Especialista do Vera Cruz Hospital
alerta para agravamento dos sintomas em períodos de baixa umidade e reforça
importância do tratamento contínuo
A combinação de ar mais seco, piora da qualidade do ar e aumento
das infecções respiratórias favorece o agravamento das crises de asma. Esse
cenário se torna mais frequente em períodos de baixa umidade, quando se
intensificam sintomas como falta de ar, tosse, chiado no peito e sensação de
aperto no tórax, especialmente em pacientes que não mantêm o tratamento de
forma regular. O tema ganha destaque no Dia Mundial de Combate à Asma,
celebrado neste sábado (2), que reforça a importância da prevenção e do
controle contínuo da doença.
A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns do mundo, afetando cerca de 300 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que aproximadamente 20 milhões de pessoas convivam com a doença. Embora seja controlável na maioria dos casos, ainda representa uma importante causa de atendimentos e internações.
De acordo com o pneumologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas
(SP), João Carlos de Jesus, fatores ambientais têm impacto direto no aumento
das crises. “O ar mais seco resseca e fragiliza as vias respiratórias,
deixando-as mais sensíveis a ácaros, poeira e poluentes. Além disso, há maior
circulação de vírus respiratórios e menor dispersão dessas partículas no ar, o
que intensifica a irritação e favorece as crises”, explica o especialista.
O médico destaca, ainda, o papel das infecções respiratórias, como
gripe, Covid-19 e vírus sincicial respiratório, que circulam com mais facilidade
em ambientes fechados e podem agravar quadros de asma, levando até a
complicações como pneumonia.
Dentro de casa, também estão alguns dos principais gatilhos da
doença. Ácaros presentes em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes se
proliferam com mais facilidade em ambientes fechados e com pouca exposição ao
sol, acumulando-se especialmente em períodos mais frios. Produtos de limpeza
com cheiro forte, perfumes e a fumaça do cigarro, seja pelo uso ativo ou pelo
tabagismo passivo, também podem desencadear crises.
Bombinhas
Outro ponto de alerta é o uso incorreto das chamadas “bombinhas”,
ainda frequente entre pacientes. Muitos utilizam apenas a medicação de alívio,
sem seguir o tratamento de controle. “As bombinhas de alívio promovem melhora rápida
ao relaxar os brônquios, mas não tratam a inflamação. Já as de controle atuam
diretamente nesse processo inflamatório e são fundamentais para manter a doença
sob controle”, explica o médico.
Segundo o especialista, a dependência apenas da medicação de
resgate pode mascarar a gravidade do quadro. “O paciente sente alívio
momentâneo, mas a inflamação continua evoluindo. Isso aumenta o risco de crises
mais graves, como o broncoespasmo, que pode levar à insuficiência respiratória
e necessidade de atendimento de urgência”, alerta.
Entre os sinais de asma descontrolada estão falta de ar frequente,
tosse persistente, chiado no peito e dificuldade para realizar atividades do
dia a dia. O uso frequente da medicação de alívio também é um sinal de alerta.
“Quando os sintomas não melhoram ou pioram progressivamente, é fundamental
procurar atendimento médico o quanto antes”, orienta o pneumologista.
A prevenção envolve o uso correto e contínuo das medicações, mesmo
na ausência de sintomas, além de cuidados como hidratação, vacinação contra
gripe e Covid-19, uso de umidificadores e evitar atividades físicas em horários
de ar mais seco. No ambiente doméstico, recomenda-se manter a casa ventilada,
reduzir poeira com pano úmido e aspirador, evitar varrição e espanadores e
expor roupas de cama ao sol sempre que possível.
Crianças e idosos merecem atenção especial, já que podem ter mais
dificuldade no uso correto dos medicamentos inalatórios, sendo necessário, em
muitos casos, o uso de espaçadores e ajustes no tratamento. A prática de
atividade física é recomendada, desde que a doença esteja controlada. “Com
acompanhamento adequado, o paciente com asma pode levar uma vida ativa e
saudável”, conclui o especialista.
Vera
Cruz Hospital
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