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segunda-feira, 17 de março de 2025

Normalmente usada como anticoagulante, heparina mostra potencial para tratar inflamação pulmonar

 

A heparina quando nebulizada atua diretamente nas vias
 respiratórias, com pouco efeito sistêmico
Freepik

No auge da pandemia, foi administrada a pacientes com COVID-19 grave uma formulação enriquecida e inalável do fármaco. Resultados do estudo, conduzido na Unesp de Botucatu, sugerem que a estratégia pode ser útil contra pneumonia, bronquiolite e outras condições que envolvem inflamação das vias aéreas

 

Na época em que a pandemia de COVID-19 atingia seu auge no Brasil, em 2021, 27 pessoas acometidas pela forma grave da doença e internadas no Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) foram tratadas com uma formulação inovadora e inalável de heparina – medicamento amplamente usado para prevenir coágulos sanguíneos.

Sete dias depois, os médicos notaram que os pacientes já não apresentavam inflamação pulmonar, uma das características mais preocupantes da COVID-19. Além disso, a necessidade de oxigênio havia diminuído entre os indivíduos tratados.

Os testes foram conduzidos no âmbito de um projeto apoiado pela FAPESP. E os resultados foram divulgados na revista Scientific Reports.

Foi administrada aos pacientes uma formulação de heparina não fracionada enriquecida – substância patenteada que apresenta uma composição estrutural um pouco diferente da heparina comum, em que moléculas de baixo peso molecular são removidas para conferir ao fármaco maior efeito anti-inflamatório.

Além de demonstrar o potencial terapêutico desse tipo de heparina para pacientes com COVID-19, o estudo levanta a hipótese de que talvez seja possível empregar o fármaco no tratamento de outras doenças inflamatórias pulmonares, como pneumonia, bronquiolite e atelectasia (colapso e obstrução dos brônquios), por exemplo.

“No auge da pandemia, precisávamos buscar ou descartar tratamentos para a COVID-19 por meio de estudos sérios e consistentes. Testes in vitro apontavam para um possível efeito antiviral e anti-inflamatório da heparina. Em nosso trabalho, o efeito antiviral não foi demonstrado em humanos. Apenas o efeito anti-inflamatório foi notado, mas não com a robustez necessária para que a heparina não fracionada enriquecida inalatória pudesse ser incluída, naquele momento, nos protocolos de tratamento da COVID-19 grave. De lá para cá, a pandemia arrefeceu. Mesmo assim, trata-se de uma descoberta importante, visto que esse tipo de heparina desponta como uma substância promissora para tratar outras agressões pulmonares”, diz à Agência FAPESP Carlos Fortaleza, diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp) e coordenador da pesquisa.

Também participaram pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Federal de São Paulo (Unifesp) e Keele (Reino Unido).


Efeitos variados

As propriedades anticoagulantes, anti-inflamatórias e possivelmente antivirais da heparina têm sido muito debatidas na ciência. Testes realizados em animais, antes da pandemia, haviam demonstrado que a substância, quando inalada, reduz a coagulação pulmonar em diferentes situações clínicas. Também foi associada a melhor suporte ventilatório, redução de atelectasia e otimização da eliminação de dióxido de carbono (CO2).

No estudo feito na Unesp, os pesquisadores optaram por administrar o medicamento pela via inalatória em vez da injeção subcutânea, que é a forma convencional, para evitar o risco de sangramentos. “A heparina quando nebulizada atua diretamente nas vias respiratórias, não sendo significativamente absorvida pela corrente sanguínea”, explica Matheus Bertanha, professor da FMB-Unesp e um dos desenvolvedores da formulação usada no estudo.

“Nossas descobertas indicam que a heparina não fracionada enriquecida não induziu alteração nos parâmetros de coagulação em comparação ao grupo placebo. Além disso, nenhum evento adverso hemorrágico foi observado, sugerindo seu potencial como um medicamento seguro nas condições aplicadas”, acrescentou.

Bertanha explica que a formulação enriquecida conta principalmente com moléculas de cadeias grandes. “Isso é positivo, visto que as moléculas de cadeias menores têm maior cinética, o que faz com que elas atinjam primeiro o alvo, limitando a ação das cadeias maiores, mais efetivas. Com a heparina não fracionada enriquecida que desenvolvemos a interação das cadeias maiores com o vírus torna a molécula mais efetiva em inibir a infecção”, explica.

O uso de heparina injetável já tinha sido associado ao tratamento de COVID-19 e à prevenção das complicações trombóticas da doença em uma linha de pesquisa liderada pela médica Elnara Negri, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) (leia mais em: agencia.fapesp.br/49914).

“É preciso ressaltar que são mecanismos diferentes. Para evitar a formação de coágulos em decorrência da COVID-19, a heparina precisa atuar diretamente no sangue, sendo injetada. Já a nossa ideia com esse trabalho era que a substância não tivesse uma disseminação sistêmica. Precisávamos que a heparina não fracionada enriquecida fosse diretamente para o pulmão, pois o objetivo não era eliminar a trombose, mas obter uma ação local nas vias aéreas”, explica Fortaleza.


Mais estudos

Os testes com a heparina de alto peso molecular inalada mostraram uma melhora na imagem de tomografia do pulmão de todos os pacientes, além de redução da necessidade de oxigenação e diminuição da resposta inflamatória.

Segundo Fortaleza, foram feitas análises algorítmicas para medir a inflamação por meio do acometimento pulmonar. “Isso permitiu determinar a ação inflamatória da heparina não fracionada enriquecida. Não se trata de uma bala mágica contra a COVID-19, mas o estudo demonstra o potencial do fármaco para tratar condições cuja característica patológica seja a inflamação pulmonar”, avalia.

