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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Especialista destaca os benefícios da amamentação para mães e bebês

Embora seja um processo natural, o início da amamentação  costuma
 gerar dúvidas, especialmente entre as mães de primeira viagem
. Foto: Ministério da Saúde/Divulgação
Campanha reforça a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses


A campanha Agosto Dourado, criada em 1992 pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA), chama a atenção para a importância do aleitamento materno como um dos principais fatores para a saúde infantil. Considerado o alimento mais completo para os bebês, o leite materno deve ser a única fonte de alimentação até os seis meses de vida, conforme recomendam a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde. Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, o Brasil ainda busca ampliar os índices de amamentação exclusiva, que chegaram a 45,8% entre crianças de até seis meses, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani).



Benefícios da amamentação

Além de fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê, o leite materno fortalece o sistema imunológico, reduz o risco de infecções respiratórias, diarreias, alergias, obesidade, hipertensão e diabetes, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo e o vínculo entre mãe e filho. Para a mulher, a amamentação também traz benefícios importantes, como auxílio na recuperação pós-parto e redução do risco de desenvolver câncer de mama e de ovário.

Segundo Livian Rohrbacher Kozoski, enfermeira e consultora em amamentação no Gestar Bem, programa integrante do Priori, da Paraná Clínicas, o aleitamento representa muito mais do que uma fonte de nutrição. "A amamentação é fundamental para a nutrição do bebê e reconhecida na criação de vínculo entre a mãe e a criança. O leite materno é frequentemente chamado de 'a primeira vacina' do bebê, pois oferece proteção contra diversos tipos de doenças, tanto na infância quanto na vida adulta e os benefícios se estendem também à mãe."

A especialista destaca ainda que, para o bebê, os benefícios vão muito além do fornecimento de nutrientes, impactando diretamente a imunidade, o desenvolvimento físico e neurológico e a saúde ao longo da vida. Já para a mãe, a amamentação favorece a recuperação do pós-parto e contribui para a prevenção de doenças futuras.

Durante o atendimento no programa Gestar Bem, as mães recebem orientações sobre a pega correta do bebê, posição adequada durante as mamadas, livre demanda, sinais de que a amamentação está sendo eficaz e cuidados com as mamas para prevenir complicações, como fissuras e ingurgitamento mamário.

A especialista explica que pequenos ajustes na forma como o bebê é posicionado podem fazer toda a diferença para evitar dor e garantir uma alimentação eficiente. "Uma pega correta reduz o risco de fissuras, melhora a transferência do leite e proporciona mais conforto tanto para a mãe quanto para o bebê. Também orientamos sobre diferentes posições para amamentar, respeitando a realidade e o conforto de cada mulher."



Primeiros dias

Embora seja um processo natural, o início da amamentação costuma gerar dúvidas, especialmente entre as mães de primeira viagem. Uma das principais preocupações é saber se o leite materno é suficiente para alimentar o bebê, insegurança que pode ser reduzida com orientação adequada e acompanhamento profissional.

"A maior dúvida das mães de primeira viagem é se o leite materno é suficiente. Por isso, aprender a identificar se a mamada está sendo efetiva traz mais segurança para essa fase", explica Livian. A profissional ressalta que o começo da amamentação pode ser desafiador, mas que, com as orientações corretas, o processo se torna mais leve, confortável e prazeroso para mãe e bebê. Entre as principais recomendações está observar a pega correta. "O bebê deve ficar com a boca bem aberta, em formato de 'boca de peixinho', com o queixo encostado no seio, o nariz livre para respirar e o corpo bem alinhado, tudo isso sem causar dor à mãe."

Se durante a amamentação o bebê estiver fazendo barulhos, como, por exemplo, sons de estalos, é sinal de que ele pode estar engolindo ar. Em situações como essa, segure o bebê junto ao colo, na posição vertical, para que ele não tenha desconforto e para que a mamãe consiga avaliar se a pega na mama está adequada.


Paraná Clínicas
  

Meias de compressão graduada: pode usar sem indicação médica?

Médico esclarece as diferenças entre os modelos de prevenção e tratamento, além de apontar os critérios para o uso seguro de produtos sem prescrição clínica


A sensação de peso, dores e o inchaço nos membros inferiores ao final do dia são motivo de queixa na rotina de milhares de pessoas que passam longos períodos do dia sentadas, em pé ou possuem algum problema de saúde específico. Diante desse incômodo, uma das sugestões para a prevenção de complicações é o uso da meia de compressão graduada. No entanto, uma dúvida frequente que costuma surgir entre quem busca por essa abordagem gira em torno da segurança de adotar o uso desse produto por conta própria ou se a avaliação de um especialista se faz indispensável.
 

De acordo com Celso Cintra, médico e CEO da SIGVARIS GROUP para a América do Sul, empresa referência no tratamento de doenças circulatórias e soluções médicas de alta qualidade que unem suporte técnico e bem-estar, a resposta está na finalidade do uso e no possível diagnóstico de doenças vasculares. "Há meias no mercado que possuem a real necessidade de indicação médica, pois o objetivo delas é tratar patologias, ou seja, quando há um membro doente que precisa de um cuidado maior”, explica.  

