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segunda-feira, 11 de maio de 2026

A cibersegurança começa nas pessoas, mas precisa evoluir com IA preditiva: cinco dicas para evitar as novas armadilhas digitais

Leidivino Natal, CEO global da Stefanini Cyber, afirma que o fator humano segue sendo crítico, mas precisa ser preparado para um cenário em que ataques são orquestrados por inteligência artificial, com alto nível de personalização, automação e antecipação de comportamento

 

Mesmo com investimentos crescentes em tecnologia de proteção, o erro humano continua sendo uma das principais portas de entrada para incidentes de segurança. No entanto, em um cenário em que ataques são cada vez mais conduzidos por IA, com capacidade de aprender padrões, simular comportamentos e antecipar ações, o modelo tradicional de cibersegurança já não responde com a mesma eficácia.

Na prática, muitas empresas avançaram em ferramentas de segurança, mas ainda operam com um modelo reativo, centrado em perímetro ou tecnologia. Esse modelo ignora uma mudança estrutural: os ataques passaram a ser inteligentes, direcionados e preditivos, explorando comportamento, contexto e identidade digital em tempo real.

De acordo com Leidivino Natal, CEO global da Stefanini Cyber, o problema não está apenas nas ferramentas utilizadas pelas empresas, mas na forma como as pessoas interagem com os sistemas e com a informação no dia a dia — e muitas vezes o básico ainda não está sendo feito corretamente dentro das organizações.

“A cibersegurança vive uma mudança de paradigma. Não estamos mais falando apenas de ataques como phishing tradicional, mas de operações altamente sofisticadas, com uso de IA para personalizar comunicações, simular identidades confiáveis e explorar o comportamento das pessoas com precisão. Hoje, o criminoso digital se adianta em prever o comportamento do usuário para aplicar golpes mais eficazes”, afirma.


Do phishing em massa para engenharia social inteligente

“O phishing, por exemplo, uma das técnicas mais conhecidas de engenharia social, é um tema antigo, mas evoluiu significativamente com o uso de inteligência artificial, tornando-se mais personalizado, escalável e difícil de identificar, e continua sendo um dos vetores de ataque mais utilizados e extremamente eficaz. Hoje, vemos ataques baseados em credenciais, sequestro de contas e comunicações personalizadas que parecem reais, legítimas e confiáveis. O criminoso digital não invade sistemas sofisticados: ele convence pessoas”, ressalta.

A partir da experiência da Stefanini Cyber no apoio a organizações na proteção de ambientes corporativos cada vez mais complexos, o executivo reforça que a segurança precisa evoluir para um modelo contínuo, preventivo e orientado a risco, combinando tecnologia, inteligência e comportamento, com visibilidade constante e capacidade de antecipação.

“Mais do que detectar ou responder, as organizações precisam evoluir para um modelo preditivo, capaz de identificar a preparação de um ataque antes mesmo de sua execução. Esse é o novo patamar da cibersegurança impulsionada por IA”, complementa.

Nesse contexto, Natal destaca cinco práticas essenciais que vão além do básico e ajudam a preparar as organizações para um cenário em que a cibersegurança precisa operar na mesma velocidade ou antes dos ataques.

1. Treinamentos recorrentes e orientados por contexto

Muitas organizações ainda tratam a cibersegurança como um tema de treinamento anual ou apenas no onboarding. No entanto, as ameaças evoluem constantemente. Com o uso de IA, os ataques passaram a ser personalizados por perfil, cargo e comportamento, o que exige treinamentos dinâmicos, contextualizados e continuamente atualizados.

2. Simulações reais com ataques inteligentes

Uma das formas mais eficazes de educar equipes é reproduzir cenários reais de ataque.

Hoje, essas simulações precisam incorporar ataques baseados em IA, como comunicações hiperpersonalizadas, deepfakes e exploração de contexto corporativo, refletindo o nível atual de sofisticação das ameaças.

3. Cultura de verificação em um mundo de identidades simuladas

Ataques que envolvem fraude financeira têm crescido porque exploram confiança e contexto. Com IA, criminosos conseguem simular executivos, parceiros e fornecedores com alto grau de precisão, exigindo processos mais robustos de validação e confirmação de identidade.

4. Governança de dados e comportamento digital

Outro ponto crítico é o excesso de compartilhamento de dados sensíveis. Em um cenário AI-First, dados são o principal ativo, tanto para defesa quanto para ataque, e sua exposição pode alimentar modelos maliciosos que aumentam a eficácia das ofensivas.

5. Conscientização contínua com inteligência e antecipação

Mais do que treinamentos pré-estabelecidos, as empresas precisam manter o tema vivo.

Isso inclui o uso de inteligência e automação para alertar usuários sobre ameaças emergentes, padrões suspeitos e novas formas de ataque, criando uma cultura de vigilância contínua e adaptativa.

Para Leidivino Natal, empresas que não tratam a educação em segurança digital como prioridade acabam ampliando suas vulnerabilidades. “O desafio atual não é apenas proteger sistemas, mas acompanhar a velocidade e a inteligência das ameaças. Organizações que ainda operam com modelos tradicionais estão reagindo a um problema que já evoluiu. A cibersegurança precisa ser AI-First, preditiva e integrada ao negócio para realmente reduzir riscos”, conclui.


Grupo Stefanini
stefanini.com


Por que CEOs promovem quem fala melhor mesmo quando a entrega é parecida


Durante muito tempo, crescer na carreira parecia seguir uma lógica simples: entregar resultados, bater metas, cumprir prazos. Mas esse raciocínio já não explica, sozinho, o que sustenta decisões de promoção nos níveis mais altos das organizações. Hoje, nos bastidores dessas escolhas, há um fator menos visível e ainda subestimado por muitos profissionais que pesa de forma decisiva: a forma como se fala e se comunica. 

