A palavra “reclamar” vem do latim “reclamare” que significa
gritar, protestar contra. Algo que pode ser bom, a depender da circunstância,
mas ruim caso se trate de um comportamento vicioso, um mau hábito. Tudo
dependerá da consequência após a reclamação.
Quem nunca ouviu falar naquele ditado popular: “Quem não chora,
não mama?” Afinal de contas, aprendemos desde cedo que pela repetição do choro,
obtemos o que é necessário, ou seja, é através da “reclamação” que conseguimos
o que queremos.
Percebe quanto o ato de reclamar está impregnado em muitos de nós,
e nem notamos? O comportamento de reclamar nasce na infância, quando aprendemos
que pedir mais de uma vez, por vezes gritando, protestando, faz com que se
tenha o que é desejado.
É como se acionássemos um mecanismo de “recompensa” sempre que o
modo reclamar entra em ação. Esta é uma forma explícita daqueles que possuem o
hábito de reclamar. No entanto, existe também o ato de reclamar para chamar a
atenção. E como é isto? São frases que tem como objetivo voltar o olhar para
si, normalmente provocando um sentimento de pena, por ter como pano de fundo um
pedido.
Por exemplo: “Nossa, estou tão cansada, mas tenho um tanto de
roupa para passar.” Perceba que nesta frase nem parece que a pessoa está
reclamando, muito menos que está pedindo algo. Mas uma frase como esta comunica
um quadro de reclamação a respeito do estado de cansaço associado a um pedido
implícito de “bem que você poderia passar esta roupa para mim”.
Outra maneira, que a reclamação pode ocorrer é pelo vício de
linguagem, quando a pessoa fala, fala, fala, reclama, reclama, reclama, sem
saber a causa exata da reclamação. Isto é, o faz apenas por ter adquirido esse
mau hábito.
Nesse caso, independente do que aconteça, da resposta que se
obtenha após uma reclamação, ela não cessa. Pode ser que a pessoa encontre
alguém que venha a “cortar” sua fala reclamatória, que diga: “Ah, pare de
reclamar” ou, “Você reclama de barriga cheia” ou coisas nesse sentido. Pode ser
que ela concorde e até pare de reclamar naquele momento. Mas tão logo encontre
um novo par de ouvidos, a reclamação volta para os seus lábios, pois é essa
repetição que configura o que é a reclamação.
Porém, viver ao lado de uma pessoa reclamona é muito ruim, pois
desgasta qualquer relacionamento. Pensando nisso, lanço aqui um desafio:
tentarmos ficar trinta dias sem reclamar, murmurar, ou ficar se lamentando.
Assim perceberemos que somos capazes de mudar esse comportamento, que parece
inofensivo, mas mata aos poucos, pois desgasta demais. Dominar a má inclinação
da murmuração, da lamentação, ajuda a criar resiliência e enxergar para além
dos próprios problemas.
Bom desafio para você!
Aline Rodrigues - psicóloga,
especialista em saúde mental, e missionária da Comunidade Canção Nova. Atua com
Terapia Cognitiva Comportamental, no campo acadêmico, clínico e empresarial.
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