Bertanha ressalta a necessidade de novos estudos também para avaliar a dose ideal a ser usada em cada caso. “Tudo indica que a heparina de alto peso molecular seja um importante adjuvante, que pode trazer solução para várias doenças ainda sem tratamento específico. Esses resultados justificam a necessidade de avançarmos na realização de novos testes clínicos”, defende o pesquisador.

O artigo Nebulized enriched heparin improves respiratory parameters in patients with COVID-19: a phase I/II randomized and triple-blind clinical trial pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-024-70064-8.

 

Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/normalmente-usada-como-anticoagulante-heparina-mostra-potencial-para-tratar-inflamacao-pulmonar/54177


Dengue e diabetes: vacina é a melhor prevenção

Pacientes com a doença fazem parte do grupo de risco, assim como idosos, gestantes, crianças e imunossuprimidos

 

O alto número de casos de dengue no Brasil em 2025 já preocupa autoridades e profissionais de saúde pública. O governo de São Paulo, por exemplo, decretou estado de emergência. O maior temor das autoridades é que os casos ultrapassem os 6,6 milhões registrados em 2024, com cerca de 6 mil óbitos, quando a dengue se espalhou por todo o País. Este ano há ainda um agravante, pois o sorotipo 3 da doença está se espalhando. 

A dengue é uma infecção causada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti e pode afetar a todos, mas existem alguns grupos que têm mais riscos, como idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos. As pessoas com diabetes estão dentro do grupo de risco, portanto é preciso tomar cuidado. Outro importante aspecto da doença é que, de forme geral, a dengue grave ocorre com mais frequência na segunda vez que as pessoas contraem a infecção. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, as características das infecções que afetam as pessoas com diabetes são semelhantes às da população em geral. No entanto, podem apresentar maior gravidade e mortalidade, assim como nos outros grupos de risco citados. 

Desde o ano passado o Brasil está imunizando contra a dengue. Na rede pública, podem ser vacinadas crianças e adolescentes de 10 até 14 anos. Na rede particular, pode ser administrada em crianças a partir de 4 anos, adolescentes e adultos até 59 anos, tanto para quem já teve quanto para quem nunca teve dengue. O esquema de aplicação é de duas doses, com um intervalo de três meses. A vacina não é recomendada para quem tem mais de 60 anos, já que não há estudos sobre a segurança ou a eficácia da vacina para este grupo. 

O pediatra e infectologista Marco Aurelio Safadi, coordenador do Departamento de Imunização em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, explica que pacientes com diabetes, dentro das faixas etárias liberadas, podem ser vacinados. “Os pacientes que vivem com diabetes, especialmente quando adequadamente controlados, podem receber a vacina sem problema”, explica dr. Marco Aurelio. 

Se a pessoa com diabetes tiver dengue, deve ser acompanhada em unidades de saúde ou pelo seu médico para identificar situações que possam sugerir a ocorrência de complicações da doença, sendo muito importante ficar atento aos chamados sinais de alarme para as formas mais graves da doença, como vômitos persistentes, dor abdominal intensa, persistente, hemorragias, desmaios e pressão baixa, alteração do nível de consciência alternando sonolência e irritabilidade, dentre outros. Ao notar esses sinais, a pessoa deve procurar ajuda médica imediatamente, pois são situações que exigem a necessidade de internação. 

Não existe um medicamento específico para a dengue, por isso o tratamento é apenas sintomático. “A hidratação é muito importante para evitar quadros mais graves da dengue”, explica o infectologista. Nos casos mais leves a hidratação é feita por via oral, sendo necessária a internação nos casos mais severos para a realização da hidratação por via endovenosa.
 

O que é a dengue

Trata-se de uma infecção causada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Atualmente temos no País a circulação de três sorotipos do vírus dengue (DENV 1, DENV 2 e DENV 3) com aumento da proporção de DENV 3 desde o último trimestre de 2024.


A banalização dos diagnósticos de saúde mental: quando a informação vira desinformação

O perigo da banalização está na falta de clareza entre
 sintomas naturais da vida e transtornos mentais reais. 
Envato
Na era de redes sociais e com mais de 280 milhões de pessoas sofrendo com a depressão (dados da OMS), a falta de filtro de informações pode fazer com que rótulos substituam o diagnóstico profissional

 

Nos últimos anos, a discussão sobre saúde mental tem ganhado cada vez mais espaço, o que é essencial para a conscientização e redução do estigma. No entanto, esse aumento na visibilidade também trouxe um efeito colateral preocupante: a banalização dos diagnósticos. Termos como “ansioso”, “deprimido” e “bipolar” são frequentemente usados de maneira genérica, muitas vezes sem um real entendimento de seus significados clínicos. Esse fenômeno pode levar a interpretações equivocadas e dificultar o acesso ao tratamento adequado para quem realmente precisa. 

Segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que cerca de 280 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, e mais de 300 milhões convivem com transtornos de ansiedade. No entanto, especialistas alertam que o aumento no uso desses termos na internet e redes sociais nem sempre reflete diagnósticos reais. Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Ohio apontou que 48% dos jovens entre 18 e 25 anos acreditam ter algum transtorno mental, mas apenas 22% buscaram avaliação profissional. Esse contraste mostra o impacto da desinformação e a importância de diferenciar sofrimento emocional passageiro de condições de saúde mental que exigem tratamento. 

