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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Dia das Mães reforça a importância de olhar para a mulher além da maternidade durante a gestação

Especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana reforça que o pré-natal deve acompanhar o desenvolvimento do bebê, mas também acolher as mudanças físicas, emocionais e nutricionais vividas pela gestante

 

O Dia das Mães costuma ser marcado por homenagens ao afeto e ao cuidado. Mas a data também abre espaço para uma reflexão essencial: antes de ser mãe, a gestante é uma mulher que atravessa intensas transformações físicas, hormonais, metabólicas e emocionais. Por isso, o cuidado na gravidez precisa ir além da saúde do bebê e reconhecer a mulher como protagonista dessa experiência. 

Tradicionalmente, a gestação é associada ao desenvolvimento fetal e aos preparativos para o parto. No entanto, durante os nove meses, o corpo da mulher passa por adaptações profundas: aumento do volume sanguíneo, alterações hormonais, mudanças no metabolismo, no sono, na digestão, na pele, nas mamas e na composição corporal. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas, expectativas e questões emocionais que também precisam ser acolhidas. 

Ao mesmo tempo, a mulher pode lidar com dúvidas, medos, expectativas, cobranças externas e mudanças na forma como se percebe. Nesse contexto, o pré-natal se torna uma das principais ferramentas de cuidado integral, pois permite acompanhar a saúde do bebê, prevenir complicações e, também, acolher a gestante em suas necessidades individuais. 

Para a Dra. Karina Belickas, nutróloga, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, o Dia das Mães é uma oportunidade para reforçar uma visão mais ampla da maternidade.

“A gestante não deve ser vista apenas como alguém que carrega um bebê. Ela continua sendo uma mulher com história, desejos e necessidades próprias. O pré-natal precisa cuidar da saúde do bebê, mas também estar atento às mudanças que ela vivência ao longo da gestação”, afirma. 

A médica explica que o pré-natal é um espaço de escuta qualificada: além de revisar exames e monitorar o crescimento fetal, deve abordar alimentação, ganho de peso, atividade física, sexualidade, saúde mental, sono, desconfortos físicos, preparação para o parto e expectativas para o puerpério. 

Durante a gestação, são comuns alterações como aumento do útero, crescimento das mamas, retenção de líquidos, alterações no centro de gravidade, maior frequência urinária e mudanças na pele, como melasma e estrias. Também podem ocorrer variações na pressão arterial, glicemia e nos níveis de nutrientes essenciais.

Embora muitas dessas mudanças sejam fisiológicas, o acompanhamento médico é fundamental para identificar sinais de alerta, como ganho de peso excessivo, sangramentos, dor intensa, falta de ar, pressão alta ou inchaço súbito. 

A alimentação, frequentemente cercada de mitos, também é parte central do cuidado. “A ideia de que a gestante deve ‘comer por dois’ não corresponde às orientações atuais. A dieta deve priorizar qualidade nutricional, equilíbrio e adequação às necessidades de cada fase da gravidez”, explica a especialista.

Nutrientes como ácido fólico, ferro, cálcio, vitamina D, ômega-3, iodo e proteínas têm papel importante para a mãe e para o bebê. Em alguns casos, a suplementação é indicada — sempre após avaliação profissional. 

Segundo a médica, o acompanhamento nutricional não deve ser guiado por padrões estéticos, mas pela promoção de saúde e pelo alívio de sintomas como náuseas, azia, constipação e cansaço. 

Ao longo do pré-natal, a gestante também deve receber informações sobre exames, sinais de atenção, tipos de parto, plano de parto, amamentação e rede de apoio. Participar dessas decisões, com base em evidências e respeito à sua história, contribui para uma experiência mais segura e consciente. 

O período pós-parto, muitas vezes pouco discutido, também merece preparação prévia. O puerpério envolve recuperação física, reequilíbrio hormonal, adaptação à amamentação e reorganização da rotina familiar. Antecipar esse diálogo reduz expectativas irreais e fortalece o suporte emocional. 

No mês em que se celebra o Dia das Mães, reconhecer a mulher como centro do cuidado durante a gestação reforça a importância de um pré-natal integral, que considere saúde física, equilíbrio emocional, informação qualificada e respeito às escolhas pessoais. Cuidar da gestante é também cuidar do bebê — e garantir uma maternidade mais consciente, acolhedora e segura.

 

Santa Joana 
Site: www.santajoana.com.br



Dia das Mães: Entre carinho e expectativa, maternidade influencia a percepção visual


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A Dra. Camila Moraes explica que, durante a gestação, podem surgir alterações passageiras na visão, além de destacar causas e situações que exigem acompanhamento 


Com o Dia das Mães se aproximando, celebrado neste domingo, 10 de maio, a gestação ganha ainda mais destaque como um período de transformações intensas, que vão muito além do crescimento do bebê. Entre descobertas, expectativas e cuidado redobrado, o corpo feminino também pode apresentar mudanças na visão, geralmente sutis e passageiras, mas que merecem atenção. 

De acordo com a Dra. Camila Moraes, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), é natural que a futura mãe note algumas diferenças ao longo dos meses. “Durante a gravidez, é relativamente comum a mulher perceber a visão um pouco embaçada, sensação de olho seco, maior sensibilidade à luz e até pequenas oscilações no grau dos óculos. Algumas pacientes também relatam desconforto com o uso de lentes de contato”, explica. 

