Com o crescimento do esporte no país, médicos reforçam a importância de avaliação prévia, hidratação e progressão gradual nos treinos
A
corrida de rua nunca esteve tão em alta no Brasil. Em 2025, o país ultrapassou
a marca de 15 milhões de corredores, com crescimento de 15% em relação ao ano
anterior, segundo a pesquisa “Por Dentro do Corre”, realizada pela consultoria
Box1824 a pedido da Olympikus. O levantamento mostra ainda que a corrida já é o
quarto esporte mais praticado pelos brasileiros, atrás apenas da caminhada,
musculação e futebol.
Mais
do que um fenômeno esportivo, a corrida se consolidou como uma prática ligada
ao bem-estar físico e emocional. Segundo o estudo, 47% das pessoas começaram a
correr em busca de melhora na saúde física, enquanto 34% procuraram o esporte
como aliado da saúde mental.
O
crescimento também mudou o perfil dos corredores. As mulheres passaram de 42%
para 50% dos praticantes em apenas um ano. Já entre os jovens de 18 a 24 anos,
a participação saltou de 12% para 20%.
Mas,
em meio ao aumento acelerado de novos adeptos, especialistas alertam que
começar a correr sem preparo adequado pode aumentar o risco de lesões,
sobrecarga muscular e até complicações cardiovasculares.
Para
o cardiologista Pedro
Henrique Pedruzzi Segato, disponível na Doctoralia, maior plataforma de saúde
do país, um dos principais erros dos iniciantes é subestimar a exigência física
da corrida. “A corrida é uma atividade extremamente benéfica para a saúde
cardiovascular e mental, mas exige preparo. Antes de iniciar, é importante
realizar uma avaliação médica com exame físico e exames básicos, como
eletrocardiograma e teste ergométrico”, explica.
Alguns
sintomas durante os treinos ou provas merecem atenção imediata. “Dor no peito,
tontura, desmaios, fadiga excessiva ou um cansaço desproporcional podem ser
sinais de alerta para doenças cardiovasculares. Principalmente em pessoas com
fatores de risco ou doenças pré-existentes, esses sintomas nunca devem ser
ignorados”, alerta o especialista.
Além
da avaliação médica, p Dr. Pedro Henrique orienta que uma boa hidratação, noites
adequadas de sono e alimentação rica em carboidratos nos dias que antecedem a
prova são fundamentais. “Também é importante manter treinos regulares e, sempre
que possível, contar com acompanhamento profissional”, orienta o cardiologista.
O
ortopedista Luiz
Muller Avila, também disponível na Doctoralia, destaca que a evolução nos
treinos deve ser gradual. “O preparo para uma corrida exige tempo e paciência.
A progressão de distância, velocidade e tempo de treino deve acontecer aos
poucos. Muitas lesões em corredores amadores acontecem justamente pelo aumento
inadequado da carga”, afirma.
Joelhos,
tornozelos, pés e “canelas” concentram as principais queixas dos corredores
iniciantes. “As lesões mais comuns costumam envolver sobrecarga óssea, tendões
e ligamentos. Exercícios de fortalecimento muscular ajudam muito na proteção
das articulações e na prevenção de dores”, explica.
Os
especialistas também fazem um alerta importante para o dia da prova: improvisos
podem comprometer o desempenho e a saúde. “O dia da corrida não é momento para
testar um tênis novo, roupas diferentes ou mudanças radicais na alimentação. O
ideal é manter aquilo que o corpo já está acostumado durante os treinos”,
reforça Luiz Muller Avila.
Após
a prova, os cuidados continuam fundamentais. Hidratação, reposição nutricional
adequada e descanso ajudam na recuperação muscular e evitam complicações.
“Água, isotônicos, refeições leves com carboidratos e proteínas, além de uma
boa noite de sono, fazem parte da recuperação do organismo após a corrida”,
finaliza o ortopedista.
Doctoralia
Grupo Docplanner
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