O perigo da banalização está na falta de clareza entre sintomas naturais da vida e transtornos mentais reais. Sentir tristeza, frustração ou insegurança diante de desafios faz parte da experiência humana e não significa necessariamente uma condição clínica. Quando diagnósticos sérios são tratados de forma superficial, há um risco tanto para aqueles que realmente precisam de ajuda quanto para aqueles que podem ser levados a acreditar que têm uma doença sem a devida avaliação profissional. 

A psicóloga Jacqueline Sampaio, especialista em Saúde Mental pela USP e fundadora da Clínica Jacqueline Sampaio Mental Health alerta para os riscos dessa cultura de autodiagnóstico: “A facilidade de acesso à informação é uma ferramenta poderosa, mas quando utilizada sem critérios, pode levar a equívocos que impactam a forma como lidamos com nossas emoções. A busca por rótulos rápidos pode impedir a verdadeira compreensão do que estamos sentindo e adiar o tratamento adequado para quem realmente precisa.” 

Se em algum momento, você sente que suas emoções estão confusas, intensas ou difíceis de lidar, é natural que busque respostas com o artifício da internet hoje em dia. Mas é importante lembrar que conteúdos de redes sociais, por mais informativos que sejam, são generalistas, sem conseguir considerar a singularidade de cada pessoa. Se deseja entender melhor o que sente, buscar um especialista é a melhor maneira. Profissionais da área da saúde mental, psicólogos e psiquiatras, estudam justamente para oferecer suporte qualificado em situações de diagnóstico, como na construção do autoconhecimento, essencial no entendimento dos sentimentos basais existentes em cada pessoa. “Lidamos com o processo da ajuda e do diagnóstico de cada um , oferecemos um olhar acolhedor e ético para que cada um possa processar de maneira saudável o que está sentindo”, completa Jacqueline.  

Não entregue o seu bem estar e saúde emocional e mental às receitas da internet. Sempre que necessário busque ajuda especializada.



Jacqueline Sampaio - psicóloga e empresária, fundadora da Clínica Jacqueline Sampaio Mental Health, onde adota a abordagem Gestalt, focada no autoconhecimento e na superação de barreiras internas. Atualmente, atende pacientes em 17 países, oferecendo planos de terapia que variam de individuais a anuais. Especializada em Saúde Mental pela USP, em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com aprofundamento em Motivação para o Sucesso na Harvard University, ela transformou desafios pessoais e profissionais em uma trajetória de sucesso. Saiba mais, aqui!
Instagram: jacquesuamente


Quando a tosse persistente pode ser tuberculose?

Saiba como identificar e tratar a doença

 

A tuberculose continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Apesar das campanhas de conscientização, da vacina BCG - que protege contra as formas graves da doença - e dos tratamentos oferecidos, a doença ainda figura entre as principais causas de morte por agente infeccioso no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch, a tuberculose é uma doença infectocontagiosa e transmissível. A forma mais comum de apresentação é a tuberculose pulmonar, já que a doença afeta prioritariamente os pulmões. No entanto, o bacilo também pode atingir outros órgãos e sistemas, como o sistema nervoso central, os gânglios linfáticos, o pericárdio, os ossos e a laringe.

 

Sintomas e diagnóstico


De acordo com o diretor clínico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), Marcos Pimentel, os sintomas da tuberculose podem ser confundidos com os de outras doenças respiratórias, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.

A tuberculose pulmonar se manifesta principalmente por tosse persistente por mais de três semanas, febre, sudorese noturna e perda de peso. “Pode haver tosse com sangue, além de outros sinais inespecíficos. No início, é mais difícil diferenciar a doença de uma gripe ou pneumonia, especialmente se o paciente não apresentar emagrecimento ou não fizer parte dos grupos de risco, como imunossuprimidos e imunodeprimidos”, explica Pimentel.

O diagnóstico é feito por meio da análise de amostras de escarro, coletadas em três dias consecutivos, e de exames de imagem, como o raio-X de tórax, para avaliar o grau de comprometimento dos pulmões.

 

Transmissão e prevenção

A tuberculose é transmitida pelo ar, por meio de gotículas de saliva expelidas ao falar, tossir ou espirrar. A principal forma de prevenção é o uso de máscara e o isolamento do paciente infectado até que ele não apresente mais risco de transmissão. “O paciente deve permanecer isolado até a liberação médica. Depois que inicia o uso das medicações, há um período necessário até que ele possa retomar a rotina”, destaca o diretor clínico do Evangélico.

Além disso, a vacina BCG, aplicada ainda na infância, ajuda a proteger contra as formas graves da doença, reduzindo complicações.


Desafios do tratamento

O tratamento da tuberculose é baseado no uso contínuo de antibióticos por um período que varia de seis meses a um ano. No entanto, muitos pacientes abandonam o tratamento ao perceberem melhora nos sintomas, o que representa um risco grave. “O abandono do tratamento causa a resistência da bactéria, que fica cada vez mais forte e mais difícil de combater”, alerta Pimentel.

Segundo a OMS, sem o tratamento adequado, a tuberculose pode ter uma letalidade de até 50% dos casos. Por outro lado, quando tratada corretamente, a taxa de cura pode chegar a 85%.


Importância da conscientização 

Diante da gravidade da tuberculose e dos desafios no controle da doença, a conscientização da população é fundamental. O diagnóstico precoce e o tratamento correto são essenciais para a recuperação do paciente e para evitar a disseminação da bactéria. 

Ao apresentar sintomas persistentes, é importante procurar atendimento médico imediatamente. Além disso, o compromisso com o tratamento completo é indispensável para garantir a cura e prevenir complicações.


