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terça-feira, 2 de junho de 2026

SOMP: por que a antiga SOP mudou de nome e o que isso revela sobre uma síndrome que sempre foi mal compreendida

A antiga síndrome dos ovários policísticos agora passa a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. A mudança não é apenas semântica: ela corrige um erro histórico e amplia o olhar sobre uma condição que vai muito além do ovário.

Em maio de 2026, esse descompasso entre nome e realidade clínica foi oficialmente reconhecido em um consenso internacional publicado no The Lancet: a SOP passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, ou SOMP. Em inglês, a sigla adotada foi PMOS - Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. 

Para o Dr. Arthur Victor de Carvalho, a mudança era necessária há muito tempo. “O nome antigo reduzia uma síndrome extremamente complexa a uma imagem de ultrassom. E isso sempre foi um problema, porque levava muitas mulheres a acreditarem que, se não tinham ‘ovários policísticos’, então não poderiam ter a condição.” 

A atualização da nomenclatura foi construída justamente para corrigir esse tipo de distorção. O nome anterior era considerado inadequado porque colocava o foco em um achado que nem sempre está presente e deixava em segundo plano o que realmente define a síndrome: uma desregulação sistêmica com impacto sobre ovulação, metabolismo, composição corporal, resistência à insulina, pele, cabelos e risco cardiometabólico. O próprio artigo do The Lancet afirma que a antiga terminologia contribuía para confusão diagnóstica, reforçava estigma e dificultava a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto entre profissionais. 

No novo nome, cada termo cumpre uma função. “Ovariana” permanece porque a condição continua envolvendo alterações ovulatórias e reprodutivas. “Metabólica” reconhece a associação frequente com resistência à insulina, disfunção glicêmica, ganho de peso e maior risco cardiovascular. Já “poliendócrina” deixa claro que não se trata de um problema restrito a um único órgão, mas de uma desordem que atravessa múltiplos eixos hormonais. Essa reformulação aproxima o diagnóstico daquilo que ele sempre foi na prática, mas nem sempre foi nomeado com clareza. 

A mudança não surgiu de uma decisão isolada. Segundo a Endocrine Society, o processo envolveu anos de discussão e mais de 22 mil respostas de pacientes e profissionais de saúde, além da participação de dezenas de sociedades médicas ao redor do mundo. O consenso buscou justamente refletir melhor a experiência real de quem vive com a síndrome e de quem a diagnostica. 

Esse ponto importa porque a condição continua sendo uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. As entidades envolvidas no consenso estimam que ela afete cerca de 1 em cada 8 mulheres, somando mais de 170 milhões de pessoas no mundo. Ainda assim, a síndrome segue frequentemente subdiagnosticada, mal explicada e, muitas vezes, tratada de forma estreita demais. 

Muitas mulheres passaram anos ouvindo que “não tinham SOP” por não apresentarem “cistos”, ou recebiam explicações focadas apenas no ciclo menstrual e na dificuldade para engravidar, quando o corpo já dava outros sinais importantes: acne persistente, crescimento excessivo de pelos, queda capilar, ganho de peso, dificuldade para emagrecer, irregularidade menstrual, fadiga e sinais de resistência à insulina. 

Para o Dr. Arthur, esse reposicionamento pode ter efeito direto na qualidade do cuidado. “Quando passamos a chamar de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, a medicina finalmente reconhece algo que a prática clínica já mostrava há muito tempo, não se trata apenas do ovário, mas de uma desregulação hormonal e metabólica muito mais ampla.” 

Essa mudança é importante porque a síndrome não impacta só fertilidade ou ciclo menstrual, ela também se relaciona com risco metabólico aumentado, alterações na composição corporal, saúde cardiovascular e bem-estar geral.  

É importante deixar claro que o novo nome não altera os critérios diagnósticos básicos nem invalida o que já se sabe sobre o tratamento. Continuam valendo estratégias individualizadas que podem incluir mudança de estilo de vida, ajuste alimentar, atividade física, sono, medicações como metformina, contraceptivos hormonais e terapias dirigidas a sintomas específicos, dependendo do caso. O que a SOMP altera é o enquadramento da síndrome e isso, na medicina, nunca é um detalhe pequeno. Um nome mais preciso tende a produzir uma escuta mais precisa, uma investigação mais ampla e um tratamento menos superficial. 

Também há um efeito simbólico importante. O termo antigo carregava uma simplificação que, para muitas pacientes, não explicava o que estavam vivendo. Ao reposicionar a síndrome como ovariana, metabólica e poliendócrina, a nova nomenclatura abandona a ideia de que a condição se resume a uma imagem ultrassonográfica ou a uma questão estética e reprodutiva. Ela se aproxima mais da realidade de quem convive com um quadro hormonal crônico e multifatorial. 

“A nova nomenclatura não muda só a forma de falar. Ela muda a forma de pensar. E quando a medicina muda a forma de pensar, muda também a qualidade do cuidado. A sigla mudou. Mas, mais do que isso, mudou o foco. E talvez seja exatamente daí que comece um diagnóstico melhor”, conclui o Dr. Arthur Victor de Carvalho. 

 

Dr. Arthur Victor de Carvalho - médico especialista em menopausa, lipedema e modulação hormonal. Atua com foco na saúde da mulher moderna, unindo ciência, escuta e individualização para devolver às pacientes o que a medicina tradicional muitas vezes ignorou: vitalidade, bem-estar e liberdade para envelhecer com potência.



