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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MULHERES EM SETORES DOMINADOS POR HOMENS: NÃO É PRECISO AGIR COMO HOMEM PARA LIDERAR

  

Para conquistar autoridade em ambientes profissionais tradicionalmente masculinos, muitas mulheres ainda sentem que precisam provar sua competência antes mesmo de terem suas habilidades reconhecidas

 

Durante muito tempo, ocupar espaços profissionais dominados por homens significou, para muitas mulheres, enfrentar uma exigência que ia além da competência: era preciso provar que aquele lugar também pertencia a elas. 

Em alguns casos, essa pressão vinha acompanhada de outra expectativa: a de que, para serem respeitadas, mulheres precisariam adotar comportamentos associados ao universo masculino. Falar mais alto, endurecer a postura, esconder características pessoais ou evitar demonstrar vulnerabilidade. A experiência de Márcia Santos, fundadora da Aliare Consultoria e especialista em modernização e automação de serviços de lavagem automotiva, mostra que esse não precisa ser o caminho. 

Com uma trajetória profissional construída em ambientes nos quais mulheres ainda são minoria, Márcia desenvolveu autoridade sem abrir mão da própria identidade. Para ela, conhecimento, posicionamento, relacionamento e consistência são ferramentas mais importantes do que tentar reproduzir comportamentos masculinos. 

Engravidou aos 17 anos e aos 27, após o nascimento do seu segundo filho e sem uma formação acadêmica tradicional, foi trabalhar com o então marido no transporte público como motorista de lotação, em um universo formado por cerca de 800 homens e apenas três mulheres.  Foi nesse cenário que desenvolveu habilidades que mais tarde se tornariam fundamentais em sua carreira: compreender pessoas, construir confiança e estabelecer relacionamentos. 

Anos depois, Márcia migrou para a área comercial no segmento de postos de combustíveis. Ao identificar os desafios dos processos tradicionais de lavagem de veículos, especialmente relacionados ao desperdício de recursos e à eficiência operacional, passou a estudar soluções de reaproveitamento de água e tecnologias automatizadas. Com o tempo, tornou-se especialista na modernização dessas operações. 

A construção dessa autoridade, no entanto, não aconteceu sem que sua competência fosse questionada. 

Em uma reunião com um empresário do setor, ao apresentar suas análises sobre uma solução operacional, Márcia ouviu: “Quando você entender de máquina, a gente conversa”. A resposta não veio na forma de um confronto. “Minha resposta veio com o tempo, com o conhecimento adquirido, com os resultados entregues e com a confiança construída junto aos clientes”, explica. 

Para ela, a situação representa uma experiência ainda comum para mulheres que atuam em áreas técnicas e setores tradicionalmente masculinos. “Muitas mulheres ainda precisam conquistar uma credibilidade que homens frequentemente recebem antes mesmo de demonstrarem sua capacidade. O conhecimento é uma das principais ferramentas para construir autoridade, mas ele precisa estar acompanhado de posicionamento e coragem para defender ideias”, afirma. 

Confira 5 atitudes que ajudam mulheres a conquistar espaço em setores dominados por homens, segundo Márcia Santos:

 

1. Conheça profundamente o seu mercado

A preparação técnica aumenta a segurança para participar de decisões, apresentar argumentos e defender ideias. O conhecimento não elimina todos os questionamentos, mas oferece uma base sólida para enfrentá-los.

 

2. Não tente provar que é mais masculina

Mulheres não precisam abandonar sua personalidade ou reproduzir comportamentos masculinos para serem respeitadas. Liderança está relacionada à capacidade de tomar decisões, construir relações e entregar resultados.

 

3. Aprenda a ocupar espaço nas conversas

Ouvir e analisar são habilidades importantes, mas posicionar-se também faz parte da construção profissional. Ter conhecimento e não apresentar suas ideias pode fazer com que sua contribuição permaneça invisível. “Se houver uma mulher em uma reunião, sempre darei lugar de fala a ela mesmo sabendo que por muitas vezes a opinião dela não será levado em conta mas reiterarei o que ela comentar. As mulheres têm percepções importantes e muitas vezes não são levadas em conta em grandes corporações ou até quando o sócio é o marido”, diz Márcia.

 

4. Deixe a consistência construir sua credibilidade

A confiança não é conquistada em uma única reunião. Ela se forma ao longo do tempo, a partir da qualidade das entregas, da postura profissional e da capacidade de construir relacionamentos.

 

5. Não recue quando sua competência for questionada

Posicionamento não significa confronto. Significa ter segurança para apresentar argumentos, defender ideias e continuar avançando mesmo quando alguém tenta reduzir sua capacidade a um estereótipo. 

Para Márcia, mulheres em setores tradicionalmente masculinos não são uma exceção que precisa ser justificada. São profissionais preparadas para inovar, liderar e transformar negócios. “A maior conquista será quando ninguém mais questionar se uma mulher pertence ao lugar que conquistou. Até lá, precisamos continuar ocupando esses espaços sem acreditar que, para sermos respeitadas, precisamos deixar de ser quem somos”, conclui.


 

Transformação digital na indústria: 5 sinais de que a engenharia de software impulsiona a Indústria 4.0

Durante muito tempo, a transformação digital na indústria esteve associada à adoção de tecnologias como automação, IoT, computação em nuvem e inteligência artificial. Embora essas ferramentas sejam fundamentais, tenho observado que o verdadeiro diferencial competitivo está na capacidade de integrá-las para gerar resultados concretos para o negócio.

Na prática, sensores, plataformas digitais e sistemas corporativos só entregam valor quando operam de forma integrada, segura e escalável. Por isso, a engenharia de software vem assumindo um papel cada vez mais estratégico na Indústria 4.0.

