Enquanto ação favorece trabalhadores da
classe média-baixa, pesquisa aponta que 30% dos brasileiros percebem benefícios
direto no orçamento
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda
(IR) para quem ganha até R$5 mil mensais já reflete no bolso dos brasileiros. Segundo
o professor Rodrigo Barreto de Administração da FEI, Centro Universitário
pioneiro ao criar o primeiro curso de Administração do Brasil e da América
Latina, a medida aumenta a renda líquida de trabalhadores de classe média e
média-baixa ao reduzir o imposto retido na fonte. Na prática, isso pode
significar um ganho extra de dezenas ou centenas de reais todos os meses.
Embora o benefício seja real, a percepção no orçamento das famílias ainda é moderada. Dados da pesquisa Genial/Quaest indicam que 30% dos brasileiros sentiram o impacto direto, muitas vezes porque o valor acaba absorvido pela inflação ou por dívidas acumuladas.
Segundo o professor, economicamente, a medida tem potencial para girar a roda da economia. Isso ocorre porque as famílias de menor renda tendem a gastar quase todo valor extra que recebem, a chamada Propensão Marginal a Consumir (PMgc), um indicador que mede o quanto de cada real adicional de renda o brasileiro destina às compras. No Brasil, esse índice é superior a 0,76, o que significa que, para cada R$1,00 extra recebido, pelo menos R$0,76 voltam para a economia na forma de consumo, especialmente entre as famílias de menor renda.
Para Barreto, o efeito é mais visível em setores
essenciais: "Com um pouco mais de folga no orçamento, o brasileiro tende a
priorizar o consumo imediato em áreas como alimentação, cuidados pessoais e
serviços do dia a dia. No entanto, o alto endividamento das famílias ainda é
uma barreira: muitas vezes, esse ganho extra não vai para uma compra nova, mas
para o pagamento de contas atrasadas."
Mas, afinal, quem se beneficia?
Os maiores beneficiados são os trabalhadores formais com rendimentos próximos aos R$ 5 mil. Já quem possui renda informal ou recebe acima de R$ 7.350 mensais dificilmente perceberá mudanças significativas em seu holerite.
Pelo lado do governo, o desafio é equilibrar as contas, já que a renúncia fiscal é estimada em R$27 bilhões por ano. A sustentabilidade dessa política dependerá de uma compensação eficiente, como a tributação de rendas mais altas, para garantir que o estímulo à economia não gera inflação.
Para quem recebeu esse "fôlego" extra, a
recomendação do professor da FEI é agir com cautela:
- Quitar dívidas com juros altos (como cartão de crédito e
cheque especial);
- Montar ou reforçar uma reserva de emergência;
- Considerar novos investimentos apenas após equilibrar o
orçamento.
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