terça-feira, 22 de setembro de 2026

Setembro Verde: Inflamação crônica no intestino é fator de risco direto para o câncer colorretal

No Setembro Verde, gastroenterologista explica a relação entre condições como doença de Crohn e retocolite ulcerativa com o surgimento de tumores

 

O câncer colorretal é o segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil1, tanto em homens quanto em mulheres (atrás apenas dos cânceres de próstata e mama, respectivamente). Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 54 mil novos casos por ano até 2028.2 O que pouco se discute, no entanto, é o risco oculto para uma parcela específica da população: os pacientes diagnosticados com doenças inflamatórias intestinais (DII), como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn. 

Durante o Setembro Verde, campanha nacional dedicada à prevenção do câncer de intestino, médicos e especialistas alertam para a importância de olhar para a inflamação crônica como um alerta primário. Pessoas que convivem com DII e não mantêm a doença sob controle rigoroso apresentam um risco significativamente maior de desenvolver displasias (alterações celulares) e, consequentemente, o câncer colorretal ao longo dos anos.3  

"A inflamação crônica no trato gastrointestinal funciona como uma agressão contínua às células da mucosa do intestino. Com o passar do tempo, o corpo tenta reparar essas lesões repetidas, o que aumenta drasticamente a chance de mutações genéticas que levam ao câncer", explica a Dra. Virgínia Almeida, médica gastroenterologista da Ferring Brasil. "Cuidar da inflamação crônica hoje, aderindo ao tratamento correto, é a maneira mais eficaz de prevenir o câncer amanhã".

 

A perigosa normalização dos sintomas 

Um dos grandes obstáculos na jornada do paciente com DII é a banalização dos próprios sintomas. “É comum que pessoas com quadros inflamatórios ativos se acostumem a viver com cólicas frequentes, dores abdominais crônicas, diarreia persistente e até mesmo sangramento nas fezes”, explica a especialista.

"Muitos pacientes normalizam o sangramento, atribuindo-o a hemorroidas ou a um sintoma 'esperado' da sua DII, e acabam adiando a busca por ajuda. Sangramento e dor nunca devem ser considerados normais. Eles são sinais de que a inflamação está ativa ou de que algo mais grave, como um tumor inicial, pode estar se desenvolvendo", complementa.

 

Prevenção em duas frentes: O papel do tratamento e do rastreio 

A abordagem contra o câncer colorretal em pacientes com DII deve acontecer em duas frentes complementares. A prevenção primária consiste no controle absoluto da inflamação intestinal (remissão da doença) por meio de terapias médicas adequadas, evitando que o intestino sofra lesões contínuas.4  

Já a prevenção secundária baseia-se no rastreamento ativo. Enquanto a população geral é orientada por diretrizes globais e pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) a iniciar o rastreio com colonoscopia a partir dos 45 anos, pacientes com DII têm um calendário diferente. 5 Dependendo da extensão do acometimento intestinal, recomenda-se que as colonoscopias de vigilância comecem entre 8 a 10 anos após o início dos sintomas da doença inflamatória, independentemente da idade do paciente, devendo ser repetidas em intervalos regulares definidos pelo médico. 6  

"A colonoscopia não é apenas um exame diagnóstico, é uma ferramenta de intervenção capaz de identificar e remover pólipos e lesões pré-malignas antes que se transformem em câncer. Pacientes com doença de Crohn e retocolite ulcerativa precisam entender que o acompanhamento médico contínuo é o seu maior escudo. O diagnóstico de uma DII não é uma sentença, mas exige protagonismo e cuidado redobrado com a própria saúde", conclui a Dra. Virgínia.

  

 Ferring Brasil 
https://www.ferring.com.br/

 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS

  1. Site Instituto Nacional do Câncer - INCA. INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Disponível em: Link. Acesso em: setembro, 2026.
  2. Site Instituto Nacional do Câncer - INCA. Estimativas. Disponível em: Link. Acesso em: setembro,2026.
  3. Site Organização Brasileira de Doença de Crohn e Colite – GEDIIB. 14. Câncer colorretal e a Doença Inflamatória Intestinal. Disponível em: Link. Acesso em setembro, 2026.
  4. DUTRA, Vívian Barcelos de Souza; OLIVEIRA, Maitê Rocha; TANAKA, Lara de Carvalho; ROCHA, João Victor Guimarães Rangel Ferreira; COLLE, Sidinara. Câncer de cólon e doença inflamatória intestinal: fatores de risco, diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação — REASE, São Paulo, v. 10, n. 11, 2024
  5. Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP): Diretrizes Nacionais para o Rastreamento do Câncer Colorretal. Disponível em: Link. Acesso em setembro, 2026.
  6. Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn. CIRURGIA PARA DOENÇA DE CROHN E RETOCOLITE ULCERATIVA. Disponível em: Link. Acesso em: setembro, 2026


Nenhum comentário:

Postar um comentário