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terça-feira, 2 de junho de 2026

Estudo global da Novo Nordisk revela que 2 em cada 5 pessoas com doenças no coração apresentam inflamação cardiovascular, que aumenta o risco de infarto e AVC


  • O estudo POSEIDON, da Novo Nordisk, realizado com 19 mil pacientes em 18 países, mostrou que a inflamação cardiovascular (CV) continua altamente prevalente entre pessoas com doença cardiovascular (DCV), apesar do tratamento padrão atual1,2
  • No mundo, duas em cada cinco pessoas com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e doença renal crônica (DRC), ou com insuficiência cardíaca, apresentam inflamação cardiovascular1,2. Na América Latina, o dado é ainda mais alarmante: uma em cada duas pessoas com doenças cardiovasculares tem inflamação cardiovascular (PCR-us ≥2 mg/L)1,³.
  • O estudo revela que a inflamação cardiovascular é um fator de risco independente para eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas que vivem com doenças no coração, além de evidenciar uma lacuna no cuidado cardiovascular em nível global1,³.
  • Em consonância com as diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) e com o posicionamento científico do American College of Cardiology (ACC), os resultados reforçam a importância da mensuração da proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) em pacientes com DCV³˒¹³˒¹⁴˒¹⁵.

 

A Novo Nordisk, líder global em saúde, apresentou novos resultados do histórico estudo POSEIDON durante o 94º Congresso da European Atherosclerosis Society (EAS), em Atenas, na Grécia. O estudo, baseado em evidências do mundo real, demonstrou que a inflamação cardiovascular permanece altamente prevalente entre pessoas com doenças cardiovasculares (DCV), mesmo com o tratamento padrão atualmente disponível. Os dados indicaram que 2 em cada 5 pessoas com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e doença renal crônica (DRC) apresentavam inflamação cardiovascular, condição associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares como AVC e infarto2,4. 

Uma segunda análise do POSEIDON, recentemente publicada no European Journal of Heart Failure, mostrou que duas em cada cinco pessoas com insuficiência cardíaca também apresentam inflamação cardiovascular¹. No estudo POSEIDON, a inflamação cardiovascular foi medida e definida por níveis de proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) ≥2 mg/L¹. O PCR-us (PCR ultrassensível) é o exame de sangue mais comumente utilizado e amplamente disponível nas redes pública e privada para medir inflamação cardiovascular⁴⁶. 

Os resultados evidenciam uma lacuna significativa no cuidado cardiovascular atual. Mesmo quando as pessoas recebem tratamentos recomendados pelas diretrizes para controlar, por exemplo, colesterol, pressão arterial e glicemia, o risco cardiovascular impulsionado pela inflamação persiste³,⁷. O estudo POSEIDON representa uma das maiores avaliações globais contemporâneas da prevalência de inflamação cardiovascular nessa população de alto risco e, portanto, uma grande evolução na cardiologia1,2. 

“O estudo POSEIDON fornece evidências fundamentais de que a inflamação cardiovascular representa uma fonte significativa de risco residual persistente em pessoas que vivem com doença cardiovascular aterosclerótica e doença renal crônica ou insuficiência cardíaca, apesar de receberem o tratamento padrão atualmente”, afirmou Filip Knop, vice-presidente sênior e diretor médico da Novo Nordisk. “Compreender a dimensão do risco inflamatório cardiovascular é essencial à medida que avançamos em nossa pesquisa orientada pela inovação para desenvolver uma terapia inédita em sua classe, com potencial para atender a essa importante necessidade médica não atendida.” 

O POSEIDON incluiu 18.904 pacientes em 18 países da Europa, América do Norte, América do Sul e Ásia-Pacífico entre 2023 e 20251,2.No estudo, 13.475 pacientes apresentavam doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), dos quais 5.757 (42,7%) tinham doença renal crônica (DRC), enquanto 11.809 pacientes apresentavam insuficiência cardíaca, abrangendo todos os tipos da condição (fração de ejeção preservada, levemente reduzida ou reduzida)1,2. 

A inflamação cardiovascular desempenha um papel central no desenvolvimento e na progressão da doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA)⁸,⁹. Diversos estudos demonstraram que pessoas com inflamação cardiovascular enfrentam maior risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, incluindo infarto, AVC e morte cardiovascular³⁵. A inflamação cardiovascular também contribui para a progressão da doença renal crônica (DRC) e a própria DRC pode favorecer processos inflamatórios, criando um ciclo que amplifica o risco cardiovascular⁹. 

A inflamação cardiovascular também exerce papel fundamental na insuficiência cardíaca e é comum em todos os seus tipos, especialmente em pessoas com obesidade, doença renal e outras condições metabólicas¹,¹⁰. 

“O estudo POSEIDON deixa claro que a inflamação cardiovascular não é uma preocupação periférica, ela é um fator compartilhado de risco que afeta milhões de pacientes com doença cardiovascular em todo o mundo. As pessoas permanecem vulneráveis apesar das melhores terapias disponíveis atualmente”, afirmou a professora Carolyn S.P. Lam, consultora sênior do Departamento de Cardiologia do National Heart Centre Singapore e professora do Programa de Pesquisa em Distúrbios Cardiovasculares e Metabólicos da Duke-NUS Medical School. “O que chama atenção é a consistência dos sinais inflamatórios em populações de pacientes tão diversas. Essa consistência aponta para um caminho prático: identificar os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar de terapias que atuem diretamente sobre a inflamação. Isso reformula a forma como devemos pensar o risco cardiovascular residual e reforça o potencial das novas terapias anti-inflamatórias para atender a uma necessidade real ainda não satisfeita.” 