Esses sinais fazem parte da experiência de muitas futuras mães. “São alterações relativamente frequentes. Uma parcela significativa das gestantes apresenta algum sintoma visual ao longo da gravidez, principalmente relacionados ao ressecamento ocular ou à flutuação da visão”, afirma a especialista. 

As causas estão ligadas a processos naturais do organismo nesse período. “Essas mudanças acontecem principalmente por causa das alterações hormonais da gestação. Elas levam à retenção de líquidos, podem alterar a córnea e também interferem na qualidade da lágrima. Além disso, fatores como pressão arterial e glicemia também podem impactar a visão”, detalha. 

A intensidade desses efeitos pode variar conforme o avanço da gestação. “Em geral, elas começam a ficar mais perceptíveis a partir do segundo trimestre e podem se intensificar no terceiro, quando as mudanças hormonais estão mais acentuadas”, pontua. 

Apesar de causarem preocupação em algumas mulheres, a tendência é que tudo volte ao normal. “Na grande maioria das vezes, são temporárias e se resolvem após o parto. Alterações permanentes são raras e, quando acontecem, costumam estar associadas a outras condições de saúde”, tranquiliza. 

Mesmo sendo, na maior parte dos casos, situações leves, alguns sintomas exigem atenção imediata. “Perda súbita de visão, visão dupla, flashes de luz, manchas no campo visual ou dor ocular são sinais de alerta. Se esses sintomas vierem acompanhados de dor de cabeça, a avaliação deve ser ainda mais rápida, porque pode estar relacionado a alterações mais graves da gestação como a pré-eclâmpsia”, orienta. 

Condições clínicas também podem influenciar a saúde ocular durante esse período. “Existe uma relação direta. Tanto a pressão alta quanto o diabetes podem afetar a retina. Em casos mais graves, especialmente na hipertensão da gestação, a paciente pode apresentar sintomas visuais importantes que precisam de acompanhamento médico”, ressalta. 

Para quem já utiliza correção visual, alguns cuidados extras podem fazer diferença. “Nem sempre é indicado mudar o grau dos óculos durante a gestação, porque essa variação costuma ser temporária. Já quem usa lente de contato pode sentir mais desconforto e deve intensificar os cuidados com lubrificação ocular”, explica. 

No cotidiano, atitudes simples contribuem para o bem-estar dos olhos. “Manter uma boa hidratação, fazer pausas no uso de telas, usar colírios lubrificantes quando indicado e controlar bem a pressão arterial e a glicemia são medidas importantes. E sempre vale reforçar: qualquer sintoma visual novo deve ser avaliado”, recomenda. 

Depois da chegada do bebê, o organismo tende a se reorganizar gradualmente. “Na maioria dos casos, a visão retorna ao padrão anterior em algumas semanas após o parto. Se a paciente ainda estiver com queixas, é importante fazer uma avaliação oftalmológica no pós-parto para reavaliar o grau e a saúde ocular. Em meio a tantas mudanças, o olhar da mãe também acompanha esse novo capítulo, cheio de cuidado, descoberta e amor”, finaliza a Dra. Camila Moraes.


Nova terapia aprovada pela Anvisa marca mudança histórica no tratamento da doença e abre uma nova era na neurologia

 

O Brasil deve receber em junho o primeiro medicamento aprovado capaz de atuar diretamente na progressão do Alzheimer, uma das doenças neurodegenerativas que mais crescem no mundo. A chegada do lecanemabe, aprovado pela Anvisa para pacientes em estágios iniciais da doença, é considerada um marco histórico no tratamento neurológico. 

Segundo o Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, atualmente os tratamentos disponíveis atuam principalmente sobre sintomas, tentando melhorar memória, comportamento ou cognição temporariamente. Agora começamos a entrar em uma era em que conseguimos interferir diretamente em mecanismos biológicos ligados à progressão da doença”, explica o médico. 

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para agir sobre as placas de beta-amiloide, proteínas associadas ao Alzheimer e ao processo de degeneração cerebral. Os estudos mostraram desaceleração do declínio cognitivo em pacientes diagnosticados nas fases iniciais da doença. 

Para Dr. Fernando, o avanço reforça um ponto que ainda representa um enorme desafio no Brasil: o diagnóstico precoce. “O grande problema é que muitos pacientes chegam tardiamente ao neurologista. E essa nova geração de medicamentos funciona justamente nas fases iniciais, quando ainda existe preservação importante das funções cerebrais.” 

Segundo ele, sintomas como esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, dificuldade de organização, alterações de comportamento e perda progressiva de autonomia não devem ser encarados apenas como “coisas da idade”. 

“O Alzheimer não começa de um dia para o outro. O cérebro vai sofrendo alterações silenciosas durante anos antes dos sintomas mais graves aparecerem.” 

O especialista explica que o envelhecimento da população brasileira torna o tema ainda mais urgente. Dados internacionais mostram crescimento acelerado do número de casos de demência nas próximas décadas, acompanhando o aumento da expectativa de vida. “Estamos vivendo mais — e isso é excelente. Mas o cérebro também precisa envelhecer com mais saúde, para assim conseguirmos ter mais futuro”. 

