Descubra como o exercício físico, se bem orientado, ajuda no bombeamento do sangue e por que quem já tem predisposição genética precisa de acompanhamento vascular para treinar com segurança.
A prática regular de exercícios físicos é frequentemente apontada como um pilar da saúde, mas no ambiente das academias, um receio comum persiste entre os frequentadores: o medo de que o levantamento de peso excessivo possa provocar o surgimento de veias dilatadas e tortuosas. Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) indicam que as varizes afetam cerca de 38% da população adulta no Brasil, sendo a predisposição genética o principal fator de risco. O que muitos desconhecem é que, longe de ser uma vilã, a musculação pode atuar como uma importante aliada no retorno venoso, desde que executada com a técnica correta e acompanhamento especializado.
De acordo com o cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio, o mito de que o esforço físico causa a doença surge da observação de atletas com veias muito aparentes. "Existe uma diferença crucial entre a veia saltada, comum em quem tem baixo percentual de gordura e alta vascularização muscular, e a veia doente, que perdeu sua função elástica. O exercício resistido, na verdade, fortalece a musculatura da panturrilha, que funciona como o nosso segundo coração, empurrando o sangue de volta para a parte superior do corpo", explica o especialista.
O problema não reside no peso em si, mas na forma como a pressão intra-abdominal é gerada durante séries muito intensas sem a respiração adequada. Quando uma pessoa prende o fôlego ao fazer força, ocorre um aumento momentâneo da pressão nas veias das pernas, o que pode agravar quadros em quem já possui válvulas venosas fragilizadas. Por isso, o médico ressalta que o treino deve ser progressivo, evitando bloqueios respiratórios prolongados que dificultem o fluxo sanguíneo em direção ao tronco.
Para aqueles que já possuem histórico familiar ou sintomas iniciais, como cansaço e peso nos membros inferiores ao fim do dia, a avaliação profissional se torna indispensável antes de iniciar um cronograma de alta performance. O cirurgião esclarece que "quem tem predisposição genética não precisa abandonar a musculação, mas deve entender que o equilíbrio entre carga e repetição é a chave para não sobrecarregar o sistema circulatório". Em alguns casos, o uso de meias de compressão esportivas durante a atividade pode ser recomendado para otimizar a performance vascular.
Além do fortalecimento muscular, a atividade física auxilia no controle do peso corporal, reduzindo a carga inflamatória que prejudica as paredes dos vasos. O sedentarismo, este sim, é um inimigo real, pois a falta de movimento faz com que o sangue acumule nas extremidades, aumentando a pressão venosa crônica. O foco deve ser sempre a prevenção combinada, unindo a força dos treinos com o monitoramento constante da saúde das veias.
O diagnóstico precoce e o tratamento moderno das varizes, que hoje dispensa longos períodos de repouso, permitem que o paciente retorne rapidamente às suas atividades físicas. "O objetivo atual da medicina vascular é devolver a autonomia ao indivíduo. Orientamos que o treino seja um aliado do tratamento, mantendo a circulação ativa e as pernas saudáveis para suportar a rotina", finaliza.
Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular
@dr.josualdo
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