O reconhecimento crescente do papel da inflamação na doença cardiovascular se reflete em diretrizes recentes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC), que incluem a elevação de indicadores do exame PCR-us (PCR ultrassensível) como um biomarcador modificador de risco para orientar estratégias preventivas mais intensivas¹¹,¹².

 

Sobre o POSEIDON

POSEIDON é um grande estudo observacional multinacional, transversal, de evidências do mundo real, desenvolvido para avaliar a prevalência e as características do alto risco inflamatório (definido como PCR-us ≥2 mg/L) em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), com ou sem doença renal crônica (DRC) e/ou insuficiência cardíaca. O estudo incluiu 18.904 pacientes em 18 países entre 2023 e 2025. Pacientes com infecções recentes, hospitalizações ou atendimentos médicos não programados foram excluídos para garantir que os marcadores inflamatórios refletissem inflamação cardiovascular e não condições agudas1,2.

 

Sobre a inflamação cardiovascular

A inflamação cardiovascular é cada vez mais reconhecida como um fator-chave no desenvolvimento da doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e como uma das principais contribuições para o risco cardiovascular persistente em pessoas que recebem terapias preventivas padrão. Ela também desempenha papel central na insuficiência cardíaca e é comum em todos os tipos da condição (fração de ejeção preservada, levemente reduzida ou reduzida), especialmente em pessoas com obesidade, doença renal e outras condições metabólicas. O PCR-us é o exame de sangue mais amplamente disponível e um biomarcador validado de inflamação cardiovascular. Níveis de inflamação cardiovascular ≥2 mg/L estão associados a maior risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, incluindo infarto, AVC e morte cardiovascular⁴⁶. Apesar do manejo padrão dos fatores de risco tradicionais, como colesterol, pressão arterial e glicemia, muitas pessoas com DCVA continuam enfrentando risco cardiovascular elevado, impulsionado em parte pela inflamação persistente²,³,⁷. O mesmo ocorre em pessoas com qualquer tipo de insuficiência cardíaca, nas quais a inflamação cardiovascular está associada a sintomas mais graves e a um aumento do risco cardiovascular global¹.



Novo Nordisk
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Referências:

  1. Lam CSP, Contreras J, Darwesh R, et al. Prevalence and Predictors of High Inflammatory Risk in Heart Failure Subtypes: Findings From the Global POSEIDON Study. Eur J Heart Fail. 2026.
  2. Navar A, Bai L, Højen J, et al. Global Prevalence of Elevated High-Sensitivity C-Reactive Protein in Patients with Atherosclerotic Cardiovascular Disease, With and Without Chronic Kidney Disease: Findings From the POSEIDON Study. Late breaker oral presentation at the European Atherosclerosis Society 2026; May 24-27 2026; Athens, Greece.
  3. Ridker PM. Clinician's Guide to Reducing Inflammation to Reduce Atherothrombotic Risk: JACC Review Topic of the Week. J Am Coll Cardiol. 2018;72(25):3320-3331.
  4. Ridker PM, Bhatt DL, Pradhan AD, et al. Inflammation and cholesterol as predictors of cardiovascular events among patients receiving statin therapy: a collaborative analysis of three randomised trials. Lancet. 2023;401(10384):1293-1301.
  5. Ridker PM, Lei L, Louie MJ, et al. Inflammation and Cholesterol as Predictors of Cardiovascular Events Among 13 970 Contemporary High-Risk Patients With Statin Intolerance. Circulation. 2024;149(1):28-35.
  6. FDA. Review Criteria for Assessment of C-Reactive Protein (CRP), High Sensitivity C-Reactive Protein (hsCRP) and Cardiac C-Reactive Assays. Available at: https://www.fda.gov/regulatory-information/search-fda-guidance-documents/review-criteria-assessment-c-reactive-protein-crp-high-sensitivity-c-reactive-protein-hscrp-and Last accessed: May 2026.
  7. Peikert A, Kaier K, Merz J, et al. Residual inflammatory risk in coronary heart disease: incidence of elevated high-sensitive CRP in a real-world cohort. Clin Res Cardiol. 2020;109(3):315-323.
  8. Hansson GK. Inflammation, atherosclerosis, and coronary artery disease. New England Journal of Medicine. 2005;3521685–1695.
  9. Lawler PR, Bhatt DL, Godoy LC, et al. Targeting cardiovascular inflammation: next steps in clinical translation. European Heart Journal. 2021;42113–131.
  10. Mesquita T, Lin YN, Ibrahim A. Chronic low-grade inflammation in heart failure with preserved ejection fraction. Aging Cell. 2021;20(9):e13453.
  11. Arnett DK, Blumenthal RS, Albert MA, et al. 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. J Am Coll Cardiol. 2019;74(10):e177-e232.
  12. Visseren FLJ, Mach F, Smulders YM, et al. 2021 ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice: Developed by the Task Force for cardiovascular disease prevention in clinical practice with representatives of the European Society of Cardiology and 12 medical societies With the special contribution of the European Association of Preventive Cardiology (EAPC). European Heart Journal. 2021;42(34):3227-3337.
  13. Vrints C et al. Eur Heart J 2024;45:3415–3537 ;
  14. Mach F et al. Eur Heart J 2025;46:4359–4378;
  15. Mensah GA et al. J Am Col Cardiol 2025; 2025 Sep 29:S0735-1097(25)07555-2