Hospital Evangélico de Sorocaba

Papa Francisco: Geriatra alerta sobre problemas associados a internações prolongadas de idosos

Ele explica riscos e cuidados necessários em longas hospitalizações que podem impactar no tratamento do paciente

 

As internações prolongadas em idosos, especialmente naqueles com condições de saúde preexistentes, representam um desafio significativo para a manutenção da qualidade de vida e da independência desse público. De acordo com o integrante da Sociedade Brasileira de Geriatria e diretor médico da BSL Saúde, que administra os residenciais Cora, Felipe Vecchi, “os riscos vão além da doença que motivou a hospitalização, podendo impactar profundamente a funcionalidade e a saúde global do paciente”.

 

O geriatra cita o caso do Papa Francisco, que passa por uma internação prolongada devido a problemas pulmonares. “Pelos relatos, ele já apresentava dificuldades de locomoção antes da hospitalização. Após a internação, isso pode se acentuar, tanto pela perda muscular, quanto pela diminuição da capacidade aeróbica, gerando mais cansaço aos esforços, o que sugere perda adicional de funcionalidade”, comenta. Vecchi também menciona que o Papa teve um episódio de broncoaspiração, que pode predispor a infecções pulmonares. 

 

Um dos principais riscos destacados pelo especialista é a perda de funcionalidade, ou seja, a capacidade de o idoso realizar atividades cotidianas de forma independente. “Ele já tem uma tendência natural à perda de massa muscular, e a internação, muitas vezes, acentua esse quadro. O paciente fica mais acamado, o que acelera a perda muscular e aumenta a dependência de cuidadores”, explica o médico. A fisioterapia intra-hospitalar é uma das estratégias para minimizar esse problema, mas Vecchi ressalta que ela não substitui a rotina diária de atividades. “A fisioterapia ajuda a prevenir complicações do imobilismo, mas não é o ideal. O idoso precisa de estímulos constantes para manter sua autonomia”, complementa. 

 

Outro ponto crítico é a exposição a infecções, principalmente por bactérias resistentes, comuns em ambientes hospitalares. “Infecções pulmonares, como pneumonias por broncoaspiração, são frequentes em idosos com dificuldades de deglutição ou alterações cognitivas. Além disso, o uso de dispositivos como sondas e acessos venosos pode aumentar o risco de infecções de pele e até da corrente sanguínea”, alerta o geriatra. 

 

O diretor médico da BSL Saúde também chama a atenção para infecções urinárias, comuns em pacientes que necessitam de fraldas, e para lesões por pressão, que podem surgir devido ao tempo prolongado na cama. “Tudo isso exige monitoramento constante e medidas preventivas”, reforça. 

A internação pode ainda afetar a saúde mental do idoso. A mudança de ambiente e rotina pode levar a quadros de desorientação e confusão mental, conhecidos como delirium. “O idoso pode ficar mais agitado, confuso ou até mesmo sonolento. Isso impacta não apenas a recuperação, mas também a capacidade de tomar decisões”, diz Vecchi. 


 

Estratégias para minimizar os riscos


Para reduzir os efeitos negativos das internações prolongadas, o especialista destaca a importância de uma abordagem multidisciplinar. “A nutrição adequada é fundamental. Dependendo do caso, pode ser necessário o uso de sondas ou até nutrição parenteral, mas sempre com cuidado para evitar desconforto e agitação no paciente”, explica. 

Além disso, a fisioterapia motora e respiratória deve ser iniciada o mais cedo possível, assim como a mobilização do paciente, sempre que clinicamente viável. “O objetivo é preservar ao máximo a funcionalidade e a independência do idoso”, afirma Vecchi. Ele completa dizendo que as internações prolongadas em idosos exigem cuidados específicos para evitar complicações que podem ser tão graves quanto a doença original. “É essencial que as equipes médicas e familiares estejam atentas aos riscos e trabalhem juntas para preservar a funcionalidade, a saúde mental e a qualidade de vida do paciente”, afirma Felipe Vecchi. 


Segundo ele, abreviar o tempo de internação sempre que possível, sempre é uma estratégia valida, pois o hospital, por mais que passe uma sensação de segurança é um ambiente inóspito para idoso. “Existem estratégias e serviços especializados em apoiar a desospitalização do paciente, como home care e clínicas de transição. O ideal é que a alta seja breve, segura e estrutura, assim minimizamos os impactos da internação prolongada”, finalizou o geriatra. 



Alimentação pode reduzir dores da endometriose; veja o que comer e o que evitar

 Muitas mulheres sofrem com a doença sem saber. Saiba como os alimentos certos podem ajudar no controle dos sintomas 

 

A endometriose atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e pode levar anos para ser diagnosticada. Isso acontece porque seus sintomas muitas vezes são confundidos com desconfortos menstruais comuns. Mas o problema vai muito além das cólicas. A endometriose pode comprometer a fertilidade, afetar a qualidade de vida e causar dores incapacitantes. 

"Sentir cólica não deveria ser algo incapacitante. Muitas mulheres convivem com dores intensas sem imaginar que há um problema por trás. A endometriose não se resume apenas ao período menstrual, ela pode comprometer a fertilidade e o bem-estar geral", explica a nutróloga Fernanda Vasconcelos, fundadora do Instituto Qualitté.


Como identificar os sinais de alerta?

