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segunda-feira, 4 de maio de 2026

A alta no preço das passagens aéreas impulsiona nova tendência para o uso de ônibus como principal meio de transporte interurbano

A recente alta nos preços das passagens aéreas impulsiona uma nova tendência no comportamento do consumidor, consolidando o transporte rodoviário como uma das principais alternativas para o deslocamento interurbano no Brasil.

 

Muitos brasileiros estão recorrendo ao transporte rodoviário como uma opção mais acessível e estratégica. A Expresso Brasileiro, uma das principais empresas do setor, registrou um aumento expressivo na procura por este modal nos últimos meses, o que reflete uma mudança relevante nas preferências dos viajantes. O transporte rodoviário possui uma importância significativa para a economia, representando cerca de 6% do Produto Interno Bruto nacional.

Diante de desafios como o aumento dos custos operacionais e a concorrência com o setor aéreo, a adoção de estratégias resilientes tornou-se fundamental para atender com eficiência a quem decide comprar passagem de ônibus para suas jornadas. 

Essa mudança de preferência pode ser atribuída não apenas à variação tarifária aérea, mas também aos custos ocultos que acompanham os voos, como taxas de bagagem e o deslocamento até aeroportos distantes. Ao optar por uma passagem de ônibus, os viajantes conseguem economizar significativamente, desfrutando de uma experiência mais tranquila e sem o estresse comum dos terminais aeroportuários. Esse movimento beneficia diretamente a indústria de turismo brasileira, revigorando economias locais ao incentivar o tráfego de passageiros por comunidades e empresas situadas ao longo das rotas terrestres. 

Além disso, como a empresa oferece serviços integrados de logística, este aumento na utilização das rodovias contribui diretamente para o fortalecimento do setor de transporte de cargas. A disponibilização de ferramentas eficientes para o rastreamento de encomendas eleva a qualidade do serviço, garantindo maior agilidade e transparência no envio de mercadorias em todo o território nacional. Caso essa tendência se mantenha, o transporte rodoviário consolidar-se-á como a alternativa preferencial para quem busca economia e previsibilidade, impactando positivamente toda a cadeia de turismo e logística do país.
 

Expresso Brasileiro


Sem horário comercial, vendas migram para o WhatsApp e IA impulsiona resultados, aponta Chat Commerce Report 2026

Estudo da OmniChat com 1 bilhão de mensagens analisadas mostra avanço da IA nas conversas com consumidores e consolidação do WhatsApp como canal relevante de vendas, atendimento e recompra

 

A inteligência artificial começa a alterar de forma mais visível a dinâmica das vendas digitais no Brasil. É o que mostra o Chat Commerce Report 2026, levantamento da OmniChat, plataforma líder em chat commerce e WhatsApp Business Solution Provider (BSP). A base analisada foi formada pelas mais de 1 bilhão de mensagens trocadas ao longo de 2025, em um total de 51 milhões de conversas realizadas por mais de 22 milhões de consumidores únicos. 

Dessas interações, 96% aconteceram no WhatsApp, indicador que reforça o peso do aplicativo na relação entre marcas e consumidores. Já o volume total de mensagens cresceu cerca de 28% em relação ao ano anterior, indicando aceleração na adoção do modelo de comércio conversacional.

Os dados apontam que, nesse ambiente, a IA já deixou de atuar apenas como apoio ao atendimento para assumir papel direto na conversão. Conversas conduzidas por agentes de inteligência artificial autônomos registraram taxa de conversão de 9%, equivalente aos atendimentos exclusivamente humanos. Ao mesmo tempo, 76% das conversas com IA analisadas no estudo estavam associadas a intenção de compra.

O avanço da automação aparece também nas campanhas comerciais. Segundo o levantamento, 1 em cada 3 respostas a campanhas via WhatsApp resultaram em vendas, enquanto ações de recuperação de carrinho abandonado alcançaram retorno sobre investimento de 176 vezes, um patamar significativamente superior ao observado em outros canais, e com ticket médio de R$ 619.

Na prática, o estudo sugere uma mudança mais ampla na jornada de compra. Em vez de uma experiência fragmentada entre site, central de atendimento e pós-venda, as interações passam a se concentrar em uma única conversa, que reúne atração, conversão, relacionamento e recompra.

A pressão por respostas rápidas ajuda a explicar esse movimento. Cerca de 25% das mensagens enviadas às marcas em 2025 ocorreram fora do horário comercial, incluindo noites e fins de semana. O estudo mostra ainda que 19,5% do volume semanal se concentra na segunda-feira, efeito atribuído à demanda represada quando não há resposta imediata.

Nesse contexto, a IA passa a ganhar relevância não só como ferramenta de produtividade, mas como condição operacional para absorver demanda. Entre 2023 e 2025, o volume de conversas cresceu 71%, enquanto o número de atendentes avançou 18%, indicando aumento de capacidade sem expansão equivalente das equipes. Além disso, o uso de IA pode reduzir em até quatro vezes o custo por conversa, segundo o relatório.

Na OmniChat, essa aplicação acontece em duas frentes. O Whizz Agent, agente de IA voltado à condução de interações de venda, escalou e passou a atender 9 vezes mais conversas em um ano. Já o Whizz Copilot, ferramenta de apoio em tempo real ao vendedor, reduziu em mais de 50% o tempo médio de atendimento e elevou os índices de satisfação do cliente em 15%, ao ajudar a reduzir atritos operacionais e dar mais agilidade às interações.

O impacto fica mais visível em momentos de pico. Na Black Friday de 2025, o número de vendedores ativos ficou praticamente estável, com variação de -1%, enquanto as conversas conduzidas por IA cresceram 689%. No mesmo período, as vendas influenciadas pelo WhatsApp avançaram 34%.

