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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Quinto dia útil de agosto de 2026: pagamento do salário deve ser feito até quando?

Pixabay
Advogado trabalhista esclarece como é feita a contagem do quinto dia útil e explica por que o início do mês em um fim de semana pode gerar dúvidas sobre o prazo para pagamento dos salários


Com a chegada de agosto de 2026, muitos trabalhadores e empregadores voltam a questionar qual é o prazo correto para o pagamento dos salários. Neste ano, a dúvida é ainda mais comum porque os dias 1º e 2 de agosto caem em um sábado e um domingo, o que costuma gerar incertezas sobre a contagem do quinto dia útil. 

De acordo com a legislação trabalhista, o salário deve ser pago até o quinto dia útil do mês subsequente ao trabalhado. Para essa contagem, os sábados são considerados dias úteis, enquanto domingos e feriados oficiais ficam de fora do cálculo. 

Segundo o advogado trabalhista Carlos Alexandre Moreira Weiss, da Weiss Advocacia, o fato de o mês começar em um fim de semana pode levar muitos trabalhadores a acreditarem que o prazo será automaticamente prorrogado, o que nem sempre acontece. “Uma das dúvidas mais frequentes é justamente sobre o sábado. Mesmo quando a empresa não possui expediente nesse dia, ele é considerado dia útil para fins de contagem do prazo para pagamento dos salários”, explica. 

Em agosto de 2026, a contagem ocorre da seguinte forma: 

  • 1º dia útil: sábado, 1º de agosto  
  • 2º dia útil: segunda-feira, 3 de agosto  
  • 3º dia útil: terça-feira, 4 de agosto  
  • 4º dia útil: quarta-feira, 5 de agosto  
  • 5º dia útil: quinta-feira, 6 de agosto  

Assim, o pagamento dos salários deverá ser realizado até quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Carlos Alexandre Moreira Weiss ressalta que o cumprimento do prazo é essencial para evitar passivos trabalhistas. “O pagamento fora do prazo pode gerar consequências para o empregador, além de abrir espaço para questionamentos judiciais em determinadas situações. Por isso, é importante que as empresas se programem para cumprir corretamente a legislação”, afirma. 

O especialista também recomenda que trabalhadores acompanhem a data do crédito salarial e, em caso de dúvidas, busquem esclarecimentos junto ao empregador. “Conhecer as regras sobre a contagem do quinto dia útil ajuda tanto empresas quanto empregados a evitar equívocos e garante maior segurança nas relações de trabalho”, conclui.


Golpes no delivery: como consumidores desonestos estão comendo de graça e quem paga a conta

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Conversei com Jonathan, chef e proprietário da Wolf's Burgers, uma das hamburguerias mais reconhecidas de Curitiba. Perguntei sobre cancelamentos no delivery. A resposta veio sem rodeios: algo em torno de R$ 10 mil por ano em cancelamentos totais de pedido. E, segundo ele, 99% desses casos são de clientes agindo de má fé.

É um número que parece abstrato até você fazer a conta. R$ 10 mil é folha de pagamento de funcionário. É equipamento. É insumo para semanas. É dinheiro que o restaurante produziu literalmente, transformou em comida, embalou e entregou, mas não vai receber. Esse é o lado do delivery que não aparece nos vídeos de hambúrguer com queijo derretendo.


Como o sistema funciona (e onde ele falha)

O modelo de delivery por aplicativo tem uma arquitetura de confiança que foi desenhada para o consumidor. Faz sentido do ponto de vista comercial: o app precisa que o usuário se sinta seguro para pedir. Se o cliente reclamar e não for atendido, ele vai embora. Se o restaurante reclamar e não for atendido, ele continua pagando a comissão e produzindo.

Essa assimetria tem consequências diretas.

O sistema prioriza o relato do cliente independentemente se o problema aconteceu durante a entrega ou se houve realmente um erro da loja. Na maioria das vezes o problema acontece durante a entrega: o entregador não entrega parte do pedido ou entrega o pedido todo danificado. Mas o sistema não distingue esse caso de uma reclamação falsa. O mecanismo de cancelamento é o mesmo.

Jonathan descreveu para mim os padrões mais frequentes que encontra na Wolf's. O cliente que recebe o hambúrguer fechado, tira foto do lado de fora, alega que faltou bacon ou maionese, e o app cancela o pedido inteiro. O cliente que abre chamado enquanto o pedido ainda está a caminho, dentro do prazo estimado de entrega, e o motoboy chega ao endereço sem saber que a corrida foi cancelada alguns minutos antes. O cliente que informou o endereço errado no cadastro, leva o entregador para outro lugar via chat, abre chamado e cancela.

Em todos esses casos, o restaurante perde duas coisas ao mesmo tempo: o produto que saiu da cozinha e o dinheiro que deveria ter entrado no caixa.


O novo nível: inteligência artificial como ferramenta de golpe

Os casos acima existem há anos. Mas em 2025 e 2026, um elemento novo entrou nessa equação e mudou a escala do problema. Golpistas manipularam a imagem de um pedido impecável para torná-lo visualmente incomível e enviaram a foto à plataforma de entregas para exigir o reembolso imediato. O golpista comeu de graça, pois a plataforma acatou a decisão sem uma perícia rigorosa. O restaurante amargou o prejuízo duplo: perdeu o insumo e o valor da venda.