Segundo a fonoaudióloga Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa e linguagem no trabalho, à medida que o profissional sobe na hierarquia, a fala passa a funcionar como um verdadeiro filtro de confiança para os CEOs. “Em um cenário corporativo marcado por agendas lotadas, excesso de reuniões e atenção cada vez mais escassa, líderes precisam decidir rápido em quem confiar. E a forma como alguém se comunica virou um atalho para essa decisão”, explica. 

Para Juliana, mais do que resultados técnicos, clareza, escuta, capacidade de síntese e posicionamento na fala passaram a influenciar diretamente processos de promoção e sucessão executiva. “Não é por acaso que diferentes estudos mostram que, conforme a carreira avança, competências técnicas deixam de ser diferencial e habilidades de comunicação e influência se tornam determinantes”, afirma. 

Um dos erros mais comuns entre profissionais que buscam reconhecimento da alta liderança, segundo a especialista, está justamente no básico: pensar antes de falar. “Ainda há muita gente que responde de forma reativa, fala enquanto organiza o raciocínio ou se perde em explicações longas. Em posições de liderança, isso não é visto como espontaneidade, mas como falta de preparo”, observa. Ela explica que respostas prolixas, pouco conectadas à pergunta ou cheias de desvios costumam soar como insegurança ou dificuldade de priorização. “Em cargos mais altos, espera-se que a pessoa chegue à conversa com ideias organizadas, escolhas feitas e clareza sobre o impacto do que diz”, ressalta. 

Outro equívoco frequente é confundir escuta ativa com concordância automática. Profissionais que elogiam tudo o que o CEO diz ou que buscam validação constante acreditam estar demonstrando alinhamento, mas muitas vezes comunicam o oposto. “CEOs tendem a confiar mais em quem escuta com atenção, entende o contexto e devolve contribuições relevantes do que em quem apenas executa com medo de errar”, explica Juliana. 

Na prática, Juliana resume o dilema que muitos profissionais enfrentam: “A pergunta que trava muitas carreiras não é ‘estou entregando bem?’, mas sim: a forma como eu falo sustenta o papel que eu quero ocupar?”.

Juliana Algodoal - Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fonoaudióloga pela PUC/SP e fundadora da empresa Linguagem Direta. Ao longo de 37 anos de carreira, Juliana já apoiou quase 11 mil profissionais tendo como foco nos últimos seis anos a alta liderança. Com o desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial, já atuou para a BASF, Porto Seguro, Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed Nacional, Samsung, dentre outras. É coautora do livro Thought Leadership: muito além da influência e membro do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, que também já presidiu.


58% dos jovens veem IA como aliada para o ingresso no mercado de tecnologia, indica pesquisa

 

Divulgação
Estudo da Brasscom em parceria com o Instituto PROA revela que interesse pela entrada no setor convive com barreiras de acesso, dificuldade para conseguir entrevistas e importância da saúde mental

 

O estudo “Escuta Jovem: Juventudes, Trabalho e Tecnologia”, uma parceria inédita entre a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Tecnologias Digitais) e o Instituto PROA – uma das principais pontes entre a juventude periférica e o mercado de trabalho formal no Brasil – foi desenvolvido para compreender como jovens em transição para a vida profissional ou em início de carreira percebem o setor de tecnologia, quais são os principais obstáculos para ingressar na área e o que pode favorecer sua permanência e seu desenvolvimento profissional.

 

A pesquisa revela que, ao mesmo tempo em que a Inteligência Artificial é vista como elemento estratégico por 58% dos jovens, o acesso ao primeiro emprego continua marcado por barreiras estruturais, como a dificuldade em conseguir entrevistas, a exigência de experiência prévia e a fragilidade das condições socioemocionais e materiais de parte significativa dessa população.

 

O setor de TIC segue em expansão no Brasil. Em 2024, o segmento registrou produção de R$ 393,3 bilhões, respondendo por 3,3% do PIB brasileiro e crescendo 12,5% no período. Além de sua relevância econômica, a área se destaca pela geração de empregos qualificados e salários 2,3 vezes acima da média nacional, o que reforça a importância de ampliar e qualificar as portas de entrada para novos talentos, especialmente entre os jovens.

 

Inteligência artificial como oportunidade

 

A Inteligência Artificial aparece no estudo como um ponto de otimismo e, ao mesmo tempo, de atenção. Para 58% dos jovens entrevistados, a IA é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento profissional, elevando o patamar esperado de preparação técnica, trazendo ganho de efetividade e economia de tempo. Do lado das empresas, 52% afirmam já estar se preparando para os impactos desta tecnologia. Ainda assim, 30% dos jovens dizem temer ser substituídos pela IA, o que reforça a necessidade de alfabetização digital, orientação de carreira e processos seletivos mais transparentes e justos.

 

Saúde mental como condição de permanência

 

Outro achado central da pesquisa é o peso da saúde mental na experiência de entrada e permanência no trabalho. Para 71% dos jovens, respeito, acolhimento e cuidado com a saúde mental são critérios fundamentais para se sentirem valorizados. O levantamento mostra que ansiedade, pressão constante e sensação de estar sempre sendo testado não devem ser lidas como fragilidades individuais, mas como reflexo de um sistema que, muitas vezes, expõe a juventude, especialmente a periférica, a altas demandas com pouca proteção emocional. Nesse contexto, o ambiente de trabalho deixa de ser apenas um espaço de produtividade e passa a ser um fator decisivo de retenção.