Segundo o especialista, existe uma divisão entre os produtos voltados para o tratamento de doenças crônicas e aqueles desenvolvidos para a prevenção de problemas vasculares no cotidiano. “Para evitar que o corpo chegue a um estado de doença, existe a linha preventiva. Nestes casos, a compressão é mais baixa, o produto é fácil de calçar e o uso diário proporciona muito conforto em qualquer atividade", diz.

 

O limite entre a prevenção e a consulta médica 

Cintra comenta que mesmo que existam modelos com compressões mais leves que podem ser utilizados com segurança no dia a dia, é importante que as pessoas saibam identificar o limite seguro do uso sem receita, sem que isso mascare condições graves. “A recomendação de procurar um médico se torna essencial quando surgem sinais de possíveis doenças vasculares nas pernas. Se o cansaço vier acompanhado de varizes ou outros sintomas, como manchas e edemas, a meia manterá a sua importância, mas o paciente precisará de um acompanhamento complementar", orienta.

 

Benefícios no esporte 

Um dos cenários em que o uso de meias de compressão graduada dispensa a prescrição médica é a prática de atividades físicas, principalmente entre atletas profissionais e amadores que praticam corrida ou musculação. Neste público, o objetivo se concentra no ganho de rendimento e na proteção muscular. 

O médico aponta que, além de acelerar a recuperação, a compressão ativa um mecanismo neurológico fundamental para a performance: a propriocepção. “Esse conceito define a capacidade do cérebro de reconhecer a posição espacial do corpo e dos membros sem o auxílio da visão. Esse tipo de meia melhora de forma direta a precisão dos movimentos, o equilíbrio e a estabilidade. O atleta termina a atividade com um controle de ritmo superior, menos oscilação muscular e menor risco de quedas ou lesões", conclui.


Escute Suas Pernas
 

Alinhada ao propósito de bem-estar, a SIGVARIS GROUP promove a campanha "Escute Suas Pernas", que orienta a população a não ignorar sintomas como dores, cansaço, sensação de peso, edemas, varizes, entre outros. Para saber mais sobre a campanha visite o site oficial sigvaris.com/escutesuaspernas e o perfil sigvarisgroup.brasil nas redes sociais.




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GLP-1 ganha ainda mais espaço entre consumidores das classes AB, aponta Worldpanel by Numerator

Levantamento inicial, realizado entre julho e agosto, mostra presença da categoria em 12,9% dos domicílios pesquisados; entre potenciais usuários, 58,2% indicam alta probabilidade de adesão nos próximos seis meses.

 

Os medicamentos GLP-1 ganham ainda mais espaço entre os consumidores brasileiros das classes A e B. Levantamento inicial da Worldpanel by Numerator, realizado entre julho e agosto de 2026 com mais de 1.250 respondentes desse perfil, mostra que 12,9% afirmam que alguém em seu domicílio utiliza atualmente esse tipo de medicamento. Outros 6,9% relatam uso no passado, enquanto 9,5% dizem que alguém da casa considera iniciar o uso. 

Esta é a primeira medição realizada pela consultoria após a quebra da patente da semaglutida no Brasil e traz um retrato inicial da categoria entre consumidores de maior poder aquisitivo, em um cenário de alto conhecimento, interesse e transformação do ambiente competitivo. 

“Os resultados reforçam a relevância que os GLP-1 já conquistaram entre os consumidores das classes A e B. É um público com maior capacidade de acesso à categoria e que nos ajuda a observar tendências que podem ganhar novas dimensões conforme esse mercado evolui. Para a Worldpanel, esse acompanhamento também complementa as análises que já fazemos sobre os reflexos desse comportamento nas escolhas de consumo e na dinâmica das cestas”, afirma Rafael Couto, Diretor de Advanced Analytics da Worldpanel by Numerator Brasil.

 

Conhecimento chega a 96,7% e intenção sinaliza potencial de expansão 

O conhecimento sobre a categoria é praticamente universal entre os consumidores das classes AB: 96,7% afirmam conhecer as canetas para perda de peso. 

Além disso, 9,5% dizem que alguém em seu domicílio considera começar a utilizar esses medicamentos. Entre esse grupo, 58,2% classificam como alta ou muito alta a probabilidade de iniciar o uso nos próximos seis meses – 31,1% consideram a probabilidade muito alta e 27%, alta. 

“Temos uma categoria que já alcançou um nível muito elevado de conhecimento e que ainda apresenta um contingente relevante de potenciais novos usuários. Como esta é uma leitura inicial após uma mudança importante no ambiente competitivo, as próximas medições serão fundamentais para entendermos o ritmo dessa evolução e como ela se manifesta no comportamento do consumidor”, explica Couto.

 

Mounjaro lidera entre as marcas mencionadas 

Entre os respondentes das classes A e B que afirmam que alguém no domicílio utiliza ou já utilizou esses medicamentos, Mounjaro é a marca mais mencionada, com 41,3%, seguido por Ozempic (28,7%) e Wegovy (10,1%).

Outras marcas mencionadas são Victoza (5,7%), Saxenda (4,9%), Trulicity (4,5%), Rybelsus (2,8%) e Zepbound (2,4%). 

A medição ocorre em um momento de transformação do mercado, após a quebra da patente da semaglutida no Brasil. A mudança adiciona um novo elemento ao ambiente competitivo, ao lado da presença de diferentes marcas e princípios ativos e do elevado interesse dos consumidores pela categoria.

