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terça-feira, 5 de maio de 2026

ANVISA aprovou nesta segunda-feira nova dose de Wegovy 7,2 mg para tratamento da obesidade

 Decisão amplia opções terapêuticas no país após estudos apontarem perda média de 21% do peso corporal com a nova dosagem

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou nesta segunda-feira (04) a nova dose de 7,2 mg da semaglutida injetável, comercializada como Wegovy® da fabricante Novo Nordisk, para o tratamento da obesidade no Brasil. A decisão acompanha dados recentes de estudos clínicos que mostram maior eficácia da dose ampliada, com impacto direto na prática médica e no manejo de uma das doenças crônicas que mais crescem no país.

Segundo dados do estudo STEP UP, a nova dosagem demonstrou uma perda média de peso de aproximadamente 21%, com um dado que chama atenção: cerca de 1 em cada 3 pacientes conseguiu reduzir 25% ou mais do peso corporal.

Para Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a aprovação representa uma mudança concreta na condução clínica.

“A gente está falando de uma dose três vezes maior do que a inicial, com um salto importante na resposta clínica. Saímos de uma média de 17% de perda de peso com a dose de 2,4 mg para cerca de 21%, o que, na prática, muda o desfecho de muitos pacientes”, explica.

Além da eficácia, um dos principais pontos de atenção entre especialistas era a tolerabilidade da nova dose. O receio de que o aumento pudesse intensificar os efeitos adversos não se confirmou nos estudos clínicos.

“Existe sempre a dúvida: se a dose aumenta, os efeitos colaterais também aumentam na mesma proporção? E o que os dados mostram é que não. Os eventos adversos moderados a intensos foram semelhantes entre os grupos. Ou seja, é uma medicação que se mantém tolerável mesmo com maior potência”, destaca a médica.

Outro dado relevante é a qualidade da perda de peso. Estudos indicam que cerca de 84% da redução está relacionada à perda de tecido adiposo, preservando massa magra, o que tem impacto direto na saúde metabólica e funcional dos pacientes.


Disputa entre canetas: quem ganha?

A aprovação também reacende a comparação com outras terapias injetáveis para obesidade já consolidadas no mercado, como a Tirzepatida.

Para a especialista, no entanto, o foco deve sair da competição entre medicamentos e se concentrar no paciente.

“Existe uma comparação natural entre as medicações, mas, no fim, quem ganha é o paciente. Ter mais opções significa conseguir individualizar melhor o tratamento de uma doença que é crônica, recidivante e extremamente complexa”, afirma.

Segundo Tassiane, a chegada da nova dose amplia o repertório terapêutico disponível no consultório e permite decisões mais personalizadas, especialmente em casos de maior dificuldade de resposta.


Obesidade exige abordagem contínua

A obesidade é reconhecida como uma doença crônica e multifatorial, que vai além de hábitos de vida e envolve fatores hormonais, genéticos e ambientais.

“A gente precisa tratar obesidade com a seriedade que ela exige. É uma doença que demanda acompanhamento e, muitas vezes, tratamento medicamentoso contínuo para alcançar e manter resultados”, reforça a endocrinologista.

Com a aprovação da nova dose pela ANVISA, o tratamento da obesidade no Brasil ganha uma nova alternativa terapêutica, com potencial de ampliar resultados clínicos e personalizar ainda mais o cuidado aos pacientes.


Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA. Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos. Sobrepeso e Obesidade.


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