Especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana reforça que o pré-natal deve acompanhar o desenvolvimento do bebê, mas também acolher as mudanças físicas, emocionais e nutricionais vividas pela gestante
O
Dia das Mães costuma ser marcado por homenagens ao afeto e ao cuidado. Mas a
data também abre espaço para uma reflexão essencial: antes de ser mãe, a
gestante é uma mulher que atravessa intensas transformações físicas, hormonais,
metabólicas e emocionais. Por isso, o cuidado na gravidez precisa ir além da
saúde do bebê e reconhecer a mulher como protagonista dessa experiência.
Tradicionalmente,
a gestação é associada ao desenvolvimento fetal e aos preparativos para o
parto. No entanto, durante os nove meses, o corpo da mulher passa por
adaptações profundas: aumento do volume sanguíneo, alterações hormonais,
mudanças no metabolismo, no sono, na digestão, na pele, nas mamas e na
composição corporal. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas, expectativas e questões
emocionais que também precisam ser acolhidas.
Ao
mesmo tempo, a mulher pode lidar com dúvidas, medos, expectativas, cobranças
externas e mudanças na forma como se percebe. Nesse contexto, o pré-natal se
torna uma das principais ferramentas de cuidado integral, pois permite
acompanhar a saúde do bebê, prevenir complicações e, também, acolher a gestante
em suas necessidades individuais.
Para a Dra. Karina Belickas, nutróloga, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, o Dia das Mães é uma oportunidade para reforçar uma visão mais ampla da maternidade.
“A gestante não deve ser vista apenas como alguém que carrega um bebê. Ela continua sendo uma mulher com história, desejos e necessidades próprias. O pré-natal precisa cuidar da saúde do bebê, mas também estar atento às mudanças que ela vivência ao longo da gestação”, afirma.
A médica explica que o pré-natal é um espaço de escuta qualificada: além de revisar exames e monitorar o crescimento fetal, deve abordar alimentação, ganho de peso, atividade física, sexualidade, saúde mental, sono, desconfortos físicos, preparação para o parto e expectativas para o puerpério.
Durante a gestação, são comuns alterações como aumento do útero, crescimento das mamas, retenção de líquidos, alterações no centro de gravidade, maior frequência urinária e mudanças na pele, como melasma e estrias. Também podem ocorrer variações na pressão arterial, glicemia e nos níveis de nutrientes essenciais.
Embora muitas dessas mudanças sejam fisiológicas, o acompanhamento médico é fundamental para identificar sinais de alerta, como ganho de peso excessivo, sangramentos, dor intensa, falta de ar, pressão alta ou inchaço súbito.
A alimentação, frequentemente cercada de mitos, também é parte central do cuidado. “A ideia de que a gestante deve ‘comer por dois’ não corresponde às orientações atuais. A dieta deve priorizar qualidade nutricional, equilíbrio e adequação às necessidades de cada fase da gravidez”, explica a especialista.
Nutrientes como ácido fólico, ferro, cálcio, vitamina D, ômega-3, iodo e proteínas têm papel importante para a mãe e para o bebê. Em alguns casos, a suplementação é indicada — sempre após avaliação profissional.
Segundo a médica, o acompanhamento nutricional não deve ser guiado por padrões estéticos, mas pela promoção de saúde e pelo alívio de sintomas como náuseas, azia, constipação e cansaço.
Ao longo do pré-natal, a gestante também deve receber informações sobre exames, sinais de atenção, tipos de parto, plano de parto, amamentação e rede de apoio. Participar dessas decisões, com base em evidências e respeito à sua história, contribui para uma experiência mais segura e consciente.
O período pós-parto, muitas vezes pouco discutido, também merece preparação prévia. O puerpério envolve recuperação física, reequilíbrio hormonal, adaptação à amamentação e reorganização da rotina familiar. Antecipar esse diálogo reduz expectativas irreais e fortalece o suporte emocional.
No
mês em que se celebra o Dia das Mães, reconhecer a mulher como centro do
cuidado durante a gestação reforça a importância de um pré-natal integral, que
considere saúde física, equilíbrio emocional, informação qualificada e respeito
às escolhas pessoais. Cuidar da gestante é também cuidar do bebê — e garantir
uma maternidade mais consciente, acolhedora e segura.
Site: www.santajoana.com.br




