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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Câncer de mama na gravidez: a luta silenciosa de mães que enfrentam o diagnóstico no momento mais delicado de suas vidas

No Outubro Rosa, histórias de mulheres diagnosticadas com câncer de mama durante a gestação mostram a importância de apoio emocional e familiar para enfrentar esse desafio



Para muitas mulheres, a gravidez é um período de alegria e expectativa. Mas, para algumas, esse momento é marcado por um inesperado diagnóstico de câncer de mama. Foi o que aconteceu com uma mulher de 36 anos, grávida de seu primeiro filho, que recebeu a notícia de que estava com câncer no oitavo mês de gestação. Ela, que optou por não se identificar, compartilhou como essa descoberta inesperada mudou sua trajetória materna.

"Eu estava no banho quando senti um caroço no seio. Meu marido disse que provavelmente era só leite, mas dentro de mim sabia que havia algo errado. Depois de alguns exames, os médicos confirmaram o diagnóstico, mas optaram por esperar até o nascimento do bebê. Quando o meu filho nasceu, veio o choque: eu tinha câncer", conta. 

Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, esse tipo de notícia durante a gestação traz um peso emocional enorme. "O câncer muda completamente a experiência da maternidade. Embora os estudos ainda não indiquem uma prevalência segura, estima-se que uma a cada três mil a dez mil mulheres seja diagnosticada durante a gestação ou no primeiro ano após o parto. Isso afeta tanto a saúde física quanto emocional da mulher, que precisa lidar com questões de identidade, autoestima e a própria maternidade", explica. 

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres no Brasil, com mais de 73 mil novos casos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. “Hoje, vemos uma tendência de mulheres acima dos 30 anos engravidarem, o que, infelizmente, eleva o risco de câncer de mama. O pré-natal é importante não só para a saúde do bebê, mas também para cuidar da mãe", comenta.


A interrupção da amamentação é um luto dentro do luto

Logo após o nascimento de seu filho, com apenas três dias de vida, a mãe teve de enfrentar outro desafio: não poderia amamentar por causa do tratamento. "Eu sonhava em amamentar. Quando me disseram que não seria possível, parecia que eu estava perdendo algo muito importante", desabafa.

A psicóloga perinatal explica que muitas mães se sentem frustradas por não poderem amamentar. "Muitas mães não podem amamentar, seja por causa do câncer, prematuridade ou outros motivos. A relação com o bebê pode ser construída de outras formas. Gestos simples, como o carinho, o olhar e o cuidado diário, são essenciais para criar uma conexão profunda entre mãe e filho". Rafaela Schiavo sugere que, em casos como o diagnóstico após o nascimento, as mães conversem com o bebê e expliquem, de maneira carinhosa, o motivo dessa mudança, para ajudar a criar um ambiente de confiança e afeto.

Durante o tratamento, a mãe relatou que o apoio do marido foi fundamental. "Ele cuidou de mim e do nosso filho como se estivesse no controle de tudo. Foi meu maior suporte. Quando cheguei da minha primeira sessão de quimioterapia e peguei nosso filho no colo, o sorriso dele me deu forças para continuar lutando", conta. 

Rafaela também reforça que ter essa rede de apoio é um pilar importante no processo de recuperação. “Elas precisam de pessoas ao redor que ajudem nas tarefas do dia a dia e ofereçam apoio. Até mesmo o parceiro e os familiares são afetados emocionalmente, e é import

ante que todos tenham um espaço de acolhimento durante esse processo". 

A importância de detectar cedo

A psicóloga perinatal também aponta algumas orientações para as mães lidarem com o diagnóstico durante ou após a gestação: 

  • Realize exames preventivos: Esse é um momento crucial para cuidar da sua saúde. Exames como o ultrassom das mamas e mamografia são opções para detectar qualquer alteração.
  • Fique atenta aos sinais do corpo: Se perceber algo diferente, como um nódulo no seio, procure orientação médica o quanto antes. A detecção precoce aumenta as chances de um tratamento eficaz.
  • Converse sobre o histórico familiar: Se há casos de câncer de mama na sua família, compartilhe essa informação com o seu médico. Isso pode ser importante para que ele acompanhe sua saúde com mais atenção.
  • Busque apoio emocional: Conte com uma rede de apoio formada por familiares, amigos e profissionais de saúde. Não enfrente o câncer sozinha.

Por fim, Rafaela reforça que o pré-natal psicológico pode ser um valioso aliado para ajudar as mulheres nesse período. "O acompanhamento psicológico especializado, principalmente por profissionais perinatais, ajuda essas mães a elaborar o luto, a aceitar o diagnóstico e a criar uma nova relação com seu corpo e sua maternidade", conclui.


Geriatra explica importância da abordagem multidisciplinar nos cuidados paliativos para idosos

 Dr. Marcos Alvinair, do Mater Dei Santa Genoveva, destaca a relevância do papel do geriatra na equipe de cuidados paliativos e o impacto do envolvimento familiar no processo.

 

Os cuidados paliativos têm como objetivo oferecer alívio de sintomas, dor e estresse a pacientes com doenças graves, visando melhorar sua qualidade de vida. No coração dessa abordagem, está a equipe multidisciplinar, que trabalha em conjunto para proporcionar um atendimento completo e humanizado, focado nas necessidades físicas, emocionais e psicológicas do paciente. 

O Dr. Marcos Alvinair, geriatra do Hospital Mater Dei Santa Genoveva, detalha o papel central do geriatra na equipe multidisciplinar de cuidados paliativos. Segundo o especialista, a maioria dos pacientes indicados para cuidados paliativos pertence à terceira e quarta idade, devido à prevalência de doenças degenerativas e neoplásicas. Como profissional que acompanha o envelhecimento e os múltiplos diagnósticos ao longo da vida do paciente, o geriatra tem um papel fundamental na minimização do sofrimento, proporcionando conforto físico, respiratório e cardiovascular.