Ao acompanhar projetos de transformação digital, percebo sinais claros de que a engenharia de software deixou de ser apenas um suporte tecnológico e passou a ser um dos principais motores da inovação industrial.


1. Dados existem, mas continuam desconectados

As indústrias geram e armazenam grandes volumes de dados, mas essas informações frequentemente permanecem isoladas em silos e sistemas que não se comunicam adequadamente. Arquiteturas modernas, APIs e integrações padronizadas são fundamentais para conectar diferentes fontes de informação e transformar dados em conhecimento acessível para a tomada de decisão.


2. A inteligência artificial ainda não entende o negócio

Existe uma grande expectativa em torno da inteligência artificial, mas seu valor depende da capacidade de acessar dados, processos e regras de negócio da organização. Sem uma integração estruturada e segura, a IA pode gerar respostas sofisticadas, porém pouco relevantes para a realidade operacional.


3. A automação ainda para onde a decisão começa

Muitas organizações já automatizam tarefas repetitivas, mas os processos ainda dependem de intervenção humana quando é preciso interpretar informações ou tomar decisões. Vejo que o próximo estágio da transformação digital será marcado por soluções capazes de conectar dados, sistemas e ações de forma coordenada, aproximando inteligência e operação.


4. O diferencial está na arquitetura e na capacidade de escalar

Em muitos projetos, o foco ainda está na tecnologia. Porém, ferramentas e plataformas, por si só, raramente resolvem o problema. O verdadeiro diferencial está na arquitetura que conecta dados, sistemas, integrações e inteligência artificial, permitindo que iniciativas de inovação evoluam com segurança, governança e escala.


5. Transformação digital não é responsabilidade apenas da TI

As organizações que mais avançam na Indústria 4.0 enxergam software, dados e inteligência artificial como ativos estratégicos do negócio. Nesses casos, a transformação digital deixa de ser uma iniciativa exclusivamente tecnológica e passa a envolver liderança, operações e estratégia corporativa na geração de valor.

Estamos entrando em uma nova fase da transformação digital em que a tecnologia continua sendo essencial, mas o diferencial competitivo passa a estar na capacidade de integrar, orquestrar e escalar essas tecnologias de forma eficiente. 



André Junges - Chief Revenue Officer (CRO) do Grupo Supero, empresa especializada em engenharia de software, inteligência artificial aplicada e transformação digital. Com sólida experiência em estratégia comercial, crescimento de negócios e inovação tecnológica, atua na liderança da expansão da companhia e na conexão entre tecnologia e resultados empresariais. Sua atuação está focada em ajudar organizações a transformar desafios complexos em oportunidades de crescimento por meio da adoção prática de IA, automação e soluções digitais. É fonte para temas relacionados à transformação digital, inteligência artificial, inovação, estratégia de negócios e tendências do mercado de tecnologia.


Grupo Supero
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Volta às aulas: IA gratuita apresenta recursos para apoiar a rotina e o aprendizado no ensino superior

Ferramenta Luzia integra função de Rotinas proativas, leitura de imagens para estudo, agentes de idiomas e módulo avançado para projetos acadêmicos


Equilibrar a carga horária de aulas, estágios, trabalhos em grupo e a elaboração de TCCs é um dos maiores desafios da jornada universitária. Para descomplicar esse dia a dia no retorno ao semestre letivo, a Luzia, assistente pessoal de Inteligência Artificial que já conta com mais de 90 milhões de usuários no mundo, estruturou um conjunto de soluções gratuitas voltadas ao ecossistema acadêmico. A plataforma reúne funcionalidades que vão desde o controle de prazos e a transcrição instantânea de anotações até o suporte avançado para pesquisas científicas e treino de idiomas.
 

Organização diária e suporte aos estudos em um só lugar 

A novidade desta volta às aulas é a função Rotinas, que transforma a Luzia na primeira assistente a atuar de forma proativa. Em vez de esperar por um comando, ela trabalha em segundo plano: o estudante configura uma vez, em uma conversa simples, e a IA assume o acompanhamento. Ela avisa quando prazos de provas, rematrículas ou entrega do TCC se aproximam, envia um resumo diário com os compromissos do dia e ainda monitora o preço de livros e materiais para avisar o momento certo de comprar. Menos alarmes espalhados, listas esquecidas e mais tempo para focar no que realmente importa nos estudos.
 

Produtividade e colaboração para trabalhos em grupo e pós-graduação 

Para o desenvolvimento de projetos acadêmicos, a plataforma inclui o Agentpad, que permite criar e editar documentos em colaboração com a IA em tempo real, e o Drophere, voltado para a publicação rápida de portfólios e arquivos via link. Já para alunos de pós-graduação ou em fase final de graduação que demandam um acompanhamento mais denso, a versão Luzia+ entrega raciocínio avançado para teses e geração de imagens em alta definição para apresentações. 

“Nosso propósito é oferecer aos estudantes uma tecnologia que impulsione a autonomia e facilite os desafios diários da vida universitária. A Luzia foi pensada para ser uma verdadeira aliada na organização e no aprendizado, complementando a vivência acadêmica e valorizando o papel fundamental das universidades e dos educadores na formação profissional”, afirma Rafaela Goldlust, Líder de Negócios da Luzia no Brasil.
 

