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terça-feira, 22 de outubro de 2024

Apneia do sono – o mal que ataca na calada da noite

A causa oculta de um diagnóstico de fibromialgia, hipertensão, depressãodores de cabeça frequentes e até diabetes pode ser uma condição peculiar que até há pouco tempo só era investigada entre um seleto público com  acesso a sofisticados exames da medicina diagnóstica. O nome dessa patologia original é Apneia Obstrutiva do Sono (AOS).

 

duas clínicas RD Odontologia, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e Butantã, Zona Oeste da Capital, hoje são credenciadas da Biologix®, empresa que há quase 10 anos, trouxe uma tecnologia que vem revolucionando o diagnóstico, e por decorrência, o tratamento da AOS. Trata-se de uma polissonografia, recurso para diagnóstico da doença, que se resume a um compacto sensor sem fios e um aplicativo de smartphone para aferição dos dados coletados.

 

Ricardo Denser, especializado em odontologia, ortodontia e implantes odontológicos, com quase 30 anos de atuação clínica, já está usando o recurso em seus pacientes e fala das respostas em relação aos diagnósticos com entusiasmo: “A gente, com a experiência acumulada, identifica sinais da AOS rapidamente, nos pacientes. Primeiro que muitas vezes, o bruxismo, nome do comportamento involuntário onde o paciente “come” os próprios dentes enquanto dorme, provocando fraturas e desgastes nos dentes, pode estar associado à AOS”, descreve. “Até essa tecnologia ganhar escala, o exame de polissonografia demandava um esforço muito grande do paciente, pois além de dispendioso para boa parte da população é uma coisa que dá trabalho”.

 

Com a tecnologia da Biologix® associada a cuidados ortodônticos, é possível mitigar os efeitos da AOS e tratar as doenças adjacentes, que podem ser decorrentes da falta de uma oxigenação adequada do cérebro e por longos períodos, diariamente. “Quando implementamos esse recurso nas duas clínicas tive uma sensação de vitória, porque muitas vezes eu me sentia impotente diante de quadros graves de AOS, onde o paciente não tinha condições de vencer as barreiras econômicas de um diagnóstico assertivo. Hoje tenho uma ‘arma’ poderosa para cuidar dos meus pacientes”, comemora Denser. Após a anamnese e a investigação com a tecnologia Biologix®, a ortodontia entra em ação. Um aparelho ortodôntico será projetado para ajudar na desobstrução da respiração. Em alguns meses já será capaz de reverter a maioria dos casos de AOS, tudo monitorado pela tecnologia Biologix®.


 

O exame


Para o diagnóstico tradicional da AOS, o paciente teria de passar a noite em uma clínica especializada, onde instrumentos de polissonografia fazem o monitoramento da respiração desse paciente durante o período de sono. Dada a complexidade de um ambiente monitorado e de alta tecnologia, há de se convir que poucas pessoas, no Brasil, teriam condições de buscar um diagnóstico preciso em relação à AOS.


 

 Importância da qualidade do sono


A manifestação da AOS é insidiosa. Quando a pessoa dorme, questões adjacentes, como características fisiológicas orais, excesso de peso, má alimentação e até falta de exercícios físicos podem causar “micro” sufocamentos, interrupções da respiração, que levam a um sofrimento não perceptível conscientemente, já que a pessoa está em um estado de sonolência e não consegue chegar a um sono profundo.

 

Os efeitos desses episódios de falta de ar durante a noite são acumulativos no organismo, sendo que com a baixa oxigenação cerebral, associada ao estresse causado pela falta do ar súbita e momentânea, somada à impossibilidade de entrar em sono profundo, vão agindo durante o dia e literalmente, minando as energias e a saúde da pessoa, ainda que ela não tenha consciência disso.


 

Estudos e números


O sono reparador é fundamental para o bem-estar, e distúrbios do sono, como a AOS, podem agravar doenças. Estudos indicam que cerca de 1/3 da população apresenta AOS, com aproximadamente 50 milhões de brasileiros afetados, mas apenas 10-15% são diagnosticados. Cirurgiões dentistas, que passam muito tempo com os pacientes, podem ajudar a identificar casos de AOS ao incluir questões sobre sono na anamnese. O uso de oxímetros do sono facilita esse processo, medindo a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca durante o sono, identificando quedas que possam indicar a presença da AOS.

 

Um dos rescaldos da pandemia foi a popularização do oxímetro, bem como sua utilização e informações sobre níveis de oxigenação cerebral. Hoje fica fácil explicar para a população em geral o que significa um diagnóstico de “baixa oxigenação”.

 

Uma pesquisa de 2019, mas que continua atual, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), em colaboração com a Academia Brasileira de Neurologia e o Conselho Regional de Medicina, traz dados alarmantes em relação a acidentes de trânsito causados por sonolência. “Pelos dados da pesquisa, cerca de  42% dos acidentes de trânsito acontecem porque algum motorista dormiu ao volante. Boa parte dessas ocorrências seguramente poderia ser evitada com o diagnóstico e tratamento da AOS”, conclui.

 

Ricardo Denser - coordenador Técnico da R D Odontologia, desde 1985 na área de Odontologia Clinica. Formado pela Universidade Paulista, é professor de Estética dental do Sindicato dos Odontologista de São Paulo (SOESP). Tem especialização em implantes odontológicos e em Ortodontia e Ortopedia dento-facial.


Quedas de idosos tendem a aumentar a partir dos 80 anos

Especialista dá dicas de como prevenir acidentes domésticos com e pequenas mudanças de hábitos no dia a dia

 

O presidente Luís Inácio Lula da Silva sofreu uma queda no último sábado (19/10). Na ocasião, ele bateu a cabeça, teve um corte com sangramento e um traumatismo cranioencefálico leve, sem perda de consciência ou desorientação.

Esse tipo de batida, mesmo que não cause maiores complicações, deve ser acompanhada de perto por médicos especialistas por pelo menos 72 horas desde a queda, em especial para possíveis sangramentos. A recomendação é de repouso, hidratação e monitoramento.

Os sangramentos são comuns em idosos por causa da fragilidade de tecidos e vasos sanguíneos, assim como são aumentados os riscos de quedas em ambiente doméstico. Lula tem 78 anos.

Dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia afirmam que 40% das pessoas com mais de 80 anos sofrem quedas todos os anos. A pior consequência de quem cai e bate a cabeça é o risco de hematoma subdural, que é quando o sangue se acumula na região entre o crânio e a superfície cerebral; isso pode ocorrer até 30 dias após a batida.


