• O novo medicamento biológico rozanolixizumabe, recém aprovado pela ANVISA1, é o primeiro tratamento subcutâneo para adultos com miastenia gravis generalizada que atua reduzindo a quantidade de autoanticorpos no sangue, aliviando os sintomas, trazendo ganho funcional e melhoria da função muscular2
• Com infusão
subcutânea e administração domiciliar3, a terapia
apresentou melhora significativa dos sintomas já no primeiro ciclo de
tratamento em comparação com o placebo e manteve uma resposta consistente ao
longo de múltiplos ciclos, com mais de um quarto dos pacientes alcançando
expressão mínima dos sintomas em análises de longo prazo.4
Os pacientes que
convivem com a miastenia gravis generalizada agora têm uma nova alternativa
terapêutica que contribui para a melhora significativa dos sintomas da doença1.
A novidade é fruto da aprovação do registro, concedido pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) 1, do medicamento biológico Rystiggo®
(rozanolixizumabe), o qual foi desenvolvido pela UCB Biopharma. Esse é o
primeiro e único tratamento subcutâneo aprovado indicado para pacientes adultos
que são positivos para os anticorpos anti-MuSK e/ou anti-AChR5.
O diferencial do
novo medicamento está em seu mecanismo de ação inovador. Na miastenia gravis
generalizada, o organismo passa a produzir autoanticorpos patogênicos — como os
anti-AChR e anti-MuSK5 — que comprometem a comunicação entre nervos e
músculos5. Além disso, o corpo possui um sistema natural de reciclagem de
anticorpos que impede sua eliminação rápida, mantendo esses autoanticorpos
circulantes e contribuindo para a persistência dos sintomas6.
O rozanolixizumabe
atua bloqueando de forma específica esse processo de reciclagem. Com isso,
permite que o próprio organismo reduza mais rapidamente os níveis dos
autoanticorpos nocivos, favorecendo sua eliminação natural. Essa redução
sustentada dos autoanticorpos no sangue está associada ao alívio dos sintomas,
melhora funcional e recuperação da força muscular7.
A aprovação da
Anvisa teve como base os resultados do estudo de fase 3 MycarinG, publicado na
revista The Lancet Neurology, que demonstrou benefícios clínicos relevantes
para pacientes com miastenia gravis generalizada. O estudo evidenciou melhorias
significativas em medidas funcionais e no desempenho das atividades diárias,
reforçando a eficácia e a segurança do medicamento como uma alternativa
terapêutica robusta para o manejo da doença4.
“A aprovação do
rozanolixizumabe representa um marco relevante na estratégia da UCB de elevar
os padrões de cuidado em doenças neurológicas graves e raras. Ao disponibilizar
no Brasil a primeira terapia subcutânea direcionada ao bloqueio do receptor
neonatal FcRn, passamos a contar com um mecanismo de ação inovador, sustentado
por evidência científica, que amplia as opções terapêuticas para pacientes com
miastenia gravis. Esse avanço reforça nosso compromisso em oferecer tratamentos
que combinem eficácia clínica, inovação e o potencial de promover maior
autonomia ao paciente ao longo de sua jornada de cuidado”, afirma Cynthia
Diaféria, CEO da UCB Brasil.
Segundo a
executiva, a chegada do medicamento consolida o compromisso da UCB em preencher
lacunas críticas na assistência à saúde, oferecendo uma resposta clínica
contundente, especialmente para perfis de difícil controle, como os pacientes
anti-MuSK positivos5, que até então dispunham de opções terapêuticas
limitadas.
A miastenia gravis
generalizada é uma doença rara, com prevalência global estimada entre 150 e 200
casos por milhão de pessoas8. Pacientes com essa condição podem
apresentar uma variedade de sintomas, incluindo fraqueza muscular, pálpebras
caídas, visão dupla e dificuldade para falar, engolir ou se comunicar
verbalmente8.
“Essa conquista
reforça o avanço que rozanolixizumabe proporciona ao tratamento da miastenia
gravis generalizada, ao disponibilizar uma alternativa terapêutica inovadora,
direcionada e com potencial para transformar o cuidado de pacientes que
convivem com essa condição”, afirma Dr. Marcondes França, médico neurologista
da UNICAMP.
Nova
rotina
O medicamento
chega para transformar a rotina de tratamento com foco na qualidade de vida e
na resposta clínica rápida2. Além do mecanismo de ação diferenciado,
ainda há o critério da comodidade terapêutica, já que a administração se dá por
meio de infusão subcutânea (sob a pele)3 e, após orientação médica, pode ser
administrada em domicílio. O tratamento propõe a redução dos níveis de dois
anticorpos no sangue (anti-MuSK e anti-AChR5), oferecendo uma nova perspectiva
de controle da doença para esses perfis de pacientes2.
Mecanismo com dupla ação
O rozanolixizumabe é um anticorpo
monoclonal humanizado que atua de forma inovadora: ele se liga ao receptor
neonatal Fc (FcRn), bloqueando o mecanismo natural do corpo que
"recicla" e protege os anticorpos9. Isso acelera a eliminação dos
autoanticorpos nocivos que causam a doença, resultando na possibilidade de
recuperação da força muscular e na melhora da função neuromuscular2.