"O geriatra detém um conhecimento mais abrangente, especialmente quando já é médico do paciente, o que lhe permite identificar intolerâncias alimentares, farmacológicas e outros detalhes importantes no histórico clínico. Isso o coloca numa posição de liderança, respeitando as vontades do paciente e orientando os demais profissionais da equipe para melhores resultados", afirma o Dr. Alvinair.


Benefícios da abordagem multidisciplinar 

Dr. Alvinair destaca os benefícios da abordagem multidisciplinar para pacientes em cuidados paliativos, sobretudo no manejo de doenças crônico-degenerativas e neoplásicas. Ele aponta que, além de médicos e enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais são essenciais para garantir o conforto e reduzir o sofrimento dos pacientes.

"Cada membro da equipe multidisciplinar traz um conhecimento específico, e quando essas especialidades são somadas, os resultados são mais robustos. O objetivo final é sempre proporcionar conforto ao paciente, especialmente nos casos em que não há expectativa de cura", explica o médico.


Envolvimento da família no processo de cuidados paliativos

O geriatra também enfatiza a importância do envolvimento familiar no processo de cuidados paliativos. Segundo ele, a equipe multidisciplinar deve esclarecer e motivar os familiares a participarem ativamente do cuidado, considerando o crescente número de pacientes terminais que enfrentam o isolamento social, mesmo tendo familiares vivos.

"Envolver os familiares tem um valor emocional e espiritual significativo. Muitas vezes, é uma oportunidade para resolver problemas de convivência ou de relacionamento, ajudando tanto o paciente quanto seus entes queridos a encontrar paz nesse momento final", ressalta.


Critérios para integrar cuidados paliativos ao tratamento geriátrico

Em relação à definição do momento ideal para integrar cuidados paliativos ao tratamento de um paciente geriátrico, Dr. Alvinair observa que os critérios são individualizados. Ele considera o prognóstico da patologia, o preparo físico, mental e financeiro do paciente, além de discutir as opções com o próprio paciente, quando possível, ou com seus familiares.

"Os critérios são sempre balanceados e discutidos caso a caso, respeitando as condições específicas do paciente e buscando o melhor momento para introduzir a equipe multidisciplinar", conclui o especialista.


Cuidado com o idoso no Mater Dei Santa Genoveva

No Mater Dei Santa Genoveva, o cuidado com o idoso é uma prioridade. A equipe multidisciplinar trabalha em conjunto para garantir que os pacientes recebam o atendimento adequado às suas necessidades, promovendo conforto e qualidade de vida. O foco no paciente e na família, aliados à excelência médica, faz do hospital uma referência no atendimento a idosos em cuidados paliativos.

A Linha do Cuidado do Idoso, oferecida pela equipe multidisciplinar do Mater Dei Santa Genoveva, proporciona um atendimento completo e humanizado, com foco no bem-estar físico e emocional do paciente. Essa abordagem colaborativa é essencial para garantir qualidade de vida e suporte integral, tanto para os pacientes quanto para suas famílias.


Nos primeiros sete meses de 2024, São Paulo registra quase 30 mil internações por AVC

 

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Neurologista do Hospital Japonês Santa Cruz fala sobre a importância do socorro rápido para evitar sequelas ou a morte

 

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo registrou 29.910 internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre janeiro e julho deste ano, um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2023, quando foram contabilizadas 29.211 internações.

 

Em todo ano de 2023, foram registrados 53.025 internações e 22.294 mortes pela doença, o que representa uma redução de aproximadamente 1,27% nas internações e 3,59% nos óbitos em comparação com 2022, quando o estado de São Paulo registrou 53.709 internações e 23.125 mortes.

 

“O AVC ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. O AVC pode ser classificado em dois tipos: isquêmico, que representa cerca de 85% dos casos e é causado por um bloqueio nos vasos sanguíneos, ou o hemorrágico, quando há o rompimento de um vaso sanguíneo”, explica o neurologista do Hospital Japonês Santa Cruz, Dr. Flávio Sekeff Sallem.

 

Estima-se que uma em cada quatro pessoas com mais de 35 anos terá um AVC durante a vida, por isso, é essencial reconhecer os sinais da doença, como fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo, confusão mental, alteração da visão, fala ou compreensão, desequilíbrio, falta de coordenação, tontura e dor de cabeça súbita ou intensa.

 

“A cada minuto sem receber tratamento adequado, cerca de 1,9 milhão de neurônios morrem. Portanto, ao notar qualquer um dos sinais, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) deve ser acionado, ou a pessoa deve ir imediatamente a um hospital”, destaca o neurologista.

 

Segundo a Organização Mundial do AVC, 90% dos casos de AVC poderiam ser prevenidos por meio do cuidado com a saúde e da atenção aos fatores de risco, como hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol alto, sobrepeso ou obesidade, tabagismo, uso excessivo de álcool, idade avançada e sedentarismo.

 

No dia 29 de outubro, quando será celebrado o Dia Mundial do AVC, é importante reforçar a conscientização sobre a prevenção e os sintomas da doença, que afeta milhões de pessoas. “A prevenção é a chave para reduzir a incidência do AVC. Cuidar da saúde diariamente e conhecer os sinais são passos fundamentais para salvar vidas”, conclui o especialista.



Menstruação anormal: como identificar?

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A saúde menstrual é um indicativo crucial do bem-estar feminino, entenda o que é normal e quando buscar ajuda.


