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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Anemia em crianças: deficiência de ferro prejudica o desenvolvimento e população infantil é um dos grupos mais vulneráveis

A anemia é um sintoma de algumas doenças do sangue e é caracterizada pela redução da quantidade de hemoglobina que está dentro dos glóbulos vermelhos do organismo, células responsáveis pelo transporte do oxigênio até os órgãos e tecidos. Essa condição pode acometer qualquer pessoa, mas principalmente alguns grupos mais vulneráveis, entre eles as crianças. Nessa faixa etária, a anemia causa danos ao crescimento, desenvolvimento e saúde. Ela pode se apresentar de formas variadas: anemia ferropriva, anemia da inflamação ou da doença crônica, talassemia, traço talassêmico e anemia falciforme, entre outras.

O tipo de anemia mais comum entre crianças é a ferropriva, causada pela deficiência de ferro por falta de ingesta alimentar ou por perdas de sangue na urina, fezes ou outro sangramento.

“A falta de ferro interfere no transporte de oxigênio pelas hemácias, o que altera a energia, interfere na síntese de DNA, resultando em cansaço, apatia, irritabilidade, dificuldade na concentração, queda de cabelo, unhas fracas e até aumento das infecções. A falta crônica de ferro prejudica o desenvolvimento cerebral, levando a desordens comportamentais ou déficits de memória e aprendizagem”, comenta Sandra Loggetto, coordenadora do Comitê de Hematologia e Hemoterapia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

A prevalência da anemia ferropriva na faixa etária pediátrica, em países em desenvolvimento, é alarmante: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 50% das crianças menores de 4 anos nesses países apresentam deficiência de ferro. A boa notícia é que a doença não é silenciosa: se os pais notarem que os filhos apresentam alterações no sono, dificuldades na escola, preguiça de brincar, cansaço, taquicardia, falta de ar e de apetite e mucosas das pálpebras e das gengivas descoradas, pode ser que eles estejam com algum tipo de anemia.



Causas diversas

 
Os outros tipos de anemia têm causas variadas: a da doença crônica, por exemplo, ocorre associada a diversas condições, como doenças infecciosas, inflamatórias e neoplásicas e, nesse tipo de anemia, apesar de a criança apresentar níveis normais de ferro, ocorre um bloqueio na mobilização do nutriente. Já a talassemia, doença hereditária,  diz respeito a pessoas portadoras de alterações genéticas em determinados cromossomos, o que afeta a produção da hemoglobina.

A anemia falciforme, por sua vez, também é hereditária e causada por mutação genética que interfere na produção da hemoglobina, a qual é responsável pela deformidade dos glóbulos vermelhos que adquirem a forma de uma foice. Para ter a doença, é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe.



Tratamento

 
O tratamento da anemia varia de acordo com o tipo de anemia. Na ferropriva, indica-se reposição de ferro via oral. Quando o caso é anemia da doença crônica, a melhora vem com o tratamento da patologia que está causando a inflamação – que pode ser virose, infecção bacteriana, hipotireoidismo, doença reumatológica, entre outras. O tratamento para doença falciforme e talassemia ou traço talassêmico varia de acordo com o quadro clínico do paciente.

É importante ter em mente que o tratamento da anemia ferropriva deve ser feito acompanhado de uma dieta rica em ferro. Esse tipo de dieta também ajuda em sua prevenção. O aleitamento materno exclusivo, por exemplo, supre a necessidade de ferro do bebê e o leite de vaca não é fonte de ferro e até prejudica a absorção. Quando a criança for introduzida a alimentos sólidos, é preciso incluir os ricos em ferro, como carnes em geral (sobretudo carne vermelha), caldo de feijão, leguminosas e verduras verde-escuras. Vale lembrar que a absorção do ferro dos alimentos de origem vegetal é menor do que a dos alimentos de origem animal. Associar vitamina C (tomate, frutas cítricas, sucos naturais de frutas cítricas) durante as refeições aumenta a absorção do ferro, inclusive daquele de origem vegetal.















Sobre a ABHH
A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) é uma associação privada para fins não econômicos, de caráter científico, social e cultural. A instituição congrega médicos e demais profissionais interessados na prática hematológica e hemoterápica de todo o Brasil. Hoje, a instituição conta com mais de dois mil associados.





