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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Julho Verde 360 propõe integração entre diferentes peças para mudar o cenário do câncer de cabeça e pescoço no Brasil

 



Promovida pelo Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), a campanha Julho Verde 360 - Integração para transformar o futuro defende a mobilização de profissionais de saúde, pesquisadores, gestores, pacientes, familiares e sociedade para ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce. O alerta é reforçado por pesquisa do INCA, segundo a qual 78,2% dos casos analisados no Brasil foram diagnosticados quando a doença já estava em fase avançada 

 

Mais de 40 mil brasileiros deverão receber, neste ano, o diagnóstico de alguns dos principais cânceres de cabeça e pescoço. Embora os avanços observados nas áreas da cirurgia, radioterapia e tratamentos sistêmicos tenham ampliado as possibilidades terapêuticas, o diagnóstico tardio continua sendo um dos maiores desafios relacionados a essas doenças. Diante desse cenário, o Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) lança a campanha Julho Verde 2026 com o tema "Julho Verde 360 – Integração para transformar o futuro", destacando a importância da atuação integrada de profissionais de saúde, gestores, pacientes, familiares e sociedade para ampliar a prevenção e favorecer o diagnóstico precoce. O site oficial é https://www.gbcp.org.br/julho-verde-2026

Pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicada na The Lancet Regional Health – Americas, analisou mais de 145 mil casos registrados no Brasil entre 2000 e 2017 e revelou que 78,2% foram diagnosticados nos estágios III ou IV, ou seja, quando o tumor já apresentava maior extensão local, comprometimento de estruturas vizinhas e, frequentemente, acometimento dos linfonodos do pescoço, exigindo tratamentos mais complexos e aumentando o risco de sequelas funcionais. O mesmo levantamento mostrou maior percentual de tumores em estágio avançado na hipofaringe (91,3%), seguida por orofaringe (86,6%), cavidade oral (75,1%) e laringe (69,5%).

O conceito da campanha parte do entendimento de que a transformação do cenário dos cânceres de cabeça e pescoço no Brasil depende de um esforço coletivo. O Julho Verde 360 foi concebido como uma plataforma permanente de informação e mobilização, promovendo a conexão entre conhecimento científico, educação em saúde e conscientização pública. A proposta é fortalecer o diálogo entre os diferentes atores envolvidos no cuidado e ampliar o acesso da população a informações qualificadas e baseadas em evidências.

Os cânceres de cabeça e pescoço incluem tumores que podem acometer a cavidade oral, a faringe, a laringe, as glândulas salivares, a cavidade nasal, os seios paranasais e a tireoide. Embora representem doenças distintas, muitas compartilham fatores de risco importantes, especialmente o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, em alguns casos, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

Segundo a oncologista clínica Milena Mak, presidente do GBCP, o estigma ainda associado aos cânceres de cabeça e pescoço reforça a necessidade de ampliar o envolvimento de diferentes setores da sociedade no cuidado aos pacientes. "O câncer de cabeça e pescoço é bastante prevalente no nosso meio, mas ainda é estigmatizado. Então, é relevante ter esse olhar dos profissionais de saúde e da sociedade como um todo para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar dessas doenças para melhorarmos os resultados relacionados a essa doença no país", afirma.


Diferentes tipos de câncer, um desafio comum

Muitas pessoas acreditam que o câncer de cabeça e pescoço seja uma única doença. Na prática, trata-se de um conjunto de tumores que podem surgir em diferentes estruturas anatômicas, incluindo boca, língua, gengivas, lábios, orofaringe, hipofaringe, nasofaringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal, seios paranasais e tireoide. Apesar de muitos desses tumores compartilharem características biológicas semelhantes, cada localização apresenta particularidades em relação aos sintomas, comportamento da doença, prognóstico e estratégias terapêuticas.

Milena Mak explica que os carcinomas escamosos são os tumores mais frequentes dentro desse grupo. "O que temos de mais prevalente são os carcinomas escamosos de cabeça e pescoço. Estamos falando dos tumores que acometem a boca, a garganta, a laringe, a faringe e até a região da nasofaringe, localizada atrás do nariz. Basicamente, qualquer tumor que ocorre nessa região é classificado como câncer de cabeça e pescoço", explica.


Sintomas que não devem ser ignorados

Feridas na boca que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na mucosa oral, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor ao engolir, sensação de algo preso na garganta e caroços no pescoço estão entre os principais sinais de alerta. Embora muitas dessas manifestações possam estar associadas a condições benignas, especialistas recomendam investigação sempre que os sintomas persistirem por mais de duas semanas.

Nos tumores da cavidade oral, lesões semelhantes a aftas podem representar os primeiros sinais da doença. Já nos cânceres de laringe, a rouquidão prolongada costuma ser um dos principais alertas. Em relação ao câncer de tireoide, muitas vezes o primeiro achado é um nódulo percebido pelo próprio paciente durante o autoexame ou identificado em consultas de rotina.

De acordo com Milena Mak, os sintomas persistentes merecem avaliação especializada. "É muito importante avaliar sintomas que não melhoram. Por exemplo, uma úlcera na língua ou na gengiva, ou uma afta que permanece por duas ou três semanas sem cicatrizar. É preciso pensar que pode haver algo diferente acontecendo e buscar atendimento", alerta a especialista. Conforme acrescenta a oncologista, caroços persistentes no pescoço também merecem investigação.

Prevenção exige a participação de todas as peças

O tema do Julho Verde 2026 reforça que nenhuma estratégia isolada será capaz de modificar o cenário dos cânceres de cabeça e pescoço no país. Cada peça desempenha um papel fundamental na prevenção.

O tabagismo permanece entre os fatores mais fortemente associados ao desenvolvimento desses tumores. Cigarros convencionais, dispositivos eletrônicos, produtos aquecidos e narguilés expõem o organismo a substâncias carcinogênicas capazes de provocar alterações genéticas relacionadas ao surgimento do câncer. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também continua sendo um importante fator de risco. Quando álcool e tabaco estão associados, o potencial carcinogênico é potencializado.

Outra frente estratégica envolve a vacinação contra o HPV. Nas últimas décadas, especialistas têm observado crescimento dos cânceres de orofaringe relacionados ao vírus, particularmente ao subtipo HPV-16. Diferentemente dos tumores clássicos associados ao tabaco e ao álcool, esses cânceres frequentemente acometem indivíduos mais jovens e muitos pacientes nunca fumaram.

Segundo Milena Mak, a vacinação representa uma das principais estratégias preventivas atualmente disponíveis. "A gente tem hoje uma forma de prevenção, que é a vacina de HPV, disponível aqui no Brasil tanto para meninos como para meninas, a partir dos 9 anos de idade, distribuída pelo SUS. Então, é muito importante fazer essa prevenção, tanto para evitar esse tipo de tumor, como evitar outros tumores HPV-relacionados", destaca.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece a vacina gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos especiais contemplados pelo Programa Nacional de Imunizações. A ampliação da cobertura vacinal é considerada uma das medidas de saúde pública com maior potencial para reduzir a incidência dos tumores relacionados ao HPV nas próximas décadas.