 

Farmácias brasileiras são o principal canal de acesso 

As farmácias no Brasil aparecem como o principal meio de obtenção entre os consumidores das classes A e B que reportam uso atual ou passado: 49,8% afirmam que o medicamento foi comprado nesse canal.

Outros 30,4% dizem que o produto foi adquirido ou recebido por meio de amigos, familiares ou conhecidos. Compras em farmácias durante viagens internacionais representam 8,5% das respostas, enquanto 7,3% mencionam compras pela internet. 

“Estamos diante de um mercado que muda rapidamente, tanto do ponto de vista da oferta quanto do consumidor. Por isso, mais importante do que atribuir esse movimento a um único fator é acompanhar sua evolução. A continuidade das medições vai nos ajudar a entender como acesso, marcas e intenção de uso se transformam nesse novo cenário”, conclui Couto.

 

Sobre o estudo

Os dados fazem parte de um levantamento inicial da Worldpanel by Numerator, realizado entre julho e agosto de 2026 com 1.282 respondentes das classes A e B no Brasil. Esta é a primeira medição da consultoria sobre a categoria após a quebra da patente da semaglutida no país. A pesquisa investiga conhecimento, presença atual e passada nos domicílios, intenção de uso, marcas e formas de obtenção de medicamentos injetáveis e canetas para perda de peso. Os resultados apresentados neste comunicado referem-se exclusivamente ao recorte de consumidores das classes A e B. 

Worldpanel by Numerator decodifica o comportamento do comprador para moldar o futuro das principais marcas e varejistas do mundo. Fornece dados de consumo de referência representando quase 6 bilhões de consumidores em mais de 50 mercados, oferecendo uma visão multidimensional de como as pessoas pensam, compram e consomem, permitindo estratégias ousadas e impacto sustentável nos negócios. A empresa conta com 3.300 funcionários globalmente.

 

Silencioso, câncer colorretal afeta 45 mil pessoas ao ano no Brasil; Consulta Pública debate acesso à cirurgia robótica no SUS

 Magnific
Iniciativa avalia incorporar a ressecção retal assistida por robô, impulsionando a criação de centros de referência e a formação de novos cirurgiões no ecossistema de saúde brasileiro

 

O câncer colorretal, que abrange os tumores desenvolvidos no intestino grosso (cólon) e no reto, representa um dos maiores desafios oncológicos e de saúde pública no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 45.630 novos casos anuais da doença, acometendo quase em igual proporção homens e mulheres1. Como a doença costuma crescer de forma silenciosa e sem sintomas nas fases iniciais, exige não apenas atenção ao diagnóstico precoce, mas também a constante inovação nas opções de tratamento disponíveis para a população.

O tratamento principal para o câncer de reto é a cirurgia, que atua na ressecção (retirada) do tumor e pode, em alguns casos, implicar na necessidade de um estoma temporário ou definitivo2. No entanto, os desafios relacionados ao tratamento cirúrgico desses pacientes são complexos.

“A região pélvica possui um espaço anatômico estreito e de difícil acesso, o que torna as cirurgias tradicionais abertas ou mesmo as laparoscópicas tecnicamente bastante desafiadoras. Por isso, é relevante avaliar alternativas tecnológicas que possam apoiar a realização de cirurgias em uma região anatômica complexa, considerando aspectos como visualização, precisão dos movimentos e preservação de estruturas adjacentes”, explica o Dr. Sérgio Araújo, médico cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista em São Paulo.

Diante deste cenário, encontra-se aberta a
Consulta Pública nº 74/2026. O movimento, conduzido pelos órgãos reguladores de saúde, visa avaliar a incorporação da ressecção retal assistida por robô no sistema público. A consulta, disponível na plataforma Brasil Participativo até 24 de agosto de 2026, é uma oportunidade para que pacientes, familiares, profissionais de saúde, entidades e demais cidadãos contribuam com informações e perspectivas sobre o tema. As manifestações recebidas serão consideradas no processo de avaliação da tecnologia pela Conitec.



Como contribuir na Consulta Pública nº 74/2026

A sua voz pode contribuir para o futuro do tratamento do câncer de reto no Brasil. Para participar, siga o passo a passo:

1. Acesse o portal oficial: Entre na plataforma
Brasil Participativo.
2. Localize a Consulta Pública nº 74/2026, sobre a angiotomografia coronariana como exame de primeira linha para pacientes sintomáticos com suspeita de doença arterial coronariana estável;
3. Leia os documentos disponibilizados, incluindo o relatório técnico e a recomendação preliminar da Conitec;
4. Clique na opção para contribuir e faça login ou cadastre-se na plataforma, caso necessário;
5. Envie sua manifestação, com opinião, sugestões, experiências ou evidências relacionadas ao tema, até 24 de agosto de 2026.
 


Referências:
1. Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022.
2. Ministério da Saúde (BR). Câncer de Intestino. Disponível em:
Link

Medtronic

 

Menopausa: quando o silêncio se torna um problema de saúde pública

 

Durante décadas, a menopausa foi tratada como um assunto privado, quase constrangedor. Os sintomas que acompanham essa fase da vida feminina foram naturalizados como um preço inevitável do envelhecimento, sem que recebessem a mesma atenção dedicada a outras condições que afetam milhões de brasileiros. Entre eles, as ondas de calor, ou fogachos, permanecem como um dos exemplos mais claros de como um problema altamente prevalente ainda é cercado por desinformação e negligência. 

