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terça-feira, 5 de maio de 2026

Anvisa autoriza produção nacional da vacina da chikungunya pelo Instituto Butantan

Butantan-Chik, versão brasileira da vacina desenvolvida em parceria com a Valneva, será fabricada localmente; imunizante foi aprovado em abril de 2025


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira, 4 de maio, a fabricação local da vacina contra a chikungunya do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES), batizada de Butantan-Chik. Desta forma, a versão feita no Butantan do imunizante – desenvolvido em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva – está liberada para uso no Brasil e poderá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O público-alvo são pessoas de 18 a 59 anos.
 

A vacina da chikungunya foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025, tendo as fábricas da Valneva como locais registrados de produção. Com o novo parecer do órgão regulatório, o Instituto Butantan passa a ser oficializado como local de fabricação e pode desenvolver parte do processo produtivo em suas fábricas com a mesma qualidade, segurança e eficácia. 

Trata-se da mesma vacina, mas formulada e envasada no Brasil. A aprovação da produção local representa um importante passo na transferência de tecnologia entre as instituições, além de facilitar a incorporação do imunizante ao SUS. 

“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan. 

A vacina da chikungunya foi avaliada em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos nos Estados Unidos. Segundo os resultados publicados na The Lancet em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes. O imunizante foi bem tolerado e demonstrou um bom perfil de segurança, com eventos adversos leves e moderados, sendo os mais relatados dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre. 

Em fevereiro de 2026, o imunizante começou a ser aplicado no SUS em municípios que registram grande incidência da doença, a partir de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. 

Além do Brasil, a vacina da chikungunya também foi aprovada no Canadá, Europa e Reino Unido.

 

Impactos da chikungunya

A vacina do Butantan e da Valneva foi a primeira a ser registrada contra a doença no mundo. Só em 2025, a chikungunya acometeu cerca de 500 mil pessoas globalmente, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). No Brasil, foram notificados mais de 127 mil casos, com 125 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde. 

O vírus da chikungunya é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika. A doença pode causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e punhos. Outros sintomas comuns são dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. 

A principal consequência da infecção é a dor crônica nas articulações, que pode durar de meses a anos e afetar gravemente a qualidade de vida. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte observaram que pessoas afetadas pela forma crônica da doença apresentam um risco 13 vezes maior de desenvolver depressão, além de 76 vezes mais chance de ter problemas de locomoção. 

Nos Estados Unidos, um estudo conduzido com 500 pacientes na Universidade George Washington apontou que uma em cada oito pessoas diagnosticadas com chikungunya teve dor articular persistente por três anos. 

A aprovação da produção local é, portanto, mais um importante passo no enfrentamento da doença. No entanto, continua sendo importante evitar a proliferação do mosquito vetor, eliminando focos de água parada em objetos como pneus, latas e vasos de plantas. Caixas d’água, cisternas e tambores, por exemplo, devem ser mantidos fechados, orienta o Ministério da Saúde.

 

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Desinformação contribui para abandono do tratamento da asma

O Dia Mundial da Asma (05/05) deste ano traz para discussão o tema ‘Acesso ao tratamento anti-inflamatório inalado para todos com asma: uma necessidade urgente!’ O objetivo é alertar e conscientizar sobre a necessidade de garantir que todas as pessoas com asma tenham acesso aos medicamentos inalatórios essenciais para o controle da doença e a prevenção de crises. A asma afeta cerca de 260 milhões de indivíduos no mundo e é responsável por mais de 450 mil mortes anuais — a maior parte evitável quando o tratamento é contínuo e acessível. 

Segundo o coordenador do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dr. Herberto Chong, o custo dos medicamentos inalatórios e a desinformação seguem como grandes obstáculos para o tratamento da doença. “O SUS disponibiliza tratamentos inalatórios para o tratamento da asma, no entanto, o acesso ao médico especialista tem sido demorado. Além disso, enfrentamos mitos de que as ‘bombinhas’ causam dependência ou prejudicam o coração, o que não é verdade. Esse tipo de desinformação leva muitos pacientes a abandonarem o tratamento, que deve ser mantido ao longo da vida, já que é uma doença crônica e, até o momento, não tem cura. A interrupção pode gerar agravamento dos sintomas e, em situações graves, risco de morte”, afirma Dr. Chong. 

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias e pode se apresentar em formas leves, moderadas ou graves. Em todos os casos, o diagnóstico precoce e o uso correto de medicamentos são fundamentais para prevenir crises e permitir uma vida normal. Como afeta diretamente os pulmões, o uso de tratamentos inalatórios é considerado a forma mais eficaz de entregar o medicamento ao local necessário. 