Diagnóstico precoce transforma o tratamento

O impacto do diagnóstico precoce pode ser observado diretamente nos resultados clínicos. Dados do programa SEER, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, mostram que, quando os tumores de cavidade oral e faringe são identificados ainda restritos ao órgão de origem, a sobrevida relativa em cinco anos pode chegar a aproximadamente 89%. Quando há disseminação para linfonodos regionais, esse índice cai para cerca de 70%. 

Além de aumentar as chances de cura, o diagnóstico precoce permite tratamentos menos extensos e com menor impacto funcional. Conforme explica Milena Mak, "é muito diferente ter um paciente com um tumor localizado apenas na língua, que muitas vezes pode ser tratado apenas com cirurgia, e uma pessoa com um tumor maior, com acometimento dos linfonodos, que vai precisar de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Portanto, isto não muda somente a chance de cura, mas também o tipo de tratamento a que essa pessoa será submetida".


Tratamento vai muito além da retirada do tumor

Os cânceres de cabeça e pescoço estão entre as doenças oncológicas que mais exigem atuação interdisciplinar. O cuidado pode envolver cirurgiões de cabeça e pescoço, oncologistas clínicos, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, dentistas, estomatologistas, fonoaudiólogos, nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e especialistas em cuidados paliativos.

Dentistas e estomatologistas frequentemente participam da identificação precoce de lesões suspeitas. Patologistas e radiologistas são essenciais para a confirmação diagnóstica e o estadiamento da doença. Cirurgiões, oncologistas clínicos e radioterapeutas definem conjuntamente a melhor estratégia terapêutica. Após o tratamento, fonoaudiólogos auxiliam na recuperação da voz e da deglutição, enquanto nutricionistas e psicólogos atuam na reabilitação global do paciente.

Ao propor uma visão de cuidado em 360 graus, o Julho Verde 2026 busca ampliar a compreensão de que a prevenção, o diagnóstico precoce, o tratamento e a reabilitação dependem da atuação coordenada de diferentes profissionais, instituições e da própria sociedade. A mensagem central da campanha é que cada peça importa e somente a integração será capaz de transformar o futuro dos cânceres de cabeça e pescoço no Brasil. 



GBCP - Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço
https://www.gbcp.org.br/

 

Com até 30 mil novos casos por ano, cardiopatias congênitas exigem ampliação de rede especializada, alerta InCor

Referência nacional em casos de alta complexidade, InCor (HCFMUSP) realiza até 600 cirurgias e 800 procedimentos por cateterismo por ano; especialistas defendem diagnóstico precoce e ampliação de redes especializadas 

 

Referência nacional no diagnóstico e tratamento de cardiopatias congênitas de alta complexidade, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP) acompanha de perto a evolução dos cuidados destinados a crianças nascidas com malformações cardíacas. Apesar dos avanços expressivos da medicina nas últimas décadas, especialistas da instituição alertam que o principal desafio no Brasil continua sendo garantir acesso oportuno ao diagnóstico e tratamento especializado. 

As cardiopatias congênitas correspondem à malformação congênita mais frequente na infância e afetam entre 27 mil e 30 mil crianças por ano no país, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A condição pode englobar alterações na estrutura ou no funcionamento do coração presentes desde o nascimento e pode variar de quadros leves até casos complexos, que exijam intervenção nos primeiros meses de vida. 

Reconhecido como um dos principais centros de referência da América Latina, o InCor realiza anualmente entre 500 e 600 cirurgias cardíacas pediátricas e aproximadamente 500 a 800 procedimentos por cateterismo em pacientes com cardiopatias congênitas. O ambulatório especializado recebe cerca de 50 novos pacientes por mês, encaminhados de diversas regiões do Brasil. 

“Hoje dispomos de conhecimento, tecnologia e equipes altamente especializadas capazes de tratar a maioria das cardiopatias congênitas com excelentes resultados. O grande desafio é garantir que todas as crianças tenham acesso a esse cuidado no momento adequado”, explica Marcelo Jatene, diretor da Unidade de Cirurgia Cardíaca Pediátrica do InCor-HCFMUSP.

 

Diagnóstico precoce

Diagnóstico precoce pode garantir o sucesso do tratamento. O principal exame para identificação das cardiopatias congênitas durante a gestação é o ecocardiograma fetal, que permite planejar o parto e garantir atendimento especializado desde os primeiros momentos de vida. No entanto, a realidade brasileira ainda é marcada pela distribuição desigual de profissionais e serviços especializados. Em muitas regiões, a falta de acesso ao diagnóstico fetal faz com que crianças cheguem tardiamente aos centros de referência, reduzindo as possibilidades de intervenção no momento ideal.

“O diagnóstico durante a gestação permite que toda a assistência seja organizada previamente, garantindo que o recém-nascido receba o tratamento necessário imediatamente após o nascimento. Quando isso não acontece, a jornada até o atendimento adequado costuma ser mais complexa”, explica Gustavo Foronda, coordenador-geral da Unidade de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatia Congênita no Adulto do InCor-HCFMUSP. 

Além do diagnóstico, a insuficiência de leitos de terapia intensiva pediátrica, de equipes capacitadas e de centros habilitados para procedimentos de alta complexidade ainda representa um importante gargalo para o sistema de saúde.

 

Mais adultos com cardiopatias congênitas

O trabalho desenvolvido por centros especializados como o InCor tem contribuído diretamente para a mudança no prognóstico dos pacientes. Atualmente, segundo diretrizes da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC), cerca de 85% das crianças com cardiopatias congênitas alcançam a vida adulta, cenário impensável há algumas décadas. 

Especialistas da instituição explicam, também, que uma parcela crescente desses pacientes leva uma vida plenamente integrada à sociedade, com independência funcional, inserção no mercado de trabalho e prática regular de atividades físicas. 

“Os avanços obtidos ao longo dos últimos anos mudaram a história natural dessas doenças. Hoje observamos cada vez mais pacientes chegando à vida adulta com qualidade de vida e integração social plena”, complementa Marcelo Jatene.

 

Novas tecnologias

Como centro de referência, o InCor também está na vanguarda da incorporação de tecnologias que ampliam a precisão diagnóstica e a segurança dos tratamentos. Ferramentas como ecocardiografia tridimensional, tomografia computadorizada de alta resolução, ressonância magnética cardíaca avançada e soluções baseadas em inteligência artificial fazem parte da rotina assistencial da instituição. 

Entre os recursos mais inovadores está a impressão 3D aplicada à cardiologia, que permite reproduzir com precisão a anatomia cardíaca de cada paciente para auxiliar no planejamento de cirurgias de alta complexidade. “Essas tecnologias nos permitem compreender melhor cada caso e definir estratégias terapêuticas mais seguras e personalizadas”, aponta Jatene.