Ferimentos ortopédicos

Outro risco para idosos que sofrem quedas são as lesões em ossos, principalmente na região da bacia e das pernas. Segundo o médico ortopedista Cleber Furlan, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), uma pessoa jovem e saudável apresenta uma flexão maior dos joelhos e do quadril e tornozelos, ou seja, está sempre adaptada a qualquer desequilíbrio da marcha. Em idosos, entretanto, a marcha se torna mais lenta devido às artroses de joelho, quadril ou coluna, o que muda o ângulo de pisada de acordo com o desgaste das articulações e sua adaptação a uma nova realidade de envelhecimento. 

A diminuição da mobilidade no joelho, tornozelo e quadril, além das dores na coluna, compromete o equilíbrio e a marcha, especialmente em idosos. Isso pode levar a um padrão de caminhada menos cadenciado e mais desequilibrado, aumentando o risco de quedas. Doenças como diabetes contribuem para a perda de sensibilidade nos pés, afetando a propriocepção e elevando a probabilidade de quedas. Estudos indicam que cerca de 29% dos idosos no Brasil caem anualmente, com 40% dos que têm mais de 80 anos enfrentando quedas frequentes.

 “A coluna, às vezes com dor, acaba inclinando o corpo para frente, ou seja, muda a marcha e o ponto de apoio dos pés, o que compromete o centro de equilíbrio do corpo, normalmente localizado próximo à região do umbigo”, explica Furlan.


Como prevenir

Para minimizar esses riscos, é fundamental adaptar o ambiente. Por exemplo, evitar tapetes próximos à cama pode prevenir tropeços, enquanto a altura de camas e sofás deve ser ajustada para facilitar a entrada e saída, reduzindo a pressão nas articulações. Rampas com baixo grau de inclinação, em vez de escadas, e barras de apoio em locais estratégicos ajudam na estabilidade e segurança.

A escolha do calçado também é crucial: sapatos confortáveis que se ajustem bem e meias antiderrapantes são recomendados, já que chinelos de dedo podem exigir esforço excessivo do tornozelo. No banheiro, a altura do vaso sanitário deve ser adequada para facilitar o uso, e barras de segurança são essenciais para evitar quedas durante o banho.

“Barras pela casa, principalmente nos lugares onde você senta e levanta, são fundamentais para diminuir o peso ou a força exercida nas articulações, principalmente dos membros inferiores, e te ajudar no equilíbrio, já que há um desequilíbrio pelo próprio envelhecimento, tanto desequilíbrio dinâmico e estático”, complementa o ortopedista.

Na cozinha e lavanderia, a altura dos armários e varais deve permitir que os idosos não precisem se inclinar excessivamente, evitando assim lesões. Cadeiras com quatro pernas são preferíveis a banquetas para evitar desequilíbrios.

Além disso, as tomadas devem estar em alturas acessíveis, prevenindo posturas desconfortáveis que possam resultar em quedas. Essas adaptações são fundamentais para garantir a segurança e a qualidade de vida dos idosos. 



Cleber Furlan - Médico ortopedista há mais de 20 anos, o Dr. Cleber Furlan é também Mestre em Ciências da Saúde pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e Doutorando em Cirurgia pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Furlan é especialista em Cirurgia do Quadril, bem como membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Quadril.
https://www.cleberfurlanmedicina.com.br

 

Lipedema: alimentação à base de verduras verde-escuras e frutas vermelhas podem auxiliar no tratamento da doença

"Precisamos voltar a olhar o ser humano como um todo, abranger cada vez mais os tratamentos multidisciplinares para alcançar melhores resultados e devolver saúde em alto grau aos nossos pacientes", revela especialista

 

O lipedema é uma doença crônica e progressiva que afeta, sobretudo, as mulheres. É caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea, geralmente, nas pernas e quadris, causando dor, sensibilidade e inchaço.

Apesar de comum, a doença ainda é pouco diagnosticada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge cerca de 12% das mulheres brasileiras e foi causa de aproximadamente 245 procedimentos cirúrgicos no país.

Pacientes com lipedema costumam apresentar dificuldades em perder gordura localizada com dieta e exercícios convencionais.  Neste sentido, a alimentação desempenha um papel muito importante no manejo dos sintomas, contribuindo para reduzir a inflamação e promover um melhor funcionamento do sistema linfático.

A Dra. Silvana Osorio, dermatologista e proprietária da Casa Glow Up, orienta seguir uma dieta mais específica para auxiliar no tratamento da doença:


Quais alimentos devem ser consumidos?

A dieta anti-inflamatória é, sem dúvida, a mais recomendada para o lipedema. A alimentação baseada em verduras verde-escuras como, por exemplo, couve e espinafre são extremamente recomendadas. Além disso, frutos do mar, azeite de oliva, castanhas, amêndoas e chia, são alimentos eficazes no controle da inflamação e podem colaborar para uma pele com mais brilho e viço.

As frutas vermelhas são indicadas porque possuem alto poder antioxidante, diminuindo toda a resposta inflamatória. A cúrcuma é também um excelente aliado no processo inflamatório, melhora a fibrose deixando a pele mais bonita.


Quais alimentos devem ser evitados?

Alguns alimentos processados e com alto índice glicêmico como carboidratos refinados, refrigerantes, doces em geral, acabam aumentando a glicose sanguínea e, com isso, gerando inflamação no organismo como um todo – o que reflete no tecido gorduroso, que quando inflamado, a logo prazo, gera fibrose, e pode ocasionar irregularidades na pele.

Recomenda-se evitar alimentos processados, como os farináceos (à base de farinha), a exemplo dos biscoitos. Bebidas alcoólicas têm alto poder inflamatório e não devem ser consumidas. Quanto mais natural, mais benéfica é a alimentação.

O sal também é outro vilão. O consumo em excesso pode contribuir ainda mais para a piora do quadro clínico, ou seja, o aumento da retenção líquida no lipedema, o que acarreta a piora das fibroses e, consequentemente, a sensação de peso. O ideal é consumir sal em doses bem reduzidas.

Carboidratos, principalmente, os refinados são contraindicados para quem tem lipedema. O consumo desses alimentos deve ser realizado de forma bem controlada e, preferencialmente, associado ao tratamento medicamentoso e suplementação específica e individualizada, a fim de se evitar a progressão da doença tanto na parte funcional quanto na parte estética.  