Diversos fatores podem desencadear ou agravar as crises de asma, como ácaros da poeira, mofo, polens, infecções virais, excesso de peso, rinite, refluxo gastroesofágico, uso de determinados medicamentos e predisposição genética.

Principais sintomas relacionados à inflamação dos brônquios incluem: 

·         Falta de ar

·         Chiado no peito

·         Tosse

·         Sensação de cansaço

·         Dor no peito (frequentemente após esforço físico ou até mesmo ao falar e rir)



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Essity destaca que até 80% das infecções podem ser transmitidas pelas mãos

Adesão à higiene das mãos entre profissionais de saúde
não ultrapassa 60% no mundo, segundo a OMS
 FOTO DIVULGAÇÃO TORK

Segundo estudos da marca Tork, contato pelas mãos é uma das principais formas de transmissão de patógenos. 

 

A Essity, líder global em higiene e saúde, reforça a importância da higiene das mãos para a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde no contexto do Dia Mundial da Higiene das Mãos, celebrado em 5 de maio. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que 1 em cada 10 pacientes em países de renda média e baixa adquire uma infecção durante o atendimento médico. Em unidades de terapia intensiva, esse índice pode chegar a 30%. Neste ano, a OMS promove a campanha “Ação salva vidas” para conscientizar profissionais de saúde sobre a adoção da higiene das mãos como prática permanente. 

As mãos estão entre as principais formas de transmissão de infecções dentro dos serviços de saúde. Estudos da marca Tork, líder global em higiene profissional, indicam que até 80% dos patógenos podem ser disseminados pelo contato manual, tornando a higiene das mãos uma medida essencial para a segurança de pacientes e profissionais. 

A Organização Pan-Americana da Saúde alerta que as infecções relacionadas à assistência à saúde representam um desafio importante para os sistemas de saúde da América Latina, principalmente pelo aumento da resistência antimicrobiana (RAM) e dos custos hospitalares. 

Apesar disso, a adesão aos protocolos de higiene das mãos ainda é baixa. Publicações da The Lancet Infectious Diseases mostram que a taxa de cumprimento das práticas de higiene das mãos varia entre 40% e 60% no mundo. Na América Latina, os índices podem ficar entre 30% e 40%. 

Um relatório da Tork revela ainda que quase 80% dos profissionais de saúde reconhecem a necessidade de melhorar seus hábitos de higiene no ambiente de trabalho. Segundo a OMS, programas estruturados de higiene das mãos podem reduzir em até 50% a transmissão de infecções em hospitais e contribuir para o uso mais eficiente de recursos clínicos. A adesão às boas práticas, porém, depende de diferentes fatores, como disponibilidade de insumos nos pontos de atendimento, carga de trabalho das equipes e cultura organizacional das instituições. 

"A higiene das mãos é um tema que envolve toda a sociedade, não apenas os hospitais. Pequenas mudanças de hábito podem fazer diferença na prevenção de infecções e na segurança de pacientes e profissionais de saúde. Na Essity, junto com sua marca Tork, temos o compromisso de ampliar a conscientização sobre o tema e contribuir para ambientes mais seguros e saudáveis”, afirma Sarah Sampaio, Gerente Nacional de Vendas & Customer Marketing para Higiene Profissional da Essity no Brasil. 

Em um cenário de pressão constante sobre os sistemas de saúde, iniciativas voltadas à higiene das mãos seguem entre as medidas mais eficazes para reduzir infecções relacionadas à assistência à saúde, salvar vidas e otimizar recursos. Com ações focadas em inovação, educação e padrões internacionais, Essity e Tork reafirmam seu compromisso com a segurança dos pacientes e o bem-estar dos profissionais de saúde e da população em geral. Ao apoiar a campanha “Salve Vidas: Higienize suas mãos”, da OMS, a companhia contribui para fortalecer uma cultura de higiene voltada a sistemas de saúde mais seguros, resilientes e sustentáveis. 



Essity
Para mais informações, acesse o site.

 

Anvisa libera tratamento inédito para diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

Liberação marca avanço médico, mas custo e prescrição entram no radar 

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso de um novo medicamento para o tratamento de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, marcando um avanço relevante no cuidado com a doença em faixas etárias mais jovens. A decisão amplia o leque de opções disponíveis no Brasil e acompanha uma preocupação crescente com o aumento de casos entre o público infantojuvenil. 

Até então, as alternativas de tratamento para esse grupo eram mais limitadas, o que frequentemente exigia adaptações terapêuticas e acompanhamento rigoroso. Com a nova autorização, médicos passam a contar com mais uma ferramenta para controlar os níveis de glicose e reduzir os riscos de complicações associadas à doença.
 