Os números revelam a dimensão dessa realidade. Entre 50% e 75% das mulheres que atravessam a menopausa sofrem com ondas de calor, e aproximadamente um terço das brasileiras apresenta sintomas moderados ou graves. Estima-se que cerca de 17 milhões de mulheres estejam atualmente no climatério, fase de transição hormonal que envolve a menopausa e seus efeitos. 

Não se trata apenas de uma sensação passageira de calor. Os fogachos podem surgir diversas vezes ao dia, interromper reuniões, comprometer apresentações profissionais, prejudicar o sono e provocar cansaço crônico. Quando acontecem durante a noite, transformam o descanso em sucessivas interrupções, com reflexos diretos sobre memória, concentração, produtividade e qualidade de vida. O impacto ultrapassa o desconforto físico e alcança dimensões sociais, emocionais e econômicas. 

A ciência já compreende com razoável clareza a origem desses episódios. A redução dos níveis de estrogênio torna o hipotálamo, responsável pela regulação da temperatura corporal, excessivamente sensível às pequenas variações térmicas. O organismo reage como se estivesse superaquecido, desencadeando intensa vasodilatação e sudorese. Não é exagero nem fragilidade: é uma resposta fisiológica decorrente das mudanças hormonais próprias dessa etapa da vida. 

Ainda assim, persiste um comportamento preocupante: muitas mulheres deixam de procurar orientação médica por acreditarem que "é assim mesmo". Essa resignação ajuda a explicar por que boa parte das pacientes permanece sem qualquer tratamento, apesar dos prejuízos cotidianos que enfrentam. 

O debate precisa avançar para além da reposição hormonal. Embora seja uma alternativa eficaz para muitas pacientes, ela não é indicada para todas. Há espaço para uma abordagem mais ampla, baseada em hábitos de vida saudáveis, controle do peso, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, técnicas de manejo do estresse e, quando indicadas por profissionais de saúde, suplementações nutricionais que possam contribuir para o bem-estar durante essa fase. 

Outro aspecto que merece atenção é o crescente conjunto de evidências que relaciona fogachos frequentes a maior risco cardiovascular. Embora a associação ainda continue sendo estudada, ela reforça que esses sintomas não devem ser vistos apenas como uma questão de conforto, mas como um possível marcador clínico que merece acompanhamento adequado. 

À medida que a população brasileira envelhece e a expectativa de vida aumenta, discutir menopausa deixa de ser uma pauta exclusivamente feminina para se tornar uma questão de saúde pública. Empresas precisam compreender seus impactos sobre o ambiente de trabalho. Profissionais de saúde devem estar preparados para acolher essas pacientes sem minimizar seus relatos. E a sociedade precisa abandonar a ideia de que sofrer em silêncio faz parte do envelhecimento. 

A menopausa não é uma doença, mas tampouco deve ser encarada como um período em que milhões de mulheres simplesmente precisam aprender a conviver com sintomas incapacitantes. Informação de qualidade, acompanhamento médico individualizado e maior conscientização social são ferramentas fundamentais para transformar essa experiência. Afinal, viver mais deve significar também viver melhor.

 

Vanessa Oliveira - biomédica e doutoranda em Neurociências, com atuação voltada à bioquímica, toxicologia, envelhecimento celular e saúde preventiva e atua na Lushe Cosmetics.

 

Início da gestação exige atenção redobrada: entenda os cuidados essenciais nos primeiros meses

Período inicial é marcado por mudanças importantes no desenvolvimento do bebê e na saúde materna; especialista explica a importância do pré-natal precoce e dos cuidados que ajudam a reduzir riscos ao longo da gestação.

 

Os primeiros três meses de gestação correspondem à fase mais delicada do desenvolvimento fetal, período em que ocorrem as principais formações orgânicas e o risco de intercorrências é significativamente elevado. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), cerca de 80% dos abortos espontâneos ocorrem justamente durante o primeiro trimestre. Essa estatística acende um alerta para a necessidade de acompanhamento médico e monitoramento de sinais do corpo logo nas semanas iniciais, garantindo uma abordagem preventiva diante de eventuais complicações. 

Com a celebração do Dia da Gestante em 15 de agosto, o debate sobre o diagnóstico precoce ganha força nas consultas médicas. A gestação exige transformações vasculares e hormonais intensas que, quando somadas a condições pré-existentes como a endometriose, demandam vigilância constante. “O organismo feminino passa por uma reorganização metabólica profunda já nas primeiras semanas. Iniciar o pré-natal nos primeiros 60 dias de gravidez nos permite identificar desde deficiências vitamínicas até problemas vasculares e hormonais antes que se tornem ameaças reais”, explica o Dr. Zarnowski, ginecologista especialista na área. 

As queixas comuns da fase inicial, como enjoos, oscilações no apetite e cansaço extremo, costumam esconder sinais de alerta que a mulher precisa aprender a diferenciar. Cólicas intensas e sangramentos vaginais, por exemplo, nunca devem ser interpretados como normais. A investigação precoce por meio de ultrassonografia e exames laboratoriais ajuda a confirmar a viabilidade da gestação e afasta suspeitas de gravidez ectópica ou descolamentos de placenta, situações que exigem intervenção imediata. 

