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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Dia das Mães

 Entre a celebração, a dor silenciosa e as novas possibilidades da medicina reprodutiva

 

O Dia das Mães é, talvez, a data mais carregada de emoção no calendário brasileiro. Para muitas mulheres, é um momento de celebração plena de gratidão pela maternidade conquistada, muitas vezes após uma longa e exigente jornada. Para outras, porém, é um dia de silêncio pesado, de dor que não se explica com facilidade e de uma saudade antecipada de algo que ainda não chegou.

Nos centros de reprodução assistida, essa dualidade é vivida de forma intensa. Há quem comemore o primeiro Dia das Mães após anos de tentativas, carregando no colo ou no ventre o resultado de uma caminhada marcada por coragem e persistência. E há quem enfrente, nesta mesma data, o peso de resultados negativos, perdas gestacionais ou diagnósticos complexos, e que encontra nesse momento uma oportunidade de reflexão e renovação.

A infertilidade não segue um padrão simples nem obedece a uma lógica linear. Trata-se de uma condição multifatorial, que envolve a qualidade dos gametas, a saúde do embrião, as condições uterinas, a imunologia reprodutiva e até a microbiota do trato reprodutivo. Por isso, cada tentativa sem o resultado esperado não deve ser interpretada como fracasso definitivo, mas como parte de um processo que requer análise cuidadosa, ajustes progressivos e estratégia personalizada.

Os avanços científicos das últimas décadas transformaram profundamente essa área. O refinamento da seleção embrionária, a evolução dos protocolos de estimulação ovariana, o estudo da receptividade endometrial e a incorporação de novas especialidades como a imunologia reprodutiva, que ampliaram as chances de sucesso mesmo nos casos mais complexos. O tratamento deixou de ser baseado em repetição e passou a ser conduzido por dados, precisão e individualização.

Mas para muitas mulheres, o desafio não é apenas clínico. É, sobretudo, emocional. A espera, as incertezas e os resultados que não chegam exigem uma resiliência que vai além do físico. Nesse contexto, a informação correta, o acompanhamento médico especializado e o suporte emocional tornam-se tão importantes quanto o próprio tratamento.

Neste Dia das Mães, é fundamental reconhecer todas as histórias, as que chegaram ao destino e as que ainda estão no caminho. Celebrar com intensidade quem já conquistou. E lembrar àquelas que ainda esperam: a medicina evolui continuamente, e o que hoje parece distante pode estar muito mais próximo do que se imagina.

 

ENTREVISTA ESPECIAL

Dia das Mães: entre a dor, a espera e as novas possibilidades

Jornalista: Doutor, por que o senhor define o Dia das Mães como um dia ao mesmo tempo de comemoração e de frustração?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Porque essa é a realidade que vivemos todos os dias nos consultórios. Para algumas mulheres, é um dia de plenitude e gratidão. Para outras, é um momento de dor silenciosa, difícil de ser compartilhada. Há um grupo significativo que ainda está tentando engravidar e que vive essa data com uma intensidade emocional muito grande. Precisamos reconhecer essas duas realidades com igual respeito e cuidado.

Jornalista: O que mudou na medicina para essas mulheres que ainda não conseguiram realizar esse sonho?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Mudou muito, e de forma bastante significativa. Hoje conseguimos compreender melhor o embrião, o útero, o sistema imunológico e até a microbiota do trato reprodutivo. Isso nos permite tratamentos muito mais personalizados. Não se trata mais de simplesmente repetir tentativas, trata-se de ajustar estratégias com base em evidências e dados individuais.

Jornalista: Então uma falha no tratamento não representa o fim do caminho?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: De forma alguma. Cada tentativa traz informações clínicas valiosas. Quando analisamos esse processo com rigor, conseguimos aprimorar o próximo passo. O erro está em insistir sem mudar nada. O acerto está em evoluir a cada ciclo, com inteligência e propósito.

Jornalista: E para quem já perdeu a esperança?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Diria que é preciso retomar, mas com direção. Hoje dispomos de mais recursos, mais conhecimento e mais possibilidades do que em qualquer outro momento da história da medicina reprodutiva. Muitos casos que antes eram considerados sem solução hoje têm alternativas reais e concretas.

Jornalista: Qual o papel da fé nesse processo?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: A fé sustenta emocionalmente. Ela oferece equilíbrio nos momentos de maior dificuldade. A ciência organiza o tratamento, traça o caminho e aumenta as chances. Quando as duas caminham juntas, a paciente atravessa esse processo com muito mais força, serenidade e clareza.

Jornalista: Qual a sua mensagem para quem já conseguiu engravidar?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Que celebre com intensidade e gratidão. Muitas vezes, essa conquista foi construída com muito esforço, muita fé e muita persistência. É importante reconhecer cada etapa dessa trajetória e valorizar o que foi construído.

Jornalista: E para quem ainda não conseguiu?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Não desista. O seu momento pode ainda não ter chegado, mas isso não significa que não vai chegar. A medicina avança todos os dias, e com ela surgem novas oportunidades. O que hoje parece distante pode estar muito mais próximo do que você imagina.

