O artigo do ginecologista e obstetra Dr.
Vamberto Maia Filho, da clínica Mãe de reprodução assistida, revela a relação
da atividade física com a fertilidade dos atletas
Dentre os vários questionamentos que surgem em consultas de casais
com infertilidade um deles sempre é a relação entre exercícios físicos e a
infertilidade. E em tempos de olimpíadas esse tema está ainda mais presente.
Durante muito tempo a relação entre maternidade e melhora no
desempenho físico foi um mito sugerido. Especulava-se que as atletas do leste
europeu, chegavam a engravidar dos técnicos e depois eram obrigadas a abortar,
na intenção de uma suposta melhora de desempenho. Tais benefícios incluiriam
não apenas uma melhor circulação sanguínea, mas também aumento nos níveis de
hormônios do crescimento que impulsionariam os resultados físicos.
Por outro lado, as atividades físicas extenuantes, geralmente
em atletas profissionais, podem causar subfertilidade, uma incapacidade de
engravidar transitória, em consequência do bloqueio da menstruação gerado pela
falta de ovulação (bloqueio do eixo hipotálamo-hipofisário).
Mas se os exercícios bem dosados podem ter um efeito
contrário e melhorar a capacidade reprodutiva. Estudos já demonstraram
que a atividade física moderada pode ajudar mulheres com peso normal a
engravidar mais rapidamente. Para ser considerada atividade física moderada,
exercícios mais vigorosos como Corrida, ciclismo, natação e
ginástica devem ser realizados por menos de cinco horas semanais.
A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM)
considera que atividade física moderada é um adjuvante no tratamento para os
casais que desejam engravidar já que gera benefícios endócrinos,
melhora da autoestima, bem estar mental e alimentação mais saudável (com menos
colesterol e calorias).
Não há um número concreto, mas a maternidade pode fazer
com que atletas melhorem sua performance. No Brasil um bom exemplo é
a saltadora em distância e ouro olímpico Maurren Maggi; no mundo, a campeã do
US Open Kim Clijsters e a tricampeã do Vôlei de Praia, a americana Kerri Lee
Walsh (mãe de três filhos e grande candidata a mais uma medalha no Rio 2016),
são outras atletas que atingiram seu ápice após a maternidade. Talvez uma carga
de treinos menor e um foco mais tranquilizador sejam diferenciais na melhora
esportiva.
Embora tudo isso leve a concluir que exercícios são benéficos a
reprodução, a idade ainda continuará sendo o fiel da balança. Isso
motiva algumas atletas a considerar o congelamento de óvulos como um
artificio de manutenção da fertilidade, principalmente, após os 35 anos, quando
há uma queda na qualidade dos óvulos produzidos.
Dr. Vamberto Maia Filho - www.mae-med.com.br.
Possui graduação
em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2001). Realizou residência
médica em Ginecologia e Obstetrícia (2004) e em Reprodução Humana (2005) pelo
Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP). Possui título de especialista
em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO/TEGO - 2004) e em endoscopia
ginecológica (FEBRASGO -2005). Atualmente é sócio do grupo MAE (Medicina e
Atendimento Especializado). Médico do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP
com ênfase no ensino com linha de pesquisa em implantação embrionária.
Responsável pelo ambulatório de hirsutismo do setor de Ginecologia-Endócrina da
UNIFESP. Doutor pela UNIFESP. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução
Humana. Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM. Membro da
Sociedade Européia de Reprodução Humana - ESHRE.
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