Os resultados aparecem também em operações específicas mapeadas pelo estudo. A ASICS registrou 60% das vendas omnichannel via WhatsApp e conversão 4 vezes superior à do e-commerce. A Farm movimentou R$1 milhão em 20 minutos na Black Friday, enquanto a Cassol reportou operação 500 vezes mais rápida com uso de IA e 70% das demandas resolvidas automaticamente.

Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento é a forte presença do setor educacional dentro da base analisada. Em 2025, o segmento respondeu por 36,6% de todas as conversas mapeadas, à frente de setores tradicionais do varejo, como moda, eletro e materiais de construção. As instituições que passaram a utilizar IA para qualificação e atendimento de leads registraram aumento médio de 15% nas matrículas, além de expansão de 78% na capacidade de atendimento sem ampliação proporcional de equipe.

No pós-venda, o estudo aponta que o canal também ganha relevância. Automações conseguem resolver mais da metade das interações sem intervenção humana, reduzindo o tempo de resposta e influenciando a recompra.

“A lógica do funil tradicional foi redesenhada. Em vez de atrair, clicar e pagar, o novo modelo convida a conversar, montar o carrinho e fechar a compra em um só ambiente. A conversa virou o novo clique, deslocando a interação entre marcas e clientes para uma via de mão dupla, instantânea e personalizada”, afirma Maurício Trezub, cofundador e CEO da OmniChat “O WhatsApp deixou de ser apenas um ponto de contato e passou a concentrar etapas decisivas da jornada de compra. Quando isso acontece com apoio de IA, o ganho aparece ao mesmo tempo em conversão, velocidade de atendimento e capacidade operacional.”

Agentes conversacionais treinados por IA já são capazes de entender a intenção do cliente, tirar dúvidas, oferecer produtos, concluir o pagamento via Pix, ou outra forma de pagamento desejada, e acionar o pós-venda. Tudo em tempo real, 24 horas por dia. Essa elasticidade é um divisor de águas. 

Enquanto o atendimento humano encontra dificuldades de escala diante de picos de demanda seja nas madrugadas e finais de semana, a IA sustenta a operação com a mesma agilidade, preservando as taxas de conversão. O papel humano segue indispensável, mas agora mais direcionado a casos complexos, emocionais ou de maior valor agregado.

Apesar do avanço, o modelo ainda apresenta espaço relevante de expansão. Segundo o levantamento, cerca de 22 milhões de brasileiros já conversaram com marcas na plataforma, diante de um universo estimado em cerca de 200 milhões de usuários de WhatsApp no país, o que indica potencial de crescimento do comércio conversacional nos próximos anos.

Para 2026, o relatório aponta uma nova etapa de evolução do comércio conversacional, com o avanço de agentes de IA ainda mais autônomos, capazes de conduzir negociações mais complexas, além de um nível maior de personalização e o crescimento do uso de interfaces de voz. O movimento que a jornada de compra tende a se tornar ainda mais fluida, contínua e integrada ao longo dos próximos anos.

Para acessar o Chat Commerce Report 2026 na íntegra, basta acessar aqui.


Mês do Trabalhador: Que futuro do trabalho queremos?

 

Desde 1924, o Brasil celebra o mês de maio como o Mês do Trabalhador, considerando o período como marco da luta por melhores condições laborais. Nos últimos anos, porém, novas dinâmicas se impuseram: modelos híbridos, plataformas digitais, pejotização e a “glamourização” do empreendedorismo. Ao mesmo tempo, a Quarta Revolução Industrial, com IA, IoT e robotização, promete ganhos de produtividade. Mas quais são os impactos reais para as pessoas trabalhadoras? O que, de fato, há a comemorar?

O trabalho sempre ocupou papel central na sociedade, impulsionando inovação e garantindo dignidade. No entanto, ao discutir o futuro do trabalho, corremos o risco de negligenciar sua base: o Trabalho Decente. Formalizado pela OIT em 1999, ele promove oportunidades de trabalho de qualidade, fundamentais para superar a pobreza, reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento sustentável. Entre suas dimensões, destacam-se condições seguras e rendimentos adequados.

Desde a pandemia, o mundo do trabalho enfrenta uma crise de saúde mental. No Brasil, 2025 registrou mais de 540 mil afastamentos por transtornos mentais. Assédio, burnout, jornadas excessivas e medo do desemprego estão entre os principais fatores de risco. Mulheres são as mais afetadas, e o recorte racial evidencia desigualdades ainda mais profundas.

Promover saúde exige ação intencional das organizações, com estratégias que coloquem a pessoa trabalhadora no centro. O IPEA aponta retrocesso na meta 3.4 do ODS 3, Saúde e Bem-Estar. Nesse contexto, a atualização da NR1 tornou obrigatória a avaliação de riscos psicossociais no PGR, ampliando a responsabilidade das empresas. Diante de dados tão alarmantes, por que agir apenas sob pressão de fiscalização, multas ou danos reputacionais? A saúde, como direito humano, deveria ser critério central das decisões organizacionais.

Outra dimensão essencial do trabalho decente é a remuneração. O conceito de Salário Digno deve orientar políticas salariais, uma vez que o salário mínimo, embora importantíssimo, não tem assegurado uma vida digna. Trata-se de garantir renda suficiente para cobrir necessidades básicas, promover bem-estar e autonomia.

Dados do IBGE mostram que, embora milhões tenham saído da pobreza, cerca de 12% das pessoas trabalhadoras ainda vivem em domicílios pobres. A renda insuficiente afeta mais pessoas pretas, pardas, mulheres e crianças. O país também retrocedeu na meta de trabalho decente do ODS 8. Não é possível discutir o tema sem enfrentar desigualdades estruturais de gênero e raça.