 



Dr. Arnaldo S. Cambiaghi - CRM 33.692 | RQE 42.074, médico ginecologista e especialista em reprodução assistida, com ampla experiência no cuidado de casais que enfrentam dificuldades relacionadas à fertilidade e diretor clínico do IPGO – Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. Atua de forma individualizada, unindo ciência, precisão e acolhimento humano em cada etapa do tratamento. Sempre atualizado com as mais recentes evidências da medicina reprodutiva, busca oferecer um acompanhamento ético, moderno e profundamente comprometido com os sonhos e a saúde de suas pacientes. É autor de 18 livros publicados e disponibiliza gratuitamente mais de 28 e-books voltados à fertilidade, endometriose, saúde da mulher e reprodução humana, com o propósito de levar informação séria, acessível e baseada em evidências para pacientes e médicos.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Maria Eliziane Sousa Oliveira
E-mail: mkt@ipgo.com.br


Dia das Mães: pesquisa TENA mostra que, dentre as grávidas com incontinência urinária, 82% relatam vergonha e desconforto após escapes

Escapes urinários levam grávidas com incontinência urinária a mudar
 hábitos do dia a dia, revela TENA
FOTO DIVULGAÇÃO TENA

Estudo inédito com gestantes e puérperas que convivem com perdas de urina aponta impacto emocional e mudanças na rotina; especialista destaca importância da informação e do acolhimento no período da maternidade.

 

No Dia das Mães, TENA, número 1 mundial em produtos para incontinência urinária em adultos, parte da Essity, líder global em higiene e saúde, chama a atenção para os impactos emocionais e comportamentais associados aos escapes de urina durante a gravidez e o pós-parto. Em pesquisa realizada pela marca, que ouviu mulheres brasileiras que convivem com incontinência urinária, é revelado que 82% das gestantes relataram sentimentos negativos, como vergonha, desconforto e medo, após o primeiro episódio de perda de xixi. 

O levantamento “TENA: o impacto das perdas de urina na gravidez e no puerpério” entrevistou gestantes e puérperas que vivenciaram escapes involuntários durante a gravidez e após o parto. O estudo combina etapas qualitativa e quantitativa e investigou impactos na rotina, percepção sobre a condição e acesso à informação. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a incontinência urinária é comum em cerca de 40% das gestantes no Brasil. 

Entre as entrevistadas pela pesquisa TENA, 95% afirmam que os escapes urinários impactaram a rotina de alguma forma. Os dados mostram mudanças de comportamento relacionadas principalmente à prevenção de situações constrangedoras no dia a dia. Antes de sair de casa, 53% relatam ir ao banheiro preventivamente e 40% dizem procurar saber se haverá sanitário disponível no destino. 

O receio de episódios inesperados também aparece em diferentes contextos sociais. Entre as mulheres ouvidas, 84% afirmam já ter passado por escapes de forma desprevenida, em situações como no trabalho, na casa de terceiros ou em locais públicos. Muitas relatam compartilhar o assunto apenas com pessoas próximas, geralmente a mãe ou o parceiro. 

Para a enfermeira Maria Alice Lelis, doutora em Ciências da Saúde – Urologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e consultora da marca TENA, o tema ainda é cercado por silêncio, apesar de ser frequente durante a gestação e o pós-parto. “Muitas mulheres acreditam que os escapes de urina fazem parte da maternidade e acabam não conversando sobre o assunto nas consultas ou com familiares. Informação e acolhimento são importantes para que elas entendam melhor o que está acontecendo com o corpo nesse período e saibam que existem diferentes formas de cuidado e acompanhamento”, afirma. 

A pesquisa também aponta que, embora 73% das entrevistadas já soubessem que escapes urinários poderiam acontecer durante a gravidez, muitas relatam falta de aprofundamento sobre o tema ao longo do pré-natal. Além disso, 50% afirmam não conhecer produtos desenvolvidos especificamente para incontinência urinária, com alto poder de absorção e controle de odor. 

Segundo Maria Alice, ampliar o diálogo sobre o tema pode contribuir para mais bem-estar e qualidade de vida durante a maternidade. “Quando a mulher recebe orientação adequada, ela consegue lidar melhor com as mudanças do corpo e buscar alternativas que tragam mais conforto e segurança para a rotina. O mais importante é que ela não precise passar por isso em silêncio”, considera. 

A pesquisa encomendada por TENA foi conduzida pela Okno Núcleo de Estudos com mais de 300 mulheres brasileiras que tiveram episódios de perdas espontâneas de urina durante a gestação e o pós-parto. Foram ouvidas gestantes com mais de 24 semanas, puérperas com filhos de até 1 ano e mulheres de 35 a 50 anos que desenvolveram os escapes durante a gravidez.

 

Essity
site da Essity


Suplementação virou moda: mas o que realmente é necessário?


Nos últimos anos, a suplementação alimentar deixou de ocupar um espaço restrito a consultórios e contextos clínicos para ganhar protagonismo nas redes sociais e na rotina de muitas pessoas. Vitaminas, minerais, proteínas em pó e compostos “multifuncionais” passaram a ser vistos como aliados quase indispensáveis para quem busca mais energia, imunidade, performance ou bem-estar. 

Mas, em meio a tantas promessas e recomendações generalizadas, surge uma pergunta essencial: estamos suplementando por necessidade real ou apenas seguindo uma tendência? 