Apesar do entusiasmo em torno da nova terapia, Dr. Fernando faz um alerta importante: o medicamento não representa cura do Alzheimer. “É fundamental evitar falsas expectativas. O tratamento não faz o paciente recuperar completamente a memória nem interrompe totalmente a doença. O objetivo é desacelerar a progressão.”
 

Além disso, o tratamento exige critérios rigorosos. 

O medicamento é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial e necessita confirmação diagnóstica específica, incluindo presença de biomarcadores da doença. O acompanhamento também deve ser cuidadoso devido ao risco de efeitos adversos neurológicos, como edema cerebral e micro-hemorragias. 

Segundo o médico, a chegada da medicação também deve ampliar discussões sobre acesso, custo e estrutura diagnóstica no país. 

“Essa nova fase da neurologia traz esperança, mas também desafios importantes. Precisamos ampliar acesso ao diagnóstico precoce, informação para a população e preparo dos sistemas de saúde.”

Para Dr. Fernando, o maior impacto talvez seja simbólico: pela primeira vez, pacientes e famílias passam a enxergar o Alzheimer não apenas como uma doença inevitavelmente progressiva, mas como uma condição em que a medicina começa a conseguir interferir de maneira mais efetiva.

“Talvez estejamos entrando no início de uma nova era no cuidado cerebral. E isso muda completamente a forma como a sociedade precisará olhar para saúde cognitiva, envelhecimento e prevenção daqui para frente.”
  


Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
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Gestação e prevenção: por que o rastreio de ISTs é parte do cuidado com a saúde da mãe e do bebê

Saiba quais infecções podem afetar o bebê, como prevenir e quando fazer os testes 


Durante a gestação, o acompanhamento médico e a realização de exames fazem parte dos cuidados recomendados para monitorar a saúde da mãe e do bebê. Entre esses exames, o rastreio de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é uma etapa importante do pré-natal, pois permite identificar infecções que muitas vezes não apresentam sintomas e que podem ser tratadas ou acompanhadas ao longo da gravidez.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis são adquiridas todos os dias no mundo, e grande parte delas não apresenta sintomas aparentes [1]. Em 2022, a entidade estimou que cerca de 1,1 milhão de gestantes tinham diagnóstico de sífilis. Quando não identificada e tratada durante o pré-natal, a infecção pode estar associada a algumas complicações na gestação ou no parto, como prematuridade ou baixo peso ao nascer [1].

No Brasil, a sífilis segue sendo uma das infecções mais acompanhadas durante o pré-natal e um ponto de atenção nas políticas de saúde materno-infantil. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2005 e junho de 2025, foram registrados 810.246 diagnósticos de sífilis em gestantes no país [2]. Apenas em 2024, a taxa foi de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos, o que corresponde a cerca de 89,7 mil registros no ano, mantendo uma tendência de crescimento, com aumento de 3,2% em relação a 2023 [2].

“Infecções sexualmente transmissíveis muitas vezes não apresentam sintomas claros, o que pode fazer com que sejam descobertas tardiamente, inclusive durante a gestação. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico é uma forma de cuidar da saúde da mulher e reduzir riscos de transmissão para o bebê”, afirma dra. Márcia Felician, ginecologista obstetra e médica da equipe de Genitoscopia e Laser da Dasa, empresa líder em medicina diagnóstica no Brasil.
 

Quais infecções podem afetar o bebê

Além da sífilis, outras ISTs também preocupam. A OMS alerta que infecções como HIV, hepatites B e C, herpes e HPV podem ter impacto direto na saúde materna e neonatal, estando associadas a natimorto, morte neonatal, sepse, conjuntivite neonatal, malformações congênitas e complicações no desenvolvimento nos primeiros meses de vida [1].

No contexto brasileiro, um estudo publicado em 2022 com 2.728 gestantes encontrou prevalência de 21% de ISTs, incluindo clamídia (9,9%), gonorreia, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis, com índices ainda maiores na região Sudeste (23,3%) [3]. Já em relação ao HIV, dados recentes indicam queda de 7,9% nos casos em gestantes em 2025, com cerca de 7.500 registros no ano [4].

“Quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, algumas infecções podem atravessar a gestação e afetar o bebê, levando a complicações como prematuridade, baixo peso ao nascer ou infecção neonatal. O diagnóstico precoce é um passo essencial para a proteção materno-infantil”, reforça a Dra. Márcia Felician.


O problema do ‘silêncio’ das ISTs

Um dos principais desafios no controle dessas infecções é que muitas ISTs não apresentam sintomas ou causam sinais inespecíficos [1]. Isso faz com que o diagnóstico frequentemente aconteça tarde, às vezes apenas durante o pré-natal ou após o parto, aumentando o risco de complicações evitáveis.

Por esse motivo, organismos internacionais e autoridades de saúde recomendam o rastreio de ISTs em gestantes como parte essencial do cuidado pré-natal, especialmente em países com alta incidência dessas infecções [1][2].


Como prevenir: quando e quais testes fazer

A prevenção passa por diferentes frentes. O uso correto e consistente de preservativos segue sendo uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de ISTs. Além disso, vacinas seguras e eficazes estão disponíveis para hepatite B e HPV, consideradas avanços importantes na proteção da saúde sexual e reprodutiva [1]. Ainda assim, a testagem continua sendo central, especialmente para mulheres que estão grávidas ou planejam engravidar.

