Médica Veterinária
explica os cuidados essenciais para proteger a saúde de humanos e do próprio
animal resgatado
Resgatar um animal em situação de rua é um gesto de
empatia, mas exige cuidado e atenção logo nos primeiros momentos. Dados do
Instituto Pet Brasil indicam que cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivem em
situação de vulnerabilidade no Brasil, incluindo animais abandonados ou sem um
tutor definido. Desse total, pouco mais de 201 mil estão sob os cuidados de
ONGs que atuam no resgate e assistência básica, o que evidencia o grande
desafio diante da capacidade limitada dessas instituições.
Diante desse cenário, é comum que muitas pessoas
queiram ajudar ao encontrar um animal na rua. No entanto, o primeiro contato
exige atenção e cuidados específicos para garantir a segurança de todos os
envolvidos.
De acordo com Victória Bório, professora do curso
de Medicina Veterinária do IBMR, integrante do maior e mais inovador
ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, o principal ponto é
entender que o animal pode representar riscos, mesmo que aparente ser dócil.
“É fundamental considerar que esse animal pode ter
alguma doença, sendo ela zoonótica ou não, ou seja, podendo ser transmitida
para humanos ou outros animais. Por isso, antes de qualquer aproximação, é
importante observar o comportamento, se há lesões aparentes e o estado
nutricional”, explica.
A especialista destaca que o comportamento do
animal é um dos principais indicativos de como agir. Animais muito assustados
ou agressivos podem reagir com ataques, o que representa risco direto para quem
tenta ajudar.
“Caso o animal apresente comportamento irascível, o
ideal é não tentar contato direto. Nesses casos, a recomendação é acionar
órgãos públicos da região, já que pode se tratar de um risco à saúde pública.
Se for um animal silvestre, o encaminhamento deve ser feito a órgãos
específicos”, orienta.
Outro ponto essencial é evitar o contato imediato
com animais domésticos. Mesmo após o resgate, o animal encontrado não deve ser
colocado junto aos pets da casa sem avaliação prévia. “Evite colocar o animal
resgatado em contato com outros animais antes dele passar por uma consulta
veterinária. Além disso, não é recomendado tocar em lesões sem o uso de luvas,
para evitar contaminações”, alerta.
Identificar sinais de urgência também pode fazer a
diferença no prognóstico do animal. Dificuldade de locomoção, presença de
feridas visíveis e estado nutricional debilitado são indicativos claros de que
o atendimento veterinário deve ser imediato.
A avaliação profissional, segundo Victoria, é
indispensável nesse processo, tanto para garantir a saúde do animal quanto para
prevenir riscos. “A avaliação veterinária é extremamente importante para
detectar possíveis doenças transmissíveis e avaliar a estabilidade do paciente.
Os exames vão depender da condição clínica, mas, em geral, incluem hemograma,
bioquímica e testes rápidos para doenças como parvovirose, cinomose e
leishmaniose”.
Ela também ressalta que, dependendo dos sintomas, podem ser necessários exames complementares, como raio-x, ultrassonografia e até endoscopia. Diante de uma situação de resgate, a orientação é clara: ajudar é importante, mas com responsabilidade. Informação e cautela são os primeiros passos para garantir um desfecho seguro para todos.
Centro Universitário IBMR
Ânima Educação
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