  • Cólicas menstruais intensas: se a dor impede atividades do dia a dia e não melhora com analgésicos, merece atenção.
  • Dificuldade para engravidar: A endometriose pode afetar a fertilidade ao dificultar a implantação do embrião no útero.
  • Dor durante ou após relações sexuais: pode indicar que a endometriose está comprometendo estruturas próximas ao útero.
  • Alterações intestinais e urinárias: episódios de diarreia, constipação e dor ao evacuar ou urinar, principalmente no período menstrual, são comuns em quem tem a doença.
  • Cansaço frequente: o processo inflamatório crônico da endometriose pode causar fadiga intensa.


Quais são as opções de tratamento para endometriose?

O tratamento depende de cada caso e pode incluir medicamentos, ajustes na alimentação e, quando necessário, cirurgia.

  • Terapia hormonal: uso de anticoncepcionais, implantes hormonais ou outros medicamentos para controlar a progressão e os sintomas da doença.
  • Cirurgia minimamente invasiva: procedimentos como a videolaparoscopia auxiliam na remoção dos focos da endometriose, no alívio dos sintomas e aumentam as chances de engravidar.
  • Acompanhamento nutricional e metabólico: alimentação anti-inflamatória e ajustes metabólicos contribuem para redução da inflamação sistêmica, o controle da dor e para a qualidade de vida.
  • Modulação intestinal: alguns exames específicos como check-up intestinal ou análise de microbiota tratam a disbiose especificamente de cada indivíduo, e melhora a saúde como um todo.

"A endometriose não tem cura, mas há formas eficazes de controle dos sintomas. O ideal é que o tratamento seja individualizado, considerando as necessidades e o histórico de cada mulher", reforça Dra. Fernanda.


Como a alimentação pode ajudar no controle da endometriose?

A endometriose é uma doença inflamatória e, segundo a Dra. Fernanda, a alimentação tem um papel importante no controle dos sintomas.


Alimentos que ajudam no controle da inflamação:

  • Peixes, linhaça e chia – Fontes de ômega-3, com ação anti-inflamatória.
  • Vegetais verde-escuros – Ricos em magnésio, auxiliam no relaxamento muscular.
  • Azeite de oliva e abacate – Contribuem para o equilíbrio hormonal.
  • Cúrcuma, frutas vermelhas, gengibre e cacau – Tem propriedades anti-inflamatórias e aliviam as dores.


Alimentos que podem piorar os sintomas:

  • Ultraprocessados, industrializados (gordura trans) e açúcares – Podem aumentar a inflamação no corpo.
  • Laticínios – Além do potencial inflamatório e pró cancerígeno, muitas mulheres têm sensibilidade ou intolerância ao leite e seus derivados. Isso pode piorar os sintomas e dificultar o diagnóstico correto. 
  • Cafeína, cigarro e álcool – O consumo pode intensificar a inflamação e as dores.

"Não existe uma dieta única para endometriose, mas ajustar a alimentação pode ser um grande aliado no controle da inflamação e no alívio dos sintomas. O acompanhamento nutricional adequado pode melhorar muito a qualidade de vida", finaliza.


Estudo revela possível caminho para tratar déficits respiratórios no Parkinson

Pesquisa do ICB-USP identifica relação entre falhas respiratórias e sono e aponta estimulação cerebral seletiva como alternativa promissora.


Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP) descobriram um possível caminho para tratar déficits respiratórios em pacientes com Doença de Parkinson – um sintoma pouco estudado, mas que pode levar a complicações graves, como pneumonia, uma das principais causas de óbito nesses pacientes. Embora as dificuldades motoras sejam as manifestações mais conhecidas da doença, a pesquisa revelou que problemas respiratórios também ocorrem, especialmente durante o sono – que ainda não possui um tratamento eficaz. O estudo, publicado na revista iScience, mostrou que a estimulação seletiva de um núcleo cerebral foi capaz de reverter essas falhas respiratórias em camundongos, apontando para novas possibilidades terapêuticas. 

"As complicações respiratórias no Parkinson geralmente surgem em estágios mais avançados da doença e, por isso, são menos exploradas. Mas elas têm um impacto significativo na qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes", explica a professora Ana Carolina Takakura, coordenadora do estudo. "Nosso objetivo foi entender quando essas alterações acontecem e se há uma forma de revertê-las. Descobrimos que elas ocorrem exclusivamente durante o sono, e conseguimos restaurar a função respiratória nos camundongos estimulando seletivamente um grupo específico de neurônios." 

Coordenado pela professora Takakura, do Departamento de Farmacologia do ICB-USP, o Laboratório Controle Neural Cardiorrespiratório dedica-se há mais de 10 anos ao estudo de problemas respiratórios causados pelo Parkinson. Sua prevalência está relacionada com os casos de pneumonia, uma das principais causas de óbito de pacientes. “Minha formação, desde o doutorado, tem sido voltada para o controle neural da respiração. Quando comecei a estudar o Parkinson, minha pergunta fundamental era: será que, além das regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos, as áreas que controlam a respiração também se degeneram?”, explica a pesquisadora. 

Ao longo dos anos, os resultados mostraram que sim: em animais — ratos e camundongos — submetidos ao modelo experimental da doença, há uma redução na frequência respiratória, além da degeneração de alguns núcleos específicos que controlam a respiração. O grande avanço do novo estudo, liderado pela pesquisadora Nicole Miranda, foi observar a relação de tudo isso com o sono. 