Disponibilidade 

O ecossistema completo já está disponível de forma gratuita. Os estudantes podem baixar o aplicativo da Luzia para iOS e Android diretamente na App Store e no Google Play. Para escolher a plataforma preferida e iniciar o uso, basta acessar o site oficial Link
 

Sobre a Luzia 

Presente em mais de 40 países, como Brasil, Espanha, México, Argentina e Colômbia, a Luzia é uma assistente pessoal de inteligência artificial criada para ajudar as pessoas a gerenciar o dia a dia de maneira ágil. A plataforma ultrapassou a marca de 90 milhões de usuários desde o seu lançamento em dezembro de 2023 e tem interface intuitiva. O serviço pode ser acessado pelo WhatsApp ou por aplicativo gratuito para Android e iOS, no qual o usuário não precisa realizar nenhum registro. A empresa já levantou cerca de 50 milhões de dólares em aportes de fundos de investimento internacionais de destaque, como Monashees, Prosus, Khosla Ventures e Endeavor Catalyst. Mais informações estão disponíveis no site oficial www.luzia.com


Uso excessivo de telas e redes sociais prejudica o rendimento escolar

Relatórios da Unesco e Pisa acendem alerta sobre impacto do
excesso de telas no desempenho escolar em crianças e adolescentes
Magnific
Especialista alerta: vídeos curtos funcionam como “metralhadora de estímulos” que habitua o cérebro dos jovens ao imediatismo e prejudica a concentração

 

O uso excessivo de telas e redes sociais prejudica o aprendizado e o rendimento escolar em crianças e adolescentes. A informação consta em um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

 

Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – com base em dados do relatório PISA 2022 – alerta que a distração e a substituição de atividades cognitivas são agravadas pelo imediatismo dos conteúdos rápidos. Com isso, os estudantes tendem a apresentar notas significativamente menores em disciplinas fundamentais como matemática, leitura e ciências.

 

“Esses diagnósticos refletem uma realidade. O excesso de tempo nos dispositivos digitais tem provocado reflexos diretos na rotina da sala de aula, manifestados por meio do déficit de atenção, privação do sono e aumento da ansiedade entre estudantes”, explica Ana Paula Previate, diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR) e mestre em Linguística.


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A mecânica do tédio digital

A especialista ressalta que o formato atual das mídias sociais, estruturado em vídeos de poucos segundos e rolagem infinita, opera como uma verdadeira “metralhadora de estímulos” para os jovens. Essa enxurrada constante de notificações e vídeos curtos reduz a capacidade do cérebro de manter o foco em tarefas mais longas e complexas, como a leitura de um livro ou a resolução de problemas matemáticos.

 

“Como o cérebro dos adolescentes está em fase de desenvolvimento — especialmente o córtex pré-frontal, área ligada ao controle de impulsos —, ele acaba condicionado aos picos rápidos de dopamina obtidos por meio de curtidas e interações virtuais”, diz Ana Paula.

 

“Quando esse jovem precisa ler um texto longo ou resolver um problema matemático complexo, o cérebro dele sente tédio rapidamente, porque não há a recompensa imediata à qual foi acostumado”, complementa.

 

Para facilitar o entendimento sobre os principais impactos do excesso de telas para crianças e adolescentes, a especialista cita três pontos críticos:

 

1.       Déficit de atenção: Os alunos se tornam mais imediatistas e têm dificuldade em manter o foco em atividades que exigem esforço prolongado.

 

2.       Privação do sono: O uso de dispositivos até altas horas afeta o ciclo circadiano, resultando em estudantes sonolentos, cansados e com menor capacidade de retenção de conteúdo no dia seguinte.

 

3.       Ansiedade: A busca por validação social (curtidas e comentários) gera picos de neurotransmissores que tornam a rotina da sala de aula “menos atraente”, elevando os níveis de ansiedade.

 

Ferramenta versus distração

Para enfrentar esse cenário, o Colégio Integrado traça uma linha divisória clara entre a tecnologia como aliada pedagógica e o aparelho eletrônico como elemento de dispersão sistemática.

 

A estratégia adotada evita a proibição isolada e aposta na educação digital direcionada. Enquanto ferramentas de pesquisa guiada e plataformas de gamificação são incentivadas em aula para estimular o raciocínio, o uso de celulares em momentos não pedagógicos passa por regras rígidas e debates conscientes.

 

“Explicamos aos estudantes a engenharia por trás dos algoritmos das redes sociais, que são feitos especificamente para prender a atenção deles”, destaca a gestora. O objetivo do projeto de orientação educacional é fazer com que as turmas entendam de forma crítica que o hábito de checar mensagens e jogos durante o período de estudos fragmenta a absorção do conhecimento.

 

“Valorizamos o esporte, a leitura de livros físicos, a arte e a convivência face a face e mostramos que o mundo real oferece conexões tão ou mais ricas que o virtual”, enfatiza a diretora.

 

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Parceria com as famílias

O enfrentamento da questão, contudo, ultrapassa os muros da escola. Diante de uma crise de atenção que atinge proporções globais, a cooperação com os lares se mostra indispensável para o sucesso das ações. A recomendação da especialista inclui o estabelecimento de acordos domésticos e a criação de momentos totalmente desconectados, como durante as refeições e nas horas que antecedem o sono.

 

“Quando a escola e a família se unem para dizer 'menos telas, mais aprendizado', não estamos tirando a diversão do estudante. Estamos devolvendo a ele a capacidade de pensar por si mesmo, de se concentrar e de desenvolver plenamente suas habilidades socioemocionais e cognitivas”, conclui a diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR), Ana Paula Previate.

 


Colégio Integrado


Jornada do Patrimônio 2026 destaca legado ferroviário em diversas ações no Estado de São Paulo

 

Programação gratuita em Bauru, Rio Claro e mais 14 cidades une um passeio em trem histórico, exibição audiovisual e atividades formativas voltadas à memória e à mobilidade histórica

 

Uma agenda dedicada à preservação da memória ferroviária integra a programação oficial da Jornada do Patrimônio 2026, iniciativa do Sistema Estadual de Patrimônio Cultural de São Paulo (SISEP), programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerenciado pela Fundação Energia e Saneamento (FES). Com o tema “Nosso patrimônio é uma viagem!”, a edição deste ano reúne 254 atividades em 95 municípios paulistas, com ações voltadas à valorização da história e da diversidade cultural do Estado. Em agosto, a agenda ferroviária inclui atividades formativas em Bauru e Rio Claro, passeios históricos, caminhadas patrimoniais e exibições audiovisuais em diferentes cidades.