Para mulheres com histórico de dores pélvicas ou diagnóstico prévio de inflamações na região reprodutiva, o cuidado deve ser ainda mais criterioso. Nesses cenários, a adaptação do útero ao embrião exige suporte terapêutico específico. “Gestantes que conviveram com processos inflamatórios antes de engravidar precisam de um olhar personalizado. O monitoramento contínuo evita que o tecido cicatricial comprometa o fluxo sanguíneo ou a fixação adequada da placenta”, ressalta o médico. 

Além do acompanhamento clínico, a rotina diária no início da gravidez pede adaptações diretas na alimentação, na suplementação de ácido fólico e na redução do estresse físico. A automedicação representa um risco severo, já que substâncias consideradas inofensivas fora do período gestacional podem provocar malformações no embrião em desenvolvimento. Ajustar o estilo de vida sob supervisão profissional cria uma rede de proteção essencial para a manutenção do bem-estar da mãe e dobebê. 

A chegada da data comemorativa reforça a mensagem de que informação e acesso à saúde são os melhores aliados das futuras mães. Quando a mulher busca orientação nos primeiros sinais de atraso menstrual, o planejamento do pré-natal reduz drasticamente as chances de complicações e permite uma travessia mais segura até o parto. A conscientização preventiva segue sendo o caminho mais curto para garantir uma gestação tranquila e um bebê saudável. 



Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose
@drmichaelzarnowski

 

Agosto Dourado: amamentação nem sempre é intuitiva, e falar sobre as dificuldades pode ajudar

Freepix
Especialista do Vera Cruz Hospital orienta sobre os desafios de amamentar e a importância do suporte profissional e da rede de apoio 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Apesar dos benefícios amplamente reconhecidos, o início dessa jornada nem sempre ocorre de forma intuitiva. Em 2024, 48% dos bebês menores de seis meses foram amamentados exclusivamente no mundo, segundo a OMS. O dado ganha ainda mais relevância durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação e ao fortalecimento do apoio às mães, destacando a necessidade de discutir não apenas seus benefícios, mas também os desafios que podem surgir ao longo desse processo. 

Cada experiência de amamentação é única. Mesmo para mulheres que já tiveram outros filhos, o vínculo entre mãe e bebê se constrói de forma diferente a cada gestação e exige tempo, adaptação e acolhimento. "A amamentação é nova para o bebê e para a mãe a cada gestação. Por isso, é importante se permitir aprender junto com o bebê e contar com acompanhamento profissional e uma rede de apoio", explica Cristina Valente, médica neonatologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP). 

Além de fornecer todos os nutrientes necessários nos primeiros meses de vida, o leite materno fortalece a imunidade, protege contra infecções e está associado a benefícios para a saúde da criança ao longo da vida. Para a mulher, a amamentação também contribui para reduzir o risco de câncer de mama e de ovário, além de algumas doenças crônicas. 

Os primeiros dias costumam ser de aprendizado para mãe e bebê. Pega inadequada, sonolência do recém-nascido, dificuldade para encontrar uma posição confortável e lesões nas mamas estão entre as situações mais comuns nesse período. Por isso, o suporte ainda na maternidade é essencial para orientar a pega correta, testar posições e evitar que pequenos desconfortos evoluam para dores persistentes. 

A chamada “golden hour”, a primeira hora de vida do bebê, também desempenha um papel importante. O contato pele a pele e o estímulo à primeira mamada favorecem a adaptação do recém-nascido e ajudam a iniciar a produção de leite. "Esse primeiro contato contribui para tornar o pós-parto mais tranquilo para mãe e bebê e estimula a produção de ocitocina pela mãe, hormônio importante para a amamentação. É também nesse momento que o bebê tem contato com o colostro, o primeiro leite materno, e dá os primeiros passos na amamentação", explica a especialista. 

Outra dúvida frequente é se o bebê está mamando o suficiente. Nos primeiros dias, a produção de leite ocorre em pequenas quantidades e as mamadas tendem a ser mais frequentes. A avaliação da equipe de saúde considera indicadores como peso, hidratação, urina, fezes e sinais de saciedade para verificar se o bebê está recebendo o necessário. "A insegurança é muito comum, mas não devemos avaliar apenas pela quantidade de leite que a mãe consegue perceber. O acompanhamento do bebê mostra se ele está recebendo o que precisa", afirma Cristina. 

Embora o início da amamentação exija adaptação, a dor persistente não deve ser considerada normal. Fissuras e machucados costumam estar relacionados à pega inadequada e precisam ser avaliados para que a causa seja corrigida. "Se está doendo, temos algo a melhorar. A equipe de especialistas pode ajudar na recuperação da mama e no ajuste da pega para evitar que a dor se prolongue". 

Quando há necessidade de complementar a alimentação do bebê, a recomendação é não encarar essa decisão como um fracasso. Em algumas situações, a complementação é importante para proteger a saúde do recém-nascido e, quando bem orientada, pode ocorrer sem comprometer a continuidade da amamentação. "A complementação não significa que a mãe falhou. A amamentação é um processo, e cada gota de leite materno importa. Diante de dificuldades iniciais, pode ser necessário recorrer temporariamente à complementação. Em alguns casos, a amamentação mista, com leite materno e fórmula, também pode ser uma alternativa”, explica. 