Entenda por que a cadeira do dentista se tornou uma das linhas de defesa contra doenças crônicas

Freepik
Estudo revela que inflamações na gengiva elevam em 26% o risco de diabetes e em 18% o de problemas cardíacos, reforçando a importância do acompanhamento preventivo. 

 

No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes e problemas cardiovasculares, foram responsáveis por 41,8% das mortes prematuras em 2019, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com estudo realizado pela Universidade de Birmingham e NIHR Birmingham Biomedical Research Centre, pacientes com histórico de doença periodontal têm 26% mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e 18% mais chances de apresentar doenças cardiovasculares. 

Daniela Lopes do Vale, coordenadora Técnico Comercial da Care Plus Clinic, explica que existe uma relação de mão dupla entre a saúde bucal e as DCNTs. “Da mesma forma que algumas patologias apresentam sinais odontológicos, infecções bucais podem agir como foco inflamatório e agravar doenças sistêmicas”, afirma. 

Segundo ela, alterações na boca, muitas vezes vistas como problemas isolados, podem sinalizar desequilíbrios e processos inflamatórios em curso no organismo. Nesse contexto, o acompanhamento odontológico torna-se essencial também para monitorar a saúde e atuar de forma preventiva e personalizada, funcionando como até mesmo um pilar da atenção primária. 

A prevenção de doenças crônicas está diretamente ligada aos hábitos adotados no dia a dia. Cultivar práticas saudáveis no cuidado bucal se torna uma verdadeira blindagem para o corpo como um todo. 

A especialista desmistifica algumas percepções do senso comum para auxiliar na identificação de sinais que merecem atenção:

 

“Gengiva sangrando é apenas sinal de que escovei com muita força” - embora a força possa machucar, o sangramento frequente é o corpo avisando que há uma inflamação ativa. Segundo Daniela, o sangramento indica que a barreira de defesa da boca está "rompida", permitindo que bactérias entrem na corrente sanguínea e iniciem processos inflamatórios que impactam todo o organismo.

 

“Se eu não sinto dor, é porque meus dentes e gengiva estão saudáveis” - muitas doenças periodontais graves são silenciosas e não causam dor em estágios iniciais. “Elas mantêm o organismo em um estado de inflamação constante que pode sabotar o controle da glicose em diabéticos ou elevar marcadores inflamatórios no sistema cardiovascular sem que o paciente sinta nada”, explica a especialista.

 

“Estou com mau hálito porque não escovei os dentes direito” - embora a higiene seja fundamental, o mau hálito persistente é um sinal de alerta que vai muito além da escovação. De acordo com Daniela, ele pode indicar desde infecções gengivais ocultas até problemas digestivos, renais ou metabólicos. “Ignorar o hálito é ignorar um aviso de que o equilíbrio do corpo está comprometido”, afirma ela.

 

“Diabetes se controla apenas com dieta e insulina” - é exatamente o contrário. Daniela explica que infecções na gengiva aumentam a resistência à insulina, dificultando o controle do açúcar no sangue. Na prática, manter a saúde bucal ajuda o organismo a responder melhor aos medicamentos, tornando o tratamento médico muito mais eficaz.

 

“Perder dentes é uma consequência natural do envelhecimento” - a perda dentária é causada por doenças acumuladas e não tratadas - como a periodontite -, e não pela idade avançada. “Manter o acompanhamento preventivo preserva a função mastigatória e evita que a falta de dentes gere novos problemas de saúde, como deficiências nutricionais e anemia”, explica a especialista.

 

 Care Plus

 


Canadá classifica a miopia como doença, mas isso não impede o optometrista de atuar

Reclassificação amplia a necessidade do optometrista na prevenção da saúde visual, em especial no Brasil, onde não houve qualquer mudança

 

A notícia de que o Canadá passou a classificar a miopia como doença, e não erro refratário, deixou algumas dúvidas entre os optometristas. “A miopia, um problema global, precisa de prevenção e acompanhamento contínuo, mas não necessariamente de um médico, já que seu tratamento é a prescrição de óculos ou lentes, o que o optmetrista faz”, alerta Paulo Henrique Oliveira de Lima, da Comissão Técnico Cientifico do CROOSP (Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo). 

O advogado Filipe Menino, que atende o Croosp, explica que esse é o momento oportuno para “desfazer uma confusão retórica que grupos corporativos tentam plantar no debate brasileiro: a de que, se miopia é doença, então prescrever óculos seria, agora, ato privativo de médico”. Isso não é verdade, segundo ele. Menino lembra que, em 2021, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os embargos de declaração na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 131, fixou que os Decretos nº 20.931/1932 e nº 24.492/1934 não se aplicam aos optometristas de nível superior. Ou seja: esses profissionais podem realizar a prescrição de óculos e lentes de contato, podem estabelecer local de trabalho, podem atuar em equipes multidisciplinares. A decisão tem efeito vinculante e eficácia contra todos. Nenhuma classificação feita por sociedade científica — nacional ou internacional — reforma decisão do Supremo. 

Em São Paulo, esse entendimento foi consolidado pela Portaria CVS 06/2025, da Vigilância Sanitária Estadual, que disciplina o licenciamento sanitário dos estabelecimentos em que o optometrista de nível superior atua — consultórios isolados, clínicas multidisciplinares ou gabinetes no interior de estabelecimentos ópticos. É Estado reconhecendo profissão, não complacência ou tolerância. 

Prescrever óculos, explica o Croosp, consiste em medir o erro refrativo do paciente e indicar a lente compensatória adequada. “Não há administração de fármaco. Não há procedimento invasivo. Não há manipulação do globo ocular. É um ato técnico-óptico, cuja natureza não muda se a condição subjacente é classificada como erro refrativo, ametropia ou doença de saúde pública”, afirma o advogado. 