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2 de junho - Dia Mundial da Conscientização dos Transtornos Alimentares

Condições que trazem as emoções para os pratos de comida. O mal afeta milhões de pessoas e exige tratamento multidisciplinar 

 

O dia 2 de junho é a data dedicada à conscientização dos transtornos alimentares, condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, muitas vezes, permanece silenciosa dentro das famílias, escolas e ambientes de trabalho. Mais do que uma preocupação estética, os transtornos alimentares são doenças psicossomáticas graves, com impactos físicos, emocionais e sociais significativos. 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem atualmente com algum transtorno alimentar no mundo. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Psiquiatria apontam um crescimento expressivo dos casos nos últimos anos, especialmente entre adolescentes e mulheres jovens, embora o problema também atinja homens, crianças e pessoas adultas. 

Entre os transtornos alimentares mais conhecidos estão a anorexia nervosa, caracterizada pela restrição extrema alimentar e distorção da imagem corporal; a bulimia nervosa, marcada por episódios de compulsão seguidos de comportamentos compensatórios; e o transtorno da compulsão alimentar periódica, associado à ingestão exagerada de alimentos acompanhada de culpa e sofrimento emocional. 

Para o médico nutrólogo Dr. Felipe Gazoni, um dos maiores desafios ainda é combater a banalização do tema, “transtorno alimentar não é vaidade ou falta de força de vontade. Estamos falando de doenças sérias, que envolvem fatores emocionais, psicológicos e biológicos”, afirma o especialista. 

O médico explica que as mudanças bruscas de peso, obsessão por calorias, culpa ao comer, compulsões e distorção da autoimagem estão entre os principais sinais de alerta. 

Além dos impactos emocionais, os transtornos alimentares podem trazer consequências severas para a saúde física, incluindo desnutrição, alterações hormonais, problemas cardiovasculares, perda muscular, ansiedade, depressão e aumento do risco de suicídio. 

O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. Segundo o nutrólogo, quanto mais precoce for a identificação, maiores são as chances de recuperação.

“O acolhimento da família, o diagnóstico precoce e o suporte profissional fazem toda a diferença no tratamento e na recuperação desses pacientes”, finaliza Dr. Felipe Gazoni.

 

Dr. Felipe Gazoni - O médico graduado em Nutrologia tem experiência hospitalar de 2015 a 2020, em urgência e emergência adulto e pediátrico. É pós-graduado pela ABRAN, Associação Brasileira de Nutrologia; Em Ciência da Obesidade e Sarcopenia; além de extensões como Workshop em Obesidade e Síndrome Metabólica; Curso Teórico e Prático de Reposição Hormonal Masculina e Feminina E Implantes Bio Absorvíveis; e Mentoria em Protocolos Avançados em Emagrecimento.

 

Colesterol alto: quando ele se torna perigoso e o que fazer para reduzir

Doenças cardiovasculares associadas a níveis elevados de colesterol estão entre principais causas de morte no mundo


O colesterol costuma aparecer nas conversas sobre saúde quase sempre como um vilão, mas a história não é tão simples assim. Essa substância gordurosa é essencial para o funcionamento do organismo, pois participa da formação das células, da produção de hormônios e vitaminas e também da digestão dos alimentos1,2.
 

O problema começa quando há excesso de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, que pode se acumular nas artérias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares2. As doenças cardiovasculares associadas a níveis elevados de colesterol estão entre as principais causas de morte no mundo e provocam cerca de 100 mil óbitos por ano no Brasil2,3. 

Além disso, aproximadamente 4 em cada 10 adultos apresentam níveis alterados de colesterol, o que reforça a importância de entender os sinais do colesterol alto e o que fazer para reduzi-lo2,3. 

Como o colesterol não se dissolve no sangue, ele precisa ser transportado por partículas chamadas lipoproteínas. Essas partículas podem ser classificadas conforme sua densidade, o que determina seus efeitos na saúde1,2. Além do LDL, também há o HDL, conhecido como bom colesterol2. 

O LDL é considerado perigoso porque, quando está em excesso, leva ao acúmulo de colesterol na parede das artérias, podendo formar placas de gordura que dificultam a circulação sanguínea. Esse processo aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), ainda mais se associado a fatores como diabetes, hipertensão, tabagismo e obesidade1-3. Por outro lado, o HDL atua como uma espécie de fator de “limpeza” das artérias, ajudando a remover o excesso de colesterol da circulação3. 

Segundo o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs, o colesterol alto é considerado um perigo silencioso porque não costuma causar sintomas até que a doença cardiovascular esteja instalada. “Por isso, o acompanhamento médico e os exames periódicos são a principal forma de prevenção.” 

As diretrizes de 2025 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estabeleceram metas mais rigorosas para os níveis de colesterol, de acordo com o risco de cada pessoa4. Com a nova diretriz, o nível do colesterol LDL deve ficar abaixo de 115 mg/dL para pessoas com baixo risco cardiovascular. Anteriormente, o valor era abaixo de 130 mg/dL. 

