Médica-veterinária da UniFAJ dá dicas para evitar
imprevistos e tornar esse momento divertido e inesquecívelMariana (à dir.) em passeio com a família na Rota da Estrada Real (MG
) Crédito da imagem: Arquivo pessoal
As
férias de fim de ano estão chegando e muita gente aproveita esse período para
fazer aquela viagem em família. E, nesse momento de puro descanso e diversão, é
possível levar também o animalzinho de estimação. Com alguns cuidados antes e
durante o trajeto, esse momento tende a ser inesquecível também para o pet.
Em 2024, dados das companhias aéreas indicaram que mais de 100 mil pets
viajaram ao lado de seus donos – 15% a mais que no ano anterior. Essa é uma
rotina comum na vida da designer de experiência Mariana Corrér, de 36 anos.
Toda vez que a viagem é de carro, Giovanna e Maya, duas vira-latas de 1 e 7
anos, embarcam juntas. No dia 20 de dezembro, elas iniciam uma nova aventura,
saindo de Indaiatuba/SP com destino as cidades da região Serrana do Rio de Janeiro,
num total de 1.590km em 16 dias de passeio.
“É
sempre uma experiência maravilhosa envolvê-las em minhas viagens, pois são
membros da nossa família. Eu trabalho em casa e a gente fica juntas o dia
inteiro. Tudo que vou fazer procuro levá-las comigo, seja em passeios ao ar
livre, no shopping ou em restaurantes. Daí, sempre busco lugares que são pet
friendly”, conta.
“Eu
gosto muito de viajar, me faz muito bem, então poder compartilhar esses
momentos com elas é algo muito valioso e torna-os ainda mais especiais. Eu não
conseguiria passar tanto tempo longe delas.”
A
médica-veterinária e docente do curso
de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ),
Dra. Aline Ambrogi, salienta que o primeiro ponto a ser avaliado para essa decisão
é a idade do animal.
“O
ideal é que eles viajem após completarem o protocolo inicial de vacinação,
geralmente a partir de 16 semanas (4 meses). Antes disso, cães e gatos ainda
não possuem proteção adequada contra doenças infecciosas”, alerta. “Filhotes
mais novos só devem viajar em situações realmente necessárias e com orientação
direta do médico-veterinário.”
Os
cães devem estar imunizados com a vacina polivalente (V8 ou V10), que previne
doenças graves como cinomose e parvovirose; a vacina antirrábica (raiva),
obrigatória em todo território nacional; e a vacina contra a tosse dos canis
(gripe canina), doença altamente contagiosa e comum em ambientes com grande
circulação de animais, como hotéis e praias.
No caso dos gatos, é importante que estejam com as vacinas tríplice (V3) ou
quádrupla (V4/V5) e a antirrábica em dia.
“A
vermifugação e o controle parasitário são obrigatórios tanto para cães quanto
para gatos, incluindo vermífugos gastrointestinais e controle contra pulgas,
carrapatos e mosquitos. Isso é fundamental para prevenir dirofilariose,
leishmaniose e doenças transmitidas por carrapatos e pulgas”, destaca Aline.
Documentação deve estar em dia
Com
vacinas e vermífugos atualizados, o próximo passo é juntar toda a documentação
do animal. Para viagens nacionais, geralmente é exigida a carteira de vacinação
atualizada, com destaque para a vacina antirrábica válida. Também é necessário
o atestado de saúde, emitido exclusivamente por médico-veterinário –, com
validade de 7 a 10 dias antes da viagem.
Em
viagens de ônibus, as empresas podem exigir caixa de transporte adequada e
documentação de vacinação.
Se
a viagem for de avião, o tutor deve apresentar o atestado de saúde recente (3 a
10 dias, dependendo da companhia), a carteira de vacinação com antirrábica
válida e o laudo de aptidão ao transporte (quando solicitado). Podem ser
exigidos ainda documentos específicos para transporte na cabine ou no porão.
Para
voos internacionais, a companhia aérea pode solicitar microchip, sorologia da
raiva, o Certificado Veterinário Internacional (CVI) e documentos adicionais do
país de destino. “É fundamental que o tutor consulte a companhia aérea com
antecedência”, reforça Aline.
Chegou a hora de partir: como transportar o pet?
Segundo
a médica-veterinária
da UniFAJ, essa pode ser a etapa mais importante, pois
envolve a segurança do animal. Se a família viajar de carro, cães e gatos podem
ser levados em caixa de transporte, com cinto de segurança ou em cadeirinha
específica para pets.
“O
importante é nunca transportar o bichinho de estimação no colo ou solto no
carro. Também é essencial evitar que o animal fique com a cabeça para fora da
janela do veículo, pois, além do risco de acidente, pode acarretar infração de
trânsito”, alerta Aline. A prática está prevista no artigo 235 do Código de
Trânsito Brasileiro (CTB) e prevê multa grave no valor de R$ 195,23 e 5 pontos
na CNH.
Caso
a viagem seja de ônibus, é fundamental que o pet esteja bem acomodado em caixa
de transporte rígida e bem ventilada.
Em
viagens de avião, animais de pequeno porte podem ir na cabine, acomodados em
uma caixa macia adequada ao seu tamanho. Os pets de grande porte viajam no
porão climatizado, em caixa compatível com o tamanho do animal. Todas as caixas
devem seguir as normas da International Air Transport Association (IATA).
Conforto e comodidade durante o trajeto
Para
que a viagem seja realmente inesquecível com o “melhor amigo”, é importante que
ela seja confortável, especialmente durante o percurso.
Nas
viagens terrestres, além de transportar o animal com segurança, o tutor deve
levar a ração habitual do pet para evitar distúrbios gastrointestinais.
“O
recomendado é alimentar o animal de 2 a 3 horas antes da saída e, durante o
trajeto, ofertar pequenas quantidades a cada 4 a 6 horas, conforme a tolerância
do animal. Já a água deve ser ofertada com frequência, a cada 1 a 2 horas”,
orienta Aline.
Em
viagens de avião, não é recomendado oferecer comida durante o voo. O tutor deve
alimentar o animal 3 horas antes para evitar náuseas. A água pode ser deixada
em recipientes presos à caixa, especialmente em voos longos. “Evite
tranquilizantes sem prescrição veterinária, pois não são recomendados”, reforça
Aline.
Durante
viagens terrestres, é fundamental fazer paradas a cada 2 horas. Esse momento é
importante para a oferta de água, para que o cão faça suas necessidades
fisiológicas e para caminhadas breves.
Os
felinos devem permanecer seguros na caixa, mas podem ter breves pausas em
ambiente totalmente controlado, evitando qualquer risco de fuga.
10 dicas para
a viagem ser agradável ao pet
1 – Realize
avaliação veterinária antes da viagem;
2 – Mantenha
vacinas e antiparasitários atualizados;
3 – Não dê
alimentos que o pet não esteja acostumado a comer;
4 – Faça a
identificação do animal
5 – Garanta
sombra, hidratação e pausas frequentes;
6 – Evite passeios
nos horários mais quentes;
7 – Utilize
protetor solar veterinário em áreas sensíveis do animal;
8 – Leve kit de
primeiros socorros;
9 – Respeite a
individualidade do pet, alguns se assustam com ambientes agitados;
10 – Nunca force
interação, aglomeração ou exposição excessiva ao calor.
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