Documentários nos Pontos MIS   

A Jornada do Patrimônio 2026 promove a exibição gratuita da mostra audiovisual “Trilhos que contam o Brasil”, composta por seis minidocumentários sobre a memória ferroviária brasileira. Os filmes foram produzidos por estudantes universitários no projeto Geração Futura 2026, realizado pelo Instituto Rumo, Canal Futura e Fundação Roberto Marinho.

As sessões acontecem ao longo de agosto em unidades dos Pontos MIS, sem necessidade de inscrição. A programação começa no dia 3 de agosto, em São José dos Campos, com exibições às 15h e às 19h30. No dia 6, há sessões em Santo Antônio de Posse, às 14h30, e em Indaiatuba e Serra Negra, às 19h. No dia 7, a mostra passa por Adamantina, às 14h; Araçatuba, às 9h; Itu, às 16h; Itapetininga, às 19h30; Ribeirão Pires, às 18h e 19h; e Indaiatuba, às 20h. A programação segue, ainda, em cidades como Jundiaí, Piracicaba, Várzea Paulista e Vera Cruz, com novas sessões ao longo do mês.


Passeios e experiências ferroviárias   

A agenda também aproxima o público da história ferroviária por meio de experiências presenciais. No dia 8 de agosto, às 8h, em Cruzeiro, a caminhada patrimonial “Caminhos dos Trilhos” propõe um percurso de aproximadamente 5,7 km entre o Museu Major Novaes e a Estação Rufino de Almeida, com retorno em transporte ferroviário. Organizada pela Secretaria Municipal de Cultura de Cruzeiro, a atividade, com duração estimada de três horas, remete à história da antiga Estrada de Ferro Dom Pedro II.


Minicurso – Panorama histórico do sistema ferroviário paulista: instalação, colonização e produção   

Ainda no dia 8 de agosto, das 9h às 12h, a Unesp Bauru recebe o minicurso “Panorama histórico do sistema ferroviário paulista: instalação, colonização e produção”, ministrado pelo professor Eduardo Romero, doutor em Filosofia pela USP e docente da Unesp. A atividade apresenta uma leitura crítica da implantação das ferrovias no Estado, abordando sua relação com a ocupação territorial, a colonização e o desenvolvimento econômico paulista. São oferecidas 30 vagas presenciais, mediante preenchimento de formulário.


Trem dos Operários

No mesmo dia, às 10h30, em Sorocaba, o Trem dos Operários realiza um passeio turístico-cultural entre a Estação Paula Souza, no centro da cidade, e o Museu da Tecelagem, a antiga Fábrica Santa Maria. O trajeto percorre cerca de 2 km da histórica Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV), construída em 1890 para transportar operários das fábricas do Grupo Votorantim até 1966, origem do nome da atividade. O roteiro integra o percurso histórico-cultural entre Sorocaba e Votorantim. As inscrições são realizadas pelo site da Sorocabana – Movimento de Preservação Ferroviária.


Encontro Rede Temática do Patrimônio Ferroviário   

Também no dia 8, das 14h às 17h, na Unesp Bauru, ocorre o primeiro encontro do ano da Rede Temática do Patrimônio Ferroviário do Estado de São Paulo. A atividade reúne gestores públicos, pesquisadores e responsáveis por acervos para discutir a relevância desse patrimônio e o papel das redes temáticas na formulação de políticas públicas.

Com formato híbrido, o encontro disponibiliza 30 vagas presenciais e participação on-line pela plataforma Teams, sem limite de participantes. As inscrições ocorrem por preenchimento de formulário.


Minicurso – Reconhecimento do Patrimônio Ferroviário Paulista: quais estratégias possíveis?   

A programação formativa segue no dia 15 de agosto, das 9h às 12h, no Centro Cultural Roberto Palmari, em Rio Claro. O minicurso “Reconhecimento do Patrimônio Ferroviário Paulista: quais estratégias possíveis?” aborda instrumentos de preservação e sua aplicação em contextos municipais, articulando fundamentos legais a práticas de gestão do patrimônio ferroviário. A atividade oferece 30 vagas presenciais, mediante preenchimento de formulário, e é destinada a gestores, pesquisadores, estudantes, conselheiros e demais interessados na preservação ferroviária.


Ações pelo Estado de São Paulo   

Municípios de diferentes regiões do Estado promovem ações relacionadas ao patrimônio ferroviário. Em Amparo, entre os dias 6 e 8 de agosto, serão realizadas visitas guiadas partindo da antiga Estação Ferroviária da Companhia Mogiana. Em Indaiatuba, no dia 8 de agosto, às 9h, ocorre uma caminhada guiada com passagem pelo Museu Ferroviário.

Na Grande São Paulo, Paranapiacaba recebe, no dia 22 de agosto, às 9h, uma roda de conversa sobre o Inventário Participativo do Museu Funicular, com participação de ex-ferroviários. Na capital paulista, a visita guiada “Entre Rios e Trilhos”, na Estação da Luz, acontece no dia 8 de agosto, às 11h.

Em Bauru, a programação inclui o “Museu a Céu Aberto”, no dia 8 de agosto, às 9h, e o “Tour dos 130 anos de Bauru”, no dia 9 de agosto, com saída do Museu Ferroviário Regional. Em Cruzeiro, entre os dias 7 e 9 de agosto, às 19h, ocorre a programação “Nos Trilhos da Memória”, no Museu Major Novaes, além das oficinas e rodas de conversa “Travessias do Patrimônio”, no dia 8 de agosto, às 14h.