Um caso no Paraná, em julho de 2025, viralizou quando um cliente usou IA para inserir uma barata na foto de um hambúrguer e solicitou reembolso à plataforma. No início de 2026, um caso documentado no Reddit mostrou uma foto de frango cru com marcas de deterioração gerada integralmente por inteligência artificial: o post teve 40 mil interações e o reembolso foi processado automaticamente antes que qualquer verificação humana acontecesse.

As ferramentas de inteligência artificial generativa disponíveis hoje, gratuitas, acessíveis por smartphone, operáveis sem nenhum conhecimento técnico, permitem a qualquer pessoa produzir ou modificar imagens com fidelidade visual que a maioria das pessoas não consegue detectar. No domínio dos produtos alimentícios, os vetores de falsificação mais comuns incluem moscas inseridas sobre pratos, hambúrgueres com interior sugerindo carne malpassada e embalagens com coloração alterada, tudo isso produzido em questão de minutos.


O problema estrutural: quem deveria ser o árbitro?

Essa negociação deveria ser entre o usuário e a plataforma, porque não somos nós que temos que analisar o pedido e reembolsar o usuário, já que ele faz toda a transação via aplicativo.

Essa frase, dita pelo coordenador de delivery da Esfiha Imigrantes ao portal Bares & Restaurantes, resume um debate que o setor inteiro tem mas que raramente chega ao público. O restaurante é um terceiro nessa relação. A transação financeira é entre o cliente e o app. Mas quando algo dá errado, ou quando alguém age de má fé, o ônus cai sobre quem produziu a comida.

A contestação existe. Jonathan confirma que tenta contestar sempre que consegue documentação suficiente: número do pedido, horário de saída, histórico de rastreamento do motoboy, prints de conversa. Em alguns casos o app reverte o cancelamento. Em outros, não.

O problema é que o volume impossibilita a documentação completa de todos os pedidos. Estabelecimentos com alta demanda chegam a dois mil pedidos por dia. Fotografar cada um antes de embalar é inviável operacionalmente. E sem essa prova de saída, a contestação raramente tem base documental suficiente.


O que diz a lei (e o que ainda falta)

Do ponto de vista jurídico, o cliente que fabrica uma reclamação falsa para obter reembolso pode responder por estelionato, conforme o artigo 171 do Código Penal. Se a imagem adulterada for apresentada em processo judicial, configura uso de documento falso e fraude processual. O problema prático é que o alimento já foi consumido quando qualquer denúncia seria feita. Não há produto para perícia. A prova que restou é digital.

Imagens geradas por IA ainda deixam rastros. A má notícia é que esses rastros exigem um olhar treinado. Fotografias reais de comida deteriorada têm imperfeições caóticas: manchas irregulares, texturas inconsistentes, padrões de deterioração que obedecem à lógica orgânica. Imagens geradas por IA tendem a uma podridão esteticamente coerente que não existe na realidade. Mas detectar isso exige ferramentas de análise de metadados e peritos em forense digital, profissionais raros e caros no Brasil. 

Há também um problema sistêmico nos processos judiciais: ao exigir que toda prova seja convertida em PDF para juntada nos autos, os sistemas dos tribunais eliminam os metadados da imagem original, os mesmos dados que poderiam revelar se a foto foi gerada artificialmente.


O que os restaurantes estão fazendo

Diante de um sistema que não foi desenhado para protegê-los, os empresários do setor têm encontrado saídas parciais. Documentar tudo que sai da cozinha, mesmo que não seja possível fotografar cada pedido. Monitorar o perfil de clientes que pedem cancelamento: Jonathan identificou que a esmagadora maioria dos golpes acontece no primeiro pedido do cliente no estabelecimento. Entrar com contestação sempre, mesmo quando a chance de reversão é pequena, porque o volume de contestações bem documentadas pressiona as plataformas a reverem seus critérios.

Em casos de golpe com imagem de IA, a recomendação jurídica é registrar boletim de ocorrência. Isso cria rastro legal, documenta o padrão e pode ser usado para pressionar a plataforma a bloquear o usuário e, eventualmente, para subsidiar uma ação de ressarcimento.

As plataformas, de seu lado, afirmam que usuários identificados em fraudes são bloqueados e que sistemas de machine learning buscam detectar padrões suspeitos de cancelamento. A velocidade com que os casos recentes se tornaram virais sugere que esses sistemas ainda têm muito espaço para evoluir.

O delivery é um canal que transformou o negócio de muitos restaurantes. É também um canal em que quem produz carrega um risco financeiro desproporcionalmente alto quando alguém age de má fé. Enquanto as plataformas não dividirem esse risco de forma mais equilibrada, o setor vai continuar pagando a conta de golpes que não cometeu.