O avanço dos procedimentos por cateterismo também tem ampliado as opções de tratamento, possibilitando, em determinadas situações, substituir cirurgias convencionais por abordagens minimamente invasivas. “Em muitos pacientes, conseguimos reduzir o tempo de internação, acelerar a recuperação e melhorar a qualidade de vida graças a essas novas tecnologias”, acrescenta Foronda.

 

Ampliação do acesso

Para os especialistas do InCor, o Brasil já dispõe do conhecimento técnico necessário para enfrentar a cardiopatia congênita. O desafio agora é expandir o acesso a esse cuidado por meio do fortalecimento do diagnóstico fetal, da ampliação da rede de centros especializados e da formação de novos profissionais.

“O país avançou muito na capacidade de tratar essas crianças. O próximo passo é fazer com que esse conhecimento e essa estrutura cheguem de forma mais equitativa a toda a população. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico e o encaminhamento para centros especializados, maiores são as chances de sucesso do tratamento”, conclui Jatene.

Além da assistência, o InCor participa de bancos de dados nacionais e internacionais voltados ao monitoramento de resultados e à melhoria contínua da qualidade do atendimento, reforçando seu papel como centro de excelência na produção de conhecimento e no desenvolvimento de soluções para as cardiopatias congênitas.

 

InCor


Câncer que atinge 40 mil brasileiros por ano ainda é descoberto tarde em até 80% dos casos

Julho Verde 2026 mobiliza especialistas para ampliar a conscientização sobre a doença na região da cabeça e pescoço, que já é a terceira mais incidente no Brasil



O Brasil registra cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) com base em estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar dos avanços nos tratamentos, entre 70% e 80% dos pacientes ainda recebem o diagnóstico em estágios avançados da doença, reduzindo as chances de cura e tornando o tratamento mais complexo.

Os números ganham destaque durante o Julho Verde 2026, campanha mundial de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, que neste ano adota o tema "From Awareness to Action: One World, One Voice Against Head & Neck Cancer" ("Da Conscientização à Ação: Um Mundo, Uma Voz Contra o Câncer de Cabeça e Pescoço"). A proposta é incentivar a população a transformar informação em atitude, buscando avaliação médica diante dos primeiros sinais da doença.

De acordo com a SBCCP, o câncer de cabeça e pescoço é atualmente o terceiro mais comum do Brasil. O grupo reúne tumores que acometem regiões como boca, língua, garganta, laringe, faringe e tireoide. A maior concentração de casos ocorre na Região Sudeste, responsável por aproximadamente 20.470 diagnósticos por ano, seguida pelo Nordeste, com cerca de 10.070 ocorrências anuais.

Segundo a Dra. Sílvia Picado, médica especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Diretora Social da APM Santos, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios no enfrentamento da doença.

"Muitos pacientes ignoram sintomas aparentemente simples, como rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam ou nódulos no pescoço. Quando procuram atendimento, em muitos casos a doença já está avançada. O grande objetivo do Julho Verde é mudar essa realidade", afirma.

Os principais fatores de risco continuam sendo o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, responsáveis por grande parte dos tumores da cavidade oral, garganta e cordas vocais. A infecção pelo HPV também está relacionada ao aumento dos casos de câncer de orofaringe, enquanto a exposição solar sem proteção representa um fator importante para o desenvolvimento do câncer de pele dessa região tão frequentemente exposta, inclusive de lábios.

"Grande parte desses casos pode ser evitada com mudanças de hábitos. Abandonar o cigarro, reduzir o consumo de álcool, realizar a vacinação contra o HPV, usar protetor solar, manter uma boa higiene oral, dieta saudável, realizar exercícios físicos e buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes são atitudes fundamentais", explica a médica.

Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na cavidade oral, rouquidão prolongada, dificuldade para engolir, alterações na respiração e nódulos persistentes no pescoço.

A especialista ressalta que o diagnóstico precoce pode elevar significativamente as chances de cura. "Quando identificada nas fases iniciais, a doença pode alcançar índices de cura superiores a 90%, além de permitir tratamentos menos agressivos e com menor impacto na qualidade de vida do paciente."

Embora técnicas modernas como monitorização de nervos, laser, instrumentos ultrassônicos e até cirurgia robótica tenham ampliado a eficácia dos tratamentos, os especialistas reforçam que a melhor estratégia continua sendo a prevenção e o diagnóstico precoce.

Neste contexto, o tema da campanha mundial de 2026 reforça uma mensagem simples: conscientizar é importante, mas agir diante dos sinais da doença pode salvar vidas.


Dra. Sílvia Picado - médica especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, membro efetivo pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), mestre e doutora pela FMUSP, docente na UNILUS e atual Diretora Social da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos).


Emoção em campo: jogos da Copa podem elevar risco de infarto em até 25%

Estudos associam jogos decisivos a aumento de emergências cardíacas; estresse, álcool e privação de sono estão entre os principais fatores de risco 
 

Se você já ouviu a frase “aguenta, coração” durante uma partida da Copa do Mundo, saiba que ela vai além de um simples bordão. A saúde cardiovascular pode, de fato, ser impactada nos dias de jogos decisivos. Diversos estudos apontam aumento significativo de síndromes coronarianas agudas durante o torneio. Com a aproximação da Copa do Mundo 2026, especialistas em cardiologia do Grupo Amil e Rede Total Care fazem um alerta: a emoção intensa provocada pelas partidas pode representar um risco real para o coração, especialmente entre pessoas com fatores cardiovasculares preexistentes. O tema ganha relevância diante de evidências científicas que relacionam jogos decisivos de futebol ao aumento de infartos, arritmias e outros eventos cardíacos agudos. 

Único país presente em todas as edições da Copa do Mundo e dono de cinco títulos mundiais, o Brasil tem uma relação emocional profunda com o futebol, o que pode impactar diretamente a saúde da população. Um estudo brasileiro publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia analisou mais de 155 mil internações por síndromes coronarianas agudas entre 1998 e 2010 e identificou aumento de até 16% na incidência de infarto em dias de jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo. 

Pesquisas internacionais reforçam o alerta. Durante a Copa de 1998, na França, houve aumento de 25% nas internações por infarto após a derrota inglesa para a Argentina nos pênaltis. Já na Copa de 2006, na Alemanha, um estudo apontou que assistir a partidas emocionalmente intensas mais que dobrou o risco de emergências cardíacas. 

“Jogos decisivos da Copa do Mundo geram uma carga emocional intensa. Em momentos de grande tensão, ansiedade ou euforia, o organismo libera hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol, que aumentam a frequência cardíaca, a pressão arterial e o consumo de oxigênio pelo coração”, explica o cardiologista e diretor médico de Gestão de Saúde da Amil, Diego Garcia. 

