
Instalação “O mergulho de Naïá”. Foto: Ding Musa
Obra inédita de Karola Braga transforma a escadaria histórica em percurso sensorial com esculturas e criação olfativa inédita.
O Beco do
Pinto/ Museu da Cidade de São Paulo, no centro histórico da capital paulista,
apresenta a instalação O mergulho de Naïá, obra
site-specific da artista multidisciplinar e pesquisadora olfativa Karola Braga.
A mostra ocupa a escadaria e seus platôs com estruturas metálicas, esculturas
em vidro, ferro e latão, além de uma composição olfativa inédita, propondo ao
público uma vivência sensorial imersiva que dialoga com o espaço arquitetônico.
O projeto
aprovado no 1º Edital de Artes Visuais do Museu da Cidade de São Paulo,
instituição vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, é
formado por duas grandes estruturas, cada uma sustentando quatro esculturas de
vitórias-régias suspensas, criadas em ferro, latão e vidro. Integrada a esse
conjunto, a obra olfativa criada por Karola Braga amplia a experiência para
além do olhar, trazendo aromas que acompanham e guiam o público ao longo do
percurso. A instalação também conta com três módulos menores, formados por
blocos de concreto e vitórias-régias esculpidas, que funcionam como pontos de
pausa e observação no caminho pelo Beco do Pinto.
A curadora
Ana Carolina Ralston destaca que todo o circuito estabelece uma relação direta
entre mito, paisagem amazônica e cidade contemporânea. “A instalação mergulha o
visitante em aromas, materialidades e perspectivas que reconfiguram o espaço
histórico, aproximando diferentes tempos e camadas simbólicas.”, explica.
Luz, aroma e deslocamento
A proposta
parte do universo da vitória-régia, planta amazônica que passa por um ciclo de
floração marcado por duas fases: primeiro abre branca e perfumada, depois se
torna rosa e libera os insetos que ajudou a polinizar. Esse processo, que
envolve transformação e adaptação, inspira a interpretação de Karola Braga, que
usa a escadaria do Beco do Pinto para criar um percurso de luz, aroma e
movimento, convidando o público a “mergulhar” junto à flor.
A narrativa
da instalação também se entrelaça à lenda tupi que explica o nascimento da
vitória-régia. Na história, Naïá, jovem que desejava tornar-se estrela ao lado
da deusa Lua, Jaci, mergulha nas águas ao confundir o reflexo da divindade com
sua presença real. Ao morrer afogada, é transformada por Jaci em “estrela da
água”. Essa travessia entre desejo, perda e transfiguração ecoa a pesquisa de
Karola Braga, que investiga memória, afeto e estados sensoriais capazes de
revelar dimensões invisíveis da experiência humana.
Museu da Cidade de São Paulo
O Museu da
Cidade de São Paulo, ligado ao Departamento dos Museus Municipais da Secretaria
Municipal de Cultura, tem como missão refletir sobre as dinâmicas físicas e
simbólicas da capital paulista, tratando a própria cidade como acervo
operacional. Em uma metrópole marcada pela expansão urbana, pela multiplicidade
de centralidades e pela diversidade cultural, o museu busca compreender e
registrar a memória coletiva e as expressões urbanas que moldam São Paulo.
Originado do
Departamento Municipal de Cultura criado por Mário de Andrade em 1935, o museu
consolidou-se em 2018 como parte do Departamento dos Museus Municipais. Sua
rede física abrange doze edificações históricas e um logradouro: Solar da
Marquesa de Santos, Casa da Imagem, Chácara Lane, Casa Modernista, Casa do
Butantã (Bandeirante), Casa do Caxingui (Sertanista), Sítio da Ressaca, Casa do
Grito, Casa do Tatuapé, Sítio Morrinhos, Cripta Imperial, Capela do Morumbi e
Beco do Pinto.
Com acervo
composto por seis tipologias — arquitetônico, fotográfico, bens móveis,
história oral, documental e bibliográfico — o Museu da Cidade promove pesquisas,
exposições e debates sobre o passado, o presente e os futuros possíveis,
reafirmando sua missão de gerar e socializar conhecimento sobre São Paulo para
o desenvolvimento social.
Atuando na
categoria dos museus de cidade, o Beco do Pinto e a Capela do Morumbi abrigam
instalações site specific. Desde 2024, a seleção das propostas artísticas é
regulamentada pelo Edital de Artes Visuais do Museu da Cidade de São Paulo.
SERVIÇO
Exposição: O
mergulho de Naïá
Visitação: até 26 de julho de 2026
Local: Beco do Pinto – Rua Roberto Simonsen, 136 - Centro Histórico de São
Paulo
Horário: terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita
Realização: Museu da Cidade de São Paulo/Secretaria Municipal de Cultura e
Economia Criativa
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