Alimentação equilibrada e qualidade de vida

“A pele é nosso maior órgão e está intimamente ligada à saúde do nosso organismo com um todo. Não existe pele saudável, bonita, viçosa em um organismo doente. Precisamos voltar a olhar o ser humano como um todo, abranger cada vez mais os tratamentos multidisciplinares para alcançar melhores resultados e devolver saúde em alto grau aos nossos pacientes”, revela a Dra. Silvana.

Como o lipedema é uma doença causada pela inflamação do tecido adiposo, existe uma relação direta com o intestino e com a alimentação.  A condição exige acompanhamento médico especifico, bem como estratégias de acordo com o grau da doença para a melhora clínica de modo geral.

 

Dra. Silvana Osorio - Médica dermatologista. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Possui mais de 20 anos de carreira. Proprietária da clínica boutique Casa Glow Up. https://www.instagram.com/drasilvanaosorio/ CRM – 14958 /RQE 10082


Pesquisa TeleHelp revela os maiores medos das pessoas idosas que vivem sozinhas

Apesar do medo das quedas, presente em 62% dos depoimentos, há uma grande valorização da autonomia e do envelhecimento em casa (67%)

 

O envelhecimento acelerado da população brasileira coloca em evidência a necessidade de garantir a independência e segurança dos idosos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, até 2060, cerca de 25% da população brasileira terá 65 anos ou mais. Nesse contexto, a TeleHelp, empresa especializada em teleassistência para idosos, realizou uma pesquisa com cerca de 45% de sua base (6 mil idosos) para entender os principais medos enfrentados por aqueles que vivem sozinhos. Os entrevistados têm de 60 a 90 anos, 85% são mulheres e 15% homens de todo o país, com maior incidência no Sudeste. 

De acordo com o levantamento, os maiores temores dos idosos incluem o medo de quedas (62% dos entrevistados), a incapacidade de pedir ajuda em emergências (49%) e a sensação crescente de isolamento (25%). Além disso, 22% dos entrevistados disseram que têm medo de perder a autonomia e de dar trabalho para a família, preferindo enfrentar os desafios de morar sozinhos. "Esses medos refletem as vulnerabilidades que vêm com a idade e reforçam a importância de um lar adaptado para minimizar riscos", destaca José Carlos Vasconcellos, fundador da TeleHelp. 

A permanência no próprio lar, conhecida como aging in place, tem mostrado resultados positivos para o bem-estar físico e mental dos idosos. O novo estudo também identificou que envelhecer no ambiente familiar traz uma série de vantagens. Cerca de 67% dos entrevistados consideram a manutenção da independência como a maior vantagem de envelhecer em casa. Além disso, 56% afirmaram que estar em sua própria casa gera uma sensação de segurança emocional maior, enquanto 45% disseram que a convivência com vizinhos e a comunidade local reduz a solidão. Outros 35% relataram que viver em um ambiente conhecido diminui o risco de depressão e ansiedade, enquanto 18% dos idosos afirmaram que é financeiramente mais vantajoso viver em casa do que em uma instituição de longa permanência.

Para garantir que o lar seja seguro e favoreça a autonomia, algumas adaptações simples são essenciais. A instalação de barras de apoio em banheiros e corredores, uma iluminação adequada em áreas de circulação e a remoção de tapetes soltos são medidas que ajudam a prevenir acidentes. Além disso, a escolha de móveis com cantos arredondados e em alturas acessíveis também pode minimizar riscos. 

A teleassistência é outro recurso fundamental para a segurança dos idosos. Com essa tecnologia, os idosos podem solicitar ajuda de forma rápida e fácil em situações de emergência, como quedas ou mal-estar súbito, proporcionando uma rede de apoio essencial. 

"Em um país que envelhece rapidamente, é crucial que a sociedade, as famílias e os próprios idosos estejam preparados para essa nova realidade, garantindo que os anos a mais sejam vividos com qualidade, segurança e independência", conclui Vasconcellos.

 

Pilates é exercício preventivo para o câncer de mama e ajuda a restaurar a confiança e autoestima de quem já teve a doença

 

Com exercícios adaptáveis, a prática fortalece o corpo, reduz a fadiga, melhora o bem-estar psicossocial e também a qualidade de vida das mulheres

 

 

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer maligno mais incidente no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. São 74 mil casos novos previstos por ano até 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), sendo que as regiões mais afetadas pela doença são a Sul e Sudeste. Diversos fatores podem colaborar para o desenvolvimento da doença, como histórico familiar; falta de atividades físicas; consumo de bebidas alcoólicas, alimentos processados e ultra processados; uso de contraceptivos hormonais e outros, principalmente em pessoas acima de cinquenta anos. Por isso, é preciso se prevenir: recomenda-se a prática de atividades físicas; entre elas, o pilates.

 

“Dois dos principais fatores que podem elevar o risco da doença são a obesidade e o sobrepeso. Especialmente após a menopausa, eles podem aumentar significativamente o risco de desenvolver câncer de mama. Portanto, manter um peso equilibrado e uma rotina ativa de exercícios são passos essenciais para a prevenção. Como uma atividade que proporciona condicionamento físico, o pilates tem impacto positivo na produção hormonal do corpo, ajudando a equilibrar os níveis de progesterona e estrogênio, hormônios que desempenham papeis importantes na saúde das mamas. O exercício físico também aumenta a produção de globulina ligadora de hormônios sexuais, uma proteína que transporta esses hormônios no sangue e diminui a inflamação e o inchaço no corpo, por estimular a circulação”, explica a educadora física Letícia Marchetto, proprietária do studio Let’s Pilates, que fica no bairro Paraíso, em São Paulo.

Letícia Marchetto praticando pilates.

Para Letícia, ao integrar uma atividade física como o pilates à rotina, mais do que se exercitar, o indivíduo estará contribuindo ativamente para a própria saúde e bem-estar. “A pessoa está focando no que pode controlar: as próprias escolhas e estilo de vida”. Caso a paciente já tenha sido diagnosticada com o câncer de mama, a atividade também é altamente recomendada, tanto para ajudar na recuperação muscular quanto para evitar a reincidência da doença. “Quem vai determinar a liberação para atividades físicas é o médico, avaliando as particularidades de cada paciente e tratamento. Mas, de modo geral, a prática de atividades físicas apresenta evidências altas de ser segura e tolerável, sendo recomendada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica”, comenta a especialista. 