“Embora os suplementos possam, sim, desempenhar um papel importante em situações específicas, seu uso indiscriminado (sem avaliação individual) pode ser desnecessário e, em alguns casos, até prejudicial. Afinal, mais não significa melhor quando se trata de saúde”, comenta Paola Rampinelli, CEO e fundadora do Instituto Rampinelli, que atua baseado na aplicação da nutrição com foco em alimentação natural, saúde metabólica e qualidade de vida. 

Por isso, antes de incluir cápsulas e pós na rotina, é fundamental entender o que de fato o corpo precisa e o que pode ser apenas reflexo de um mercado em expansão e de informações nem sempre confiáveis. Pensando nisso, a nutricionista listou 10 pontos de atenção que as pessoas devem se atentar antes de sair suplementando sem orientação. Confira: 

1 — Suplementação virou moda: você precisa mesmo?: Antes de sair comprando vitaminas e cápsulas, vale entender o que é necessidade…e o que é tendência.

2 - Mais nem sempre é melhor: Tomar diversos suplementos ao mesmo tempo não significa mais saúde e pode, muitas vezes, até sobrecarregar o organismo.

3 - Nem todo mundo precisa suplementar: Uma alimentação equilibrada, na maioria dos casos, já fornece os nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo.

4 - Deficiência não é “achismo”: Suplementação deve ser baseada em sinais clínicos, exames e avaliação profissional, não em sintomas genéricos ou modas.

5 - Cuidado com o efeito das redes sociais: O suplemento que “funcionou” para alguém pode não fazer sentido para você. Cada organismo tem necessidades diferentes.

6 - Excesso também faz mal: Vitaminas e minerais em excesso podem causar efeitos adversos e até prejuízos à saúde, especialmente quando usados sem controle.

7 - Suplemento não substitui alimentação: Cápsulas não compensam uma rotina alimentar desorganizada. A base da saúde continua sendo o que você come no dia a dia.

8 -  Fique atento às promessas milagrosas: “Mais energia”, “emagrecimento rápido”, “imunidade instantânea”: desconfie de soluções simples para problemas complexos.

9 - Existem casos em que suplementar é essencial: Gestantes, idosos, pessoas com deficiências nutricionais ou condições específicas podem precisar de suplementações. Mas o ponto é que precisa ser feita com orientação.

10 - Individualização é tudo: Dose, tipo de suplemento e tempo de uso devem ser personalizados. O que funciona para um, pode ser inadequado para outro. 

“Por fim, cuidar da saúde não é sobre seguir tendências, é sobre entender o que o seu corpo realmente precisa, ter um acompanhamento profissional e direcionamentos específicos para sua necessidade”, finaliza Rampinelli.

 

Neste Dia das Mães, um olhar para as mães de neurodivergentes que começam a entender a própria história através dos filhos


Freepik
Psiquiatra Thaíssa Pandolfi explica por que muitas mães descobrem traços de autismo, TDAH e outras neurodivergências apenas na vida adulta

 

Neste Dia das Mães, um movimento cada vez mais observado nos consultórios tem chamado a atenção de especialistas em saúde mental: mulheres que, ao acompanharem o diagnóstico de autismo ou TDAH dos filhos, começam a reconhecer em si mesmas características semelhantes que passaram despercebidas durante toda a vida. 

A cena tem se repetido com frequência. Durante as avaliações clínicas das crianças, muitas mães se identificam com relatos sobre hipersensibilidade, exaustão social, necessidade de previsibilidade, dificuldade de pertencimento e sensação constante de inadequação. O que inicialmente era uma busca por respostas para os filhos acaba abrindo espaço para uma descoberta pessoal profunda. 

Segundo a psiquiatra, Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência feminina, autismo, TDAH e superdotação, esse fenômeno está diretamente ligado à forma como, durante décadas, os critérios diagnósticos foram construídos principalmente a partir de estudos realizados com meninos. 

“Durante muito tempo, muitas mulheres passaram despercebidas porque aprenderam a mascarar dificuldades desde cedo. Elas observavam comportamentos, imitavam interações sociais e criavam estratégias para se adaptar. Externamente pareciam funcionar bem, mas internamente conviviam com exaustão emocional, hipersensibilidade e uma sensação constante de serem diferentes”, explica. 

A médica afirma que esse processo de adaptação, conhecido como camuflagem social, fez com que inúmeras mulheres chegassem à vida adulta sem compreender o próprio funcionamento neurológico. Muitas receberam, ao longo da vida, diagnósticos de ansiedade, depressão ou instabilidade emocional sem que a neurodivergência fosse investigada de forma mais ampla. 

“Quando uma criança recebe um diagnóstico, os pais naturalmente começam a estudar mais o tema. E é nesse momento que muitas mães percebem que aquelas características também fizeram parte da própria infância, adolescência e vida adulta. Experiências que antes pareciam desconectadas começam a fazer sentido”, afirma. 

Além do autismo, a especialista observa com frequência diagnósticos tardios de TDAH, altas habilidades e alta sensibilidade em mulheres que passaram anos tentando se encaixar em padrões sociais que não respeitavam seu funcionamento emocional e cognitivo. 

A ciência também ajuda a explicar esse movimento familiar. Estudos indicam que o autismo possui forte componente genético, com índices de herdabilidade elevados. “Isso não significa que exista um único gene responsável, mas sim uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Por isso, não é incomum encontrarmos características semelhantes em diferentes membros da mesma família”, explica a psiquiatra. 