Falta de tempo, dificuldade de deslocamento e estigma ainda afastam muitas pessoas da testagem. Nesse cenário, cresce a busca por modelos que levem o cuidado até a casa das pessoas, com mais conforto, privacidade e praticidade. No Brasil, o check-up de ISTs é um exemplo dessa abordagem voltada ao diagnóstico precoce, com foco em exames laboratoriais para a detecção de infecções sexualmente transmissíveis. O painel inclui, principalmente, testes para:

· HIV
· Sífilis
· Hepatite B
· Hepatite C


Essas infecções estão entre as que podem trazer impactos relevantes durante a gestação quando não são identificadas e tratadas a tempo.

“Facilitar o acesso ao exame, inclusive com a possibilidade de realizá-lo em casa, pode ajudar a romper barreiras e ampliar o rastreio, algo fundamental para proteger a saúde da mãe e do bebê”, destaca a Dra. Márcia Felician.

  

Referências

[1] Organização Mundial da Saúde (OMS). Sexually Transmitted Infections (STIs) – Fact Sheet. Atualização de 10 de setembro de 2025. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis)

[2] Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis – 2025. Dados acumulados até junho de 2025, incluindo série histórica desde 2005 e taxas recentes.

[3] Estudo brasileiro publicado em 2022 sobre prevalência de ISTs em 2.728 gestantes (clamídia, gonorreia, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis), com maior

prevalência na região Sudeste. https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-em-cada-cinco-gestantes-tem-uma-ist/

[4] Ministério da Saúde. Dados epidemiológicos sobre HIV em gestantes, indicando queda de 7,9% em 2025 (cerca de 7.500 casos). https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/brasil-elimina-transmissao-vertical-do-hiv-da-mae-para-o-bebe-e-alcanca-menor-taxa-de-mortalidade-dos-ultimos-anos


Nova atualização da NR-1 reacende debate sobre impactos físicos da saúde mental no trabalho

Dr. Rodrigo Góes, do Hospital Albert Einstein, explica como o esgotamento emocional afeta o corpo e aumenta afastamentos 
 

A atualização da NR-1, que entra em vigor no próximo dia 26 de maio e passa a incluir a fiscalização de riscos psicossociais no ambiente corporativo reacendei o debate sobre os impactos da saúde mental também no corpo dos trabalhadores. Criada em 1978 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, agora, além de focar em riscos químicos, físicos e ergonômicos, também serão fiscalizados os riscos emocionais, indo além da sobrecarga física de trabalho. Entretanto, para o Dr. Rodrigo Góes, ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein, a relação entre a saúde física e mental estão mais interligadas que as pessoas imaginam. 

"A saúde física e a saúde mental dos trabalhadores são interligadas já que formam um ciclo que pode ser tanto positivo quanto prejudicial. Quando o corpo está saudável, com horas de descanso adequadas, com o corpo relaxado e equilibrado há maior disposição, concentração e resistência ao estresse, o que favorece o bem-estar psicológico. Em contrapartida, condições como sedentarismo, dores crônicas ou doenças físicas podem ficar aguçadas devido aos níveis de ansiedade, irritação e até levar à depressão. Da mesma forma, problemas de saúde mental, como estresse excessivo ou esgotamento profissional, podem se manifestar fisicamente", afirma o médico. 

A atualização da norma, responsável por indicar como as empresas devem cuidar da saúde e da segurança de seus colaboradores, acontece durante um cenário desafiador. Isso porque o último balanço divulgado pelo Ministério da Previdência Social, referente ao ano de 2025, o Brasil 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença, é o maior número dos últimos cinco anos. A dorsalgia, nome dado a dor nas costas, foi a principal causa de afastamento de licença, com 237.113 pedidos concedidos. Logo em seguida está a hérnia de disco, responsáveis por 208.727 afastamentos. 

"Muitas empresas esquecem que os ambientes de trabalho que valorizam tanto o cuidado com o corpo quanto com a mente são essenciais para a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Oferecer um cuidado maior com os funcionários, seja disponibilizando ferramentas que ajudem a manter o corpo saudável, como cadeiras e mesas ergonômicas. Em relação aos trabalhadores braçais, é importante se atentar a horas e dias de descanso, estendendo o intervalo durante o dia e disponibilizando mais folgas para evitar a sobrecarga", indica Dr. Rodrigo.
 

O burnout e os efeitos físicos 

A mudança da NR-1 não veio por acaso, segundo a pesquisa feita pela Data Lawyer, houve mais de 17 mil menções à ansiedade, depressão e estresse excessivo, sinais do burnout, nos processos trabalhistas em 2024, ano do último balanço feito pela organização. Já os dados do INSS revelaram um aumento de 68% nos afastamentos por transtornos mentais em 2024 em relação a 2023, cada um desses durando, em média, três meses.

“Os danos mentais causados pelo burnout provocam um desânimo, uma fadiga e, até mesmo, uma falta de vontade para realizar exercícios físicos. O problema é que o sedentarismo é um dos principais fatores que levam à dores crônicas de coluna", explica o cirurgião. 