Em níveis superiores a 130 mg/dL, pode ser necessário iniciar tratamento medicamentoso, sempre com orientação médica4. Em pacientes com risco muito elevado, como aqueles que já tiveram infarto ou derrame, a meta pode ser ainda mais baixa, chegando a menos de 50 mg/dL ou até 40 mg/dL em situações extremas4.

 

O que aumenta o colesterol ruim (LDL)? 

Diversos fatores podem contribuir para o aumento do colesterol considerado ruim. Entre eles estão hábitos de vida, características genéticas e doenças associadas1. Os principais fatores relacionados ao colesterol elevado incluem alimentação rica em gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, sedentarismo, histórico familiar de colesterol alto, tabagismo, obesidade, diabetes e hipertensão1. 

Apesar da obesidade ser um dos fatores de risco, indivíduos com peso adequado também podem apresentar níveis elevados, principalmente na presença de predisposição genética ou hábitos pouco saudáveis1. Outro ponto relevante é que apenas cerca de 15% do colesterol presente no sangue vem da alimentação. A maior parte é produzida pelo próprio fígado2. 

O cardiologista Jairo Lins Borges explica que isso demonstra como mudanças na dieta podem ser combinadas ao uso de medicamentos: “Por isso que, apesar de mudanças de hábitos de vida sempre ser uma recomendação para uma vida mais saudável, a abordagem mais indicada para o controle do colesterol varia de caso a caso e apenas a avaliação médica poderá determinar o melhor caminho.”

 

Como baixar o colesterol e reduzir o risco cardiovascular 

O tratamento do colesterol alto envolve principalmente a adoção de hábitos saudáveis e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos por profissionais de saúde1,2. Entre as medidas recomendadas, estão manter uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, acompanhamento médico periódico, parar de fumar e manter o peso adequado. 

Além disso, a prática de exercícios físicos ajuda a reduzir o LDL e aumentar o HDL, contribuindo para a proteção cardiovascular. Recomenda-se pelo menos 150 minutos de atividade física por semana para melhorar os níveis de colesterol bom.

 

Referências 

1. Brasil. Ministério da Saúde. Colesterol o que isso quer dizer [internet] 2022. [Acesso em 05 Abr 2026]. Disponível em: Link 

2. Ministério da Saúde. Dia nacional de prevenção e controle do colesterol [Internet]. [Acesso em 05 Abr 2026]. Disponível em: Link 

3. Ebserh. Ministério da Saúde. Colesterol alto um perigo silencioso [Internet]. [Acesso em 05 Abr 2026]. Disponível em: Link 

4. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC., et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640.

 

Segurança alimentar vai além do acesso e coloca a qualidade dos alimentos no centro das discussões sobre saúde

No Dia Mundial da Segurança Alimentar, especialistas alertam para o impacto de alimentos contaminados e reforçam a importância de práticas seguras em toda a cadeia, do campo à mesa 

 

Ter o que comer já não é o único desafio quando o assunto é alimentação. Cada vez mais, a segurança alimentar passa a ser entendida de forma ampliada, envolvendo não apenas o acesso aos alimentos, mas também sua qualidade, segurança e valor nutricional. No Dia Mundial da Segurança Alimentar, celebrado em 7 de junho, o tema ganha relevância global diante de um cenário em que milhões de pessoas ainda são impactadas por doenças transmitidas por alimentos. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas adoecem todos os anos no mundo após consumir alimentos contaminados, resultando em aproximadamente 420 mil mortes anuais, com crianças menores de 5 anos representando 40% da carga de doenças transmitidas por alimentos (125.000 mortes por ano). A organização ainda aponta que em países de baixa e média renda, perdem-se anualmente US$110 bilhões em produtividade e despesas médicas devido a alimentos inseguros.

No Brasil, o tema também preocupa, um levantamento do Ministério da Saúde mostra que existem mais de 250 tipos de doenças transmitidas por alimentos (DTAs), geralmente causadas por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas nocivas, e que, entre 2014 e 2023, foram notificados 6.874 surtos de DTHA (Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar), resultando em 110.614 casos de doença e 121 óbitos.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) reforça que a segurança dos alimentos é um dos pilares essenciais para a saúde pública e para sistemas alimentares mais sustentáveis. Segundo Gisele Pavin, head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé Brasil, a segurança alimentar está diretamente relacionada à qualidade e à segurança do que chega ao prato das pessoas. ‘’O alimento precisa cumprir seu papel nutricional sem representar riscos à saúde. Afinal, ele só cumpre seu papel se, além de nutritivo, for seguro para o consumo em todas as etapas, do campo à mesa”, afirma a especialista. 

Na prática, isso envolve diferentes etapas da cadeia produtiva: controle de qualidade, rastreabilidade, monitoramento de ingredientes, armazenamento adequado e processos rigorosos de produção. Dentro dessa agenda, a Nestlé cumpre estritamente a legislação vigente e todos os procedimentos e regulamentos, adota políticas e procedimentos rígidos de segurança e monitoramento do alimento ao longo de sua cadeia de produção, garantindo maior transparência e confiabilidade para o consumidor.

