Levantamento da
Rico estima custo de até R$ 50 mil para casal em 2026 e destaca diferença
relevante entre quem se organiza com antecedência e quem deixa para depois
Com a Copa do
Mundo de 2026 a poucos meses do início — marcada para começar
em 11 de junho —, o sonho de ver a Seleção Brasileira ao vivo esbarra em um
ponto decisivo: o planejamento financeiro.
Um levantamento da Rico
mostra que assistir ao torneio no estádio pode custar entre R$ 37 mil e
R$ 50 mil para um casal, dependendo do roteiro escolhido. Mais
do que isso, o estudo evidencia o impacto direto do tempo de preparação no
bolso — e como a proximidade do evento pode tornar esse objetivo mais
desafiador.
“Assistir a uma Copa no estádio
não é apenas ‘ver um jogo’, é presenciar a história do esporte. Mas, para isso,
é essencial transformar o sonho em meta, entender o custo total e planejar com
antecedência”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da
Rico.
Quanto custa viver a Copa de
perto
Para dimensionar o custo da
experiência, a Rico simulou dois cenários de viagem para um casal saindo de São
Paulo: um mais simples, com sete dias em uma única cidade e um jogo, e outro
mais completo, com 11 dias, duas cidades e dois jogos.
Resumo dos custos estimados:
|
Cenário |
Passagens internacionais (casal) |
Hospedagem |
Alimentação |
Transporte local |
Trajetos internos |
Ingressos |
Gastos extras |
Total (para o casal) |
|
1 cidade – 7 dias (valores para duas pessoas) |
R$
7.400 |
R$
11.900 (7 noites × R$ 1.500) |
R$
6.048 (R$ 432×2×7) |
R$
1.890 (R$ 135×7) |
R$ 0 |
R$
6.480 (2 jogos × R$ 1.620) |
R$
4.000 |
R$
37.718 |
|
2 cidades – 11 dias (valores para duas pessoas) |
R$
7.400 |
R$
18.700 (11 noites × R$ 1.500) |
R$
9.504 (R$ 432×2×11) |
R$
2.970 (R$ 135×11) |
R$ 1.080
(1 voo interno: R$ 540) |
R$
6.480 (2 jogos × R$ 1.620) |
R$
4.000 |
R$
50.134 |
No cenário mais acessível, a
estratégia é concentrar a viagem em uma única cidade, reduzindo deslocamentos e
simplificando a logística. Já o roteiro mais completo amplia a experiência, mas
eleva os custos, principalmente com hospedagem e transporte.
Segundo a analista, alguns
itens concentram a maior parte do orçamento.
“Passagens internacionais,
ingressos e hospedagem são, em geral, os maiores blocos do orçamento, especialmente
em cidades mais caras e em jogos de fases avançadas”, explica.
O custo de não ter planejado
antes
Com a Copa se aproximando, o
estudo reforça um ponto central: quanto menor o prazo, maior o esforço financeiro
necessário para viabilizar a viagem.
Na simulação com horizonte de
12 meses, os aportes mensais necessários são elevados — refletindo o pouco
tempo para acumular o valor total.
Simulação com 1 ano de prazo:
|
Cenário |
Aporte mensal (casal) |
Aporte por pessoa |
Rentabilidade |
Valor total líquido |
|
7 dias – 1 cidade |
R$
2.980 |
R$
1.490 |
1,02%
ao mês |
R$
37.718 |
|
11 dias – 2 cidades |
R$
3.961 |
R$
1.981 |
1,02%
ao mês |
R$
50.134 |
“Com menos tempo, os aportes
precisam ser maiores para alcançar o mesmo valor final. Nesse horizonte, o foco
deve estar em liquidez e previsibilidade, já que as compras mais importantes
acontecem ao longo do ano”, afirma Maria Giulia.
Na prática, isso significa que
quem não se organizou com antecedência precisa acelerar o ritmo de poupança para conseguir embarcar.
Planejamento antecipado reduz
esforço pela metade
Por outro lado, o levantamento mostra que começar
cedo faz diferença no bolso.
Em um cenário com quatro anos de antecedência, o valor
mensal necessário para atingir o mesmo objetivo cai significativamente,
impulsionado pelos juros compostos.
Simulação com 4 anos de prazo:
|
Prazo: 48 meses |
Valor líquido após aporte único de R$10.000 (01/01/2029 = 29 meses) |
Aportes mensais realizados até a copa |
Valor líquido (aportes mensais) |
Valor líquido (aporte único reinvestido) |
Valor total para a viagem (para o casal) |
|
Cenário 1 |
R$ 12.843 |
R$ 377 |
R$ 22.621 |
R$ 15.097 |
R$ 37.718 |
|
Cenário 2 |
R$ 12.843 |
R$ 585 |
R$ 35.037 |
R$ 15.097 |
R$ 50.134 |
“Quanto maior o horizonte, menor precisa ser o aporte mensal para chegar ao mesmo
objetivo; tudo graças aos juros compostos, que potencializam o crescimento do
dinheiro ao longo do tempo”, diz a analista.
Escolhas influenciam
diretamente o custo
Além do prazo, o estudo destaca que decisões como
número de cidades, duração da viagem e quantidade de jogos impactam diretamente
o orçamento.
Optar por uma única cidade, por exemplo, reduz
custos com deslocamentos internos. Já incluir mais destinos amplia a
experiência, mas exige maior planejamento financeiro.
A própria estrutura da Copa de 2026, com jogos em
três países, permite diferentes combinações de roteiro — o que pode ajudar o
viajante a ajustar a viagem ao próprio bolso.
Outro ponto de atenção é o câmbio. Como a viagem
envolve diferentes moedas, acompanhar as variações e fazer conversões ao longo
do tempo pode ajudar a reduzir impactos no orçamento.
“Ter flexibilidade de datas, cidades e categorias
de ingresso evita pagar qualquer preço a qualquer custo”, afirma Maria Giulia.
A lição que fica para as
próximas Copas
Com o torneio de 2026 já próximo, o estudo aponta
um aprendizado claro para quem sonha em viver uma Copa do Mundo no estádio: o
planejamento precisa começar cedo.
“Organização, constância e um plano financeiro
coerente são a chave que transforma um sonho em realidade”, conclui Maria
Giulia.
Mais do que um retrato dos custos atuais, o
levantamento mostra que o verdadeiro diferencial não está só no destino
escolhido — mas no momento em que o planejamento começa.
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