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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Câncer infantil: tempo é decisivo no diagnóstico do neuroblastoma


Sintomas podem se confundir com doenças comuns da infância, o que pode atrasar a identificação da doença e o encaminhamento para um centro de referência 

Barreiras ao acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento especializado ainda são desafios no tratamento do câncer infantojuvenil no Brasil

 

Tanto o diagnóstico quanto o tratamento do neuroblastoma, um dos tipos de câncer que podem acometer crianças, ainda enfrentam desafios no Brasil. Entre eles estão a demora na identificação da doença, o tempo e as dificuldades para que o paciente chegue a um centro de referência e o acesso limitado a tratamentos especializados. Nesse cenário, a agilidade em reconhecer os sinais, confirmar o diagnóstico e encaminhar a criança para atendimento especializado é fundamental, já que o início oportuno do tratamento pode aumentar as chances de cura. 

Entre os sinais que merecem atenção estão dores sem causa aparente, cansaço extremo, alterações no apetite, perda de peso repentina, aparecimento de nódulos ou aumento de volume em regiões como abdômen, pescoço ou tórax e sangramentos inexplicáveis, incluindo pelo nariz ou gengivas¹. A presença desses sintomas, isoladamente, não significa que a criança tenha câncer, mas pode indicar a necessidade de avaliação profissional. 

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Mariana Bohns Michalowski, a atenção aos sinais que persistem ou evoluem é importante para que o diagnóstico seja realizado adequadamente. “Como os sintomas do câncer infantil podem ser semelhantes aos de doenças comuns da infância, é importante observar a evolução do quadro e estar atento a mudanças que persistam, se agravem ou não apresentem uma explicação clara. Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para investigar a causa e definir a melhor conduta para cada criança.”
 

Diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento
 

A identificação do câncer nas fases iniciais é um dos fatores que contribuem para melhores resultados no tratamento. Dependendo do tipo e das características da doença, podem ser utilizados recursos como quimioterapia, radioterapia, cirurgia e, em alguns casos, transplante de medula óssea. 

Os desafios relacionados à identificação precoce ficam evidentes no caso do neuroblastoma. Um levantamento realizado pelo Instituto Vidas Raras, com apoio da Adium, reforça a importância de ampliar a conscientização sobre a doença e seus sinais. Segundo o estudo, 65,1% das famílias precisaram consultar diversos médicos até chegar ao diagnóstico, o que evidencia a dificuldade de reconhecer os sinais iniciais do neuroblastoma. 

O estudo também mostra a complexidade do tratamento: em 90,7% dos casos, a doença foi classificada como de alto risco, demandando tratamentos intensivos e prolongados. Embora a maioria dos diagnósticos tenha ocorrido em até um ano após o surgimento dos primeiros sintomas, o processo pode ser marcado por impactos emocionais importantes. Quase metade das famílias relatou sentimentos de angústia, medo e desespero como principal impacto emocional após a confirmação da doença. 

O acompanhamento também permanece importante depois do tratamento inicial. Algumas crianças podem apresentar recidivas ou efeitos colaterais de longo prazo, tornando o seguimento médico parte relevante do cuidado. O suporte psicológico à criança e à família também pode contribuir para lidar com os impactos emocionais relacionados ao diagnóstico e ao tratamento.


 Adium


Referências:
1.Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: Link


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