Outras cidades também integram a programação, como Sertãozinho, Brodowski, São José do Rio Preto, Araçatuba, São Carlos, Santos e Franca, com exposições, palestras, visitas guiadas e roteiros históricos relacionados à memória ferroviária.

Toda a programação da Jornada do Patrimônio 2026 pode ser conferida neste link.


Da primeira à quarta onda: como mudou a relação do brasileiro com o café

O café deixou de ser apenas um produto cotidiano para incorporar qualidade, tecnologia, rastreabilidade e novas formas de consumo sem abandonar a tradição do cafezinho

 

A forma como os brasileiros consomem café passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. Da popularização da bebida como item essencial da rotina até a valorização da origem dos grãos, dos métodos de preparo e da tecnologia aplicada à produção, as chamadas "ondas do café" ajudam a explicar a evolução do mercado e do comportamento do consumidor. O tema ganha cada vez mais relevância à medida que o Brasil mantém sua posição entre os maiores consumidores mundiais da bebida e amplia o interesse pelos cafés especiais.

Embora as quatro ondas sejam frequentemente utilizadas para compreender a evolução do setor cafeeiro, especialistas ressaltam que elas não representam fases que substituem umas às outras. Na prática, convivem simultaneamente. Um mesmo consumidor pode preparar um café filtrado tradicional pela manhã, utilizar uma cápsula durante o expediente e escolher uma cafeteria especializada para experimentar métodos artesanais no fim de semana.

"Quando falamos das ondas do café, não estamos dizendo que uma substituiu a outra. Elas coexistem e refletem diferentes formas de consumir a bebida. O brasileiro continua apreciando o cafezinho tradicional, mas também passou a explorar cafés especiais, novos métodos de preparo e experiências mais personalizadas. Isso mostra o amadurecimento do consumidor e a diversidade que o mercado oferece atualmente", afirma André Henning, cofundador da Go Coffee, maior rede nacional de cafeterias.


Primeira onda consolidou o café como símbolo da rotina brasileira

A primeira onda do café foi marcada pela industrialização, pela produção em larga escala e pela democratização do acesso à bebida. Nesse período, o café passou a ocupar lugar permanente nas residências, padarias, escritórios e estabelecimentos comerciais, tornando-se um dos principais símbolos da hospitalidade brasileira. “O foco estava na praticidade, no preço e na disponibilidade. O produto era comercializado principalmente na forma de café torrado e moído, com pouca informação sobre origem, variedade ou produtor. O tradicional preparo em filtro de pano consolidou o chamado ‘cafezinho’, consumido tanto como parte da rotina de trabalho quanto em momentos de convivência familiar”, comenta Elói Ferreira, cofundador e desenvolvedor de produtos da Go Coffee.


Segunda onda transformou o café em experiência de consumo

Com a expansão das cafeterias e da cultura do espresso, surgiu uma nova relação entre consumidor e bebida. A segunda onda ampliou o papel do café para além da função de despertar ou acompanhar refeições, tornando-o também um elemento de socialização, lazer, estudo e trabalho. Nesse cenário, ganharam espaço bebidas como cappuccino, latte, mocha e macchiato, além da popularização das máquinas de espresso e das cápsulas domésticas. A experiência passou a incluir ambiente, atendimento e variedade de receitas, acompanhando mudanças no estilo de vida urbano e nas preferências dos consumidores.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o crescimento dos cafés em cápsulas reflete justamente a busca por conveniência, praticidade e qualidade, características que marcaram essa etapa da evolução do mercado. "A segunda onda foi importante porque mudou o papel das cafeterias. Elas deixaram de ser apenas um local para consumir café e passaram a funcionar como espaços de encontro, trabalho e convivência. Ao mesmo tempo, o consumidor começou a experimentar novos formatos, como o espresso e as bebidas à base de leite, ampliando sua relação com o café para além do hábito diário", lembra Ferreira.


Terceira onda valorizou origem, cafés especiais e trabalho artesanal

A terceira onda representou uma mudança profunda na forma como o café passou a ser percebido. Inspirado em conceitos semelhantes aos do universo dos vinhos, o consumidor passou a valorizar fatores como terroir, variedade do grão, processamento, perfil sensorial, torra e métodos de preparo. Foi nesse contexto que cresceram os cafés especiais, os métodos filtrados como V60, Chemex, Aeropress e prensa francesa, além da atuação técnica dos baristas na orientação ao consumidor. “Também aumentou o interesse pela rastreabilidade, permitindo conhecer a fazenda de origem, o produtor e as características específicas de cada lote. Com isso, o Brasil deixou de ser reconhecido apenas como um grande produtor em volume e passou a conquistar espaço internacional pela qualidade dos cafés especiais, pelos microlotes e pelos produtores premiados”, explica o especialista. 


A nova onda: Quarta onda reúne ciência, tecnologia, sustentabilidade e precisão

Considerada uma tendência ainda em consolidação, a chamada quarta onda amplia o debate sobre qualidade ao incorporar ciência, tecnologia e inovação em todas as etapas da cadeia produtiva. Entre as principais características estão o uso de dados para controle preciso de moagem, temperatura, tempo de extração e proporção da bebida, além da adoção de inteligência artificial, automação, equipamentos conectados, fermentações experimentais e sistemas de rastreabilidade.

Outro aspecto relevante é a crescente preocupação com sustentabilidade, transparência comercial, remuneração da cadeia produtiva e personalização da experiência do consumidor. “Embora ainda não exista consenso acadêmico sobre uma definição única da quarta onda, entidades internacionais como a Specialty Coffee Association vêm ampliando seus critérios de avaliação para considerar diferentes dimensões de qualidade, contexto produtivo e atributos sensoriais. Em breve devemos ter algo mais consolidado”, ressalta Elói Ferreira.