Assim, qualquer debate sobre o futuro do trabalho será incompleto se ignorar essas condições. É preciso reconhecer os retrocessos e recolocar o Trabalho Decente no centro das agendas de governo, empresas e sociedade.

Para avançar, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil lançou a Ambição 2030, com movimentos que incentivam compromissos empresariais. Entre eles, destacam-se Mente em Foco e Salário Digno, que apoiam a promoção de ambientes de trabalho seguros, saudáveis e com remuneração adequada.

Este é o momento de as empresas se engajarem e contribuírem para um futuro do trabalho mais justo e sustentável.

 

Flávia Vianna - gerente de Saúde e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil

 

Entenda como escolher o aeroporto certo pode reduzir custos e transformar a experiência de viagem na Itália

Com mais de 40 aeroportos e recorde de passageiros, país exige planejamento estratégico, especialmente para brasileiros que buscam otimizar tempo, dinheiro e mobilidade pela Europa 

 

A escolha do aeroporto de chegada na Itália deixou de ser apenas uma decisão logística e passou a impactar diretamente o custo, o tempo e até o estilo da viagem. Com uma malha aérea robusta e mais de 40 aeroportos comerciais espalhados por um território estreito e altamente conectado por trens de alta velocidade, o país oferece múltiplas portas de entrada e cada uma delas pode representar uma experiência completamente diferente para o viajante. 

O cenário atual reforça essa mudança de perspectiva. Em 2024, os aeroportos italianos bateram recorde ao receber quase 220 milhões de passageiros, um crescimento de 11,1% em relação ao ano anterior. Desse total, 146 milhões foram em voos internacionais, consolidando a retomada do setor aos níveis pré-pandemia. Ao mesmo tempo, a modernização da infraestrutura, com novos sistemas de segurança e ampliação de rotas, ampliou as possibilidades — mas também tornou a escolha mais estratégica. 

Para o público brasileiro, o contexto global também pesa. A alta nos custos operacionais da aviação, influenciada por fatores como o preço do petróleo e tensões geopolíticas, impacta diretamente o valor das passagens e a disponibilidade de rotas. Nesse cenário, definir o aeroporto de entrada pode representar economia significativa. 

“Atualmente, viajar para a Itália exige uma visão mais estratégica. O aeroporto deixou de ser apenas o ponto de chegada e passou a ser parte fundamental do planejamento financeiro e logístico da viagem. Dependendo da escolha, é possível economizar tempo, reduzir custos e até acessar destinos menos explorados”, afirma Welligton Girotto, CEO da Master Cidadania, assessoria jurídica ítalo-brasileira com atuação direta nos tribunais italianos. 

Hoje, os voos diretos do Brasil para a Itália concentram-se principalmente em Roma, com saídas de São Paulo e Rio de Janeiro operadas por companhias como ITA Airways e LATAM. Já para Milão e outras regiões, conexões em cidades europeias como Lisboa, Madrid, Paris ou Frankfurt são comuns, o que abre espaço para escolhas mais inteligentes, como desembarcar em aeroportos alternativos com tarifas mais competitivas. 

Entre os principais hubs, Roma Fiumicino se destaca como a principal porta de entrada internacional, com conexão ferroviária direta ao centro em apenas 32 minutos. Já Milão Malpensa atende quem chega ao norte do país, enquanto opções como Bergamo ganham relevância por concentrar voos de baixo custo, frequentemente mais baratos para quem já está na Europa. 

Outros aeroportos regionais também vêm ganhando protagonismo. Bolonha, por exemplo, combina eficiência com localização estratégica para explorar a Emilia-Romagna. Pisa surge como alternativa econômica para a Toscana, enquanto Nápoles, Catânia e Bari conectam o viajante ao sul italiano e a regiões ainda pouco exploradas pelo turismo brasileiro. 

Segundo Girotto, essa diversidade muda completamente a forma de viajar pelo país, especialmente para quem possui cidadania europeia. “Quem tem cidadania italiana passa a enxergar a Itália de forma diferente. Não há mais a limitação de tempo ou a necessidade de concentrar tudo em uma única viagem. Isso permite explorar aeroportos alternativos, aproveitar promoções e circular pelo país com muito mais liberdade”, explica. 

Essa mudança de comportamento reflete um movimento crescente entre brasileiros que buscam não apenas viajar, mas construir uma relação mais frequente com a Europa. A cidadania italiana, transmitida por descendência, tem sido um dos caminhos para viabilizar essa nova dinâmica, ampliando o acesso a direitos como livre circulação, trabalho e permanência no continente. 

“Mais do que um documento, a cidadania representa uma mudança de perspectiva. Ela transforma a forma como as pessoas se conectam com a Itália e isso começa já na escolha do aeroporto”, conclui o CEO. 

Nesse contexto, a Master Cidadania atua como uma facilitadora para brasileiros que desejam transformar a forma de se relacionar com a Itália e com a Europa. Com mais de duas décadas de experiência e estrutura própria no país europeu, a empresa oferece suporte completo no processo de reconhecimento da cidadania italiana por descendência, desde a análise documental até o acompanhamento jurídico. “Nosso papel é dar clareza e segurança para que cada família entenda seu direito e consiga acessar todos os benefícios que a cidadania proporciona, inclusive essa liberdade de mobilidade e escolha que começa já no planejamento da viagem

 

Metade Invisível: o Brasil real das mães solo — muito além de um número


Quando Shakira subiu ao palco no megashow realizado no Rio de Janeiro e mencionou — ainda que com imprecisão — o número de mães solo no Brasil, trouxe à luz um tema que, apesar de cotidiano, ainda permanece subdimensionado no debate público. Errou na estatística, mas acertou no essencial: há um país inteiro sustentado por mulheres que criam seus filhos sozinhas.

