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As festas juninas, celebradas por todo o
Brasil em escolas, igrejas e comunidades, são marcadas pelas “quadrilhas”. A
dança, que tem origem na quadrille francesa, popular entre a elite nos
séculos XVIII e XIX nos salões europeus, chegou em nosso País com a colonização
portuguesa. Por aqui, passou por adaptações e incorporou ainda elementos dos
povos africanos escravizados, firmando-se como uma tradição da cultura popular,
sobretudo nas áreas rurais e do interior.
Muito além das roupas caipiras e das músicas
tradicionais, a dança típica é uma importante ferramenta pedagógica. No
ambiente escolar, estimula coordenação motora, memória, socialização, expressão
corporal e cooperação entre os estudantes.
De acordo com Diego Leite, professor de
Educação Física do colégio Progresso Bilíngue de Vinhedo (SP),
a quadrilha junina representa um momento rico de aprendizagem coletiva. “A
dança junina envolve ritmo, atenção, escuta e interação. Os alunos aprendem a
seguir comandos, trabalhar em grupo e respeitar o espaço do outro. Além disso,
existe um forte aspecto cultural, porque eles têm contato com tradições populares
brasileiras”, afirma.
Segundo o educador, o trabalho em conjunto
dos ensaios também ajuda no desenvolvimento socioemocional. “Muitas crianças
chegam tímidas ou inseguras e, ao longo do processo, passam a se sentir mais
confiantes para se apresentar em público. É uma atividade que fortalece
vínculos, promove pertencimento e incentiva a colaboração”, explica.
Os passos da dança de quadrilha junina
A quadrilha junina mistura coreografia,
música e teatro. A apresentação costuma representar, de forma divertida e
bem-humorada, um casamento caipira, geralmente envolvendo personagens como os
noivos, o padre e os convidados. Ao longo da dança, os participantes seguem
comandos narrados que conduzem os movimentos e formações dos casais, criando
uma encenação marcada pela interação, pelo clima festivo e pela valorização das
tradições populares brasileiras.
A seguir, o professor explica os passos da
dança.
1. Formação inicial
Antes do início da música, os casais se
posicionam em duas filas — tradicionalmente separadas entre damas e cavalheiros
— ou em formato de roda. O marcador da quadrilha, responsável por conduzir a
dança, dá os primeiros chamados para organizar os participantes. É comum ouvir
comandos como: “Vamos arrumar a quadrilha!”, “Preparar os pares!”
e “Todo mundo animado, que a festa vai começar!”.
2. Cumprimento aos convidados
Com a quadrilha formada, os participantes
fazem uma saudação ao público e aos colegas de dança. Os casais podem se
inclinar levemente, acenar ou girar uns para os outros. O narrador geralmente
anuncia: “Olha o cumprimento!”, “Cumprimenta a dama!” e “Agora
o cavalheiro!”.
3. Anarriê
Derivado do francês en arrière (“para
trás”), o comando orienta os casais a recuar alguns passos, normalmente
mantendo a formação da fila ou da roda. O marcador costuma gritar: “Anarriê!”
ou “Todo mundo pra trás!”.
4. Anavantú
Inspirado na expressão francesa en avant
tout (“todos à frente”), esse momento faz os pares avançarem em direção ao
centro da formação ou em direção ao casal da frente. O chamado tradicional é: “Anavantú!”,
acompanhado de frases como “Agora pra frente!” ou “Olha o encontro
dos casais!”.
5. Balancê
Um dos movimentos mais conhecidos da
quadrilha. Os casais balançam o corpo de um lado para o outro, acompanhando o
ritmo da música e segurando as mãos dos pares. O marcador anima a dança com
expressões como: “Balancê, balancê!”, “Olha o requebrado!” e “Capricha
no passo!”.
6. Caminho da roça
Os participantes simulam um passeio pelo
interior, caminhando em fila ou circulando pelo salão. Em algumas coreografias,
os casais fingem desviar de obstáculos imaginários. Os comandos mais comuns
são: “Olha o caminho da roça!”, “Cuidado com o buraco!” e “Não
pisa na lama!”.
7. Olha a chuva!
Em um dos momentos mais divertidos da
quadrilha, o marcador interrompe a dança com o famoso grito: “Olha a chuva!”.
Os participantes fingem se proteger, levantando os braços, correndo ou se
abaixando. Logo depois, vem a brincadeira tradicional: “É mentira!”,
arrancando risadas do público.
8. Já passou!
Após a falsa chuva, os casais retomam seus
lugares e continuam dançando. O marcador costuma dizer: “Já passou!”, “Continuem
o arrasta-pé!” ou “Segue a quadrilha!”.
9. Túnel
Um casal levanta os braços formando um arco,
enquanto os demais passam por baixo da fila. O movimento cria um efeito visual
animado e costuma ser acompanhado de comandos como: “Olha o túnel!”, “Passa
por baixo!” e “Ninguém pode bater a cabeça!”.
10. Grande roda
Todos os participantes dão as mãos e formam
uma grande roda, girando ao redor do salão no ritmo da música. O marcador
incentiva: “Grande roda!”, “Vamos girar!” e “Todo mundo
junto!”.
11. Troca de pares
Os participantes mudam rapidamente de
parceiro, tornando a dança mais dinâmica e promovendo integração entre todos os
casais. O comando tradicional é: “Troca de dama!” ou “Troca de
cavalheiro!”, seguido de brincadeiras como “Não vale escolher!”.
12. Caracol
Os casais formam uma fila em espiral,
aproximando-se do centro da roda, e depois desfazem o movimento retornando à
formação original. Durante esse momento, o marcador costuma anunciar: “Olha
o caracol!”, “Enrola, enrola!” e “Agora desenrola!”.
13. Passeio dos noivos
Em muitas quadrilhas, o casal principal ganha
destaque em um desfile pelo salão, representando o casamento caipira típico das
festas juninas. Os demais participantes acompanham o trajeto celebrando a
união. O marcador costuma chamar: “Olha os noivos!”, “Viva os
noivos!” e “Palmas para o casal!”.
14. Coroação ou encerramento
Para finalizar, todos os participantes
retornam à roda ou se alinham para os agradecimentos finais ao público. Algumas
quadrilhas terminam com uma última reverência ou pose coletiva. O encerramento
geralmente vem acompanhado de frases como: “A quadrilha terminou!”, “Uma
salva de palmas!” e “Viva São João!”.
O especialista
Diego Leite é graduado em Educação Física pela Metrocamp e pós-graduado em Educação Física Escolar pela Universidade Gama Filho (UGF/RJ). Iniciou sua trajetória profissional no Colégio Progresso em 2006, onde atua hoje como coordenador e professor de Educação Física na unidade de Vinhedo (SP), desenvolvendo um trabalho voltado à formação integral dos alunos, unindo movimento, cultura, socialização e desenvolvimento socioemocional.
International Schools Partnership – ISP
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