Rodrigo relembra que, em muitos casos do excesso de trabalho, muitos brasileiros passam muitas horas em frente ao computador para manter a alta produtividade. Porém, a prática também é altamente prejudicial ao corpo, isso porque longos períodos de tela aumentam a tensão muscular. O recomendado é fazer pequenas pausas a cada 40 ou 50 minutos, levantar, caminhar por alguns minutos e realizar alongamentos simples ajudam a relaxar a musculatura e prevenir dores, algo pouco feito por quem busca bater metas e manter a concentração.  

A dor não deve ser ignorada nem tratada apenas com automedicação. Ao perceber desconforto frequente ou persistente, o ideal é procurar avaliação profissional. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz. Também é essencial se desconectar do trabalho após o fim do expediente para recarregar as energias e evitar a sobrecarga da saúde física e mental", finaliza o Dr. Rodrigo Góes. 

O cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein também relembra que a adoção de hobbies é importante, já que que é um momento em que trabalhadores tiram para si. A prática, por mais simples que seja, promove o bem-estar e ajuda a diminuir os níveis de estresse provocados pela rotina agitada. 

 

Dr. Rodrigo Góes - Formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Ortopedia e Traumatologia e Cirurgia da Coluna Vertebral pelo "Pavilhão Fernandinho Simonsen"- Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Rodrigo Góes Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Também é Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna e Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica. Membro da North American Spine Society. Fellow pela Campbell Clinic na University of Tennessee Health Science Center. Médico Colaborador do Grupo de Afecções e Cirurgia da Coluna da Santa Casa de São Paulo. Possui Mestrado em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Além disso, é Médico Plantonista do Pronto Atendimento do Hospital Albert Einstein; da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e do Núcleo de Coluna do Hospital Santa Isabel; Coordenação da Pós de Endoscopia do Hospital Albert.



Canetas emagrecedoras vão além do peso, mas uso sem acompanhamento acende alerta para reganho

Análogos de GLP-1 mudam o tratamento da obesidade ao agir no cérebro e no metabolismo, mas interrupção sem estratégia pode reverter resultados 

 

As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma das maiores transformações recentes na medicina metabólica. Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida atuam diretamente nos mecanismos biológicos da fome, reposicionando o tratamento da obesidade como uma condição crônica e não apenas comportamental.

“O principal efeito desses medicamentos não é simplesmente reduzir a ingestão alimentar. Eles reorganizam sinais hormonais e cerebrais que estavam desregulados”, explica o médico especialista em clínica médica e atuação em endocrinologia Igor Viana. “Muitos pacientes relatam algo inédito: pela primeira vez, não pensam em comida o dia inteiro. Isso é o que chamamos de redução do food noise.”

Segundo o especialista, os análogos de GLP-1 imitam hormônios intestinais responsáveis pela regulação da saciedade e do metabolismo, impactando não apenas o peso, mas diversos marcadores de saúde. “Hoje sabemos que esses medicamentos melhoram o controle glicêmico, reduzem resistência à insulina, diminuem gordura hepática e inflamação sistêmica, além de terem efeito protetor cardiovascular”, afirma.

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema, o SELECT trial, publicado no The New England Journal of Medicine, demonstrou redução significativa no risco de infarto e AVC em pacientes com excesso de peso. “Isso muda completamente a lógica do tratamento. Não estamos falando de estética, mas de prevenção de eventos graves e aumento da expectativa de vida”, destaca Igor.


Uso sem acompanhamento: o ponto crítico

Apesar dos avanços, o uso indiscriminado das chamadas canetas preocupa especialistas, especialmente pela falta de acompanhamento médico, fator diretamente associado ao reganho de peso.

“A obesidade é uma doença crônica. Não existe solução isolada ou temporária”, reforça Igor Viana. “Quando o paciente usa o medicamento por conta própria, muitas vezes interrompe ao atingir um peso desejado, sem qualquer planejamento. E é aí que começa o problema.”

Estudos como a extensão do STEP 1 mostram que a interrupção da medicação pode levar à recuperação parcial do peso perdido. Isso ocorre por mecanismos biológicos, não por falha individual.

“O corpo reage à perda de peso aumentando hormônios da fome e reduzindo o gasto energético. O cérebro volta a estimular a busca por alimento. É um mecanismo de sobrevivência. Não é falta de disciplina,  é fisiologia”, explica. 


Mudança de paradigma no tratamento da obesidade

Para o médico, o maior erro é tratar esses medicamentos como soluções rápidas. “Os análogos de GLP-1 não são remédios da moda. Eles representam uma mudança de paradigma. Pela primeira vez, conseguimos atuar diretamente na biologia da fome.”

Ele reforça que o sucesso do tratamento depende de uma abordagem integrada. “O melhor resultado não vem só da medicação. Ele acontece com acompanhamento médico, ajustes de dose, estratégia de manutenção, mudança de hábitos e cuidado com a saúde mental.”

Na prática, isso aproxima o tratamento da obesidade de outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. “Assim como ninguém suspende um tratamento de pressão alta por conta própria, a obesidade também precisa ser encarada com continuidade e planejamento.”


Alerta para pacientes e profissionais

Com a popularização dessas terapias, cresce também a responsabilidade na comunicação e no uso adequado. “Existe um risco real de as pessoas sabotarem o próprio resultado ao tratar algo complexo como se fosse simples”, pontua Igor.