Consumidor amplia repertório sem abandonar a tradição

A evolução das ondas do café mostra que o brasileiro não deixou de consumir o tradicional cafezinho, mas ampliou significativamente suas possibilidades de escolha. Hoje convivem diferentes perfis de consumo: cafés filtrados, espresso, bebidas geladas, cápsulas, métodos especiais e grãos de diversas origens. A decisão de compra passou a considerar não apenas preço e conveniência, mas também qualidade, procedência, impacto socioambiental e experiência.

Dados da ABIC indicam que o Brasil consumiu aproximadamente 21,4 milhões de sacas de café em 2025, mantendo-se como o segundo maior mercado consumidor do mundo. A entidade estima ainda um consumo médio de cerca de 1.400 xícaras por pessoa ao ano, demonstrando a importância econômica, cultural e social da bebida no país.

"O mercado de café evoluiu acompanhando as mudanças no comportamento do consumidor. Hoje existe espaço para diferentes perfis de consumo, desde o café tradicional até experiências mais sofisticadas, e isso fortalece toda a cadeia produtiva. Quanto maior o acesso à informação sobre qualidade, origem e formas de preparo, mais o consumidor participa desse movimento de valorização do café brasileiro”, destaca Henning.

Para o empresário, essa transformação aproxima toda a cadeia produtiva do consumidor e fortalece a valorização do café brasileiro. "Quanto mais informação chega ao consumidor, maior é sua capacidade de fazer escolhas conscientes. Isso beneficia produtores, torrefações, cafeterias e, principalmente, quem deseja viver novas experiências sem abrir mão da qualidade", finaliza. 



Go Coffee
www.gocoffee.com.br
Instagram: @gocoffeebrasil


Quando os deuses entram nos Tribunais


Todo tribunal esconde um pouco de mar. Há correntes que não aparecem nos autos, tempestades que não constam das certidões e naufrágios cuja verdadeira causa jamais será registrada na sentença. O advogado atravessa esse oceano levando consigo a causa de alguém. Quando se destaca pela inteligência, pela eloquência ou pela capacidade de ocupar o espaço público, sua viagem se torna ainda mais perigosa. O brilho, como sabiam os gregos, ilumina o caminho, mas também desperta os deuses. 

Na Odisseia, Ulisses (Odisseo) não é apenas o homem que deseja regressar a Ítaca. É aquele que pensa quando os outros apenas reagem, que engana monstros, decifra armadilhas e transforma a palavra em instrumento de sobrevivência. Sua inteligência, contudo, não lhe assegura uma travessia tranquila. Ao contrário, converte-o em alvo de forças superiores, sobretudo quando sua astúcia se aproxima da soberba e desafia os limites impostos pelos deuses. 

Seria simplista afirmar que Ulisses foi castigado exclusivamente porque se destacava. Sua longa provação também decorre de escolhas, provocações e transgressões. No entanto, cumpre destacar que o universo homérico revela uma verdade profundamente humana: aquele que ultrapassa a medida comum atrai sobre si uma vigilância especial. Os deuses observam com maior severidade quem ousa escapar do destino reservado aos homens ordinários. O mérito, quando excessivamente visível, pode ser interpretado como insolência. 

Pouco mudou desde então. Os deuses apenas trocaram o Olimpo pelos corredores das instituições. 

Na advocacia, o profissional que conquista reconhecimento passa a habitar uma região ambígua. Sua competência desperta admiração, mas também incômodo. Sua presença pode ser vista como autoridade por alguns e como arrogância por outros. Seu domínio técnico pode ser reconhecido como excelência ou distorcido como estratégia de intimidação. Sua capacidade de comunicação, sobretudo quando alcança a imprensa e a sociedade, pode ser interpretada não como exercício legítimo da profissão, mas como tentativa de exercer influência sobre o processo. 

Observe-se que a inveja raramente se apresenta com seu verdadeiro nome. Ela prefere vestir a toga da moralidade, o paletó da prudência ou o uniforme da defesa institucional. Não diz “invejo sua projeção”. Afirma que o profissional “aparece demais”. Não reconhece que se sente ameaçada por sua competência. Prefere acusá-lo de vaidade, exibicionismo ou falta de reverência. A inveja é um sentimento que precisa fabricar justificativas nobres para não se enxergar no espelho. 

No obstante, o problema mais grave não surge quando esse ressentimento atinge apenas o advogado. Profissionais experientes sabem que a exposição pública cobra seu preço. A verdadeira deformação ocorre quando a hostilidade dirigida ao defensor transborda para o acusado, contaminando a percepção do caso e interferindo, ainda que inconscientemente, na formação do convencimento judicial. 

Nesse instante, a causa deixa de ser julgada exclusivamente por suas provas. Passa a carregar também o peso da identidade daquele que exerce a defesa. 

Não se pode olvidar que o cliente não escolhe apenas uma estratégia jurídica. Escolhe quem dará voz à sua narrativa diante do poder estatal. Se a projeção do advogado funcionar como elemento oculto de agravamento da resposta judicial, a liberdade de defesa será reduzida a uma promessa vazia. O acusado terá formalmente o direito de contratar o profissional que desejar, mas poderá ser informalmente punido por ter escolhido alguém que desperta antipatia, rivalidade ou ressentimento. 

Cria-se, assim, uma espécie de condenação por contágio. O julgador não declara que rejeita o advogado, pois isso seria incompatível com a neutralidade esperada da função. No entanto, pode passar a interpretar com maior desconfiança tudo aquilo que parte da defesa. Argumentos consistentes tornam-se “manobras”. Pedidos legítimos convertem-se em “estratégias protelatórias”. A firmeza passa a ser confundida com afronta. Até mesmo o silêncio pode ser interpretado como cálculo. 