 

Vinícius França - publicitário e apaixonado pela boa comida. Criador do Sabores de Curitiba, dedica há mais de 15 anos sua trajetória a conectar pessoas e transformar comunidades por meio da gastronomia curitibana. Foi um dos idealizadores da Lei dos Polos Gastronômicos de Curitiba, contribuindo para tornar a cidade referência nacional, e já soma mais de 300 restaurantes visitados e dezenas de eventos que celebram os sabores e a cultura local.


Copom deve baixar Selic, mas discussão deveria atingir estrutura de gastos e revisão de despesas públicas

 FecomercioSP aponta que, se quadro fiscal não for revertido, País terá dois cenários em breve: crise de confiança ou ajuste via inflação, o que prejudica os mais pobres

 

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), deve seguir o plano de flexibilização da taxa básica de juros, a Selic, na reunião desta semana, com um novo corte, de 0,25 ponto porcentual (p.p.), levando-a para 14% ao ano (a.a.). 

 Há motivos para isso: a inflação acumulada em 12 meses (4,64%), embora ainda permaneça acima do teto meta, está em desaceleração. A alta de junho (0,16%) foi mais sazonal do que estrutural, vindo a reboque da alta na energia elétrica. Os últimos dados do IPCA-15 vieram abaixo das expectativas do mercado. Além disso, um novo corte não significa, necessariamente, afrouxamento, já que a taxa real permanece entre 9% e 10% a.a., ainda bastante elevada.  

O que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) insiste em reforçar é como a política monetária do BC está sendo usada como uma ferramenta de uma situação que não pode resolver: o quadro fiscal do País, o qual segue muito deteriorado.

 

A dívida pública, somando União, Estados e municípios, já está perto dos 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Com os precatórios, as contas do governo estão outra vez no vermelho e, para piorar, o Brasil acaba de voltar a uma conjuntura de conflito tarifário com os Estados Unidos — segundo parceiro comercial do País —, além das incertezas globais que, dentre outras coisas, pressionam os preços do petróleo. 

 

Soma-se a isso o endividamento. Uma em cada três famílias (29,9%) convivia com contas atrasadas em junho, segundo os dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Quase um terço da renda dos lares brasileiros (29,3%) tinha destino certo no mês: pagar despesas. Como boa parte dessas dívidas originam pelo cartão de crédito e pelo crediário, o consumidor fica sujeito ao custo efetivo total, ainda que decida o valor da parcela mensal.



Em outras palavras, o juro básico não desestimula o consumo das famílias mais pobres, mas encarece o custo de vida, empurrando-as para a inadimplência. E esse ciclo é perverso — como o aperto dos juros altos caem sobre quem investe, (ou seja, as empresas), a capacidade produtiva cai.

 

Na leitura da FecomercioSP, o possível corte da Selic nesta semana não resolve nada do ponto de vista estrutural, já que os gastos públicos seguirão elevados e os resultados nominais continuarão piorando. É urgente avançar para o controle de gastos obrigatórios, revisando todas as indexações e despesas vinculadas. 

 

Ou esse caminho é seguido ou então teremos dois cenários no futuro próximo: uma crise de confiança do empresariado e do consumo de grandes proporções, ou o ajuste “silencioso” pela inflação, cuja conta é paga pelos menos abonados.

 

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Candidatos estão colocando saúde mental e benefícios diferenciados na balança na hora de escolher um emprego

 

Levantamento do Infojobs mostra avanço de benefícios como licença parental estendida e auxílio pet nas vagas publicadas no país, num momento em que afastamentos por saúde mental batem recorde e a rotatividade no mercado de trabalho formal volta a crescer 


O salário deixou de ser o único argumento na disputa por talentos. Levantamento do Infojobs, plataforma líder em recrutamento e seleção no Brasil, mostra que empresas brasileiras já incluem benefícios voltados ao bem estar e à vida pessoal do candidato como parte da oferta de vagas, entre eles licença parental estendida e auxílio para cuidar de animais de estimação. 

Segundo o levantamento, das 181.992 vagas publicadas na plataforma no primeiro trimestre de 2026, 2.007 (1,1% do total) mencionam licença parental como benefício oferecido. Outras 228 vagas (0,13%) citam auxílio ou licença para cuidados com pets, um benefício ainda incipiente, mas que já aparece no radar de algumas empresas como diferencial de atração e retenção. 

O surgimento desse tipo de benefício acompanha uma mudança de perfil dos lares brasileiros. Segundo dados do IBGE e da Abinpet, o Brasil tem hoje cerca de 1,8 animal de estimação por residência e ocupa a terceira posição no ranking mundial de população pet. Em muitas famílias, o pet já é tratado como parte do núcleo doméstico, o que ajuda a explicar por que cuidar do bem estar dos animais de estimação dos colaboradores passou a fazer sentido também como política de RH. 

O tema ganha urgência também pelo lado da saúde mental. Segundo dados do Ministério da Previdência Social e do INSS, o Brasil registrou mais de 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, novo recorde da série histórica. O número ajuda a explicar por que questões como suporte psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e qualidade de vida passaram a pesar tanto quanto o salário na decisão de aceitar ou permanecer em um emprego. 