“Hoje, tratar obesidade não é apenas emagrecer. É investir em longevidade, reduzir risco cardiovascular e melhorar qualidade de vida. Mas isso só acontece quando o tratamento é feito da forma correta”, finaliza o médico. 


Igor Viana - Especialista em Clínica Médica, com atuação em endocrinologia e metabologia (CRM 229364 | RQE 144806). Trabalha na prevenção, diagnóstico e manejo de doenças metabólicas, com foco na promoção da saúde, alimentação equilibrada e longevidade.

 

Exames de imagem são aliados no diagnóstico precoce e no planejamento do tratamento da endometriose

Shutterstock

O Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio, chama atenção para uma condição que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e ainda enfrenta desafios para o diagnóstico precoce. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 190 milhões de pessoas com útero são portadoras da doença.


A endometriose é uma condição ginecológica inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir órgãos como ovários, bexiga e intestino. Entre os principais sinais estão cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual e desconforto ao urinar ou evacuar no período menstrual além de dificuldade para engravidar, segundo a ginecologista Luciana de Paiva Nery Soares, do Sabin Diagnóstico e Saúde.


Exames de imagem

O diagnóstico começa com avaliação clínica detalhada e pode ser complementado por exames de imagem, para o mapeamento das lesões. “Além de ajudarem na detecção inicial, os também auxiliam no monitoramento da progressão da doença e da resposta ao tratamento ao longo do tempo”, pontua a médica.


A especialista destaca que a escolha do exame depende da suspeita clínica e do estágio da investigação. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, de acordo com a ginecologista, é um dos principais métodos utilizados na investigação inicial. “Esse exame auxilia na identificação de focos profundos da doença, especialmente em regiões de difícil avaliação, como intestino e ligamentos pélvicos”, afirma. O preparo intestinal melhora a visualização das estruturas pélvicas e aumenta a sensibilidade do exame para detectar lesões profundas.


Já a ressonância magnética se destaca como exame complementar de alta acurácia para avaliação mais detalhada. É um método não invasivo indicado para mapear a extensão da endometriose nos diferentes compartimentos pélvicos e em possíveis localizações extra pélvicas. “O exame é especialmente útil no planejamento terapêutico, ao permitir uma avaliação mais abrangente do comprometimento de órgãos”, explica Luciana.


Tratamento

As opções terapêuticas variam conforme o quadro clínico e os objetivos reprodutivos da paciente. “O tratamento pode variar desde o controle da dor com medicamentos até intervenções hormonais ou cirúrgicas”, afirma Luciana.


Por fim, a ginecologista defende um cuidado multidisciplinar, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também os impactos na rotina e no bem-estar das pacientes. “Quando o cuidado inclui outros profissionais, como psicólogo, educador físico e nutricionista, a gente vê um impacto muito positivo na qualidade de vida dessas mulheres”, completa.

 


Grupo Sabin
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Dia Mundial do Câncer de Ovário reforça alerta global para diagnóstico precoce e equidade no acesso ao tratamento

No dia 8 de maio, o mundo se mobiliza em torno do Dia Mundial do Câncer de Ovário, uma data criada em 2013 por líderes globais na defesa da causa para ampliar a conscientização sobre a doença, dar visibilidade ao tema e impulsionar ações coordenadas de enfrentamento. Em 2026, a campanha segue o tema #NenhumaMulherParaTrás (#NoWomanLeftBehind), um chamado urgente para reduzir desigualdades no diagnóstico e no tratamento. 

A mensagem é clara: nenhum sintoma deve ser ignorado, nenhuma mulher deve enfrentar atrasos desnecessários no diagnóstico e nenhuma paciente deve ser privada de um atendimento de qualidade por conta de onde vive. A mobilização global busca garantir que avanços médicos e científicos alcancem todas as mulheres, em todos os lugares. 

Dados recentes reforçam a urgência da causa. Projeções indicam que, até 2050, o número de casos de câncer de ovário no mundo deve crescer mais de 55%. A maior parte das mortes ocorrerá em países de baixa e média renda. Além disso, as taxas de sobrevivência em cinco anos ainda são consideradas baixas, variando entre 36% e 46% em países mais desenvolvidos, números significativamente inferiores aos de outros tipos de câncer, como o de mama, cuja taxa pode chegar a 90% em diversas regiões. 

Entre os tumores ginecológicos, o câncer de ovário é o mais letal, principalmente por seu caráter silencioso. Trata-se da terceira neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas dos cânceres do colo do útero e do endométrio. 

De acordo com Dr. João Soares Nunes, oncologista clínico do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), o grande desafio está justamente na identificação precoce da doença. “Na fase inicial, o câncer de ovário pode não apresentar sintomas. Conforme evolui, surgem sinais que muitas vezes são confundidos com problemas comuns do dia a dia, o que contribui para o diagnóstico tardio”, explica. 

Entre os principais sinais e sintomas estão pressão, dor ou inchaço abdominal e pélvico, dores nas costas ou pernas, alterações digestivas como náusea, gases e constipação, perda de apetite, vontade frequente de urinar, fadiga persistente e até a presença de massa abdominal palpável. 