Segundo o especialista, em pessoas predispostas, esse cenário pode desencadear infarto, arritmias e até casos de cardiomiopatia de Takotsubo, conhecida popularmente como “síndrome do coração partido”. 

A preocupação é maior entre homens acima dos 40 anos, sobretudo aquele que apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo e obesidade. Além da tensão emocional, hábitos comuns durante os jogos também contribuem para elevar os riscos cardiovasculares, como consumo excessivo de álcool, cigarro, alimentação gordurosa, privação de sono e longos períodos de sedentarismo. 

No entanto, torcedores aparentemente saudáveis também não estão totalmente livres de risco. Muitas pessoas convivem com hipertensão, colesterol elevado ou doença coronariana sem diagnóstico. Em situações de forte estresse emocional, esses problemas podem se manifestar pela primeira vez. 

Segundo o cardiologista, pessoas muito ansiosas ou com dificuldade para lidar com situações de forte tensão emocional também podem se beneficiar ao evitar ambientes excessivamente estressantes durante as partidas.

“Por isso, o ideal é aproveitar o torneio com equilíbrio, evitando excessos de álcool, mantendo hidratação adequada, não interrompendo medicações de uso contínuo e respeitando os sinais do próprio corpo”, alerta Garcia.
 

Sintomas que exigem atenção imediata  

Alguns sinais nunca devem ser ignorados, especialmente durante situações de forte emoção. O principal alerta é dor ou pressão no peito, principalmente quando irradiada para braço, costas ou mandíbula, ou acompanhada de suor frio, náusea e falta de ar. 

Outros sintomas importantes incluem palpitações intensas, desmaios, tontura, dificuldade para respirar, fraqueza súbita em um lado do corpo, alteração da fala e confusão mental. Esses sinais podem indicar infarto, arritmias graves ou AVC. 

Nessas situações, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente e não esperar “o jogo acabar”. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de evitar complicações e salvar vidas. 

Para Diego Garcia, a prevenção é considerada fundamental, já que as síndromes coronarianas agudas costumam surgir de forma súbita. Manter os cuidados habituais e reconhecer precocemente os sintomas pode reduzir a gravidade desses eventos.

 

Amil

 

Corridas de rua ganham adeptos, mas erros comuns podem transformar atividade saudável em fonte de lesõe

As corridas de rua vivem um momento de popularidade. A cada fim de semana, os praticantes ocupam ruas, parques e avenidas em busca de qualidade de vida, condicionamento físico e desafios. O crescimento do número de provas e de grupos de treinamento reflete uma tendência positiva, mas também acende um alerta, a falta de preparo adequado pode transformar o esporte em um vilão para a saúde ortopédica. 

Segundo o ortopedista Marcelo Ruck, da Santa Casa de Mauá, a corrida é uma atividade acessível e com muitos benefícios para a saúde cardiovascular, muscular e mental. No entanto, o corpo exige adaptação gradual. “Muitos começam motivados pela facilidade, mas esquecem que articulações, músculos e tendões precisam de tempo para se fortalecer. Quando há excesso de carga, aumento acelerado dos treinos e ausência de orientação, cresce o risco de lesões”, explica. 

As pessoas sedentárias ou que ficaram longos períodos sem praticar exercícios devem estar atentas com os problemas ortopédicos, já que o desejo de alcançar resultados rápidos faz com que os limites físicos sejam ignorados. Um dos equívocos é aumentar a distância ou a intensidade dos treinos de forma abrupta. O organismo precisa de tempo para fortalecer músculos, tendões e estruturas articulares capazes de suportar os impactos repetitivos da corrida. 

Outro erro comum é descuidar do fortalecimento muscular. Alguns corredores concentram os esforços apenas na corrida e deixam de lado os exercícios que fortalecem perna, quadril, abdômen e região lombar, fundamentais para absorver impactos e manter a estabilidade.  

O uso de calçados inadequados também merece atenção. Embora não exista um modelo ideal de tênis para praticar a corrida, o equipamento deve ser compatível com as características físicas, o tipo de pisada e a rotina de treinamento de cada corredor. 

Os períodos de recuperação são outro fator importante, pois a falta dele favorece o surgimento de lesões por sobrecarga, já que é durante o descanso que o organismo se adapta aos estímulos e se fortalece. 

Entre as lesões mais frequentes estão as tendinites, especialmente no tendão de Aquiles e na região dos joelhos. Também são comuns quadros de fascite plantar, caracterizada por dor intensa na sola do pé, além de canelite, estiramentos musculares, lesões nos meniscos e fraturas por estresse. 

As dores persistentes e localizadas que pioram durante a corrida, inchaço, limitação dos movimentos, sensação de instabilidade articular e desconforto indicam a necessidade de avaliação médica e não devem ser ignoradas. A recomendação é que os iniciantes realizem avaliação médica e tenham o acompanhamento de um profissional de educação física para contribuir com a evolução gradual e segura. 

Para Marcelo Ruck, a corrida é uma atividade física completa. No entanto, o sucesso da sua prática depende de planejamento e respeito aos limites individuais. "O segredo está em entender que a evolução não acontece da noite para o dia. Quando existem preparo adequado, orientação e progressão responsável, é possível aproveitar as vantagens da atividade reduzindo o risco de lesões", conclui.

 

Hospital Santa Casa de Mauá
Avenida Dom José Gaspar, 1.374, Vila Assis, em Mauá.
telefone (11) 2198-8300
https://santacasamaua.org.br/


Sono de qualidade pode salvar vidas nas estradas: especialista alerta para riscos invisíveis da fadiga ao volante

 Conselheiro da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), médico Alberto Ogata explica como o relógio biológico, a privação de sono e distúrbios como a apneia aumentam o risco de acidentes e defende programas de gestão da fadiga nas empresas 

 

Dormir pouco ou mal pode ser tão perigoso quanto dirigir sob efeito de álcool. Embora a embriaguez seja amplamente reconhecida como um fator de risco no trânsito, a sonolência ainda é subestimada — mesmo sendo responsável por reduzir significativamente a atenção, o tempo de reação e a capacidade de tomada de decisões ao volante.  

Segundo o médico Alberto Ogata, conselheiro da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), a explicação está no funcionamento do relógio biológico, responsável por regular praticamente todas as funções do organismo ao longo das 24 horas, como sono, vigília, temperatura corporal, produção hormonal e níveis de atenção.  

"Dirigir é uma atividade que exige vigilância constante. Em determinados períodos do dia, especialmente durante a madrugada e no início da tarde, nosso organismo apresenta uma queda natural do estado de alerta. Se isso se soma à privação de sono, o risco de microssonos e lapsos de atenção aumenta de forma significativa", afirma. 

O especialista lembra que, a 100 km/h, um motorista que adormece por apenas quatro segundos percorre uma longa distância sem qualquer controle do veículo — tempo suficiente para provocar um acidente grave. 

