O Brasil é a última coca gelada do deserto, mas
parece não saber disso. Ou melhor, insiste em não acreditar nisso.
Essa descrença no futuro é fruto da cultura do
imediatismo, um comportamento que tem raízes em nossas origens. Nunca sofremos
com intermináveis e rigorosos invernos, terremotos ou grandes guerras. Para
garantir a sobrevivência, bastava plantar 365 pés de mandioca. E talvez
essa seja a nossa "maldição"!
Nos países do Hemisfério Norte, onde há neve e
guerras, as pessoas precisam desenvolver estratégias de sobrevivência; pensando
e decidindo racionalmente, desenvolvem naturalmente uma cultura de planejamento
no longo prazo. Não por acaso, são sociedades mais ricas do que nós.
O pensamento a longo prazo oferece mais soluções e
oportunidades do que o imediatismo. Em clima de urgência, não temos controle do
processo decisório e fazemos más escolhas.
A cultura do imediatismo molda nossas crenças
negativamente, e passamos a desacreditar em dias melhores. Simplesmente
nos contentamos em trocar o banquete de um futuro brilhante por migalhas no
presente.
Hoje, no Brasil, a educação é, de longe, a maior
vítima do imediatismo, pois exige 10 ou 15 anos de sacrifícios contínuos antes
que tenhamos a chance de desfrutar dos primeiros benefícios por ela
proporcionados.
Sem educação de qualidade, não há ganhos de
produtividade; sem eles, não há crescimento econômico ou aceleração sustentável
de prosperidade.
O imediatismo nos leva a sermos exportadores
de commodities, ao invés de pensarmos neste processo estrategicamente.
Somos os maiores exportadores mundiais de mais de
uma dezena de commodities, tais como: grãos,
açúcar, café, carnes, fumo e celulose. Se agregássemos valor a estas
mercadorias e aos recursos turísticos naturais inigualáveis que temos, essa
mudança dobraria nosso PIB em 20 anos.
Para tal, teríamos que acrescentar 2 a 3 milhões de
técnicos à nossa força de trabalho. Isso requer aumento do desempenho
educacional.
Somos um dos últimos grandes países que ainda não
passou pelo ciclo de crescimento educacional. Os países que passaram pelo ciclo
ganharam aproximadamente 25 anos de crescimento de 5% ao ano, apenas devido aos
ganhos de produtividade.
Estudos americanos indicam que 80% dos nossos
estudantes não atingem o nível básico do PISA em leitura e matemática. Se
atingíssemos esse patamar, acrescentaríamos US$ 27 trilhões à nossa economia
até o fim deste século.
Precisamos começar a alinhar os interesses
imediatistas dos nossos estudantes com os interesses de longo prazo do nosso
potencial econômico. Nem que seja pagando para que tirem melhores notas!
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