Já o tratamento clínico da alta miopia — o uso de atropina em baixa dose, a cirurgia refrativa, o manejo de maculopatia miópica, descolamento de retina ou glaucoma associado — é ato médico. Por isso, “o optometrista brasileiro, ao identificar sinais sugestivos de patologia, encaminha o paciente ao oftalmologista”, explica Menino. “É essa a lógica que opera um sistema de saúde estruturado e eficiente. Complementaridade, não substituição.” 

No Canadá, onde houve a mudança, o optometrista é o profissional de primeira linha da saúde visual. É ele quem realiza a maior parte dos exames de rotina, prescreve as correções ópticas e acompanha a progressão dos erros refrativos, encaminhando ao oftalmologista apenas os casos que exigem intervenção médica. O mesmo vale para Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Espanha. 

No Brasil, onde há 5.570 municípios, a distribuição de oftalmologistas é desigual. Cidades inteiras do interior do país não contam com um único médico oftalmologista. Levantamento recente feito pelo Conselho Regional de Óptica e Optometria de São Paulo (Croosp) mostrou que mais de 40% das pessoas tinham feito o último exame de vista há mais de dois anos. E 25% nunca haviam feito um exame de vista na vida. 

“Assim, defender que a prescrição de óculos seja ato privativo de médico é defender o gargalo. É legitimar, institucionalmente, a cegueira evitável. É, na prática, escolher um modelo corporativo em detrimento do modelo de saúde pública”, alerta o advogado. 


Por que o teste do pezinho é decisivo para a saúde do recém-nascido

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Pediatra do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista reforça que o exame permite iniciar o tratamento antes do avanço das doenças 


Principal exame de triagem neonatal, o Teste do Pezinho ajuda a detectar, nos primeiros dias de vida, doenças que podem evoluir sem sintomas aparentes e causar complicações graves ao recém-nascido. Neste mês, a questão é reforçada no Dia Nacional do Teste do Pezinho, em 6 de junho, data instituída pela Lei nº 11.605/2007, cujo objetivo é chamar a atenção da sociedade para a importância da realização do exame em todos os recém-nascidos. 

Quando realizado no prazo recomendado, o exame permite antecipar cuidados, iniciar o tratamento adequado e reduzir riscos de sequelas e mortalidade. A cobertura do Programa Nacional de Triagem Neonatal no Brasil foi de 82,69%, segundo o Ministério da Saúde. 

“O Teste do Pezinho é um exame simples, rápido e de grande impacto para a saúde do recém-nascido. Muitas doenças identificadas por ele não apresentam sinais logo após o nascimento, mas podem comprometer o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança se não forem tratadas precocemente”, explica a pediatra do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dra. Amanda Sereno. 

O exame rastreia doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita. 

Essas condições exigem atenção porque podem causar complicações graves quando não diagnosticadas cedo. A fenilcetonúria, por exemplo, pode afetar o desenvolvimento neurológico se não houver controle alimentar adequado. O hipotireoidismo congênito pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento do bebê. A doença falciforme pode provocar anemia grave, crises de dor e infecções. Já a fibrose cística afeta principalmente os pulmões e o sistema digestivo. 

Outras doenças também podem evoluir rapidamente. A hiperplasia adrenal congênita pode causar desidratação intensa e alterações hormonais importantes. A deficiência de biotinidase pode levar a convulsões, alterações de pele e prejuízos neurológicos. A toxoplasmose congênita pode comprometer a visão e o sistema nervoso central. 

“Quando uma alteração é identificada logo no início da vida, conseguimos agir antes que a doença provoque danos mais graves. Esse é o grande valor do Teste do Pezinho: antecipar o cuidado”, afirma a Dra. Amanda.

A coleta é feita com uma pequena amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê. O material é enviado para análise em laboratório. A recomendação é que o exame seja realizado a partir de 48 horas após o nascimento até o 5º dia de vida. 

“O prazo é muito importante porque algumas doenças podem evoluir rapidamente. Por isso, a orientação é que os responsáveis realizem o exame dentro do período indicado”, destaca a médica.
 

Testes ampliados também estão disponíveis na Santa Casa 

O Teste do Pezinho pode ser realizado gratuitamente por meio do SUS, conforme o Programa Nacional de Triagem Neonatal. 

Além da versão oferecida pelo sistema público, o laboratório do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista disponibiliza, de forma particular, versões ampliadas do exame, com diferentes níveis de abrangência. Entre as opções estão o teste básico, que rastreia 12 doenças; o novo ampliado, com 59 doenças; o novo expandido, com 94 doenças; e o perfil Nova Era, que rastreia mais de 300 condições. 

As versões pagas permitem que os responsáveis escolham, com orientação médica, uma triagem mais ampla, de acordo com as necessidades da família e a avaliação de risco para o recém-nascido. 

A pediatra reforça que um resultado alterado no Teste do Pezinho não significa, necessariamente, diagnóstico confirmado. Nesses casos, o bebê deve passar por exames complementares e acompanhamento especializado. 

“A triagem neonatal é uma ferramenta simples, acessível e extremamente eficaz. Quanto mais cedo uma condição é detectada, maiores são as chances de tratamento e de qualidade de vida para o bebê”, conclui a Dra. Sereno.

