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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O boom dos suplementos está adoecendo os rins?

Especialista destaca que pré-treinos, chás emagrecedores e anabolizantes podem causar danos renais silenciosos e, em alguns casos, irreversíveis

 

A busca por melhor desempenho físico, ganho de massa muscular e emagrecimento rápido tem impulsionado o consumo de suplementos alimentares no Brasil. No entanto, o uso excessivo e sem acompanhamento profissional desses produtos tem preocupado especialistas, especialmente pelos riscos que podem representar para a saúde dos rins.

Segundo o nefrologista e vice-presidente médico da DaVita Tratamento Renal, Bruno Zawadzki, cresce o número de pacientes que chegam aos consultórios com alterações renais associadas ao uso inadequado de suplementos, compostos estimulantes e produtos vendidos como naturais.

"Temos observado cada vez mais pessoas utilizando diversos produtos simultaneamente, muitas vezes sem qualquer orientação profissional. Os rins funcionam como um filtro do organismo. Quando recebem uma carga excessiva de substâncias concentradas, acabam trabalhando de forma sobrecarregada, o que pode comprometer sua função", explica.

Embora a creatina seja frequentemente alvo de dúvidas, o médico ressalta que, quando utilizada corretamente e em doses adequadas, ela costuma ser segura para indivíduos saudáveis. O maior risco está no consumo indiscriminado de outros produtos.

"Os pré-treinos com excesso de estimulantes merecem atenção especial. Algumas fórmulas contêm doses muito elevadas de cafeína e outras substâncias que podem aumentar a pressão arterial, favorecer a desidratação e reduzir o fluxo sanguíneo para os rins", afirma Bruno Zawadzki.

Outro grupo de produtos que merece atenção é composto pelos chamados suplementos naturais para emagrecimento. "Existe uma falsa ideia de que, por serem naturais, esses produtos não oferecem riscos. Isso não é verdade. Algumas ervas e extratos concentrados podem ser tóxicos para as células renais e provocar lesões importantes", alerta o nefrologista.

Além disso, o médico destaca os danos causados pelos anabolizantes, associados não apenas a problemas cardiovasculares e hepáticos, mas também a lesões renais potencialmente irreversíveis.


Danos silenciosos

A ampla disponibilidade desses produtos contribui para uma percepção equivocada de segurança. "Muitas pessoas acreditam que, por estarem à venda livremente, os suplementos são totalmente inofensivos. No entanto, a diferença entre um produto benéfico e um prejudicial está na dose, na indicação correta e nas características de cada indivíduo. O fato de não precisar exigir receita não significa que o organismo conseguirá lidar bem com aquela carga diária", pontua o vice-presidente médico da DaVita Tratamento Renal.

Um dos principais desafios é que os rins costumam apresentar poucos sintomas nas fases iniciais de lesão. O grande problema, de acordo com o especialista, é que os rins são órgãos silenciosos. Na maioria dos casos, os primeiros sinais de dano não são percebidos pelo paciente e só aparecem em exames laboratoriais, como a dosagem da creatinina e a análise de urina.

Por isso, antes de iniciar qualquer rotina de suplementação, a recomendação é realizar uma avaliação médica e o monitoramento periódico da função renal. "Saber se está tudo sob controle com a função renal antes de começar a suplementação e acompanhar esses parâmetros ao longo do uso é uma medida simples que pode evitar muitos problemas graves no futuro", conclui Bruno Zawadzki.

 

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