Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon, explica por que alterações hormonais antes dos 40 anos exigem atenção redobrada e diagnóstico ágil.
Nem toda menopausa acontece depois dos 50 anos. Em alguns casos,
mulheres antes dos 40 anos começam a apresentar alterações hormonais que podem
comprometer a fertilidade, a saúde óssea e a saúde cardiovascular. É o que se
chama de menopausa precoce, ou Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), uma
condição que ainda passa longe do radar de muitas mulheres e até de parte dos
profissionais de saúde.
No início, ela costuma se disfarçar de rotina. Ciclos menstruais
irregulares, ondas de calor, insônia, secura vaginal e mudanças de humor entram
facilmente na conta do estresse, do cansaço ou de "uma fase". O
problema é que, quando esses sinais aparecem antes da faixa etária esperada
para o climatério, dificilmente alguém pensa logo de cara que os ovários já
pararam de funcionar como deveriam.
O que os dados revelam sobre a menopausa precoce
Apesar de pouco falada, a condição está longe de ser rara.
Estimativas da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE) mostram que a
IOP pode afetar até 1% das mulheres com menos de 40 anos, e outros
levantamentos apontam uma prevalência próxima de 0,1% antes dos 30 anos.
Aplicados à população brasileira, esses percentuais representam um contingente
considerável de mulheres em plena idade reprodutiva.
O impacto vai muito além da interrupção dos ciclos menstruais.
Reportagens especializadas em saúde mostram que a queda precoce e prolongada de
estrogênio eleva o risco de osteoporose, doenças cardiovasculares, alterações
metabólicas e perda de massa muscular, além de comprometer diretamente a
fertilidade. A boa notícia é que, quando o diagnóstico chega a tempo e a
reposição hormonal começa cedo, é possível reduzir bastante esses riscos e
preservar a qualidade de vida no longo prazo.
Outro ponto sensível é a demora até o diagnóstico. Diferente da
menopausa que ocorre na faixa etária típica, a versão precoce costuma levar
mais tempo para ser identificada, já que médicos e pacientes nem sempre associam
os sintomas a uma possível falência ovariana em mulheres jovens. Esse atraso
prolonga a exposição aos riscos e adia o início do tratamento correto.
"A menopausa precoce raramente entra como suspeita logo de
início, porque ainda associamos esses sintomas apenas a mulheres mais velhas. O
resultado é que muitas pacientes passam meses, às vezes anos, investigando
outras causas até chegarem ao diagnóstico certo, e esse tempo faz diferença
real para a saúde óssea e cardiovascular", afirma o Dr. Rodolfo Gusmão,
médico integrativo e CEO do Instituto Aeon.
Quando os sintomas deixam de ser "normais"
Para o especialista, o maior desafio da menopausa precoce é
justamente o silêncio que existe em torno dela. Cansaço persistente,
dificuldade para engravidar, alterações de humor e irregularidade menstrual
antes dos 40 anos costumam ser normalizados, colocados na conta da rotina ou do
estresse do dia a dia, quando na verdade podem sinalizar um desequilíbrio
hormonal que já está em curso.
"Existe uma diferença importante entre o que é esperado no
corpo e o que é apenas tolerado por falta de informação. Quando uma mulher
jovem começa a ter ciclos irregulares, ondas de calor ou dificuldade para
engravidar, esses sinais merecem investigação, não acomodação. Quanto antes
identificamos a causa, maiores são as chances de proteger a fertilidade e
prevenir complicações futuras", explica o médico.
O Dr. Rodolfo reforça ainda que avaliar a saúde hormonal deveria
fazer parte da rotina preventiva de qualquer mulher, e não surgir apenas quando
os sintomas já estão instalados. "Exames como a dosagem de FSH, estradiol
e hormônio antimülleriano ajudam a mapear a reserva ovariana e podem antecipar
um diagnóstico que, quando descoberto tarde, chega acompanhado de perdas que
poderiam ter sido evitadas", pontua.
Causas nem sempre óbvias
Entre os fatores associados à IOP estão questões genéticas, como a
Síndrome de Turner e a pré-mutação do X frágil, doenças autoimunes que afetam a
tireoide ou as adrenais, além de tratamentos como quimioterapia, radioterapia e
cirurgias pélvicas. Em boa parte dos casos, no entanto, nenhuma causa é
identificada, o que reforça a importância de investigar o histórico familiar e
buscar acompanhamento médico diante de qualquer alteração persistente no ciclo
menstrual.
"Nem sempre existe uma causa evidente, e isso costuma gerar
ainda mais insegurança nas pacientes. Por isso, o acompanhamento não pode se
resumir a um exame isolado. É preciso olhar para o histórico familiar, os
hábitos de vida e o conjunto de sintomas para construir um diagnóstico
completo", diz o Dr. Rodolfo.
Onde a prevenção acontece na prática
É para dar espaço a esse tipo de investigação que a clínica do
Instituto Aeon foi pensada. Na unidade, avaliações hormonais, metabólicas e
nutricionais acontecem de forma integrada, permitindo que sintomas antes
ignorados sejam investigados a fundo, sem que a paciente precise passar por
vários especialistas até chegar a uma resposta.
"Queremos que a mulher que chega até nós com sintomas que ela
mesma minimizou saia com um diagnóstico claro e um plano de cuidado real, que
leve em conta não só a reposição hormonal, mas também a saúde óssea,
cardiovascular e emocional no longo prazo", conclui o médico.
Para o Instituto Aeon, o convite é simples: entender
que sintomas fora da curva etária esperada não são "coisa da cabeça"
nem parte inevitável da rotina, e que buscar um diagnóstico cedo pode ser
exatamente o que preserva, ao mesmo tempo, a fertilidade, os ossos e o coração.
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