Se
você possuísse a informação de que toda semana mais de duas mil pessoas morrem
em acidentes aéreos, ainda assim você voaria? E se você descobrisse que estes
foram os mesmos riscos enfrentados da última vez em que precisou de um
hospital? Isso seria motivo para você pensar duas vezes antes de procurar
novamente auxílio médico?
De
acordo com o US Center for Disease Control and Prevention (CDC) erros médicos
são a terceira causa mais comum de morte nos EUA, correspondendo a mais de 250
mil vidas perdidas em 2013. Neste cenário, a dosagem de drogas é um componente
significativo, com erros e eventos adversos causados por medicação inadequada
respondendo por mais de 124 mil vidas ao ano – mais de duas mil por semana – e
custando à saúde cerca de US$ 16 bilhões.
E
isto tudo acontecendo em um mercado que já dispõe das mais avançadas
ferramentas de suporte à decisão clínica e no qual se investe um volume de
recursos superior ao de qualquer outro país do globo. Imagine então como seriam
estes números em países menos desenvolvidos. No Brasil, por exemplo, segundo a
ANADEM (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) 700 mil pessoas são
vítimas de erros médicos por ano. E exemplos de que grande parte acontece como
resultado de equívocos na prescrição são fartos; a mídia os noticia quase
diariamente.
Erros
médicos podem ser registrados em vários estágios do processo de tratamento: no
momento da prescrição, na ordem de entrada, na dispensa, na administração da
droga, ou quando o paciente é instruído a medicar-se em casa. Em qualquer uma
destas etapas, existe a possibilidade de se escolher equivocadamente uma
terapia de drogas que seja mais danosa do que benéfica ao paciente.
Um recorte
em todos os erros médicos passíveis de serem previstos nos EUA mostra o que
segue:
-
erros de dosagem: 37%
-
alergia a drogas e interações: 11%
-
erros de dispensação: cerca de 100 ao dia
Uma
estimativa plausível fala em 30 a 50 pessoas, a cada mil admissões
hospitalares, vivenciando eventos adversos relacionados à medicação. No Brasil,
o cenário é ainda mais dramático. Uma pesquisa do Instituto de Biociência (ICB)
da USP sobre prescrição de medicamentos em idosos, por exemplo, realizada com
base na avaliação de prontuários/prescrições da própria enfermaria da
instituição, em um período de cinco meses, identificou problemas em nada menos
que 924 destas prescrições, sendo 920 relacionados a erros de medicação.
As
pessoas normalmente esperam que uma visita ao hospital tenha um final bem
sucedido. Mas, ao contrário disso, em diversas situações essa experiência acaba
sendo negativa, culminando, muitas vezes, na perda de uma vida. Para o
prestador de cuidados à saúde, que é submetido a um juramento de nunca causar
danos, este é um indicador que é simplesmente inaceitável.
O
segmento de saúde destaca-se por ser um ambiente de trabalho acelerado, de alta
coação. Há urgência no atendimento e pressão para manter a carga de trabalho.
Muitas vezes, é um desafio adquirir e processar toda a informação necessária
para garantir um atendimento seguro.
Na
maior parte das vezes, os profissionais de saúde possuem o treinamento
necessário e estão dedicados a garantir que nada de errado ocorra. Porém, as
referências sobre os medicamentos mudam rapidamente e manter-se atualizado é
muito difícil. Sem acesso a informações frescas, ou sem o benefício de sistemas
automáticos de checagem, cria-se um gap na habilidade do profissional em
otimizar a segurança no uso da droga adequada.
Efeitos Secundários
É
claro que a principal preocupação no que diz respeito a erros de medicação é o
eventual dano que possam causar aos pacientes. Há porém importantes efeitos
secundários, sentidos pelos hospitais, sistemas de saúde e pelas pessoas
que estão no dia a dia do atendimento. Por exemplo, o envolvimento em um erro
médico mina completamente a motivação de um profissional. As instituições
também perdem muito em credibilidade junto às suas comunidades, o que pode
afetar a habilidade da equipe em desempenhar a sua real missão.
São,
porém, as consequências financeiras as que causam o efeito mais devastador para
uma instituição de saúde. O custo de terapias corretivas, testes adicionais,
novas medicações e readmissão hospitalar, necessários para tratar os erros
médicos, poderia ser evitado se o erro original não houvesse ocorrido.
E o
tempo demandado no tratamento de eventos adversos e readmissões coloca pressão
adicional sobre um corpo clínico já bastante estressado, drenam recursos que já
são escassos e criam tempos de triagem e de espera ainda maiores para pacientes
em circunstância de menos urgência.
O
que fazer?
O
mais importante a ser feito pelos líderes das instituições hospitalares para
reduzir a incidência de erros de medicação é equipar suas equipes com
informação atual, relevante e acessível. Médicos, enfermeiros, farmacêuticos e
técnicos devem ter acesso a informações seguras sobre as drogas, em uma base
consistente. Eles também devem implementar sistemas de checagem, seja por meio
de melhorias de processos ou por via da automação, de forma que isto incremente
o trabalho destes dedicados profissionais.
Com
a adoção e o apoio de sistemas de suporte a decisão clínica direcionados a
medicamentos, os profissionais podem receber alertas automáticos diretamente no
prontuário eletrônico do paciente (PEP), o que lhes possibilita saber de
antemão quando existe uma preocupação relacionada a medicação. Podendo assim
fazer uma avaliação e, se necessário, optar por uma recomendação alternativa na
hipótese de considerar-se que a terapia de medicação original tem o potencial
de criar um evento adverso.
Os
clínicos podem também usar as referências de drogas disponíveis nestes sistemas
em cada etapa do processo - prescrição, dispensa, administração e educação do
paciente - para verificar dosagens e outros aspectos de segurança que auxiliam
a prevenir erros de medicação.
Nada substitui um profissional de cuidados com a saúde
capaz e bem treinado. Porém, dispor da informação para guiar a medicação segura
por todo o processo, assim como o uso de ferramentas eletrônicas sofisticadas
que ampliem os seus esforços, pode ter um impacto significativo.
Mark Bonfiglio, BS, PharmD - Vice Presidente de Operações
de Conteúdo da Wolters
Kluwer Clinical Drug Information – unidade focada no desenvolvimento de
soluções que auxiliam os profissionais em seus esforços para reduzir erros de
medicação, aumentar a qualidade, diminuir custos e incrementar a experiência do
paciente.
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