Os dados oficiais são contundentes. Pesquisa do Datafolha aponta que 69% das mulheres brasileiras têm ao menos um filho, e, dentro desse universo, cerca de 55% são mães solo — isto é, solteiras, divorciadas ou viúvas que assumem, na prática, a criação dos filhos sem a presença cotidiana de um parceiro. Não se trata de uma minoria. Trata-se de uma maioria silenciosa. Mais do que isso: estudos baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) indicam que mais de 11 milhões de mulheres no Brasil criam seus filhos sozinhas, número que cresceu significativamente na última década. A maternidade solo deixou de ser exceção — é uma estrutura familiar consolidada.



A sobrecarga invisível: casa, filhos e sustento

A maternidade solo não se limita à ausência de um companheiro. Ela representa a concentração absoluta de responsabilidades: cuidar dos filhos, gerir a casa, garantir o sustento e ainda manter a própria vida profissional ativa. Não há divisão de tarefas. Não há alternância de responsabilidades. Há acúmulo. E os números revelam o custo dessa realidade. Entre as mães solo, 18% estão desempregadas, percentual mais que o dobro das mulheres com companheiro.

Quando conseguem trabalho, ganham menos: a renda média mensal gira em torno de R$2.105, significativamente inferior à de homens casados com filhos. Quase metade dessas mulheres vive com até um salário-mínimo. É a face concreta da chamada feminização da pobreza — quando o peso econômico da desigualdade recai, de forma desproporcional, sobre mulheres responsáveis por seus lares.

 

Por que tantas mães criam filhos sozinhas?

A resposta não é única — e é justamente aí que reside a complexidade do fenômeno.

A maternidade solo pode decorrer de:

* Divórcios e separações, cada vez mais comuns em uma sociedade que não tolera mais relações disfuncionais;

* Viuvez, que coloca abruptamente a mulher como única responsável pela família;

* Decisões conscientes, em que a mulher opta por ter filhos sem parceiro;

* Rompimento de relações abusivas, nas quais permanecer significaria perpetuar violência;
* Ausência paterna, ainda estrutural em muitos contextos sociais.
 

Importa destacar: nem toda mãe solo foi “abandonada”. Muitas escolheram sair — e essa escolha, embora legítima, vem acompanhada de um custo social e econômico elevado.

 

Um país sustentado por mulheres

Outro dado estrutural reforça esse cenário: mais de 50% dos lares brasileiros já são chefiados por mulheres. Ou seja, a imagem tradicional da família — centrada no provedor masculino — não corresponde mais à realidade brasileira. E há um recorte ainda mais sensível: a maternidade solo é majoritariamente feminina, negra e periférica, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Trata-se de um fenômeno que cruza gênero, raça e classe social — e, por isso, exige políticas públicas interseccionais.

 

Entre o discurso e a realidade

A sociedade ainda romantiza a figura da “mãe guerreira”, mas pouco enfrenta o que está por trás dessa narrativa: sobrecarga extrema, ausência de rede de apoio e desigualdade estrutural. Cuidar dos filhos não é apenas um ato afetivo — é trabalho. Gerir a casa não é apenas rotina — é gestão. Conciliar maternidade e carreira não é escolha — é necessidade. E tudo isso, no caso das mães solo, ocorre sem divisão.

 

O que precisa mudar

A maternidade solo não é um problema individual — é um fenômeno social que exige resposta coletiva.

Alguns caminhos são inevitáveis:


* Políticas de creches acessíveis e em tempo integral;

* Fortalecimento de mecanismos de responsabilização paterna;

* Programas de inclusão produtiva e qualificação profissional;

* Ampliação de redes de apoio institucional e comunitário;

* Reconhecimento do trabalho doméstico e de cuidado como atividade econômica relevante.

 

Conclusão 

Shakira pode ter errado o número. Mas, ao trazer o tema ao centro do palco, revelou algo maior: há um Brasil que ainda não é plenamente visto. Um Brasil de mulheres que sustentam, educam, organizam e resistem — muitas vezes sozinhas. Ignorar esse dado não o torna menor. Apenas nos torna menos capazes de enfrentá-lo. Porque, no fim, a maternidade solo não é exceção. É o retrato de um país inteiro.


“Nem todo mundo sabe, mas a Serasa Experian sabe”: campanha posiciona datatech como parceira estratégica do marketin

Criada in-house, ação usa perfis improváveis para mostrar que, além de estereótipos, interesse não é sinônimo de propensão real de compra

 

Nem todo mundo sabe, mas a Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, sabe. É com essa provocação, traduzida em peças divertidas que mostram perfis improváveis de consumo, como uma senhora gamer ou um motoqueiro pai de planta, que a datatech lança, nesta quinta-feira, 30, sua nova campanha de Marketing Solutions, criada para reforçar seu posicionamento como parceira estratégica de marcas e agências.

 

Pensada e produzida in-house, a campanha parte de uma ideia simples: os públicos mais valiosos para uma marca nem sempre são os mais óbvios. Ao levar situações inusitadas para as peças, a ação materializa uma tese central da companhia para o mercado, de que interesse não é o mesmo que propensão real de compra.

 

A partir daí aparece o principal diferencial da Serasa Experian. A partir do maior datalake da América Latina e de um ecossistema proprietário de inteligência de marketing, a datatech ajuda empresas a encontrar, entender e ativar audiências com mais precisão. Entre as soluções estão o Insights Hub, plataforma que identifica e analisa públicos com maior potencial de conversão a partir de modelos de afinidade, e o Mosaic, ferramenta de segmentação comportamental que organiza a população em grupos e perfis com base em momento de vida.