 

Para Alini Dal’Magro, CEO e presidente do Instituto PROA, esse debate precisa avançar para mudanças concretas na forma como os jovens são avaliados e acompanhados ao longo da jornada profissional. “Mais do que reconhecer sua importância, é necessário rever práticas, desde os processos seletivos até a gestão no dia a dia, para que não se tornem fontes adicionais de ansiedade e exclusão. Criar caminhos de entrada mais transparentes e relações mais consistentes desde o início é essencial para que esses jovens consigam se desenvolver e permanecer no trabalho”, afirma.

 

Barreiras de acesso ainda travam entrada no setor

 

A pesquisa também desmonta a ideia de falta de interesse ou de preparo por parte dos jovens. 59% demonstram interesse em atuar no setor de tecnologia, e 89% já buscaram algum curso de preparação para o mercado de trabalho. Ainda assim, 54% apontam a dificuldade em conseguir uma entrevista como o principal obstáculo para ingressar em uma vaga.

 

O problema, portanto, não está apenas na qualificação individual, mas na forma como a entrada no mercado é estruturada. Entre os jovens ouvidos, 45% nunca tiveram carteira assinada e 30% afirmam não ter experiência profissional. Em paralelo, o mercado segue exigindo histórico formal e priorizando critérios que muitas vezes desconsideram trajetórias não lineares, aprendizados informais e potencial de desenvolvimento.

 

As barreiras financeiras também têm peso relevante. Segundo o estudo, 69% dos jovens vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos, o que dificulta o acesso a transporte, computadores e internet de qualidade. Em muitos casos, o celular é o único meio disponível para acessar a rede, o que restringe a participação em processos seletivos e reduz as chances de contratação.

 

A visão da Brasscom

 

A Brasscom, consciente dos desafios e das oportunidades apontadas pelo estudo, atua para fomentar a formação e a inserção de talentos na área de tecnologia. “Na Brasscom, compreendemos que para além de ouvir as empresas, temos que abrir para os talentos, ouvir quem tem interesse em ingressar no setor e nos provocar. Nosso trabalho, especialmente por meio de parcerias e projetos educacionais, busca construir pontes efetivas para que esse interesse se transforme em oportunidades reais. É fundamental que o mercado de TI acolha e retenha esses novos talentos, superando barreiras como as dificuldades nas entrevistas e a falta de experiência formal, e garantindo um futuro mais inclusivo para esses jovens”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da associação.

 

Metodologia e perfil da amostra

 

O estudo “Escuta Jovem: Juventudes, Trabalho e Tecnologia” combinou duas abordagens complementares. A “Escuta Jovem Brasscom” utilizou uma amostra qualitativa de 46 jovens, predominantemente entre 17 e 25 anos, racializados e em transição entre a formação e a entrada no mercado de trabalho. Essa etapa aprofundou narrativas sobre barreiras de entrada, expectativas, vivências no trabalho e percepções sobre tecnologia e IA. Já o “Horizontes Comuns PROA” ouviu 420 jovens, majoritariamente mulheres, negras, egressas da escola pública e de baixa renda, além de 23 empregadores do setor de TIC. A combinação entre escuta qualitativa e análise quantitativa permitiu mapear desencontros e convergências entre as expectativas dos jovens e as demandas do mercado.

Mais do que um diagnóstico, o estudo é um convite para que setor privado, governo e instituições de ensino atuem de forma coordenada na construção de caminhos mais reais de entrada, permanência e desenvolvimento na tecnologia. Transformar o interesse dos jovens em carreira exige não apenas formação, mas também processos de seleção mais acessíveis, ambientes mais acolhedores e trajetórias profissionais mais claras.

 

Sobre a Brasscom

 

A Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, é uma associação representativa do setor em toda a sua pluralidade: com associados de vários portes, desde pequenas startups até grandes empresas do setor; com empresas nacionais e multinacionais, incluindo multinacionais brasileiras que se expandiram pelo mundo e multinacionais de outros países instaladas no Brasil. Essa pluralidade permite à Brasscom contribuir para o debate democrático com uma visão ampla e diversa sobre cada tema em questão.

 

Atualmente, a associação conta com mais de 100 empresas associadas, com diferentes modelos de negócios. Entre as várias responsabilidades da Brasscom, está a garantia de que informações essenciais sobre temas pertinentes à TIC, que contribuem para o desenvolvimento tecnológico econômico e social do Brasil, cheguem de maneira adequada e abrangente ao público.

  

Instituto PROA


A importância da interpretação de dados no Google Ads

O fim da era do 'botão mágico'; porque interpretar dados é o único diferencial real no Google Ads

 

No ecossistema do marketing digital, existe uma ilusão perigosa, a de que o sucesso no Google Ads é um subproduto direto do orçamento investido ou da configuração técnica da ferramenta. Com o avanço agressivo da Inteligência Artificial e das estratégias de lances automáticos (Smart Bidding), muitos anunciantes acreditaram que bastava ‘ligar a máquina’ para colher resultados, mas temos observado o contrário em nossa empresa. À medida que a tecnologia se torna commodity, o verdadeiro diferencial competitivo migrou da execução para a interpretação. 

O Google Ads é uma das ferramentas mais poderosas do mundo, mas ela é apenas um amplificador. Se você amplificar uma estratégia baseada em dados mal interpretados, apenas acelerará o prejuízo. O futuro do tráfego pago não pertence a quem tem as maiores planilhas, mas a quem tem a melhor capacidade de ler o que está escrito entre as linhas dos gráficos. 

