Condição pode evoluir sem sinais evidentes no início da gestação e exige pré-natal rigoroso, rastreamento de risco e acompanhamento contínuo para reduzir complicações graves
A
cada ano, cerca de 80 mil mulheres e 500 mil bebês morrem no mundo em
decorrência da pré-eclâmpsia, segundo a Organização Mundial da Saúde. No
Brasil, a doença responde por um em cada quatro óbitos maternos e ocupa, há
décadas, o topo da lista de causas evitáveis de morte na gestação. A condição
atinge cerca de 1,5% das gestantes brasileiras, podendo ultrapassar 7% em
primeiras gestações. O cenário é ainda mais grave em regiões de menor
desenvolvimento socioeconômico, onde a mortalidade materna pela doença pode
chegar a 22%.
Um
dos principais desafios da pré-eclâmpsia é o fato de muitas mulheres não
apresentarem sintomas evidentes no início do quadro. Por isso, o acompanhamento
pré-natal estruturado é indispensável para o diagnóstico oportuno. Entre os
sinais que merecem atenção estão cefaleia intensa, alterações visuais, dor na
região superior do abdome, inchaço acentuado e ganho de peso abrupto.
“Na
pré-eclâmpsia, observar apenas os sintomas mais evidentes não basta. Um
pré-natal rigoroso, com monitoramento contínuo da pressão arterial, exames
periódicos e avaliação dos fatores de risco, permite identificar precocemente
qualquer alteração e evitar complicações graves. O ideal é que a gestante
realize consultas pelo menos uma vez por mês”, afirma Dr. Eduardo Cordioli,
diretor de Obstetrícia do Grupo Santa Joana.
O
rastreamento adequado permite identificar, já no início da gravidez, mulheres
com maior chance de desenvolver a doença. Protocolos internacionais consagrados
combinam, no primeiro trimestre, histórico materno, pressão arterial média,
achados de Doppler das artérias uterinas e biomarcadores. Essa avaliação
possibilita estratificar o risco e orientar medidas preventivas. Em gestantes
com indicação clínica, o uso de ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado
preferencialmente antes de 16 semanas e mantido até 36 semanas, reduz a
ocorrência de pré-eclâmpsia e de desfechos relacionados.
Além
da avaliação clínica e dos exames tradicionais, ferramentas de inteligência
artificial integradas ao prontuário eletrônico vêm ampliando a capacidade de
identificar riscos ao longo da gestação. Esses sistemas organizam dados,
facilitam o acompanhamento da
pressão
arterial e dos exames laboratoriais e geram alertas que apoiam a equipe na
detecção precoce de padrões de risco, benefício já reconhecido pelo American
College of Obstetricians and Gynecologists.
Evidências
recentes reforçam esse potencial. Um estudo de 2026 publicado na JAMA Network
Open demonstrou que modelos baseados em dados rotineiros do prontuário
eletrônico conseguem prever o risco de pré-eclâmpsia em curtos intervalos de
tempo no fim da gestação. Outras pesquisas também apontam avanços semelhantes
na estratificação de risco já no primeiro trimestre.
“A
tecnologia não substitui a experiência clínica, mas amplia a capacidade de
monitoramento e resposta das equipes. Esse avanço é especialmente relevante em
cenários de alto risco, nos quais pequenas alterações podem sinalizar
deterioração materna. A integração entre prontuário eletrônico, protocolos
assistenciais e comunicação eficiente reduz falhas, qualifica o cuidado e
permite respostas mais rápidas diante de sinais de alerta”, diz Cordioli.
A
prevenção da pré-eclâmpsia continua fundamentada em um pré-natal de qualidade,
no qual a tecnologia atua como aliada para ampliar o monitoramento e apoiar
decisões clínicas mais precisas. Ainda assim, mesmo com todos os avanços, o que
realmente faz diferença é a rotina bem estruturada de consultas, exames
atualizados, orientação individualizada e acesso rápido aos serviços de saúde
diante de qualquer sinal de alerta, fatores que, comprovadamente, reduzem o
risco de desfechos graves.
Esse entendimento é reforçado pela Organização Mundial da Saúde, que destaca que uma assistência pré-natal organizada, com avaliação contínua e intervenções oportunas ao longo da gestação, permanece como a estratégia mais eficaz para proteger a saúde da mãe e do bebê.
Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br
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