O apoio da família também faz diferença durante esse período. Mais do que oferecer orientações, parceiros e familiares podem contribuir dividindo tarefas da casa, ajudando nos cuidados com o bebê e garantindo momentos de descanso para a mãe. "Amamentar exige muito da mulher. Ela também precisa ser cuidada para conseguir cuidar do bebê. Ter alguém por perto para dividir as tarefas reduz o estresse e traz mais segurança para esse momento", destaca Cristina. 

Embora o aleitamento materno seja indicado para a maioria dos bebês, existem situações específicas em que ele pode não ser recomendado, como alguns tratamentos e doenças infecciosas. Nesses casos, a conduta deve ser definida individualmente pela equipe de saúde. 

Mais do que cumprir uma recomendação, amamentar é construir uma relação entre mãe e filho. Informação de qualidade, acompanhamento profissional e uma rede de apoio são fundamentais para tornar essa experiência mais leve e acolhedora, sem que as dificuldades se transformem em culpa. "Precisamos falar sobre os desafios sem transformar a amamentação em uma cobrança. A mãe precisa saber que pode pedir ajuda e que existem caminhos para superar as dificuldades", conclui a especialista.


  
Vera Cruz Hospital

 

MULTIVACINAÇÃO

Dia D de vacinação contra 20 doenças acontece neste sábado (22) em todo o país


Ação integra a Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até 1º de setembro. Em Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo, foi recomendado reforço da vacinação contra o sarampo devido ao risco de casos importados

 

Mães, pais e responsáveis poderão levar crianças e adolescentes menores de 15 anos às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e demais pontos de vacinação de todo o país neste sábado (22), Dia D da Campanha de Multivacinação, para atualizar a caderneta vacinal. A campanha segue até 1º de setembro, com a oferta de 20 vacinas do Calendário Nacional, que protegem contra doenças graves, como meningites, tuberculose e cânceres associados ao HPV

“Este é um momento importante para todo o país. Embora o Brasil tenha eliminado algumas doenças, como a poliomielite, é fundamental manter a vacinação em dia para evitar a reintrodução dessas doenças”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

Esta é a primeira vez que a campanha conta com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada em junho deste ano ao Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites, e é indicado para crianças menores de 5 anos, conforme o esquema vacinal. 

A estratégia busca ampliar as coberturas vacinais, fortalecer a proteção coletiva e facilitar o acesso às vacinas ofertadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a prevenção de doenças imunopreveníveis em todo o país. 

Até o momento, a pasta distribuiu mais de 180 milhões de doses para garantir a vacinação em todo o país ao longo do ano. Entre os imunizantes, as vacinas contra influenza, sarampo (tríplice viral) e poliomielite foram as mais aplicadas. 

Durante o Dia D, poderão ser aplicadas vacinas conforme a faixa etária, o histórico vacinal e a indicação:

  • BCG;
  • Hepatite B;
  • Penta (DTP/Hib/HB);
  • Poliomielite (VIP);
  • Rotavírus humano;
  • Pneumocócica conjugada 10-valente e 20-valente;
  • Meningocócica C;
  • Influenza;
  • Covid-19;
  • Febre amarela;
  • Meningocócica ACWY;
  • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
  • Varicela;
  • DTP;
  • Hepatite A;
  • dT;
  • HPV4;
  • Dengue tetravalente.


Sarampo

Diante do aumento de casos de sarampo na Região das Américas e do registro de casos importados no Brasil, o Ministério da Saúde mantém a vacinação indiscriminada contra a doença para pessoas de 6 meses a 59 anos em Guarulhos, São Bernardo do Campo e na capital paulista para evitar a reintrodução do sarampo no país. 

Desde o início da mobilização, em 3 de agosto, até 14 de agosto, mais de 529,8 mil doses da vacina tríplice viral foram aplicadas nos três municípios. Desse total, 87,2 mil doses foram destinadas a crianças de 5 a 11 anos, o equivalente a 16,5% das aplicações. 

O Brasil recebeu, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e mantém esse status. No Dia D e até o fim da campanha, a proteção contra o sarampo também pode ser atualizada em todos os estados.
 

João Vitor Moura
Ministério da Saúde


Medicamento fora da lista do SUS ainda pode ser obtido pela Justiça? STF esclarece as novas exigências

Cartilha lançada pelo Supremo Tribunal Federal orienta a aplicação das regras para medicamentos de alto custo não incorporados ao sistema público; especialista explica quais documentos e critérios passaram a ser decisivos. 

 

O acesso a tratamentos de alto custo que não constam na lista oficial do Sistema Único de Saúde passou a seguir regras mais criteriosas no país. O Supremo Tribunal Federal publicou um guia prático para consolidar o entendimento sobre as demandas judiciais na área da saúde. A mudança busca padronizar as decisões dos magistrados e garantir que a concessão de fármacos pela via judicial ocorra apenas em situações de real necessidade e com comprovação técnica. 

Para a advogada Ciça Marques, especializada em Direito Médico e da Saúde, e Previdenciário, o cidadão ainda tem o direito de buscar a cobertura do tratamento, mas o caminho exige mais preparo documental. "A Justiça não aceita mais apenas um laudo médico simples assinado pelo profissional de confiança do paciente. O tribunal passou a exigir provas concretas de que as opções oferecidas pelo sistema público foram testadas sem sucesso ou são ineficazes para aquele caso específico", esclarece. 