Notamos que no momento atual há uma confrontação muito clara que deve ser observada para não prejudicar os resultados, a armadilha da vaidade versus a realidade do negócio. O Google Ads entrega uma avalanche de métricas, entre elas a taxa de cliques (CTR), custo por clique (CPC), impressões e índice de qualidade. E por causa da multiplicidade de índices é fácil se perder em planilhas que mostram que tudo está ‘indo bem’, enquanto o caixa da empresa revela o contrário. 

A interpretação de dados é o que separa a métrica de vaidade do indicador-chave de desempenho (KPI) de crescimento. Um CPC (Custo por Clique) baixo pode parecer uma vitória, mas se esses cliques vêm de um público sem intenção de compra, você não está comprando tráfego — está desperdiçando recursos. Interpretar é entender o atrito na jornada do cliente, ou seja, por que o usuário clica, mas não converte? Afinal, o problema é o anúncio ou a experiência na página de destino? 

Diante desse novo cenário é importante entender também o papel da Inteligência Artificial (IA), se é piloto ou copiloto. A IA do Google é excelente em identificar padrões em larga escala, mas ela é ‘cega’ para o contexto do seu negócio. Ela não sabe se o seu estoque está acabando, se a sua margem de lucro mudou ou se um concorrente local iniciou uma queima de estoque. 

Interpretar dados no Google Ads hoje significa contextualizar o algoritmo, isto é, cruzar os dados da plataforma com o gerenciamento de relacionamento com o cliente (CRM) e o estoque real. É então essencial ler o comportamento humano, entendendo as nuances das palavras-chave de intenção (exemplo: a diferença sutil entre ‘Empresa de Controle de acesso’ e ‘Serviço de controle de acesso’). 

Um aspecto essencial também é a visão de atribuição, isto é, compreender que o Google Ads raramente trabalha sozinho. É preciso ler os dados para entender como ele influencia e é influenciado por outros canais. O mercado não precisa mais de operadores que apenas apertam botões, pois o Google já faz isso sozinho. O mercado precisa de estrategistas que saibam questionar os dados. Acreditamos, em nossa empresa, que os dados são apenas um ruído até que alguém lhes dê um significado concreto. 

Interpretar é o ato de transformar números em decisões de negócio. Se o custo de aquisição (CAC) subiu, um operador desavisado entra em pânico. No entanto, um estrategista analisa o lifetime value (LTV) e percebe que aquele cliente mais caro pode trazer três vezes mais lucro a longo prazo. Lembrando, que o lifetime value é a métrica de negócios fundamental que prevê a receita total que uma empresa pode esperar de um único cliente ao longo de todo o relacionamento. 


Marcelo Freitas - bacharel em Ciência da Computação, consultor de tráfego pago e fundador da Spot-A Marketing. É expert em tráfego pago estratégico para empresas que buscam captar leads e vender através da Internet. http://spot-a.com.br/


Revisão da Vida Toda: a modulação começa a surgir como caminho de equilíbrio institucional


Por muito tempo, o debate envolvendo a revisão da vida toda foi tratado apenas sob a ótica econômica. No entanto, como temos destacado há tempos, a discussão ultrapassou, e muito, a simples análise do mérito da tese previdenciária. O que está verdadeiramente em jogo agora é a preservação da segurança jurídica, da confiança legítima e da estabilidade das próprias decisões da Corte Constitucional.

Em diversas oportunidades, ressaltamos o risco de decisões precipitadas no contexto da revisão da vida toda, especialmente diante da possibilidade de encerramento do caso sem a devida maturação institucional do tema. À época, o alerta era claro: uma reversão abrupta, com efeitos retroativos absolutos, poderia gerar grave insegurança jurídica para milhares de aposentados que confiaram em entendimentos consolidados pelo próprio Poder Judiciário.

Além disso, se, por um lado, o impacto nas contas públicas é muito menor do que o anunciado unilateralmente por atores com interesse no julgamento, por outro o impacto na vida de muitos milhares de aposentados brasileiros é devastador.  

Os fatos ocorridos nesta semana parecem indicar que essa preocupação começa a ser compreendida dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.

O Ministro Dias Toffoli, ao apresentar seu voto nos embargos de declaração da ADI 2.111, trouxe um elemento de extrema relevância institucional: a modulação dos efeitos da decisão. Em seu entendimento, devem ser resguardados os direitos dos segurados que ajuizaram ações após o julgamento do Tema 999 pelo Superior Tribunal de Justiça, em 2019, e antes da publicação da ata de julgamento da ADI 2.111, ocorrida em abril de 2024.

 

A sinalização é significativa.

Ainda que o voto não represente, por si só, o desfecho definitivo da controvérsia, ele demonstra o reconhecimento de que não se pode ignorar o contexto jurídico existente durante anos no país. Afinal, milhares de ações foram propostas não com base em aventuras jurídicas ou teses isoladas, mas sim fundamentadas em precedentes vinculantes do próprio sistema judicial brasileiro, primeiro no STJ e, posteriormente, no próprio STF, quando do julgamento do Tema 1102, em dezembro de 2022.

A modulação proposta pelo Ministro Toffoli não surge como privilégio ou exceção. Surge como instrumento de proteção da confiança legítima e de previsibilidade das decisões judiciais, portanto, como elemento de garantia dos direitos constitucionais. 

E talvez exatamente por isso o movimento ocorrido nesta semana mereça atenção especial.

O Ministro Alexandre de Moraes pediu vista nos embargos de declaração e o gesto possui relevância institucional evidente.

