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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: 4 ações para empresas irem além das palestras e promoverem a saúde mental contínua

 Especialistas alertam que campanhas pontuais não bastam e reforçam a necessidade de subsídio a tratamentos, segurança psicológica e acompanhamento da adesão terapêutica no ambiente de trabalho

 

Setembro chegou e, com ele, ganha força a discussão sobre o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção da saúde mental. No ambiente corporativo, a pauta se torna ainda mais relevante com a atualização da NR-1, que passou a exigir a identificação e a gestão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho. 

Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 232.382 afastamentos por transtornos mentais, ante 267.690 no mesmo período de 2025, uma queda de 13,2%. Ainda assim, levantamento da Cajuína, por meio do projeto Data Cajuína, aponta que é cedo para afirmar que o país reverteu definitivamente a curva de crescimento observada nos últimos cinco anos. 

Diante desse cenário, iniciativas voltadas à saúde mental precisam fazer parte da rotina das empresas. Palestras e campanhas continuam sendo importantes para abrir espaço ao diálogo, mas é necessário ir além, com ações contínuas que contribuam de forma efetiva para o bem-estar dos colaboradores. 

Para mostrar caminhos possíveis, especialistas trazem dicas de práticas e iniciativas que podem ser implementadas no ambiente corporativo


1. Garantir acesso, uso responsável e continuidade ao longo da jornada terapêutica

Para que o cuidado com a saúde mental aconteça durante todo o ano, as empresas precisam ir além da conscientização e criar condições para que o tratamento seja iniciado e mantido de forma adequada. Barreiras financeiras, dificuldade de acesso, uso inadequado e interrupção precoce dos medicamentos podem comprometer os resultados. Nesse contexto, o benefício farmácia corporativo pode combinar subsídio aos medicamentos prescritos com o acompanhamento responsável de indicadores da jornada de adesão, como início do tratamento, regularidade das dispensações e possíveis interrupções. Quando integrado a canais de acolhimento e acompanhamento profissional, esse recurso permite direcionar ações de apoio no momento oportuno, respeitando a confidencialidade, a proteção de dados e a autonomia do paciente.

“Na saúde mental, facilitar o acesso é essencial, mas o cuidado somente se sustenta quando existe continuidade. A análise da jornada de adesão pode sinalizar atrasos, irregularidades ou interrupções precoces, criando a oportunidade de reconectar a pessoa aos canais de cuidado. O medicamento pode ser uma ferramenta importante, mas precisa estar inserido em uma estratégia mais ampla, com orientação profissional, acompanhamento e reavaliação ao longo do tempo. É assim que a saúde mental deixa de ser uma pauta restrita a campanhas pontuais e passa a fazer parte da cultura de cuidado da empresa”, enfatiza o Dr. Ricardo Moraes, Diretor Médico da
Funcional, empresa pioneira e líder em programas de acesso e adesão em saúde no Brasil.


2. Capacitar lideranças para promover a segurança psicológica e identificar sinais precoces de sobrecarga

Tão importante quanto diagnosticar os riscos e garantir o acesso ao tratamento é assegurar que o ambiente de trabalho no dia a dia seja pautado pela segurança psicológica. Os gestores diretos são a primeira linha de contato e precisam estar capacitados para praticar a escuta ativa, reconhecer alterações de comportamento na equipe e acolher o colaborador sem julgamento ou caráter punitivo. Criar uma cultura na qual os profissionais se sintam seguros para relatar que estão passando por um momento difícil é fundamental para intervir antes que o estresse evolua para um quadro grave.

Para Ricardo Mattos, CEO da
Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics, a atitude dos gestores é decisiva para a prevenção: "A liderança é a ponte entre as políticas de saúde mental da empresa e a realidade da equipe. Quando capacitamos os gestores para identificar sinais sutis de sobrecarga e agir com empatia, transformamos a segurança psicológica em uma prática diária. O colaborador precisa ter a certeza de que pedir ajuda não colocará em risco sua reputação ou seu emprego".


3. Integrar a saúde financeira ao cuidado mental por meio de programas que auxiliam os efeitos psicológicos causados pelo superendividamento.

Promover saúde mental no ambiente corporativo também exige olhar para a vida financeira dos trabalhadores. O superendividamento, potencializado pela expansão das apostas online (bets), pode gerar uma sobrecarga emocional e impactos nas relações familiares. Nesse cenário, programas que ofereçam educação financeira, apoio à renegociação de dívidas e suporte psicológico sigiloso, inclusive via WhatsApp, podem atuar de forma preventiva e ampliar o cuidado aos familiares. 

Para Eduardo Melo, psicólogo e supervisor do Programa de Saúde Mental na
HealthBit, consultoria especializada em saúde corporativa, não é possível falar de saúde mental no trabalho sem considerar o impacto do estresse financeiro. “As dívidas e a compulsão por apostas tiram o sono, comprometem o foco e podem desestabilizar famílias. Oferecer um canal seguro para reorganizar a vida financeira e receber apoio emocional é construir uma rede real de cuidado”.


4. Mapear os riscos psicossociais com testes validados para diagnosticar o ambiente de trabalho

Para atender às exigências da NR-1 no gerenciamento de riscos psicossociais e ir além de campanhas pontuais, as empresas devem utilizar instrumentos e testes psicossociais validados cientificamente. Aplicadas por profissionais habilitados, essas avaliações mensuram fatores como sobrecarga de trabalho, grau de autonomia e segurança psicológica, fornecendo dados objetivos para o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Para Alessandra Pinatti Kinjo, Mestre em Psicologia e Consultora da
Vetor Editora, a avaliação psicossocial no ambiente ocupacional é usada para diagnosticar a saúde da própria estrutura de trabalho. “Ao utilizar ferramentas psicológicas com respaldo científico, a organização identifica com precisão quais dinâmicas geram sobrecarga e consegue intervir nos processos antes que a exaustão se converta em afastamentos ou acidentes operacionais."


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