Anna Goulart, especialista em Direito da Saúde, explica que “a aprovação pela Anvisa é o primeiro passo, pois atesta a segurança e a eficácia do fármaco para o público pediátrico, mas não gera, por si só, a obrigação imediata de custeio pelas operadoras. A regra geral no sistema de saúde suplementar é que a cobertura obrigatória se restringe aos procedimentos listados no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar”. 
 

Ela reforça que “a aprovação da Anvisa permite que o paciente exija o custeio pelo plano de saúde, inclusive pela via judicial. Para isso, é necessário comprovar cumulativamente os critérios fixados pelo STF: a prescrição médica detalhada; que o tratamento não foi expressamente negado pela ANS nem está pendente de análise; a inexistência de alternativa terapêutica adequada já disponível no rol; e a comprovação de eficácia baseada em evidências científicas de alto nível. Preenchidos esses requisitos, a operadora não pode se eximir da cobertura”. 

Do ponto de vista regulatório, a aprovação reforça a necessidade de prescrição criteriosa e acompanhamento médico constante. Especialistas alertam que, apesar do avanço, o uso do medicamento deve seguir protocolos claros, especialmente por se tratar de um público mais vulnerável. 

“A responsabilidade civil, nesse cenário, opera em duas frentes distintas, mas complementares. Para a indústria farmacêutica, a responsabilidade é objetiva, fundamentada no Código de Defesa do Consumidor. O laboratório tem a obrigação de comunicar prontamente qualquer novo risco identificado, não podendo se escudar na demora de atualizações burocráticas junto à Anvisa.  

"Na esfera médica, a responsabilidade é subjetiva. exigindo a comprovação de culpa, ou seja, negligência, imprudência ou imperícia. Contudo, ao lidar com crianças e adolescentes — sujeitos de proteção integral pelo Estatuto da Criança e do Adolescente —, o nível de exigência sobre a conduta médica é substancialmente elevado. O profissional não apenas deve prescrever a dosagem exata para a faixa etária, mas tem o dever indelegável de obter o consentimento livre e esclarecido dos pais ou responsáveis legais. Isso significa detalhar exaustivamente os riscos, benefícios e alternativas terapêuticas antes de iniciar o uso da tirzepatida. A responsabilização do médico ocorrerá caso haja falha técnica na prescrição, omissão no monitoramento clínico do paciente pediátrico ou violação desse dever de informação prévia”, detalha a especialista.  

Outro ponto sensível envolve o acesso ao tratamento. A incorporação da nova terapia na rotina dos pacientes dependerá não apenas da indicação clínica, mas também de questões como custo, cobertura por planos de saúde e eventual inclusão em políticas públicas. 

“A tirzepatida é um medicamento de alto custo e de uso contínuo, cujo valor mensal inviabiliza o custeio particular para grande maioria das famílias brasileiras. Além disso, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS - Conitec tem um histórico recente de pareceres desfavoráveis à incorporação de medicamentos análogos, como a semaglutida e a liraglutida, devido ao forte impacto orçamentário. Sem a dispensação administrativa pelo SUS, a via judicial desponta como a única alternativa para efetivar o direito à saúde”, afirma Anna Julia Goulart, que aponta que em caso de judicialização, “a ação judicial exige provas robustas: a negativa administrativa prévia; a incapacidade financeira de arcar com o custo; e, fundamentalmente, um laudo médico circunstanciado. Esse laudo deve atestar a imprescindibilidade clínica do Mounjaro, comprovar sua eficácia com base em evidências científicas e justificar por que as alternativas terapêuticas já fornecidas pelo SUS são ineficazes ou inadequadas para aquela criança específica. O registro na Anvisa, outro requisito obrigatório, já está superado com a nova aprovação”. 



Fonte: Anna Júlia Goulart - Graduada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Anna Júlia possui pós-graduação em Direito à Saúde pelo Instituto Israelita Albert Einstein e atualmente é mestranda em Direito Constitucional no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP Brasília).


Fato ou Fake: especialista esclarece dúvidas sobre obesidade e uso das canetas emagrecedoras

A convite da Inspirali, endocrinologista destaca mudança comportamental como ponto crucial para perda de peso

 

No Brasil, mais da metade da população está acima do peso, o que acende um alerta para o aumento da obesidade, doença que mais cresce no país atualmente. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde e IBGE, a doença atinge 25,9% da população, alcançando 41,2 milhões de adultos. 