Em boca fechada não entra mosquito: como prevenir a ingestão de objetos

Crianças sempre pedem atenção redobrada, já que sempre há a chance da ingestão e até aspiração de objetos estranhos, como moedas, ossos de frango, peças de brinquedos, feijão e espinhas de peixes. Essas ocorrências concentram-se principalmente até os três anos de idade, quando é comum o hábito de levar objetos à boca. Os pais e os cuidadores são os principais responsáveis pela prevenção dessas situações.

Objetos como moedas, joias, agulhas e aparelhos que tenham pilhas ou baterias em forma de disco não podem estar ao alcance de crianças menores de três anos; além disso, é fundamental atestar que seus brinquedos não contenham pedaços que possam ser destacados com mãos ou dentes. Também é necessária supervisão direta até os cinco anos enquanto alimentam-se ou brincam com sacos plásticos e balões de borracha.

Os tradicionais broches, berloques, prendedores de chupeta, medalhas e correntes podem representar perigo caso se soltem. Ainda, os pais ou responsáveis devem ensinar as crianças a não levarem os objetos à boca, e atentar-se para que elas não corram, riam ou chorem ao comerem.

“Contudo, esses acidentes podem acontecer mesmo com todas as medidas preventivas. Por isso, os pais e cuidadores precisam conhecer as manobras para retirada de um corpo estranho e para ressuscitação. A criança precisa ser levada o mais rápido possível ao médico, para que o profissional possa identificar e definir qual o melhor tratamento e aplica-lo o quanto antes, evitando complicações”, alerta Silvia Regina Cardoso, médica endoscopista e presidente do Núcleo de Pediatria da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED).



E como são feitas a identificação e retirada desses objetos?

A identificação e extração destes corpos estranhos podem ser feitas por meio de um procedimento endoscópico, capaz de, em muitos casos, eliminar a necessidade de cirurgia. O exame de endoscopia digestiva alta visualiza o esôfago, o estomago e o duodeno, que são os locais onde a maioria dos corpos estranhos ingeridos ficam retidos. Os corpos estranhos aspirados podem ficar impactados na laringe, traqueia ou brônquios, sendo avaliados pelo exame de laringotraqueobroncoscopia.  “São exames simples e têm a função de verificar onde o objeto alojou-se. A partir disso conseguimos retira-los, geralmente sem comprometer o aparelho digestivo ou respiratório do paciente”, afirma a especialista.

Para a realização dos exames endoscópicos, é necessário que inicialmente a criança seja submetida à anestesia.  Para a endoscopia digestiva ela é colocada em posição lateral. Então, coloca-se um protetor bucal, a fim de impedir que a boca seja fechada – em seguida, insere-se o esofagogastroduodenoscópio, aparelho responsável pela visualização da faringe até o intestino.  Procedimento semelhante é feito para a realização do exame de broncoscopia, ficando o paciente, neste caso, em decúbito dorsal. Então o broncoscópio é introduzido na boca ou narina, visualizando desde a laringe até os brônquios.

A indicação de uma endoscopia de emergência deve ser feita, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, frente a situações evidentes ou eminentes de obstrução de vias aéreas e de risco elevado de perfuração do esôfago como em casos de ingestão de disco de bateria impactado em esôfago e de peças de brinquedos com múltiplos ímãs ou potencialmente perfurante.  Os exames endoscópicos devem também ser realizados para outros objetos impactados, sem possibilidade de eliminação espontânea.  

Seu filho não come? Pediatra garante que está tudo bem

A comida, assim como outros hábitos, é uma forma das crianças se comunicarem com a família e deve ser encarada de forma natural


Alimentação é uma das formas das crianças se comunicarem com os pais (Marcelo Matusiak)


A alimentação dos filhos preocupa muitos pais, principalmente quando eles não comem. O pediatra da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), José Paulo Ferreira, explica que na maioria das vezes a criança come adequadamente, porém, a expectativa que os pais têm pode ser diferente.