 

Mais do que ampliar awareness sobre sua atuação em Marketing Solutions, a campanha quer deixar claro que a Serasa Experian vai além do que é conhecida historicamente, como bureau de crédito, estando presente no início da jornada de compra, quando a marca decide com quem falar. Com estratégia anual e formato ongoing, a ação estreia no digital e terá desdobramentos ao longo do ano, com expansão para a eletromídia. 


“Queremos mostrar que a Serasa Experian não entra só no fim da jornada, no crédito. Nós usamos o poder dos nossos dados para ajudar as marcas a decidir com quem falar, indicando quem tem propensão real de compra. Quando cruzamos dados, comportamento, momento de vida e afinidade, conseguimos revelar audiências que muitas vezes não aparecem em uma segmentação tradicional. É essa inteligência que a campanha coloca em cena, mostrando que, por trás de escolhas mais eficientes, existe uma leitura muito mais profunda de quem é esse consumidor”, afirma a CMO da Serasa Experian, Giovana Giroto.

 



Experian
experianplc.com


Como montar um escritório do zero?

 

Do planejamento ao início da operação, estruturar um escritório exige mais do que escolher um imóvel: envolve estratégia, custos e decisões que impactam diretamente o crescimento da empresa
 

Montar um escritório do zero começa com uma pergunta simples, mas decisiva: qual é o objetivo desse espaço? Mais do que um local físico, o escritório hoje precisa refletir o momento da empresa, o modelo de trabalho adotado e a forma como as equipes se conectam e produzem. Sem esse direcionamento, o risco de investir em um espaço subutilizado ou ineficiente é alto.

O primeiro passo é definir a necessidade real da operação. Isso inclui entender o tamanho da equipe, a frequência de uso do espaço e o tipo de atividade que será realizada no local. Empresas que operam em modelo híbrido, por exemplo, podem precisar de menos estações fixas e mais áreas colaborativas, enquanto negócios com atendimento ao cliente demandam espaços mais estruturados e bem localizados.

Na sequência, entra a escolha do imóvel, que vai muito além do valor do aluguel. Localização, acessibilidade, infraestrutura do entorno e possibilidade de adaptação do espaço são fatores que impactam diretamente a experiência dos colaboradores e a percepção dos clientes. Segundo dados do índice FipeZap, o valor médio de locação comercial em cidades como São Paulo gira em torno de R$ 58 por metro quadrado, o que reforça a importância de escolher um espaço adequado ao uso real da empresa.

Depois da definição do imóvel, começa uma das etapas mais complexas: o projeto e a obra. Um levantamento da consultoria Turner & Townsend aponta que o custo de implantação de escritórios corporativos pode chegar a cerca de R$ 12 mil por metro quadrado, considerando desde infraestrutura até mobiliário e tecnologia. Essa fase exige planejamento detalhado, gestão de fornecedores e controle rigoroso de prazos e orçamento.

Além da estrutura física, é fundamental considerar a operação do escritório. Serviços como limpeza, manutenção, recepção e suporte técnico fazem parte do dia a dia e impactam diretamente o funcionamento do espaço. Muitas empresas subestimam essa etapa, mas é ela que garante a continuidade e a eficiência da operação ao longo do tempo.

Para a Be In, empresa especializada em escritórios sob medida, montar um escritório do zero exige olhar para todas as etapas de forma integrada. “Não é só sobre encontrar um espaço e montar a estrutura. É preciso pensar no uso real do escritório, na operação e em como esse ambiente vai acompanhar o crescimento da empresa. Quando isso não é bem planejado, o custo aparece depois, no dia a dia”, afirma Nikolas Matarangas, CEO da companhia.

Outro ponto importante é o tempo. Em média, o processo completo, da escolha do imóvel à entrada da equipe, pode levar de três a quatro meses, dependendo da complexidade do projeto. Esse prazo pode impactar diretamente o planejamento da empresa, especialmente em momentos de expansão ou mudança de sede.

Diante desse cenário, cresce o número de empresas que buscam modelos mais flexíveis, que permitam estruturar o escritório com menos investimento inicial e maior previsibilidade de custos. A decisão de montar um espaço próprio, recorrer a soluções prontas ou optar por formatos híbridos depende do estágio do negócio e da estratégia de crescimento.

No fim, montar um escritório do zero deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ser uma decisão estratégica. Quando bem planejado, o espaço contribui para a produtividade, fortalece a cultura da empresa e apoia o crescimento. Quando mal estruturado, pode se transformar em um custo alto e difícil de ajustar no futuro.

 

Pesquisa Ipsos-Ipec inédita mostra que 9 a cada 10 brasileiros apoiam exame toxicológico para primeira CNH A e B

Pesquisa aponta, ainda, que 7 a cada 10 brasileiros acreditam que o exame contribui para redução da violência doméstica e no combate ao crime organizado
 

Pesquisa Ipsos-Ipec realizada em âmbito nacional, encomendada pela Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox), mostra que 86% dos brasileiros são favoráveis ao exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, previsto no §10 do artigo 148-A do Código de Trânsito Brasileiro, incluído pela Lei nº 15.153/2025, em vigor desde a data de sua publicação. A pesquisa ouviu 2000 mil pessoas em 129 municípios. 

A legislação foi aprovada por ampla maioria no Congresso Nacional com apoio de parlamentares da base governista e da oposição, consolidando um raro consenso em torno de uma política pública. Na sequência, a medida foi vetada pela casa civil em 27/06/25, veto este, derrubado em 04/12/25 pelo congresso que confirmou assim sua vontade soberana na aplicação dessa política pública que, neste ano, completa dez anos e dezenas de milhares de vidas salvas por sua aplicação nas categorias C, D e E. A Lei sem o veto foi sancionada pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva e publicada em diário oficial no dia 10 de dezembro de 2025, com vigência imediata. Mesmo assim, o então Ministro dos Transportes declarou que não iria cumpri-la, em uma clara atitude de desobediência civil que manteve até sua exoneração do cargo. 

