Brasileiros passam cerca de 12,5 anos convivendo com doenças; médico explica como prevenção e hábitos simples ajudam a preservar autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos
O cuidado com a saúde tem ganhado cada vez mais evidência.
Alimentação, atividade física, suplementação, sono, longevidade e bem-estar
ocupam diariamente as redes sociais e fazem parte da rotina de milhões de
brasileiros. Mas o que deveria representar um caminho para uma vida mais
saudável, muitas vezes acaba se transformando em mais uma fonte de cobrança e
comparação.
Um levantamento da PiniOn, empresa especializada em pesquisas de
comportamento e mercado, mostra que 61% dos brasileiros afirmam sentir pressão
para manter uma rotina considerada equilibrada. Além disso, mais de um quarto
dos entrevistados (25,7%) diz sentir constantemente a necessidade de
desempenhar bem hábitos como alimentação saudável, exercícios físicos,
meditação ou cuidados com a pele, enquanto 59,6% relatam vivenciar essa
sensação ocasionalmente. Para muitos, essa cobrança é alimentada pelos
conteúdos consumidos nas redes sociais, principalmente no Instagram (48,1%),
TikTok (38%) e YouTube (31,1%).
Ao mesmo tempo em que cresce a busca por uma rotina saudável,
outro dado revela que viver mais nem sempre significa viver melhor. Um estudo
publicado na revista científica The Lancet Public Health mostrou que em 2023 os
brasileiros passam, em média, 12,5 anos convivendo com doenças, limitações ou
incapacidades, ante 10,4 anos em 1990. O levantamento reforça que aumentar a
expectativa de vida é importante, mas preservar a autonomia e a qualidade de
vida ao longo dos anos ainda é um desafio.
Segundo Alexandre Pimenta, médico e responsável técnico nacional do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, essa discussão exige uma mudança de perspectiva. "Esse dado chama atenção para uma diferença muito importante: expectativa de vida não é a mesma coisa que expectativa de vida saudável. Não basta acrescentar anos à vida, precisamos acrescentar vida aos anos", afirma.
Saúde não precisa ser sinônimo de alta performance
Nos últimos anos, cuidar da saúde passou a ser frequentemente
associado a rotinas sofisticadas, suplementos, dispositivos tecnológicos e
protocolos complexos. Embora algumas dessas estratégias possam ser indicadas em
situações específicas, Alexandre ressalta que elas não substituem aquilo que
continua fazendo mais diferença para a prevenção de doenças.
Segundo o médico, os pilares da saúde permanecem os mesmos e são acessíveis para a maior parte das pessoas. "Existe hoje uma tendência de transformar o cuidado com a saúde em algo extremamente complexo. Entretanto, os hábitos que mais protegem a saúde continuam sendo relativamente simples e conhecidos", explica. Entre eles estão:
1) Não fumar;
2) Praticar atividade física regularmente;
3) Manter uma alimentação equilibrada;
4) Dormir adequadamente;
5) Controlar pressão arterial, glicemia, colesterol e peso;
6) Evitar o consumo excessivo de álcool;
7) Cuidar da saúde mental;
8) Preservar vínculos familiares e sociais;
9) Manter a vacinação atualizada;
10) Realizar acompanhamento médico periódico.
O profissional lembra ainda que, apesar da popularização, a
suplementação deve ser utilizada apenas quando houver indicação médica. "A
suplementação pode ser necessária em situações específicas. Porém, ela não deve
ser vista como substituta da alimentação, do sono, do movimento e do
acompanhamento médico. Em saúde, a constância dos hábitos básicos costuma
produzir mais resultados do que protocolos complexos mantidos por poucas
semanas", afirma.
Prevenção começa antes dos sintomas
De acordo com Alexandre, um dos maiores desafios das doenças
crônicas é que muitas evoluem silenciosamente durante anos. Hipertensão
arterial, diabetes, colesterol elevado, doença renal e alguns tipos de câncer
podem permanecer sem sintomas por longos períodos, o que reforça a importância
das consultas preventivas.
"Sentir-se saudável não significa necessariamente que todos
os indicadores estejam adequados. A consulta preventiva é importante justamente
para construir um plano individual, e não para aplicar uma lista igual de
exames a toda a população", explica. O médico ressalta que a atenção
costuma se intensificar após os 40 anos, mas pessoas com fatores de risco podem
precisar iniciar esse acompanhamento mais cedo.
Pequenas mudanças podem gerar grandes resultados
Para quem acredita que cuidar da saúde exige muito tempo ou investimento financeiro, o profissional lembra que a prevenção pode começar com mudanças simples incorporadas ao dia a dia. "Cuidar da saúde não precisa começar com uma academia cara, uma dieta sofisticada ou uma grande transformação da rotina. Pequenas mudanças, quando mantidas ao longo do tempo, produzem efeitos muito relevantes", afirma. Entre as medidas que podem ser adotadas estão:
- Caminhar diariamente, mesmo que por poucos minutos;
- Utilizar escadas sempre que possível;
- Interromper longos períodos sentado;
- Consumir mais água, frutas, verduras, legumes e feijão;
- Reduzir refrigerantes, bebidas açucaradas e alimentos
ultraprocessados;
- Estabelecer horários regulares para dormir;
- Evitar o uso de telas imediatamente antes de dormir;
- Manter a vacinação em dia;
- Medir a pressão arterial periodicamente;
- Procurar atendimento diante de sintomas persistentes;
- Reservar tempo para conviver com familiares e amigos.
O médico conclui que a saúde não deve ser encarada como uma corrida em busca da perfeição. “É melhor realizar uma mudança possível e mantê-la do que adotar um protocolo perfeito por poucos dias. O objetivo é criar uma rotina sustentável que preserve autonomia, bem-estar e capacidade funcional. No final, longevidade saudável não é apenas viver mais, é chegar aos anos adicionais com independência, vínculos, lucidez, mobilidade e condições de continuar fazendo aquilo que dá sentido à vida”.
Cartão de TODOS
AmorSaúde

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