- Muitos pais chegam no consultório relatando que a criança não come e está emagrecendo. Mas ela está com bom peso e o número de ingestão de nutrientes adequado. A comida, assim como outros hábitos, pode ser usada como comunicação com a família e deve ser encarada de forma natural. Quando descobrem que há ansiedade nesse comportamento, eles acabam controlando para garantir maior atenção – relata Ferreira.

A sugestão, então, é deixar a criança livre para comer e considerar que há diferentes fases na sua postura com relação às refeições. De acordo com o pediatra, até os seis meses, a expectativa é que o bebê se alimente através da amamentação, preferivelmente, materna. Posteriormente, deve-se deixar a criança experimentar os alimentos, com variedade de textura, temperatura e paladar.

Próximo de completar um ano, é comum que haja redução no apetite, pois o crescimento desacelera. Já a partir dos dois anos inicia a fase da seletividade, o que também é normal e de ser encarado de forma natural pelos pais.
O Dia da Mundial da Alimentação é comemorado no dia 16 de outubro em diversas partes do mundo. A data foi implementada para alertar sobre a importância alimentação saudável, acessível e de qualidade, chamada de “Segurança Alimentar e Nutricional”.



Redação: Francine Malessa




Em meio à campanha eleitoral que agora entra no segundo turno, ouvimos muitos doutores em oratória puxando para si o papel de especialista em medicina e saúde. Vimos propostas das mais absurdas, até com aplicativos para transformar atendimento humano em Uber



Certo é que candidato algum foi ao âmago da questão. Temos centenas de problemas na assistência aos cidadãos. Só para enumerar poucos, cito a abertura em massa de escolas médicas sem estrutura para formar adequadamente, a falta de investimentos na saúde, a ridícula remuneração de médicos e demais profissionais, as negativas de cobertura de planos e seguros de saúde, o descaso com a residência medida, a incompetência de muitos gestores e o descompromisso absoluto da maioria da classe política. Isso sem falar no entrave campeão dos campeões, a corrupção.

O custo corrupção do Brasil chega a ser algo quase que incalculável. Estimativas indicam que, apenas em 2017, R% 100 bilhões dos investimentos em saúde saíram pelo ladrão. Aliás, expressão perfeita para conceituar o que ocorre em nosso País em todas as áreas.

Entretanto, algo que nunca vem à discussão, nem em momento eleitoral nem em outro qualquer, é a questão do cuidado. Lamento. O cuidar, sim, é a receita para resolvermos nossas mazelas sociais e para o resgate da cidadania.

Cuidar tem sentido amplo. Segundo o Dicionário Aurélio, cuidar é:  imaginar; supor; pensar; ter cuidado em; tratar de; interessar-se por, entre várias significâncias.  Então, proponho aqui uma reflexão sobre esse precioso vocábulo.

Na coisa pública, queremos a gestão cuidadosa, que se interesse pelo destino das pessoas, que tenha imaginação para criar políticas que atendem as principais demandas dos brasileiros, que pense no valor do nosso trabalho.

Feito isso, todos os caminhos ficarão mais transitáveis. Olhando a saúde por esse aspecto, os gargalos se resolverão como em efeito dominó. Os investimentos se darão por atender ao bem social, a administração será transparente e idônea, a lei de Gérson será revogada, recursos humanos terão a valorização justa e os profissionais terão condição adequada para a prestação de um atendimento de nível elevado.

Neste contexto, entra uma parte que conheço bem: o exercício da medicina. Nossa obrigação, como médicos, é estabelecer uma interação com o paciente, não importam sua classe, sua cor ou seu credo.

É necessário gostar de gente. Saber que não existem doenças, e sim doentes. Exercer essa profissão é pôr em prática o amor ao próximo. O doente deve morrer de mãos dadas com o seu médico e este necessita de tranquilidade e de ferramentas ideais para um atendimento no qual possa oferecer o melhor do seu conhecimento, toda a sua atenção e, principalmente, todo o seu respeito. Ele precisa de tempo suficiente para conhecer o paciente, descobrir suas queixas, averiguar seu passado, seus anseios e suas angústias. E fazê-lo sair aliviado, com a perspectiva de ter seu problema solucionado.

Dar e receber assistência médica de qualidade e universal, mais do que um anseio, é um direito de todos.