Outro aspecto observado na prática clínica é a chamada tendência de pessoas com perfis cognitivos parecidos formarem vínculos afetivos. “Muitas vezes encontramos casais em que um ou ambos apresentam traços de neurodivergência, como autismo, TDAH ou altas habilidades. E o diagnóstico da criança acaba funcionando como uma porta de compreensão para toda a família”, diz. 

Para Thaíssa, receber um diagnóstico na vida adulta não representa um rótulo, mas um processo de reorganização interna. “Para muitas mulheres, esse momento traz alívio. Elas passam a entender que não eram ‘difíceis’, ‘dramáticas’ ou ‘sensíveis demais’. Existe um funcionamento neurológico por trás dessas vivências. Quando isso é compreendido, nasce uma relação mais gentil consigo mesma”, afirma. 

Neste Dia das Mães, a reflexão também passa pela escuta e pela compreensão de histórias que, por muito tempo, ficaram invisíveis. “Muitas mães passaram a vida inteira cuidando de todos ao redor sem nunca terem tido espaço para compreender a si mesmas. Em muitos casos, o diagnóstico do filho acaba sendo também o início do próprio processo de reconhecimento e acolhimento”, conclui a especialista.


Maio Furta-Cor: saúde mental materna ainda é invisibilizada no Brasil, alerta Psicóloga Maiumi Souza

9 em cada 10 mães brasileiras apresentam sinais de burnout parental

 

O mês de maio, marcado pela campanha Maio Furta-Cor, propõe ampliar o debate sobre a saúde mental materna no Brasil, especialmente no período perinatal. Apesar do aumento das discussões nos últimos anos, o sofrimento psíquico de mães ainda é frequentemente invisibilizado ou tratado como parte natural da maternidade, o que dificulta o reconhecimento dos sintomas e o acesso ao cuidado.

 

Dados recentes evidenciam a dimensão do esgotamento materno no país. Uma pesquisa nacional realizada em 2024 pelas plataformas B2Mamy e Kiddle Pass aponta que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam sinais de burnout parental, com níveis que variam de moderado a grave. O levantamento foi divulgado em veículos como a revista Veja e revela a alta incidência de exaustão emocional entre mulheres que conciliam maternidade, trabalho e responsabilidades domésticas.

 

Outro levantamento conduzido pela plataforma De Mãe em Mãe, indica que apenas 9% das mães não apresentam sintomas relevantes de esgotamento, enquanto a grande maioria relata sobrecarga constante no cotidiano. Os dados reforçam que o adoecimento psíquico materno não é um fenômeno isolado, mas um reflexo de condições estruturais que impactam diretamente a experiência da maternidade no país.

 

Entre os quadros mais comuns relacionados à saúde mental materna estão a depressão pós-parto e os transtornos de ansiedade, que podem surgir ainda na gestação ou nos primeiros meses após o nascimento do bebê. A depressão se manifesta por sintomas como tristeza persistente, exaustão, culpa intensa e dificuldade de conexão com a criança, enquanto a ansiedade aparece em forma de preocupação constante, medo excessivo e pensamentos intrusivos, muitas vezes silenciosos e subdiagnosticados. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 13% das mulheres no pós-parto apresentam transtornos mentais, sendo essas condições ainda mais frequentes em contextos de vulnerabilidade social e ausência de rede de apoio. Em muitos casos, esses sinais são naturalizados como parte da maternidade, o que atrasa o reconhecimento do sofrimento e o acesso ao cuidado adequado.

 

Para a psicóloga Maiumi Souza, especialista em Gestalt-Terapia e Desenvolvimento Infantil, romper com a naturalização do sofrimento materno é um passo essencial para ampliar o cuidado.

 

“A saúde mental materna ainda é tratada como um tema secundário, quando, na verdade, ela sustenta toda a experiência do cuidado. Muitas mulheres atravessam o puerpério em silêncio, lidando com exaustão, ansiedade e solidão, sem nomear o que estão sentindo. Quando o sofrimento é naturalizado, ele deixa de ser reconhecido como algo que precisa de cuidado. E isso adoece”, afirma.

 

A especialista destaca que o impacto não se limita às mães, mas também alcança o desenvolvimento das crianças. Segundo ela, o vínculo afetivo é construído a partir da disponibilidade emocional do cuidador, o que pode ser comprometido em contextos de esgotamento e ausência de suporte.

 

“A maternidade não acontece isoladamente. Quando não há rede de apoio, quando o cuidado é concentrado em uma única pessoa, o risco de adoecimento aumenta. Cuidar da saúde mental das mães é também cuidar do desenvolvimento emocional das crianças. Não é uma escolha individual, é uma responsabilidade coletiva”, completa.

 

A campanha Maio Furta-Cor surge justamente como um convite à escuta e à construção de uma cultura que reconheça a complexidade da maternidade, valorizando o cuidado com quem cuida e ampliando o acesso a suporte psicológico e social.


 

Maiumi Souza - psicóloga, especialista em Gestalt-Terapia, Maternidade e Desenvolvimento Infantil, com atuação voltada à saúde mental de mulheres, mães, crianças e famílias. Sua prática clínica integra saberes da neurociência, psicologia do desenvolvimento e estudos sobre trauma, com uma escuta ética que considera os atravessamentos de raça, gênero e classe nas experiências psíquicas.