Um artigo chamado “Fadiga relacionada ao câncer: uma revisão”, da Revista da Associação Médica Brasileira, mostrou que a fadiga relacionada ao câncer é reportada por 50% a 90% dos pacientes em tratamento ou em recuperação, em especial naqueles que realizam quimioterapia e radioterapia. O estudo também aponta que esse pode ser um sintoma que persiste por meses ou anos após o tratamento: um terço dos pacientes já curados apresentavam fadiga por até cinco anos depois do fim da doença. Além de impactar a qualidade de vida, essa condição diminui a capacidade funcional diária do indivíduo, até para realizar tarefas simples do dia a dia. Por isso, praticar pilates durante o tratamento é tão importante para a recuperação muscular. “Muitas mulheres relatam uma significativa perda de força e mobilidade na parte superior do corpo. Entre os efeitos adversos há ganho de peso, a atrofia muscular, o surgimento de cicatrizes, dor, fadiga, inchaço e rigidez. Além disso, alguns medicamentos e a quimioterapia podem precipitar o início da menopausa, além de contribuir para a perda óssea e o desenvolvimento de osteoporose”, indica Letícia Marchetto, sugerindo que, como o pilates permite alto grau de adaptação e individualização dos exercícios, ele atende a todas as fases de reabilitação da mulher. 


Segundo ela, a escolha certa da atividade física é fundamental para a segurança do paciente, principalmente pensando na possibilidade de fraturas e quedas. Por este motivo, atividades físicas de contato, como futebol, basquetebol e handebol são, em geral, contra indicadas. Pela falta de impacto, Letícia avalia que exercícios aquáticos podem surtir nenhum ou pequenos efeitos na densidade óssea e, por isso, não devem ser a única atividade escolhida. “Caso o paciente queira realizar uma atividade na água, é preciso considerar junto com ela exercícios físicos de força, como musculação e pilates. O próprio trabalho muscular desses exercícios tem capacidade para gerar o impacto necessário e aumentar a massa óssea. Depois, é possível fazer inserções progressivas de exercícios de impacto, como caminhadas e corridas. Antes de começar, o instrutor fica responsável por considerar o momento do tratamento ao sugerir as atividades”, sugere a especialista. 


A especialista explica que o movimento regular ajuda a evitar o comprometimento funcional, garantindo que as pacientes se sintam mais fortes e capazes em seu dia a dia. “A atividade física também está ligada à diminuição da dor, melhora da função cognitiva e sexual, e redução da cardiotoxicidade, contribuindo para a saúde cardiovascular. O controle de peso e a preservação da massa muscular também são aspectos essenciais para aquelas que enfrentam o desafio do câncer”, comenta, citando que os efeitos trazidos pelo câncer de mama para a saúde da mulher aparecem na saúde do corpo, mas não só nisso, pois os reflexos também são percebidos na autoestima.


“Com enfoque no fortalecimento e na mobilização do corpo de maneira integral, o pilates não apenas ajuda a restaurar a força da parte superior, mas também promove uma conexão profunda com a força do core, o alinhamento postural e o equilíbrio geral do corpo. Essa abordagem holística é perfeita para combater os efeitos colaterais da doença. Porém, ao considerar o pilates como parte do processo de recuperação, a mulher também estará cultivando um espaço para o bem-estar e a autoconfiança. A prática é uma aliada poderosa na superação dos desafios que surgem após o tratamento, trazendo de volta leveza e vitalidade ao dia a dia. Ela oferece um ambiente seguro e encorajador, onde as pacientes podem explorar seus limites de forma gradual e consciente”.

 

“Sabemos que receber um diagnóstico de câncer pode abalar o paciente, amigos e familiares. Mas é fundamental lembrar que a prática de atividades físicas é uma aliada poderosa na jornada de cura. Também é essencial o apoio e incentivo da família, profissionais da saúde e rede de apoio para estimular a motivação e a adesão a uma rotina de exercícios neste momento delicado”, finaliza Letícia Marchetto.


 

Inspiração no Pilates: a história de Eve Gentry

 

Imagine enfrentar um desafio tão grande que parece impossível superá-lo. Essa foi a realidade de Eve Gentry, uma das pioneiras do Pilates, que, em 1955, passou por uma mastectomia radical. Naquela época, a cirurgia não se limitava a remover o seio, mas também o músculo peitoral, deixando-a sem a capacidade de levantar os braços.

 

Contudo, a força de vontade de Eve e a determinação em se reerguer foram mais fortes que qualquer obstáculo. Após um ano de dedicação ao método criado por Joseph Pilates, ela não apenas recuperou a mobilidade, mas também voltou a executar exercícios avançados, reafirmando sua paixão pela dança e pelo movimento.

 

Nascida em 20 de agosto de 1909 e falecida em 17 de junho de 1994, Eve Gentry era uma coreógrafa talentosa, professora de dança e, acima de tudo, uma curadora do corpo e da mente. Como uma das primeiras professoras a trabalhar diretamente com Joseph Pilates, sua trajetória é um exemplo inspirador de resiliência e transformação. Ela nos lembra que, independentemente das adversidades, a busca pela saúde e pelo bem-estar pode nos levar a conquistas extraordinárias.

A jornada de Eve não apenas a ajudou a superar suas limitações físicas, mas também a moldou como uma educadora apaixonada pelo poder do movimento. Sua história e legado vivem através de suas ensinanças, inspirando novas gerações a abraçar o Pilates como uma ferramenta de cura e empoderamento. Uma das profissionais mais relevantes a transmitir as mensagens de Eve é Kathy Corey, educadora de instrutores de pilates que é considerada a mestre dos mestres da modalidade. Ela já teve passagens pelo Brasil e, quando vem ao país, tem suas palestras e cursos traduzidos simultaneamente por Letícia Marchetto. 

 

Semaglutida oral demonstra uma redução de 14% no risco de eventos cardiovasculares adversos graves em adultos com diabetes tipo 2 no estudo SOUL

Bagsværd, Dinamarca — A Novo Nordisk anunciou hoje os principais resultados do estudo SOUL sobre desfechos cardiovasculares. O ensaio clínico duplo-cego e randomizado comparou semaglutida oral com placebo como adjuvante ao tratamento padrão para a prevenção de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE). O estudo incluiu 9.650 pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular (DCV) estabelecida e/ou doença renal crônica (DRC). Como parte do tratamento padrão, 49% dos pacientes receberam inibidores de SGLT2 em algum momento do estudo. 

O estudo atingiu seu objetivo primário ao demonstrar uma redução estatisticamente significativa e superior de 14% em MACE para as pessoas tratadas com semaglutida oral em comparação com o placebo¹. O desfecho primário do estudo foi definido como o desfecho composto da primeira ocorrência de MACE, definido como morte cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal ou acidente vascular cerebral não fatal. Os três componentes do desfecho primário contribuíram para a redução superior de MACE demonstrada pela semaglutida oral. 