Sabemos que a menstruação é uma parte natural da vida das mulheres, por isso, entender e identificar se está tudo dentro do esperado no ciclo menstrual pode ser um importante aliado para evitar problemas de saúde futuros e na identificação de problemas já existentes na saúde feminina.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% das mulheres em idade reprodutiva relatam irregularidades menstruais, por isso é importante destacar que é considerado uma menstruação normal quando o fluxo menstrual tem duração de até 8 dias, com um intervalo que varia de 24 a 38 dias. Tendo um volume de 5 a 8 ml por ciclo. Então, qualquer sangramento que não tenha estas características é considerado anormal pelos médicos e deve ter atenção maior.

Para a Dra. Ana Maria Crosera, diretora científica da AMCR (Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil), algumas doenças e até mesmo o uso de alguns medicamentos podem estar relacionadas ao aumento do fluxo menstrual da mulher. 

“Algumas destas causas para um sangramento anormal são pólipo, adenomiose, mioma, câncer, distúrbios da coagulação do sangue, distúrbios da ovulação ou pode ser causado pelo uso de medicamentos. Assim, é necessário que apresente a queixa ao médico para que ele possa estabelecer qual a causa.” destaca a Dra. Ana Maria.

Além disso, algumas alterações hormonais podem causar menstruações com fluxos abundantes, sendo causas importantes de sangramento uterino especialmente nos extremos da vida reprodutiva, sendo os primeiros dois anos após a primeira menstruação e próximo à menopausa. 

“Na adolescência, nos primeiros dois anos após a primeira menstruação, a irregularidade menstrual pode ser consequência da imaturidade das glândulas que controlam a secreção dos hormônios. É preciso lembrar que o sangramento anormal pode ainda ser uma consequência de problemas na coagulação do sangue, infecções, outras doenças que você possa ter, ou mesmo estar associado a uma gestação. Já as mulheres com mais de 40 anos e até a menopausa, comumente apresentam irregularidades no padrão dos ciclos menstruais, decorrentes de flutuações na função das glândulas que secretam os hormônios que controlam o ciclo, mas também podem ter alterações na menstruação devido a doenças como miomas, pólipos e até câncer de útero. Assim, é necessário que apresente a queixa ao seu médico para que ele possa estabelecer qual a causa,” explica a médica da AMCR. 

A menstruação excessiva pode causar uma anemia e ou uma deficiência de ferro. Os sintomas da anemia incluem fadiga, fraqueza e tontura, mas qualquer alteração na rotina da mulher deve ser levada em consideração no momento do diagnóstico, é o que destaca a Dra. Ana. “Mesmo que os exames de sangue se mantenham normais, se a mulher perceber um aumento da menstruação a ponto de causar alteração de sua vida, limitando trabalho, atividades esportivas ou sociais, também deve merecer tratamento.” 

Para as mulheres que desejam engravidar, a menstruação intensa pode afetar a fertilidade, dependendo do fator. “Dependendo da causa da menstruação intensa pode sim afetar a fertilidade, como por exemplo na síndrome dos ovários policísticos, doenças da tireoide, doenças da hipófise. Por isso é importante consultar seu médico para diagnosticar e tratar adequadamente as doenças e não subestimar o sangramento,” diz a médica.

Por fim, a Dra. elaborou uma lista de perguntas essenciais para identificar problemas relacionados à menstruação.

  1. Você troca o seu absorvente interno ou externo a cada duas horas ou com mais frequência?
     
  2. Você precisa usar absorventes internos e externos de alta absorção ao mesmo tempo? Sua menstruação dura mais de 8 dias?
     
  3. Você apresenta coágulos ou episódios de “vazamento” (início repentino de sangramento intenso) nas suas roupas ou na roupa de cama?
     
  4. Você tem episódios de sangramento após uma relação sexual ou sofre de dor pélvica e sangramento entre os períodos menstrual?

A partir desses questionamentos, é possível determinar o momento certo de se consultar com um médico para realizar o tratamento específico para a menstruação excessiva. Além disso, é fundamental manter consultas de rotina com o ginecologista para garantir a saúde de forma contínua.




AMCR – Associação Mulher Ciência e Reprodução Humana do Brasil
Para saber mais informações, acesse o site.



Transplante uterino é alternativa para infertilidade feminina

De acordo com o Dr. Eduardo Motta, fundador da Clínica Huntington Medicina Reprodutiva, procedimento não apenas representa uma esperança para mulheres que não podem engravidar, mas também destaca a importância da pesquisa e da ética na medicina

 

Recentemente, o Hospital das Clínicas de São Paulo realizou o primeiro transplante de útero entre pacientes vivas na América Latina. De acordo com o Dr. Eduardo Motta, especialista em reprodução assistida e fundador da clínica Huntington Medicina Reprodutiva, este procedimento vem sendo estudado há mais de uma década pelo pesquisador sueco Mats Bramström, sendo realizado desde 2020 em alguns países, o que, segundo o especialista, representa uma grande inovação na área da reprodução assistida, já que oferta esperança a milhares de mulheres que enfrentam a impossibilidade de gestar.  “No mundo, cerca de um milhão de mulheres enfrentam a infertilidade relacionada a incapacidade do útero em propiciar um ambiente adequado para a gestação. Neste sentido, o transplante de útero é uma alternativa viável para estas mulheres, que não podem passar pela gravidez espontaneamente devido a condições médicas, como a não formação ou agenesia uterina, complicações de cirurgias, como  curetagem ou sequelas de tratamentos de radio e quimioterapia, por exemplo”, explica o médico. 