Clínica da Dor da Univali estima redução superior a 60% da dor orofacial em até quatro sessões

Projeto em São José integra terapia neural e ozonioterapia em atendimentos personalizados na Be Dental School

 

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) inicia, na Grande Florianópolis, um projeto clínico voltado ao atendimento de pacientes com dor orofacial. “Quem convive com dor na face, na cabeça e no pescoço – daquelas que atravessam o dia, interferem no sono, na fala e na rotina – sabe o que é lidar com um desconforto contínuo que compromete a qualidade de vida”, afirma o coordenador do projeto, professor Cesar Dantas Guimarães.

A Clínica da Dor reúne diferentes abordagens terapêuticas em um mesmo atendimento e trabalha com a expectativa de reduzir mais de 60% do desconforto em até quatro sessões.

Com capacidade inicial para seis pacientes por período, os atendimentos são realizados mediante agendamento e baseados em avaliação clínica detalhada. Cada sessão, com duração média de 30 minutos, parte da escuta do paciente e da análise do histórico – anamnese, exames e manifestações atuais – para definição de condutas individualizadas, sem protocolos fixos. O objetivo é atuar na origem da dor, promovendo o reequilíbrio do sistema nervoso autonômico e a modulação dos processos fisiológicos envolvidos na percepção dolorosa.

Os atendimentos ocorrem semanalmente na Univali Be Dental School, iniciativa educacional da instituição dedicada à formação avançada em odontologia.

 

Para quem é o atendimento

O projeto atende moradores da Grande Florianópolis e de Santa Catarina que convivem com dores persistentes, especialmente na região orofacial. Estão entre os casos acompanhados condições como enxaqueca, bruxismo, disfunções da articulação temporomandibular (DTM), dores cervicais, neuralgias, parestesias, paralisias faciais, necrose óssea e de tecidos moles, além de dores persistentes mesmo após intervenções anteriores.

Casos odontológicos convencionais, como inflamações e infecções dentárias, seguem sendo tratados em outras frentes já contempladas na clínica-escola.

 

Como o tratamento acontece

A proposta clínica articula duas frentes complementares. A terapia neural atua sobre o sistema nervoso por meio de aplicações em pontos específicos intrabucais, além de regiões da cabeça, do pescoço e de outras partes do corpo associadas à dor, como pontos de acupuntura, cicatrizes, gânglios e pontos gatilho. O objetivo é harmonizar o sistema nervoso autonômico, reduzir padrões persistentes de dor e favorecer o restabelecimento do equilíbrio funcional do organismo.

A segunda ferramenta terapêutica é a ozonioterapia, que consiste na aplicação de ozônio em diferentes formas – gás, água e óleo. O recurso é utilizado pelo seu potencial de indução da resposta antioxidativa com potente ação anti-inflamatória, contribuição para a oxigenação dos tecidos e ação antimicrobiana. O procedimento é realizado com tecnologia da empresa Philozon, pioneira na fabricação de geradores de ozônio para uso odontológico e a primeira empresa a obter o registro da Anvisa para esta prática.

“Buscamos criar condições para que o próprio organismo seja fortalecido e encontre o equilíbrio para o restabelecimento da saúde. O ozônio funciona como um estímulo que desencadeia respostas biológicas, fisiológicas e metabólicas importantes. Quando bem administrado, contribui para reorganizar processos desregulados e impacta diretamente na fisiologia da dor”, explica o professor Cesar.

 

Acompanhamento contínuo

Cada paciente é acompanhado de forma contínua. Antes da primeira sessão, é realizado um levantamento detalhado do histórico clínico. Ao longo do processo, a evolução do quadro orienta os ajustes nas condutas.

Registros de imagens termográficas podem ser utilizados para mapear a dor e acompanhar sua evolução. “Após cada atendimento, o paciente relata como se sentiu nos dias seguintes. Esse retorno orienta os próximos passos”, afirma Guimarães.

Como o tratamento envolve a modulação do sistema nervoso autonômico, também são atendidos quadros de paralisia (interrupção do estímulo nervoso motor) e parestesia (redução do estímulo nervoso sensitivo).

Casos de necrose de tecidos moles ou óssea também podem ser incluídos, considerando a dor associada e o potencial de resposta na regeneração tecidual das  abordagens terapêuticas adotadas.

“A dor persistente passou a ser compreendida como uma condição que exige acompanhamento contínuo. Iniciativas que combinam diferentes abordagens e mantêm o paciente no centro do processo ampliam as possibilidades de resposta e contribuem para a retomada da rotina”, afirma o diretor da Univali Be Dental School, professor Gustavo Coura.

Segundo ele, ao integrar conhecimento acadêmico, prática clínica e acompanhamento contínuo, o projeto amplia o repertório terapêutico disponível à comunidade e consolida um espaço em que ciência e prática assistencial atuam de forma articulada.

Na Univali Be Dental School, os procedimentos são realizados por profissionais em formação, sob supervisão de professores especialistas, unindo aprendizado clínico e atendimento à população. A estrutura também funciona como campo de pesquisa e desenvolvimento de técnicas.