“Apneias respiratórias são uma consequência comum da Doença de Parkinson: afetam, junto de outras alterações no sono, cerca de 70% dos pacientes. E, apesar de serem classificadas dentro de estudos do sono, as apneias também são um problema respiratório”, explica Takakura. Foi dessa intersecção, notada por Miranda durante seu doutorado, que surgiu a ideia de investigar se as alterações respiratórias observadas nos estudos anteriores possuíam alguma relação com o ciclo de sono. Antes, não se sabia se as mudanças na respiração aconteciam quando o animal estava acordado ou dormindo. Os camundongos estudados podiam dormir durante os registros, mas esse fator não era monitorado diretamente. “Foi algo que nunca havíamos medido antes. Com os novos experimentos, conseguimos finalmente estabelecer essa relação, o que abriu uma nova perspectiva para os estudos”, diz Takakura. 

O primeiro passo de Miranda foi mapear, por meio de eletroencefalogramas e eletromiografias, as fases de sono dos camundongos e, paralelamente, observar a respiração dos animais. O estudo diferenciou as fases de sono R.E.M (movimento rápido dos olhos) e não R.E.M, que têm características distintas em termos de atividade cerebral e tônus muscular. O que foi constatado é que as alterações na respiração observadas em estudos anteriores não só eram mais expressivas durante o sono, como aconteciam exclusivamente nesse estado. Além disso, foi analisada a quantidade de episódios de apneia, que também foi maior enquanto os animais dormiam. 

Com essa informação em mãos, buscou-se investigar possibilidades terapêuticas por meio do estímulo seletivo de algum núcleo do cérebro. “Escolhemos o núcleo tegmental látero-dorsal, também chamado de LDT, por ser um núcleo conhecido por sua correlação forte tanto com o sono quanto com a Doença de Parkinson e que, além disso, também se projeta para as regiões respiratórias”, explica a professora. 

Para realizar esse estímulo, foi injetado um vírus no núcleo LDT, fazendo com que os neurônios desejados dessa região passassem a expressar um receptor — ou seja, deixando-os “capazes de serem estimulados seletivamente”. Depois, foi aplicado um fármaco, capaz de se ligar exclusivamente ao receptor e que foi responsável por provocar os estímulos nesses neurônios. Dessa forma, as alterações respiratórias foram revertidas, bem como o aumento na quantidade de apneias. “O núcleo LDT também sofre perda de neurônios devido à Doença de Parkinson, mas vimos que mesmo o estímulo dos neurônios restantes foi suficiente para tratar problemas respiratórios”, diz Takakura. 

Denominado quimiogenética, o método ainda é pouco acessível e restrito às pesquisas clínicas, mas pode ser uma possibilidade futura para tratamentos. Segundo a professora, existem, atualmente, outras possibilidades terapêuticas de estímulo cerebral, mas que afetam regiões inteiras e não apenas tipos de neurônios específicos. “Não sabemos se uma estimulação geral teria o mesmo efeito, é algo a ser investigado. De qualquer forma, a estimulação seletiva é sempre melhor, pois elimina efeitos adversos. Existem estudos trabalhando para viabilizar uma estimulação seletiva, e quando isso acontecer, será um grande passo para o tratamento dos sintomas do Parkinson.” Ela ainda aponta que o metabólito clozapina-N-oxide (CNO), que é gerado a partir de uma substância injetada e atua ativando seletivamente os neurônios modificados no experimento, ainda precisa ser melhor estudado quanto à segurança e eficácia em humanos. 

Hoje, um dos tratamentos para o Parkinson é a estimulação cerebral profunda, utilizada para melhorar os sintomas motores da doença. No entanto, essa abordagem não trata diretamente as alterações respiratórias, que continuam sem uma solução terapêutica eficaz.

Para o futuro, Takakura pretende caracterizar as alterações de sono em humanos, em uma parceria com o Instituto do Coração (InCor) e com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).


Saúde mental feminina: Um direito a ser priorizado

Desde cedo, somos ensinadas a correr atrás de algo: ser melhores mulheres, esposas, mães, filhas, profissionais. A sensação de nunca ser suficiente nos acompanha, impondo uma busca constante por uma perfeição inalcançável. Por isso, é fundamental dar visibilidade a um tema essencial: a saúde mental feminina. 

A saúde mental não existe de forma isolada – ela é influenciada por determinantes sociais, como acesso à educação, moradia, trabalho e cultura. Quando falamos da saúde mental das mulheres, algumas questões estruturais precisam ser priorizadas. Os dados evidenciam essa realidade:

  • Em 2019, cerca de 49 milhões de brasileiros viviam com algum transtorno mental, sendo 53% mulheres (IHME).
  • Segundo a OMS, as mulheres têm maior risco de desenvolver ansiedade e depressão em comparação aos homens.


O que é carga mental feminina? 

A carga mental feminina refere-se ao conjunto de tarefas domésticas e responsabilidades familiares que recaem desproporcionalmente sobre as mulheres – de forma não reconhecida e não remunerada. Esse trabalho invisível mantém a mente das mulheres em constante atividade. 

Enquanto os homens dedicam, em média, 11 horas semanais ao cuidado de terceiros, as mulheres dedicam 21,4 horas – quase o dobro. Esse fardo tem impacto direto na saúde mental feminina. Mas, diante de tantas pressões, quem cuida das mulheres? 

A boa notícia é que muitas mulheres estão mais atentas à sua saúde mental. Algumas buscam apoio na psicoterapia (22%), enquanto outras enfrentam dificuldades de acesso, seja pelo custo (49%) ou pela falta de recursos acessíveis (29%).

 

Pilares da Saúde Mental Feminina 

Podemos pensar a saúde mental a partir de três pilares fundamentais: prevenção, percepção e tratamento.

 

Prevenção:

  • Alimente-se bem e cuide do sono.
  • Tenha uma rotina equilibrada, reservando momentos para o autocuidado.
  • Cultive relacionamentos saudáveis e atividades prazerosas.
  • Pratique a autocompaixão.