Para controle e execução de análises, a companhia conta ainda com um centro de qualidade equipado com tecnologia de ponta, o Nestlé Quality Assurance Center (NQAC), com foco na segurança dos alimentos, além de equipamentos e métodos específicos, constantemente revisados, para detecção de resíduos de agrotóxicos. 

A discussão sobre segurança alimentar também dialoga com um movimento crescente de consumidores mais atentos à origem dos alimentos, à forma como são produzidos e aos impactos na saúde. Em um cenário de maior acesso à informação, cresce a demanda por produtos que aliem qualidade, segurança e valor nutricional, o que reforça a importância de práticas responsáveis em toda a indústria de alimentos.

 

Anemia aumenta em 66% o risco de demência em idosos, aponta estudo

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Especialistas destacam que fadiga, confusão mental e dificuldade de concentração podem indicar comprometimento cognitivo associado à anemia.  

 

A perda de autonomia e o declínio cognitivo na terceira idade ganharam um novo e preocupante sinal de alerta vindo diretamente da corrente sanguínea. Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open revelou que idosos diagnosticados com anemia enfrentam uma probabilidade 66% maior de desenvolver quadros de demência em comparação com indivíduos que apresentam taxas saudáveis de hemoglobina. 

 

A pesquisa, divulgada no mês passado, acompanhou 2.282 idosos sem demência ao longo de aproximadamente nove anos, utilizando dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen, na Suécia. Durante o período de observação, 15,9% dos participantes desenvolveram algum tipo de demência. Mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, os pesquisadores observaram que a associação entre anemia e comprometimento cognitivo permaneceu significativa. 

 

O neurologista da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Philipe Marques da Cunha, explica que a anemia reduz a quantidade de hemoglobina no sangue, responsável por transportar oxigênio para os tecidos, inclusive o cérebro que depende intensamente de oxigênio para funcionar adequadamente. 

 

“Essa redução pode comprometer funções cognitivas como memória, atenção, raciocínio e velocidade de processamento. O cérebro é um órgão com alta demanda energética. Quando a anemia se torna persistente, ocorre uma diminuição contínua da oferta de oxigênio aos tecidos cerebrais, o que pode contribuir para alterações no funcionamento cerebral. Ao mesmo tempo, podem surgir lesões vasculares cerebrais e mecanismos relacionados ao envelhecimento cerebral que acabam sendo intensificados”. 

 

De acordo com o especialista, outro ponto de destaque é que uma das anemias frequentemente associadas ao envelhecimento é a anemia por deficiência de vitamina B12, que exerce funções importantes no sistema nervoso e no funcionamento dos neurônios. Por isso, ao corrigir a deficiência de B12, além do controle da anemia, também pode haver melhora das funções neurológicas.

 

O estudo identificou que os idosos anêmicos também apresentaram níveis mais elevados de biomarcadores relacionados à degeneração cerebral, incluindo substâncias associadas à doença de Alzheimer e a danos neuronais. Dr Philipe Marques destaca que quando pensamos em anemia, alguns sinais e alterações neurológicas e cognitivas merecem atenção, principalmente em idosos. 

 

“Entre os principais sintomas estão fadiga, fraqueza, falhas de memória, dificuldade de concentração, cansaço excessivo e sonolência fora do habitual. Também podem ocorrer tontura, vertigem e sensação de desequilíbrio, especialmente ao ficar em pé ou em pacientes que permanecem constantemente tontos. Em casos mais intensos, podem surgir confusão mental e alterações de humor”, conclui o neurologista.


 

Realidade brasileira e prevenção 

 

Um levantamento publicado no final de 2025 no Brazilian Journal of Health Review mostrou que, entre 2014 e 2024, o Brasil registrou 136.110 internações por anemia ferropriva, mais comum na população. A faixa etária mais afetada foi a de idosos com 80 anos ou mais, responsável por 23.370 hospitalizações, o equivalente a 17,17% dos casos. Já a população com idade igual ou superior a 60 anos concentrou praticamente metade de todas as internações registradas no período, somando 66.723 casos, ou 49,02% do total.

 

A médica hematologista e professora da Afya Ipatinga, Dra Marita de Novais Costa Salles, informa que com o envelhecimento, ocorre uma perda progressiva de massa muscular, processo conhecido como sarcopenia, contribuindo para o aumento da anemia em idosos.

 

“Além disso, muitos idosos apresentam alterações na dentição, o que pode dificultar a alimentação, especialmente o consumo de carnes, uma importante fonte de ferro. Essa limitação alimentar contribui para o aumento dos casos de anemia ferropriva. Outro fator importante é o uso frequente de medicamentos, como AAS (Ácido Acetilsalicílico) e anticoagulantes, que podem aumentar o risco de sangramentos e favorecer o desenvolvimento de anemia”.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a anemia continua sendo um dos problemas de saúde pública mais comuns no mundo, afetando cerca de 30% da população global. A hematologista ressalta que existem outros tipos de anemia comuns nessa faixa etária, como mielodisplasia e mieloma múltiplo, e destaca o papel da prevenção. 


“Manter uma alimentação rica em proteínas e verduras ajuda a garantir um bom aporte de ferro e vitamina B12. Também é importante realizar exames de rotina e manter acompanhamento médico regular, para identificar precocemente qualquer alteração. Outro ponto essencial é a prática de exercícios físicos, principalmente exercícios de força, como musculação e pilates, que ajudam na formação e manutenção da massa muscular. Portanto, os principais pilares da prevenção são alimentação saudável, acompanhamento médico regular e atividade física”, conclui a médica.