 

Saiba mais

Os atendimentos ocorrem às terças-feiras, das 14h30 às 17h, na Univali Be Dental School, em São José, com agendamento prévio e até seis pacientes por período. Cada sessão dura cerca de 30 minutos.

O valor por sessão é de R$ 400. Registros fotográficos intra e extraorais custam R$ 200 e exames termográficos têm valor a confirmar.


Denecimigue (Mim8) reduziu significativamente a taxa anualiazada de sangramento em pessoas com hemofilia A, independentemente da presença de inibidores, segundo dados de Fase 3 publicados no NEJM

 

  • O estudo pivotal publicadoFRONTIER2 demonstrou que o medicamento em investigação, denecimigue (Mim8), reduziu significativamente a taxa anualizada de sangramento (ABR) em comparação com a profilaxia prévia com fator de coagulação e como o tratamento sob demanda em pessoas com hemofilia A, com ou sem inibidores.
  • O estudo avaliou a eficácia e segurança de denecimigue (Mim8) em adultos e adolescentes (maior ou igual a 12 anos) com administração mensal ou semanal.
  • A Novo Nordisk continua fortalecendo sua liderança na pesquisa em hemofilia para ajudar a atender às necessidades não atendidas de pessoas que vivem com esta condição rara e potencialmente fatal.

 

O New England Journal of Medicine (NEJM) publicou os resultados de 26 semanas do estudo de Fase 3 FRONTIER2, que avaliou a eficácia e segurança do denecimigue (Mim8) de administração mensal e semanal em adultos e adolescentes maior ou igual a 12 anos com hemofilia A, deficiência congênita do Fator VIII (FVIII), com ou sem inibidores. O denecimigue (Mim8) é um anticorpo biespecífico mimético do Fator VIII ativado (FVIIIa), desenvolvido para profilaxia de rotina para auxiliar o corpo na coagulação do sangue. Ele está sendo estudado como parte do programa FRONTIER em diferentes frequências de dosagem, faixas etárias e gravidades da hemofilia A. 

“A prevenção e a redução de episódios de sangramento são o objetivo final para pessoas que vivem com hemofilia A. Esses resultados do estudo FRONTIER2 fornecem dados importantes sobre o potencial do denecimig como opção de tratamento profilático, independentemente da gravidade da hemofilia A ou do status de inibidor”, afirmou a Dra. Maria Elisa Mancuso, médica hematologista do Centro de Trombose e Doenças Hemorrágicas do IRCCS Humanitas Research Hospital, em Milão (Itália), e investigadora principal do estudo. “A publicação do FRONTIER2 no NEJM demonstra tanto a relevância desses achados quanto como o denecimigue pode ajudar pessoas que vivem com hemofilia A.” 

O FRONTIER2 é um ensaio clínico de fase 3 que avalia a eficácia e a segurança do denecimigue (Mim8) em pessoas com hemofilia A, com ou sem inibidores. O estudo comparou 254 adultos e adolescentes (≥12 anos) que receberam injeções de denecimigue (Mim8) uma vez por mês ou uma vez por semana com aqueles que receberam profilaxia prévia com fator de coagulação durante a fase de run-in ou tratamento sob demanda. 

O estudo FRONTIER2 avaliou quantos episódios de sangramento os participantes apresentaram por ano que necessitaram de tratamento. As pessoas que receberam denecimigue (Mim8) uma vez por mês tiveram significativamente menos episódios de sangramento em comparação com seus tratamentos anteriores. Especificamente, apresentaram quase 99% menos sangramentos em relação ao tratamento sob demanda e cerca de 43% menos sangramentos em comparação com a terapia profilática regular com fator de coagulação. 

Da mesma forma, as pessoas que receberam denecimigue (Mim8) uma vez por semana também tiveram significativamente menos episódios de sangramento. Elas apresentaram aproximadamente 96% menos sangramentos em relação ao tratamento sob demanda e cerca de 54% menos sangramentos em comparação com sua terapia preventiva anterior. 

Dependendo do braço do estudo, entre 64% e 95% dos participantes que receberam denecimigue (Mim8) apresentaram zero sangramentos tratados. Nos braços comparadores, a proporção de participantes com zero sangramentos tratados variou de 0% a 37% (0% no braço sob demanda; 33% no braço de profilaxia pré-estudo com fator de coagulação que passou para denecimigue (Mim8) semanal; e 37% no braço de profilaxia pré-estudo com fator de coagulação que passou para denecimigue (Mim8) mensal). 

“Com o denecimigue (Mim8) recentemente submetido à Anvisa, os dados publicados no NEJM reforçam ainda mais seu potencial como uma opção de tratamento profilático que pode ajudar a atender às necessidades persistentes não atendidas de pessoas que vivem com hemofilia A, com ou sem inibidores”, comenta Priscilla Mattar vice-presidente Médica da Novo Nordisk Brasil. “As reduções significativas nas taxas de sangramento observadas com denecimigue (Mim8) demonstram nosso compromisso em desenvolver medicamentos inovadores com perfis robustos de eficácia cliníca e em ajudar no bem-estar dos pacientes”. 

No estudo, o denecimigue (Mim8) foi, de modo geral, bem tolerado, e não foram relatados eventos tromboembólicos nem evidência clínica de anticorpos neutralizantes anti-denecimigue. Reações no local da injeção (ISRs) foram relatadas por 10% dos participantes, e ISRs foram observadas em 2,6% das injeções.
 