Como funciona

De acordo com o Dr. Eduardo, contudo o transplante uterino é um procedimento cirúrgico complexo, indicado para mulheres que possuem um impedimento significativo na formação ou na integridade do útero. “A cirurgia é delicada porque no transplante, existe a necessidade de restabelecer a vascularização do útero, fundamental para nutrição e funcionamento do órgão. Uma vez que o útero transplantado é aceito pelo organismo da receptora, a transferência de embriões deve ser programada, o mais breve possível, pois a mulher que recebe o transplante uterino, preciso manter o uso de medicações imunossupressoras. Assim o casal já passou pelo ciclo de fertilização in vitro, com o estímulo da ovulação e a obtenção de embriões de boa qualidade, para serem transferidos no útero transplantado, quando adequado. Estima-se que este tempo médio seja de 06 meses, para que ela venha a receber seus embriões”, destaca o médico. 

Mas, o especialista ressalta que, apesar do potencial de sucesso, o transplante uterino não é isento de riscos. Segundo o Dr. Eduardo, alguns estudos indicam que entre 70% e 80% dos transplantes são bem-sucedidos, mas um percentual de 20% a 30% apresenta complicações relacionadas à revascularização ou à resposta imunológica do corpo. “Para mitigar estes riscos, as mulheres que passam pelo transplante uterino precisam usar uma dose de imunossupressores durante todo o tempo em que estiverem com o útero. Isso começa a partir do transplante até o nascimento do bebê, o que significa que elas devem estar cientes das implicações desse tratamento ao longo da gestação. Após a realização do parto, uma nova cirurgia para remover o útero transplantado, evitando assim a necessidade contínua de medicamentos imunossupressores”, destaca. 


Aspectos éticos e comportamentais

De acordo com o Dr. Eduardo, a ética do transplante uterino é um campo ainda delicado e em debate. Enquanto a doadora do útero já deve ter completado sua maternidade e deverá se submeter a uma cirurgia de retirada de um útero sadio, a receptora também precisa ter um estado de saúde satisfatório. Remover um órgão reprodutivo, requer uma certeza absoluta por parte de quem vai doar e mesmo com sua anuência, levanta questões éticas complexas. “Para garantir que a doadora esteja plenamente ciente de todos os riscos e consequências, é essencial um diálogo aberto e esclarecedor, bem como a assinatura de termos de consentimento abrangentes”, indica o especialista. 

Além disso, o Dr. Eduardo destaca que o impacto psicológico para mulheres que buscam essa alternativa é significativo. “Nas mulheres que apresentam uma incapacidade reprodutiva relacionado ao útero, por vezes, a gestação por útero de substituição ou a adoção não representam uma alternativa e elas sonham com a experiência da gravidez e do parto em seu próprio corpo. O transplante uterino, ao proporcionar essa possibilidade, representa não apenas uma mudança física, mas também uma transformação na relação da mulher com a maternidade”, destaca. 


Perspectivas futuras

Por fim, o Dr. Eduardo diz que com um número crescente de casos documentados com cerca de 25 crianças nascidas mundialmente, como resultado deste procedimento. O transplante uterino surge como uma técnica promissora e inovadora no campo da reprodução assistida. “A área da medicina reprodutiva está  em constante aprimoramento em suas práticas e abordagens envolvidas em torno deste e de outros procedimentos. Isto só vem a beneficiar aos pacientes envolvidos com maior solidez, segurança e a eficácia dos tratamentos. Sem dúvida, o transplante uterino não apenas representa esperança para muitas mulheres, mas também destaca a importância da pesquisa e da ética na medicina reprodutiva. À medida que mais informações são coletadas e experiências são compartilhadas, a possibilidade de uma maternidade antes considerada impossível, se torna uma realidade cada vez mais próxima para mulheres ao redor do mundo”, finaliza o especialista. 

 


Huntington Medicina Reprodutiva
Huntington


Nutrição: suplementos apoiam a saúde mental e auxiliam no controle de estresse e ansiedade

Nos dias de hoje, com a rotina acelerada e as inúmeras demandas diárias, é comum que muitas pessoas sintam os efeitos do estresse e da ansiedade em suas vidas. Esses sentimentos, além de impactarem o bem-estar emocional, também afetam a saúde física e mental. Diante desse cenário, é essencial buscar formas de promover o equilíbrio do organismo, e a Puravida, empresa brasileira de produtos naturais, explica como os suplementos alimentares têm ganhado destaque como aliados nesse processo. 

"A saúde mental está intrinsecamente ligada ao equilíbrio nutricional. Nutrientes como vitaminas, minerais e aminoácidos desempenham papéis cruciais na produção de neurotransmissores, que são responsáveis por regular o humor, o sono e a resposta ao estresse. Suplementos que contêm esses nutrientes podem ajudar a reforçar esse equilíbrio, proporcionando uma sensação de calma e bem-estar", conta a nutricionista Priscila Gontijo, Coordenadora do Science Hub Puravida. 

Confira as dicas da Puravida:  


Como nutrientes podem auxiliar no controle do estresse e ansiedade 

  1. Vitaminas do Complexo B: Essas vitaminas são essenciais para a saúde do sistema nervoso. Elas auxiliam na produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que regulam o humor e a sensação de bem-estar. Suplementos que contêm vitaminas do complexo B podem ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e melhorar a resposta ao estresse. 
  1. Magnésio: Conhecido por suas propriedades relaxantes, o magnésio é fundamental para a regulação do sistema nervoso e para a redução de sintomas de estresse e ansiedade. Ele atua como um relaxante muscular natural e contribui para a qualidade do sono, que é essencial para o equilíbrio emocional. 
  1. Triptofano: Um aminoácido essencial, o triptofano é o precursor da serotonina, o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar. Suplementos que contêm triptofano podem ajudar a melhorar o humor e reduzir a ansiedade. 
  1. Ômega-3: Os ácidos graxos ômega-3 são conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e por melhorar a função cerebral. Estudos indicam que eles podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade e depressão. 
  1. Adaptógenos como Ashwagandha e Rhodiola: Essas ervas são conhecidas por sua capacidade de ajudar o corpo a lidar com o estresse de maneira mais eficiente, regulando o cortisol, o hormônio do estresse, e promovendo uma sensação de calma. 