  

Cronotipo influencia o desempenho   

Além da quantidade de horas dormidas, outro fator importante é o cronotipo, ou seja, a tendência natural de cada pessoa funcionar melhor em determinados horários do dia. 

Quando um motorista trabalha em horários incompatíveis com seu relógio biológico, ocorre um desalinhamento que prejudica funções cognitivas essenciais, como memória operacional, atenção sustentada, velocidade de processamento e percepção de risco.   

Esse cenário se torna ainda mais preocupante entre motoristas profissionais submetidos a jornadas prolongadas, escalas noturnas, alimentação irregular e pouco tempo para descanso. De acordo com Ogata, a combinação desses fatores favorece o chamado "jet lag social", condição associada ao aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares. 

  

Privação de sono pode ter efeito semelhante ao álcool   

Diversos estudos científicos demonstram que permanecer acordado por muitas horas compromete o desempenho de maneira semelhante ao consumo de bebidas alcoólicas. 

Pesquisas apontam que cerca de 17 horas contínuas de vigília podem produzir prejuízos comparáveis aos de uma alcoolemia de 0,05%, enquanto 24 horas sem dormir podem equivaler a aproximadamente 0,10%. 

"A grande diferença é que o álcool é facilmente reconhecido como um risco. Já a sonolência costuma ser negligenciada. Muitas pessoas acreditam que conseguem resistir ao sono, mas os microssonos acontecem sem que o motorista perceba", alerta. 

  

Distúrbios do sono ampliam o risco de acidentes   

A preocupação não se limita à falta de descanso. Distúrbios como apneia obstrutiva do sono, insônia, narcolepsia e síndrome das pernas inquietas também comprometem a qualidade do sono e aumentam a probabilidade de acidentes. 

No caso da apneia, o sono é interrompido diversas vezes durante a noite, reduzindo a oxigenação e impedindo um descanso reparador. Como consequência, mesmo após várias horas de sono, a pessoa pode acordar cansada, apresentar sonolência diurna e redução da capacidade de concentração. 

Além de aumentar o risco de acidentes, a apneia está associada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). 

  

Gestão da fadiga deve fazer parte da estratégia das empresa 

Para Alberto Ogata, o combate à sonolência no trânsito não depende apenas da conscientização individual. Empresas que possuem motoristas em suas operações precisam tratar a fadiga como um risco ocupacional passível de prevenção. 

Entre as principais medidas estão o rastreamento de distúrbios do sono, avaliações periódicas, encaminhamento para diagnóstico e tratamento, escalas mais adequadas ao relógio biológico, pausas planejadas e uma cultura organizacional que permita aos profissionais relatar fadiga sem receio de punições. 

"Quando a empresa enxerga a sonolência como um fator de risco gerenciável, ela protege o trabalhador, reduz acidentes, diminui custos assistenciais e contribui para uma mobilidade mais segura para toda a sociedade", conclui o especialista. 

Para o médico, investir em programas estruturados de gestão da fadiga é uma estratégia que beneficia trabalhadores, organizações e a segurança viária como um todo, tornando o cuidado com o sono uma medida essencial de saúde ocupacional e prevenção de acidentes. 


Infarto não é um evento repentino: estudo aponta fatores de risco silenciosos em 99% dos casos

Pressão 12×8, pré-diabetes e colesterol moderado já exigem acompanhamento. As condições foram responsáveis pelo óbito de mais de 180 mil pessoas no Brasil no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 30% do total, e registram uma mortalidade duas vezes maior que todos os cânceres somados

 

Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) registraram mais de 180 mil óbitos por doenças cardiovasculares no Brasil entre janeiro e junho de 2026. O infarto do miocárdio é a primeira causa isolada de mortes no país. O AVC, a segunda. O que a maioria das pessoas desconhece é que esses eventos agudos raramente surgem do nada. Um outro estudo internacional publicado no Journal of the American College of Cardiology, com dados de mais de 9,3 milhões de pessoas na Coreia do Sul e 6.803 indivíduos nos Estados Unidos, identificou um padrão que em mais de 99% dos casos, havia ao menos um fator de risco prévio ao primeiro evento cardiovascular. Entre 93% e 97% dos pacientes apresentavam dois ou mais fatores combinados.

O coração e os vasos sanguíneos enviam sinais ao longo de anos. De acordo com a Dra. Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, clínica referência em medicina vascular de alta performance, o problema é que esses sinais, muitas vezes, não incomodam. “Pressão arterial que marca 12×8 – valor considerado normal-alto pela medicina – não causa dor de cabeça. Glicemia em estágio de pré-diabetes não provoca sede excessiva. Colesterol moderadamente elevado não produz sintoma algum. No entanto, a combinação silenciosa desses três fatores, mantida por uma década, constrói o terreno perfeito para o infarto ou o AVC”, afirma a profissional. As doenças cardiovasculares matam duas vezes mais que todos os tipos de câncer somados e três vezes mais que as doenças respiratórias. A cada ano, cerca de 350 mil pessoas morrem no Brasil por essas condições, segundo a instituição.

A hipertensão arterial não controlada merece atenção especial. De acordo com outros dados da SBC, o simples fato de manter a pressão elevada ao longo dos anos pode reduzir em mais de uma década a expectativa de vida. O impacto não é imediato, o que torna o controle um desafio diário. Pacientes abandonam a medicação porque se sentem bem. Retornam ao consultório apenas depois do primeiro susto – quando o coração já sofreu alguma lesão ou o cérebro já registrou um pequeno derrame.

A Dra. Haila explica que a lógica da prevenção vascular precisa ser invertida na cabeça das pessoas. "Não se espera o infarto para depois cuidar da pressão. O cuidado começa quando os números estão apenas no limite superior da normalidade. Pressão 12×8, colesterol total próximo de 190, glicemia de jejum entre 100 e 125. Esses valores já são um sinal amarelo", alerta a especialista. Segundo a médica, o grande erro é tratar o exame de rotina como um teste de aprovação ou reprovação. "O paciente olha para o resultado e vê que não está vermelho, não tem asterisco de 'alterado'. E acha que está tudo bem. Só que a doença cardiovascular não se instala do dia para a noite. Ela avança durante anos nessa faixa cinzenta que a medicina chama de risco intermediário”, analisa a Dra Haila.

Outro estudo recente, publicado no Journal of the American College of Cardiology reforça quais condições estavam presentes antes do primeiro infarto, AVC, diagnóstico de doença arterial coronariana ou insuficiência cardíaca. A conclusão foi que o risco não identificado ou não tratado é o grande vilão. Alterações discretas, quando negligenciadas, se somam ao longo do tempo. Um paciente com pressão normal-alta, sobrepeso leve e histórico familiar de infarto tem uma combinação muito mais perigosa do que imagina.

