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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Saiba o que professores esperam para o próximo ano letivo

Conheça os pontos positivos e negativos levantados por profissionais da educação

 

O último ano foi de muitas mudanças para estudantes de todo o Brasil. Retorno presencial pós-pandemia, além das alterações na lei que levaram as instituições de ensino a mudarem a estrutura curricular. Uma delas e a mais emblemática foi a do Novo Ensino Médio, que foi dividido de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incluindo Itinerários Formativos (Trilhas de Aprendizagem) escolhidos pelos próprios alunos. Após esse ano, as perguntas que ficam são: como as mudanças foram recebidas pelos alunos? Como isso impactou o ensino e o que vem por aí em 2023? Reunimos professores do Rio de Janeiro e São Paulo que fizeram um balanço de 2022 e traçaram perspectivas para 2023.

 

Andrea Lucena, diretora pedagógica do Colégio Marília Mattoso, em Niterói, estado do Rio de Janeiro, vê com bons olhos esse primeiro ano do Novo Ensino Médio: “Foi muito positivo, trabalhamos com Itinerários fixos e muitos projetos. Os alunos foram avaliados pela participação e houve muito engajamento de toda a comunidade escolar”.

 

Em Campos dos Goytacazes, também no estado do Rio de Janeiro, Betina Muylaert de Carvalho Britto, vice-diretora pedagógica do Colégio Centro de Estudos, também considera que o saldo foi positivo do Novo Ensino Médio: “Acreditamos que o Novo Ensino Médio chegou para consolidar o conteúdo e a aprendizagem de forma significativa, aprofundando as áreas de conhecimento escolhidas pelos alunos, sendo extremamente positivo para o desenvolvimento das habilidades e competências como um todo”.


 

Desafios pós-pandemia

 

Além dos desafios pedagógicos, professores e alunos tiveram que lidar com o retorno às aulas presenciais. Andrea Lucena, do Colégio Marília Mattoso, relembra esse período e toda a ansiedade envolvida:

 

“Foi um ano complicado e trabalhoso em que tivemos um resgate dos alunos ao estudo. Muitos descomprometidos, foi desgastante e desafiador, mas com paciência, acolhimento e olhar individualizado, fomos rompendo barreiras. Além disso, houve muita conversa com os pais, afinal eles são termômetro e referência. A parceria é primordial”.

 

Em São Paulo, no Colégio Anglo Leonardo da Vinci, o professor Marco Antônio Xavier Coordenador do Ensino Médio da escola faz coro às palavras de Andrea e diz que o retorno foi ainda mais difícil do que imaginavam:

 

“Se eu pudesse resumir 2022, eu diria desafiador. O retorno a sala de aula foi marcado por uma mistura de alívio, euforia e ansiedade. Apesar de toda a preparação para o retorno, a realidade que encontramos superou as expectativas. Muitas crianças e jovens emocionalmente fragilizados, inseguros e em alguns casos, agressivos com colegas e professores. A parceria da escola com a família precisou ser reinventada e precisamos deixar ainda mais claro o papel de cada um na educação dos pequenos”, detalha Marco Antônio que lista alguns dos desafios enfrentados:

 

“A escola precisou repensar algumas práticas. O longo período de afastamento da escola, afetou a capacidade de concentração das crianças e jovens e afetou a organização e a disciplina de estudos. O celular virou vício e motivo de dependência psicológica e emocional extrema, e se tornou tema de reuniões e debates acalorados do corpo pedagógico. Em relação aos conteúdos escolares, o colégio precisou ter a sabedoria de repensar e corrigir rotas continuamente. A missão foi recuperar conteúdos não fixados durante a pandemia e avançar com aqueles previstos atualmente”, relata o professor, que enxerga o copo cheio em todo aspecto que enfrenta.

 

“O lado positivo é que os professores e a equipe pedagógica precisaram inovar nas práticas do cotidiano, estimular os alunos e tornar os conteúdos mais atrativos. Mas é preciso lembrar que a escola vai muito além do conteúdo, é também um espaço social de interação e amadurecimento. As habilidades socioemocionais foram pontos norteadores dentro e fora da sala de aula. O serviço de apoio psicológico da escola foi importante para alunos e professores.”


 

Expectativa, esperança, empatia, comprometimento e inclusão em pauta, assim será 2023

 

Se 2022 foi um ano de insegurança, 2023 chega com muita expectativa e esperança para o corpo docente de escolas de todo o Brasil. Projetos novos, comprometimento e foco em resultados, tem norteado os colégios.

 

“Teremos novos Itinerários e novidades como Matemática Financeira, Empreendedorismo e Educação Étnico-racial. Além disso, continuaremos com os projetos que deram certo, como Economia, Sustentabilidade, Projeto de Vida e muito mais. Acredito que seja um ano promissor”, aposta Andrea Lucena, do Colégio Marília Mattoso.

 

Betina, do Colégio Centro de Estudos, também acredita em resultados significativos neste ano: “Em 2023, teremos um novo espaço totalmente focado no segmento do Ensino Médio com conteúdo robusto, aprendizagem significativa e foco na conquista dos sonhos e nos nossos alunos”.

 

O professor Marco Antônio Xavier, do Colégio Anglo Leonardo da Vinci, reforça a importância da continuidade e na diminuição dos gaps curriculares para 2023:

 

“Temos muitos e novos desafios! Precisamos avançar nos conteúdos existentes, diminuir as lacunas de aprendizagem, consolidar o Novo Ensino Médio e trazer definitivamente para a prática da escola os itinerários formativos e outros métodos disruptivos da educação tradicional. A escola nunca precisou ser tão humana, tão empática na sua missão. Conseguimos trazer os alunos de volta para a sala de aula em 2022, agora temos certeza de que em 2023 vamos fazer ainda melhor”, prevê.


 

Pais, filhos e escolas unidos por um bem maior: educação

 

Com um olhar amplo e apurado, Volmar Barbosa de Souza, Diretor Geral da Rede Marília Mattoso, deseja uma participação ainda maior dos pais nas aulas dos filhos e no conteúdo didático. Para ele, essa pode ser a chave para uma educação assertiva e boa para todos. E isso deve acontecer antes mesmo da escolha da escola da criança: 

“Ao buscarem escolas para os filhos, os pais devem demonstrar interesse por conhecer as trilhas formativas escolhidas pela instituição para o Ensino Médio, mesmo que a criança ainda esteja distante dessa realidade. Tal interesse auxiliará as famílias a conhecerem com mais clareza os objetivos pedagógicos dos colégios e as escolhas feitas para alcançarem tal objetivo”, alerta o diretor.


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