Produtos Puravida que ajudam no controle do estresse e ansiedade 

A Puravida oferece uma linha de produtos que pode ser incorporada na rotina de quem busca melhorar a saúde mental e controlar o estresse e a ansiedade: 

  • Bio Vit B+: Combinação completa de vitaminas do complexo B que auxilia na saúde imunológica, suporte ao metabolismo energético. 
  • Bio TRIMAG: Suplemento que combina a sinergia do magnésio bisglicinato, dimalato e taurato com alta absorção, essencial para o relaxamento muscular e no funcionamento das células nervosas e consequentemente no controle do estresse. 
  • Ômega 3 EPA/DHA: Fonte de ômega-3 que promove equilíbrio e bom funcionamento do metabolismo, ação no sistema imunológico, auxilia na redução dos triglicerídeos e um papel vital na saúde do cérebro e nos olhos.  
  • Blue Calm: Um blend de nutrientes, como Magnésio Bisglicinato, Mio-inositol, Taurina e Triptofano, cuidadosamente selecionados para atuar em sinergia e proporcionar bem-estar. Tem o tom azul natural da spirulina. O magnésio presente apoia o funcionamento neuromuscular e a melhorar o equilíbrio dos eletrólitos. O produto pode ser tomado frio ou quente e misturado na água ou com leite, bebidas vegetais ou suplementos proteicos.  

Esses produtos são desenvolvidos com a qualidade e pureza características da Puravida, proporcionando uma opção segura e eficaz para quem busca um suporte nutricional focado no bem-estar e na saúde mental. 

 


Puravida
www.puravida.com.br


Seconci-SP alerta sobre os riscos de não se tratar a sífilis

Por ser assintomática, doença pode se desenvolver e causar problemas graves

 

A sífilis, uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), tem cura, porém traz riscos graves para a saúde, se não for diagnosticada e tratada. O alerta é da dra. Dagmar Maia Kistemann, clínica geral do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), por ocasião do Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita (terceiro sábado de outubro, dia 19 em 2024).

“A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Por ser assintomática, pode ser transmitida sem o paciente saber. A forma mais comum de transmissão é de uma pessoa infectada para outra, durante o ato sexual sem preservativo. Também pode ocorrer por transmissão vertical, da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto, e por transfusão de sangue, esta muito rara devido aos testes realizados nos doadores antes de disponibilizar o sangue para doação”.

Os números são alarmantes e justificam a preocupação da campanha. No Brasil, foram detectados 1,1 milhão de casos de sífilis entre 2011 e 2022, segundo o Ministério da Saúde. A sífilis congênita foi detectada em cerca de 300 mil bebês com até 1 ano de idade, entre 1998 e 2022. O Ministério tem como meta eliminar a sífilis congênita até 2030, certificando Estados e Municípios que tenham boas práticas de combate à doença.


O que observar

A dra. Dagmar explica que a doença tem quatro estágios: sífilis primária, secundária, latente e terciária.

Na fase primária, surge uma única ferida, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva ou vagina), que aparece entre três a oito semanas após o contágio. Essa lesão, rica em bactérias, é denominada cancro duro, sendo indolor. A ferida acaba sumindo após algumas semanas, com ou sem tratamento.

Já os sinais e sintomas da sífilis secundária surgem entre seis semanas e seis meses após o aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem ocorrer manchas pelo corpo que, geralmente, não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Outros sintomas comuns são febre, mal-estar, inapetência e ínguas pelo corpo. Todos eles também desaparecem com ou sem tratamento, o que acaba dando uma falsa impressão de cura, afirma a dra. Dagmar.

A médica diz que a sífilis latente não apresenta sintoma e é classificada como recente, quando aparece menos de um ano da infecção inicial ou tardia, quando se manifesta mais de um ano depois da primeira infecção.

E a fase terciária pode se manifestar na pessoa entre um ano e 40 anos depois do início da infecção. “Esta é a forma mais grave e pode provocar lesões na pele, ossos e afetar o sistema nervoso e cardiovascular”, destaca a clínica geral.

A dra. Dagmar ainda alerta sobre os riscos da sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da gestante para o feto. “Se não for tratada precocemente e corretamente, pode causar má formação do feto, aborto espontâneo, parto prematuro e cegueira, surdez ou comprometer o desenvolvimento mental do bebê”.


Diagnóstico e tratamento

“O diagnóstico da sífilis é feito pela avaliação clínica e confirmado por exames de sangue. O tratamento é à base de penicilina benzatina e a quantidade de doses da medicação irá depender do estágio da doença. Os parceiros sexuais também têm de ser testados e tratados, para que não haja reinfecção”, destaca a médica.

O acompanhamento do paciente é feito por um ano e o exame de sangue repetido a cada trimestre. No caso das gestantes, o recomendado é refazer o exame todo mês.

“A maneira mais segura de prevenir a doença é usar preservativo em todas as relações sexuais, pois evita a sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. No caso das gestantes, é primordial que seja feito o exame pré-natal, desde o início da gravidez, com a testagem do parceiro”. 

Diante da gravidade da doença, a dra. Dagmar recomenda consultar o médico quando aparecerem feridas, ínguas (nódulos ou caroços sob a pele) ou manchas pelo corpo, para o correto diagnóstico e tratamento, evitando que essa doença, curável, evolua e gere complicações graves, podendo até mesmo levar à morte.