Diversos fatores podem aumentar o risco da doença, como o avanço da idade, histórico familiar de câncer (especialmente de ovário, mama e colorretal), mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, infertilidade, menarca precoce e menopausa tardia. O excesso de peso e a exposição a substâncias como amianto e radiações também estão associados a maior risco. 

A detecção precoce ainda é um desafio. Segundo o especialista do IOP, não há evidências científicas suficientes que sustentem a recomendação de rastreamento populacional para o câncer de ovário. “O diagnóstico costuma ocorrer a partir da investigação de sintomas ou em pacientes com maior risco, seguido de exames laboratoriais e de imagem. Por isso, é fundamental que as mulheres estejam atentas ao próprio corpo e mantenham acompanhamento médico regular”, destaca. 

O tratamento varia conforme o tipo e estágio do tumor, podendo incluir cirurgia para remoção do tumor, quimioterapia após a cirurgia (adjuvante) ou antes do procedimento (neoadjuvante), com o objetivo de reduzir o tamanho da lesão. 

Em termos de prevenção, a orientação é manter hábitos saudáveis, como controle do peso corporal, além de consultas médicas regulares, especialmente a partir dos 50 anos. É importante destacar que o exame preventivo ginecológico (Papanicolaou) não detecta o câncer de ovário, pois é específico para o câncer do colo do útero. 

Neste Dia Mundial do Câncer de Ovário, a mensagem global reforça que informação salva vidas. Ampliar o acesso ao diagnóstico, reduzir desigualdades e garantir tratamento adequado são passos essenciais para que, de fato, nenhuma mulher fique para trás.

 

#WOCD2026
#WorldOvarianCancerDay
#NoWomanLeftBehind
#NoPersonLeftBehind

*Com informações do Ministério da Saúde


Grupo Med4U


IOP
https://iop.com.br


Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas


Alexbowmore

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce 

 

Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.

De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.

Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que possam indicar precocemente o câncer de mama.

De acordo com o mastologista Guilherme Novita, testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres. “Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da doença.”

Como método, a mamografia de rastreamento permanece como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos de idade.

O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.


Dia da Talassemia: informação, tratamento adequado e doação de sangue são pilares para salvar vidas no Brasil

Condição hereditária ainda pouco conhecida exige transfusões regulares e maior conscientização da população 

 

Celebrado em 8 de maio, o Dia Internacional da Talassemia chama a atenção para uma condição genética ainda pouco conhecida pela população, mas que impacta profundamente a vida de milhares de brasileiros. Segundo o banco de dados de cadastro de pacientes da ABRASTA, a Associação Brasileira de Talassemia, até setembro de 2024, 1.274 pessoas sofriam com algum tipo da doença.i. 

A talassemia é uma condição hereditária que afeta a produção de hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue e, em casos mais graves, exige transfusões sanguíneas regulares. Pacientes acometidos com talassemias beta maior necessitam de transfusões de sangue por toda a vida, geralmente a cada 20 dias em médiaii. 

De acordo com o presidente da ABRASTA, Eduardo Márcio Fróes, que convive com a condição desde o nascimento, os avanços no tratamento nas últimas décadas transformaram o prognóstico da doença, mas ainda há desafios significativos no Brasil. 

“A segurança transfusional e a chegada dos quelantes orais mudaram a história da talassemia no mundo, trazendo mais qualidade e expectativa de vida. No entanto, ainda enfrentamos gargalos importantes, como o acesso a exames essenciais e à quantidade adequada de sangue no momento certo”, afirma Froés.

 

Rotina desafiadora e “dor invisível” 

Para pacientes com formas mais graves da doença, a rotina pode ser intensa e desgastante. Muitos precisam se deslocar por horas até hemocentros para realizar transfusões frequentes. Além disso, há casos em que o organismo desenvolve anticorpos, dificultando encontrar sangue compatível. “É uma dor invisível: a dependência do sangue para viver e a incerteza de tê-lo disponível no tempo necessário”, explica Fróes.

 

Mitos ainda persistem 

A desinformação é outro obstáculo. Entre os mitos mais comuns está a ideia de que pessoas com talassemia não podem ter filhos ou praticar atividades físicas. “Isso não é verdade. Com acompanhamento médico adequado, é possível ter uma vida ativa, realizar sonhos e até constituir família”, reforça o presidente da ABRASTA.

 

Doação de sangue: um ato essencial 

A doação regular de sangue é indispensável para garantir o tratamento de pacientes com talassemia. Como não existe substituto para o sangue, a conscientização da população é fundamental. “Sangue é vida. Muitas pessoas ainda não sabem que existem doenças que dependem de transfusões contínuas, como a talassemia. Precisamos ampliar essa consciência”, destaca Fróes.

 

Desafios no acesso e políticas públicas 

Apesar de avanços no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda há dificuldades no acesso a exames como a ressonância magnética com técnica T2*, fundamental para monitorar o acúmulo de ferro no organismo. Também há entraves na incorporação de novas terapias. “A ciência avança, mas o acesso não acompanha essa evolução. Precisamos de políticas públicas mais efetivas e olhar atento para as doenças raras”, afirma Fróes.

 

Impactos além da saúde física 

A talassemia não afeta apenas o corpo, mas também o emocional e o social de pacientes e familiares. Complicações associadas, como osteoporose e problemas de visão, somadas a desafios socioeconômicos, tornam a jornada ainda mais complexa.