 

Biópsia líquida já faz parte da rotina dos oncologistas, mas maioria ainda não se sente preparada para interpretar resultados

  

Pesquisa latino-americana apresentada na ASCO 2026 mostra que treinamento aumenta significativamente o uso da tecnologia e a confiança dos médicos na tomada de decisão
 

A biópsia líquida vem ganhando espaço no tratamento do câncer de pulmão e promete ampliar ainda mais sua presença nos próximos anos. Apesar da rápida incorporação da tecnologia à prática clínica, um novo estudo latino-americano revela que muitos oncologistas ainda enfrentam dificuldades para interpretar os resultados desses exames, considerados fundamentais para a medicina de precisão. 

Os dados serão apresentados durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2026) por meio do estudo OMEGA (LACOG 0424/GBOT), que avaliou o conhecimento, as atitudes e as práticas de médicos da América Latina em relação ao uso da biópsia líquida em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC). 

A pesquisa ouviu 178 oncologistas entre agosto e dezembro de 2024, sendo 84,8% deles brasileiros. Embora 72,5% dos participantes tenham relatado já utilizar a biópsia líquida na prática clínica, apenas 30% afirmaram sentir confiança na interpretação dos resultados obtidos. 

Para William Nassib William Jr., líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas, os dados refletem um momento de transformação da oncologia, em que novas tecnologias chegam rapidamente ao consultório, mas exigem atualização contínua dos profissionais. 

"A biópsia líquida é uma ferramenta extremamente promissora porque permite identificar alterações moleculares importantes por meio de uma simples coleta de sangue, auxiliando na escolha dos tratamentos mais adequados para cada paciente. No entanto, trata-se de um exame complexo, tanto na sua realização quanto na interpretação dos resultados", explica. 

A tecnologia detecta fragmentos de DNA tumoral circulando na corrente sanguínea, permitindo identificar mutações genéticas que podem direcionar o uso de terapias-alvo e outras estratégias personalizadas. Em muitos casos, o exame pode complementar ou até evitar procedimentos invasivos para obtenção de tecido tumoral.
 

Falta de treinamento ainda é um obstáculo 

O estudo identificou que metade dos oncologistas entrevistados não recebeu nenhum treinamento formal sobre biópsia líquida nos três anos anteriores à pesquisa. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a educação médica tem impacto direto na adoção da ferramenta. Entre os profissionais que participaram de treinamentos específicos, 87,2% solicitaram o exame na prática clínica, contra 60,7% daqueles sem capacitação recente. 

A diferença também apareceu na confiança para interpretar os resultados. Entre os médicos treinados, 86% relataram segurança na análise dos testes moleculares, percentual que caiu para 53,9% entre aqueles sem atualização formal. 

"Os resultados mostram que existe uma grande disposição dos oncologistas em incorporar novas tecnologias ao cuidado dos pacientes. Mas isso precisa ser acompanhado por programas robustos de educação para que os exames sejam solicitados de forma adequada e utilizados corretamente na tomada de decisão clínica", afirma William William. 

Apesar dos desafios, o futuro da biópsia líquida parece promissor. Quase todos os participantes do levantamento (96,1%) acreditam que o uso da tecnologia aumentará nos próximos cinco anos. 

Segundo o oncologista, essa expectativa acompanha a evolução da medicina personalizada, que busca adaptar o tratamento às características biológicas específicas de cada tumor. "Estamos caminhando para uma oncologia cada vez mais orientada por biomarcadores. Quanto maior for nossa capacidade de identificar alterações moleculares relevantes, maior será a possibilidade de oferecer tratamentos mais precisos e eficazes para os pacientes", destaca. 

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar iniciativas educacionais em toda a América Latina, garantindo que a expansão da biópsia líquida ocorra de forma equitativa e com qualidade assistencial. “O desafio agora não é apenas ampliar o acesso à tecnologia, mas garantir que ela seja utilizada da melhor forma possível para beneficiar os pacientes", conclui William William.

 

Oncoclínicas&Co


 

Quase 30% dos brasileiros dizem não se interessar por vacinas

Um em cada dez brasileiros parou de tomar vacina na pandemia. Pesquisa mostra ainda menor adesão vacinal entre jovens, na região Norte e em grupos mais expostos à desinformação.
 

Cinco anos após a pandemia, o Brasil continua majoritariamente pró-vacina, mas uma pesquisa nacional revela sinais de afastamento preocupantes. Enquanto 72,1% dos entrevistados declararam adesão aos imunizantes, o índice dos que disseram não aderir plenamente às campanhas de vacinação chega a 27,9%. Desse total, 9,9% afirmaram que não se vacinam, 9,2% abandonaram a imunização na pandemia de covid-19 e 8,8% preferiram não responder. O índice representa risco ao Programa Nacional de Imunizações, um dos pilares históricos da saúde pública no país. (VEJA GRÁFICOS AO FINAL DO TEXTO)

A adesão às vacinas não é homogênea e segue padrões. Entre pessoas com 60 anos ou mais, chega a 78,3%; de 45 a 59 anos cai para 75,5%; de 35 a 44 sobe para 78,1%. Nas faixas mais jovens a queda é grande: 62% entre as pessoas de 25 a 34 anos, e 62,9% de 16 a 24. 