 

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista

 

Programa de exercícios ou materiais de educação em saúde? O que tem maior custo-efetividade no tratamento do câncer colorretal? Estudo da Asco 2026 responde à questão

 

Pesquisa revisitou trabalho que mostrou os bons resultados da atividade física para pessoas com esse tipo de tumor, que é o segundo mais frequentes entre homens e mulheres no Brasil.

 

Na edição passada do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, em inglês), o estudo fase 3 CHALLENGE mostrou como um programa de exercícios pode reduzir a recorrência e aumentar a sobrevida de pacientes com câncer colorretal que passaram por cirurgia, seguida de quimioterapia. Nesta segunda-feira (01), foi apresentado na Asco 2026 um trabalho que comparou o custo-efetividade do programa de atividade física com a produção e entrega de materiais de educação em saúde para indivíduos com essa condição. Os resultados apontaram que o programa superou em eficácia e economia os materiais educativos. O congresso termina amanhã (02) em Chicago, nos Estados Unidos. 

“Essa análise de custo-efetividade é muito interessante”, explica a médica especializada em câncer do trato gastro-intestinal Maria Ignez Braghiroli, da Oncologia D’Or. “Ela mostrou que, embora no início o programa de exercícios tenha sido mais custoso, ele apresentou melhor custo-efetividade ao longo do tempo”, completou.

O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35% no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em 2016, eram 34.280 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil.

 

Avaliação apontou que o programa de exercícios físicos é mais barato e
 eficaz do que a produção e distribuição de materiais de saúde

Estudo

O estudo fase 3 CHALLENGE envolveu 889 pacientes com câncer colorretal que passaram por cirurgia, seguida de quimioterapia. Metade participou de um programa de atividade física de três anos, sob a supervisão de profissionais. O outro grupo recebeu apenas a recomendação de praticar atividade física, sem supervisão ou metas. No final do estudo, os pesquisadores verificaram que 90,3% dos que aderiram aos treinos estavam vivos, ante 83,2% do segundo grupo. A redução de risco de óbito no primeiro grupo foi de 37%. 

Para realizar uma avaliação econômica dessa experiência, os pesquisadores utilizaram os dados coletado e adotaram a perspectiva do sistema público de saúde canadense, que incluiu custos diretos com saúde em cinco anos. 

Os resultados revelaram que o programa estruturado de exercícios é mais eficaz e menos dispendioso do que a produção e distribuição de materiais de saúde. Embora represente um custo de US$ 4.327 para sua realização, foi US$ 179 mais barato do que a distribuição de materiais e aumentou a expectativa de vida dos pacientes. Num cenário de dez anos, o programa se consolidou como tendo maior custo-efetividade, porque foi US$ 2.528 mais econômico do que a outra opção e prolongou a vida dos pacientes.

 

Oncologia D'Or

 

Festa junina na gestação: do milho à canjica, gestantes podem aproveitar a festa junina com equilíbrio

 

Especialista do Hospital e Maternidade Santa Maria orienta como aproveitar os pratos típicos com segurança durante a gravidez 

 

O mês de junho chega com cheiro de milho cozido, canjica, pamonha, bolo de fubá, pipoca, maçã do amor e aquele clima de arraial que atravessa gerações. Para muitas gestantes, porém, surge uma dúvida comum: é possível aproveitar as comidas típicas sem riscos para a saúde? 

A resposta é sim, mas com alguns cuidados. Segundo o Dr. Rodrigo Nogueira, ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Maria, do Grupo Santa Joana, a festa junina não precisa virar uma lista de proibições. A chave está na moderação, na higiene e na atenção às condições individuais da gestante, como diabetes gestacional, hipertensão, refluxo e ganho de peso excessivo. 

“A comida de festa junina faz parte da memória afetiva de muita gente. A gestante não precisa se excluir desse momento, mas deve fazer escolhas conscientes e observar o preparo dos alimentos”, explica o médico. 

Durante a gravidez, o organismo passa por mudanças imunológicas e gastrointestinais que podem deixar a mulher mais suscetível a infecções alimentares. Por isso, alimentos crus, mal armazenados ou feitos com leite não pasteurizado devem ser evitados. 

No Brasil, o Ministério da Saúde orienta priorizar alimentos naturais e preparações caseiras, além de reduzir ultraprocessados. No contexto das festas juninas, o médico reforça que o risco está mais no excesso de açúcar e gordura do que nos ingredientes típicos em si. 

Entre os pratos tradicionais, o milho cozido é uma das opções mais adequadas, desde que bem cozido e com pouco sal. A pipoca também está liberada, quando preparada com pouco óleo. Já pamonha, canjica e curau merecem atenção por concentrarem açúcar e leite. Isso vale para doces como pé de moleque, paçoca, cocada, arroz-doce e maçã do amor. Apesar de pequenos, são altamente açucarados e podem piorar sintomas como náuseas e refluxo. 

“Uma dica simples é escolher o que realmente dá vontade de comer, evitando experimentar tudo ao mesmo tempo. Festa junina não precisa virar uma maratona gastronômica”, comenta o especialista. 

Outro ponto de alerta são as bebidas. Quentão e vinho quente, mesmo em pequenas quantidades, devem ser evitados. Não existe quantidade segura de álcool na gestação. Alternativas sem álcool, chás suaves liberados pelo obstetra e bebidas quentes com frutas podem substituir as versões tradicionais. 

Atenção também aos alimentos vendidos em barraquinhas. É importante verificar higiene, armazenamento e temperatura adequada. Preparações com leite, creme, queijo, carnes ou ovos exigem cuidado redobrado. 

“Se a comida ficou muito tempo exposta ou não há refrigeração adequada, é melhor evitar. Na gestação, a prevenção é sempre o melhor caminho”, reforça o Dr. Rodrigo.