 Sobre Denecimigue (Mim8)

O denecimigue (Mim8) é um anticorpo biespecífico mimético do FVIIIa em, desenvolvido com o objetivo de oferecer profilaxia com administração mensal, a cada duas semanas ou semanal para pessoas que vivem com hemofilia A, com ou sem inibidores. O denecimigue é administrado por via subcutânea (abaixo da pele) e “imita” o papel do Fator VIIIa ao aproximar o Fator IXa e o Fator X. Essa ação substitui a função do FVIIIa, ajudando a restaurar a capacidade do organismo de gerar trombina e, consequentemente, a formação de coágulos.9 O uso do denecimigue (Mim8) em pessoas com hemofilia A, com ou sem inibidores, é investigacional e não está aprovado por nenhuma autoridade regulatória no mundo. 

Em setembro de 2025, a Novo Nordisk submeteu o denecimigue (Mim8) para revisão da agência regulatória dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), por meio de um Pedido de Licença Biológica (Biologics License Application; BLA), uma solicitação formal para avaliação de um medicamento biológico.
 

Sobre hemofilia

A hemofilia é um distúrbio hemorrágico hereditário raro que compromete a capacidade do organismo de formar coágulos sanguíneos, processo necessário para interromper sangramentos. De acordo com a Federação Mundial de Hemofilia, estima-se que a condição afete aproximadamente 836.000 pessoas em todo o mundo, e que a hemofilia A representa cerca de 80% a 85% de todos os casos de hemofilia. Existem diferentes tipos de hemofilia, caracterizados pelo tipo de proteína do fator de coagulação que está defeituosa ou ausente. A hemofilia A é causada pela ausência ou defeito do fator de coagulação VIII (FVIII). Algumas pessoas com hemofilia A podem desenvolver inibidores — uma resposta do sistema imunológico aos fatores de coagulação utilizados na terapia de reposição —, o que pode tornar o tratamento ineficaz. Estima-se que aproximadamente 30% das pessoas que vivem com hemofilia A tenham inibidores.
 

Sobre FRONTIER2

O FRONTIER2 é um ensaio clínico de fase 3 que avaliou a eficácia e a segurança do denecimig (Mim8) para pessoas com hemofilia A, com ou sem inibidores. O estudo comparou 254 adultos e adolescentes (≥12 anos) que receberam injeções de denecimig (Mim8) uma vez por mês ou uma vez por semana com aqueles que receberam profilaxia prévia com fator de coagulação durante a fase de run-in ou tratamento sob demanda, tendo como desfecho primário a ABR média de sangramentos tratados. 

Dos 254 pacientes, 246 completaram a fase principal de 26 semanas. Quatro (2%) eram do sexo feminino, 66 (26%) eram adolescentes (12–17 anos), 212 (84%) tinham hemofilia A grave e 31 (12%) tinham inibidores de FVIII. 

O programa FRONTIER inclui os estudos FRONTIER1–5 e investiga o denecimig (Mim8) como uma opção de tratamento profilático de sangramentos em populações pediátricas e adultas com hemofilia A, com ou sem inibidores.



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Referências:

  1. Mancuso ME, Chan AKC, Shanmukhaiah C, et al. N Engl J Med. 2026;394:1696-1709. doi: 10.1056/NEJMoa2517384
  2. ClinicalTrials.gov. A Research Study Investigating Mim8 in Adults and Adolescents With Haemophilia A With or Without Inhibitors. Last accessed September 2025. Available at Link.
  3. ClinicalTrials.gov. A Research Study Looking at Mim8 in Children With Haemophilia A With or Without Inhibitors. Last accessed September 2025. Available at Link.
  4. ClinicalTrials.gov. A Research Study Looking at Long-term Treatment With Mim8 in People With Haemophilia A (FRONTIER 4). Last accessed September 2025. Available at Link.
  5. Østergaard H, Lund J, Greisen PJ, et al. A factor VIIIa-mimetic bispecific antibody, Mim8, ameliorates bleeding upon severe vascular challenge in hemophilia A mice. Blood. 2021;138(14):1258-1268. doi: 10.1182/blood.2020010331
  6. ClinicalTrials.gov. A Research Study Investigating Mim8 in People With Haemophilia A (FRONTIER1). Last accessed September 2025. Available at Link.
  7. ClinicalTrials.gov. A Research Study Looking at How Safe it is to Switch From Emicizumab to Mim8 in People With Haemophilia A (FRONTIER 5). Last accessed September 2025. Available at Link.
  8. Lentz S, Chowedary P, Gil L, et al. FRONTIER1: a partially randomized phase 2 study assessing the safety, pharmacokinetics, and pharmacodynamics of Mim8, a factor VIIIa mimetic. J Thromb Haemost. 2024;22(4): 990-1000. doi: 10.1016/j.jtha.2023.12.016
  9. U.S. National Library of Medicine. F8 gene. MedlinePlus Genetics. Last accessed August 2025. Available at Link.
  10. MedlinePlus. Hemophilia. Last accessed September 2025. Available at Link.
  11. World Federation of Hemophilia. World Federation of Hemophilia Report on the Annual Global Survey 2023. Last accessed September 2025. Available at Link.
  12. Kim JY, You CW. The prevalence and risk factors of inhibitor development of FVIII in previously treated patients with hemophilia A. Blood Res. 2019;54:204-209. doi: 10.5045/br.2019.54.3.204


Especialista do MPHU alerta para sintomas silenciosos do câncer de ovário

Especialista do MPHU alerta para sintomas silenciosos do câncer de ovário

 

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer para o triênio 2026-2028 acendem um alerta para o câncer de ovário no Brasil. Considerado um tumor silencioso e de alta letalidade, a doença deve registrar cerca de 7.300 novos casos por ano no país, mantendo um cenário preocupante e reforçando a importância do diagnóstico precoce e da informação. 