Por conta disso, o debate sobre o uso das canetas emagrecedoras ganha cada vez mais destaque e muitas dúvidas sobre o tema vem surgindo. Para esclarecer o que é fato e o que é fake sobre o medicamento e obesidade, a Inspirali Pós Medicina, maior ecossistema de educação médica continuada do Brasil, convidou o Dr. Leonardo Eksterman, coordenador da pós-graduação em Obesidade e Metabolismo da Inspirali Pós Medicina. Confira: 

- “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, onde o tratamento exige olhar muito além da simples contagem de calorias, envolvendo fatores hormonais, genéticos e até a saúde mental”


Fato – Hoje muita gente ainda coloca a culpa da obesidade no paciente. São muitos fatores que levam a obesidade e existem diversos fenótipos da obesidade que levam a mecanismos diferentes de ganho de peso. A saúde mental, o comportamento, o ambiente e, claro, o equilíbrio entre o que se ganha e o que se perde em termos calóricos são fundamentais dentro do tratamento da obesidade. 

- “A genética é o único fator determinante para o sucesso ou fracasso no tratamento da obesidade.”


Fake – A genética até influencia diretamente na resposta do paciente ao tratamento. Mas a verdade é que a gente consegue desenvolver e melhorar a resposta do paciente ao tratamento da obesidade através de mudanças comportamentais, eventualmente associadas a medicamentos, e mudanças alimentares. 

- “A obesidade aumenta o risco de complicações crônicas e dislipidemias, independentemente da idade”


Fato – Temos, por exemplo, um estudo brasileiro de avaliação de risco de adolescentes com obesidade que demonstrou que a obesidade está associada ao aumento da mortalidade em adultos jovens e no aumento do risco de complicações metabólicas em pacientes jovens, como aumento em quatro vezes no risco de diabetes, por exemplo. Portanto, a diabetes, que era considerada uma doença de pessoas mais velhas ou idosas, hoje cada vez mais vemos em pacientes mais jovens. 

- “As canetas emagrecedoras servem apenas para perder peso e não trazem benefícios cardiovasculares”


Fake – Os análogos de GLP-1, como liraglutida e a semaglutida, mostraram redução significativa nos eventos cardiovasculares independente do emagrecimento, com redução de infarto não fatal, AVC não fatal e morte por doença cardiovascular. 

- “Uma vez iniciado o tratamento com injetáveis para obesidade, o paciente nunca poderá interromper o uso”


Fake – Apesar de sabermos que a obesidade é um tratamento a longo prazo e trata-se de uma doença crônica e recidivante, é claro que suspender o tratamento pode levar ao reganho de peso. Mas muitas pessoas conseguem, por meio de mudança comportamental, auxiliada eventualmente por medicamento, mudar a forma como o corpo se comporta e, assim, sustentar o peso a longo prazo.

 

Câncer de ovário tem alta letalidade e desafia diagnóstico precoce no Brasil

 

câncer de ovário possui comportamento silencioso,
o que dificulta o diagnóstico precoce da doença
 Freepik

Doença está entre as principais causas de morte entre mulheres em Ribeirão Preto, com 215 óbitos na última década, e costuma ser identificada em estágios avançados

 

A dificuldade de diagnóstico precoce segue como um dos principais entraves no combate ao câncer de ovário, tema que ganha ainda mais visibilidade em maio, mês de conscientização da doença. Em Ribeirão Preto, a doença está entre as principais causas de morte na população feminina: na última década, foram registrados 215 óbitos, o que a posiciona como o quinto tipo mais letal no município. 

O cenário local acompanha uma tendência nacional. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, mantendo a neoplasia entre as mais incidentes na população feminina. 

Um dos fatores que explicam esse quadro é o comportamento silencioso da doença. “O câncer de ovário costuma evoluir com sintomas pouco específicos, o que faz com que muitos casos sejam diagnosticados já em estágio avançado, impactando diretamente nas chances de tratamento”, comenta o oncologista Diocésio Andrade. 

Entre os sinais que podem indicar a doença estão inchaço abdominal persistente, desconforto pélvico e alterações intestinais. O médico destaca que outros sintomas também podem estar associados, como sensação de plenitude, náuseas, fadiga incomum, dor nas costas e perda ou ganho de peso sem explicação. “Por serem manifestações comuns do dia a dia, muitas pacientes demoram a buscar avaliação. O alerta deve acender quando esses sintomas se tornam frequentes ou persistentes”, afirma. 

Outro desafio está na ausência de um exame de rastreamento eficaz, como ocorre em outros tipos de neoplasia. “O câncer de ovário não possui um método de detecção específico, o que contribui para o diagnóstico tardio. Quando identificado em fases iniciais, o tratamento costuma envolver cirurgia, podendo ou não ser associado à quimioterapia, a depender da evolução do quadro”, explica o médico. 