O movimento identificado pelo Infojobs ganha relevância num contexto em que a retenção de profissionais se tornou mais desafiadora para as empresas brasileiras. Segundo o Novo Caged, sistema do Ministério do Trabalho e Emprego, a taxa de rotatividade do emprego formal no Brasil passou de 32,79% em 2024 para 33,64% em 2025, alta que reforça a pressão sobre as empresas para investir em políticas que ajudem a segurar talentos além do salário. 

Para o Infojobs, esse cenário reflete uma mudança na forma como candidatos avaliam uma proposta de trabalho. Cada vez mais, fatores como flexibilidade, cultura organizacional e suporte à vida pessoal entram na balança junto com a remuneração, no que o mercado vem chamando de salário emocional.

Apesar do crescimento, o levantamento do Infojobs aponta que benefícios desse tipo ainda representam uma fração pequena do total de vagas no país, o que indica espaço para crescimento nos próximos trimestres, à medida que mais empresas adotam políticas de bem estar como estratégia de retenção. Já o auxílio adoção ou fertilidade não aparece nas vagas analisadas no período, um indicativo de que o tema ainda é pouco explorado pelas empresas brasileiras.

 

Infojobs


Curso gratuito ensina profissionais de todas as áreas a gravarem vídeos de alta qualidade usando apenas o celula

Unsplash
Especialista afirma que dominar técnicas básicas de gravação ajuda profissionais de diferentes áreas a fortalecer a imagem, gerar confiança e conquistar clientes nas redes sociais

 

O vídeo nunca esteve tão presente na rotina dos brasileiros, e saber produzi-lo deixou de ser uma habilidade restrita a influenciadores digitais. Dados do relatório Digital 2026: Brazil, da DataReportal, mostram que o país reúne cerca de 185 milhões de usuários de internet, o equivalente a 86,9% da população, além de aproximadamente 150 milhões de usuários de redes sociais. O YouTube, sozinho, alcança cerca de 150 milhões de brasileiros, consolidando o vídeo como uma das principais formas de consumo de informação, entretenimento e aprendizado.

De olho nessa transformação, a plataforma de ensino online Kultivi acaba de lançar gratuitamente o curso “Como Gravar com o Celular”, voltado a quem deseja produzir vídeos capazes de transmitir mais credibilidade e profissionalismo usando apenas o smartphone. Ministrado pelo publicitário e produtor audiovisual Renan Costa, o treinamento parte de uma constatação: em um cenário em que profissionais de praticamente todas as áreas utilizam as redes sociais para divulgar seu trabalho e construir autoridade, saber gravar vídeos tornou-se uma competência cada vez mais importante.

A mudança também se reflete no ambiente de negócios. Segundo o relatório State of Video Marketing 2026, da Wyzowl, 91% das empresas utilizam vídeos como ferramenta de marketing, enquanto 85% dos consumidores afirmam que um vídeo já influenciou uma decisão de compra. Para Costa, esses números mostram que a comunicação em vídeo deixou de ser apenas uma estratégia para criadores de conteúdo e passou a fazer parte da rotina de profissionais de diferentes segmentos.

"Quem cria conteúdo em vídeo consegue explicar melhor o que faz, mostrar os bastidores do trabalho, humanizar o negócio e criar uma proximidade muito maior com o público. As pessoas compram de quem confiam e se identificam com o conteúdo. Hoje, aparecer diante da câmera deixou de ser uma característica dos influenciadores e passou a ser uma habilidade de comunicação importante para médicos, advogados, arquitetos, professores, pequenos empresários e qualquer profissional que queira fortalecer sua presença digital", afirma o professor.

Apesar disso, muitas pessoas ainda deixam de produzir vídeos por acreditarem que precisam investir em câmeras profissionais, iluminação de estúdio ou equipamentos caros. "A grande maioria dos smartphones atuais já entrega uma qualidade de imagem excelente. O que normalmente diferencia um vídeo amador de um vídeo profissional não é o aparelho, mas quem está operando a câmera. Equipamentos ajudam, mas conhecer a técnica potencializa muito mais o que você já tem à disposição", explica. 

Segundo o especialista, os problemas mais comuns estão relacionados à execução e não à tecnologia. Iluminação inadequada, áudio com eco ou excesso de ruídos, enquadramento incorreto e falta de planejamento antes da gravação comprometem a qualidade da maioria dos vídeos publicados nas redes sociais. "Um vídeo simples, mas com boa iluminação, áudio limpo e enquadramento correto transmite muito mais profissionalismo do que uma produção cheia de filtros e efeitos. Um bom vídeo começa antes mesmo de apertar o botão de gravar."

Para quem deseja começar imediatamente, Costa recomenda três cuidados básicos: organizar o ambiente antes da gravação, posicionar-se de frente para uma janela para aproveitar a luz natural e limpar a lente do celular antes de gravar. "Parece um detalhe pequeno, mas muita gente culpa a câmera pela falta de nitidez quando, na verdade, a lente está apenas suja”, esclarece.