A nova diretriz estabelece que, além da negativa formal do órgão de saúde, a pessoa precisa demonstrar a incapacidade financeira de custear o remédio e apresentar estudos científicos que comprovem a eficácia da medicação pedida. Além disso, os juízes agora consultam rotineiramente relatórios de órgãos técnicos do próprio Judiciário antes de tomar qualquer decisão. 

A especialista destaca que a organização dos documentos tornou-se a etapa decisiva para evitar o indeferimento do pedido. "O relatório médico precisa ser detalhado, descrevendo o histórico completo da doença, tratamentos anteriores e a justificativa científica do porquê o remédio fora da lista é indispensável para a sobrevida ou qualidade de vida do paciente", explica Ciça Marques. 

Outro ponto pacificado pelo tribunal envolve a divisão de responsabilidades financeiras entre Municípios, Estados e União, o que define em qual esfera judicial a ação deve ser proposta. Tratamentos de custo elevado, por exemplo, passaram a ser direcionados prioritariamente à Justiça Federal, envolvendo o governo federal no custeio. 

A orientação para quem necessita de um fármaco não disponível no catálogo público é buscar apoio técnico assim que receber a negativa do Estado. Com critérios bem delimitados, processos fundamentados desde o início têm mais chances de obter um desfecho favorável e rápido na garantia do direito à saúde. 

 

Fonte: Ciça Marques - Advogada especializada em direito Médico e da Saúde e Previdenciário.


Pesquisadores criam ‘vacina inteligente’ e mais segura contra chikungunya


Formulação ainda é experimental e foi testada em camundongos
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Estratégia desenvolvida por cientistas da USP e colaboradores utiliza vírus geneticamente modificado que se replica apenas uma vez no organismo. Tecnologia poderá ser adaptada contra zika, febre amarela e COVID-19

 

 Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradores alemães desenvolveram uma estratégia inovadora para a produção de vacinas. Em artigo publicado na revista npj Vaccines, o grupo apresenta a criação de um “imunizante inteligente” a partir de uma versão geneticamente modificada do vírus chikungunya. A grande vantagem dessa tecnologia é que o patógeno só consegue se replicar uma vez no organismo – o estímulo exato e seguro para treinar o sistema imune a gerar anticorpos, sem apresentar riscos de causar a doença.

Nos testes iniciais feitos em camundongos, uma única dose da formulação foi capaz de proteger os roedores. Mais do que uma solução promissora contra o chikungunya, os resultados abrem caminho para a consolidação de uma nova plataforma vacinal, cuja base tecnológica poderá ser adaptada para o combate a outras doenças no futuro.

“A ideia foi criar um vírus que entra na célula e ativa o sistema imune, mas é fisicamente incapaz de se tornar infeccioso. Assim, o imunizado não apresenta sintomas nem corre o risco de desenvolver a doença. Isso é importante, pois permite uma proteção robusta sem risco de efeitos colaterais, ampliando o uso também para pessoas imunossuprimidas e idosos”, explica Danillo Lucas Alves Esposito, pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e primeiro autor do estudo.

A investigação recebeu apoio da FAPESP por meio de três projetos (17/19137-718/11939-0 e 23/09619-5) e foi conduzida em parceria com uma equipe da Universidade de Bonn (Alemanha).


Estratégia inédita

Tradicionalmente, as vacinas são produzidas para treinar o sistema imune a partir de vírus atenuados (enfraquecidos por meio de mutações genéticas) ou inativados (incapazes de se replicar). Mais recentemente, a ciência desenvolveu tecnologias que dispensam o uso do patógeno inteiro. Surgiram assim as vacinas de subunidades proteicas (feitas apenas com fragmentos isolados do vírus), as recombinantes (que utilizam proteínas virais produzidas artificialmente em laboratório), as conjugadas (que unem um pedaço do patógeno a uma proteína mais forte para potencializar a resposta imune) e as de vetor viral (que usam um vírus inofensivo como “veículo” de entrega do antígeno). Há ainda as modernas vacinas de DNA e RNA, que fornecem as instruções genéticas para que as próprias células do paciente fabriquem a proteína viral e gerem a defesa imunológica.

A nova plataforma proposta no estudo utiliza uma estratégia inédita baseada na inoculação de vírus incapazes de completar a maturação dentro da célula do hospedeiro e de se tornarem infecciosos, apesar de garantir a proteção contra infecções futuras.

“Isso é importante, pois hoje temos uma vacina de vírus atenuado contra o chikungunya que, após um período de suspensão, em 2025, voltou a ser aprovada pelo FDA [agência norte-americana que regula medicamentos], porém com restrições. Ela não é indicada para pessoas muito jovens, idosos, imunocomprometidos ou que têm algumas comorbidades [doenças associadas], pois pode gerar efeitos adversos”, comenta o pesquisador.

Ainda segundo Esposito, quase todo vírus passa por um processo de maturação fundamental para se tornar infeccioso. No caso dos patógenos transmitidos por insetos (arbovírus) – como os causadores da febre chikungunya, da zika, da dengue e da febre amarela –, essa maturação acontece no final do ciclo de replicação dentro da célula hospedeira.

“Especificamente no caso do chikungunya, a maturação depende da remoção de uma proteína de superfície [E3], que cobre a proteína responsável por permitir a entrada do vírus na célula [E2]. Quando a E3 não é removida, a E2 não fica exposta e o vírus não consegue infectar”, explica o pesquisador à Agência FAPESP.