Para compreender o
impacto desta aprovação, é importante distinguir como os dois tipos de
autoanticorpos agem no organismo para impedir a comunicação entre nervos e
músculos:
Anti-AChR5
(anti-receptor de acetilcolina): presentes na grande maioria dos casos (cerca
de 85% dos pacientes)10, esses anticorpos atacam diretamente os
receptores localizados na superfície do músculo. Eles destroem os
"botões" que precisam ser acionados para o músculo funcionar,
causando a fraqueza clássica da doença11.
Anti-MuSK5
(anti-tirosina quinase músculo-específica): encontrados em uma parcela menor de
pacientes (entre 5% e 8%)11, estes anticorpos atacam uma proteína
que funciona como uma "organizadora" dos receptores de acetilcolina.
Sem a proteína MuSK5, os receptores de acetilcolina ficam
desorganizados e não conseguem captar o sinal nervoso. Pacientes com anti-MuSK5
positivo geralmente apresentam uma forma mais grave da doença, com maior
comprometimento da fala, deglutição e respiração, e frequentemente não
respondem de forma adequada às terapias convencionais11.
Como próxima etapa
para que o medicamento esteja efetivamente disponível no Brasil, a UCB segue
agora para a definição do preço do produto pela CMED (Câmara de Regulação do
Mercado de Medicamentos), que prevê um prazo de até 90 dias em resolução para
sua análise inicial.
https://ucb-biopharma.com.br
Referências
1 BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução-RE
nº 1.283, de 1º de abril de 2026. Diário Oficial da União:
seção 1, Brasília, DF, ano [ano da edição], n. [número da edição], p. [página],
2 abr. 2026. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-re-n-1.283-de-1-de-abril-de-2026-697373483. Acesso em: 7 abr. 2026.
2 Bril V, Drużdż A, Grosskreutz J, Habib AA, Mantegazza R,
Sacconi S, Utsugisawa K, Vissing J, Vu T, Boehnlein M, Bozorg A, Gayfieva M,
Greve B, Woltering F, Kaminski HJ; MG0003 study team. Safety and efficacy of
rozanolixizumab in patients with generalised myasthenia gravis (MycarinG): a
randomised, double-blind, placebo-controlled, adaptive phase 3 study. Lancet
Neurol. 2023 May;22(5):383-394. doi: 10.1016/S1474-4422(23)00077-7. Erratum in:
Lancet Neurol. 2023 Oct;22(10):e11. doi: 10.1016/S1474-4422(23)00336-8. PMID:
37059507.
3 UCB, Inc. RYSTIGGO® (rozanolixizumab-noli) Prescribing
Information. 2023. Consultado em 11/12/2025. Disponível em https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2023/761286s000lbl.pdf.
4 Bril V, Drużdż A, Grosskreutz J, et al. Safety and
efficacy of rozanolixizumab in patients with generalised myasthenia gravis
(MyCarinG): a randomised, double-blind, placebo-controlled, adaptive phase 3
study. Lancet Neurol. 2023;22(5):383-94. Consultado em 11/12/2025. Disponível
em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37059507/.
5 HOY, S. M. Rozanolixizumab: First Approval. Drugs, [S.
l.], v. 83, n. 14, p. 1341-1347, 2023. Consultado em 11/12/2025 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37656420/.
6 GABLE, K. L.; GUPTILL, J. T. Antagonism of the Neonatal Fc
Receptor as an Emerging Treatment for Myasthenia Gravis. Frontiers in
Immunology, [S. l.], v. 10, n. 3052, 2020. Consultado em 11/12/2025. Disponível
em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2019.03052/full.
7 SMITH, B. et al. Generation and characterization of a high
affinity anti-human FcRn antibody, rozanolixizumab, and the effects of
different molecular formats on the reduction of plasma IgG concentration. mAbs,
[S. l.], v. 10, n. 7, p. 1111-1130, 2018. Consultado em 11/12/2025. Disponível em
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6291300/.
8 Howard, James F. Fundação Americana de Miastenia Gravis.
Visão geral clínica da MG. Consultado em 11/12/2025. Disponível em https://myasthenia.org/Professionals/Clinical-Overview-of-MG.
9 Kiessling P, et al. "The FcRn inhibitor
rozanolixizumab reduces human serum IgG concentration: A randomized phase 1
study." Science Translational Medicine. 2017;9(414).
10 BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório de Recomendação:
Exame de dosagem de anticorpo anti-receptor de acetilcolina para diagnóstico da
Miastenia Gravis. Brasília, DF: CONITEC, 2021. (Relatório nº 598). Disponível
em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2021/20210422_relatorio_598_antiach_miastenia_gravis_.pdf. Acesso em: 7 abr. 2026.
11 Gilhus NE.
Myasthenia Gravis. New England Journal of Medicine. 2016;375(26):2570-2581.
doi:10.1056/NEJMra1602678. BR
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