Do primeiro vídeo à edição no celular

Com 23 aulas, distribuídas em cinco módulos, o curso “Como Gravar com o Celular” foi desenvolvido para ensinar, de forma prática, todas as etapas da produção de conteúdo utilizando apenas o smartphone. Entre os temas abordados estão técnicas para vencer o medo de aparecer diante da câmera, aproveitar corretamente a luz natural, melhorar a qualidade do áudio, estabilizar a imagem sem o uso de tripé, utilizar enquadramentos mais profissionais e controlar a exposição da câmera para evitar mudanças de luminosidade durante a gravação.

Os alunos também aprendem a estruturar vídeos capazes de prender a atenção do público nos primeiros segundos, gravar em blocos para evitar recomeçar toda a gravação após pequenos erros, desenvolver uma comunicação mais natural diante da câmera e editar os vídeos diretamente no celular utilizando aplicativos como CapCut e Edits, passando por todas as etapas, dos cortes às legendas e ajustes finais.

Todo o conteúdo foi gravado utilizando apenas um smartphone, permitindo que os estudantes acompanhem as técnicas sendo aplicadas na prática. Além disso, cada aula inclui exercícios para que os participantes coloquem o aprendizado em prática imediatamente, sem a necessidade de investir em câmeras profissionais, iluminação de estúdio ou microfones de alto custo.

"O melhor momento para começar a gravar é agora. Cada vídeo que você adia esperando o equipamento ideal é um vídeo a menos na sua evolução. Quando você aprende técnicas simples de iluminação, áudio, enquadramento e comunicação, produzir conteúdo passa a ser um processo muito mais natural e os resultados aparecem rapidamente", conclui Costa.



Kultivi
https://kultivi.com/


Fazer intercâmbio ainda vale a pena? Especialista explica benefícios e como aproveitar melhor a experiência

CEO de uma das maiores redes de idiomas do país conta como a vivência no exterior foi decisiva para fundar o próprio negócio e dá dicas para futuros intercambistas

 

Aprender um idioma em outro país é um sonho para muitos brasileiros. Mas será que ainda vale a pena investir em um intercâmbio mesmo com tantas tecnologias que facilitam o aprendizado? Segundo especialista, a resposta transpõe a fluência. Além do contato diário com a língua, a experiência costuma desenvolver autonomia, ampliar a visão de mundo e preparar o estudante para desafios acadêmicos e profissionais. 

De acordo com a Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta), o fluxo de estudantes brasileiros para o exterior continua crescendo. Em 2025, houve um avanço de 9,4% em relação ao ano anterior e a expectativa para 2026 é de alta de 16,6%. Canadá, Estados Unidos e Inglaterra estão entre os destinos mais procurados. 

Para Ricardo Leal, CEO e sócio-fundador da inFlux, rede de ensino de idiomas, a vivência internacional pode representar um divisor de águas que supera o desenvolvimento da comunicação:

"Quando o aluno passa a utilizar o idioma em situações reais, ele deixa de ser apenas um conteúdo aprendido e se torna uma ferramenta para criar conexões. Essa vivência acelera o aprendizado e desenvolve habilidades como autonomia, adaptação e inteligência cultural, competências cada vez mais valorizadas na vida pessoal e profissional”, ressalta. 

Antes de fundar a inFlux, Ricardo Leal viveu por cinco anos em Londres, onde trabalhou, teve contato direto com outra cultura e enfrentou os desafios comuns a imigrantes, que precisam se adaptar à nova língua e aos novos costumes. A experiência lá fora foi decisiva para inspirar a criação da rede, que hoje conta com mais de 150 unidades no Brasil e duas em Portugal, atendendo mais de 50 mil alunos. 

"Foi vivendo o idioma no dia a dia que percebi como a experiência no exterior abre portas e transforma perspectivas. Voltei ao Brasil decidido a construir um projeto que encurtasse o tempo até a fluência e ajudasse outras pessoas a alcançar essa liberdade por meio de um aprendizado rápido, prático e eficaz de uma nova língua", explica.

Segundo Ricardo, o método foi pensado inclusive para trazer experiências em sala de aula e em atividades extras que simulam situações no exterior. “As atividades são totalmente em inglês, o que faz com que o aluno vivencie de fato e esteja preparado para lidar com os diálogos e interações cotidianas que com certeza ele vai se deparar lá fora”, completa.

 

Como aproveitar o intercâmbio ao máximo?

Para quem pretende estudar no exterior, alguns cuidados podem fazer toda a diferença para extrair todo o potencial de aprendizado da experiência internacional.

 

Não espere estar fluente para viajar
Não é preciso ter um domínio pleno da língua antes de embarcar. Aposte em cursos e metodologias que priorizem o ensino prático da língua para situações cotidianas. Com uma boa base já é possível aproveitar a experiência e evoluir ainda mais durante a imersão.
 

Evite permanecer apenas com brasileiros

É natural buscar pessoas que falem a mesma língua, principalmente no início. No entanto, criar amizades com estudantes de outras nacionalidades e conversar com moradores locais acelera o aprendizado e amplia a vivência cultural.

 

Participe da rotina local

Frequentar eventos, utilizar o transporte público, visitar museus, fazer compras e conhecer diferentes regiões são oportunidades para praticar o idioma em contextos reais e compreender melhor a cultura do país.