 


Hospital e Maternidade Santa Maria
www.maternidadesantamaria.com.br


 

Junho Laranja: 5 hábitos saudáveis que ajudam a preservar a fertilidade

Magnific
Uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta dificuldade para engravidar, segundo a OMS. Entenda como o estilo de vida impacta a saúde reprodutiva, bem como a importância de buscar ajuda especializada 


Ter dificuldade para engravidar é uma realidade mais comum do que se imagina. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas relacionados à fertilidade atingem cerca de 17,5% da população adulta — aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo. O cenário reforça a relevância do Dia Mundial de Conscientização da Infertilidade, celebrado em 4 de junho, e da campanha Junho Laranja, marcada por iniciativas globais voltadas à ampliação dos debates sobre o tema.

Quando o assunto é saúde reprodutiva, um aspecto importante a ser considerado é o estilo de vida, pois ele tem impacto importante sobre a qualidade das células reprodutivas tanto femininas, os óvulos, quanto masculinas, os espermatozoides. “Apesar de não serem os únicos responsáveis pela infertilidade, fatores como tabagismo, privação de sono, estresse crônico, obesidade e consumo excessivo de ultraprocessados podem reduzir as chances de gravidez. Por outro lado, hábitos saudáveis ajudam a reduzir a inflamação do organismo, melhorar níveis de hormônios e diminuir os danos oxidativos às células que acontecem naturalmente ao longo do tempo”, explica Dra. Marília Bonow, especialista em reprodução humana da Clínica Embryo/Fertgroup. 

O cuidado com a fertilidade envolve a prática de hábitos saudáveis durante toda a vida, e não somente quando há a decisão de ter filhos. “As mulheres já nascem com a quantidade de óvulos que terão ao longo da vida, denominada reserva ovariana. Ou seja, diferentemente de outras células do corpo humano, os óvulos não são repostos com o passar dos anos. Por isso, precisamos cuidar bem deles desde sempre. Com o tempo, a quantidade e a qualidade desses óvulos diminui, e maus hábitos podem acelerar esse desgaste”, alerta Dra. Marília. “Embora, ao contrário dos óvulos, os espermatozoides sejam produzidos continuamente, eles também sofrem impacto do estilo de vida, que pode comprometer quantidade, mobilidade e qualidade genética”, completa a médica. 

Para preservar a saúde reprodutiva, é importante:
 

1 - Manter uma boa rotina de sono

Dormir bem ajuda na produção adequada de melatonina, hormônio responsável por regular o sono que tem ação antioxidante, o que ajuda na proteção das células reprodutivas. A privação de sono por períodos prolongados, por sua vez, pode desregular hormônios importantes para a fertilidade, como estrogênio e progesterona, ligados à ovulação feminina, e testosterona, relacionada à produção de espermatozoides nos homens.

2 - Evitar cigarro e excesso de álcool

O tabagismo e o consumo de álcool em demasia aumentam o estresse oxidativo - desequilíbrio causado pelo excesso de moléculas que danificam células e DNA, o que pode provocar alterações nos óvulos e nos espermatozoides, além de acelerar a perda da reserva ovariana. O abuso de álcool pelas mulheres pode prejudicar a ovulação e, pelos homens, reduzir os níveis de testosterona e afetar a produção e a mobilidade dos espermatozoides.

3 - Reduzir o estresse

Quando o corpo permanece por muito tempo em estado de alerta, há aumento na liberação de cortisol, hormônio relacionado ao estresse que pode provocar alterações no ciclo menstrual e na ovulação em mulheres. Nos homens, o estresse prolongado pode impactar a produção de testosterona e prejudicar a qualidade dos espermatozoides. Além disso, situações contínuas de tensão comprometem o sono e favorecem hábitos alimentares inadequados, consumo de álcool e tabagismo, fatores que também influenciam a saúde reprodutiva.

4 - Priorizar alimentação natural

Uma dieta rica em vegetais, frutas, fibras, grãos integrais e gorduras boas ajuda a diminuir a inflamação sistêmica e favorece o funcionamento metabólico e hormonal. Já o consumo elevado de ultraprocessados pode afetar os espermatozoides e, até mesmo, a qualidade do embrião, diminuindo as chances de evolução saudável da gestação.

5 - Manter peso saudável e praticar atividade física

Nas mulheres, a obesidade está associada a irregularidades menstruais, dificuldade de ovulação e maior risco de condições como síndrome dos ovários policísticos (SOP). Nos homens, também pode impactar a produção hormonal e prejudicar a qualidade dos espermatozoides. Além disso, o excesso de peso favorece processos inflamatórios no organismo, que podem comprometer a saúde reprodutiva. A prática regular de exercícios físicos e a perda de peso, quando necessária, ajudam a melhorar o funcionamento hormonal, metabólico e reprodutivo, aumentando as chances de gravidez natural e até mesmo de melhores resultados em tratamentos de fertilidade.
 

Investigação precoce é fundamental 

Dra. Marília Bonow lembra que, quando há dificuldade para engravidar, mudanças no estilo de vida devem ser realizadas concomitantemente à investigação médica, pois há muitos fatores envolvidos na infertilidade. O casal não deve adiar a procura por um especialista em reprodução assistida, que irá avaliar reserva ovariana, sêmen e questões hormonais e estruturais. “Quanto mais cedo a causa da infertilidade é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento, principalmente porque a fertilidade feminina diminui com o tempo e algumas condições podem evoluir e se tornar mais difíceis de tratar”, destaca.