Percepção:

  • Observe sentimentos e emoções.
  • Questione-se: "Como estou me sentindo?".
  • Identifique sinais de alerta, como tristeza excessiva, irritabilidade e cansaço extremo.

Tratamento:

  • Terapia: Auxilia na compreensão e no enfrentamento dos sentimentos.
  • Psiquiatria: Quando necessário, acompanhamento médico e uso de medicação sob orientação profissional.
  • Atividades relaxantes: Meditação, exercícios físicos e hobbies.
  • Alimentação equilibrada: Contribui para o bem-estar emocional.

Buscar ajuda não é fraqueza – é um ato de coragem e autocuidado. Cuidar da saúde mental feminina é um compromisso coletivo. É preciso avançar na construção de um ambiente mais justo, onde as mulheres tenham acesso a apoio, tempo para si mesmas e liberdade para viver sem a pressão da perfeição. Reconhecer as próprias necessidades e buscar equilíbrio não é egoísmo – é um passo essencial para uma vida mais saudável. Afinal, mulheres que se cuidam também transformam o mundo ao seu redor.




Juliana Dimário - Diretora de Pessoas e Cultura da CBYK Consultoria e Seastorm Ventures, com certificação Internacional em Psicologia Positiva pelo WholeBeing Institute, Chief Hapiness Officer (CHO) pelo Instituto Feliciência, Colunista no RH Portal, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, e graduação em Comunicação Social pela Universidade Metodista. Profissional voltada a Cultura Organizacional, Bem-estar e Comunicação Corporativa, com mais de 15 anos de experiência atuando em empresas de grande porte e multinacionais, na área de engajamento e clima organizacional, branding, jornada de cliente, comunicação corporativa e marketing de produtos.



Emergências cardíacas e neurológicas: saiba quando procurar um pronto atendimento

 

Perda de força, alterações na sensibilidade ou visão, tontura e
 vômitos persistentes devem ser levados a sério
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Consumo exagerado de álcool, desidratação, noites mal dormidas e calor intenso podem afetar coração e cérebro, mesmo em jovens 

 

E se sintomas simples como cansaço, dor de cabeça, tontura e queda de pressão fossem mais do que sinais de um mal-estar passageiro? Especialmente em casos neurológicos e cardiológicos, quadros graves podem apresentar sinais horas ou dias antes de se manifestarem. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que analisou as causas de morte de 2002 a 2019 em nível mundial, as doenças cardíacas lideram as estatísticas de óbitos, seguidas pelo acidente vascular cerebral (AVC). Dados alarmantes que enfatizam o risco de sintomas aparentemente inofensivos, como os de uma ressaca — muitas vezes negligenciados —, que podem indicar doenças graves. 


Como os sintomas surgem?

Desidratação, queda de pressão e tontura são sintomas comuns, causados, por exemplo, por exposição ao calor ou consumo excessivo de bebidas. No entanto, também podem ser sinais de alerta para problemas mais graves. Saber diferenciá-los é essencial para reconhecer a necessidade de buscar atendimento médico.

“Ao ingerir grandes quantidades de bebida alcoólica, os efeitos surgem de forma gradual. Quanto maior o consumo, mais intensos se tornam. Já em um problema grave, a palavra-chave é ‘súbito’, porque os sintomas surgem repentinamente”, explica a neurologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Jamileh Chamma.

Essa diferença entre o surgimento progressivo e abrupto dos sintomas pode ser determinante para a busca de ajuda médica. Perda de força, alterações na sensibilidade ou visão, tontura e vômitos persistentes devem ser levados a sério, especialmente se aparecerem de repente. “Não dá para ficar em casa achando que é apenas uma ressaca ou um mal-estar passageiro. Somente um médico, por meio de um exame clínico e do histórico do paciente, pode diferenciar os sintomas com precisão e iniciar o tratamento adequado”, enfatiza Jamileh.

Outros fatores, como calor intenso, alimentação irregular, hidratação insuficiente e privação de sono, também podem afetar a pressão arterial e aumentar o risco de eventos graves. “Os exageros nunca são recomendados, seja com bebidas, festas, noites mal dormidas ou alimentação inadequada. Isso tudo pode comprometer a saúde, principalmente quando combinado”, alerta a neurologista.


Quando procurar um pronto atendimento?

A rapidez no atendimento pode mudar completamente o desfecho de casos neurológicos, como um AVC. “Costumamos dizer que o tempo para a intervenção médica deve ser sempre o menor possível, pois cada minuto importa. A janela ideal para tratamento é de até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Nesse período, as intervenções médicas ainda podem minimizar ou até reverter possíveis danos cerebrais”, reforça Jamileh.

O mesmo vale para doenças cardíacas. As dores no peito, muitas vezes atribuídas à ansiedade ou ao esforço físico, nunca devem ser ignoradas. “Não é normal ter dor no peito. Na dúvida, sempre busque avaliação médica, pois pode ser um infarto”, orienta o cardiologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Gustavo Lenci.

Outros sinais também indicam perigo. O calor e a agitação, por exemplo, são alguns fatores que podem causar desconforto passageiro, mas, se houver dificuldade para respirar com esforços mínimos, como ao caminhar curtas distâncias, é um sinal de alerta. “Se a pessoa se sente ofegante mesmo ao realizar pequenas atividades, deve procurar atendimento”, explica Gustavo.