A Dra. Haila recomenda que adultos a partir dos 30 anos façam um check-up vascular anual, com medição de pressão, perfil lipídico completo, glicemia de jejum e avaliação do índice tornozelo-braço, exame que detecta precocemente obstruções arteriais. Para pessoas com histórico familiar de infarto ou AVC antes dos 60 anos, a especialista orienta iniciar o monitoramento ainda mais cedo, por volta dos 25 anos. "A prevenção vascular não é para idosos. As placas de gordura nas artérias começam a se formar na adolescência. O que difere é a velocidade de progressão. Quanto mais cedo se intervém, mais anos de vida com qualidade se ganha", finaliza a profissional.

Os sinais de alerta para um evento iminente incluem cansaço incomum aos esforços que antes eram tolerados, falta de ar, dor no peito que aparece aos esforços e desaparece no repouso, inchaço nas pernas que piora ao longo do dia e palpitações sem causa aparente. Qualquer um desses sintomas, mesmo que leve ou passageiro, merece avaliação médica. 



Dra. Haila Almeida - Médica cirurgiã vascular com atuação focada em tratamentos de vasinhos e varizes por meio da tecnologia a laser. É fundadora e líder do Instituto Alphaveins, clínica reconhecida por seu padrão de excelência em medicina vascular de alta performance. Com sólida formação e vivência prática, alia conhecimento técnico, gestão estratégica e experiência humana para ir além do tratamento, promovendo também o autocuidado, longevidade e autoestima, com foco em resultados reais, segurança e uma experiência verdadeiramente memorável. Empresária e mentora de outros profissionais da área da saúde, conduz uma abordagem inovadora na formação de médicos empreendedores, apoiando o desenvolvimento de carreiras conceituadas, éticas e bem-posicionadas. À frente do Alphaveins, coordena uma equipe multidisciplinar, desenvolve protocolos exclusivos e mantém-se atualizada com as mais recentes tecnologias no campo da cirurgia vascular. Reconhecida por sua liderança inspiradora e conhecimento prático, mantém atuação ativa também como comunicadora nas redes sociais, promovendo informação acessível e conscientização sobre cuidados vasculares. Mais informações: https://www.instagram.com/hailaalmeidaa/



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Gravidez após os 40: cuidados e possibilidades para uma maternidade saudável

A gravidez após os 40 é uma realidade cada vez mais presente, e figuras públicas como Gisele Bündchen, Sabrina Sato e Anne Hathaway mostram que é possível ser mãe nessa fase da vida. Especialistas orientam sobre cuidados e alternativas para quem deseja vivenciar a maternidade com segurança e saúde
 

Recentemente, as gestações de Sabrina Sato, Anne Hathaway, Gisele Bündchen, Mariana Rios, trouxeram à tona o tema da gravidez após os 40 anos, uma possibilidade que tem se tornado mais frequente para muitas mulheres. Esse cenário, além de inspirador, exige atenção especial e um acompanhamento médico cuidadoso para que o processo seja seguro e saudável.

Embora a gravidez natural seja possível nessa faixa etária, especialistas em reprodução humana reforçam que a partir dos 40, os cuidados com a saúde da mulher e a avaliação médica criteriosa são essenciais.

Dra. Graziela Canheo, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da La Vita Clinic explica que com o avanço da idade ocorre uma redução natural no número e na qualidade dos óvulos, o que impacta tanto as chances de gravidez quanto os riscos de complicações. “Aos 40, engravidar naturalmente ainda é possível, mas é importante que a mulher e o casal façam um check-up completo, que identifique possíveis fatores que possam impactar a fertilidade e a saúde da gestação”, destaca. Exames como avaliação das trompas, ultrassom e dosagem hormonal, além de um controle de condições de saúde como hipertensão e diabetes, ajudam a assegurar uma gestação mais tranquila e monitorada.

Para aquelas que desejam adiar a maternidade, o congelamento de óvulos tem se mostrado uma alternativa valiosa. Como explica a Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em reprodução humana pela FEBRASGO, a técnica permite que a mulher preserve óvulos mais jovens, aumentando as chances de uma gravidez segura no futuro e reduzindo os riscos de alterações cromossômicas. "O congelamento de óvulos, quando realizado antes dos 40, funciona como um seguro para as mulheres que, por diversas razões, preferem postergar a maternidade", comenta Fettback.

Os avanços da medicina reprodutiva também têm oferecido alternativas que beneficiam as mulheres que desejam engravidar após os 40. A análise cromossômica embrionária e o cultivo embrionário com tecnologia timelapse, por exemplo, ajudam a identificar embriões viáveis e com maior potencial de implantação, o que aumenta as taxas de sucesso em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV). “Embora não possamos aumentar a quantidade de óvulos, essas tecnologias oferecem maior segurança e viabilidade ao processo de gravidez assistida”, explica Dra. Graziela.

Para muitas mulheres, a maternidade após os 40 é uma escolha que envolve segurança financeira, estabilidade emocional e um planejamento mais detalhado, mas que também requer cuidados adicionais com o estilo de vida.

Alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas e cuidados com a saúde mental são considerados essenciais por especialistas para assegurar uma gravidez tranquila. "A saúde da mãe e do bebê está diretamente relacionada a esses cuidados, e a escolha de profissionais capacitados faz toda a diferença no acompanhamento”, complementa a Dra. Paula Fettback.

A gravidez após os 40, que antes era exceção, torna-se cada vez mais viável graças ao apoio da medicina e dos avanços reprodutivos.

 

Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR . Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)

 

Musculação reprograma células do fígado e ajuda a reverter danos da obesidade

Para descobrir como o trabalho muscular impacta o fígado, a pesquisa focou na epigenética,
 área da ciência  que avalia de que forma fatores como hábitos de vida alteram o funcionamento
dos genes sem modificar o código do DNA
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Estudo da Unicamp com camundongos revela que o treinamento de força modula o genoma hepático, restaurando a sensibilidade à insulina e combatendo o acúmulo de gordura no órgão

 

 Estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que os benefícios da musculação vão além do ganho de músculos e da perda de gordura. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que o treinamento de força induz uma verdadeira reprogramação molecular no fígado. A descoberta ajuda a entender como a prática modula o funcionamento do genoma para mitigar a doença hepática esteatótica – condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no órgão e intimamente ligada ao surgimento do diabetes tipo 2.

“Queríamos entender como algo que ocorre nos músculos poderia interferir e beneficiar um problema no fígado. Para isso, fomos investigar o cerne do metabolismo, que é o nosso DNA. O objetivo foi compreender como a obesidade agride esse DNA e, depois, como a musculação consegue protegê-lo”, relata Leandro Pereira de Moura, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp) e coordenador da pesquisa, em entrevista à Agência FAPESP.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram divulgados em novembro na revista Life Sciences.

Para descobrir como o trabalho muscular impacta o fígado, a pesquisa focou na epigenética. Essa área da ciência avalia de que forma fatores externos – como hábitos de vida e condições ambientais – alteram o funcionamento dos genes sem modificar o código do DNA.