No estudo, a semaglutida oral apresentou um perfil de segurança e tolerabilidade consistente com estudos anteriores de semaglutida oral. “Estamos satisfeitos em ver que os resultados do estudo SOUL demonstram que a semaglutida oral reduz o risco de eventos cardiovasculares e que os benefícios da semaglutida oral se somam ao tratamento padrão”, disse Martin Holst Lange, vice-presidente executivo e chefe de Desenvolvimento da Novo Nordisk. “Aproximadamente um em cada três adultos com diabetes tipo 2 também tem doença cardiovascular; por isso, é crucial ter terapias que possam tratar ambas as condições.” 

Nesse contexto, vale destacar que desde agosto está disponível no Brasil o Wegovy® (semaglutida 2,4 mg), o primeiro e único análogo semanal do GLP-1 aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar pessoas que vivem com obesidade e sobrepeso com ao menos uma comorbidade relacionada ao peso¹. Pesquisas clínicas comprovaram que, além da redução média de 17% do peso — sendo que um terço dos pacientes apresenta redução superior a 20% —, a molécula também diminui em 20% o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) ¹. Também já foi comprovado que a redução no risco de MACE ocorre independentemente do grau de perda de peso alcançada3, assim como a redução e manutenção do peso por até 4 anos3, com relação positiva de risco-benefício e perfil de segurança consistente3. 

A Novo Nordisk espera solicitar a aprovação regulatória de uma expansão de indicação para o Rybelsus®️ nos EUA e na UE por volta do final do ano. Os resultados detalhados do estudo SOUL serão apresentados em uma conferência científica em 2025. 

 

Sobre o estudo SOUL

O SOUL foi um estudo multicêntrico, internacional, randomizado, duplo-cego, com grupos paralelos, controlado por placebo, de fase 3, com 9.650 pessoas inscritas. Foi conduzido para avaliar o efeito da semaglutida oral em comparação com o placebo sobre os desfechos cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular (DCV) estabelecida e/ou doença renal crônica (DRC). O estudo SOUL foi iniciado em 2019.

O principal objetivo do SOUL foi demonstrar que a semaglutida oral reduz o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores (um desfecho composto por morte cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal e acidente vascular cerebral não fatal) em comparação com o placebo, ambos adicionados ao tratamento padrão em pacientes com diabetes tipo 2 e DCV e/ou DRC estabelecida.

 

Sobre o Rybelsus®️

A semaglutida oral é administrada uma vez ao dia e está aprovada para uso em três doses, 3 mg, 7 mg e 14 mg, sob a marca Rybelsus®️. É indicada para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado para melhorar o controle glicêmico como adjuvante à dieta e ao exercício. Na UE, uma nova formulação com doses de 1,5 mg, 4 mg e 9 mg do Rybelsus®️ foi aprovada e é bioequivalente à formulação original do Rybelsus®️.

 

Sobre o Wegovy® (semaglutida 2,4 mg)

Trata-se do primeiro e único tratamento para obesidade com benefício, proteção cardiovascular e segurança comprovados, além de ser, no País, o primeiro e único análogo semanal do GLP-1 aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar adultos e crianças a partir de 12 anos que vivem com obesidade e sobrepeso com ao menos uma comorbidade relacionada ao peso1.

Todos os produtos da Novo Nordisk da classe GLP-1 são tarja vermelha e por isso só podem ser vendidos sob prescrição médica.

 


Novo Nordisk
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Referências

1. Lincoff AM, Brown-Frandsen K, Colhoun HM, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023; 389:2221-2232.

2. Ficha técnica de Wegovy®: Link.

3. [Placeholder for ECO 2024 abstract: Relevance of Body Weight and Weight Change on Cardiovascular Benefit with Semaglutide: A Pre-specified Analysis of the SELECT Trial].


Câncer: como lidar com o impacto financeiro e psicológico da doença?

divulgação


O câncer é a segunda doença que mais mata no mudo, com cerca de 9,6 milhões de mortes anuais. Já o câncer de mama é o mais incidente, atingindo 10,5% da população


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 704 mil novos casos anuais de câncer entre 2023 e 2025. Em outro recorte, foram estimados 73,6 mil casos novos de câncer de mama em 2024, com uma estimativa de risco de 66,54 casos a cada 100 mil mulheres. No entanto, a doença não ocorre apenas entre elas; cerca de 1% dos casos também pode atingir homens. 

Antônio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade MAG, reforça que, considerando o contexto, é importante ter um planejamento financeiro que considere a possibilidade de surgimento de condições que possam requerer a interrupção temporária da vida laboral, como o câncer. E, se possível, a contratação de uma proteção financeira para cobrir essa perda temporária de renda. 

“É fundamental buscar o apoio da família e dos amigos. Eles podem estar dispostos a ajudar financeiramente ou até mesmo organizar eventos para arrecadar fundos. Participar de grupos de apoio pode proporcionar não só suporte emocional, mas também informações valiosas sobre recursos financeiros disponíveis”, complementa.

Um estudo denominado "Quanto custa o câncer?", da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), revela os custos crescentes no tratamento do câncer no Brasil. Em 2022, foram gastos quase R$4 bilhões no tratamento oncológico, com 77% destinados ao tratamento ambulatorial, 13% às cirurgias e 10% às internações. A pesquisa revela que entre 2018 e 2022, houve um aumento de 402% nas despesas de tratamentos. 

Os custos da quimioterapia para o câncer de mama variam conforme a progressão da doença, afetando diretamente os cofres públicos federais. No estágio inicial, sem comprometimento linfático, o tratamento é relativamente acessível, mas os valores aumentam à medida que a doença avança. Em casos mais complexos, os custos chegam a R$401,54 e, com metástase, alcançam R$809,56. Essa variação de valores reflete a complexidade e a gravidade de cada fase da doença, evidenciando o impacto financeiro do sistema de saúde.

 

Instituto de Longevidade MAG


CONGELAMENTO DE ÓVULOS: UMA NOVA REALIDADE NO BRASIL

A técnica evoluiu e os custos diminuíram. Hoje, é possível realizar o procedimento por menos de 10 mil reais em várias regiões do Brasil.
 

Com o aumento do número de mulheres optando por engravidar mais tarde, seja por questões de carreira, independência ou planejamento pessoal, o congelamento de óvulos se torna uma alternativa cada vez mais procurada, considerando ainda que a idade da mulher é um fator crucial, já que a qualidade dos óvulos diminui após os 35 anos. Por isso, muitas mulheres tem buscado esse procedimento para garantir liberdade de escolha no futuro, permitindo que possam ter filhos biológicos de forma natural em momentos mais adequados às suas vidas.

