● Sintomas podem se confundir com doenças comuns da infância, o que pode atrasar a identificação da doença e o encaminhamento para um centro de referência
● Barreiras ao acesso oportuno ao
diagnóstico e ao tratamento especializado ainda são desafios no tratamento do
câncer infantojuvenil no Brasil
Tanto o diagnóstico quanto o tratamento do neuroblastoma, um dos tipos de câncer que podem acometer crianças, ainda enfrentam desafios no Brasil. Entre eles estão a demora na identificação da doença, o tempo e as dificuldades para que o paciente chegue a um centro de referência e o acesso limitado a tratamentos especializados. Nesse cenário, a agilidade em reconhecer os sinais, confirmar o diagnóstico e encaminhar a criança para atendimento especializado é fundamental, já que o início oportuno do tratamento pode aumentar as chances de cura.
Entre os sinais que merecem atenção estão dores sem causa aparente, cansaço extremo, alterações no apetite, perda de peso repentina, aparecimento de nódulos ou aumento de volume em regiões como abdômen, pescoço ou tórax e sangramentos inexplicáveis, incluindo pelo nariz ou gengivas¹. A presença desses sintomas, isoladamente, não significa que a criança tenha câncer, mas pode indicar a necessidade de avaliação profissional.
De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de
Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Mariana Bohns Michalowski, a atenção aos sinais
que persistem ou evoluem é importante para que o diagnóstico seja realizado
adequadamente. “Como os sintomas do câncer infantil podem ser semelhantes aos
de doenças comuns da infância, é importante observar a evolução do quadro e
estar atento a mudanças que persistam, se agravem ou não apresentem uma
explicação clara. Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para
investigar a causa e definir a melhor conduta para cada criança.”
Diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de
tratamento
A identificação do câncer nas fases iniciais é um dos
fatores que contribuem para melhores resultados no tratamento. Dependendo do
tipo e das características da doença, podem ser utilizados recursos como
quimioterapia, radioterapia, cirurgia e, em alguns casos, transplante de medula
óssea.
Os desafios relacionados à identificação precoce ficam
evidentes no caso do neuroblastoma. Um levantamento realizado pelo Instituto
Vidas Raras, com apoio da Adium, reforça a importância de ampliar a
conscientização sobre a doença e seus sinais. Segundo o estudo, 65,1% das
famílias precisaram consultar diversos médicos até chegar ao diagnóstico, o que
evidencia a dificuldade de reconhecer os sinais iniciais do neuroblastoma.
O estudo também mostra a complexidade do tratamento: em
90,7% dos casos, a doença foi classificada como de alto risco, demandando
tratamentos intensivos e prolongados. Embora a maioria dos diagnósticos tenha
ocorrido em até um ano após o surgimento dos primeiros sintomas, o processo
pode ser marcado por impactos emocionais importantes. Quase metade das famílias
relatou sentimentos de angústia, medo e desespero como principal impacto
emocional após a confirmação da doença.
O acompanhamento também permanece importante depois do
tratamento inicial. Algumas crianças podem apresentar recidivas ou efeitos
colaterais de longo prazo, tornando o seguimento médico parte relevante do
cuidado. O suporte psicológico à criança e à família também pode contribuir
para lidar com os impactos emocionais relacionados ao diagnóstico e ao
tratamento.
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