De difícil identificação nas fases iniciais, o câncer de ovário segue como um dos principais desafios da saúde da mulher. De acordo com a ginecologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Caroline Xavier, a principal dificuldade está justamente na identificação precoce da doença. 

“O câncer de ovário é considerado silencioso porque, na fase inicial, ele costuma apresentar poucos ou nenhum sintoma específico. Quando aparecem, os sinais podem ser facilmente confundidos com situações comuns do dia a dia, como inchaço abdominal, dor pélvica, sensação de estômago cheio rapidamente e alterações intestinais. Por isso, muitas mulheres acabam ignorando esses alertas”, explica. 

A médica destaca que, diferente de outros tipos de câncer, ainda não existe um método de rastreamento eficaz para a população em geral.

“Não há um exame específico que funcione como rastreio padrão, como o Papanicolau para o câncer do colo do útero. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é fundamental, especialmente para mulheres com fatores de risco, como histórico familiar da doença ou mutações genéticas, como BRCA. Estar atenta ao próprio corpo faz toda a diferença”, ressalta. 

Entre os principais desafios no tratamento, está o diagnóstico tardio, que impacta diretamente nas chances de cura.

“Quando o câncer é descoberto em estágios iniciais, as chances de sucesso no tratamento são significativamente maiores. No entanto, como a maioria dos casos é diagnosticada tardiamente, o tratamento se torna mais complexo, envolvendo cirurgia e, muitas vezes, quimioterapia. Por isso, reforçamos sempre a importância do diagnóstico precoce”, afirma a ginecologista. 

O Dia Mundial do Câncer de Ovário, lembrado em 8 de maio, reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e estimular o cuidado com a saúde feminina.


Avião Solidário da LATAM transporta filhote de onça-pintada de Manaus para Brasília para reabilitação

Onça-pintada Rho inicia adaptação no Instituto Nex (DF)
para reintrodução ao habitat natural 
Crédito: Eliane Carvalho


Operação gratuita, em parceria com o Ibama, reduz em mais de 40 horas o tempo de deslocamento e apoia a conservação da biodiversidade brasileira


O programa Avião Solidário da LATAM realizou nesta sexta-feira (8) o transporte gratuito de um filhote de onça-pintada (Panthera onca) entre Manaus (AM) e Brasília (DF). Resgatado na Floresta Amazônica, o macho, com cerca de cinco meses e batizado de Rho, foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Brasília, onde iniciará protocolo para futura reintrodução à natureza.
 

Coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a operação partiu do Aeroporto Internacional de Manaus e reduziu em mais de 40 horas o tempo de viagem em comparação ao trajeto terrestre, contribuindo para o bem-estar do animal e a eficiência do resgate. 

“Há mais de 14 anos, o Avião Solidário coloca a conectividade e a eficiência logística da LATAM a serviço de causas essenciais, como a conservação da biodiversidade. Ao integrar diferentes regiões do país, ampliamos o alcance de iniciativas que geram impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente”, afirma Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da LATAM Brasil.

 

REABILITAÇÃO COM FOCO NO RETORNO À NATUREZA 

Rho foi encontrado abandonado na floresta e resgatado há cerca de dois meses pelo Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), em Manaus, onde recebeu os primeiros cuidados. No Cetas, passará pela etapa inicial de reabilitação para grandes felinos, com atividades que simulam seu habitat natural. O processo inclui fases progressivas, realizadas no Instituto Nex, até que haja condições seguras para sua reintrodução na natureza. 

Caso semelhante é o da onça-pintada Phi, transportada pelo Avião Solidário de Boa Vista (RR) para Brasília em abril de 2025. Atualmente, o animal avança na segunda etapa do protocolo de reabilitação no mesmo instituto.

 

CONECTIVIDADE A SERVIÇO DO BRASIL 

O Avião Solidário é uma iniciativa da LATAM que, há 14 anos, utiliza a malha aérea da companhia para apoiar ações humanitárias, ambientais e de desenvolvimento regional. No período, o programa já transportou, no Brasil, 868 toneladas de cargas, 4,6 mil animais em projetos de conservação e 282 milhões de vacinas contra a Covid-19. 

Somente em 2025, foram 48 toneladas de doações e 835 voluntários transportados. A LATAM mantém parcerias com organizações como Amigos do Bem, Movimento União BR, Gastromotiva, SOS Mata Atlântica e AZAB, entre outras. 

Ao ampliar a conectividade e aplicar sua capacidade logística em iniciativas de interesse público, a LATAM contribui para o desenvolvimento sustentável do país e reforça seu compromisso com a sociedade brasileira.



Grupo LATAM
www.latam.com


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