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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Instalação O mergulho de Naïá ocupa o Beco do Pinto em SP

Instalação “O mergulho de Naïá”. Foto: Ding Musa


Obra inédita de Karola Braga transforma a escadaria histórica em percurso sensorial com esculturas e criação olfativa inédita.

 

O Beco do Pinto/ Museu da Cidade de São Paulo, no centro histórico da capital paulista, apresenta a instalação O mergulho de Naïá, obra site-specific da artista multidisciplinar e pesquisadora olfativa Karola Braga. A mostra ocupa a escadaria e seus platôs com estruturas metálicas, esculturas em vidro, ferro e latão, além de uma composição olfativa inédita, propondo ao público uma vivência sensorial imersiva que dialoga com o espaço arquitetônico.

O projeto aprovado no 1º Edital de Artes Visuais do Museu da Cidade de São Paulo, instituição vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, é formado por duas grandes estruturas, cada uma sustentando quatro esculturas de vitórias-régias suspensas, criadas em ferro, latão e vidro. Integrada a esse conjunto, a obra olfativa criada por Karola Braga amplia a experiência para além do olhar, trazendo aromas que acompanham e guiam o público ao longo do percurso. A instalação também conta com três módulos menores, formados por blocos de concreto e vitórias-régias esculpidas, que funcionam como pontos de pausa e observação no caminho pelo Beco do Pinto.

A curadora Ana Carolina Ralston destaca que todo o circuito estabelece uma relação direta entre mito, paisagem amazônica e cidade contemporânea. “A instalação mergulha o visitante em aromas, materialidades e perspectivas que reconfiguram o espaço histórico, aproximando diferentes tempos e camadas simbólicas.”, explica.


Luz, aroma e deslocamento

A proposta parte do universo da vitória-régia, planta amazônica que passa por um ciclo de floração marcado por duas fases: primeiro abre branca e perfumada, depois se torna rosa e libera os insetos que ajudou a polinizar. Esse processo, que envolve transformação e adaptação, inspira a interpretação de Karola Braga, que usa a escadaria do Beco do Pinto para criar um percurso de luz, aroma e movimento, convidando o público a “mergulhar” junto à flor.

A narrativa da instalação também se entrelaça à lenda tupi que explica o nascimento da vitória-régia. Na história, Naïá, jovem que desejava tornar-se estrela ao lado da deusa Lua, Jaci, mergulha nas águas ao confundir o reflexo da divindade com sua presença real. Ao morrer afogada, é transformada por Jaci em “estrela da água”. Essa travessia entre desejo, perda e transfiguração ecoa a pesquisa de Karola Braga, que investiga memória, afeto e estados sensoriais capazes de revelar dimensões invisíveis da experiência humana.

 

Museu da Cidade de São Paulo

O Museu da Cidade de São Paulo, ligado ao Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal de Cultura, tem como missão refletir sobre as dinâmicas físicas e simbólicas da capital paulista, tratando a própria cidade como acervo operacional. Em uma metrópole marcada pela expansão urbana, pela multiplicidade de centralidades e pela diversidade cultural, o museu busca compreender e registrar a memória coletiva e as expressões urbanas que moldam São Paulo.

Originado do Departamento Municipal de Cultura criado por Mário de Andrade em 1935, o museu consolidou-se em 2018 como parte do Departamento dos Museus Municipais. Sua rede física abrange doze edificações históricas e um logradouro: Solar da Marquesa de Santos, Casa da Imagem, Chácara Lane, Casa Modernista, Casa do Butantã (Bandeirante), Casa do Caxingui (Sertanista), Sítio da Ressaca, Casa do Grito, Casa do Tatuapé, Sítio Morrinhos, Cripta Imperial, Capela do Morumbi e Beco do Pinto.

Com acervo composto por seis tipologias — arquitetônico, fotográfico, bens móveis, história oral, documental e bibliográfico — o Museu da Cidade promove pesquisas, exposições e debates sobre o passado, o presente e os futuros possíveis, reafirmando sua missão de gerar e socializar conhecimento sobre São Paulo para o desenvolvimento social.

Atuando na categoria dos museus de cidade, o Beco do Pinto e a Capela do Morumbi abrigam instalações site specific. Desde 2024, a seleção das propostas artísticas é regulamentada pelo Edital de Artes Visuais do Museu da Cidade de São Paulo.


SERVIÇO

Exposição: O mergulho de Naïá
Visitação: até 26 de julho de 2026
Local: Beco do Pinto – Rua Roberto Simonsen, 136 - Centro Histórico de São Paulo
Horário: terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita
Realização: Museu da Cidade de São Paulo/Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa


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