Fluxo maior de visitantes durante megaeventos
é preocupante e amplia turismo sexual, entre outras violações de direitos
Mais
do que reunir pessoas de todo o mundo para uma competição esportiva e representar
um aumento de gastos do Governo com as obras de infraestrutura para sua
realização, megaeventos como as Olimpíadas são permeados por uma série de
violações dos Direitos Humanos. A análise é do assistente social e diretor do Conselho
Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo (CRESS-SP), Júlio Cézar de
Andrade.
Mais do que isso, ele ainda ressalta que é exatamente em eventos dessa
magnitude que a separação de classes sociais fica ainda mais evidente, tornando
aparentes a realidade brasileira, permeada de exclusão, opressão e abuso. O
trabalho infantil, por exemplo, aumenta consideravelmente, uma vez que o fluxo
maior de turistas brasileiros e estrangeiro intensifica o de jovens que,
oriundos de famílias historicamente desamparadas pelo Estado, atuam como guias
mirins em pontos turísticos, entregando panfletos em rodoviárias e aeroportos,
vendendo alimentos e artigos esportivos ou mesmo pedindo esmolas nas ruas.
Para
o assistente social é fundamental integrar políticas públicas. “Apenas um
trabalho unificado envolvendo campanhas de sensibilização e métodos de denúncia
efetivos pode mudar o panorama atual em que o Brasil é visto como centro de
turismo sexual. O combate efetivo a esse tipo de violência perpassa por uma
mudança na concepção de mundo. Não podemos naturalizar e compactuar com uma
sociedade em que o corpo de mulheres, crianças e adolescentes é visto e tratado
como mercadoria. Atuar no enfrentamento à violência contra crianças e
adolescentes é, portanto, atuar para a alteração dessa lógica perversa de
dominação”, comenta a assistente social.
Para o diretor do CRESS-SP, todos os esforços são
importantes, principalmente neste período de atenções voltadas ao Brasil.
“Enquanto políticas públicas não dão conta de amparar nossas crianças e adolescentes,
temos que fazer a nossa parte na medida em que realizar a denúncia já é ter um
olhar sensível aos direitos humanos”, finaliza Andrade.
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