A maior parte dos casos ocorre em mulheres acima dos 50 anos, especialmente no período pós-menopausa. Em Ribeirão Preto, cerca de 94% das mortes registradas na última década foram nessa faixa etária. Além disso, fatores genéticos também aumentam o risco, principalmente em pacientes com histórico familiar de câncer de mama ou de ovário. Nesses casos, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao reparo do DNA, estão presentes em cerca de 15% a 20% dos diagnósticos. 

“A atenção aos sinais do corpo e o acompanhamento médico regular fazem diferença, principalmente quando há histórico familiar ou sintomas persistentes. Quanto mais cedo houver investigação, maiores são as chances de um tratamento mais eficaz”, reforça o oncologista Diocésio Andrade

 

A importância da vitamina B12 na saúde moderna

A vitamina B12, tradicionalmente associada apenas à prevenção de anemia, vem ganhando destaque como peça-chave na saúde integral. Em um cenário marcado pelo aumento das cirurgias bariátricas, envelhecimento populacional e maior procura por terapias de reposição hormonal, especialistas alertam para o crescimento dos casos de deficiência desse nutriente — muitas vezes silenciosa, mas com impactos relevantes no organismo.

Essencial para a formação de glóbulos vermelhos, funcionamento do sistema nervoso e metabolismo energético, a B12 também tem sido observada como aliada no equilíbrio hormonal. "Níveis adequados da vitamina podem influenciar diretamente a disposição, a cognição e o bem-estar geral, fatores frequentemente relatados por pacientes em terapias hormonais", relata Izabelle Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), cientista, farmacêutica, especialista em reposição hormonal, CEO e co-fundadora da bio meds Brasil. 

A deficiência de B12 pode se manifestar com sintomas inespecíficos, como fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações de memória e formigamentos. Em alguns casos, esses sinais são confundidos com estresse, depressão ou envelhecimento natural, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento.

Entre os grupos de maior risco estão os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Procedimentos como o bypass gástrico comprometem a absorção da vitamina, tornando necessária a suplementação contínua. Sem acompanhamento adequado, a deficiência pode evoluir para quadros de anemia e até danos neurológicos irreversíveis. Outro ponto de atenção é a crescente adoção de dietas restritivas, especialmente as que excluem alimentos de origem animal, principais fontes de B12. Idosos também merecem atenção, já que a absorção do nutriente tende a diminuir com o avanço da idade.


Como organizar a rotina para manter bons níveis de vitamina B12 no organismo?

Manter a vitamina B12 em níveis adequados envolve uma combinação de alimentação planejada, acompanhamento profissional e, quando necessário, a reposição hormonal. Algumas estratégias gerais que frequentemente são adotadas:

* Incluir fontes regulares de B12 nas refeições, de acordo com o padrão alimentar de cada pessoa;

* Realizar exames periódicos de sangue quando houver fatores de risco ou sintomas suspeitos;

* Adequar a forma de suplementação (oral ou injetável) conforme orientação profissional, quando indicada;

* Avaliar o uso prolongado de medicamentos que possam interferir na absorção, sempre com acompanhamento médico;

* Observar sintomas como cansaço persistente, formigamentos e alterações de memória, buscando investigação quando necessário.

Diante desse cenário precisamos focar na importância da avaliação regular dos níveis de vitamina B12, especialmente em populações de risco. A suplementação, quando indicada, pode ser feita por via oral ou intramuscular, dependendo da necessidade individual. A discussão sobre a vitamina B12 reforça a importância de uma abordagem preventiva e integrada da saúde, na qual a investigação de micronutrientes passa a ocupar papel central no cuidado clínico e na qualidade de vida dos pacientes.

 

Dia das Mães: 9 em cada 10 brasileiras relatam esgotamento mental na maternidade

Com sobrecarga diária, culpa constante e risco aumentado de depressão pós-parto, saúde mental materna ainda é negligenciada e impacta diretamente o desenvolvimento dos filhos
 

O Dia das Mães, celebrado em 10 de maio, vai além das homenagens: a maternidade tem sido uma das principais situações de risco para a saúde mental da mulher. Dados recentes mostram um cenário preocupante no Brasil, com altos índices de esgotamento emocional, sobrecarga e sofrimento psicológico.

A primeira pesquisa brasileira sobre burnout parental, realizada em 2024 pela comunidade B2Mamy em parceria com a Kiddle Pass, revelou um dado alarmante: 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental relacionado à maternidade. O levantamento, que ouviu cerca de 2 mil mulheres, identificou que apenas uma pequena parcela não apresenta sinais relevantes de exaustão.

Os dados mostram diferentes níveis desse esgotamento: cerca de 44% das mães apresentam sinais moderados, 33% leves e mais de 9% já estão em estágio grave, indicando um quadro amplo e progressivo de sofrimento emocional.