 

Uma mensagem para o Dia Internacional da Talassemia 

Neste dia 8 de maio, o principal alerta é claro: é preciso ampliar o conhecimento sobre a doença e garantir acesso equitativo ao tratamento. “Estamos falando de vidas, de pessoas com sonhos. Não podemos aceitar que ainda existem barreiras para um cuidado adequado”, conclui Fróes.

 



Grupo Chiesi
www.chiesi.com

Chiesi Brasil
www.chiesi.com.br

Chiesi Global Rare Diseases



Referências bibliográficas

[1] Associação Brasileira de Talassemia (ABRASTA) [homepage na internet]. Números da beta-talassemia no Brasil: uma análise a partir do cadastro de pacientes da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta) [acesso em 28 abril 2026]. Disponível em: Link

[1] Ministério da Saúde [homepage na internet]. Talassemia [acesso em 28 abril 2026]. Disponível em: Link


Endometriose: a doença silenciosa que afeta milhões de mulheres ao redor do mundo


Condição atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a OMS; especialista explica os sintomas e aponta 5 estratégias de controle

 

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de cada vez mais presente nas discussões sobre saúde da mulher, a condição ainda é cercada por dúvidas e frequentemente subdiagnosticada. Ela ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, passa a se desenvolver fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e até a bexiga. Esse crescimento anormal provoca inflamação e está associado a dor e, em alguns casos, infertilidade.

O principal sintoma é a cólica menstrual intensa, muitas vezes incapacitante. No entanto, a doença também pode se manifestar com dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias, além de dificuldade para engravidar. Esses sinais, com frequência, são subestimados tanto por pacientes quanto por profissionais de saúde, o que contribui para o atraso no diagnóstico. “Não é esperado que a mulher sinta dor a ponto de comprometer suas atividades diárias. Sentir dor nunca é normal e precisa ser investigado”, afirma a Dra. Madalena Oliveira, médica e professora na pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória.

As causas da endometriose ainda não são totalmente esclarecidas, mas sabe-se que a doença tem origem multifatorial. Um dos mecanismos mais aceitos é a menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade abdominal, podendo desencadear inflamação. Além disso, fatores genéticos, hormonais e alterações no sistema imunológico também contribuem para o desenvolvimento da condição. “A endometriose é multifatorial, envolvendo predisposição genética associada a alterações hormonais e imunológicas que favorecem o surgimento das lesões”, explica a Dra. Madalena.

Esse processo ajuda a entender por que algumas mulheres desenvolvem a doença e outras não. Em certos casos, o organismo não consegue eliminar adequadamente essas células que retornam pelas trompas, permitindo sua implantação e progressão. Como a doença está relacionada ao ciclo menstrual, seus sinais tendem a se tornar mais evidentes ao longo do tempo, o que explica por que o diagnóstico é mais frequente em mulheres a partir dos 30 anos, embora também possa ocorrer em pacientes mais jovens.

Não há uma forma comprovada de prevenir completamente a endometriose, o que torna a atenção aos sinais e o diagnóstico precoce fundamentais para evitar a progressão da doença. “Pacientes jovens que apresentam cólicas intensas e persistentes precisam ser avaliadas com cuidado, porque esse pode ser um dos primeiros sinais da endometriose”, alerta a especialista. Nesse sentido, manter acompanhamento ginecológico regular, investigar sintomas fora do padrão, adotar hábitos de vida saudáveis e evitar a automedicação são medidas importantes. Em casos selecionados, estratégias que reduzem ou suprimem a menstruação, como DIU hormonal, anticoncepcionais contínuos e implantes, também podem ser indicadas para controle dos sintomas. “O diagnóstico precoce é uma das principais ferramentas que temos hoje. Quanto antes identificamos a doença, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida da paciente”, conclui a médica da Afya.

5 formas para reduzir os impactos da endometriose no organismo, segundo a especialista

Apesar de não ter cura definitiva, a endometriose pode ser controlada com acompanhamento adequado, e o tratamento é sempre individualizado, levando em conta a intensidade dos sintomas, a extensão da doença e o desejo reprodutivo da paciente, o que permite que muitas mulheres mantenham qualidade de vida e realizem seus projetos pessoais.As principais abordagens incluem:

 



1.   Tratamento medicamentoso: uso de analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida da paciente.

2.   Terapia hormonal: utilização de anticoncepcionais, progestagênios ou outras medicações que reduzem a atividade hormonal, ajudando a conter o crescimento das lesões.

3.   Cirurgia: indicada em casos mais avançados ou quando não há resposta ao tratamento clínico, com o objetivo de remover os focos de endometriose.

4.   Acompanhamento multidisciplinar: cuidado integrado com diferentes profissionais, como ginecologista, endocrinologista, fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico e suporte psicológico, fundamental para um manejo mais completo da doença.

5.   Dieta anti-inflamatória: a endometriose está associada a processos inflamatórios, e a alimentação pode ser uma aliada no controle dos sintomas. Priorizar alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva e oleaginosas, e reduzir ultraprocessados, açúcares e frituras ajuda a diminuir a inflamação, contribuindo para a redução da dor, do inchaço e para o equilíbrio hormonal.

 

Afya

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