 



Antonio Carlos Lopes - presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Enem: controle emocional deve fazer parte da preparação


Neste momento, estudantes sentem a tensão da reta final para o Exame; Celso Lopes de Souza, psiquiatra e diretor do Programa Semente, afirma que o domínio de algumas habilidades socioemocionais é um grande aliado que pode impactar no resultado


O enfrentamento dos vestibulares e do ENEM talvez seja o primeiro grande desafio profissional dos jovens. Um candidato que não apresentar um grau de excelência nos quesitos técnicos (conhecimento do conteúdo programático) e psicológico (administrar a ansiedade no momento da prova) terá dificuldades para conseguir um bom resultado. A um mês do ENEM, ainda é possível desenvolver algumas técnicas que podem auxiliar no equilíbrio emocional.

Para Celso Lopes de Souza, psiquiatra e fundador do Programa Semente - metodologia que desenvolve a aprendizagem socioemocional em escolas brasileiras - o furacão de emoções que invade os vestibulandos nessa época do ano pode ser melhor administrado quando algumas habilidades socioemocionais são colocadas em prática. Por exemplo, reconhecer e nomear as emoções, identificar os pensamentos que estão estruturando essas emoções e reformular esses pensamentos quando eles estão distorcendo a realidade são estratégias sólidas para desenvolver o autocontrole na hora da prova. “Chamamos isso de flexibilização cognitiva”, afirma.

Celso explica que, mesmo capacitados em termos de conhecimento, muitos estudantes “derrapam” no momento da prova e comprometem o resultado. “A ansiedade na sua forma improdutiva faz com que esses alunos fiquem tão nervosos a ponto de não conseguirem reverter em pontos o que sabem - têm brancos e sensações físicas como: taquicardia, suor excessivo e tremores”. Numa aula sobre autoconhecimento e autocontrole do Programa Semente, por exemplo, o aluno é incentivado a refletir sobre suas emoções e se conhecer melhor.

De forma estruturada, o programa trabalha os cinco domínios: autoconhecimento, autocontrole, empatia, tomada de decisões responsáveis e habilidades sociais. O controle da ansiedade é fomentado com estratégias que auxiliam os estudantes a enfrentarem situações, procurando reconhecer os desafios e as capacidades de forma realista e sem distorções.

“Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram e entendendo como tudo isso influencia o comportamento permite que cada um compreenda melhor as próprias limitações e conheça suas fortalezas, o que aumenta a confiança, o otimismo e a autoestima”, afirma Celso. Para isso, o programa ensina ao aluno estratégias para identificar e questionar os pensamentos, especialmente quando as emoções estiverem mais atrapalhando do que ajudando.



Programa Semente

Refletindo sobre formas de combate ao bullying


Dia 20 de outubro foi designado como Dia Mundial de Combate ao Bullying com o propósito de sensibilizar para a necessidade de eliminar essa prática, que, a despeito de ser amplamente condenada, continua aumentando.

Parece desnecessário discorrer sobre danos e consequências. O noticiário se encarrega de, periódica e alarmantemente, expor os extremos a que chegam vítimas antes de cometerem suicídio. O ponto a refletir é que o final – o suicídio – já pode ser antecipado quando uma chacina se inicia. A vítima optou por inverter papéis antes de cabo da vida que já lhe havia sido roubada.

De forma mais branda, quando a vida "apenas" virou um inferno, tantas outras vítimas seguem o caminho de experimentar o papel de agressor buscando reconstruir a autoestima dilacerada... dilacerando a de outros, num ciclo perverso que não funciona. Mas talvez a perda tenha sido tão grande que os agressores nem sequer conseguem perceber que isso não os alivia.

Independentemente da causa ou dos atenuantes, nenhum comportamento de bullying pode ser tolerado. Nesse combate, urgentemente necessário, campanhas de conscientização, leis e punições são colocadas em pauta, eventualmente desconsiderando que a detecção acaba se tornando possível só quando o problema já se tornou grave. São armas para combate de algo que não está na superfície.
A repetição de intimidação deliberada (definição de bullying) só acontece em terreno fértil; em grupos não desenvolvidos emocionalmente. Agressores e testemunhas não foram educados para conviver com a diversidade e/ou são vítimas de uma sociedade de consumo que valoriza a aparência e o "ter".

