Obrigatório em todas as maternidades desde 2014, o teste ajuda a reduzir problemas de fala e evita que as crianças larguem o peito cedo
Detectar problemas na primeira infância é fundamental para um diagnóstico precoce, o que garante uma melhor qualidade de vida à criança. A língua presa é um problema que afeta a fala e pode ocasionar falta de entendimento e relacionamento, além de desconforto na escola. Mas, além da dificuldade para falar, a língua presa também pode levar ao desmame precoce.
Desde 2014, hospitais e maternidades das redes pública e particular passaram a ser obrigados a fazer o chamado teste da linguinha em recém-nascidos. A determinação foi criada pela Lei 13.002/2014. O teste da linguinha tem se mostrado primordial no primeiro mês de vida do bebê. É um exame feito no recém-nascido) para identificar alterações no frênulo, uma pequena membrana que fica embaixo da língua e a conecta com o assoalho da boca. "No caso dos recém-nascidos, a amamentação pode ser prejudicada, já que afeta a sucção e tem sido uma das maiores causas do desmame precoce", explica Raquel Luzardo, fonoaudióloga, especialista em linguagem e diretora da clínica Fonoterapia.
Os bebês que têm a língua presa fazem muito esforço para mamar e acabam gastando energia, o que pode levar à dificuldade para ganhar peso, além de aumentar o risco de machucar o mamilo da mãe. “Normalmente as mães começam a achar que o leite é fraco e acabam introduzindo a mamadeira. Elas também relatam ferimentos e muita dor nos mamilos”, diz a especialista.
Foi na maternidade que Catharina Leal, mãe de Benício, hoje com 1 ano e 5 meses, percebeu que a língua do filho estava com um aspecto diferente. "Ele chorava muito toda vez que pegava o peito e tinha muita dificuldade ao sugar. Uma enfermeira me disse que ele devia ter problema de língua presa, por isso não conseguia pegar o peito. Levei ao pediatra, mas ele falou que aquilo era normal.
Mas o Benício não conseguia mamar", relata. Catharina tinha muito leite e não queria introduzir a mamadeira tão cedo. Tirava o leite e usava sonda para alimentar o filho. A luta durou sete meses, até que pesquisou e descobriu que havia solução para aquele sofrimento dela e do filho. "Procurei ajuda de uma fonoaudióloga, fiz o teste da linguinha e, com oito meses, o Benício fez a cirurgia. O procedimento foi realizado em um hospital e não precisou de nenhum tipo de anestesia. Ele dormiu e foi tudo muito rápido, logo após o procedimento ofereci o peito e ele mamou feito um anjo e nossa vida seguiu normal. A falta de informação faz a gente passar por muito sofrimento", lembra Catharina. Hoje, Benício já emite as primeiras palavras, e se não tivesse realizado a cirurgia também poderia ter dificuldades na fala.
Como identificar a língua presa no recém-nascido
Bebês que mordem o bico do seio da mãe ao mamar, não conseguem colocar a língua para fora ou, quando colocam, ela está “em formato de coração”. Esses são alguns sinais de que o recém-nascido pode ter a língua presa.
Quando e como realizar o teste
Segundo a Raquel, na maternidade o teste é feito 48 horas após o nascimento da criança. No consultório, a fonoaudióloga também pode realizar o exame. "O teste é simples, indolor e consiste em examinar com os dedos o movimento da língua e a posição do frênulo. Ele é feito preferencialmente nos primeiros meses de vida do bebê, mas também pode ser realizado posteriormente, adicionando outras avaliações", explica.
A cirurgia no recém-nascido
Ao ser identificada alguma alteração no frênulo, o bebê tem de passar por uma cirurgia para corrigir o problema. A intervenção chama-se frenotomia, ou pique, que consiste em um corte pequeno nesse pedaço de pele por um dentista ou por um cirurgião plástico. O procedimento completo dura cerca de 10 minutos e a criança não precisa ficar internada. "É tudo muito simples, já que o bebê tem menos de seis meses e a cirurgia é um pouco menos complicada. A detecção precoce do problema evita desgaste desnecessário", explica Raquel.
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