 

Tenha objetivos claros

Antes da viagem, vale refletir sobre o que se espera da experiência: desenvolver a conversação, conquistar uma certificação internacional, ampliar o networking ou vivenciar uma nova cultura. Definir essas metas ajuda a aproveitar melhor cada oportunidade durante o intercâmbio.

 

Um semestre de estudos em 3 semanas

Uma das alternativas para quem busca acelerar o aprendizado é optar por programas intensivos durante as férias. Na inFlux, o programa Vacation Intensive acontece duas vezes ao ano, em janeiro e julho, combinando aulas intensivas com imersão cultural no exterior. Para 2027, o destino de ambas as edições do intercâmbio será Londres, no Reino Unido. 

Em três a quatro semanas, os estudantes cursam o equivalente a um semestre letivo do curso, conciliando a metodologia da rede com a prática do inglês em situações reais. Além das aulas com professores locais, o programa inclui hospedagem em casa de família (homestay), permitindo que o aluno utilize o idioma durante toda a rotina, desde as refeições até as atividades do dia a dia. 

A rede ainda possui uma campanha chamada “Melhor Aluno TOEIC”, que premia, a cada semestre, o estudante de toda a rede com a maior nota no exame internacional de proficiência com um intercâmbio para um dos destinos oferecidos. 

Segundo o CEO, mais do que uma premiação, a iniciativa busca incentivar os estudantes a colocarem o idioma em prática. "O intercâmbio faz com que o estudante coloque em prática tudo o que aprendeu em sala de aula. Mais do que desenvolver o idioma, essa vivência lá fora pode ser uma porta para novos insights de profissão, carreira e vida, assim como foi para mim. Por isso, sempre que houver oportunidade, vale a pena investir nessa experiência”, completa.

 

Dia dos Pais: Febraban alerta para golpes e orienta como proteger suas compras e dados

 

Redobrar a atenção com ofertas tentadoras de produtos, links enviados por mensagens e lojas inexistentes durante a busca por presentes ajuda a evitar golpes na data comemorativa 

 

O Dia dos Pais, comemorado no próximo dia 9 de agosto, é um dos marcos do varejo brasileiro, e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alerta que a data também costuma atrair a atenção e atuação de quadrilhas especializadas em golpes financeiros. A atenção deve ser redobrada não apenas com links fraudulentos, mas também com perfis falsos em redes sociais que simulam lojas reais. 

Os criminosos aproveitam a correria em busca de presentes para os pais para aplicar golpes que causam prejuízos. E o que à primeira vista parece uma oportunidade para aproveitar os bons preços do e-commerce, pode esconder alguns perigos para o consumidor. 

Sites e e-mails falsos, ligações e mensagens fraudulentas são algumas das armadilhas usadas pelos golpistas para enganar as pessoas e ter acesso a informações pessoais. Nome completo, CPF, número de cartões e dados bancários são alguns dados cobiçados pelos bandidos. 

As quadrilhas que atuam no e-commerce também costumam enviar um e-mail ou mensagem com ofertas tentadoras para o consumidor, com preços muito inferiores aos praticados no comércio. 

“A pressa e a busca pelo ‘preço imbatível’ são as maiores ferramentas dos golpistas. Eles usam a pressão psicológica para que o cliente não tenha tempo de checar a veracidade de um site ou de uma oferta”, destaca Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban. 

“Não clique em links enviados por e-mail ou mensagens, desconfie de preços muito baixos, dê preferência aos sites conhecidos para as compras, e no mundo físico, nunca perca seu cartão de vista”, complementa Mielle.

 

Guia para compras seguras:

 

No Mundo Digital: 

  • Atenção aos sites: Desconfie de links patrocinados em buscas. Criminosos clonam sites mudando apenas uma letra no endereço (ex: trocando a letra "o" pelo número "0"). 
  • Cartão Virtual: Para compras online, use sempre o cartão virtual gerado no app do seu banco. Ele é temporário e protege os dados do seu cartão físico. 
  • Checagem do Pix e boleto: Antes de confirmar qualquer pagamento, verifique minuciosamente o nome do beneficiário e o CNPJ da empresa que receberá o valor. 
  • Cuidado com lojas de redes sociais: Antes de comprar por perfis em redes sociais, verifique se a loja é verdadeira, se tem número de seguidores compatível e comentários reais de outros compradores. Evite fazer pagamentos por Pix para contas de pessoas físicas ou de desconhecidos.

 

No Comércio Físico: 

  • O Golpe da Maquininha: Se o visor da máquina de cartão estiver danificado, não faça o pagamento. Isso impede que você veja o valor real que está sendo cobrado. 
  • Cuidado com a distração: Em locais aglomerados, não entregue seu cartão para o vendedor. Insira você mesmo na máquina e confira se o cartão devolvido é realmente o seu antes de sair. 
  • Proteja sua senha: Certifique-se de que o campo de senha mostre apenas asteriscos e que ninguém esteja observando a digitação.