Isso porque o pedido de vista ocorre justamente após a apresentação do voto do Ministro Toffoli e em um momento no qual o debate deixa de ser exclusivamente previdenciário para assumir contornos constitucionais mais amplos, especialmente ligados à segurança jurídica e à proteção da confiança dos jurisdicionados.

É possível que o Supremo esteja caminhando para uma solução intermediária: preservar o entendimento firmado na ADI para o futuro, mas proteger os segurados que ingressaram em juízo durante o período em que a tese possuía respaldo jurisprudencial consolidado.

Caso essa construção prevaleça, o STF poderá evitar um cenário de profunda insegurança institucional. Afinal, permitir que cidadãos sejam penalizados por terem seguido exatamente aquilo que os tribunais superiores afirmavam ser correto representaria perigoso abalo à credibilidade do próprio sistema de Justiça.

A solução proposta pelo Ministro Toffoli corrigirá esse problema. Se for seguida pelos demais integrantes da Suprema Corte, a sociedade brasileira entenderá que, por diversas razões, um entendimento jurisprudencial pode até ser alterado. Mas ficará claro para aqueles que depositaram suas esperanças no Poder Judiciário que seus futuros serão olhados com respeito e consideração, assim como exige a Constituição Federal. 




Antônio Carlos de Almeida Castro – Kakay é advogado criminalista e sócio fundador do Escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados Associados.

Murilo Aith - advogado especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados e amicus curiae pelo IEPREV no processo da Revisão da Vida no Toda no Supremo Tribunal Federal

Bruno Fischgold - advogado, sócio fundador do Escritório Fischgold Benevides Advogados, mestre em Direito, Estado e Constituição, e autor do livro Direito Administrativo e Democracia – a inconstitucionalidade do princípio da supremacia do interesse público.

João Badari - especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogado e e amicus curiae pelo IEPREV no processo da Revisão da Vida no Toda no Supremo Tribunal Federal



DM aprimora estratégia de mídia e aumenta aprovação de crédito em 28 p.p com inteligência da Serasa Experian

Uso de segmentação hiper-qualificada para identificar clientes com maior chance de aprovação melhora conversão e reduz desperdício de mídia


A Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, apoiou a DM, empresa financeira especializada em acesso ao crédito, na reformulação de sua estratégia de aquisição digital. O projeto resultou em um aumento de 28 pontos percentuais na taxa de aprovação de crédito e comprovou o impacto direto da segmentação de mídia hiper-qualificada na eficiência do funil. O resultado foi alcançado com o uso das soluções da área de Marketing Solutions da Serasa Experian, que combinam dados da maior data lake da América Latina, inteligência analítica e critérios de negócio para identificar e ativar públicos mais aderentes a cada oferta. A estratégia permitiu à DM ir além da geração de volume e concentrar seus investimentos na atração de consumidores com maior propensão à aprovação.

 

O desafio da DM era tornar sua operação digital mais eficiente, reduzindo a exposição de mídia a perfis desalinhados com sua política de crédito. A necessidade era clara: trazer o cliente certo, e não apenas mais leads.

 

Para isso, a Serasa Experian desenvolveu audiências digitais personalizadas, estruturando a jornada em etapas de reconhecimento, tráfego e conversão, com otimizações contínuas ao longo do funil. A ativação foi realizada via Meta Business, com foco na qualificação do público desde o topo da jornada.

 

Com a nova abordagem, a DM passou a operar com um funil mais enxuto e qualificado, aumentando a eficiência das conversões e gerando impacto direto nos indicadores de negócio. O aumento de 28 pontos percentuais na aprovação de crédito reforça a importância do uso estratégico de dados desde o início da aquisição.

 

“O maior desafio da aquisição digital hoje não é gerar volume, mas gerar aprovação. Não é trazer cliente. É trazer o cliente certo, aquele que tem mais propensão à compra de acordo com dados de comportamento, estilo de vida e afinidade. Quando a estratégia passa a considerar, desde o início, quem realmente tem aderência aos critérios de crédito, o ganho transforma a eficiência de todo o funil. É com esse olhar que a área de Marketing Solutions trabalha”, afirma a CMO da Serasa Experian, Giovana Giroto.


“O projeto marcou uma virada estratégica para nós, deixamos de priorizar apenas escala para adotar uma abordagem muito mais precisa, focada no target com real potencial de aprovação. Como resultado, otimizamos nossos investimentos, ganhamos consistência nos resultados e aumentamos a eficiência da mídia”, diz a Supervisora de Mídia da DM, Renata Gomes 



Experian
experianplc.com


A conexão com o consumidor na era da personalização total dos anúncios digitais


Um estudo recente realizado pela Siprocal sobre a receptividade das pessoas a anúncios nos celulares revelou que sete a cada dez brasileiros recebem bem a anúncios em seus telefones, desde que o conteúdo seja personalizado. O levantamento reforça ainda mais como a publicidade digital se consolidou de vez e passou a ser definitivamente estratégica para empresas que querem colocar nessa potencial vitrine seus produtos e serviços. 

Os números desse mercado não deixam dúvidas. Em 2025, os investimentos na área chegaram a R$ 42,7 bilhões de acordo com IAB e Ibope, o segundo maior salto anual da série histórica. Desse volume, 69% são direcionados a smartphones, o que ilustra como esses aparelhos se transformaram em uma bazuca publicitária. 

Ao evidenciar que uma campanha bem-sucedida é caracterizada mais pela entrega baseada nas informações que a pessoa está disposta a compartilhar do que por sua frequência, o levantamento dá para as empresas que investem nesse tipo de publicidade o caminho certo para a jornada do consumidor. Personalização é a palavra-chave na geração de conteúdo. 