O paradoxo é que viver num ambiente livre de bullying é extremamente mais agradável para todos. Criar esse ambiente é o desafio de professores, que certamente também seriam beneficiados. Muito mais eficaz do que combater com armas, é investir diariamente em educação emocional, para que seja possível aceitar cada um como ele é, comunicar-se considerando os sentimentos do outro e nutrir relacionamentos saudáveis. Não partir do suposto de que todos precisam ser nossa imagem e semelhança e aceita-los em sua individualidade, mesmo quando não concordamos com eles, é um instrumento não de combate, mas de erradicação do bullying.




Tania Paris fundou a ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças, em 2004, porque acredita que todas as pessoas devem ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades emocionais e sociais, cedo na infância, para viverem plenas e felizes. Mais de 300.000 jovens atualmente usufruem desse aprendizado em ambientes que se tornaram mais emocionalmente saudáveis. www.asecbrasil.org.br

Lei de Proteção de Dados Pessoais: quais impactos para os planos de saúde?


Para a presidente da Acoplan, os impactos da nova Lei são benéficos ao consumidor


Inspirado na legislação da União Europeia, o presidente Michel Temer sancionou em agosto a lei que cria um sistema de proteção de dados pessoais no Brasil. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP) é um marco na captação e no armazenamento do uso de informações pessoais, o que até então não se tinha. Sancionada em 14 de agosto de 2018 pelo presidente Michel Temer, as empresas terão 18 meses para entrarem de acordo com a nova legislação e caso não se adaptem ou respeitem, podem receber uma multa de 2% em cima do valor de seu faturamento – e os planos de saúde não fogem à regra.

Um dos artigos que constituem a nova lei é sobre o uso compartilhado de dados pessoais entre controladores, que impacta diretamente a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), para restringir o uso das informações e dados pessoais, tais como histórico clínico de um paciente que poderia ser utilizado por um plano de saúde para verificar doenças pré-existentes. "Uma decisão do TRF -Tribunal Regional Federal da 3ª Região anulou a normativa 153/2007 da ANS, que permitia o compartilhamento de informações de pacientes entre as operadoras, por entender que a Troca de Informações em Saúde Suplementar (TISS) viola o sigilo médico, a privacidade e a intimidade dos usuários. Agora, os clientes de planos de saúde contam também com a proteção desta nova Lei", afirma Rosa Antunes, presidente da Acoplan (Associação dos Corretores de Planos de Saúde).

Para a dirigente, a Lei traz ainda outros benefícios, como a unificação de regras únicas para uso de dados pessoais, a autorização de formas flexíveis para o tratamento de dados pessoais, e a redução de custos operacionais mantendo a qualidade de dados, adaptando o Brasil aos países com esta exigência.

"Sem regras, cada qual fazia o que bem entendia e o usuário não via transparência no tratamento dos seus dados com as empresas. Por meio da nova Lei, quando houver a coleta de dados, o usuário deve saber exatamente a finalidade e se haverá compartilhamento desses dados – como nome, endereço, idade, e-mail, estado civil etc –, podendo retificar sempre que houver necessidade. Encerrada a relação do cliente e empresa, seus dados devem ser excluídos", afirma. Rosa conta ainda que as informações sensíveis terão utilização restrita, tais como posicionamento político, crenças religiosas, características físicas, condições de saúde ou de caráter sexual.

Segundo Rosa Antunes, está sendo criada uma agência regulatória, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que irá fiscalizar esta área e, com isso, adaptações serão feitas. "As grandes empresas já vinham se preparando e se adequando, o desafio ficará para as empresas de pequeno porte, pois a Lei obriga que elas indiquem um 'encarregado' que será responsável quando o assunto for dados pessoais, orientando inclusive os demais funcionários sobre o cumprimento da lei".

Para a presidente da Acoplan, a nova lei irá contribuir com o desenvolvimento do setor de planos de saúde. "O consumidor estará mais atento aos seus direitos, o que é muito bom, uma vez que exigirá que as empresas entreguem um serviço de qualidade cada vez melhor".