Outro indicativo de que pode ser o momento de procurar um pronto atendimento é o inchaço corporal, que tem diversas causas, mas, quando vem acompanhado de dificuldade respiratória, pode indicar insuficiência cardíaca. “Diversas situações podem causar inchaços. Existem, por exemplo, pacientes que têm varizes ou insuficiência venosa, que fazem com que sintam uma sensação de queimação nas pernas aliada ao inchaço”, comenta. “No entanto, se pés e pernas inchados estiverem associados a outros sintomas, como falta de ar, há grande probabilidade de ser um problema cardíaco mais sério”, complementa o cardiologista.


Escute os sinais do seu corpo

Para muitas pessoas, o receio de estar exagerando faz com que evitem buscar ajuda médica. No entanto, se um sintoma gera incômodo ou dúvida, a avaliação profissional é sempre recomendada. “Procurar atendimento médico pode ser a diferença entre um simples susto e um problema grave. Quanto mais cedo a avaliação for feita, maiores as chances de evitar complicações e garantir um tratamento eficaz”, indica Gustavo.

Especialistas orientam, ainda, que mesmo em casos nos quais esses sintomas são passageiros, procurar um especialista é sempre a melhor opção. “Mesmo que os sintomas desapareçam sozinhos, isso não significa que o problema tenha sido resolvido. Episódios transitórios podem ser um alerta de algo mais grave está por vir, e a busca por atendimento pode prevenir sequelas permanentes”, conclui Jamileh.


Hospital São Marcelino Champagnat


Varizes: tratamento inovador pode ajudar a reduzir fila por cirurgia no SUS

Vastonic demonstrou resultados superiores em estudo clínico inédito comparativo com o fármaco que é líder do mercado atual.

 

Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), 45% das mulheres e 30% dos homens possuem varizes. Caracterizadas por veias grossas, tortuosas e de coloração esverdeada e/ou arroxeada, podem causar sensação de pernas cansadas, dores e/ou câimbras nos membros inferiores, coceiras nas áreas com as veias sobressalentes, inchaço nas pernas e descoloração da pele. Um levantamento feito pela SBACV a partir da base de dados do Ministério da Saúde mostra que a doença crônica e multifatorial é mais comum em mulheres e que, a cada hora, uma média de seis mulheres passam por cirurgias para tratar a condição na rede pública - só em 2022, quase 46 mil foram internadas pela doença no SUS. A boa notícia é que um novo medicamento pode ajudar a prevenir e tratar as varizes, com resultados superiores se comparado ao fármaco líder do mercado atual, o Vastonic. 

O produto com fórmula exclusiva e única no mundo, é comercializado pela Makrofarma - empresa com sete décadas de história que assume a postura de uma "startup de 70 anos" -, que tem foco no desenvolvimento de produtos disruptivos, incluindo tratamentos inovadores para IVC - Insuficiência Venosa Crônica -, também conhecida como varizes. Foram realizados dois estudos clínicos inéditos para Varizes e Hemorróidas contra a formulação mais importante no mercado atualmente, Diosmina e Hesperidina, onde o Vastonic se mostrou mais eficiente e com uma resposta mais rápida do tratamento em comparação a estas composições. 

"O SUS está com filas intermináveis para cirurgias e não está conseguindo atender a demanda da população. O Vastonic possui uma ação mais rápida no tratamento das varizes comparado aos medicamentos utilizados hoje. Será muito útil a rede pública de saúde para ajudar neste atendimento, especialmente com o envelhecimento da população, já que uma das principais causas de varizes é a idade avançada", aponta Ivan Guedes, CEO da Makrofarma. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do IBGE mostram que, em dez anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 14,7% da população. 

Para o desenvolvimento do Vastonic, foram investidos R$ 20 milhões em pesquisa e desenvolvimento, incluindo estudos clínicos. Os dados adquiridos foram protocolados e disponibilizados na principal plataforma de registro de pesquisas a nível mundial, a “ClinicalTtrials.gov” dos Estados Unidos, e os resultados serão publicados nas principais e mais conceituadas revistas científicas e da área da saúde internacionais, como por exemplo a “Current Therapeutic Research”. 

Apesar dos esforços, a insuficiência venosa crônica (IVC) é ainda um desafio clínico e cirúrgico significativo na medicina, pois não há um tratamento definitivo para a doença. Recentemente, terapias seculares baseadas em plantas foram reposicionadas usando técnicas modernas de pesquisa farmacológica e clínica, como no caso do estudo clínico para o Vastonic. A pesquisa vem destacar que uma combinação de castanha-da-índia, erva-de-bicho, salsaparrilha e rutina em comparação com uma combinação de diosmina e hesperidina não é inferior no cuidado dos sintomas da varizes, pelo contrário.

 

A inovação se mostra eficaz no tratamento e contenção da progressão da doença, podendo ajudar inúmeras pessoas que sofrem com varizes. Além de acometer mais mulheres do que homens e da gestação bem como a idade avançada serem um fator de risco para a doença, trabalhar por longos períodos em pé ou sentado também aumentam as chances do surgimento das veias dilatadas. Com as atuais condições do mercado de trabalho e o sedentarismo da população, é possível dizer que a maioria das pessoas em idade produtiva corre o risco de se deparar com as varizes em algum momento da vida.

"Muitas pessoas deixam de usar roupas que deixem as pernas a mostra por vergonha da aparência dado o avanço das veias tortuosas. Há uma demora na busca por ajuda médica quando o assunto são varizes, mas o quanto antes a pessoa buscar tratamento adequado, melhores serão os resultados e a probabilidade de conter o avanço da condição. Lembrando que se trata de uma doença crônica, que requer cuidados para a vida toda", finaliza Ivan.



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