Essa lei não carece de regulamentação suplementar, uma vez que está plenamente regulada pela resolução 923 do Contran, sendo sua aplicação em tudo semelhante àquela já praticada as categorias de motoristas profissionais. São os mesmos, os laboratórios credenciados pela Senatran; os mesmos, os postos de coleta laboratorial; o mesmo, o painel de drogas investigadas pelo exame; a mesma, a cadeia de custódia assecuratória de sua integridade; o mesmo, o processo analítico feito com os mesmos equipamentos e insumos, dirigindo-se apenas a mais uma categoria de motoristas que tem no acidente de trânsito com forte prevalência da presença de drogas e álcool, uma das três maiores causas de morte entre jovens de 14 a 29 anos de idade. A exigência passou assim, a ter plena validade jurídica em todo o território nacional, a partir de sua publicação, não carecendo de qualquer regulamentação complementar como afirma a Senatran por ordem do ex-ministro. 

No entanto, a ABTox e especialistas em trânsito alertam que a falta de aplicação efetiva por parte de órgãos responsáveis pela política de trânsito tem permitido que candidatos obtenham a CNH sem realizar o exame exigido em lei. Na prática, isso significa que habilitações estão sendo emitidas em desacordo com a legislação vigente – o que as tornam, na letra da lei, ilegais. 

Como evidência de que nada mais é preciso em termos de regulamentação pra que a lei seja cumprida, temos o exemplo do estado do Ceará, que aplica o exame desde a sanção da lei sem qualquer obstáculo ou dificuldade. 

“A lei está em vigor, foi regulamentada e conta com apoio massivo da população e do Congresso Nacional. Quando a exigência não é aplicada, não estamos diante de uma interpretação diferente da norma, mas do descumprimento de uma lei que, acima de tudo, coloca a vida de milhares de pessoas em risco nas vias brasileiras e abranda o combate às drogas no Brasil”, afirma Marcio Liberbaum, presidente do Instituto de Tecnologias para o Trânsito Seguro (ITTS). 

A pesquisa aponta, ainda, que 7 em cada 10 brasileiros acreditam que o exame toxicológico contribui para redução da violência doméstica e auxilia no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.


Exame toxicológico tem trajetória de impacto positivo na sociedade

A experiência acumulada ao longo dos últimos anos comprova o impacto positivo que o exame toxicológico para motoristas profissionais das categorias C, D e E. Apenas no primeiro ano de sua aplicação plena houve, segundo a PRF uma redução de 34% nos acidentes com caminhões e de 45% dos acidentes com ônibus em rodovias federais e a medida evitou, ainda, uma perda estimada de R$74 bilhões ao PIB, valor associado a afastamentos e sinistralidades envolvendo motoristas sob efeito de drogas. 

A ampliação da testagem dialoga com um contexto alarmante entre jovens, pois os acidentes de trânsito seguem como uma das três principais causas de morte na faixa de 14 a 29 anos. Estudos internacionais, como o World Drug Report (UNODC), também apontam crescimento relevante no consumo de drogas sintéticas entre jovens – justamente o público que ingressa no trânsito ao buscar a primeira habilitação. 

A medida também tem trajetória de apoio por parte da população: pesquisa Ipec (ex-IBOPE) de fevereiro de 2025 já apontava que mais de 85% dos brasileiros eram favoráveis à obrigatoriedade do exame toxicológico para quem busca a primeira CNH. 

Com resultados sólidos e apoio social amplo, a extensão do exame para novos condutores fortalece a política de prevenção de acidentes, reduz a pressão sobre o sistema público de saúde e contribui para um trânsito mais seguro e humano. A ampliação do exame para candidatos à CNH A e B é um avanço essencial para um país que ainda é o terceiro do mundo em número de mortes no trânsito, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e que busca construir uma cultura permanente de segurança viária.


De capitais a praias: veja os destinos mais buscados para viajar na baixa temporada


A baixa temporada vem se consolidando como uma oportunidade estratégica para viajar, seja para aproveitar destinos urbanos com menor fluxo de turistas ou explorar cidades litorâneas com mais tranquilidade. Para a baixa temporada, entre abril e junho de 2026, dados* da Booking.com, empresa de reservas de hospedagem, voos e outros serviços de turismo, revelam os destinos mais buscados por brasileiros na plataforma, indicando uma combinação de grandes capitais, destinos de clima ameno e cidades litorâneas entre as preferências.

Entre os destinos nacionais, o Rio de Janeiro mantém a liderança, refletindo seu apelo contínuo mesmo fora dos períodos de pico. Os demais destinos buscados mostram um mix de preferências que mantém o protagonismo do Nordeste mesmo em meses fora do verão.

1) Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

2) São Paulo, São Paulo

3) Maceió, Alagoas

4) Gramado, Rio Grande do Sul

5) João Pessoa, Paraíba

 

Entre famílias, Gramado lidera a lista como o mais buscado, o que reforça sua consolidação como destino versátil para diferentes faixas etárias. Os demais destinos evidenciam a preferência por locais com infraestrutura turística consolidada.

1) Gramado, Rio Grande do Sul

2) Porto de Galinhas, Pernambuco

3) Porto Seguro, Bahia

4) Maceió, Alagoas

5) Ubatuba, São Paulo

 

No cenário internacional, Paris ocupa a liderança das buscas. Santiago aparece na segunda colocação, mantendo sua relevância como opção próxima e prática para viagens mais curtas.

1) Paris, França

2) Santiago, Chile

3) Orlando, Estados Unidos

4) Roma, Itália

5) Lisboa, Portugal

 

O levantamento também revela o interesse de viajantes internacionais por destinos no Brasil durante a baixa temporada. Nesse quesito, também é observado o Rio de Janeiro no topo da lista de destinos mais buscados.

1) Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

2) São Paulo, São Paulo

3) Florianópolis, Santa Catarina

4) Búzios, Rio de Janeiro

5) Porto de Galinhas, Pernambuco

 

*Levantamento realizado com base em buscas por acomodações feitas por viajantes brasileiros na plataforma da Booking.com entre janeiro e março de 2026, para estadias com check-in entre abril e junho de 2026 (baixa temporada). Os dados consideram volume de buscas e não necessariamente reservas efetivadas.



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O enfraquecimento da Advocacia em tempos de relativização de normas e de abusos do Judiciário


A segurança jurídica é um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mais do que da existência de normas, ela depende de previsibilidade em sua aplicação e da confiança de que todos, sem distinção, serão submetidos às mesmas regras. Quando isso se rompe, o arcabouço legal deixa de cumprir sua função de estabilizar relações e passa a gerar incertezas. 

Não de hoje, o Brasil se vê em meio a um cenário em que a insegurança jurídica não decorre da falta de leis, mas, sim, de sua execução seletiva. Em determinados contextos, a norma parece ser manejada, manobrada, conforme o sujeito envolvido ou o ambiente político em que o caso se insere - resumindo, um adágio de conveniência executado ao som de oportunidade. Tal percepção, ainda que muitas vezes difusa, tem se tornado cada vez mais presente no debate público brasileiro. 

Neste sentido, ganha atualidade a ideia atribuída a Nicolau Maquiavel: “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. A frase do filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico do Renascimento sintetiza crítica recorrente por parte dos mais lúcidos e minimamente preocupados com os rumos tomados, ultimamente, por nosso País e que sinalizam para um Direito que, em certas situações, deixa de ser impessoal para assumir contornos estratégicos. 

A polarização política, é verdade, contribui para este cenário de incertezas e de descompasso legal. O debate público, na maior parte do tempo, pautado por alinhamentos ideológicos, relativiza erros, segundo a afinidade que nutre com aqueles que os praticam. Em paralelo, do outro lado de algum balcão, condutas semelhantes recebem tratamento diferenciado - o que, ao meu juízo, compromete a isonomia da esteira legal e enfraquece a confiança na tomada de decisões. 

Neste ambiente questionável de usos e costumes tupiniquins, a Advocacia é flagrantemente impactada. Como função essencial à Justiça, nos termos do artigo 133 da Constituição Federal, o advogado exerce papel fundamental na salvaguarda do contraditório e da ampla tutela. Portanto, restrições indevidas à sua atuação afetam não apenas o profissional, mas o próprio direito de defesa do cidadão. 

Casos recentes sinalizam para tal prática. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou, para o fim de abril, o interrogatório de Eduardo Tagliaferro - que foi seu assessor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-funcionário é réu por vazamento de mensagens do Gabinete referentes aos atos de 8 de janeiro de 2023. Em paralelo, o magistrado ainda determinou que a Defensoria Pública da União (DPU) assuma a defesa de Tagliaferro, ao entender que os advogados do acusado não regularizaram a representação do cliente na Alta Corte. 

Por sua vez, a DPU apontou que, “a destituição de advogados devidamente constituídos, sem a devida observância das garantias processuais, pode comprometer o exercício da tutela técnica” e, assim, pediu a anulação da decisão de Moraes. A Defesa deposta, inclusive, acionou judicialmente a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), apontando omissão. 

Outro episódio que ganhou repercussão, recentemente, e que merece análise, foi o de Aricka Cunhaz. A advogada foi presa, em Goiás, sob a acusação de difamação contra autoridade policial. A detenção teria sido motivada por um post que a jurista fez no Instagram, criticando a Delegacia que acompanha um caso dela em esfera pessoal. 

O caso levantou inquirições sobre a proporcionalidade da medida e no que tange os limites do poder estatal face à atuação profissional do causídico no Brasil e quanto ao direito à liberdade de expressão - uma vez que a jurista foi interceptada pelo próprio delegado designado a tocar a ocorrência - e que, segundo consta, se sentiu ofendido. 

Não se trata, que fique claro, de antecipar juízo definitivo sobre casos concretos, mas de reconhecer um padrão preocupante no Brasil: a flexibilização de garantias em contextos específicos. A excepcionalidade não pode, afinal, justificar o afastamento de princípios básicos do processo. 

A relativização das normas jurídicas e a tolerância a excessos institucionais têm se consolidado como fatores centrais na formação de um crescente senso de injustiça e de impunidade. O que significa que, quando a aplicação da lei deixa de ser uniforme, instala-se a percepção de que há diferentes padrões conforme o caso, a defesa e/ou o envolvido. 

Este clima pouco seguro compromete a confiança no sistema judiciário como um todo e atinge diretamente a Advocacia, que, de uns tempos para cá, vem exercendo sua função sob maior tensão, com direito à fragilização de suas prerrogativas e do próprio direito à ampla defesa. 

Advogados e advogadas não podem cair em descrédito em razão de descaminhos. A Advocacia, na qualidade de instituição, precisa reagir - deve se sobrepor a investidas que ferem seu simbolismo, sua autonomia e, principalmente, maculam seus profissionais de forma generalizada.

 

Ísis Sangy - advogada; especialista em Direito Eleitoral e em Direito Público; professora de Direito Eleitoral em cursos de pós-graduação e de extensão; e coordenadora da pós-graduação de Direito Eleitoral da Faculdade i9 Educação.


A toga que não veio: a resistência e o duro recado do Senado Federal a Lula

Acompanhei a sabatina de Jorge Messias, no Senado Federal, na quarta-feira (29/4), como deputada federal no exercício do segundo mandato, em Brasília-DF, mas, também, com o olhar de quem passou 25 anos no Jornalismo e aprendeu a ler o que não está dito. 