 

Vídeo com Raphael Mielle - diretor de Serviços e Segurança da Febraban, com dicas de segurança para download neste link

 

IA transforma a automação industrial em uma disciplina capaz de aprender e tomar suas próprias decisões

Mais do que executar tarefas, inteligência artificial começa a reorganizar a lógica operacional dentro da indústria



A automação industrial sempre teve um propósito claro: ganhar produtividade, reduzir falhas, manter estabilidade. Essa premissa continua válida. O que muda é que os sistemas agora entendem o próprio comportamento enquanto operam, e isso reorganiza a dinâmica da produção em profundidade. A inteligência artificial começa a atuar como uma camada de interpretação contínua dentro do processo industrial. Analisa padrões, cruza variáveis, identifica desvios, sugere decisões e até atua antes que o impacto apareça no chão de fábrica.

Essa mudança fica especialmente visível em setores com alto nível de complexidade operacional, como a indústria de tintas. Poucos ambientes produtivos trabalham com tantas variáveis simultaneamente. Temperatura, viscosidade, densidade, pH, moagem, tempo de mistura e consumo energético precisam permanecer equilibrados praticamente o tempo todo. Pequenas oscilações afetam qualidade, produtividade, consumo de matéria-prima e eficiência energética.

Por muito tempo, boa parte desse controle dependia da experiência operacional. O problema era identificado depois que já aparecia na produção. A inteligência artificial começa a inverter esse movimento. Com sensores distribuídos, as fábricas geram um volume enorme de dados em tempo real. O diferencial, porém, já não está apenas na coleta dessas informações. O ponto central passa a ser a capacidade dos modelos de interpretar relações invisíveis entre variáveis que, isoladamente, pareceriam normais.

Em muitos casos, o desvio não nasce de um único indicador fora do padrão, mas da combinação de pequenas oscilações simultâneas. É exatamente aí que os sistemas de IA ganham relevância: conseguem identificar tendências antes que elas se transformem em perda de qualidade, descarte de material ou parada produtiva.

Plataformas inteligentes já ajustam dosagens automaticamente, recalibram parâmetros de mistura, preveem desvios de cor e reduzem variações entre lotes sem depender exclusivamente de intervenção manual. Em algumas operações, modelos de machine learning, deep learning, softsensors e visão computacional ajudam no acompanhamento visual das formulações e da estabilidade produtiva. A IA deixa de funcionar como suporte operacional para atuar como inteligência contínua do processo.

Essa transformação também altera como a eficiência energética é tratada dentro da indústria. Troca de equipamentos e modernização da infraestrutura ajudam, mas uma parcela relevante do desperdício industrial nasce da variabilidade operacional. Ajustes inconsistentes, trocas de campanha mal sequenciadas e decisões tardias consomem energia, matéria-prima e tempo produtivo de forma silenciosa. Quando a IA reduz essa variabilidade, o ganho aparece em várias frentes ao mesmo tempo: mais previsibilidade, menos retrabalho, maior estabilidade operacional e redução de desperdícios sem aumento de capacidade instalada.

Em operações industriais complexas, até ganhos aparentemente pequenos produzem impacto relevante. Melhorias de 3% ou 5% em eficiência energética ou produtividade representam valores significativos em escala. Em algumas operações nos Estados Unidos, o uso integrado de inteligência artificial, automação e análise contínua de dados já permitiu aumentos superiores a 30% no OEE.

Outro movimento importante está na integração dos sistemas industriais. ERP, MES, CLPs, sensores, IoT e plataformas analíticas passam a funcionar de maneira conectada, permitindo rastreabilidade completa das bateladas, acompanhamento contínuo das variáveis produtivas e respostas muito mais rápidas dentro da operação. Em ambientes que trabalham com insumos químicos críticos, sensores e plataformas inteligentes também contribuem para reduzir exposição humana, monitorar condições anômalas e antecipar riscos antes que situações críticas escalem.

O avanço, porém, depende de condições que vão além da tecnologia. Muitas operações foram estruturadas para um ambiente mais linear, com dados fragmentados, decisões centralizadas e pouca tolerância a ajustes em tempo real. Sem endereçar isso, a plataforma inteligente opera abaixo do potencial.

A velocidade com que uma fábrica consegue interpretar o que os dados dizem e agir antes que o impacto apareça no chão de fábrica é um diferencial. Infraestrutura e capacidade produtiva continuam sendo pré-requisitos. A diferenciação real começa onde os sistemas param de executar comandos e passam a aprender com a própria operação.



Gustavo Brito - vice-presidente global da Stefanini Manufacturing

 

domingo, 2 de agosto de 2026

Permitir a entrada de pets não torna um estabelecimento pet friendly, alerta especialista

Com o crescimento de negócios que recebem animais de estimação, advogado especialista em Direito Animal explica por que segurança jurídica, planejamento e cumprimento das normas são tão importantes quanto abrir as portas para os pets

 

O crescimento do número de famílias multiespécie no Brasil vem transformando o comportamento do consumidor e influenciando diretamente as estratégias do comércio. Restaurantes, cafeterias, hotéis, livrarias, shoppings e diversos outros estabelecimentos que se apresentam como pet friendly crescem na mesma proporção e passam a enxergar o público que deseja estar acompanhado de seus animais como uma oportunidade de negócio.