Cremesp manifesta apoio irrestrito à resolução do CFM, que proíbe o uso de PMMA, e cobra posicionamento da Anvisa


O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) manifestou, por meio de Nota Técnica, apoio incondicional à Resolução nº 2.461/2026, anunciada hoje, 1º de junho, em coletiva de imprensa do Conselho Federal de Medicina (CFM), com publicação e vigência a partir de 2 de junho. 

De acordo com a norma do CFM, fica proibido o uso médico do PMMA como preenchedor estético ou reparador em todo o País, independentemente da quantidade. A única exceção, desde que condicionada à realização em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS – é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids. 

Na nota técnica emitida por meio de suas Câmaras Técnicas de Dermatologia e Cirurgia Plástica – logo após o anúncio da resolução CFM –, além de manifestar apoio integral à norma, o Cremesp manteve uma cobrança institucional por um posicionamento final e definitivo da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação à incoerência regulatória de sua própria normativa de 2025. 

Na normativa, a Anvisa autoriza a aplicação do PMMA por cirurgiões-dentistas, mesmo com as determinações já estabelecidas pelo Ministério da Saúde – que restringe seu uso a dermatologistas e cirurgiões plásticos com RQE, em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS. A inclusão de dentistas como aplicadores autorizados pela Anvisa não encontra qualquer respaldo nas normativas vigentes do próprio (MS) e representa uma contradição regulatória grave. 

A prontidão do Cremesp, ao propor diretrizes e acompanhar de perto as ações pelo banimento do uso do PMMA, têm como objetivo garantir que nenhum profissional, de nenhuma área, tenha acesso legal ao produto como substância preenchedora no País. 

Enquanto, o PMMA continuar existindo no mercado, seu acesso por profissionais não médicos permanecerá irrestrito e o controle efetivo do uso será estruturalmente inviável.

Para o Cremesp, a normativa do CFM representa uma conquista importante para a proteção dos pacientes e da população. Cabe agora à Anvisa revogar a normativa de 2025 e avançar para o banimento completo do PMMA injetável no Brasil. 

Em relação aos pacientes com HIV/aids, o Cremesp recomenda que o MS promova, com urgência, a discussão e a disponibilização de alternativas terapêuticas mais seguras para o tratamento da lipoatrofia facial, garantindo que esse grupo não seja prejudicado pela descontinuação do produto. A proteção desses pacientes passa pela substituição segura, não pela manutenção de um material permanente e irreversível.

 

Alerta!

O PMMA é um material permanente, sem possibilidade de dissolução ou remoção completa do organismo, estando associado a complicações graves e irreversíveis, como granulomas, deformidades, insuficiência renal, hipercalcemia e até óbito. O Cremesp ressalta que esses riscos são inerentes ao produto e podem ocorrer mesmo quando a aplicação é realizada corretamente.

Acesse a Nota Técnica na íntegra e confira a publicação do Cremesp no Instagram.



Estudo global da Novo Nordisk revela que 2 em cada 5 pessoas com doenças no coração apresentam inflamação cardiovascular, que aumenta o risco de infarto e AVC


  • O estudo POSEIDON, da Novo Nordisk, realizado com 19 mil pacientes em 18 países, mostrou que a inflamação cardiovascular (CV) continua altamente prevalente entre pessoas com doença cardiovascular (DCV), apesar do tratamento padrão atual1,2
  • No mundo, duas em cada cinco pessoas com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e doença renal crônica (DRC), ou com insuficiência cardíaca, apresentam inflamação cardiovascular1,2. Na América Latina, o dado é ainda mais alarmante: uma em cada duas pessoas com doenças cardiovasculares tem inflamação cardiovascular (PCR-us ≥2 mg/L)1,³.
  • O estudo revela que a inflamação cardiovascular é um fator de risco independente para eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas que vivem com doenças no coração, além de evidenciar uma lacuna no cuidado cardiovascular em nível global1,³.
  • Em consonância com as diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) e com o posicionamento científico do American College of Cardiology (ACC), os resultados reforçam a importância da mensuração da proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) em pacientes com DCV³˒¹³˒¹⁴˒¹⁵.

 

A Novo Nordisk, líder global em saúde, apresentou novos resultados do histórico estudo POSEIDON durante o 94º Congresso da European Atherosclerosis Society (EAS), em Atenas, na Grécia. O estudo, baseado em evidências do mundo real, demonstrou que a inflamação cardiovascular permanece altamente prevalente entre pessoas com doenças cardiovasculares (DCV), mesmo com o tratamento padrão atualmente disponível. Os dados indicaram que 2 em cada 5 pessoas com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e doença renal crônica (DRC) apresentavam inflamação cardiovascular, condição associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares como AVC e infarto2,4. 

Uma segunda análise do POSEIDON, recentemente publicada no European Journal of Heart Failure, mostrou que duas em cada cinco pessoas com insuficiência cardíaca também apresentam inflamação cardiovascular¹. No estudo POSEIDON, a inflamação cardiovascular foi medida e definida por níveis de proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) ≥2 mg/L¹. O PCR-us (PCR ultrassensível) é o exame de sangue mais comumente utilizado e amplamente disponível nas redes pública e privada para medir inflamação cardiovascular⁴⁶. 

Os resultados evidenciam uma lacuna significativa no cuidado cardiovascular atual. Mesmo quando as pessoas recebem tratamentos recomendados pelas diretrizes para controlar, por exemplo, colesterol, pressão arterial e glicemia, o risco cardiovascular impulsionado pela inflamação persiste³,⁷. O estudo POSEIDON representa uma das maiores avaliações globais contemporâneas da prevalência de inflamação cardiovascular nessa população de alto risco e, portanto, uma grande evolução na cardiologia1,2. 

