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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Quanto antes, melhor: Copa 2026 mostra como o tempo pesa no custo da viagem

Levantamento da Rico estima custo de até R$ 50 mil para casal em 2026 e destaca diferença relevante entre quem se organiza com antecedência e quem deixa para depois 

 

Com a Copa do Mundo de 2026 a poucos meses do início — marcada para começar em 11 de junho —, o sonho de ver a Seleção Brasileira ao vivo esbarra em um ponto decisivo: o planejamento financeiro.

Um levantamento da Rico mostra que assistir ao torneio no estádio pode custar entre R$ 37 mil e R$ 50 mil para um casal, dependendo do roteiro escolhido. Mais do que isso, o estudo evidencia o impacto direto do tempo de preparação no bolso — e como a proximidade do evento pode tornar esse objetivo mais desafiador.

“Assistir a uma Copa no estádio não é apenas ‘ver um jogo’, é presenciar a história do esporte. Mas, para isso, é essencial transformar o sonho em meta, entender o custo total e planejar com antecedência”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico.


Quanto custa viver a Copa de perto

Para dimensionar o custo da experiência, a Rico simulou dois cenários de viagem para um casal saindo de São Paulo: um mais simples, com sete dias em uma única cidade e um jogo, e outro mais completo, com 11 dias, duas cidades e dois jogos.

Resumo dos custos estimados:

Cenário

Passagens internacionais (casal)

Hospedagem

Alimentação

Transporte local

Trajetos internos

Ingressos

Gastos extras

Total (para o casal)

1 cidade – 7 dias (valores para duas pessoas)

R$ 7.400

R$ 11.900 (7 noites × R$ 1.500)

R$ 6.048 (R$ 432×2×7)

R$ 1.890 (R$ 135×7)

R$ 0

R$ 6.480 (2 jogos × R$ 1.620)

R$ 4.000

R$ 37.718

2 cidades – 11 dias (valores para duas pessoas)

R$ 7.400

R$ 18.700 (11 noites × R$ 1.500)

R$ 9.504 (R$ 432×2×11)

R$ 2.970 (R$ 135×11)

R$ 1.080 (1 voo interno: R$ 540)

R$ 6.480 (2 jogos × R$ 1.620)

R$ 4.000

R$ 50.134

 

No cenário mais acessível, a estratégia é concentrar a viagem em uma única cidade, reduzindo deslocamentos e simplificando a logística. Já o roteiro mais completo amplia a experiência, mas eleva os custos, principalmente com hospedagem e transporte.

Segundo a analista, alguns itens concentram a maior parte do orçamento.

“Passagens internacionais, ingressos e hospedagem são, em geral, os maiores blocos do orçamento, especialmente em cidades mais caras e em jogos de fases avançadas”, explica.

O custo de não ter planejado antes

Com a Copa se aproximando, o estudo reforça um ponto central: quanto menor o prazo, maior o esforço financeiro necessário para viabilizar a viagem.

Na simulação com horizonte de 12 meses, os aportes mensais necessários são elevados — refletindo o pouco tempo para acumular o valor total.

Simulação com 1 ano de prazo:

Cenário

Aporte mensal (casal)

Aporte por pessoa

Rentabilidade

Valor total líquido

7 dias – 1 cidade

R$ 2.980

R$ 1.490

1,02% ao mês

R$ 37.718

11 dias – 2 cidades

R$ 3.961

R$ 1.981

1,02% ao mês

R$ 50.134

 

“Com menos tempo, os aportes precisam ser maiores para alcançar o mesmo valor final. Nesse horizonte, o foco deve estar em liquidez e previsibilidade, já que as compras mais importantes acontecem ao longo do ano”, afirma Maria Giulia.

Na prática, isso significa que quem não se organizou com antecedência precisa acelerar o ritmo de poupança para conseguir embarcar.


Planejamento antecipado reduz esforço pela metade

Por outro lado, o levantamento mostra que começar cedo faz diferença no bolso.

Em um cenário com quatro anos de antecedência, o valor mensal necessário para atingir o mesmo objetivo cai significativamente, impulsionado pelos juros compostos.


Simulação com 4 anos de prazo:

Prazo: 48 meses

Valor líquido após

aporte único de R$10.000

(01/01/2029 = 29 meses)

Aportes mensais realizados até a copa

Valor líquido (aportes mensais)

Valor líquido (aporte único reinvestido)

Valor total para a viagem

(para o casal)

Cenário 1

R$ 12.843

R$ 377

R$ 22.621

R$ 15.097

R$ 37.718

Cenário 2

R$ 12.843

R$ 585

R$ 35.037

R$ 15.097

R$ 50.134


“Quanto maior o horizonte, menor precisa ser o aporte mensal para chegar ao mesmo objetivo; tudo graças aos juros compostos, que potencializam o crescimento do dinheiro ao longo do tempo”, diz a analista.


Escolhas influenciam diretamente o custo

Além do prazo, o estudo destaca que decisões como número de cidades, duração da viagem e quantidade de jogos impactam diretamente o orçamento.

Optar por uma única cidade, por exemplo, reduz custos com deslocamentos internos. Já incluir mais destinos amplia a experiência, mas exige maior planejamento financeiro.

A própria estrutura da Copa de 2026, com jogos em três países, permite diferentes combinações de roteiro — o que pode ajudar o viajante a ajustar a viagem ao próprio bolso.

Outro ponto de atenção é o câmbio. Como a viagem envolve diferentes moedas, acompanhar as variações e fazer conversões ao longo do tempo pode ajudar a reduzir impactos no orçamento.

“Ter flexibilidade de datas, cidades e categorias de ingresso evita pagar qualquer preço a qualquer custo”, afirma Maria Giulia.


A lição que fica para as próximas Copas

Com o torneio de 2026 já próximo, o estudo aponta um aprendizado claro para quem sonha em viver uma Copa do Mundo no estádio: o planejamento precisa começar cedo.

“Organização, constância e um plano financeiro coerente são a chave que transforma um sonho em realidade”, conclui Maria Giulia.

Mais do que um retrato dos custos atuais, o levantamento mostra que o verdadeiro diferencial não está só no destino escolhido — mas no momento em que o planejamento começa.

 

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