No Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson (11.04), especialista explica em quais casos o procedimento é recomendado e quais são os critérios de indicação
A Doença de Parkinson, condição neurológica
degenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, deve crescer de
forma expressiva nas próximas décadas. Um estudo recente publicado no British
Medical Journal (BMJ) aponta que o número de pessoas vivendo com a
doença pode mais que dobrar até 2050, alcançando 25,2 milhões de casos. Mesmo
sendo a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atrás apenas do Alzheimer,
o Parkinson ainda é cercado de dúvidas, especialmente em relação às
possibilidades de tratamento.
Inicialmente, a abordagem mais comum é
baseada em medicamentos, sendo a cirurgia uma alternativa em momentos específicos
da evolução da doença. “A cirurgia na Doença de Parkinson nunca é o primeiro e
nem o último recurso. Em linhas gerais, ela deve ser considerada quando o
remédio ainda funciona, mas já não consegue controlar bem o dia a dia do
paciente”, explica Dr. Normando Guedes, médico
neurocirurgião e professor na pós-graduação da Afya Goiânia.
Nessas situações, sinais como flutuações
motoras importantes, quando há oscilações na resposta aos medicamentos ao longo
do dia; tremores incapacitantes que não respondem adequadamente ao tratamento
clínico e a presença de discinesias (movimentos involuntários provocados pela
própria medicação) podem indicar a necessidade de avaliação cirúrgica.
“Pacientes que apresentam grandes variações no controle dos sintomas ou efeitos
colaterais relevantes do tratamento medicamentoso podem ser candidatos à
cirurgia”, destaca o especialista.
Entre os procedimentos disponíveis, a
estimulação cerebral profunda (DBS) é uma das principais opções, atuando
diretamente em áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. A
indicação, no entanto, é sempre individualizada. “Os melhores candidatos são
aqueles que ainda respondem à levodopa (medicamento usado no tratamento da
doença que se transforma em dopamina no cérebro, ajudando a reduzir tremores,
rigidez e lentidão dos movimentos.), mas já
enfrentam dificuldades no controle dos sintomas ao longo do dia. Avaliamos
fatores como idade, tempo de evolução da doença, presença de comorbidades e o
perfil dos sintomas predominantes”, afirma Dr. Normando.
De modo geral, pacientes mais jovens, sem comprometimento cognitivo significativo e com predominância de sintomas motores tendem a apresentar melhores resultados. Por outro lado, a presença de demência ou doenças clínicas graves pode limitar a indicação cirúrgica. “Um dos maiores erros é acreditar que a cirurgia é um último recurso. Na verdade, ela tem indicações precisas e uma janela de tempo ideal para ser considerada”, reforça o médico da Afya.
Embora não seja curativa, a cirurgia pode
proporcionar melhora significativa na qualidade de vida, reduzindo tremores,
rigidez e a dependência de medicamentos. Por isso, o acompanhamento com uma
equipe multidisciplinar é essencial para identificar o momento adequado de
indicar o procedimento e garantir ao paciente acesso a todas as opções
terapêuticas ao longo da evolução da doença.
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