Regionalmente, os extremos estão no Sudeste, com 77,2% de adesão aos imunizantes, contra 62,5% no Norte. 

A orientação ideológica também influencia o comportamento vacinal. Entre pessoas de esquerda, a adesão é de 80%, contra 63% entre as de direita – evidência de que a politização da vacinação ainda afeta decisões individuais. Diferenças aparecem também por religião: católicos apresentam adesão de cerca de 75,6%, ante 66% entre evangélicos. Já nos recortes de classe econômica e escolaridade, os índices são semelhantes. 

“Os dados revelam que o enfraquecimento da vacinação ocorre em grupos com menor percepção de risco, mais suscetíveis à desinformação e em regiões com maiores desafios estruturais”, observa Pedro Arantes, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do levantamento.
 

Dengue – O padrão de distanciamento se repete na vacina contra a dengue. Embora cerca de 70% dos entrevistados manifestem atitude favorável, apenas 56,7% pretendem se vacinar imediatamente. Outros 13,7% consideram a vacina importante, mas não prioritária, enquanto há ainda grupos que expressam indiferença (10,5%), incerteza (8,1%) ou desinteresse (6,7%), além de uma rejeição explícita minoritária (4,8%). 

Nesse caso, o principal desafio é tanto a oposição direta a imunizantes, como a existência de ampla zona de hesitação que reduz a adesão efetiva. O recorte ideológico segue o mesmo padrão observado na vacinação em geral: entre pessoas de esquerda, 65% pretendem se vacinar imediatamente contra a dengue, índice que cai para 46,2% entre as de direita. 

Para Arantes, o conjunto dos dados indica uma mudança gradual no comportamento da população. “O Brasil continua confiando nas vacinas, mas uma parcela crescente deixou de se vacinar”, afirma. Segundo ele, esse afastamento, concentrado em jovens, regiões mais vulneráveis e segmentos mais expostos à desinformação, representa um risco para a capacidade do país de responder a novas crises sanitárias.
 

Outros resultados da pesquisa – Além da adesão às vacinas, a pesquisa identifica mudanças na percepção da pandemia que ajudam a explicar esse cenário. Houve enfraquecimento da memória coletiva sobre a covid-19: caiu de 62%, em 2023, para 40,5%, em 2026, o percentual de brasileiros que acreditam que outra atuação do governo federal teria reduzido o número de mortes. 

A percepção sobre o período também é marcada por forte polarização política. Entre eleitores de Lula, 63,5% avaliam que o governo Bolsonaro errou na condução da crise sanitária, percentual que cai para 20,8% entre eleitores do ex-presidente. 

A agenda de responsabilização também perdeu força. O apoio à punição de crimes cometidos durante a pandemia caiu de 51,5% para 45% no período, ao mesmo tempo em que aumentaram os índices de indecisão e rejeição. 

Para os pesquisadores, esses fatores estão interligados: memória da pandemia, apoio à responsabilização e adesão às vacinas caminham juntos. A redução da percepção de risco e o desgaste da memória coletiva ajudam a explicar o afastamento de parte da população da vacinação. 

A pesquisa “Memória, justiça e reparação da pandemia de covid-19 e atual adesão às vacinas” foi realizada pelo Instituto Idea, com coordenação do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foram entrevistadas por telefone 1.500 pessoas em março último. A amostra é representativa da população brasileira com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O SoU_Ciência


Crianças que treinam exigem alimentação adequada para garantir energia e desempenh

Planejamento, variedade de nutrientes e hidratação são determinantes para sustentar saúde, recuperação e rendimento ao longo do dia

 

Manter uma alimentação equilibrada na infância é decisivo para o desenvolvimento, mas ganha outra dimensão quando há prática regular de atividade física. Para a nutricionista Cynthia Howlett, especializada em nutrição esportiva e psiconutrição e coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin, o ponto de partida está em garantir energia suficiente para sustentar o ritmo do corpo em movimento, sem descuidar da recuperação e da saúde como um todo.

“A criança que faz atividade física precisa garantir energia ao longo do dia, principalmente a partir dos carboidratos, além de proteína para recuperação muscular e vitaminas e minerais que ajudam na imunidade e evitam problemas como câimbras”, explica.

A prática esportiva aumenta a demanda do organismo. Com mais gasto calórico, o corpo exige reposição adequada para evitar sinais de desgaste, como cansaço excessivo, dor de cabeça e queda de resistência. A alimentação, nesse contexto, deixa de ser apenas rotina e passa a ser estratégia. Segundo Cynthia, o equilíbrio entre nutrientes é o que sustenta desempenho e bem-estar.

Os macronutrientes desempenham funções complementares. O carboidrato fornece energia rápida e está presente em alimentos como arroz, pães e massas. A proteína atua na formação e reparo dos músculos. Já as gorduras, muitas vezes mal compreendidas, também contribuem para energia, foco e concentração. A esse conjunto, somam-se vitaminas e minerais, encontrados sobretudo em frutas, legumes e verduras, essenciais para o funcionamento do organismo.

Outro ponto de atenção está na qualidade do que é consumido. Produtos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura saturada, podem até fornecer uma sensação imediata de energia, mas tendem a comprometer o rendimento ao longo do tempo. “É uma energia falsa, que não sustenta o corpo e ainda prejudica a saúde”, ressalta.