O risco é ampliado porque esses movimentos raramente são conscientes. A mente humana tende a preservar as impressões iniciais e a procurar elementos que confirmem aquilo em que já acredita. Se o advogado foi previamente associado à arrogância, à exposição excessiva ou à combatividade inconveniente, seus atos processuais poderão ser lidos a partir dessa moldura. Por consequência, o cliente deixa de ser visto como sujeito autônomo e passa a ser percebido como parte de um mesmo personagem incômodo. 

É precisamente nesse ponto que a imparcialidade judicial deve demonstrar sua força. Ser imparcial não significa apenas desconhecer as partes ou não possuir interesse direto no resultado. Significa vigiar as próprias emoções, reconhecer predisposições e impedir que simpatias ou antipatias pessoais alterem a valoração da prova. A imparcialidade não é uma qualidade que o julgador simplesmente possui. É uma disciplina que precisa ser exercida todos os dias. 

Cumpre destacar, ainda, que o protagonismo do advogado não pode servir de desculpa para qualquer excesso profissional. A advocacia não autoriza espetacularização irresponsável, desrespeito institucional ou substituição do processo pelo palco. O advogado de destaque, justamente por ocupar posição de maior visibilidade, deve redobrar sua responsabilidade ética. A eloquência sem conteúdo é apenas ruído. A combatividade sem limites pode prejudicar a própria pessoa que se pretende defender. 

No entanto, a eventual antipatia provocada pela atuação profissional deve ser respondida nos limites da lei e jamais transferida ao cliente. Se houver abuso, existem instrumentos processuais e disciplinares próprios. O que não se admite é a compensação subterrânea, mediante decisões mais severas, restrição indevida de garantias ou valoração enviesada das provas. O processo penal não pode transformar o réu em refém das impressões causadas por seu defensor. 

Há algo particularmente perverso nessa dinâmica. Para atingir o advogado admirado ou invejado, não é necessário atacá-lo diretamente. Basta frustrar suas teses, desprezar suas razões e impor ao cliente uma derrota que será publicamente atribuída à suposta incapacidade da defesa. A condenação injusta converte-se, então, em recado. O processo deixa de resolver um conflito e passa a disciplinar reputações. 

Os gregos chamariam isso de castigo exemplar. O Direito deve chamá-lo pelo nome correto: desvio da função jurisdicional. 

A toga, afinal, não confere imunidade às paixões humanas. Magistrados, membros do Ministério Público e advogados pertencem ao mesmo mundo de vaidades, disputas e fragilidades. Reconhecer essa realidade não significa desacreditar as instituições. Significa protegê-las do perigo de fingirem que seus integrantes estão acima da condição humana. Quanto mais uma instituição nega seus próprios vieses, mais vulnerável se torna à atuação silenciosa deles. 

Ulisses venceu monstros porque conhecia suas formas. O Judiciário somente vencerá seus próprios monstros quando tiver coragem de reconhecê-los. Entre eles está a inveja, sentimento antigo que se alimenta do sucesso alheio e encontra particular facilidade para se esconder atrás de palavras solenes. 

A Justiça não pode exigir que todo advogado se faça menor para não incomodar. Tampouco pode permitir que a excelência profissional se transforme em circunstância judicial desfavorável. O acusado deve ser absolvido ou condenado por aquilo que as provas demonstram, não pelo brilho, pela fama, pela personalidade ou pelos adversários de quem o defende. 

Ítaca, no poema, representa o destino ao qual Ulisses tenta regressar depois de anos de provações. No processo penal, Ítaca é a decisão justa, alcançada pela prova lícita, pelo contraditório e pela imparcialidade. Nenhuma tempestade emocional deveria impedir essa chegada. 

Quando a inveja entra no tribunal, porém, os deuses voltam a brincar com o destino dos homens. E a Justiça fracassa quando, incapaz de atingir Ulisses, decide afundar o barco com todos aqueles que nele viajam.

 


Marcelo Aith - advogado criminalista. Doutorando Estado de Derecho y Gobernanza Global pela Universidad de Salamanca - ESP. Mestre em Direito Penal pela PUC-SP. Latin Legum Magister (LL.M) em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP. Especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidad de Salamanca.

 

 

 

Da primeira à quarta onda: como mudou a relação do brasileiro com o café

O café deixou de ser apenas um produto cotidiano para incorporar qualidade, tecnologia, rastreabilidade e novas formas de consumo sem abandonar a tradição do cafezinho

 

A forma como os brasileiros consomem café passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. Da popularização da bebida como item essencial da rotina até a valorização da origem dos grãos, dos métodos de preparo e da tecnologia aplicada à produção, as chamadas "ondas do café" ajudam a explicar a evolução do mercado e do comportamento do consumidor. O tema ganha cada vez mais relevância à medida que o Brasil mantém sua posição entre os maiores consumidores mundiais da bebida e amplia o interesse pelos cafés especiais.

Embora as quatro ondas sejam frequentemente utilizadas para compreender a evolução do setor cafeeiro, especialistas ressaltam que elas não representam fases que substituem umas às outras. Na prática, convivem simultaneamente. Um mesmo consumidor pode preparar um café filtrado tradicional pela manhã, utilizar uma cápsula durante o expediente e escolher uma cafeteria especializada para experimentar métodos artesanais no fim de semana.

"Quando falamos das ondas do café, não estamos dizendo que uma substituiu a outra. Elas coexistem e refletem diferentes formas de consumir a bebida. O brasileiro continua apreciando o cafezinho tradicional, mas também passou a explorar cafés especiais, novos métodos de preparo e experiências mais personalizadas. Isso mostra o amadurecimento do consumidor e a diversidade que o mercado oferece atualmente", afirma André Henning, cofundador da Go Coffee, maior rede nacional de cafeterias.