Os caminhos do acesso: jornada para tratar doenças raras é realidade para milhares de famílias brasileiras


Após o diagnóstico, pacientes ainda aguardam anos para ter acesso ao tratamento


A primeira crise convulsiva aconteceu por volta dos 3 anos de idade, mas o diagnóstico de CLN2, doença que provoca a destruição progressiva das células do sistema nervoso, só chegou no final de 2017 e, até o momento, a paciente que sofre com essa neurodegeneração, Vitória Carolaine, de 6 anos de idade, não tem previsão para iniciar o tratamento.

Essa é a realidade de milhares de pacientes com doenças raras no Brasil. “Dependendo da doença, o paciente raro leva anos para ter um diagnóstico, e como se já não fosse suficiente, sofre com a demora e dificuldade para receber um tratamento adequado”, reforça Regina Próspero, Vice-Presidente do Instituto Vidas Raras.

Durante os 3 anos, após os primeiros sintomas, Vitória Carolaine passou por inúmeros pediatras e neurologista até que chegou à doutora Larissa Mehl. A neurologista, do Hospital Infantil de Itajaí, foi requisitada a ver a menina após uma internação em decorrência das constantes crises convulsivas que Vitória apresentava. “Depois de avaliá-la e conhecer um pouco da história dessa família, eu suspeitei que pudesse ser CLN2 e alguns exames realizados em conjunto com um médico geneticista nos levaram a esse diagnóstico”.

De acordo com Jacilene Loes, mãe da menina, a família tenta conseguir o tratamento indicado com ajuda da Defensoria Pública, mas ainda não tem uma previsão de quando isso acontecerá. “Sem o tratamento, a expectativa de vida de pacientes com CLN2 é em média de 12 anos de idade¹, hoje, aos 6 anos, a Victória tem um quadro neurológico bem comprometido e o tratamento pode auxiliar na estabilização da doença, oferecendo a ela mais tempo”, explica a Dra. Mehl.

Além da família Loes, centenas de pessoas podem estar passando pela mesma situação. De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), há em torno de 13 milhões pacientes com doenças raras no país1. A família Próspero é uma delas e conhece de perto os efeitos da ausência de tratamento.

Hoje vice-presidente do Instituto Vidas Raras, Regina Próspero se envolveu na causa após passar pelas dificuldades proporcionadas pelas Mucopolissacaridoses (MPSs). Seu primeiro filho, Nilton, nasceu em 1988 e aos seis meses de idade ouviu pela primeira vez sobre a possibilidade de ser um paciente com MPS.

O diagnóstico se concretizou quando o menino tinha 5 anos, Niltinho e seu irmão mais novo, Eduardo – o Dudu – tinham MPS VI. “A médica logo falou que, entre todos os tipos de MPS, essa era a menos prejudicial, e que não havia tratamento e o melhor que poderíamos fazer era dar muito amor e carinho porque a vida dos dois seria muito difícil”, relembra Regina.

Naquela época o tratamento para MPS ainda não estava consolidado no país, por isso a doença não foi tratada e tudo o que Nilton recebeu foi auxílio de inúmeros especialistas e cuidados paliativos. “A doença causou um problema muito sério na coluna dele, mas tudo o que podíamos fazer era cuidar das sequelas. Mesmo nessa batalha ele foi uma criança feliz”. Nilton faleceu pouco tempo depois do diagnóstico, mas deixou um legado: a batalha dos pais para manter Dudu vivo.

“Eu não tive uma progressão tão grave quanto a do meu irmão, que faleceu aos 6 anos. Porém, a partir dos meus 5 anos, a doença começou a avançar”, explica Dudu. Ao contrário de Nilton, ele perdeu a visão, audição e teve o comprometimento do sistema respiratório. “Conforme o Dudu crescia, a doença avançava e a gente sabia que ele não ia aguentar mais um ano sem tratamento. Ele estava aos trancos e barrancos, vivíamos em hospitais e tudo que eu pensava era se nós estávamos subestimando ele ou a doença”.