Um dos fenômenos epigenéticos mais estudados é a metilação do DNA. Ela consiste na adição de uma molécula química (o grupo metil) na chamada região promotora do gene, que funciona como o “botão de ligar”. Essa marcação química atua como uma barreira física que torna o gene menos acessível para as enzimas da célula, inibindo a sua atividade.

Nos experimentos com roedores, os pesquisadores verificaram que oito semanas de musculação foram suficientes para alterar a metilação do gene MTCH2 (homólogo 2 do transportador mitocondrial), que está fortemente envolvido na forma como o fígado processa e utiliza a energia.

Como explica Moura, a obesidade obriga o fígado a trabalhar em um ambiente tóxico. O excesso de gordura se acumula nos hepatócitos – as principais células do fígado –, desencadeando uma inflamação crônica e falhas nas mitocôndrias, que são as "usinas de energia" celulares. O fígado busca se regenerar, mas, sem energia suficiente, esse processo falha. O tecido sadio vai sendo substituído por tecido cicatricial (fibrose) em um processo que destrói aos poucos a função do órgão. É nesse cenário de estresse extremo que o corpo desregula o funcionamento do gene MTCH2, acelerando ainda mais a progressão da doença.

Nos experimentos com os camundongos treinados, os cientistas observaram algo intrigante: embora as células do fígado até emitissem o comando genético (RNA mensageiro) para ativar o MTCH2, a quantidade final da proteína ligada a esse gene diminuiu. Segundo Moura, isso ocorre porque a musculação devolveu a capacidade energética ao órgão e reduziu a inflamação. Ao perceber que o ambiente não era mais tóxico, o organismo desligou o "modo de emergência". Sem o estresse celular e os sinais de autodestruição, o próprio corpo bloqueou as etapas finais de formação dessa proteína.


Resistência à insulina

Um dos papéis do fígado é ajudar a manter estável o nível de açúcar no sangue (glicemia) para garantir o funcionamento de todos os órgãos, principalmente do cérebro. Sob o comando da insulina, o fígado armazena o açúcar excedente logo após as refeições na forma de glicogênio; já nos períodos de jejum, ele libera essa reserva de volta na corrente sanguínea. Em condições normais, a insulina funciona como um mensageiro que avisa o fígado para parar de liberar glicose quando o corpo já está abastecido. Mas quando o órgão está sufocado pela gordura e inflamado, ele desenvolve resistência à insulina, ou seja, fica “surdo” a esse aviso e continua mandando açúcar para a circulação. Um dos achados da pesquisa é que, nos roedores obesos que praticaram treinamento de força, o fígado recuperou a sensibilidade à insulina.

Os resultados também indicam que a atividade física inibiu a ação de enzimas que causam a fibrose e o crescimento celular desordenado. E impulsionou a produção de ATP5, proteína essencial para a geração de energia mitocondrial. “Com energia abundante, as células saem do estado de alerta e deixam de ativar o gene MTCH2, favorecendo a regeneração do tecido”, resume Moura. “Levantar pesos fortalece não só os músculos, mas também controla como o DNA do fígado funciona.”

O artigo Epigenetically modulated MTCH2 and regulated ATP5 in the liver of obese mice subjected to strength training pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0024320525007416.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/musculacao-reprograma-celulas-do-figado-e-ajuda-a-reverter-danos-da-obesidade/58572


Vai viajar nas férias de julho? Vacinação e cuidados de saúde devem fazer parte do planejamento

 Sociedade Paulista de Infectologia alerta para a importância da medicina do viajante, atualização da caderneta vacinal e prevenção de doenças infecciosas antes de viagens nacionais e internacionais

 

Com a aproximação das férias de julho, muitas famílias já começam a planejar viagens pelo Brasil e para o exterior. O período costuma aumentar o movimento em aeroportos, rodoviárias, hotéis, parques, praias, destinos de frio e eventos de grande circulação de pessoas. Nesse contexto, a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) reforça que o planejamento da viagem deve incluir também uma etapa muitas vezes esquecida: a avaliação de saúde pré-viagem. 

A orientação vale tanto para quem pretende viajar para fora do país quanto para quem circulará pelo Brasil, especialmente em roteiros que envolvem áreas rurais, regiões de mata, ecoturismo, destinos com maior risco de febre amarela, locais com surtos ativos de doenças infecciosas ou ambientes de grande aglomeração. Segundo a SPI, revisar a caderneta vacinal com antecedência é uma das medidas mais importantes para reduzir riscos durante o deslocamento. 

“Viajar com segurança não é apenas comprar passagem e reservar hospedagem. A saúde também precisa entrar no roteiro. Algumas vacinas precisam de tempo para gerar proteção adequada, e outras podem ser recomendadas de acordo com o destino, idade, histórico vacinal e condições de saúde do viajante”, afirma Rodrigo de Carvalho Santana, diretor da SPI. 

Entre as vacinas que devem ser avaliadas antes das férias estão influenza, covid-19, tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, hepatite B, tétano, difteria, coqueluche e febre amarela, quando indicada. Para determinados destinos ou perfis de viajantes, também pode haver recomendação de proteção contra hepatite A, febre tifoide e outras doenças, além de orientações específicas sobre água, alimentos, prevenção de diarreia do viajante e cuidados com picadas de mosquitos. 

A atenção ao sarampo também merece destaque. A doença é altamente contagiosa, transmitida pelo ar, e pode se espalhar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas. Por isso, viajantes devem verificar se estão adequadamente imunizados antes de embarcar, especialmente em deslocamentos internacionais ou para locais com circulação da doença. 

“A medicina do viajante não é uma lista única de vacinas. Ela considera o destino, o tempo de permanência, o tipo de hospedagem, as atividades previstas, a presença de crianças, idosos, gestantes ou pessoas imunossuprimidas, além de doenças pré-existentes e medicamentos em uso. Cada viagem pode exigir uma orientação diferente”, explica Santana. 

A SPI também chama atenção para doenças respiratórias, comuns em períodos de frio e em ambientes fechados, como aviões, ônibus, aeroportos, hotéis e atrações turísticas. Higienizar as mãos, evitar contato próximo com pessoas sintomáticas, usar máscara em caso de sintomas respiratórios ou maior vulnerabilidade, manter boa hidratação e não viajar doente são medidas simples que ajudam a reduzir riscos. 

Febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, falta de ar, piora do estado geral, rigidez na nuca, diarreia persistente, sinais de desidratação ou sintomas após retorno de áreas com circulação de doenças infecciosas devem motivar avaliação médica. Para a SPI, o objetivo não é gerar alarme, mas reforçar que informação e prevenção fazem parte de uma viagem segura. 

“Mesmo quem deixou para se organizar na última hora ainda deve conferir a carteira vacinal e buscar orientação. Viajar protegido é uma forma de cuidar da própria saúde, da família e também de evitar a circulação de doenças preveníveis no retorno”, conclui Santana. 