“O estudo POSEIDON fornece evidências fundamentais de que a inflamação cardiovascular representa uma fonte significativa de risco residual persistente em pessoas que vivem com doença cardiovascular aterosclerótica e doença renal crônica ou insuficiência cardíaca, apesar de receberem o tratamento padrão atualmente”, afirmou Filip Knop, vice-presidente sênior e diretor médico da Novo Nordisk. “Compreender a dimensão do risco inflamatório cardiovascular é essencial à medida que avançamos em nossa pesquisa orientada pela inovação para desenvolver uma terapia inédita em sua classe, com potencial para atender a essa importante necessidade médica não atendida.” 

O POSEIDON incluiu 18.904 pacientes em 18 países da Europa, América do Norte, América do Sul e Ásia-Pacífico entre 2023 e 20251,2.No estudo, 13.475 pacientes apresentavam doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), dos quais 5.757 (42,7%) tinham doença renal crônica (DRC), enquanto 11.809 pacientes apresentavam insuficiência cardíaca, abrangendo todos os tipos da condição (fração de ejeção preservada, levemente reduzida ou reduzida)1,2. 

A inflamação cardiovascular desempenha um papel central no desenvolvimento e na progressão da doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA)⁸,⁹. Diversos estudos demonstraram que pessoas com inflamação cardiovascular enfrentam maior risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, incluindo infarto, AVC e morte cardiovascular³⁵. A inflamação cardiovascular também contribui para a progressão da doença renal crônica (DRC) e a própria DRC pode favorecer processos inflamatórios, criando um ciclo que amplifica o risco cardiovascular⁹. 

A inflamação cardiovascular também exerce papel fundamental na insuficiência cardíaca e é comum em todos os seus tipos, especialmente em pessoas com obesidade, doença renal e outras condições metabólicas¹,¹⁰. 

“O estudo POSEIDON deixa claro que a inflamação cardiovascular não é uma preocupação periférica, ela é um fator compartilhado de risco que afeta milhões de pacientes com doença cardiovascular em todo o mundo. As pessoas permanecem vulneráveis apesar das melhores terapias disponíveis atualmente”, afirmou a professora Carolyn S.P. Lam, consultora sênior do Departamento de Cardiologia do National Heart Centre Singapore e professora do Programa de Pesquisa em Distúrbios Cardiovasculares e Metabólicos da Duke-NUS Medical School. “O que chama atenção é a consistência dos sinais inflamatórios em populações de pacientes tão diversas. Essa consistência aponta para um caminho prático: identificar os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar de terapias que atuem diretamente sobre a inflamação. Isso reformula a forma como devemos pensar o risco cardiovascular residual e reforça o potencial das novas terapias anti-inflamatórias para atender a uma necessidade real ainda não satisfeita.” 

O reconhecimento crescente do papel da inflamação na doença cardiovascular se reflete em diretrizes recentes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC), que incluem a elevação de indicadores do exame PCR-us (PCR ultrassensível) como um biomarcador modificador de risco para orientar estratégias preventivas mais intensivas¹¹,¹².

 

Sobre o POSEIDON

POSEIDON é um grande estudo observacional multinacional, transversal, de evidências do mundo real, desenvolvido para avaliar a prevalência e as características do alto risco inflamatório (definido como PCR-us ≥2 mg/L) em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), com ou sem doença renal crônica (DRC) e/ou insuficiência cardíaca. O estudo incluiu 18.904 pacientes em 18 países entre 2023 e 2025. Pacientes com infecções recentes, hospitalizações ou atendimentos médicos não programados foram excluídos para garantir que os marcadores inflamatórios refletissem inflamação cardiovascular e não condições agudas1,2.

 

Sobre a inflamação cardiovascular

A inflamação cardiovascular é cada vez mais reconhecida como um fator-chave no desenvolvimento da doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e como uma das principais contribuições para o risco cardiovascular persistente em pessoas que recebem terapias preventivas padrão. Ela também desempenha papel central na insuficiência cardíaca e é comum em todos os tipos da condição (fração de ejeção preservada, levemente reduzida ou reduzida), especialmente em pessoas com obesidade, doença renal e outras condições metabólicas. O PCR-us é o exame de sangue mais amplamente disponível e um biomarcador validado de inflamação cardiovascular. Níveis de inflamação cardiovascular ≥2 mg/L estão associados a maior risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, incluindo infarto, AVC e morte cardiovascular⁴⁶. Apesar do manejo padrão dos fatores de risco tradicionais, como colesterol, pressão arterial e glicemia, muitas pessoas com DCVA continuam enfrentando risco cardiovascular elevado, impulsionado em parte pela inflamação persistente²,³,⁷. O mesmo ocorre em pessoas com qualquer tipo de insuficiência cardíaca, nas quais a inflamação cardiovascular está associada a sintomas mais graves e a um aumento do risco cardiovascular global¹.



