Nem sempre a causa de irritações, vermelhidão, coceira, piora de manchas ou até acne está em algo novo ou no excesso de produtos. Em muitos casos, o problema pode estar em itens comuns do dia a dia, como shampoo, sabonete, hidratante ou desodorante, usados há anos, mas que podem sensibilizar a pele com o tempo ou em determinadas condições.
De acordo com a
Sociedade Brasileira de Dermatologia, as dermatites de contato, reações
inflamatórias causadas por substâncias irritantes ou alergênicas, estão entre
as doenças de pele mais comuns no país. Estima-se que elas representem cerca de
20% a 30% dos atendimentos dermatológicos relacionados a inflamações cutâneas.
Nos consultórios
dermatológicos, a queixa tem se tornado cada vez mais frequente. Segundo a
dermatologista Patrícia Dalboni, há um aumento significativo de pacientes com
irritação cutânea, muitas vezes relacionado ao uso indiscriminado de
cosméticos. “As pessoas veem tendências nas redes sociais, compram produtos que
podem até ser bons, mas não são indicados para o tipo de pele delas. Isso pode
levar à quebra da barreira cutânea, irritação e até desencadear doenças como a
rosácea”, explica.
O
papel da barreira da pele
A chamada barreira
cutânea funciona como uma proteção natural. Ela é formada por lipídios, água e
outras substâncias que ajudam a manter a hidratação e impedir a entrada de
agentes externos, como bactérias, fungos e vírus. Quando essa barreira é
comprometida, a pele fica mais vulnerável.
“Quando há quebra
dessa proteção, aumenta-se o risco de dermatites e infecções”, destaca a
dermatologista Patrícia Dalboni. Os sinais de alerta são claros: vermelhidão,
ardência, descamação, coceira e sensação de desconforto indicam que algo não
vai bem.
Quando
o cuidado vira excesso
A popularização do
“skincare” trouxe mais atenção ao autocuidado, mas também abriu espaço para
exageros. Rotinas com muitos produtos podem ser prejudiciais.
“Quanto mais
produtos você usa, maior a chance de irritação e de um interferir no efeito do
outro”, afirma a dermatologista. Casos extremos não são raros: pacientes que utilizam
mais de 10 produtos simultaneamente, muitas vezes com ativos repetidos, como
ácidos, podem desenvolver quadros graves de irritação ou até rosácea
medicamentosa.
Entre os
principais vilões estão substâncias como ácidos (retinoico, glicólico), peróxido
de benzoíla e até corticoides, quando usados sem orientação. Mesmo ingredientes
considerados seguros podem causar problemas se não forem adequados ao tipo de
pele.
Como
montar uma rotina segura
Entre os deslizes
mais frequentes estão: usar produtos inadequados para o tipo de pele, combinar
ativos sem orientação, aplicar quantidades excessivas e seguir tendências sem
avaliação individual.
Apesar da
variedade de produtos disponíveis, o básico ainda é o mais indicado para a
maioria das pessoas: sabonete adequado ao tipo de pele, hidratante
personalizado e protetor solar diário.
“Outros ativos,
como antioxidantes ou ácidos, devem ser introduzidos conforme a necessidade e
sempre com orientação profissional”, destaca Patrícia Dalboni.
Menos
é mais
A principal
recomendação é a simplicidade e a personalização. “Cada pele é única. Não é
necessário usar muitos produtos para ter uma pele saudável. E, quando for
incluir algo novo, o ideal é fazer isso aos poucos, para identificar possíveis
reações”, orienta a dermatologista.
Outro detalhe
importante é a quantidade: mesmo produtos corretos podem causar irritação se
aplicados em excesso. O ideal é usar uma camada fina.
Se surgirem sinais
de irritação ou acne após o uso de um produto, a orientação é suspender imediatamente
e buscar avaliação dermatológica. Isso evita a piora e ajuda a identificar a
causa.
Dra. Patrícia Dalboni - RQE Nº 41772 - Desde os primeiros passos na medicina, a Dra. Patrícia Dalboni trilhou uma jornada marcada por dedicação, resiliência e busca pelo aprimoramento profissional. Iniciou sua carreira como cirurgiã pediátrica, atuando por 16 anos, e há 18 anos dedica-se integralmente à dermatologia. Os anos de experiência cirúrgica trouxeram precisão, segurança e habilidade para a realização de procedimentos dermatológicos, tornando sua atuação ainda mais eficaz.

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