O impacto vai além do cansaço. A depressão pós-parto atinge cerca de 20% a 25% das mulheres no Brasil, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde do Brasil. Em casos mais graves, transtornos mentais no período perinatal podem incluir pensamentos suicidas ou comportamentos de automutilação, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A maternidade ainda é romantizada, mas os números mostram uma realidade muito diferente. Existe uma cobrança social intensa para que a mulher dê conta de tudo com leveza e felicidade constante, e isso gera um sofrimento silencioso”, explica Isa Minatel, neuropsicopedagoga e autora dos best-sellers Crianças Sem Limites e Temperamentos Sem Limites.

Segundo a especialista, muitas mães vivem presas a crenças que reforçam esse sofrimento. “Uma das mais comuns é acreditar que são incompetentes ou que o filho é ‘difícil’, quando na verdade faltam ferramentas para lidar com situações desafiadoras. Isso alimenta um ciclo de culpa, exaustão e insegurança”, afirma.

A culpa materna, inclusive, aparece como um dos sentimentos mais frequentes. Para Isa, ela não deve ser ignorada, mas compreendida. “A culpa funciona como um sinal interno, como a luz do combustível no carro. Ela indica que algo precisa ser ajustado. O problema é quando essa culpa vira constante e paralisa, ao invés de orientar mudanças.”

Além da pressão interna, fatores externos agravam o quadro. A falta de rede de apoio, especialmente entre mães solo ou em situação de vulnerabilidade, aumenta significativamente o risco de adoecimento mental. A chamada dupla jornada, que combina trabalho profissional e cuidados com a casa e os filhos, também contribui para o desgaste.

Outro ponto de atenção é a dificuldade em diferenciar condições emocionais comuns do puerpério. O chamado “baby blues”, caracterizado por tristeza leve e passageira, não deve ser confundido com a depressão pós-parto, que exige acompanhamento especializado. “A depressão não é fraqueza, é uma condição de saúde que precisa ser tratada”, reforça a especialista.

Os impactos dessa realidade não se limitam à mãe. Estudos apontam que a saúde mental materna está diretamente relacionada ao desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, conforme reforça a Organização Mundial da Saúde.

Diante desse cenário, Isa Minatel reforça a importância de buscar ajuda profissional, como psicólogos, especialistas em parentalidade e psiquiatras, além de fortalecer a rede de apoio familiar. Falar sobre o tema, inclusive, é parte essencial da mudança.

“Não se trata de ser uma mãe perfeita, mas de ter acesso a conhecimento, suporte e ferramentas que realmente funcionem. Quando a mãe está melhor, toda a dinâmica familiar muda”, finaliza. 


Isa Minatel - neuropsicopedagoga, autora dos best-sellers “Crianças Sem Limites”, “Temperamentos Sem Limites” e das obras recém-lançadas “Filho não vem com manual” e “Disciplina do Equilíbrio”. Com mais de 15 mil alunos em seus cursos. Isa Minatel já soma mais de 1 milhão de pessoas em suas redes sociais. Criadora da metodologia Disciplina do Equilíbrio, Isa impacta famílias, escolas e profissionais no Brasil e no exterior, integrando ciência, vínculo e espiritualidade em sua abordagem. isa.minatel


Maio Verde alerta para doença silenciosa que pode levar à cegueira

Exames como tomografia de coerência óptica,
 campimetria e gonioscopia ajudam a identificar alterações  
Crédito: Isabelle Venceslau

Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce do glaucoma, que não apresenta sintomas nas fases iniciais

 

O mês de maio ganha um tom de alerta na área da saúde ocular com a campanha Maio Verde, dedicada à conscientização sobre o glaucoma, uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. A mobilização está diretamente ligada ao Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, celebrado em 26 de maio desde 2002, marco que consolidou a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo da doença no país. 

A campanha surgiu com o objetivo de ampliar o acesso à informação e incentivar a população a realizar exames oftalmológicos regularmente, diante de um cenário preocupante. Estima-se que milhões de pessoas convivam com o glaucoma sem saber, justamente pelo caráter silencioso da doença. Ao longo dos anos, a iniciativa passou a mobilizar entidades médicas, instituições públicas e privadas em ações educativas, eventos e campanhas de orientação. 

Silenciosa e progressiva, a doença costuma avançar sem sinais perceptíveis, o que torna o diagnóstico precoce decisivo para preservar a visão. De acordo com o oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho, o glaucoma afeta diretamente o nervo óptico e tem como principal fator de risco o aumento da pressão intraocular. “Na maioria dos casos o paciente não sente nada no início. A perda visual começa pela periferia e evolui de forma lenta, o que dificulta a percepção. Quando há sintomas, a doença já pode estar em estágio avançado”, explica.