Vírus Sincicial Respiratório (VSR): O Que é, Seus Efeitos em Adultos 60+ e Como Proteger Quem Você Ama

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um dos principais causadores de infecções respiratórias em todo o mundo. Embora seja mais comumente associado a crianças pequenas, o VSR também representa um risco significativo para adultos mais velhos, especialmente aqueles com 60 anos ou mais. Para esse grupo etário, as complicações causadas pelo VSR podem ser severas, levando a hospitalizações e, em alguns casos, colocando vidas em risco.

Neste artigo, vamos explorar o que é o VSR, como ele afeta adultos mais velhos e quais são as formas mais eficazes de protegê-los, incluindo a importância crucial da vacinação.


O Que é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)?

O VSR é um vírus altamente contagioso que afeta o sistema respiratório, causando infecções como bronquiolite e pneumonia. Embora em muitos casos os sintomas possam ser leves, semelhantes a um resfriado comum, para indivíduos mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas com condições médicas pré-existentes, a infecção pode evoluir para quadros mais graves.

O VSR se espalha facilmente por gotículas respiratórias, seja através do contato direto ou superfícies contaminadas, tornando-se uma ameaça em ambientes de alta concentração de pessoas, como lares de idosos ou hospitais.


O Impacto do VSR em Adultos 60+

Para adultos com 60 anos ou mais, o VSR pode ser especialmente perigoso. “O sistema imunológico tende a enfraquecer com a idade, o que torna os idosos mais suscetíveis a infecções graves, como as causadas pelo VSR,” explica Dra. Marcela Rodrigues. “Além disso, muitos adultos mais velhos têm doenças crônicas, como problemas cardíacos ou pulmonares, que podem ser agravadas por uma infecção viral respiratória.”


Os sintomas em adultos mais velhos podem incluir:

- Dificuldade para respirar.

- Tosse persistente, muitas vezes acompanhada de muco.

- Febre, que pode ser alta ou leve.

- Dor no peito ao respirar ou tossir.

- Fadiga extrema.

Esses sintomas podem evoluir rapidamente para complicações mais graves, como pneumonia, insuficiência respiratória e exacerbação de condições crônicas, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou insuficiência cardíaca.

De acordo com dados internacionais, o VSR é responsável por um número significativo de hospitalizações de idosos e pode até ser fatal em casos mais severos. “Muitas pessoas subestimam o VSR, mas ele pode ser tão perigoso quanto o vírus da gripe para pessoas mais velhas,” alerta Dra. Marcela.


Como Proteger Quem Você Ama: A Importância da Prevenção

A boa notícia é que existem maneiras eficazes de proteger os adultos mais velhos contra o VSR. A prevenção é a chave, e isso inclui uma combinação de boas práticas de saúde, vigilância e vacinação.


1. Vacinação: A Primeira Linha de Defesa

A vacinação é uma das melhores formas de proteger os idosos contra o VSR. "Estamos em um momento importante para a saúde pública, com o desenvolvimento de vacinas específicas para o VSR voltadas para proteger adultos mais velhos. Essas vacinas são essenciais, pois oferecem uma camada adicional de proteção contra complicações graves causadas pelo vírus," afirma Dra. Marcela Rodrigues.

A introdução de vacinas eficazes para o VSR representa um marco importante, especialmente para populações de risco. Assim como ocorre com a gripe e a pneumonia, a vacinação regular ajuda a reduzir significativamente o risco de hospitalizações e complicações graves.


2. Higiene Adequada

Lavar as mãos regularmente com água e sabão ou utilizar desinfetantes à base de álcool é fundamental para prevenir a transmissão do VSR. "A prática simples de lavar as mãos pode reduzir drasticamente o risco de infecção, especialmente em ambientes onde o contato com outras pessoas é inevitável," ressalta Dra. Marcela.


3. Evitar Contato com Pessoas Infectadas

Para proteger os mais velhos, é importante evitar que tenham contato próximo com pessoas que estejam doentes, especialmente aquelas com sintomas de resfriado ou gripe. “Se alguém em casa ou no convívio social estiver com sintomas respiratórios, o ideal é que se mantenham isolados para evitar a disseminação do VSR,” aconselha Dra. Marcela.


4. Manter o Ambiente Limpo

Superfícies como mesas, maçanetas e aparelhos eletrônicos devem ser higienizadas regularmente, especialmente em locais onde há adultos mais velhos. O VSR pode sobreviver em superfícies por várias horas, aumentando o risco de transmissão.


5. Fortalecer o Sistema Imunológico

Além da vacinação, é importante que os idosos mantenham um estilo de vida saudável. Uma dieta equilibrada, exercícios regulares e uma boa noite de sono podem ajudar a fortalecer o sistema imunológico e torná-los menos suscetíveis a infecções virais.


Conclusão

O VSR é uma ameaça significativa para adultos com 60 anos ou mais, mas a combinação de vacinação e medidas preventivas pode fazer uma enorme diferença. Proteger quem você ama começa com a conscientização e a adoção de práticas de saúde adequadas.

“A vacinação é o primeiro passo para garantir que os idosos estejam protegidos contra complicações graves, mas a prevenção diária também desempenha um papel vital,” conclui Dra. Marcela Rodrigues. “Na Salus Imunizações, estamos comprometidos em garantir que as vacinas estejam acessíveis e em fornecer as informações necessárias para que todos possam tomar decisões conscientes sobre sua saúde.”

Cuidar de quem você ama é essencial, e a prevenção contra o VSR pode salvar vidas. Não deixe de buscar informações sobre a vacinação e siga as orientações de saúde pública para garantir um futuro mais seguro para os idosos.