Aos treze anos de idade, Eduardo fez parte de um estudo clínico que foi responsável por trazer o tratamento para MPS à América Latina e, com o início das infusões, apresentou uma melhora em sua qualidade de vida. Hoje, recuperou muito do que havia perdido, inclusive sua independência para cursar Direito na universidade.

Falta de medicamentos

Algo que infelizmente tem se tornado comum para os pacientes de doenças raras é a falta de medicamentos. Mesmo depois do diagnóstico e início do tratamento, muitos pacientes têm sofrido com a interrupção do fornecimento dos medicamentos que tratam e controlam a progressão de doenças. “O que as pessoas precisam entender é que a saúde desses pacientes está em risco”, alerta Regina. “A falta do tratamento causa um declínio muito rápido. Muitas vezes são crianças que após um mês sem assistência já apresentam falta de ar, dor intensa ao respirar. Isso é injusto e inaceitável”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para ser considerada rara, a doença tem que afetar uma em cada 2 mil pessoas2. Embora o número total não seja conhecido, sabe-se que 80% é causado por alterações genéticas e 20% por fatores imunológicos, infecciosos, reumatológicos e cânceres1.






BioMarin




Referências
1.  Sociedade Brasileira de Genética Médica. Doenças Raras. Disponível em: http://www.sbgm.org.br/informacoes/doencas-raras. Acesso em 25 de setembro de 2018.
2.  WHO. Coming together to combat rare diseases. Disponível em:  http://wwwwhoint/bulletin/vol umes/90/6/12-020612/en/. Acesso em 13 de setembro de 2018.

Como manter a cabeça fria meses antes do ENEM e dos principais vestibulares do país


A pressão aumenta conforme o período de provas se aproxima, por isso o Professor Rubão, coordenador do Vetor Vestibulares dá a dica para o estudante não se estressar e pôr tudo a perder pelo nervosismo


O ENEM vai ser realizado no início de novembro e a grande maioria dos vestibulares ocorre logo em seguida, ou seja, falta tempo para que os alunos dos cursinhos de todo país ponham à prova o que estudaram durante todo o ano.

Com isso em mente, o Professor Rubão, Coordenador do Curso Vetor, usou seus anos de conhecimento e experiência com cursinhos para preparar uma lista de cinco dicas práticas que os estudantes podem usar para aproveitar ao máximo estes últimos momentos pré-vestibular. Confira:

  1. Não pense apenas em estudar
Por incrível que pareça, a dica de ouro é se dedicar a outras atividades. "O Curso Vetor tem como foco o vestibular de medicina, que é um dos mais concorridos da Brasil. Apesar da concorrência, meu principal conselho é que os alunos evitem estudar demasiadamente porque um cérebro cansado não tem capacidade de absorver conhecimento. Por isso, arranje tempo para estar com amigos e família, pratique esportes, vá ao cinema, o que preferir, sem culpa", aconselha o Professor Rubão.

  1. Resolva provas anteriores
Depois de meses estudando com disciplina, as competências já foram adquiridas, por isso o ideal para ganhar confiança é resolver questões de provas anteriores. "Isso vale principalmente para o ENEM, que tem um peso muito maior hoje em dia do que anos atrás. As questões variam, mas o formato é parecido, portanto, é bacana se familiarizar com a prova", diz o especialista.

  1. Tire dúvidas
Em vez de se preocupar em revisar todo o conteúdo de diversas disciplinas, o aluno pode buscar a resolução das dúvidas das matérias de cada uma das quais teve mais dificuldade. "A verdade é que não há como saber o que vai cair na prova", diz Rubão. Ele explica que a cada ano há uma tendência em relação ao conteúdo das perguntas, por isso quanto mais bem preparado os estudantes estiverem, mais chances eles têm.

  1. Leia "o jornal"
Ninguém quer que uma geração tão conectada quanto a Z vá à banca e compre o jornal todos os dias, mas há formas de se manter bem informado pela internet que fazem total diferença durante as provas. "Principalmente a redação vai exigir um bom repertório, seja de conhecimento geral, seja de vocabulário, e isso só se adquire lendo". Uma boa estratégia é baixar um aplicativo de um grande portal e ir conferindo as notícias conforme o celular alerta.