 

Sem reversão 

A campanha Maio Verde busca justamente chamar a atenção para esse comportamento silencioso. Sem acompanhamento adequado, o glaucoma pode evoluir para a cegueira, sem possibilidade de reversão. “A visão perdida não pode ser recuperada. Por isso, identificar precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes é fundamental para evitar a progressão”, destaca o especialista. 

Entre os principais fatores de risco estão a pressão intraocular elevada, histórico familiar, idade acima de 40 anos, diabetes, miopia alta e o uso prolongado de corticoides. Embora seja mais comum após os 40 anos, o glaucoma também pode atingir jovens, crianças e até bebês, dependendo do tipo. 

O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação oftalmológica completa, que inclui a medição da pressão intraocular e a análise detalhada do nervo óptico. Exames como tomografia de coerência óptica, campimetria e gonioscopia ajudam a identificar alterações e são fundamentais para o correto acompanhamento.

 

Com controle 

O tratamento pode envolver o uso de colírios, procedimentos a laser ou cirurgia, sempre com o objetivo de controlar a doença e preservar a visão existente. “Os colírios ainda são a primeira linha, mas o laser tem ganhado espaço por sua eficácia e segurança. A cirurgia é indicada em casos mais avançados ou quando não há resposta adequada às outras abordagens”, enfatiza. 

Mesmo sem sintomas, a recomendação do Dr. Rodrigo Carvalho é que a população mantenha consultas regulares com o oftalmologista. Para pessoas sem fatores de risco, a avaliação anual é suficiente. Já aqueles com maior predisposição devem seguir um acompanhamento individualizado.

 

Sobre o Dr. Rodrigo Carvalho 

Rodrigo T. de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) é médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.



Alpha Oftalmologia Avançada 
Saiba mais: @dr_rodrigotccarvalho
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Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

·         É essencial que o ginecologista avalie as massas pélvicas

·         Maio é o mês da conscientização do câncer no ovário

·         08 de maio é o Dia Mundial do Câncer no Ovário

 

O câncer de ovário é hoje o tumor ginecológico mais letal entre as mulheres. Embora não seja o mais frequente, é o que mais mata dentro da ginecologia oncológica, principalmente porque, na maioria dos casos, o diagnóstico acontece tardiamente, quando a doença já está em estágio avançado.

 

De acordo com o ginecologista Dr. Ricardo dos Reis, membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, entre 70% e 80% das pacientes recebem o diagnóstico apenas nos estágios 3 ou 4 da doença. “Isso confere uma agressividade muito maior ao quadro. Infelizmente, nas fases iniciais, o câncer de ovário costuma não apresentar sintomas ou provoca manifestações muito leves e inespecíficas, como desconforto abdominal discreto ou alteração do hábito intestinal, que podem ser confundidas com diversos outros problemas”, explica.

 

Essa característica torna o diagnóstico precoce um dos maiores desafios da doença. Ao contrário do que ocorre com o câncer do colo do útero e com o câncer de mama, o câncer de ovário ainda não conta com um exame de rastreamento comprovadamente eficaz para detectar a doença de forma precoce e reduzir a mortalidade.

 

Segundo o especialista, o ultrassom transvaginal tem papel importante na investigação de dor pélvica ou na avaliação de uma suspeita de lesão ovariana, mas não funciona como exame de rastreamento populacional. “Ele é muito útil para avaliar massas ovarianas e ajudar na definição da conduta, inclusive cirúrgica. Mas, quando feito de rotina em mulheres sem suspeita clínica, não mostrou benefício em termos de diagnóstico precoce nem aumento de sobrevida”, afirma.

 

Essa conclusão é respaldada por grandes estudos internacionais que avaliaram o rastreamento da doença. Entre eles estão o estudo americano PLCO Trial e o europeu UKCTOCS, que analisaram o uso rotineiro de ultrassom transvaginal associado ao marcador tumoral CA-125. Os resultados mostraram que a estratégia não levou à redução da mortalidade, motivo pelo qual os consensos internacionais atuais não recomendam exames de rastreamento para o câncer de ovário.

 

Na prática, isso significa que muitos diagnósticos ainda acontecem por acaso, quando a paciente procura atendimento por sintomas vagos ou durante a investigação de uma massa pélvica identificada em exame de imagem. “Não há como fazer o diagnóstico precoce dessa doença de forma rotineira. Infelizmente, ainda não temos para o câncer de ovário algo equivalente ao que existe para colo uterino ou mama”, reforça Dr. Ricardo.