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Referências:

  1. Lam CSP, Contreras J, Darwesh R, et al. Prevalence and Predictors of High Inflammatory Risk in Heart Failure Subtypes: Findings From the Global POSEIDON Study. Eur J Heart Fail. 2026.
  2. Navar A, Bai L, Højen J, et al. Global Prevalence of Elevated High-Sensitivity C-Reactive Protein in Patients with Atherosclerotic Cardiovascular Disease, With and Without Chronic Kidney Disease: Findings From the POSEIDON Study. Late breaker oral presentation at the European Atherosclerosis Society 2026; May 24-27 2026; Athens, Greece.
  3. Ridker PM. Clinician's Guide to Reducing Inflammation to Reduce Atherothrombotic Risk: JACC Review Topic of the Week. J Am Coll Cardiol. 2018;72(25):3320-3331.
  4. Ridker PM, Bhatt DL, Pradhan AD, et al. Inflammation and cholesterol as predictors of cardiovascular events among patients receiving statin therapy: a collaborative analysis of three randomised trials. Lancet. 2023;401(10384):1293-1301.
  5. Ridker PM, Lei L, Louie MJ, et al. Inflammation and Cholesterol as Predictors of Cardiovascular Events Among 13 970 Contemporary High-Risk Patients With Statin Intolerance. Circulation. 2024;149(1):28-35.
  6. FDA. Review Criteria for Assessment of C-Reactive Protein (CRP), High Sensitivity C-Reactive Protein (hsCRP) and Cardiac C-Reactive Assays. Available at: https://www.fda.gov/regulatory-information/search-fda-guidance-documents/review-criteria-assessment-c-reactive-protein-crp-high-sensitivity-c-reactive-protein-hscrp-and Last accessed: May 2026.
  7. Peikert A, Kaier K, Merz J, et al. Residual inflammatory risk in coronary heart disease: incidence of elevated high-sensitive CRP in a real-world cohort. Clin Res Cardiol. 2020;109(3):315-323.
  8. Hansson GK. Inflammation, atherosclerosis, and coronary artery disease. New England Journal of Medicine. 2005;3521685–1695.
  9. Lawler PR, Bhatt DL, Godoy LC, et al. Targeting cardiovascular inflammation: next steps in clinical translation. European Heart Journal. 2021;42113–131.
  10. Mesquita T, Lin YN, Ibrahim A. Chronic low-grade inflammation in heart failure with preserved ejection fraction. Aging Cell. 2021;20(9):e13453.
  11. Arnett DK, Blumenthal RS, Albert MA, et al. 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. J Am Coll Cardiol. 2019;74(10):e177-e232.
  12. Visseren FLJ, Mach F, Smulders YM, et al. 2021 ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice: Developed by the Task Force for cardiovascular disease prevention in clinical practice with representatives of the European Society of Cardiology and 12 medical societies With the special contribution of the European Association of Preventive Cardiology (EAPC). European Heart Journal. 2021;42(34):3227-3337.
  13. Vrints C et al. Eur Heart J 2024;45:3415–3537 ;
  14. Mach F et al. Eur Heart J 2025;46:4359–4378;
  15. Mensah GA et al. J Am Col Cardiol 2025; 2025 Sep 29:S0735-1097(25)07555-2

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2 de junho - Dia Mundial da Conscientização dos Transtornos Alimentares

Condições que trazem as emoções para os pratos de comida. O mal afeta milhões de pessoas e exige tratamento multidisciplinar 

 

O dia 2 de junho é a data dedicada à conscientização dos transtornos alimentares, condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, muitas vezes, permanece silenciosa dentro das famílias, escolas e ambientes de trabalho. Mais do que uma preocupação estética, os transtornos alimentares são doenças psicossomáticas graves, com impactos físicos, emocionais e sociais significativos. 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem atualmente com algum transtorno alimentar no mundo. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Psiquiatria apontam um crescimento expressivo dos casos nos últimos anos, especialmente entre adolescentes e mulheres jovens, embora o problema também atinja homens, crianças e pessoas adultas. 

Entre os transtornos alimentares mais conhecidos estão a anorexia nervosa, caracterizada pela restrição extrema alimentar e distorção da imagem corporal; a bulimia nervosa, marcada por episódios de compulsão seguidos de comportamentos compensatórios; e o transtorno da compulsão alimentar periódica, associado à ingestão exagerada de alimentos acompanhada de culpa e sofrimento emocional. 

Para o médico nutrólogo Dr. Felipe Gazoni, um dos maiores desafios ainda é combater a banalização do tema, “transtorno alimentar não é vaidade ou falta de força de vontade. Estamos falando de doenças sérias, que envolvem fatores emocionais, psicológicos e biológicos”, afirma o especialista. 

O médico explica que as mudanças bruscas de peso, obsessão por calorias, culpa ao comer, compulsões e distorção da autoimagem estão entre os principais sinais de alerta. 

Além dos impactos emocionais, os transtornos alimentares podem trazer consequências severas para a saúde física, incluindo desnutrição, alterações hormonais, problemas cardiovasculares, perda muscular, ansiedade, depressão e aumento do risco de suicídio. 

O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. Segundo o nutrólogo, quanto mais precoce for a identificação, maiores são as chances de recuperação.

“O acolhimento da família, o diagnóstico precoce e o suporte profissional fazem toda a diferença no tratamento e na recuperação desses pacientes”, finaliza Dr. Felipe Gazoni.

 

Dr. Felipe Gazoni - O médico graduado em Nutrologia tem experiência hospitalar de 2015 a 2020, em urgência e emergência adulto e pediátrico. É pós-graduado pela ABRAN, Associação Brasileira de Nutrologia; Em Ciência da Obesidade e Sarcopenia; além de extensões como Workshop em Obesidade e Síndrome Metabólica; Curso Teórico e Prático de Reposição Hormonal Masculina e Feminina E Implantes Bio Absorvíveis; e Mentoria em Protocolos Avançados em Emagrecimento.

 

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