 

Dra. Marcela Rodrigues - Diretora da Salus Imunizações


Outubro Rosa: manutenção de hábitos saudáveis e exames de prevenção são essenciais para prevenir e combater o câncer de mama

 

Médica oncologista dá dicas sobre os principais fatores de risco, métodos preventivos, exames e tratamentos da doença

 

O mês de outubro é marcado pelo Outubro Rosa, que visa conscientizar sobre os cuidados com o câncer de mama, o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, com 30% do total de casos de neoplasias, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Andrea Morais Borges, oncologista do Hospital Edmundo Vasconcelos e da Oncoclínicas, explica que a principal razão para os elevados números de casos da doença se deve à mudança de estilo de vida da população atual. Segundo ela, o fator genético não é fundamental para que uma pessoa possa desenvolver a doença, por isso, é necessário levar a mais mulheres informações de prevenção e combate a esse câncer.

“Existem alguns fatores de risco que podem influenciar. É muito importante combater o sedentarismo, que pode não só ajudar na prevenção como também diminuir o risco de uma recidiva após o tratamento inicial de uma paciente com a doença. Também é essencial evitar alimentos embutidos, industrializados e o excesso de bebidas alcoólicas, preferindo uma dieta rica em verduras, legumes e carnes brancas. O risco genético ainda pode existir, com cerca de 10%, em geral, podendo haver alguma mutação genética”, explica a médica.

A especialista recomenda que, para além das mudanças no estilo de vida citadas acima, também é importante a realização de um autoexame para que a paciente possa ter um conhecimento do seu próprio corpo e consiga notar qualquer tipo de alteração. “Vale lembrar que ele não pode e não deve substituir a mamografia, que serve para rastrear a doença antes de uma alteração no exame físico ou autoexame”, alerta.

A mamografia é indicada para mulheres a partir dos 40 anos e para aquelas que possuem um alto risco a partir dos 30 anos (ela ressalta que é importante avaliar junto a um médico se a paciente se encaixa nesse grupo).

“Na mamografia, as mamas são submetidas a uma leve a moderada compressão com o propósito de deixar a espessura e a distribuição da mama mais homogênea. Nesse sentido, essa compressão bem realizada é fundamental para proporcionar uma imagem de melhor qualidade”, descreve ela. Ela indica que a mamografia deve ser marcada entre o quinto e o décimo dia após a data de início da última menstruação. Outra recomendação é que, caso a paciente tenha tomado a vacina contra a COVID, o indicado é que ela espere um mês até a realização do exame. “Isso porque a vacina pode causar reação inflamatória na região axilar, podendo gerar dúvidas no aumento dos linfonodos axilares”, detalha.

O grande benefício da mamografia é identificar o câncer ainda em estágio inicial, aumentando a chance de cura e a necessidade de tratamentos menos invasivos.

A médica oncologista explica que, para definir qual o tipo de tratamento mais recomendado, é preciso classificar qual o subtipo molecular do câncer e qual o seu estadiamento clínico, ou seja, qual a extensão da neoplasia na paciente. “A partir disso, se define a necessidade de uma cirurgia ou até mesmo de um tratamento paliativo se a doença estiver em estágio avançado. Entre algumas opções disponíveis estão a endocrinoterapia ou bloqueio hormonal, drogas direcionadas para uma mutação específica, quimioterapia, terapia alvo, imunoterapia e também os anticorpos droga conjugados. Cerca de 90% dos casos identificados se encontram ainda em estágio inicial, o que é ideal para aumentar as chances de cura”, relata ela.

 

Hospital Edmundo Vasconcelos
www.hpev.com.br


Pressão alta reduz capacidade respiratória devido ao enrijecimento dos brônquios, aponta estud

Além de testes de espirometria para verificar a função respiratória dos indivíduos,
os pesquisadores aferiram a mecânica pulmonar dos voluntários
 por meio de testes de oscilometria de impulso . A força global foi
avaliada pela pressão das mãos e a força dos músculos respiratórios
 pelas pressões inspiratória e expiratória máxima.
foto: Meiry de Souza Moura Maia
Trabalho conduzido na Unifesp envolveu 731 idosos e foi o primeiro a demonstrar os efeitos da hipertensão na mecânica pulmonar. Resultados indicam que a prática regular de exercícios físicos confere proteção parcial ao pulmão

 

 A hipertensão arterial provoca o espessamento dos vasos sanguíneos, favorecendo o enrijecimento das artérias (arteriosclerose). Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros mostrou, pela primeira vez, que um fenômeno parecido ocorre nos pulmões. A pressão alta torna os brônquios pulmonares mais enrijecidos (resistência das vias aéreas), o que resulta numa piora da capacidade respiratória.

No estudo, realizado com 731 idosos hipertensos e não hipertensos, foram investigados os efeitos da hipertensão na mecânica pulmonar, ou seja, onde e de que modo a pressão arterial estava causando um pior funcionamento dos pulmões. Os resultados foram divulgados na revista Advances in Respiratory Medicine.

“Na análise, observamos também que aqueles indivíduos que praticavam atividade física regular pareciam ter uma proteção parcial contra o enrijecimento dos brônquios”, relata Rodolfo de Paula Vieira, coautor do artigo e coordenador do Laboratório de Imunologia Pulmonar e do Exercício, que está sediado no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (ICT-Unifesp), em São José dos Campos.

No trabalho, apoiado pela FAPESP, além de testes de espirometria para verificar a função respiratória dos indivíduos, os pesquisadores aferiram a mecânica pulmonar dos voluntários por meio de testes de oscilometria de impulso – técnica que avalia a mecânica respiratória da região central e periférica do pulmão por meio de ondas sonoras sobrepostas à respiração normal. A força global dos voluntários foi avaliada pela pressão das mãos e a força dos músculos respiratórios pelas pressões inspiratória e expiratória máxima. Também foram aplicados questionários para avaliar a intensidade e a frequência da prática de atividade física, além de questões associadas à qualidade de vida.