No ciclo natural do vírus chikungunya, quem tem a função de retirar a proteína E3 e permitir que a E2 atue como chave para invadir a próxima célula é a furina, uma enzima do hospedeiro. Para impedir esse processo e conseguir desenvolver o imunizante com o vírus ainda imaturo, os cientistas utilizaram uma linhagem de células humanas que não possui a enzima furina.


Dicas para editar o genoma

Para gerar uma resposta imune eficiente, explica Esposito, o vírus da vacina precisa se replicar ao menos uma vez dentro das células. O desafio dos cientistas era permitir essa etapa inicial sem que o patógeno continuasse se multiplicando. Para isso, eles modificaram o genoma viral, substituindo o local de ação da furina por uma sequência reconhecida pela enzima do vírus da corrosão do tabaco (TEV), que infecta exclusivamente plantas. Por ser uma enzima totalmente ausente em humanos e mosquitos, essa alteração garante que o patógeno não consiga completar novos ciclos de infecção após a aplicação da vacina.

“Assim, o vírus é ‘ativado’ artificialmente antes da vacinação. Mas, como essa enzima não está presente no organismo humano, o patógeno não consegue realizar novas infecções”, comenta o pesquisador.

Após essa primeira replicação controlada, todos os vírus produzidos já nascem imaturos e incapazes de infectar outras células. “Eles funcionam apenas como antígenos, servindo de modelo para o sistema imune”, completa.

Outro dado interessante do estudo foi que, além da proteção contra o chikungunya, os animais imunizados mostraram capacidade de neutralizar o vírus mayaro, sugerindo um potencial protetor mais amplo. “Como vários arbovírus dependem da furina para se tornarem infecciosos, a plataforma pode ser adaptada para zika, febre amarela e até variantes do SARS-CoV‑2 [o vírus da COVID-19], por exemplo”, diz.

Além de buscar avançar com os testes clínicos da vacina contra o chikungunya, o grupo pretende adaptar essa plataforma vacinal para outros arbovírus.

O artigo Maturation-deficient chikungunya virus elicits protective immune responses in a murine challenge model pode ser lido em: nature.com/articles/s41541-026-01478-w.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/pesquisadores-criam-vacina-inteligente-e-mais-segura-contra-chikungunya/59006



Agosto Verde Claro reforça atenção aos sinais do linfoma


O linfoma é um tipo de câncer que tem origem no sistema linfático, parte importante do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo. O Brasil deve registrar cerca de 16 mil novos casos por ano no triênio iniciado em 2026, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diante desse cenário, o Agosto Verde Claro chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da informação sobre a doença.

Os linfomas são classificados em dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e não Hodgkin. Segundo Felipe Furtado, hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, o de Hodgkin é menos comum e atinge principalmente adultos jovens e pessoas acima dos 55 anos. "Na maioria dos casos, os pacientes respondem muito bem ao tratamento e têm altas chances de cura quando o diagnóstico é feito precocemente", afirma.

Já o linfoma não Hodgkin reúne mais de 80 subtipos da doença e pode ocorrer em qualquer idade, embora seja mais frequente entre pessoas idosas. Existem formas de crescimento lento e outras mais agressivas, por isso o tratamento varia de acordo com o subtipo e as características de cada paciente.



Sintomas

O sinal mais característico da doença é o aumento persistente de um ou mais gânglios (ínguas), principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha, geralmente sem dor. Outros sinais incluem febre sem causa aparente, suor intenso durante a noite, perda de peso sem dieta ou exercício, cansaço persistente e coceira no corpo. “Dependendo da região afetada, também podem surgir tosse, falta de ar, dor no peito ou sensação de barriga cheia”, explica Felipe Furtado.

O especialista ressalta que esses sintomas não indicam necessariamente a presença de linfoma, pois também podem estar relacionados a infecções e outras doenças. No entanto, se forem persistentes, é importante procurar atendimento médico para investigação.



Diagnóstico

A investigação começa com a avaliação clínica e o exame físico, que inclui a palpação dos gânglios linfáticos e a investigação de outros sinais da doença. "Quando há suspeita, o passo mais importante é realizar uma biópsia, retirando um gânglio, ou parte dele, para análise em laboratório. Esse exame permite confirmar o diagnóstico e identificar exatamente o subtipo do linfoma", explica o hematologista.

Após a confirmação, podem ser solicitados exames de sangue, tomografia, PET-CT (que permite verificar a localização e o tamanho do tumor) e, em alguns casos determinados pelo médico, avaliação da medula óssea para verificar a extensão da doença. "Descobrir precocemente permite iniciar o tratamento antes que a doença avance. Isso aumenta as chances de controle, melhora a qualidade de vida durante o tratamento e, em muitos casos, eleva significativamente as chances de cura", destaca.

Na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica para o surgimento do linfoma. Segundo Felipe Furtado, alguns fatores podem aumentar o risco, como idade avançada, alterações do sistema imunológico, uso de medicamentos que reduzem a imunidade após transplantes, infecção pelo HIV e algumas infecções por vírus específicos. Ainda assim, ele reforça que a presença de um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa desenvolverá a doença.

Por fim, o hematologista afirma que não existe uma forma comprovadamente eficaz de prevenir o linfoma. "Manter hábitos saudáveis, adotar medidas de prevenção contra o HIV e tratar adequadamente doenças que afetam o sistema imunológico podem contribuir para reduzir alguns fatores de risco", conclui.



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