Decisão amplia opções terapêuticas no país após estudos apontarem perda média de 21% do peso corporal com a nova dosagem
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou nesta segunda-feira
(04) a nova dose de 7,2 mg da semaglutida injetável, comercializada como
Wegovy® da fabricante Novo Nordisk, para o tratamento da obesidade no Brasil. A
decisão acompanha dados recentes de estudos clínicos que mostram maior eficácia
da dose ampliada, com impacto direto na prática médica e no manejo de uma das
doenças crônicas que mais crescem no país.
Segundo
dados do estudo STEP UP, a nova dosagem demonstrou uma perda média de peso de
aproximadamente 21%, com um dado que chama atenção: cerca de 1 em cada 3
pacientes conseguiu reduzir 25% ou mais do peso corporal.
Para
Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista, da Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a aprovação representa uma
mudança concreta na condução clínica.
“A
gente está falando de uma dose três vezes maior do que a inicial, com um salto
importante na resposta clínica. Saímos de uma média de 17% de perda de peso com
a dose de 2,4 mg para cerca de 21%, o que, na prática, muda o desfecho de
muitos pacientes”, explica.
Além
da eficácia, um dos principais pontos de atenção entre especialistas era a
tolerabilidade da nova dose. O receio de que o aumento pudesse intensificar os
efeitos adversos não se confirmou nos estudos clínicos.
“Existe
sempre a dúvida: se a dose aumenta, os efeitos colaterais também aumentam na
mesma proporção? E o que os dados mostram é que não. Os eventos adversos
moderados a intensos foram semelhantes entre os grupos. Ou seja, é uma
medicação que se mantém tolerável mesmo com maior potência”, destaca a médica.
Outro
dado relevante é a qualidade da perda de peso. Estudos indicam que cerca de 84%
da redução está relacionada à perda de tecido adiposo, preservando massa magra,
o que tem impacto direto na saúde metabólica e funcional dos pacientes.
Disputa entre canetas: quem ganha?
A
aprovação também reacende a comparação com outras terapias injetáveis para
obesidade já consolidadas no mercado, como a Tirzepatida.
Para
a especialista, no entanto, o foco deve sair da competição entre medicamentos e
se concentrar no paciente.
“Existe
uma comparação natural entre as medicações, mas, no fim, quem ganha é o
paciente. Ter mais opções significa conseguir individualizar melhor o
tratamento de uma doença que é crônica, recidivante e extremamente complexa”,
afirma.
Segundo
Tassiane, a chegada da nova dose amplia o repertório terapêutico disponível no
consultório e permite decisões mais personalizadas, especialmente em casos de
maior dificuldade de resposta.
Obesidade exige abordagem contínua
A
obesidade é reconhecida como uma doença crônica e multifatorial, que vai além
de hábitos de vida e envolve fatores hormonais, genéticos e ambientais.
“A
gente precisa tratar obesidade com a seriedade que ela exige. É uma doença que
demanda acompanhamento e, muitas vezes, tratamento medicamentoso contínuo para
alcançar e manter resultados”, reforça a endocrinologista.
Com
a aprovação da nova dose pela ANVISA, o tratamento da obesidade no Brasil ganha
uma nova alternativa terapêutica, com potencial de ampliar resultados clínicos
e personalizar ainda mais o cuidado aos pacientes.
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