  1. Durma bem
Para Rubão, é fundamental que o aluno não passe noites em claro estudando. Dormir bem reduz o estresse porque durante o sono o corpo diminui a produção de cortisol e adrenalina, estimula o raciocínio, ativa a memória e melhora o humor.

Embora as provas estejam próximas, o Curso Vetor ainda está recebendo matrículas para as revisões especiais para o Enem e demais vestibulares. Para saber mais, acesse o site www.sistemavetor.com.br. Todos os alunos do Vetor também recebem orientação de estudos individual, semanalmente. A coordenação monta a rotina de estudo de acordo com o desempenho nos simulados. Dessa forma, os vestibulandos têm a rotina de estudos semanal planificada, o que aumenta o rendimento.



RS é o segundo estado brasileiro com maior comportamento suicida entre adolescentes


Especialistas da saúde abordam o tema sob diferentes perspectivas


O comportamento suicida, tema tão discutido atualmente e que, nos últimos anos, conquistou um mês para marcar as ações específicas sobre a prevenção tem atingido não só os adultos, mas já se tornou a terceira causa de morte na adolescência. O luto, para quem fica também é uma questão que precisa ser abordada de forma mais aprofundada, auxiliando familiares e amigos a conviverem com a ausência de quem decidiu partir.

Em evento realizado pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) na última semana, todos estes tópicos ganharam repercussão, chamando atenção, principalmente, o fato de que, em 2017, o Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar no ranking de tentativas contra a própria vida, praticados por adolescentes. A informação foi repassada pela psiquiatra infantil Berenice Rheinheimer.

- A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que aconteçam cerca de 800 mil suicídios por ano. Destes, aproximadamente 67 mil são de menores de 19 anos – relata Berenice.

Ainda de acordo com a psiquiatra, o perfil de quem comete suicídio não é o mesmo de quem faz tentativas. Desta forma, a médica reforça a necessidade de ações específicas para cada grupo, exemplificando com a iniciativa da Coreia do Sul, “Ponte da Vida”, a qual reduziu em 85% o número de mortes por este motivo no país. A ação teve início em 2012 e consiste em um sensor que ativa luzes quando alguém se aproxima da borda de segurança. Em frente, estão frases como “Vá ver as pessoas de quem você sente saudade” e “Os melhores momentos da sua vida ainda estão por vir”.

Paralelamente, o comportamento suicida entre adultos continua preocupando a comunidade médica. De acordo com o psiquiatra Rafael Moreno de Araújo, homens com idade entre 40 e 49 anos tentam mais contra a própria vida do que as mulheres. Em pesquisa realizada pelo profissional, com cerca de cinquenta mil pessoas através da internet em todo o Brasil, 60% das pessoas já teve pelo menos um pensamento suicida passageiro.

- Aproximadamente 50% das pessoas consegue cometer suicídio na primeira tentativa. Destas, a metade teve diagnóstico de algum transtorno mental ou já passaram por algum clínico mental. Entre as características da tentativa, 60% age impulsivamente, 14% passa cerca de seis meses planejando o ato e 22% já tentaram ambos – explica Araújo.

Uma perspectiva que também merece atenção quando o assunto é comportamento suicida é o luto. O médico de família e comunidade e monge zen budista, André Yakusan Silva, afirma que para cada suicídio, são afetadas direta ou indiretamente, mais de cem pessoas.

- Entre as diferenças do luto e da depressão estão a culpabilidade pela situação, que no primeiro caso é dirigida aos outros e ao destino e na segunda situação é à própria pessoa; os sintomas psicóticos, que não ocorrem no luto, embora seja possível imaginar ou ver e ouvir a pessoa falecida e a evolução dos sintomas, que são persistentes na depressão e flutuantes no luto – explana Silva.

Distúrbios relacionados ao sono, apetite e isolamento social são comportamentos característicos de quem está passando pelo processo de luto. De acordo com o médico e monge, é necessário ajudar a pessoa a se dar conta da perda e a viver com a ausência do falecido. Com relação ao luto por suicídio, aconselha-se escutar sem julgamentos, críticas ou preconceitos, ser paciente e não evitar o nome de quem faleceu.




Ana Carolina Lopes (AMRIGS) e Francine Malessa




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