas de risco habitual. Indivíduos com história familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias devem iniciar mais cedo, conforme avaliação do coloproctologista. 

A idade não é um exagero de zelo. Nos últimos anos, tem sido observado um aumento dos casos em adultos jovens, principalmente abaixo dos 50 anos, provavelmente relacionado às mudanças do estilo de vida, como obesidade, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados e carnes processadas. 

“Fazer o exame no momento adequado pode significar evitar o câncer ou diagnosticá-lo em fase inicial, quando as chances de cura ultrapassam 90%”, reforça o docente da UMC. 

Rotta orienta ainda que as pessoas devem estar atentas aos principais sinais de alerta, que incluem sangue nas fezes; alteração persistente do hábito intestinal; diarreia ou prisão de ventre persistentes ou alternados; fezes afiladas; sensação de evacuação incompleta; perda de peso inexplicada; anemia; dor abdominal persistente: “O erro mais comum é atribuir todo sangramento às hemorroidas. Embora elas sejam frequentes, somente um exame com o coloproctologista pode confirmar sua origem. Sangramento retal nunca deve ser ignorado”. 

Uma vez detectado o tumor, o tratamento vai depender do estágio e localização da doença, podendo combinar cirurgia, associada a quimioterapia e/ou radioterapia. 

“E agora, a ciência trouxe avanços importantes. O tratamento personalizado permite identificar alterações moleculares específicas do tumor e indicar terapias-alvo para determinados pacientes. Além disso, a imunoterapia revolucionou o tratamento dos tumores com deficiência do sistema de reparo, proporcionando respostas do DNA prolongada. Em alguns casos, evitando tratamentos mais agressivos. Esses avanços representam uma das maiores evoluções da oncologia colorretal nas últimas décadas”, ressalta Rotta. 

O docente da UMC destaca também que tão importante quanto estar atento aos sinais e não deixar de fazer exames de rotina, é investir em ações preventivas e de qualidade, como manter alimentação saudável, praticar atividade física regularmente, evitar tabagismo, álcool e embutidos: “Tudo isso ajuda muito não só para reduzir riscos do câncer colorretal como também para levar uma vida com maior qualidade”, conclui.


Governo de SP amplia programa de educação no trânsito e deve alcançar 5 mil alunos em 12 cidades

Governo de São Paulo amplia o programa DER na Escola para levar educação para o trânsito a mais de 5,2 mil estudantes - Foto: Divulgação/DER-SP


Por meio de atividades didáticas e lúdicas, iniciativa promove a educação para o trânsito entre estudantes de escolas de todas as regiões do estado.

  

O Governo de São Paulo, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), vai ampliar, ao longo deste segundo semestre de 2026, as ações do programa DER na Escola, que já conta com a manifestação de interesse de 27 unidades escolares. A expectativa é atender mais de 5,2 mil estudantes das redes estadual e municipal de ensino em todo o estado, um aumento significativo em relação ao primeiro semestre. 

Por meio de atividades didáticas e lúdicas, como teatro, conteúdos interativos e palestras, a iniciativa tem o objetivo de sensibilizar os alunos sobre a importância de adotar comportamentos seguros no trânsito, incentivando a formação de cidadãos conscientes e responsáveis. O programa é desenvolvido pelo DER-SP nas escolas do estado desde 2009, com prioridade para as instituições próximas às rodovias estaduais. 

No primeiro semestre deste ano, participaram mais de 1,3 mil estudantes de 10 escolas, sendo sete estaduais e três municipais. Os municípios que receberam o programa foram Araçatuba, Arujá, Carapicuíba, Franco da Rocha, Taubaté e Ubatuba. 

Neste segundo semestre, a expectativa do órgão é engajar mais de 5,2 mil estudantes em 27 unidades escolares — 14 estaduais e 13 municipais — nos municípios de Nazaré Paulista, Itapetininga, Bauru, Monte Alto, Jaboticabal, Sete Barras, Eldorado, Bastos, São Simão, Suzano, Barretos e Bebedouro. 

 DER-SP promove educação para o trânsito com atividades
interativas para estudantes do Ensino Fundamental
 Foto: Divulgação/DER-SP
O programa DER na Escola promove educação para o trânsito entre estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, com visitas regulares às escolas. “As atividades são muitas vezes a porta de entrada dos nossos estudantes para temas ligados ao trânsito. Esperamos que cada vez mais escolas se interessem e nos ajudem a multiplicar as boas práticas viárias”, diz Dário Henrique Antonio, coordenador de educação para o trânsito do DER-SP.


Como participar:

As escolas interessadas em participar do programa DER na Escola devem entrar em contato diretamente com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP), solicitando a visita educativa pelos seguintes canais:


Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo

www.der.sp.gov.br
imprensa.der@der.sp.gov.br
+55 (11) 3325-5598
Plantão: +55 (11) 94528-8810


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