Segundo Vieira, o achado ressalta a necessidade de realizar a avaliação respiratória em indivíduos hipertensos, mal que acomete cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. “Já se sabia que a hipertensão afeta a função pulmonar, mas não estava claro que mecanismo levava a essa piora. Com os resultados do estudo, fica evidente que, ao diagnosticar pacientes com hipertensão arterial, os médicos devem encaminhá-los ao pneumologista para verificar a função e a mecânica pulmonar, especialmente se forem pessoas mais velhas. É preciso também aconselhar sobre a importância de um estilo de vida ativo para evitar a perda da função pulmonar induzida pela hipertensão”, diz o pesquisador à Agência FAPESP.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que a função pulmonar está intimamente ligada à aptidão do pulmão de se expandir e retornar ao estado anterior – o que médicos e cientistas chamam de elastância e resistência –, que se mostrou mais alterada nos idosos hipertensos.

“Mudanças na mecânica pulmonar são esperadas como resultado natural do processo de envelhecimento, mas o que o estudo mostra basicamente é que a hipertensão arterial acelera o processo de enrijecimento dos brônquios e que a atividade física previne parcialmente esse processo”, conta.

“Isso é muito importante, pois, quanto mais enrijecido estiverem os brônquios, mais difícil para o ar entrar e sair dos pulmões. No longo prazo, esse processo de enrijecimento acelerado dos brônquios vai resultar em uma maior dificuldade respiratória do idoso. E o pior é que se trata de um ciclo: com a menor oxigenação, acelera-se ainda mais o processo de envelhecimento como um todo no organismo”, alerta.

As consequências, ressalta o pesquisador, não param por aí. “Acelerando o envelhecimento, aumenta-se o risco de câncer, de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, de um infarto agudo do miocárdio, de trombose. Isso só para mostrar a importância de o tratamento contra a hipertensão incluir os cuidados pulmonares”, sublinha.


Exercício para o coração e os pulmões

Em outro estudo, ainda não publicado e realizado pelo mesmo grupo de cientistas, analisou-se a relação entre a prática de exercício físico e a proteção contra o processo de enrijecimento dos vasos sanguíneos e dos brônquios, provocado pela hipertensão. No trabalho, eles investigaram em 150 idosos (um grupo diferente de voluntários) o quanto o grau de rigidez poderia afetar a circulação do sangue e a formação de aneurismas e trombose (hemodinâmica).

Os voluntários foram submetidos a um protocolo de treinamento físico, três vezes por semana, durante três meses. “O exercício físico atenuou em quase 100% essas alterações cardiovasculares. Isso prova, mais uma vez, que a atividade física tem de fazer parte da vida do idoso. Não existe envelhecimento saudável com sedentarismo”, pontua o pesquisador.

O artigo Physically Active Lifestyle Attenuates Impairments on Lung Function and Mechanics in Hypertensive Older Adults pode ser lido em: https://www.mdpi.com/2543-6031/92/4/27.

 

Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/pressao-alta-reduz-capacidade-respiratoria-devido-ao-enrijecimento-dos-bronquios-aponta-estudo/53082


Falta de tratamento e estigma agravam saúde mental no país

A OMS aponta que, em todo o mundo, 80% das pessoas com casos severos de saúde mental estão sem tratamento

 

O Brasil se tornou um dos países mais afetados por transtornos mentais, com números alarmantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país está no topo do ranking de ansiedade e depressão na América Latina, com quase 19 milhões de pessoas com essas condições, sendo o país com a maior prevalência de depressão nesta região. 

Em outubro, com a celebração do Dia Mundial da Saúde Mental (10), profissionais e organizações de saúde de várias especialidades, além de governos, se mobilizam no período para aumentar a conscientização sobre a importância da saúde mental e vencer o estigma em relação à busca por tratamento profissional.

Facilitar o acesso aos tratamentos e profissionais especializados é uma medida necessária para enfrentar o problema, mas que ainda esbarra no preconceito em torno da saúde mental. "Infelizmente muitas pessoas veem o tratamento de transtornos mentais como algo vergonhoso ou desnecessário, o que só atrasa o diagnóstico e o início do tratamento, além potencializar as consequências negativas para a saúde do indivíduo e de todos em seu redor", comenta a psiquiatra da Rede de Hospitais São Camilo, dra Aline Sabino.

O Brasil, que já enfrenta muitos desafios nessa área, também passou por um agravamento da situação nos últimos anos, particularmente após a pandemia. Fatores como o isolamento social, a perda de entes queridos e a crise financeira contribuíram significativamente para esse aumento. “É uma crise de saúde mental que não pode ser ignorada. Além de aumentar os transtornos já existentes, surgiram novos quadros entre a população, principalmente entre os jovens”, reflete Sabino. Números do departamento da saúde mental da OMS dão conta de que 75% dos transtornos mentais começam antes dos 24 anos.

Ainda de acordo com outro relatório da OMS, cerca de um bilhão de pessoas vivem com algum tipo de transtorno mental no mundo e destas, 300 milhões sofrem de depressão, que também podem levar a uma série de enfermidades físicas e até ao suicídio. No Brasil, os registros de suicídio são estimados em cerca de 14 mil casos por ano, com uma média de 38 pessoas mortes por dia.

A conscientização da população é a melhor forma para melhorar a saúde mental da população. “Buscar ajuda para algum transtorno mental é como buscar atendimento por causa de uma virose. Não há qualquer demérito nisso. O problema é não receber um diagnóstico e tratamento adequados comprometendo toda a saúde como um todo. Não hesite em buscar ajuda de um psiquiatra ou psicólogo imediatamente”, afirma a Dra Sabino.

 

Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo


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