No dia a dia do marketing digital, essa percepção se concretiza. Quanto mais personalizada é a experiência do usuário, e quanto mais se trabalha o conteúdo para ser específico a uma demanda, maior é a conversão e melhores são os resultados obtidos. Outro dado corroborado na pesquisa e sentido na prática rotineira desse tipo de comunicação é o fato das promoções serem fortes motivadoras da compra. O levantamento traz que 31% dos entrevistados apontaram que ofertas foram convincentes, e 27% disseram que o contexto correto pesou para a decisão de compra. 

Dados colocados, quais são as formas que os empresários podem utilizar para alcançar o consumidor mais vezes e convertê-lo de forma personalizada? 

As ferramentas existentes atualmente ajudam muito nesse processo. Hoje, há como rastrear o consumidor, identificando o conteúdo por ele consumido e, a partir dessa identificação, levar conteúdo ainda mais específico para ele. O anúncio deixa de ser uma ação de marketing isolada e passa a compor uma comunicação permanente entre marca e consumidor. 

Nesse processo, uma vez que o consumidor é convencido a dar o próximo passo no relacionamento, a marca pode mandar mensagens ainda mais personalizadas, segundo suas demandas, por meio de formulários, chatbots e IAAS existentes para criar ferramentas específicas e ainda mais próximas a ele, abrindo caminho amplo para a concretização da jornada de consumo. 

O marketing digital e o uso do celular para conhecer, atrair e manter relação entre marca e consumidor revolucionou e segue revolucionando a forma como empresas devem encarar a publicidade. 

Anos atrás, os anúncios buscavam pontualmente vender. Hoje, precisam primeiro entender a dor do consumidor; devem criar proximidade, gerar conexões e mostrar que, de fato, cada cliente é único. Os recursos disponíveis atualmente tornam essa individualização realmente possível. É preciso usá-los de forma assertiva e estratégica. A comunicação e o relacionamento trarão os resultados tão esperados. 

 

Gustavo Alonge Furtado - especialista em Marketing Digital e diretor da Engajatech


Veja erros que podem colocar sua campanha em risco na Copa do Mundo de 2026

Unsplash
Especialista aponta cuidados jurídicos que marcas devem ter ao aproveitar o maior evento esportivo do planeta

 

A edição da Copa do Mundo FIFA de 2026 está chegando, previsto para os meses de junho e julho. É de extremo conhecimento que poucos eventos mobilizam tantos brasileiros quanto a Copa, seja pela audiência massiva dos jogos, pelo engajamento nas redes sociais ou pelo envolvimento emocional que toma conta do país durante a competição.  

Esse cenário, no entanto, exige mais do que criatividade e timing. Com regras rígidas de proteção de marca, direitos de imagem e licenciamento, a Copa também é um dos eventos mais sensíveis do ponto de vista jurídico. Campanhas mal planejadas ou que tentam “surfar” o tema sem respaldo legal podem resultar em notificações, multas e até ações judiciais.  

Segundo Gabriela Pastore, advogada especialista em Direitos Autorais e Direito do Entretenimento da Weiss Advocacia, o erro mais comum é subestimar esse risco. “Muitas empresas enxergam a Copa apenas como uma oportunidade de marketing, mas esquecem que se trata de um evento com forte proteção jurídica. Sem o devido cuidado, uma campanha pode gerar mais problemas do que resultados”, afirma.  

A seguir, a especialista destaca os principais erros que devem ser evitados pelas marcas: 

 

1) Não se preparar com antecedência 
Deixar o planejamento para a última hora pode comprometer não só a criatividade, mas também a segurança jurídica da campanha. “Sem tempo hábil para revisão, aumenta o risco de uso indevido de elementos protegidos, como marcas e referências ao evento”, explica Gabriela. 

 

2) Acreditar que redes sociais têm regras mais flexíveis 
Muitas empresas concentram suas ações no digital, mas ignoram que as mesmas normas se aplicam a todos os canais. “O uso de imagens, vídeos, trilhas sonoras e até conteúdos inspirados no universo da Copa exige atenção aos direitos autorais e de imagem, independentemente da plataforma”, destaca. 

 

3) Não participar da conversa do público 
Ficar fora do debate também pode ser um erro estratégico, mas a participação precisa ser feita com cautela. “É possível dialogar com o público sem criar associação indevida com a Copa. O problema é quando a comunicação sugere um vínculo oficial que não existe”, diz. 

 

4) Apostar no ambush marketing sem avaliar riscos 
A tentativa de se associar ao evento sem ser patrocinador oficial continua sendo uma prática comum, mas perigosa. “Dependendo da forma como é feita, essa estratégia pode ser enquadrada como infração e gerar sanções legais, além de prejudicar a reputação da marca”, alerta. 
 

Para Gabriela, o caminho mais seguro é integrar o jurídico ao planejamento desde o início. “Uma campanha eficiente não é apenas criativa e oportuna, mas também segura do ponto de vista legal. Antecipar essa análise é fundamental para aproveitar o potencial da Copa sem correr riscos desnecessários”, conclui. 


A rejeição a Messias, o colapso da velha Política e a falência do presidencialismo de coalizão


A não aprovação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) vai muito além de um episódio político pontual. Simboliza, de forma clara, o esgotamento de um modelo que há décadas organiza, ou tenta organizar, a relação entre os Poderes no Brasil: o presidencialismo de coalizão. 