Historicamente, os procedimentos de reprodução assistida foram considerados muito caros e, por isso, inacessíveis a uma grande parte da população. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), muitos ainda acreditam que o congelamento de óvulos custa entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. No entanto, com a Engravida, essa realidade começou a mudar. A rede, com oito clínicas em diversas regiões do Brasil e com planos de expansão para 2025, tem o compromisso de tornar esses procedimentos financeiramente acessíveis, com o valor vigente, neste ano, abaixo de R$ 10 mil.
 

“Por mais que os procedimentos estejam crescendo, ainda há muitas mulheres com desejo de realizar o procedimento, mas com receio do valor. Muita gente ainda vê o congelamento de óvulos como inacessível, e foi assim por muitos anos. Foi após vivenciar o processo para ter meu segundo filho que decidi fundar a Clínica Engravida, há 16 anos, com a proposta de mudar essa realidade”, explica Fábio Liberman, CEO e fundador da Engravida. 

Além da questão financeira, muitos casais enfrentam barreiras logísticas para acessar o tratamento. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com apenas 11 clínicas públicas, e as filas de espera podem chegar a dois anos, priorizando mulheres com risco de infertilidade. 

Com um custo mais acessível, a Engravida tem contribuído para a realização do sonho de muitas famílias, ajudando a trazer ao mundo mais de 6 mil bebês nos últimos anos. “Realizar esses procedimentos pode ser uma forma de garantir um futuro com mais possibilidades, sem comprometer financeiramente o presente. Isso precisa ser um direito de todo cidadão”, reforça Liberman.

 

Liberdade de escolha para a mulher

Ao optar pelo congelamento de óvulos, as mulheres mantêm a possibilidade de ter filhos mais tarde, evitando a pressão do relógio biológico. Como afirma a influenciadora Paula Barbosa, de 40 anos: “Sempre priorizei minha carreira e tenho uma vida muito corrida. Quero ter a liberdade de escolha no futuro. Congelar óvulos me dá essa possibilidade.” 

Especialistas destacam que, depois dos 35 anos, as chances de engravidar diminuem drasticamente, mas poucas mulheres conversam sobre esse tema. O sucesso do congelamento de óvulos tem melhorado com os avanços tecnológicos, e estudos mostram que a taxa de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento e a taxa de gravidez bem-sucedida são cada vez mais favoráveis, especialmente quando o congelamento é realizado antes dos 35 anos. 

“Não é sobre ter pressa ou pressão para decidir agora, mas sim sobre dar a si mesma a chance de escolher no futuro. É sobre manter as portas abertas e ter a liberdade de decidir quando for o momento certo para você”, conclui Paula. 

Com uma visão voltada para o planejamento e a liberdade de escolha no futuro, Liberman afirma: “É como fazer um seguro da fertilidade. Quem congela óvulos não precisa decidir imediatamente se deseja ter filhos, pois isso não é uma decisão simples; trata-se de ter opções para o futuro.” 



Engravida
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Aceitação Alimentar: estratégias para ajudar crianças a experimentarem novos alimentos

Quando a recusa por certos alimentos vai além do ‘gosto ou não gosto’ e pode prejudicar o desenvolvimento infantil.


A alimentação infantil é uma das preocupações constantes dos pais, especialmente quando a criança demonstra seletividade alimentar. Esse comportamento ocorre quando há uma recusa frequente ou desinteresse por certos alimentos, muitas vezes relacionado a fatores como textura, cor, temperatura ou até o cheiro do alimento. "É comum que a criança aceite apenas alimentos específicos, como macarrão ou batata frita, e recuse outros, como frutas ou legumes, o que pode gerar preocupações nutricionais e emocionais a longo prazo", explica a fonoaudióloga Carla Deliberato, especialista em motricidade oral com enfoque em alimentação.

A seletividade alimentar caracteriza-se pela escolha restrita de alimentos, onde a criança aceita apenas alguns itens e rejeita outros de forma persistente. Segundo Carla, esse comportamento pode impactar a vida social e emocional da criança, especialmente se ela não consegue se alimentar fora de casa ou quando rejeita alimentos preparados por outras pessoas. "Os pais devem ficar atentos se as refeições se tornam momentos de estresse e desconforto para todos, e se a criança apresenta sinais como náuseas, vômitos, engasgos ou recusa de alimentos de determinadas texturas ou cheiros", alerta.

Sinais de alerta: quando procurar um fonoaudiólogo? Alguns comportamentos podem indicar que a seletividade alimentar está mais grave do que um simples "gosto ou não gosto". Carla Deliberato sugere que os pais procurem um fonoaudiólogo especializado quando observarem que a criança:

  • Recusa a maioria das refeições;
  • Apresenta náuseas, vômitos ou engasgos frequentes durante a alimentação;
  • Aceita apenas uma textura ou consistência de alimento, como purês, por exemplo;
  • Prefere comer fora da mesa, andando ou posicionada em outros locais;
  • Faz caretas ou se incomoda com o cheiro dos alimentos.

Diversos fatores podem contribuir para a seletividade alimentar, desde neofobia, um período transitório entre os 2 e 5 anos, até questões sensoriais mais profundas, como uma desordem de processamento sensorial. Carla explica que a seletividade pode ser mais comum em crianças que já apresentam algum histórico de doenças gastrointestinais ou problemas de desenvolvimento.

Por que as crianças preferem macarrão? "Comer é um ato aprendido", destaca Carla. "Muitas crianças preferem alimentos como macarrão pela textura macia e pelo fato de exigirem menos esforço mastigatório". A fonoaudióloga reforça a importância de que as refeições ocorram de forma tranquila, e que os pais sirvam de modelo positivo, comendo os mesmos alimentos que desejam que os filhos aceitem.

Carla Deliberato lista cinco estratégias que os pais podem adotar:

  • Incentivar a criança a explorar os alimentos com todos os sentidos, permitindo que ela toque, cheire e até lamba novos alimentos.
  • Envolver a criança no preparo das refeições, desde a escolha dos ingredientes até a preparação, o que aumenta a curiosidade e a disposição para provar novos sabores.
  • Promover a autonomia, permitindo que a criança se sirva durante as refeições.
  • Realizar refeições em família para que a criança observe os adultos e se interesse por alimentos diferentes.
  • Evitar distrações como tablets ou televisores durante as refeições, para que a criança foque no momento e nos alimentos.