Antes mesmo da votação dos senadores pela aceitação ou não da indicação de Messias pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para uma cadeira do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia um sentimento difuso de cartas marcadas, de desfecho ensaiado. Durante a sabatina à qual foi submetido o advogado-geral da União, as perguntas seguiam, assim como as respostas. Mas nada ali parecia ter força para alterar o rumo. Era um rito sendo cumprido, um protocolo avançando, com a naturalidade de quem já conhece o final da história. 

A sensação era de jogo decidido. Até que, em certo momento, uma frase da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) sintetizou o clima: “Não se esqueça dos amigos que fez aqui, quando vestir a toga.” Não foi um alerta. Foi uma antecipação. A fala logo gerou ampla repercussão nas redes sociais e comentários sobre a relação entre senadores e ministros da Alta Corte. Para muitos, o comentário foi visto como uma confissão ou lembrança de apoio político. 

Mas a Política nem sempre segue uma linha previsível. Desta vez, ao menos, não seguiu. Por 42 votos contra 34, o Senado Federal rejeitou a indicação de Messias à Alta Corte, impondo, ao meu ver, dura derrota a Lula. O resultado surpreendeu até mesmo o governo petista e, ao que tudo indica, o próprio indicado. 

A reação de Messias, no fim, foi reveladora: fala contida, abraço da esposa e esforço visível para se recompor. Era o retrato de quem já se via no cargo, com a caneta na mão, e não esperava precisar lidar com a derrota. 

As explicações vieram imediatamente e continuam reverberando. Fala-se em articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), interessado em outro nome para o STF, como o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Aponta-se, também, a pressão da opinião pública diante do tema. 

Mas reduzir o resultado a um único fator é simplificar demais. Afinal, havia elementos concretos no tabuleiro. Entre eles, posicionamentos de Messias que geraram desconforto dentro e fora da Câmara Alta. 

Um dos mais sensíveis recai na defesa da assistolia fetal em gestações acima de 22 semanas - procedimento médico que interrompe os batimentos do feto por meio de aplicação direta de agentes farmacológicos (como cloreto de potássio) no coração. O tema, como não poderia deixar de ser, toca convicções profundas. 

Mas há um ponto que, para mim, é incontornável. Messias não era apenas um nome técnico, mas, sim, o ocupante da Advocacia-Geral da União (AGU), homem de confiança do presidente da República e aliado direto. E isso tem um peso enorme, convenhamos. 

Ora, o STF não pode ser percebido como extensão de governos, de mandatos, de partidos. Quando tal linha começa a se embaralhar, a reação institucional deixa de ser surpresa. Somam-se a isso dúvidas sobre independência, sobre liberdade de expressão e quanto à atuação da AGU em relação a críticos dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto. 

O resultado, por óbvio, foi resistência. E o Senado reagiu. Como bem disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não foi apenas uma derrota para Messias. Foi uma derrota para a gestão de Lula. 

Mesmo após semanas de articulação intensa, de infindáveis reuniões e de votos considerados certos, o desfecho foi outro, como vimos. A Casa Revisora disse “não” - uma resposta que rompe, ainda que pontualmente, a sensação de que tudo já chega decidido no Congresso Nacional; de que os ritos existem apenas para formalizar acordos fechados nos bastidores. Desta vez, o resultado foi diferente.

 A rejeição a Messias significa menos um aliado de Lula no Supremo, mas, principalmente, é a certeza de que os freios institucionais ainda podem ser melhor calibrados no Brasil.

 

Rosana Valle - deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1” e “Rota do Sol 2”


Exame prático de direção já pode ser agendado com veículo próprio em SP

Medida atende à Resolução nº 1.020/2025 e amplia opções do candidato no processo de habilitação 

 

O Detran-SP libera, desde 1 de maio, o agendamento de exames práticos de direção com o uso de veículo próprio. A medida atende à Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e passa a integrar o processo de habilitação no Estado. O cidadão de todos os municípios paulistas passa a ter mais flexibilidade para escolher a data e o veículo de sua preferência para a realização da prova.  

 

Com a mudança, o candidato à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode utilizar veículo próprio, devidamente licenciado e em bom estado de conservação. No caso dos carros próprios, é preciso fixar uma faixa branca removível com a inscrição “autoescola” na cor preta, de vinte centímetros de largura, ao longo da carroceria e à meia altura.  

 

O agendamento é feito diretamente pelo portal do Detran-SP, por meio deste link, mediante disponibilidade e o pagamento da taxa de R$52,83. A possibilidade amplia as alternativas disponíveis ao cidadão. 


 

CNH Paulista 


Desde a publicação da Resolução nº 1.020, em dezembro de 2025, o Detran-SP vem modernizando o processo de habilitação no Estado, com redução de cerca de 40% nos custos de exames médico e psicológico, retirada da etapa obrigatória de baliza, permissão da utilização de veículo automático, adequação para o limite de 10 pontos no exame prático (considerando infrações de trânsito), ampliação da validade dos processos de habilitação, diminuição da carga horária mínima de aulas práticas, atualização do banco de questões, mudança no modelo de avaliação, ampliação do tempo para prova teórica que passou a ser de 60 minutos e a redução da quantidade de questões corretas para aprovação, que saiu de 21 para 20. 

 

Para garantir uma transição segura, a Deliberação CETRAN-SP nº 10/2025 estabeleceu prazo de até 180 dias, a partir de 10 de dezembro de 2025, para a adequação à Resolução CONTRAN nº 1.020/2025, prazo respeitado pelo Detran-SP. No portal da CNH Paulista, estão detalhadas todas as informações e o passo a passo para o cidadão do Estado. 



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