Primeira onda consolidou o café como símbolo da rotina brasileira

A primeira onda do café foi marcada pela industrialização, pela produção em larga escala e pela democratização do acesso à bebida. Nesse período, o café passou a ocupar lugar permanente nas residências, padarias, escritórios e estabelecimentos comerciais, tornando-se um dos principais símbolos da hospitalidade brasileira. “O foco estava na praticidade, no preço e na disponibilidade. O produto era comercializado principalmente na forma de café torrado e moído, com pouca informação sobre origem, variedade ou produtor. O tradicional preparo em filtro de pano consolidou o chamado ‘cafezinho’, consumido tanto como parte da rotina de trabalho quanto em momentos de convivência familiar”, comenta Elói Ferreira, cofundador e desenvolvedor de produtos da Go Coffee.


Segunda onda transformou o café em experiência de consumo

Com a expansão das cafeterias e da cultura do espresso, surgiu uma nova relação entre consumidor e bebida. A segunda onda ampliou o papel do café para além da função de despertar ou acompanhar refeições, tornando-o também um elemento de socialização, lazer, estudo e trabalho. Nesse cenário, ganharam espaço bebidas como cappuccino, latte, mocha e macchiato, além da popularização das máquinas de espresso e das cápsulas domésticas. A experiência passou a incluir ambiente, atendimento e variedade de receitas, acompanhando mudanças no estilo de vida urbano e nas preferências dos consumidores.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o crescimento dos cafés em cápsulas reflete justamente a busca por conveniência, praticidade e qualidade, características que marcaram essa etapa da evolução do mercado. "A segunda onda foi importante porque mudou o papel das cafeterias. Elas deixaram de ser apenas um local para consumir café e passaram a funcionar como espaços de encontro, trabalho e convivência. Ao mesmo tempo, o consumidor começou a experimentar novos formatos, como o espresso e as bebidas à base de leite, ampliando sua relação com o café para além do hábito diário", lembra Ferreira.


Terceira onda valorizou origem, cafés especiais e trabalho artesanal

A terceira onda representou uma mudança profunda na forma como o café passou a ser percebido. Inspirado em conceitos semelhantes aos do universo dos vinhos, o consumidor passou a valorizar fatores como terroir, variedade do grão, processamento, perfil sensorial, torra e métodos de preparo. Foi nesse contexto que cresceram os cafés especiais, os métodos filtrados como V60, Chemex, Aeropress e prensa francesa, além da atuação técnica dos baristas na orientação ao consumidor. “Também aumentou o interesse pela rastreabilidade, permitindo conhecer a fazenda de origem, o produtor e as características específicas de cada lote. Com isso, o Brasil deixou de ser reconhecido apenas como um grande produtor em volume e passou a conquistar espaço internacional pela qualidade dos cafés especiais, pelos microlotes e pelos produtores premiados”, explica o especialista. 


A nova onda: Quarta onda reúne ciência, tecnologia, sustentabilidade e precisão

Considerada uma tendência ainda em consolidação, a chamada quarta onda amplia o debate sobre qualidade ao incorporar ciência, tecnologia e inovação em todas as etapas da cadeia produtiva. Entre as principais características estão o uso de dados para controle preciso de moagem, temperatura, tempo de extração e proporção da bebida, além da adoção de inteligência artificial, automação, equipamentos conectados, fermentações experimentais e sistemas de rastreabilidade.

Outro aspecto relevante é a crescente preocupação com sustentabilidade, transparência comercial, remuneração da cadeia produtiva e personalização da experiência do consumidor. “Embora ainda não exista consenso acadêmico sobre uma definição única da quarta onda, entidades internacionais como a Specialty Coffee Association vêm ampliando seus critérios de avaliação para considerar diferentes dimensões de qualidade, contexto produtivo e atributos sensoriais. Em breve devemos ter algo mais consolidado”, ressalta Elói Ferreira.


Consumidor amplia repertório sem abandonar a tradição

A evolução das ondas do café mostra que o brasileiro não deixou de consumir o tradicional cafezinho, mas ampliou significativamente suas possibilidades de escolha. Hoje convivem diferentes perfis de consumo: cafés filtrados, espresso, bebidas geladas, cápsulas, métodos especiais e grãos de diversas origens. A decisão de compra passou a considerar não apenas preço e conveniência, mas também qualidade, procedência, impacto socioambiental e experiência.

Dados da ABIC indicam que o Brasil consumiu aproximadamente 21,4 milhões de sacas de café em 2025, mantendo-se como o segundo maior mercado consumidor do mundo. A entidade estima ainda um consumo médio de cerca de 1.400 xícaras por pessoa ao ano, demonstrando a importância econômica, cultural e social da bebida no país.

"O mercado de café evoluiu acompanhando as mudanças no comportamento do consumidor. Hoje existe espaço para diferentes perfis de consumo, desde o café tradicional até experiências mais sofisticadas, e isso fortalece toda a cadeia produtiva. Quanto maior o acesso à informação sobre qualidade, origem e formas de preparo, mais o consumidor participa desse movimento de valorização do café brasileiro”, destaca Henning.

Para o empresário, essa transformação aproxima toda a cadeia produtiva do consumidor e fortalece a valorização do café brasileiro. "Quanto mais informação chega ao consumidor, maior é sua capacidade de fazer escolhas conscientes. Isso beneficia produtores, torrefações, cafeterias e, principalmente, quem deseja viver novas experiências sem abrir mão da qualidade", finaliza. 



Go Coffee
www.gocoffee.com.br
Instagram: @gocoffeebrasil

 

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