Alicerçado a partir da necessidade de formar maiorias no Congresso Nacional, este modelo, num sistema multipartidário fragmentado, sempre se sustentou em bases pragmáticas. Distribuição de cargos, negociação de espaços, e acordos políticos foram, por muito tempo, os instrumentos utilizados para se garantir governabilidade. Funcionou? Em alguns momentos, digamos que sim! Mas o custo sempre foi alto e, ao que tudo indica, agora, chegou ao limite. 

O episódio recente revela que a lógica tradicional já não responde com a mesma eficácia. A construção de maiorias deixou de ser previsível. O alinhamento entre Executivo e Legislativo tornou-se mais volátil, menos institucional e mais sujeito a pressões circunstanciais. O que antes era resolvido nos bastidores, hoje se torna impasses públicos, com direito a impacto direto na estabilidade da Política e na capacidade de decisão de nosso País. 

Mais do que uma crise episódica, estamos diante de uma mudança estrutural. O Brasil dos tempos atuais não é mais o mesmo de décadas atrás. A sociedade é mais informada, conectada e exigente. Ela não é mais mera telespectadora: ela participa, opina, concorda ou discorda. A Política, por outro lado, ainda opera com mecanismos antigos, muitas vezes desconectados da realidade - uma Política quase que analógica, por assim dizer. 

O problema não reside, tão somente, na dificuldade de aprovação do nome X ou Y para a Alta Corte, ou de ações que possam, de fato, mudar para melhor a vida das pessoas - está na ausência de um modelo mais transparente, mais eficiente e mais orientado a resultados. Um método que privilegie a construção de consensos em torno de projetos de nação, e não apenas de interesses imediatos e particulares. Isso nos convida a uma reflexão mais ampla: o Brasil precisa revisitar, para ontem, seus paradigmas institucionais. 

Além disso, é urgente qualificar o debate político. A construção de maiorias em Brasília-DF não pode continuar baseada apenas em negociações pontuais. É preciso avançar para uma lógica de planejamento estratégico, com metas claras, prioridades definidas e compromisso com repercussão concreta. 

O recente episódio envolvendo o STF não é apenas sobre um nome ou sobre Esquerda e Direita. É sobre um sistema que perdeu a capacidade de organizar o funcionamento do Estado de forma eficiente e que, quando não funciona, faz com que o povo brasileiro pague um alto preço. 

Por isso, mais do que buscar culpados, passou da hora de se buscar soluções. O Brasil precisa de mais gestão e de menos polarização - como tenho defendido há tempos. O País necessita de diálogo qualificado, de responsabilidade institucional e de coragem para enfrentar reformas que, não de hoje, são adiadas. 

Mas, que fique claro: o esgotamento do presidencialismo de coalizão não é o fim da governabilidade. Pode e deve ser o começo de um novo ciclo, no qual o foco esteja menos na Política como disputa e mais como instrumento de transformação.

 

Paulo Serra - especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é 1º vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB e presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo; foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024.


Mesada deixa de ser apenas dinheiro e passa a ser ferramenta de educação financeira dentro das famílias


Em um cenário em que crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a padrões de consumo nas redes sociais e no ambiente escolar, o conceito de mesada vem ganhando uma nova interpretação dentro das famílias brasileiras. Mais do que um valor mensal para gastos livres, a prática passa a ser tratada como uma ferramenta de educação financeira e construção de hábitos de planejamento. 

A proposta, defendida por especialistas em educação financeira, é transformar a mesada em um instrumento estruturado, dividido entre consumo imediato e objetivos de médio e longo prazo, como a realização de sonhos.

“Mesada não é só dinheiro. É uma ferramenta de educação para ensinar equilíbrio entre o consumo e os sonhos”, explica o educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira. 

Segundo essa abordagem, muitas famílias já praticam diferentes formas de mesada sem perceber, como repasses esporádicos de dinheiro ou pagamentos eventuais para pequenas necessidades do dia a dia, o que acaba gerando falta de organização e dificuldade de compreensão do real valor do dinheiro por parte das crianças. 

A proposta de estruturação parte de um diagnóstico do comportamento financeiro da criança e da família, identificando quanto já é gasto mensalmente com pequenas despesas, como lanches, compras pontuais e valores concedidos por diferentes membros da família. A partir disso, estabelece-se uma mesada financeira com valor fixo e regras claras de uso. 

O modelo sugerido divide o recurso em dois grandes blocos: uma parte destinada ao consumo cotidiano e outra voltada à realização de sonhos, como a compra de bens desejados, estimulando o planejamento e a disciplina financeira desde cedo. 

Outro ponto central da metodologia é a construção de uma rotina de planejamento dentro da própria família. Pais e filhos passam a definir juntos sonhos de curto, médio e longo prazo, seus custos e os prazos necessários para realização. A prática transforma a mesada em um processo educativo contínuo, conectando o dinheiro a objetivos reais. 

“O mais importante é colocar a criança dentro da decisão. Ela precisa entender quanto custa um sonho, quanto tempo leva para realizá-lo e como o dinheiro pode ser organizado para isso”, reforça Domingos. 

Na prática, o modelo também busca reorganizar situações comuns no cotidiano familiar, como o fato de crianças receberem dinheiro de diferentes fontes, além de terem despesas já pagas diretamente pelos pais, como alimentação escolar e pequenos gastos adicionais, o que muitas vezes reduz a percepção de responsabilidade financeira. 

A orientação também destaca que a mesada não deve estar vinculada à remuneração por tarefas domésticas nem ser usada como forma de punição. Atividades em casa fazem parte da convivência familiar e não devem ser tratadas como relação comercial. 