A fonoaudiologia é fundamental para a avaliação e tratamento de distúrbios relacionados à alimentação, pois o fonoaudiólogo é capacitado para analisar as funções sensório-motoras orais, como mastigação e deglutição.

"Muitas vezes, a criança pode estar rejeitando certos alimentos, como carnes, porque tem dificuldades em mastigar", esclarece Carla. "Nesses casos, o tratamento envolve adequar essas funções para proporcionar maior conforto e confiança durante a alimentação".

Em muitos casos, o trabalho com a seletividade alimentar exige a colaboração de outros profissionais, como terapeutas ocupacionais, nutricionistas, pediatras e gastropediatras. "Cada caso é único e deve ser avaliado criteriosamente para definir o melhor plano de intervenção", finaliza Carla Deliberato.


Carla Cristina Ribeiro Deliberato-CRFa:2-13919 - Fonoaudióloga graduada pela PUC-SP (2003). Especialização em Motricidade oral com enfoque em disfagia (CEPEF- SP). Atuação fonoaudiológica em motricidade oral com ênfase em alimentação infantil (disfagia, recusa e seletividade alimentar) -Formação internacional nas abordagens: "Assessment and Treatment Using the SOS Approach to Feeding", ministrado por Kay A. Toomey e Erin S. Ross e “Feeding The Whole Child A Mealtime Approach” ministrado por Suzanne Evans Morris. Idealizadora e proprietária
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Queda de Lula chama atenção para os riscos de traumatismo craniano em idosos

Especialista alerta sobre cuidados e prevenção de quedas domésticas

 

No último sábado (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda no Palácio da Alvorada, resultando em um ferimento na parte de trás da cabeça. O acidente ocorreu após Lula escorregar no banheiro, um local de frequentes incidentes desse tipo, especialmente em idosos. Embora tenha passado por exames no hospital Sírio-Libanês e sido liberado sem complicações mais graves, o caso chama atenção para a importância de se prevenir traumas cranianos, especialmente em pessoas com mais de 70 anos. 

De acordo com o neurocirurgião e docente do Instituto de Educação Médica (IDOMED), Dr. Saulo Teixeira, quedas como a do presidente são comuns e podem levar a traumatismos cranioencefálicos, um tipo de lesão que pode causar danos ao cérebro. “Uma queda como a do presidente Lula, é uma das principais causas de traumatismo craniano, principalmente em pacientes idosos. Isso ocorre porque, com o envelhecimento, o cérebro tende a sofrer atrofia, tornando as lesões intracranianas mais frequentes, como o hematoma subdural”, explicou o especialista. 

O hematoma subdural é um sangramento na superfície do cérebro que, em casos de pacientes mais velhos, pode ocorrer mesmo com traumas leves. Segundo o Dr. Saulo, “fatores como a atrofia cerebral, o uso de medicamentos anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, além de quedas, aumentam significativamente o risco dessas lesões.” 

Para evitar acidentes domésticos, ele reforça a importância de medidas preventivas, como instalar barras de apoio em banheiros, usar tapetes antiderrapantes e estar atento ao uso de medicamentos que podem baixar a pressão e causar tonturas. “O fortalecimento muscular também é essencial, pois ajuda a evitar quedas ou minimizar o impacto delas”, completa.


Exames de imagem incorporam novas tecnologias e contribuem para diagnóstico preciso e tratamento eficaz na saúde

Desenvolvimento de equipamentos modernos permite avanços na medicina e na odontologia


A evolução na área da saúde está diretamente ligada aos avanços tecnológicos que permitam mais agilidade e precisão para profissionais e mais conforto e segurança para pacientes. Exames de imagem de alta resolução, equipamentos cada vez mais compactos e técnicas inovadoras são formas de identificar doenças ou necessidades de intervenção de maneira mais rápida e contribuem para tratamentos mais eficazes. E com a chegada da Inteligência Artificial (IA), esse processo foi acelerado. 

Uma das especialidades que mais utiliza exames de imagem é a ortopedia. A ressonância magnética, por exemplo, é uma grande aliada no diagnóstico das patologias ortopédicas, e é um exame que se popularizou nas últimas duas décadas. Ela permitiu ao médico ter muito mais informação a respeito do paciente, quando comparada com o raio X ou a tomografia, por exemplo. A ressonância é um exame não invasivo, de bastante precisão, que avalia órgãos, tecidos e o sistema esquelético, produzindo imagens de alta resolução do corpo humano. 

O ortopedista do Hospital São Marcelino Champagnat, Antônio Krieger, explica que a IA tem auxiliado muito na avaliação de exames de imagem, permitindo ao médico maior precisão e eficiência na interpretação. “O artigo Practical Applications of Artificial Intelligence in Spine Imaging demonstra que o uso da IA facilita a identificação das estruturas anatômicas nos exames de imagem, além de potencializar a reconstrução de imagens em 3D, com melhora da qualidade e menor dose de radiação. A IA também auxilia no diagnóstico mais preciso de degeneração, infecção, inflamação, trauma, metástases e deformidade da coluna. É um avanço muito grande para os profissionais e é um cenário muito favorável para os pacientes, que cada vez mais recebem respostas mais rápidas para seus problemas”, avalia o ortopedista.


Digitalização na odontologia

Considerada uma das mais antigas profissões na área da saúde, a odontologia também tem se atualizado e encontrado soluções tecnológicas que beneficiam profissionais e pacientes. Com recursos avançados, como escaneamento intraoral e planejamentos digitais, a transformação digital chegou com tudo à cadeira dos dentistas e vem proporcionando mais precisão, eficiência e conveniência nos tratamentos odontológicos.

“Todo esse fluxo digital, que inicia no escaneamento, com os scanners intraorais, e depois segue para o design, planejamento e execução de um tratamento, torna possível oferecer aquilo que os pacientes mais buscam quando vão ao dentista, o conforto nos tratamentos”, explica o dentista e diretor de Novos Produtos e Práticas Clínicas da Neodent, Sergio Bernardes. Os scanners têm a capacidade de fazer diagnósticos com alta precisão e, em tratamentos, a odontologia digital permite fazer planejamentos mais rápidos, tendo um papel importante na criação de modelos digitais precisos dos dentes, podendo substituir a moldagem convencional, processo muitas vezes incômodo, e exibindo a imagem em 3D com clareza para o paciente. 