No entanto, abrir as portas para os pets não significa, necessariamente, estar preparado para recebê-los. Na prática, oferecer um ambiente verdadeiramente pet friendly envolve uma série de responsabilidades legais, sanitárias e operacionais que ainda são desconhecidas por muitos empresários.

O advogado especialista em Direito Animal, Dr. Leandro Petraglia, alerta que permitir a entrada de animais, por si só, não torna um estabelecimento verdadeiramente pet friendly. Essa diferença, muitas vezes ignorada pelos comerciantes, pode resultar em autuações, processos judiciais e até prejuízos para a imagem do negócio.

"O empresário costuma pensar primeiro na estrutura física, mas existe uma preparação jurídica que vem antes disso. É preciso entender o que a legislação permite, quais normas sanitárias precisam ser observadas e até se existem regras do condomínio ou do empreendimento que possam limitar essa atividade. Sem esse estudo, o estabelecimento pode criar um problema acreditando estar oferecendo um diferencial ao cliente", explica.

Segundo Petraglia, um dos maiores desafios está justamente nos estabelecimentos que trabalham com alimentos e bebidas. Nesses casos, além de proporcionar uma boa experiência ao consumidor, é indispensável cumprir as exigências da vigilância sanitária e definir critérios claros sobre onde e como os animais poderão permanecer.

"Muitas vezes o empresário quer receber esse público, mas desconhece que existem exigências específicas relacionadas ao preparo, manipulação e circulação de alimentos. O desafio não é escolher entre aceitar ou não os animais, mas encontrar uma forma de conciliar essa experiência com todas as normas sanitárias que garantem segurança para todos", afirma.

Outro ponto que costuma passar despercebido é a responsabilidade em caso de acidentes. Mordidas, ataques entre animais, quedas ou qualquer outro incidente envolvendo clientes podem gerar responsabilização do estabelecimento, que responde pela segurança das pessoas durante a relação de consumo.

"Criar regras de convivência, delimitar espaços, orientar os tutores e treinar a equipe são medidas que demonstram o dever de cuidado do estabelecimento. Quando tudo isso é planejado previamente, além de reduzir a possibilidade de acidentes, o empresário também fortalece sua posição jurídica caso algum incidente aconteça", destaca.

Para o especialista, o maior erro é agir apenas para acompanhar uma tendência de mercado. A crescente procura por ambientes que aceitem animais faz com que muitos empresários implementem uma política pet friendly de forma apressada, sem avaliar os impactos jurídicos, operacionais e sanitários dessa decisão.

"Receber animais não pode ser uma decisão baseada apenas na demanda do consumidor. Como qualquer investimento, isso exige planejamento, definição de protocolos, treinamento da equipe e preparo para lidar com situações inesperadas. Quando essa estrutura não existe, um único episódio pode comprometer anos de construção da reputação do estabelecimento", ressalta.

Petraglia também chama atenção para um cenário que deve ganhar força nos próximos anos. Atualmente, oferecer um ambiente pet friendly ainda é uma escolha do empresário. No entanto, a tendência é que a legislação avance para ampliar o acesso de animais de serviço e de suporte à saúde em espaços privados.

"O cão-guia já possui esse direito garantido por lei, mas essa realidade tende a se ampliar. Existem animais que auxiliam pessoas com deficiência auditiva, fazem alertas médicos para diabéticos ou conseguem identificar uma crise epiléptica antes mesmo que ela aconteça. Assim como a acessibilidade arquitetônica deixou de ser uma opção para se tornar uma obrigação, acredito que caminhamos para um cenário em que os estabelecimentos precisarão estar preparados para receber esses animais. Quem investir nessa preparação desde agora estará mais preparado para acompanhar essa evolução da legislação e da própria sociedade", conclui.


O que um estabelecimento precisa para ser realmente pet friendly

Segundo o advogado Leandro Petraglia, alguns cuidados são fundamentais antes de abrir as portas para os animais:

  1. Conhecer a legislação municipal, estadual e as normas sanitárias aplicáveis;
  2. Verificar as regras do condomínio, shopping ou empreendimento onde o negócio está instalado;
  3. Definir quais espécies, portes e, se necessário, condições específicas para a entrada dos animais;
  4. Delimitar áreas onde a presença de pets será permitida e identificar eventuais espaços com restrições;
  5. Elaborar regras claras de convivência para tutores, clientes e funcionários;
  6. Capacitar a equipe para orientar o público e agir corretamente em situações envolvendo animais;
  7. Criar protocolos para acidentes, fugas, conflitos entre animais ou outras situações de emergência;
  8. Disponibilizar estrutura adequada para receber os pets, como pontos de contenção, recipientes para água e sinalização dos espaços;
  9. Formalizar procedimentos internos e revisar periodicamente as práticas adotadas para garantir conformidade com a legislação;
  10. Manter o foco na segurança, no bem-estar animal e na boa convivência entre todos os frequentadores.

Essa preparação, conclui o especialista, protege o negócio, reduz riscos de conflitos e contribui para que a experiência seja positiva para clientes, funcionários e animais. Afinal, ser pet friendly vai muito além de permitir a entrada de um pet: significa estar preparado para recebê-lo com responsabilidade.

  

Furno Petraglia e Pérez Advocacia

 

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