 

Diante desse cenário, o especialista destaca a importância do papel do ginecologista geral na abordagem inicial de massas pélvicas. Esse será, inclusive, o tema de sua aula no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece em maio, em Belo Horizonte.

 

A proposta é discutir a chamada cirurgia em two steps para câncer de ovário. “Nesse modelo, o primeiro passo pode ser realizado pelo ginecologista geral, desde que sejam respeitados os princípios oncológicos. A partir da identificação de uma massa pélvica suspeita, é possível fazer a abordagem inicial, preferencialmente por laparoscopia quando indicada, e estabelecer o diagnóstico. Confirmado o câncer, a paciente deve então ser encaminhada a um centro de referência, onde será submetida ao estadiamento adequado e ao tratamento definitivo”, explica o ginecologista.

 

Para Dr. Ricardo dos Reis, esse fluxo é essencial para ampliar a chance de manejo correto desde o início. “O ginecologista geral pode ter um papel importante na abordagem diagnóstica inicial da massa pélvica. Já a cirurgia de estadiamento e o tratamento definitivo devem ser realizados em centros especializados, para garantir que a paciente receba a melhor condução possível”, conclui.



63º CBGO

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026

#CBGO2026

Data: 27 a 30 de maio de 2026

Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais

 

Outono eleva casos de olho seco e alerta para uso incorreto de colírios

Com queda da umidade do ar e aumento das queixas oculares, especialista alerta que o uso inadequado de colírios pode causar complicações e até agravar doenças

 

A chegada do outono no Brasil marca não apenas a queda das temperaturas, mas também uma mudança importante na saúde ocular da população. Com o ar mais seco, aumento da poluição e maior exposição a ambientes fechados, cresce o número de pessoas com sintomas como ardência, vermelhidão, coceira e sensação de areia nos olhos, sinais clássicos da síndrome do olho seco.

Nesse cenário, o uso de colírios se torna mais frequente. No entanto, o que muitos encaram como um recurso simples pode representar riscos quando utilizado de forma inadequada. “Colírio não é um produto inocente. Ele é um medicamento e, como qualquer outro, precisa ser usado com critério”, explica o oftalmologista Dr. Hallim Feres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Clínica Prisma Visão.

Diante do aumento da automedicação e do uso contínuo durante os meses mais secos do ano, o especialista elenca cinco cuidados essenciais para evitar complicações.


1-Validade não termina na embalagem fechada
A data impressa na caixa considera o frasco lacrado. Depois de aberto, o tempo de uso muda. Ignorar esse detalhe pode favorecer contaminações e reduzir a eficácia do produto.


2. Colírio aberto tem prazo curto
Após a abertura, a maioria dos colírios deve ser descartada em 30 a 60 dias. “É como um alimento: abriu, começa a contar um novo prazo”, explica o médico. O uso fora desse período aumenta o risco de infecção ocular.


3. Higiene antes da aplicação é indispensável
Lavar as mãos antes de manusear o frasco evita levar bactérias diretamente aos olhos. A aplicação correta também faz diferença: uma única gota, no local adequado, já é suficiente na maioria dos casos.


4. A ponta do frasco não pode tocar o olho
Encostar o aplicador nos olhos ou na pele pode contaminar o conteúdo. “Esse é um erro comum e perigoso, principalmente em uso frequente”, alerta.


5. Colírio não se compartilha
Assim como escova de dentes, colírio é de uso individual. Micro-organismos podem ser transmitidos com facilidade, aumentando o risco de conjuntivite e outras infecções.


Lubrificante com ou sem conservante: qual escolher?

Com o aumento do uso durante o outono, surge uma dúvida comum. Segundo o especialista, colírios lubrificantes tradicionais contêm conservantes para evitar contaminação. O problema é que, em uso frequente, essas substâncias podem irritar a superfície ocular.

“Para quem precisa pingar várias vezes ao dia, o ideal são versões sem conservantes, que vêm em embalagens específicas que impedem a entrada de ar e micro-organismos”, explica.

Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de colírios medicamentosos. Anti-inflamatórios e outras classes, quando usados sem orientação, podem levar a complicações como glaucoma e catarata precoce.

Além disso, algumas substâncias podem ter efeitos sistêmicos. “Existem colírios que podem causar alterações como taquicardia e até impacto respiratório. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental”, reforça.

Com a tendência de intensificação dos sintomas oculares nos próximos meses, a automedicação, especialmente em períodos de clima seco, pode transformar um desconforto simples em um problema de saúde mais sério. “Se o sintoma persiste, não é normal. É sinal de que precisa ser investigado”, finaliza o oftalmologista

 


Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologia Geral. Cirurgia Refrativa. Ceratocone. Catarata. Pterígio. Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa. Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery. Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology

 

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