Lipedema
é uma condição crônica que provoca acúmulo desproporcional de gordura, dor,
inchaço e hematomas
Segundo a Associação Brasileira de Lipedema quase 13% das mulheres brasileiras sofrem com lipedema no Brasil. Isso representa aproximadamente 1 em cada 8 mulheres. A estimativa vem do estudo brasileiro publicado no Jornal Vascular Brasileiro, que calculou que 8,8 milhões de brasileiras entre 18 e 69 anos poderiam apresentar sintomas sugestivos da doença.
O tema ganha destaque durante o Agosto Azul e
Vermelho, campanha de conscientização sobre a saúde vascular criada pela
Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Para o
cirurgião vascular e endovascular Dr. Gabriel Novaes, membro da Sociedade
Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, um dos principais desafios
ainda é fazer com que a mulher perceba que determinados sinais não devem ser
considerados apenas uma questão estética.
“Muitas pacientes convivem durante anos com dor,
sensação de peso nas pernas, inchaço, hematomas frequentes e uma desproporção
importante entre pernas e tronco sem saber que podem ter uma doença. O lipedema
não é simplesmente excesso de peso ou uma questão estética. Quando existem
sintomas persistentes, é importante procurar avaliação médica”, explica Dr.
Gabriel.
Quando a gordura nas pernas pode ser sinal
de lipedema?
O lipedema é caracterizado pela deposição anormal
e geralmente simétrica de tecido adiposo, principalmente em quadris, coxas e
pernas, podendo também atingir os braços. Dor, sensibilidade ao toque e edema
podem acompanhar o quadro.
“Uma característica que costuma chamar atenção é
a desproporção corporal. A paciente pode emagrecer e perceber redução de
medidas no abdômen, rosto ou tórax, enquanto o volume das pernas permanece
muito mais resistente. Isso, isoladamente, não confirma o diagnóstico, mas pode
ser um sinal para investigação”, alerta o médico.
Sinais que merecem atenção
Entre as manifestações que podem estar associadas
ao lipedema estão:
- aumento desproporcional do volume das
pernas em relação ao tronco;
- acúmulo de gordura de maneira
relativamente simétrica nas duas pernas;
- dor ou sensibilidade ao toque;
- sensação de peso nas pernas;
- inchaço;
- aparecimento frequente de hematomas;
- dificuldade de reduzir o volume das
regiões afetadas mesmo com perda de peso;
- piora dos sintomas ao longo do dia em
algumas pacientes.
Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma a
doença. A avaliação médica é fundamental porque outras condições vasculares e
linfáticas podem provocar manifestações semelhantes.
Lipedema tem tratamento
Embora seja uma condição crônica, o lipedema pode
ser tratado e acompanhado, e a estratégia depende dos sintomas, do estágio da
doença e das características de cada paciente.
O tratamento conservador pode envolver atividade
física regular, controle do peso e da saúde metabólica, alimentação
equilibrada, terapia compressiva quando indicada e acompanhamento de sintomas
como dor e edema. Dependendo do quadro, uma abordagem multidisciplinar pode ser
necessária.
“O objetivo não é perseguir simplesmente uma
mudança estética. O tratamento precisa estar direcionado à redução dos
sintomas, preservação da mobilidade, controle de fatores que podem agravar o
quadro e melhora da qualidade de vida”, destaca o cirurgião vascular.
Em pacientes selecionadas, especialmente quando
há sintomas importantes e resposta insuficiente às medidas conservadoras,
procedimentos cirúrgicos específicos, como técnicas de lipoaspiração voltadas
ao tratamento do lipedema, podem ser considerados. A indicação, entretanto,
deve ser individualizada após avaliação especializada.
“Não existe um tratamento único que sirva para
todas as pacientes. Algumas conseguem controlar muito bem os sintomas com
medidas clínicas; outras podem ter indicação de tratamento cirúrgico. O mais
importante é avaliar a paciente como um todo e definir uma estratégia segura
para aquele caso”, finaliza Dr. Gabriel Novaes.
FONTE:
Dr. Gabriel Novaes - CRM/SP 107270, RQE 50459 - Cirurgião Vascular e Endovascular. Membro da SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular), graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Vitória, especialista pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde concluiu as residências médicas em Angiologia e Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular. Mestre pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Mais de 20 anos de trajetória em cirurgia vascular convencional e em procedimentos endovasculares minimamente invasivos.Instagram: @dr_gabriel_novaes Link
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