Fonte:
Sociedade Paulista de Infectologia


Fórum debate os impactos médicos e os reflexos culturais da era das canetas emagrecedoras no Brasil

Evento realizado por Marie Claire nesta sexta-feira (26), em São Paulo, reuniu médicos, pesquisadores, especialistas em comportamento, beleza e mercado para discutir o uso responsável das canetas emagrecedoras, o acesso ao tratamento e as transformações provocadas pelos medicamentos dentro e fora dos consultórios


As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser um tema restrito à medicina e passaram a ocupar debates sobre comportamento, beleza, economia e saúde pública. Esse foi o ponto central do Fórum Marie Claire: A Revolução das Canetas Emagrecedoras, realizado em São Paulo na última sexta-feira (26), que reuniu especialistas para discutir como os análogos de GLP-1 estão transformando o tratamento da obesidade e seus impactos além dos consultórios.

Ao longo de quatro painéis, médicos, pesquisadores, representantes da indústria farmacêutica e especialistas em comportamento, moda e beleza discutiram os avanços dos medicamentos, mas também os desafios relacionados à indicação correta, acompanhamento profissional, acesso e uso responsável.

No primeiro bloco, intitulado ‘Medicina: A indicação real das canetas: para quem, como agem e onde estão os limites’, o fórum detalhou que os impactos terapêuticos superam a perda de peso, com evidências de que os análogos de GLP-1 reduzem crises de enxaqueca, diminuem o consumo de álcool e atuam diretamente sobre o *food noise*, que são os pensamentos repetitivos sobre comida. O professor Dr. Bruno Geloneze ressaltou que a tecnologia é fruto de décadas de investigação científica, pontuando que “o GLP-1 é um hormônio que atua em vários lugares do organismo. Nós conseguimos explorar algo que a natureza nos deu por meio da ciência, da farmacologia e da pesquisa”. A psicóloga Vanessa Tomasini alertou sobre a necessidade de não se restringir a discussão ao fármaco, defendendo que “quando a gente fala apenas sobre a medicação, a discussão fica muito rasa. É preciso entender a complexidade do uso, tanto para o paciente individualmente quanto para as relações sociais que envolvem corpo e alimentação”. Relembrando que o ato de comer carrega um forte componente afetivo, a especialista acrescentou que “comida não é só nutriente. Ela é uma cola social, um elemento que conecta as pessoas e muitas vezes também é usada para regular emoções”.

O debate sobre inclusão e sustentabilidade financeira continuou no Painel 2, ‘Acesso: Democratização das canetas emagrecedoras no mercado’. Foi destacado que o setor de análogos de GLP-1 cresceu 97,6% nos últimos 12 meses. Andréa Frazão, diretora de Prescrição Médica da Eurofarma, avaliou o ritmo do mercado: “O setor já vem de uma sequência de crescimento de dois dígitos e deve manter esse ritmo nos próximos anos. Com a queda da patente da semaglutida e a entrada de novos concorrentes, a expectativa é de redução de preços, o que tende a ampliar o acesso ao tratamento”. Apesar de iniciativas como o programa EuroCuida da Eurofarma, o custo mensal do tratamento de saúde regular ainda pode ultrapassar R$ 2 mil, funcionando como barreira para a maior parte da população.

Diante desse cenário, a endocrinologista Dra. Karen de Marca defendeu a incorporação da terapia no SUS para conter complicações e custos hospitalares futuros, argumentando que “a gente já conseguiu mostrar que a obesidade é uma doença crônica. Agora, precisamos deixar claro que o Brasil está entre os países em que ela mais cresce e que o tratamento precoce pode evitar uma série de complicações”. Ela alertou que o preço elevado empurra pacientes para o mercado ilegal, ignorando a cadeia de segurança oficial: “quem precisa do medicamento muitas vezes não consegue comprá-lo [...]. Sem acesso ao tratamento regular, essa pessoa acaba buscando alternativas fora do circuito seguro. [...] Quando você coloca um produto liberado pela Anvisa na prateleira, ele passou por toda a avaliação necessária”. Complementando a visão, a nutricionista Fernanda Scagliusi destacou que a restrição financeira compromete o suporte de uma equipe de apoio, sustentando que “o acompanhamento multidisciplinar é essencial para manter os resultados a longo prazo. [...] Eu não acredito que a gente tenha hoje um tratamento que contemple isso, nem nos serviços mais caros”. Para a professora, a verdadeira democratização exige enfrentar a gordofobia e mudar condições estruturais de vida: “quando a gente fala de democratização, está falando de autonomia, escolhas e possibilidades. [...] Se eu não mexer nas produções, na escala 6x1, na misoginia e das estruturas, eu estou falando para uma bolha e responsabilizando o paciente”.

As duas últimas mesas de debate jogaram luz sobre os desdobramentos de estilo de vida, bem-estar e mercado. No Painel 3, ‘Beleza: O que muda na pele, no cabelo e no espelho’, discutiu-se a flacidez de pele relatada por 82% dos pacientes em tratamento com medicamentos à base de GLP-1, além de efeitos frequentes como queda de cabelo, alterações cutâneas e perda de gordura facial. A dermatologista Sylvia Ypiranga e a tricologista Josi Helena debateram estratégias clínicas para conter esses danos e atenuar os impactos ao espelho, dividindo espaço com a influenciadora Bárbara Bielo, que trouxe relatos sobre sua experiência pessoal com o tratamento da obesidade.

O fechamento do fórum ocorreu no Painel 4 | Comportamento: Como as canetas estão mudando o que a mulher come, veste e compra, abordando os reflexos práticos na economia e nos hábitos diários das mulheres. Pesquisas revelam que o avanço do GLP-1 pode reduzir os gastos populacionais com alimentação em 50 bilhões de dólares anuais devido à queda no consumo de ultraprocessados e à alta na procura por proteínas e alimentos funcionais. O debate contou com os insights de Marcos Laredo, sócio-diretor da KPMG no Brasil, e Monica Levandoski, consultora sênior da WGSN, que avaliaram as transformações do varejo e o fato de que 56% dos usuários aumentam a frequência de compra de vestuário após o início do tratamento. A mesa também trouxe a análise de Thais Farage, pesquisadora de consumo e gênero, enriquecendo o debate sobre as mudanças comportamentais no guarda-roupa feminino e na identidade em transição das consumidoras.



Fontes:

Kantar Ibope Media – TG BR 2025 R3 - Pessoas: Leitores Revista: Leu impresso nos últimos 6 meses + edição digital (sem sobreposição)

Kantar Ibope Media - TGI - Clickstream - TG BR 2025 R3 - Pessoas | Leu impresso + site

IVC : Revistas: Outubro/2025 (impresso + digital)

Comscore Multi-Plataform Out-Dez/2025 - Total Digital Population - Desktop and Mobile

Analytics Redes Sociais Dezembro/2025 (dados com sobreposição entre as redes)

Kantar Ibope Media – Clickstream MP TG BR 2024 R1 - Personas

 

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