Um modelo de scanner recém-lançado é o STRAUMANN SIRIOSTM, que oferece alta precisão e pesa apenas 245g, o que impacta diretamente na rotina dos dentistas, ao proporcionar a realização do procedimento com menos esforço e reduzindo a fadiga com o uso prolongado. O equipamento é sem fios e permite um escaneamento de arcada completa em menos de 20 segundos, com captura de dados de alta qualidade e visualização em tempo real.

Complementar ao scanner, o planejamento digital também facilita o processo, sendo possível simular virtualmente o resultado final e mostrá-lo ao paciente já na primeira consulta, antes mesmo do tratamento. Essa facilidade auxilia na tomada de decisões sobre os procedimentos, nos ajustes e na otimização do plano de tratamento. O resultado disso são processos mais eficientes, menos tempo no consultório e maior satisfação do paciente.

 

Neodent


Terapia gênica aliada a cuidados multidisciplinares potencializa benefícios aos pacientes

 Em doenças genéticas raras, o tratamento combinado a fisioterapia é essencial para o progresso motor

A A terapia gênica vem ganhando destaque como uma abordagem inovadora capaz de modificar o curso natural de doenças genéticas, multifatoriais e até mesmo alguns cânceres. Essa opção terapêutica visa corrigir problemas causados por genes defeituosos, seja substituindo o gene defeituoso por um gene saudável, corrigindo diretamente o gene defeituoso ou desativando um gene que está causando problemas.1 No entanto, para que o potencial dessa terapia seja plenamente realizado, é crucial que ela seja associada a cuidados multidisciplinares, principalmente em casos de doenças genéticas raras. Um exemplo é a deficiência da descarboxilase de L-aminoácidos aromáticos (deficiência de AADC), cuja combinação entre a terapia gênica e a fisioterapia tem mostrado grandes ganhos motores, como o desenvolvimento da marcha.

A A deficiência de AADC é um distúrbio genético que afeta a comunicação entre as células do sistema nervoso devido à falta ou baixa produção de neurotransmissores essenciais, impactando funções como coordenação motora, controle da dor, comportamento e fluxo sanguíneo. Os sintomas, que podem surgir nos primeiros meses de vida, incluem hipotonia (diminuição do tônus muscular), atraso no desenvolvimento, crises oculogíricas (movimentos oculares involuntários), convulsões e outros movimentos involuntários.2,3,4 "Nos primeiros meses, já podemos notar alguns sinais, como a hipotonia, que deixa a criança mais 'molinha', e atrasos no desenvolvimento motor, como a incapacidade de firmar a cabeça ou rolar", explica Maria Angélica Zanquetta, fisioterapeuta especialista em neurologia infantil.
 

DDe acordo com a especialista, a terapia gênica faz com que os neurotransmissores passem a ser produzidos, porém, devido à hipotonia, a criança ainda não passou pelos marcos do desenvolvimento, rolar, engatinhar e andar. “É nesse momento que a fisioterapia se torna essencial para garantir esses progressos motores”, explica a especialista.
 

AA fisioterapia intensiva, caracterizada pela alta duração e intensidade, tem sido utilizada para promover ganhos rápidos de habilidades em pacientes que receberam terapia gênica para o tratamento da deficiência de AADC. “O protocolo que seguimos envolve um mês de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia diárias, com sessões de três a quatro horas. Após esse período, é feito um intervalo de dois meses. A partir desses diferentes estímulos, a criança aprende coordenações motoras básicas que não haviam sido adquiridas ou estavam estagnadas, como sentar-se, andar, engolir, mastigar e falar”, afirma.
 

UUm exemplo que ilustra os benefícios dessa combinação é a história da família Poulin. A filha do casal, diagnosticada com deficiência de AADC, recebeu terapia gênica aliada a um intenso acompanhamento, que incluiu fisioterapia e outras terapias de suporte. Assim, em alguns anos, a menina que antes enfrentava grandes desafios motores, de desenvolvimento, além de complicações respiratórias e convulsões, passou a realizar atividades que antes pareciam distantes. Hoje, ela não apenas anda, mas também nada, fala, lê e desempenha de atividades esperadas para a sua idade, mostrando que a combinação de terapia gênica com cuidados adequados pode proporcionar um progresso significativo e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com essa condição rara.5
 

AApesar das evidências quanto aos benefícios gerados, Maria Angélica afirma que há desafios, como tornar a fisioterapia intensiva mais acessível para as pessoas afetadas, bem como de a prática ser mais adotada por outros profissionais. 

EEla alerta ainda que a falta de profissionais de saúde especializados pode levar a orientações incorretas, já que a deficiência de AADC é de difícil diagnóstico, sendo confundida com outras condições, como a paralisia cerebral. “A conscientização dos profissionais é crucial para garantir as melhores práticas. Os fisioterapeutas precisam conhecer a doença para orientar corretamente. Pacientes com a doença devem realizar exercícios com peso moderado, garantindo avanços sem sobrecarga”, explica Zanquetta, que também reforça os benefícios do uso de uma vestimenta ortopédica, composta por colete, calções, joelheiras e sapatos conectados por elásticos ajustáveis. “Esse aparato melhora o controle dos movimentos, a força muscular e a coordenação, proporcionando suporte e resistência que facilitam a fisioterapia de forma eficaz e segura”, completa. 


AADC

 

Referências

[{1. Gonçalves, G. A. R., & Paiva, R. de M. A.. (2017). Gene therapy: advances, challenges and perspectives. Einstein (são Paulo), 15(3), 369–375. https://doi.org/10.1590/S1679-45082017RB4024

[2] Wassenberg T, Molero-Luis M, Jeltsch K, et al. Consensus guideline for the diagnosis and treatment of aromatic l-amino acid decarboxylase (AADC) deficiency. Orphanet J Rare Dis. 2017;12(1):12. doi: 10.1186/s13023-016-0522-z

[3] Hwu WL, Chien YH, Lee NC, et al. Natural history of aromatic L-amino acid decarboxylase deficiency in Taiwan. JIMD Rep. 2018;40:1-6. doi: 10.1007/8904_2017_54.

[4] Lee WT. Disorders of monoamine metabolism: inherited disorders frequently misdiagnosed as epilepsy. Epilepsy & Seizure. 2010;3(1):147-153. https://www.jstage.jst.go.jp/article/eands/3/1/3_1_147/_article/-char/en.

[5] POULIN, Richard E. The Journey of Beautiful Destinations. AADC News, 2022. Disponível em: https://aadcnews.com/the-journey-of-beautiful-destinations-richard-e-poulin-iii/. Acesso em: 29 ago. 2024.

 

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