Levantamento do Infojobs mostra avanço de benefícios como licença parental estendida e auxílio pet nas vagas publicadas no país, num momento em que afastamentos por saúde mental batem recorde e a rotatividade no mercado de trabalho formal volta a crescer
O salário deixou de ser o único argumento na disputa
por talentos. Levantamento do Infojobs, plataforma líder em recrutamento e
seleção no Brasil, mostra que empresas brasileiras já incluem benefícios
voltados ao bem estar e à vida pessoal do candidato como parte da oferta de
vagas, entre eles licença parental estendida e auxílio para cuidar de animais
de estimação.
Segundo o levantamento, das 181.992
vagas publicadas na plataforma no primeiro trimestre de 2026, 2.007 (1,1% do
total) mencionam licença parental como benefício oferecido. Outras 228 vagas
(0,13%) citam auxílio ou licença para cuidados com pets, um benefício ainda
incipiente, mas que já aparece no radar de algumas empresas como diferencial de
atração e retenção.
O surgimento desse tipo de benefício
acompanha uma mudança de perfil dos lares brasileiros. Segundo dados do IBGE e
da Abinpet, o Brasil tem hoje cerca de 1,8 animal de estimação por residência e
ocupa a terceira posição no ranking mundial de população pet. Em muitas
famílias, o pet já é tratado como parte do núcleo doméstico, o que ajuda a
explicar por que cuidar do bem estar dos animais de estimação dos colaboradores
passou a fazer sentido também como política de RH.
O tema ganha urgência também pelo lado
da saúde mental. Segundo dados do Ministério da Previdência Social e do INSS, o
Brasil registrou mais de 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos
mentais em 2025, novo recorde da série histórica. O número ajuda a explicar por
que questões como suporte psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e
profissional e qualidade de vida passaram a pesar tanto quanto o salário na
decisão de aceitar ou permanecer em um emprego.
O movimento identificado pelo Infojobs
ganha relevância num contexto em que a retenção de profissionais se tornou mais
desafiadora para as empresas brasileiras. Segundo o Novo Caged, sistema do
Ministério do Trabalho e Emprego, a taxa de rotatividade do emprego formal no
Brasil passou de 32,79% em 2024 para 33,64% em 2025, alta que reforça a pressão
sobre as empresas para investir em políticas que ajudem a segurar talentos além
do salário.
Para o Infojobs, esse cenário reflete uma mudança na forma como candidatos avaliam uma proposta de trabalho. Cada vez mais, fatores como flexibilidade, cultura organizacional e suporte à vida pessoal entram na balança junto com a remuneração, no que o mercado vem chamando de salário emocional.
Apesar do crescimento, o levantamento
do Infojobs aponta que benefícios desse tipo ainda representam uma fração
pequena do total de vagas no país, o que indica espaço para crescimento nos
próximos trimestres, à medida que mais empresas adotam políticas de bem estar
como estratégia de retenção. Já o auxílio adoção ou fertilidade não aparece nas
vagas analisadas no período, um indicativo de que o tema ainda é pouco
explorado pelas empresas brasileiras.

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