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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O mito da maternidade entre os atletas de alto rendimento



O artigo do ginecologista e obstetra Dr. Vamberto Maia Filho, da clínica Mãe de reprodução assistida, revela a relação da atividade física com a fertilidade dos atletas


Dentre os vários questionamentos que surgem em consultas de casais com infertilidade um deles sempre é a relação entre exercícios físicos e a infertilidade. E em tempos de olimpíadas esse tema está ainda mais presente.

Durante muito tempo a relação entre maternidade e melhora no desempenho físico foi um mito sugerido. Especulava-se que as atletas do leste europeu, chegavam a engravidar dos técnicos e depois eram obrigadas a abortar, na intenção de uma suposta melhora de desempenho. Tais benefícios incluiriam não apenas uma melhor circulação sanguínea, mas também aumento nos níveis de hormônios do crescimento que impulsionariam os resultados físicos.

Por outro lado, as atividades físicas extenuantes, geralmente em atletas profissionais, podem causar subfertilidade, uma incapacidade de engravidar transitória, em consequência do bloqueio da menstruação gerado pela falta de ovulação (bloqueio do eixo hipotálamo-hipofisário).

Mas se os exercícios bem dosados podem ter um efeito contrário e melhorar a capacidade reprodutiva. Estudos já demonstraram que a atividade física moderada pode ajudar mulheres com peso normal a engravidar mais rapidamente. Para ser considerada atividade física moderada, exercícios mais vigorosos como Corrida, ciclismo, natação e ginástica devem ser realizados por menos de cinco horas semanais.

A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) considera que atividade física moderada é um adjuvante no tratamento para os casais que desejam engravidar já que gera benefícios endócrinos, melhora da autoestima, bem estar mental e alimentação mais saudável (com menos colesterol e calorias).

Não há um número concreto, mas a maternidade pode fazer com que atletas melhorem sua performance. No Brasil um bom exemplo é a saltadora em distância e ouro olímpico Maurren Maggi; no mundo, a campeã do US Open Kim Clijsters e a tricampeã do Vôlei de Praia, a americana Kerri Lee Walsh (mãe de três filhos e grande candidata a mais uma medalha no Rio 2016), são outras atletas que atingiram seu ápice após a maternidade. Talvez uma carga de treinos menor e um foco mais tranquilizador sejam diferenciais na melhora esportiva.

Embora tudo isso leve a concluir que exercícios são benéficos a reprodução, a idade ainda continuará sendo o fiel da balança. Isso motiva algumas atletas a considerar o congelamento de óvulos como um artificio de manutenção da fertilidade, principalmente, após os 35 anos, quando há uma queda na qualidade dos óvulos produzidos.




Dr. Vamberto Maia Filho - www.mae-med.com.br. Possui graduação em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2001). Realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (2004) e em Reprodução Humana (2005) pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP). Possui título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO/TEGO - 2004) e em endoscopia ginecológica (FEBRASGO -2005). Atualmente é sócio do grupo MAE (Medicina e Atendimento Especializado). Médico do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP com ênfase no ensino com linha de pesquisa em implantação embrionária. Responsável pelo ambulatório de hirsutismo do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP. Doutor pela UNIFESP. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM. Membro da Sociedade Européia de Reprodução Humana - ESHRE.

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