No contexto atual, em que crianças convivem com forte influência do consumo digital, comparação social e desejo por itens de alto valor, como smartphones de última geração, o desafio das famílias é equilibrar desejo e realidade financeira sem perder o diálogo com os filhos. 

Para especialistas, a adoção de uma mesada estruturada, baseada em planejamento e participação familiar, pode ajudar a reduzir conflitos, estimular o consumo consciente e formar uma geração mais preparada para lidar com o dinheiro ao longo da vida.

 

Reinaldo Domingos - PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin -Link) e da DSOP Educação Financeira (Link). Autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira.


10 mitos e verdades sobre imigração: o que realmente pesa na aprovação de um visto para os EUA

Especialista explica os fatores que realmente influenciam a decisão consular e desmistifica crenças comuns entre brasileiros

 

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a procura por vistos americanos voltou a crescer entre brasileiros, impulsionada pelo aumento das viagens internacionais e pelo interesse em acompanhar o evento de perto. Os Estados Unidos receberam 1,9 milhão de brasileiros em 2025, mantendo o Brasil como um dos principais mercados emissores de turistas para o país, segundo o NTTO, órgão do governo americano que compila estatísticas de viagem. Além disso, o próprio governo norte-americano já anunciou medidas para priorizar o agen damento de entrevistas para torcedores, diante do aumento esperado de solicitações. 

 

Nesse cenário, o processo de aprovação segue cercado de dúvidas e mitos, o que, na prática, pode comprometer as chances de quem não entende o que realmente é avaliado.

 

Na prática, o critério adotado pelas autoridades consulares é mais objetivo do que parece. A análise gira em torno da intenção de viagem e, principalmente, da capacidade do solicitante de comprovar que retornará ao Brasil após a estadia.

 

Para a advogada Dra. Ingrid Domingues-McConville, com mais de 30 anos de atuação nos Estados Unidos e experiência em imigração empresarial e familiar, a análise consular é mais objetiva do que muitos imaginam. “A decisão não é baseada em um único fator, mas no conjunto da vida da pessoa. O agente consular quer entender se aquele candidato tem vínculos reais com o país de origem”, explica.

 

A seguir, a especialista esclarece os principais mitos e verdades sobre o processo:

 

1. Existe um perfil ideal para conseguir o visto.

Mito. “Não existe um modelo perfeito de candidato. O consulado não busca um tipo específico de pessoa, mas sim entender se ela tem motivos concretos para voltar ao Brasil após a viagem”, afirma.

 

2. Ter dinheiro na conta garante a aprovação.

Mito. “A condição financeira ajuda a demonstrar que a pessoa pode custear a viagem, mas não prova que ela vai retornar. Estabilidade é mais relevante do que saldo bancário”, explica.

 

3. Estar empregado faz diferença na análise.

Verdade. “Um emprego estável, tempo de casa ou um negócio próprio mostram que o solicitante tem vínculos sólidos com o Brasil. Isso pesa bastante na decisão”, destaca.

 

4. Ter familiares nos Estados Unidos pode atrapalhar.

Verdade. “Pode gerar questionamentos sobre a real intenção da viagem. Não impede a aprovação, mas exige respostas claras e coerentes durante a entrevista”, pontua.

 

5. Já ter tido um visto negado impede novas aprovações.

Mito. “A negativa fica registrada, mas não impede uma nova aprovação. O importante é que a situação do solicitante tenha mudado de forma significativa desde o pedido anterior”, esclarece.

 

6. Falar inglês é essencial para conseguir o visto.

Mito. “Para vistos de turismo, a entrevista pode ser feita em português e o idioma não é determinante. Já em vistos de trabalho, o inglês pode ser mais relevante”, explica.

 

7. Ter histórico de viagens internacionais aumenta as chances.

Verdade. “Ajuda porque demonstra um padrão de viagens com retorno ao país de origem. Mas não é obrigatório, o principal continua sendo os vínculos com o Brasil”, afirma.

 

8. Levar documentos é fundamental para aprovação.

Mito. “Na maioria dos casos, os documentos nem são analisados. A decisão costuma ser tomada com base na entrevista, e só são solicitados se houver alguma dúvida”, diz.

 

9. Respostas ensaiadas ajudam na entrevista.

Mito. “Respostas decoradas, vagas ou incoerentes podem prejudicar. O ideal é ser claro, objetivo e consistente ao explicar sua rotina e o motivo da viagem”, orienta.

 

10. O que realmente pesa é o conjunto da história.

Verdade. “O agente avalia estabilidade profissional, renda compatível, histórico e, principalmente, a coerência das informações. Além disso, histórico migratório limpo, sem fraudes ou permanência irregular, é essencial”, reforça.

 

A especialista destaca que, embora o processo seja rápido, a análise é criteriosa e baseada na percepção de credibilidade do solicitante. “No fim, a decisão responde a uma pergunta central: essa pessoa parece alguém que vai viajar e voltar?”, resume.

 

Mais do que cumprir uma lista de exigências, a aprovação do visto depende de consistência, transparência e da capacidade de demonstrar vínculos reais com o país de origem. 


Dra. Ingrid Domingues-McConville - advogada de imigração nos Estados Unidos há mais de 30 anos, membro da Ordem dos Advogados da Flórida e do Tribunal Distrital dos EUA, com atuação em imigração empresarial e familiar. Natural do Rio de Janeiro, é fluente em três idiomas e atua fortemente junto à comunidade brasileira na Flórida, acompanhando de perto as mudanças nas políticas migratórias e seus impactos práticos para estrangeiros.


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