Antes do treino, a orientação é apostar em alimentos leves e energéticos. Frutas, como a banana, são boas opções por combinarem praticidade e valor nutricional. Após a atividade, a prioridade é a recuperação, com hidratação adequada e a combinação de carboidratos e proteínas. Ainda assim, Cynthia reforça que o mais importante não está apenas nesses momentos específicos. “O que faz diferença é a alimentação ao longo de todo o dia. Não adianta focar só no antes e depois do treino se o restante não está equilibrado”, afirma.


Importância da hidratação

A hidratação também merece destaque. A perda de líquidos e sais minerais durante o exercício pode impactar diretamente o desempenho. Água deve ser a base, mas, em casos de maior intensidade ou calor, a reposição de eletrólitos pode ser necessária. A falta de líquidos, segundo a especialista, está associada à queda de rendimento e ao aumento do cansaço.

Para que tudo isso funcione na prática, a organização é indispensável. “Planejar refeições, definir horários e preparar lanches com antecedência evita improvisos e garante acesso a opções mais saudáveis. A criança precisa ter uma rotina e saber o que vai comer. Sem planejamento, fica mais difícil manter uma alimentação adequada”, diz.

Esse cuidado não é responsabilidade apenas da família. Cynthia ressalta que a escola também desempenha papel relevante ao oferecer opções nutritivas e incentivar hábitos saudáveis. A articulação entre casa e ambiente escolar é, portanto, fundamental para sustentar uma rotina que acompanhe o ritmo das crianças ativas.

Dicas práticas para o dia a dia:

Organize a rotina alimentar, planeje refeições e lanches com antecedência para evitar improvisos.

Priorize alimentos naturais, inclua frutas, legumes, proteínas e boas fontes de carboidrato, reduzindo ultraprocessados.

Cuide da hidratação e incentive o consumo de água ao longo do dia, especialmente antes, durante e após atividades físicas.

Pense no todo, não só no treino, uma vez que o desempenho depende da alimentação ao longo do dia inteiro.

 


Cynthia Howlett - jornalista e nutricionista formada pela Estácio de Sá, especializada em nutrição esportiva e psiconutrição. Hoje é coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin. Já foi apresentadora de programas da GNT e SporTV.


Junho Laranja: quais doenças ginecológicas silenciosas podem impactar a fertilidade?

Infertilidade afeta cerca de 15% dos casais brasileiros e especialistas alertam para doenças que muitas vezes só são descobertas quando a mulher tenta engravidar

 

A infertilidade já é considerada um problema de saúde pública mundial. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que uma em cada seis pessoas enfrentará dificuldades para engravidar ao longo da vida. No Brasil, cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva convivem com a infertilidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 40% dos casos têm origem feminina, 40% masculina e os demais 20% envolvem fatores combinados ou causas ainda não identificadas.

Especialistas alertam que muitas doenças ginecológicas capazes de comprometer a fertilidade evoluem silenciosamente e acabam sendo descobertas apenas quando a mulher decide engravidar.

“Falar sobre fertilidade é falar sobre planejamento reprodutivo. Muitas mulheres recebem informações sobre contracepção, mas poucas entendem como a fertilidade muda ao longo dos anos”, explica Dra. Graziela Canheo Ginecologista Especialista em Reprodução Humana da La Vita Clinic.

Entre as principais condições ginecológicas relacionadas à infertilidade estão:
 

Endometriose
Considerada uma das principais causas de infertilidade feminina, provoca um processo inflamatório crônico que pode comprometer ovários, trompas e útero. “Cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, dor pélvica e alterações intestinais relacionadas ao ciclo menstrual merecem atenção”, alerta Dra. Paula Fettback Ginecologista Especialista em Reprodução Assistida pela Febrasgo.


Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)

A condição hormonal e metabólica pode alterar a ovulação e dificultar a gravidez. “Algumas mulheres passam a ovular de forma irregular ou deixam de ovular, principalmente quando a síndrome está associada à obesidade e resistência à insulina”, explica Dra. Graziela Canheo.

 

Miomas e adenomiose

Dependendo do tamanho e da localização, os miomas podem dificultar a implantação embrionária. Já a adenomiose provoca inflamação crônica no útero. “Essas alterações podem reduzir as chances de gravidez e aumentar o risco de perdas gestacionais”, afirma Dra. Paula Fettback.


Infecções ginecológicas e inflamações pélvicas

As inflamações podem causar alterações nas trompas e no ambiente uterino, impactando diretamente a fertilidade. Segundo Dra. Graziela, “corrimentos persistentes, dor pélvica, sangramentos excessivos e desconfortos recorrentes nunca devem ser normalizados”.

Outro fator que preocupa é o adiamento da maternidade associado ao aumento da obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e estresse crônico, fatores que também impactam diretamente a fertilidade feminina.

“O cigarro acelera a perda da reserva ovariana e hábitos de vida inadequados interferem diretamente na qualidade dos óvulos e na ovulação”, destaca Dra. Paula Fettback.

Segundo as especialistas, o diagnóstico precoce faz diferença nos resultados reprodutivos e hoje tratamentos como indução da ovulação, inseminação intrauterina, fertilização in vitro (FIV) e congelamento de óvulos ampliam as possibilidades para mulheres diagnosticadas com essas condições.

 



Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic



Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).



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