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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Crises de asma aumentam com clima seco, poluição e infecções respiratórias

Especialista do Vera Cruz Hospital alerta para agravamento dos sintomas em períodos de baixa umidade e reforça importância do tratamento contínuo

 

A combinação de ar mais seco, piora da qualidade do ar e aumento das infecções respiratórias favorece o agravamento das crises de asma. Esse cenário se torna mais frequente em períodos de baixa umidade, quando se intensificam sintomas como falta de ar, tosse, chiado no peito e sensação de aperto no tórax, especialmente em pacientes que não mantêm o tratamento de forma regular. O tema ganha destaque no Dia Mundial de Combate à Asma, celebrado neste sábado (2), que reforça a importância da prevenção e do controle contínuo da doença. 

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns do mundo, afetando cerca de 300 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que aproximadamente 20 milhões de pessoas convivam com a doença. Embora seja controlável na maioria dos casos, ainda representa uma importante causa de atendimentos e internações. 

De acordo com o pneumologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), João Carlos de Jesus, fatores ambientais têm impacto direto no aumento das crises. “O ar mais seco resseca e fragiliza as vias respiratórias, deixando-as mais sensíveis a ácaros, poeira e poluentes. Além disso, há maior circulação de vírus respiratórios e menor dispersão dessas partículas no ar, o que intensifica a irritação e favorece as crises”, explica o especialista. 

O médico destaca, ainda, o papel das infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e vírus sincicial respiratório, que circulam com mais facilidade em ambientes fechados e podem agravar quadros de asma, levando até a complicações como pneumonia. 

Dentro de casa, também estão alguns dos principais gatilhos da doença. Ácaros presentes em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes se proliferam com mais facilidade em ambientes fechados e com pouca exposição ao sol, acumulando-se especialmente em períodos mais frios. Produtos de limpeza com cheiro forte, perfumes e a fumaça do cigarro, seja pelo uso ativo ou pelo tabagismo passivo, também podem desencadear crises.
 

Bombinhas

Outro ponto de alerta é o uso incorreto das chamadas “bombinhas”, ainda frequente entre pacientes. Muitos utilizam apenas a medicação de alívio, sem seguir o tratamento de controle. “As bombinhas de alívio promovem melhora rápida ao relaxar os brônquios, mas não tratam a inflamação. Já as de controle atuam diretamente nesse processo inflamatório e são fundamentais para manter a doença sob controle”, explica o médico. 

Segundo o especialista, a dependência apenas da medicação de resgate pode mascarar a gravidade do quadro. “O paciente sente alívio momentâneo, mas a inflamação continua evoluindo. Isso aumenta o risco de crises mais graves, como o broncoespasmo, que pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de atendimento de urgência”, alerta. 

Entre os sinais de asma descontrolada estão falta de ar frequente, tosse persistente, chiado no peito e dificuldade para realizar atividades do dia a dia. O uso frequente da medicação de alívio também é um sinal de alerta. “Quando os sintomas não melhoram ou pioram progressivamente, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes”, orienta o pneumologista. 

A prevenção envolve o uso correto e contínuo das medicações, mesmo na ausência de sintomas, além de cuidados como hidratação, vacinação contra gripe e Covid-19, uso de umidificadores e evitar atividades físicas em horários de ar mais seco. No ambiente doméstico, recomenda-se manter a casa ventilada, reduzir poeira com pano úmido e aspirador, evitar varrição e espanadores e expor roupas de cama ao sol sempre que possível. 

Crianças e idosos merecem atenção especial, já que podem ter mais dificuldade no uso correto dos medicamentos inalatórios, sendo necessário, em muitos casos, o uso de espaçadores e ajustes no tratamento. A prática de atividade física é recomendada, desde que a doença esteja controlada. “Com acompanhamento adequado, o paciente com asma pode levar uma vida ativa e saudável”, conclui o especialista.

  

Vera Cruz Hospital


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